Pedro e Paulo: duas colunas e uma pedra angular

“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”Mateus 16,13-19 O evangelho indicado para a festa de São Pedro e São Paulo nos situa diante de uma pergunta provocativa de Jesus: “e vós quem dizeis que eu sou”. Tal pergunta, dirigida aos discípulos e a cada um de nós, não só ajuda a “des-velar” (tirar o véu) a verdadeira identidade de Jesus como também nossa identidade original. Pedro, ao responder − “Tu és o Messias…” − no fundo, estava também deixando transparecer sua própria nobreza interior, aquilo que é o fundamento e sobre a qual se pode construir toda uma vida. E Jesus, como verdadeiro “pedagogo”, explicita o que estava escondido nas profundezas do coração de Pedro. “Tu és ‘petra’ (rocha, base sólida)”. Essa é a verdadeira identidade de Pedro. Ressoa no interior de cada um de nós esta mesma voz: “Tu és rocha…”. O coração de cada um está habitado de sonhos de vida, de futuro, de projetos; sente-se seduzido pelo que é verdadeiro, bom e belo; busca ardentemente a pacificação, a unificação interior, a harmonia com tudo e com todos…; sente ressoar o chamado da verdade, o magnetismo do amor, da plenitude; sente-se atraído por um desejo irreprimível de autotranscendência, de crescimento, de maturidade. Só a partir da vivência e da solidez interior poderemos descobrir o que significa Jesus como “Messias, o Filho do Deus vivo”. Só a partir da identificação com Ele é que poderemos também descobrir nossa original filiação, fundamento de nossa vida: “somos filhos e filhas do Deus vivo”. A filiação é a solidez que nos unifica a todos; ela é a base que sustenta nossa identificação com Jesus Cristo. Não é fácil tentar responder com sinceridade à pergunta de Jesus: “Quem dizeis que eu sou?”. Na realidade, “quem é Jesus para nós?”. Sua pessoa, seu modo original de ser e viver, chega a nós através de vinte séculos de imagens, fórmulas, devoções, experiências, interpretações culturais… que vão desvelando e velando ao mesmo tempo sua riqueza insondável. Mas, além disso, cada um de nós vai revestindo a Jesus com aquilo que nós somos. E acabamos projetando n’Ele nossos desejos, aspirações, interesses e limitações. E, quase sem nos dar conta, O apequenamos e O desfiguramos, mesmo quando queremos exaltá-lo. Mas Jesus continua vivo, e sua presença, na história da humanidade, sempre se revela provocativa e surpreendente. Na realidade, o que notamos é que grande parte dos cristãos não seguem e não se identificam com a Pessoa de Jesus; seguem doutrinas, ritos, algumas obrigações legais… que não têm impacto no modo de viver de cada um. Mas Jesus não se deixa etiquetar nem se deixa reduzir a alguns ritos, algumas fórmulas ou alguns costumes. Jesus sempre desconcerta a quem se aproxima d’Ele com atitude aberta e sincera. Ele se revela sempre diferente daquilo que pensamos e esperamos. Sempre abre novas brechas em nossa vida, rompe nossos esquemas e nos atrai a uma vida nova. Quanto mais O conhecemos, mais sabemos que ainda estamos começando a descobri-lo. Responder à pergunta − “quem dizeis que eu sou?” − é “perigoso” porque nos compromete com o modo de viver de Jesus: sua liberdade perante as tradições religiosas, sua relação com os mais pobres, sua opção clara em favor de uma causa humanizadora (Reino), a vivência dos valores presentes nas Bem-aventuranças, a visibilização do mandamento do Amor… Literalmente falando, Jesus é um “subversivo”, pois “sub-verte” nosso modo fechado de viver e de nos relacionar com os outros. Percebemos nele uma entrega livre que desmascara nosso egoísmo; Ele revela uma paixão pela justiça que sacode nossas seguranças, privilégios e busca de poder; transparece n’Ele uma ternura que deixa descoberto nossa mesquinhez, uma liberdade que põe às claras nossos apegos e dependências. E, sobretudo, vemos n’Ele um mistério de abertura, proximidade e intimidade com o Deus da Vida, que nos atrai e nos convida também a abrir nossa existência à intimidade com Ele. Só iremos conhecendo Jesus na medida em que nos identificamos com Ele e nos revestimos de seus sentimentos, valores, critérios… Só há um caminho para aprofundar em seu mistério: segui-Lo; seguir humildemente seus passos, abrir-nos com Ele ao Pai, prolongar seus gestos de amor e ternura para com todos, olhar a vida com seus olhos, compartilhar sua fidelidade à causa do Reino… São Pedro e São Paulo viveram, por caminhos diferentes, um original encontro com o Mestre da Galileia. Encontro que “des-velou” e extraiu o que havia de mais nobre e humano no coração de cada um deles (“tu és rocha” – “tu és paulo”). Foi essa solidez interior, que se visibilizou na maneira original de cada um seguir Jesus Cristo, que os transformou em colunas da Nova Comunidade dos seguidores do Nazareno. A eles foi conferida uma “autoridade” como caminho para o serviço e a promoção da vida. Jesus compartilha com eles sua mesma “autoridade”, que não tem nada a ver com o poder que domina ou a liderança que se impõe. Jesus tem “autoridade” porque o “centro” está no outro; Ele veio para servir. A expressão “autoridade” vem do verbo latino “augere”,que significa literalmente: aumentar, acrescentar, fazer crescer, dar vigor, robustecer, sustentar, elevar, levantar o outro, colocá-lo de pé, impulsioná-lo para frente… É a qualidade, a virtude e a força que serve para apoiar, para alentar, para ajudar as pessoas a serem elas mesmas, para fazê-las crescer, desenvolvendo suas próprias potencialidades. “Autoridade” significa recuperar a autoria, ativar a autonomia àquele que está impedido de optar e de fazer seu caminho. Nesse sentido, a autoridade nunca é perigosa para a pessoa, jamais é imposição ou atentado contra sua legítima autonomia ou liberdade. A autoridade é essencialmente amor. Também o exercício da autoridade deve ser medido pela palavra e pela obra de Jesus Cristo. E não pode ser de outra maneira, já que, se a origem da autoridade na Igreja é divina, também deveria ser “divina” o modo de exercê-la. Se toda autoridade provém de Jesus, deveria ser exercida à maneira como Jesus a exerceu, e isso vale tanto
A missão de acolher quem chega ao Brasil

Três datas na segunda metade de junho nos fazem refletir sobre a movimentação humana no Brasil e no mundo. O Dia Nacional do Migrante (dia 19), o Dia Mundial do Refugiado (20) e o Dia do Imigrante (25) colocam em evidência a realidade dessas pessoas e os papéis que governos e sociedade precisam desenvolver no acolhimento dessa população. Nesse contexto, apresentamos duas frentes de trabalho das irmãs missionárias servas do Espírito Santo e favor de quem chega a nosso País. Ações para os migrantes em Alto Alegre-RR “Nosso serviço consiste em estar onde é mais necessário. Essa é a herança recebida pelos fundadores da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo.” Assim pontua a irmã Aurélia Prihodova sobre a importância das ações desenvolvidas pelas quatro religiosas pertencentes a uma comunidade intercultural e internacional na Paróquia Santo Isidoro, em Alto Alegre, Roraima. Além do apoio à paróquia, sobretudo nas áreas de formação, pastoral e administração, elas participam de ações desenvolvidas pela Diocese de Roraima e da rede de atendimento social no movimento migratório da Venezuela e da Guiana Inglesa. Também oferecem apoio nas demandas dos povos indígenas (Macuxi e Wapichana) em sua luta por direitos fundamentais e territoriais. “É um lugar desafiador, onde a gente passa por uma transformação pessoal e comunitária. Nossa missionariedade oportuniza a disposição e flexibilidade de acolher, atender, aprender e servir a humanidade encontrada e integrá-la para o meio social”, afirma a missionária. A atenção especial aos movimentos migratórios começou em meados de 2018. Naquele ano, foram cadastrados 200 estrangeiros que chegaram a Alto Alegre em busca de uma vida digna. Em 2019, os atendimentos aumentaram, com registro de 285 pessoas acolhidas pelo serviço. Apesar da covid-19, a migração não parou nos anos seguintes, mesmo com o fechamento oficial das fronteiras entre Brasil e Venezuela, devido à pandemia. Em 2020, 150 pessoas buscaram apoio na comunidade de Alto Alegre. Em 2021, foram 170 migrantes. E, em 2022, já são 100 cadastrados. “Eles passam por caminhos perigosos e ilegais, chegando ao Brasil sem nada, somente com a violência e violação dos direitos fundamentais. Atendemos aqueles que permaneceram aqui no Município e os que estão sempre chegando. A média é de 350 a 400 pessoas”, comenta Ir. Aurélia. As religiosas atuam em rede com a Diocese de Roraima e com outras instituições, como a Organização Internacional do Migrante (OIM), o Serviço da Pastoral do Migrante (SPM) e a Cáritas Diocesana e Nacional. Primeiramente, o foco do atendimento é a fome. Depois, a documentação. E, em terceiro lugar, as irmãs oferecem aulas de Língua Portuguesa para favorecer a integração das pessoas, famílias e profissionais que saíram da Venezuela devido à crise. A paróquia criou também um grupo de mulheres imigrantes para promover a troca dos saberes culturais e tradicionais, além de escutá-las e de ser um lugar onde elas possam falar. Uma das ações permanentes são os agendamentos com a Polícia Federal e com o Posto de Interiorização e Triagem (Pitrig) para confecção da documentação de refúgio ou de residência das pessoas, ou ainda a renovação dos documentos daquelas que permaneceram no Município com esperança de retornar à Venezuela. Por meio do projeto de interiorização, já foram encaminhadas 75 pessoas para outros Estados do Brasil. De acordo com Ir. Aurélia, as tratativas com o Poder Público Municipal abrem caminho para o atendimento dos migrantes nos postos de saúde bem como a integração das crianças, adolescentes e jovens para a educação. Valendo-se da plataforma da Receita Federal, a Paróquia Santo Isidoro consegue agilizar também a solicitação do CPF sem que eles tenham necessidade de gastar dinheiro com a viagem até a capital, Boa Vista. A plataforma on-line do Ministério de Trabalho facilita a confecção da carteira de trabalho e acesso a benefícios sociais e do INSS. Porém, o esforço das missionárias em acolher os migrantes também se depara com dificuldades. “O que desafia nossa missão aqui é a xenofobia. No Município (Alto Alegre), não existem alternativas de poder empregatício. A população é formada por pequenos agricultores que lutam pela sobrevivência com um olhar não muito positivo para os migrantes. Escutamos muitas críticas, mas confiamos em Deus Uno e Trino que envia seu dinamismo e coragem para podermos agir com compromisso, responsabilidade e transparência em todas as atividades na missão a nós confiada”, conta Ir. Aurélia. Da parte de quem recebe essa atenção das irmãs, o sentimento é de gratidão. “Para mim, tem existido apoio, principalmente do Serviço da Pastoral dos Migrantes, que não só me ajudou espiritualmente, mas também me deu a oportunidade laboral. No princípio, foi muito difícil para eu me adaptar a uma língua nova. Deixei tudo lá (em Caracas): casa, trabalho, família e formatura. Algumas vezes, eu me sentia muito deprimida. Mas depois começou minha resiliência. Fui começando a me acostumar com as novas formas de vivência, incluindo cultura, língua e outros costumes. Trabalhei como faxineira, babá, ajudante de cozinha e vendedora de din-din. Pouco a pouco, fui me adaptando até me converter em agente pastoral e funcionária humanitária. Hoje ajudo muitos migrantes vulneráveis como eu”, diz Orladys Enriqueta Hernandez, 44 anos, que migrou da Venezuela para o Brasil devido à crise alimentar, saúde, educação e insegurança. Hoje ela vive em Boa Vista. Centro de Integração do Migrante em São Paulo-SP Inaugurado em 12 de dezembro de 2015, o Centro de Integração do Migrante (CIM) é uma iniciativa das irmãs missionárias servas do Espírito Santo que se configura como um espaço de convivência para a integração social, orientação e capacitação profissional de imigrantes que vivem na capital paulista. O trabalho é desenvolvido em conjunto com a Pastoral do Migrante da Arquidiocese de São Paulo e da Paróquia São João Batista do Brás. A atuação das missionárias no CIM tem seu foco na acolhida, proteção, promoção e integração dos migrantes, promovendo a preservação das diversas culturas e, de modo contínuo e respeitoso, apresentando a cultura brasileira. “Em geral, nossa comunidade é composta por três irmãs. No momento, estamos em duas, coordenando o CIM, atendendo, fazendo visitas, ajudando
Apaixonados, nunca precisamos tanto de vocês!

Data criada mais para afagar o comércio, o Dia dos Namorados é celebrado, no Brasil, em 12 de junho, véspera da memória de Santo Antônio de Pádua, o famoso “casamenteiro”. Essa, entretanto, também pode ser uma ótima ocasião de avaliar como nós, cristãos e cristãs, estamos lidando com os casais apaixonados de todas as idades. Adianto: há muito a ser revisto por nós, na vida pastoral, social e familiar. Antes de escrever estas linhas, eu tinha o desejo de dar algumas dicas para os que se preparam para o matrimônio. Elas seriam baseadas em minhas experiências pessoais e de meu ministério de diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte. Bem a tempo, dei-me conta de estar caindo na soberba. Melhor mesmo, para quase todos nós, seria suplicar a reconciliação com os próprios casais. Muitas de nossas comunidades de fé têm dívidas importantes com os namorados. Quantos já não tomaram uma bronca simplesmente por estarem de mãos dadas durante alguma liturgia ou circularem abraçados dentro de algumas de nossas instituições? A rispidez costuma vir de um moralismo sem fundamento, sem Evangelho, disfarçado de “zelo pela casa de Deus”. O amor dos namorados sacramentaliza, sim, o afeto de Deus pela humanidade. Em inúmeras passagens da Bíblia, o noivo é alegoria de Deus Pai ou de Cristo, a depender do contexto. A noiva, ora exuberante, ora anônima, ora pecadora a ser perdoada, é figura do povo, da Igreja. A celebração do matrimônio expõe, diante de nossos olhos, o mistério (sacramento) do Senhor que se derrete de amores por sua amada, antecipa-se e vai ao encontro dela no caminho (no corredor da igreja). Admirado por sua beleza, Ele a beija e firma com ela uma aliança. Para quem ainda não o fez, sugiro meditar, nessa ótica, o Cântico dos Cânticos. Assim, será fácil compreender o motivo de esse ser um dos principais textos de mística da história. Namorados, perdoem-nos por, muitas vezes, nós nos esquecermos de vocês em nossas comunidades de fé! Vocês costumam ser colocados de lado até na programação da Semana da Família, imaginem! No Dia dos Namorados, falamos mais contra o comércio aproveitador do que bendizemos a Deus pelo amor de vocês! Relevem nossa negligência, ao privá-los de espaço e tempo para ouvi-los e apoiá-los quando sofrem pelos desafios típicos desse tempo, como as discussões, as dúvidas, as fraquezas. Como perdemos em não lhes preparar um lugar digno em nossas paróquias, para saborearem juntos um sorvete. Queridos, lamentamos pelo descuido com vocês em tantos de nossos encontros vocacionais! Uma lástima! Como ainda temos coragem de falar de uma família cristã sólida sem um olhar carinhoso a vocês? Tenham misericórdia de nós! Nossas famílias também precisam (re)ver como lidam com os relacionamentos de seus filhos. Algumas se omitem, nem querendo saber com quem os seus estão saindo. Outras, por ciúmes ou superproteção, impedem ou embaraçam o desejo de seus filhos e filhas encontrarem a pessoa amada e com esta constituírem uma família. Quantos lares deixaram de surgir por isso! Também existem pais, mães e toda uma sociedade a forçar uma vocação matrimonial inexistente em alguns jovens, levando-os a uma vida de desventura. Uma pena! Vivemos tempos de culto idolátrico (inclusive por parte de “cristãos”) ao poder, à morte, à fome, ao “mercado”, às armas, à guerra. Assim, queridos casais apaixonados, precisamos muito de vocês! Clamamos por seu testemunho de beijos, abraços, conversas longas, ternas e “bobas”! Não se assustem com “D.R.” (no idioma namorês, “discutir a relação”), pois elas são normais na vida, quanto mais nesse tempo de discernimento. Ignorem os que confundem “namoro santo” com amor sem carícias. Quem inventou isso nunca namorou! Posso lhes garantir! Evitem o jejum de afeto! Apesar de tudo, não desanimem! Sejam muitíssimo bem acolhidos, bem-vindos em nossas comunidades de fé, em nossos encontros vocacionais, em nossos centros de apoio e pátios. Mesmo penitentes, ousamos abençoá-los. Louvado seja Deus por vocês! Dedico este texto a Tânia, minha namorada, com quem orgulhosamente sou casado (também, sim, temos nossas “D.R.”!). Obrigado por tudo! Eu te amo! Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade para as servas do Espírito Santo

“Cada um de nós deve esforçar-se para amar verdadeiramente o Espírito Santo de todo o coração e trabalhar na promoção de sua glória. Quanto mais o missionário fizer isso tanto mais o grande doador das graças, o Espírito Santo de Deus, abençoará seu trabalho” (Santo Arnaldo Janssen). As solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade, respectivamente denominadas como festa titular e festa principal de nossa Congregação, têm a recomendação de que sejam celebradas com grande ênfase. Como herança de nossa geração fundante, no mundo inteiro, nós, missionárias servas do Espírito Santo, cultivamos a espiritualidade trinitária, com ênfase no Espírito Santo, vínculo de amor e sinal da unidade entre o Pai e o Filho. Em razão disso, ao aproximarem-se dessas datas, nossas comunidades se enchem de uma profunda alegria com os preparativos para bem celebrar essas festas. Nesta semana, enquanto justamente ajudava na ornamentação de nosso colégio com as chamas de Pentecostes, um aluno (novo no colégio) perguntou-me: “Irmã, por que você está enchendo a escola com esses foguinhos?”. Felizmente nem precisei responder, porque o coleguinha que estava ao lado, sendo um aluno que está conosco há mais tempo, respondeu, dizendo que era porque estávamos na semana de Pentecostes, e continuaram conversando sobre o assunto. Esse pequeno aluno, ao explicar ao outro, transmitia um sentido de pertença. O Espírito Santo é como esse movimento, um coração transmite ao outro, e assim “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Nossas constituições caracterizam Pentecostes como “consumação do mistério pascal, em que, pelo envio do Espírito Santo, a Igreja manifestou-se ao mundo pelo testemunho dos apóstolos”. Nas comunidades de missão onde estamos inseridas, empenhamo-nos ao máximo para quem estiver conosco possa também reconhecer a grandiosidade do amor e da presença do Espírito Santo em nossa vida. Quando retomamos a caminhada e o crescimento espiritual de nosso fundador Santo Arnaldo Janssen, vemos que Ele tinha uma grande preocupação: muitos ainda não conheciam o Espírito Santo. Isso o angustiava. Por isso recomendou às três congregações fundadas por ele que, na missão, fossem fiéis à devoção ao Espírito Santo e nada fazer sem antes o consultar. Ele, o Espírito Santo, é o dinamizador da missão, que constantemente atualiza em nós as moções e os apelos às necessidades que surgem no mundo. No primeiro Pentecostes, o Espírito Santo fez com que caíssem as barreiras da comunicação, permitindo que os apóstolos se comunicassem de maneiras diferentes, com uma linguagem que todos pudessem entender. Uma linguagem acessível, que aproxima, atrai e faz acontecer uma sinodalidade, um caminhar junto, como partícipes de um mesmo mistério de amor. Para nós, o desafio continua o mesmo: manter viva a transmissão da espiritualidade. Espiritualidade aqui quer significar aquela orientação fundamental de uma pessoa diante da realidade global, ou seja, de Deus e da humanidade. A espiritualidade trinitária, à qual me referi no início, é centrada no relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nela, encontramos o modelo de comunidade e de sociedade que somos chamadas a construir a partir do diálogo, da partilha, da comunhão. Assim, uma semana depois de Pentecostes, temos a Solenidade da Santíssima Trindade, chave central da nossa espiritualidade e razão de nosso carisma missionário: “Tornar Deus Uno e Trino conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas!”. Viver o amor e a comunhão trinitária é cuidar para que todos os seres humanos possam viver com dignidade e com seus direitos respeitados, de acordo com a vontade de Deus. “Quanto mais venerarmos o Espírito Santo, mais seremos dignos de sua graça” (Santo Arnaldo Janssen). Irmã Roselene Ventura de Oliveira, SSpSProfessora no Colégio Espírito Santo, Canoas-RS.
Solenidade de Pentecostes

“Todos ficaram repletos do Espírito Santo”Atos dos Apóstolos 2,1-11 A liturgia de hoje nos descreve a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos discípulos, em duas tradições: a de Lucas (Atos dos Apóstolos) e a da Comunidade do Discípulo Amado (João 20). Salta aos olhos que uma leitura fundamentalista da Bíblia (infelizmente ainda muito comum entre nós) leva a gente a um beco sem saída, pois, no Evangelho de João, a Ressurreição, a Ascensão e a descida do Espírito se dão no mesmo dia (a Páscoa), enquanto Lucas separa os três eventos, dentro de um período de cinquenta dias. Por isso devemos ler os textos dentro dos interesses teológicos dos diversos autores: os 40 dias de Lucas, por exemplo, entre a Ressurreição e a Ascensão, correspondem aos 40 dias da preparação de Jesus no deserto, para a sua missão. Pois, como Jesus ficou “repleto do Espírito Santo” (Lucas 4,1) e se lançou na sua missão “com a força do Espírito” (Lucas 4,14), a comunidade cristã se preparou durante o mesmo período e, na festa judaica de Pentecostes, também experimentou que “todos ficaram repletos do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 2,4). Uma leitura superficial do texto de Atos dá a impressão de um relato uniforme e coeso, mas isso se deve à habilidade literária do autor. Na verdade, ele costurou um relato só, tecendo elementos de duas tradições. Uma leitura cuidadosa nos mostra essas duas tradições: a primeira está nos versículos 1 a 4, uma tradição mais antiga e apocalíptica; a segunda está nos versículos 5 a 11, mais profética e missionária. Nos primeiros versículos, estamos no ambiente de uma casa, onde os discípulos se reuniram. Atos nos faz lembrar que estavam reunidos três grupos distintos, os Onze, as mulheres (entre as quais Maria, a mãe de Jesus), e os irmãos do Senhor. Embora talvez representem três tradições cristológicas diferentes no tempo de Lucas, ele faz questão de enfatizar que todos estavam reunidos com “os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração” (Atos 1,14). Quer dizer, a descida do Espírito não é algo mágico, mas consequência da unidade na fé e no seguimento do projeto de Jesus. O primeiro relato (versículos 1 a 4) usa imagens apocalípticas, símbolos da teofania, ou da manifestação da presença de Deus: o som de um vendaval e as línguas de fogo. A expressão externa da descida do Espírito é o “falar em outras línguas” (não o “falar em línguas” – glossolalia – tão valorizado por muitos grupos de cunho neopentecostal). A segunda tradição muda o enfoque. O ambiente muda da casa para um lugar público, provavelmente o pátio do Templo. O sinal visível da presença do Espírito não é mais o falar em outras línguas, mas o fato de que todos os presentes possam “ouvir, em sua própria língua, os discípulos falarem” (Atos 1,6). O termo “ouvir” aqui implica também “compreender”. Por três vezes, o relato destaca o fato de os presentes poderem “ouvir” em sua própria língua (versículos 6, 8, 11). Assim, Lucas quer enfatizar que o dom do Espírito Santo tem um objetivo missionário e profético: de fazer com que toda a humanidade possa ouvir e compreender a nova linguagem que une todas as raças e culturas, ou seja, a do amor, da solidariedade, do projeto de Jesus, do Reino de Deus. A lista dos presentes tem um sentido especial: estão mencionadas raças, áreas geográficas, culturas e religiões. Todos ouvem as maravilhas do Senhor. Assim, Lucas ensina que a aceitação do Evangelho não exige o abandono da identidade cultural. Contesta a dominação cultural, ou seja, a identificação do Evangelho com uma cultura específica. Durante séculos, esse fato foi esquecido nas Igrejas, e identificava-se o Evangelho com sua expressão cultural europeia. Nos últimos anos, a Igreja tem insistido muito na necessidade da “inculturação”, de anunciar e vivenciar a mensagem de Jesus dentro das expressões culturais das diversas raças e etnias. O texto é uma releitura da Torre de Babel, onde a língua única era o instrumento de um projeto de dominação (uma torre até o céu!) que foi destruído por Deus pela diversidade de línguas. Nenhuma cultura ou etnia pode identificar o Evangelho com sua expressão cultural a respeito dele. Hoje é uma grande festa missionária. Marca a transformação da Igreja de uma seita judaica em uma comunidade universal, missionária (mas não proselitista), comprometida com a construção do Reino de Deus “até os confins da terra”. Lucas insiste que a experiência de Pentecostes não se limita a um evento; é uma experiência contínua, por isso relata novas descidas do Espírito Santo: em uma comunidade em oração, dentro de uma casa (Atos 4,31); sobre os samaritanos (Atos 8,17); e, para o espanto dos judeu-cristãos ortodoxos, sobre os pagãos, na casa de Cornélio (Atos 10,4). Pois o Espírito Santo sopra onde quer, sobre quem quer, em favor do Reino de Deus. Aprendamos do texto de Atos e celebremos nossa vocação missionária, não a de falar em línguas, mas a de falar a língua única do amor e do compromisso com o Reino, para que a mensagem do Evangelho penetre todos os povos, culturas, raças e etnias. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Novena de Pentecostes 2022 – 9º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Nono dia“Cativadas pelo convite permanente para entrar na Dança Divina, nós nos unimos, com audácia, a nosso Deus-compaixão, como instrumentos de transformação no mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Jesus viveu sua vida pública entre a montanha e a planície. Levando constantemente ao Pai a dor de seu povo, e levando a seu povo a ternura e a cura do Pai. A relação íntima de Jesus com o Pai e o Espírito foi a força motriz de seu ministério em todos os momentos… Ao estar completamente imerso na dança da Trindade, Jesus se tornou para nós um modelo de transformação interior e uma melodia viva de compaixão neste mundo. (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (João 7,53; 8,1-11) E voltaram, cada um para sua casa. Jesus foi para o monte das Oliveiras. Ao romper da manhã, voltou ao Templo, e todo o povo veio a ele. Sentou-se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: “Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos, na Lei, que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu sobre isso?”. Perguntavam-lhe isso a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, inclinou-se e começou a escrever com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: “Quem de vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados por sua própria consciência, eles foram retirando-se um por um, a começar pelos mais idosos, de modo que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então, erguendo-se e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?”. Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Disse-lhe então Jesus: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”. Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: ao caminhar com pessoas (muitas vezes) em sofrimento, de que forma estou sendo uma ponte, levando o sofrimento das pessoas à Trindade (na oração) e oferecendo a cura e a compaixão da Trindade às pessoas (no serviço missionário)? (Depois desse tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
Novena de Pentecostes 2022 – 7º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Sétimo dia“Atentas às novas maneiras pelas quais o Espírito nos move em missão hoje, discernimos e redesenhamos/reformulamos nossas estruturas em todos os níveis, ao mesmo tempo em que honramos o legado que recebemos.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Nascer do alto, nascer do Espírito. É o salto que a confissão de Nicodemos deve dar, mas ele não sabe como fazer isso. Pois o Espírito é imprevisível. […] Quem se deixa conduzir de um lugar a outro pelo Espírito Santo: essa é a liberdade do Espírito. Em nossa vida cristã, muitas vezes, paramos como Nicodemos […], não sabemos que passo dar, não sabemos como o fazer ou não temos confiança em Deus para dar esse passo e deixar o Espírito entrar. Nascer de novo é deixar o Espírito entrar em nós, e que seja o Espírito a guiar-me, e não eu. E como nos preparamos para nascer de novo? Pela oração. É a oração que abre a porta ao Espírito e nos dá essa liberdade, essa franqueza, essa coragem do Espírito Santo. E nunca saberás para onde isso te levará. (Papa Francisco, 20 de abril de 2020) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (João 3,1-8) Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: “Rabi, sabemos que és um mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes se Deus não estiver com ele”. Jesus replicou-lhe: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”. Nicodemos perguntou-lhe: “Como pode um homem voltar a nascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?”. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te surpreendas que eu te tenha dito: necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito”. Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: estou verdadeiramente aberta, aberto ao Espírito de Discernimento que guiou Jesus em seu tempo e me desafia a responder, de novas formas, à missão de Deus hoje? (Depois desse tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
Novena de Pentecostes 2022 – 6º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Sexto dia“Impelidas pelo chamado do Espírito à Igreja em caminho sinodal, revemos e expandimos nossa colaboração, trabalho em rede e interconexão. Escutamos, de maneira especial, as vozes e ritmos dos leigos que procuram viver o carisma e a espiritualidade das SSpS como parceiros/companheiros em missão.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução O fato de Jesus ter escolhido os discípulos para ajudá-lo em seu trabalho não foi um capricho; não foi algo que Ele simplesmente decidiu fazer, somente porque lhe apeteceu. Jesus, como Deus, não poderia ter feito isso sozinho, porque Deus nunca pode fazer nada por si mesmo. Este é o ponto da Trindade: ser Deus nunca é estar sozinho. E assim, ao chamar os discípulos, Jesus revela a verdadeira natureza de Deus como uma comunhão de pessoas, uma comunhão em missão. (Stephen Bevans, SVD) A eleição dos apóstolos não é privilégio de uma posição exclusiva de poder e separação, mas a graça de um ministério inclusivo de bênção e comunhão. Graças ao dom do Espírito do Senhor Ressuscitado, os apóstolos devem guardar o lugar de Jesus, sem o substituir: não para colocar filtros à sua presença, mas para facilitar o encontro com ele. (Para uma Igreja sinodal: documento preparatório, n. 19) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Marcos 1,16-20; Mateus 10,2-8) Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse-lhes: “Vinde após mim; Eu vos farei pescadores de homens”. Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no. Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo. Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram. (Marcos 1,16-20) Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. Esses são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: “Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria. Ide, antes, às ovelhas que se perderam da casa de Israel. Por onde andardes, anunciai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!”. (Mateus 10,2-8) Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: de que forma estou seguindo Jesus em sua determinação de envolver plenamente a outros em sua paixão pela missão de Deus? (Depois desse tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
Novena de Pentecostes 2022 – 5º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Quinto dia“O mundo em rápida mudança, as novas tecnologias e o sentido cada vez menor da vocação religioso-missionária exigem que cultivemos um espírito de discernimento como ‘aprendizes por toda a vida’. No processo de formação holística, assumimos a responsabilidade pela integração e transformação em nível pessoal e comunitário.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Na passagem do Evangelho de hoje (Marcos 7,24-30), a primeira resposta de Jesus à mulher é desnecessariamente dura. Entretanto, Jesus mostra como Ele é a encarnação da sabedoria, por sua própria prática de humildade. A segunda resposta de Jesus (“Por causa do que você disse”) demonstra que Ele reconheceu a verdade na humilde resposta da mulher. Sua ação e resposta foram o catalisador para a mudança de atitude em Jesus (como aprendiz por toda a vida). A abordagem e a resposta da mulher demonstram sua humildade (ela se prostra aos pés de Jesus, confiante pela fé); e a segunda resposta de Jesus também demonstra a humildade do Mestre (como compassivo, cuja missão precisa ser expandida). No fim, Jesus se revela como sabedoria encarnada (modelo de discernimento), cujo caminho é a humildade. Como discípulos, discípulas, também nós devemos seguir esse caminho. Já que Cristo é a sabedoria e seu caminho é a humildade, a humildade é o caminho da sabedoria. (Christopher E. Alt, Boston College) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Marcos 7,24-30) Em seguida, deixando aquele lugar, foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto, pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que Ele estava ali, entrou e caiu a seus pés. Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia. Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. Disse-lhe Jesus: “Deixa primeiro que se saciem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorros”. Mas ela respondeu: “É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos”. Jesus respondeu-lhe: “Por causa dessa palavra, podes ir-te, porque o demônio saiu de tua filha”. Ela voltou para casa e encontrou a menina deitada na cama. O demônio havia saído. Dirigente:Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como vejo a Trindade em ação no encontro de Jesus com a mulher siro-fenícia? O que significa, para mim, ser uma verdadeira “aprendiza por toda a vida”?(Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
Novena de Pentecostes 2022 – 3º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Terceiro dia“Despertadas pelo grito da Trindade, através da dor e do sofrimento da Mãe Terra e de nossas irmãs e irmãos nas margens, descobrimos que a conversão ecológica e a vida sustentável se tornam um compromisso ético irrenunciável.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução A Mãe Terra grita por causa dos danos que lhe infligimos, por nosso uso irresponsável e abuso dos bens com os quais Deus a dotou. Chegamos a ver-nos como seus senhores e donos, com o direito de saqueá-la à vontade. A violência presente em nossos corações, feridos pelo pecado, reflete-se também nos sintomas de doença evidentes no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida. O Patriarca Bartolomeu falou da necessidade de cada um de nós se arrepender das formas como prejudicamos o planeta, pois “conforme todos nós geramos pequenos danos ecológicos”, somos chamados a reconhecer “nossa contribuição, menor ou maior, para a desfiguração e destruição da Criação”. Ele nos desafia a reconhecer nossos pecados contra a Criação. Ele chama a atenção para as raízes éticas e espirituais dos problemas ambientais e nos pede que substituamos o consumo pelo sacrifício, a ganância pela generosidade e o esbanjamento pelo espírito de partilha. (Adaptado de Laudato si’, n. 2, 8 e 9) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Mateus 25,31-40) Quando o Filho do Homem voltar em sua glória e todos os anjos com ele, vai sentar-se em seu trono glorioso. Todas as nações vão reunir-se diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então, o Rei dirá aos que estão à direita: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes ver-me”. Os justos vão lhe perguntar: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?”. Responderá o Rei: “Em verdade, eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”. Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como respondeu Jesus, em palavras e ações, ao grito da Trindade em seu tempo? Como sou chamada a responder a esse grito hoje? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.