Novena de Pentecostes 2022 – 1º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Primeiro dia“Imersas na dança da Trindade, somos urgidas a percorrer um caminho profético de transformação, para nos tornarmos uma melodia de compaixão neste mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução: Nós, a comunidade das, dos que seguem Jesus (portanto, seguem o Pai e o Espírito), somos chamadas a esta “dança” divina. Entrar nesta dança deve preparar o terreno para que nos convertamos em pessoas capazes de viver relações marcadas pelo amor e pela compaixão. Essa verdade nos chama a viver de maneira interdependente, umas, uns com as outras, os outros, chamando, guiando, acompanhando e seguindo esta dança no ministério (serviço missionário). (Adaptado de Cynthia H. Rich) Na passagem do Evangelho que rezamos neste primeiro dia de nossa novena (Lucas 3,21-22, 4,14-21), Lucas revela como Jesus experimenta a intimidade do Pai no Espírito enquanto ora depois de seu batismo. A certeza de ser o Amado revigorará a paixão de Jesus pela missão de Deus, pois ele se propõe a ser uma presença de compaixão e cura para todos. (Tomamos uns momentos de silêncio para refletir sobre estes textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Lucas 3,21-22; 4,14-21) Sucedeu que, quando todo o povo estava a ser batizado, Jesus também foi batizado. Enquanto orava, o céu se abriu, e desceu o Espírito Santo, em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz que dizia: “Tu és meu Filho; Eu, hoje, te gerei.” Jesus voltou para a Galileia na força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas, era aclamado por todos. Veio a Nazaré, onde se havia criado, e, segundo seu costume, entrou na sinagoga em dia de sábado e levantou-se para fazer a leitura. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías, e desenrolando o livro, leu a passagem onde estava escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar aos pobres a Boa-Nova, enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.” Enrolando o livro, Ele o devolveu ao ministro e sentou-se. Na sinagoga todos os olhos estavam fixos nele. Começou, pois, a dizer-lhes: “Esta Escritura que acabais de ouvir cumpriu-se hoje”. Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: de que maneira sou desafiada a entrar em um caminho de transformação (como o fez Jesus) para converter-me em uma pessoa mais compassiva? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
Adoção: um ato de amor, um sentido para a vida

Em 2002, foi criado no Brasil o Dia Nacional da Adoção, estabelecido para ser comemorado em 25 de maio. Adotar uma criança ou um adolescente é, em primeira instância, um ato de amor. A despeito de todos os trâmites burocráticos e legais, adotar significa abrir nossa vida, nossa casa, nosso amor a um ser humano que precisa de nossa ajuda. Junto a esse status de ato de amor, pode-se dizer que adotar também é um ato de fé. Fé em um mundo melhor, com valores mais sólidos, respeito e dignidade para todas as pessoas. Ao adotar uma criança ou um adolescente, damos o maior passo que alguém pode dar na direção do cuidado com outro ser humano. Há um ditado japonês que fala que vive mais quem encontra um sentido na vida. Muitas vezes, as crianças adotadas passam a ser o sentido da vida dos pais. O legado deixado pelos pais, biológicos ou adotivos, no formato abstrato de ética e moral, é a mais valorosa dádiva que alguém pode receber. Doar seu amor, seu carinho, todas as condições necessárias para que uma pessoa se desenvolva, faz do ato de adotar um grande sentido de vida. No Brasil, as adoções ainda não conseguem dar conta do montante de crianças em abrigos, que esperam por alguém que resolva tomá-las como filhos. Somos um país pobre, que, infelizmente, nos últimos anos, voltou para o mapa da fome. Além das razões financeiras, adotar ainda exige a quebra de paradigmas quanto aos laços sanguíneos. Por mais que os estudos de genética do comportamento e do próprio genoma humano estejam muito avançados, ainda não se pode afirmar, com certeza, que o comportamento se deva somente a influências do meio. Tal fator, somado ao dado de que a maioria das crianças disponíveis para adoção são aquelas cuja história de desestruturação familiar, violência doméstica, morte dos genitores em situação violenta colabora para que as pessoas sejam resistentes à adoção. Mesmo assim, os números são animadores e têm crescido. O Brasil teve aumento de 11,9% nos casos de adoção em 2021, em relação a 2020. Tal dado corrobora a teoria de que, cada vez que a humanidade passa por períodos de grande agitação e estresse, em seguida, aumentam os números de nascimentos e adoções. Foi assim ao fim da II Guerra Mundial, quando a explosão de natalidade foi chamada “baby boom”. A pandemia de covid-19 talvez tenha trazido muitas indagações sobre o sentido da vida para as pessoas que aumentaram os números da adoção em 2021. Afinal, se, segundo Sigmund Freud, o maior medo do ser humano é o medo da morte, um de seus maiores deleites é buscar a felicidade. São inúmeros os casais cujo objetivo principal de se candidatarem à adoção é a busca desse sentido na vida, a oportunidade de amar uma pessoa em crescimento. O aumento da idade da mulher para se ter o primeiro filho também cresceu consideravelmente há mais de 30 anos. A entrada da mulher no mercado de trabalho, consequentemente sua necessidade de formação, tirou-a da linha reprodutiva e construtora de famílias por um tempo. Muitas começam a pensar em formar uma família após os 35 anos. Biologicamente, a mulher tem uma condição que a diferencia consideravelmente do homem na questão reprodutiva. Quanto mais velha, mais difícil se torna a gestação natural. Na falta de condições financeiras para a FIV (fertilização in vitro, processo de reprodução assistida), ou por outras impossibilidades biológicas e patológicas, a adoção acaba sendo a alternativa que mais certamente dará resultados para se ter um filho. Grupos de apoio a adoção estão espalhados pelo Brasil. Fazem reuniões obrigatórias para se entrar na fila da adoção, e os futuros pais aprendem sobre seus filhos, sem os ter ainda. Porém o exercício projetivo mostra pais esperançosos de que, nos meses seguintes, sejam capazes de carregar seu filho e não um boneco realista. Ao contrário de alguns países, como o Japão, por exemplo, que tem elevado índice de adoção de homens adultos, entre 20 e 30 anos, no Brasil, a adoção dos mais jovens é muito mais frequente. Quanto maior a distância temporal do nascimento, mais difícil se torna para a criança ou adolescente ser adotado. No Japão, a prática centenária se deve ao valor que a tradição sanguínea e a hereditariedade de direito têm. A busca de casais por filhos adotivos adultos, principalmente se são possuidores de alguma empresa familiar, é alta. Além de adotá-los como herdeiros, o processo também inclui se casar com a filha herdeira. Nesse caso, o homem herdará o nome da família da esposa para poder perpetuá-lo. Os brasileiros, por sua vez, acreditam que, quanto mais jovem, e mais “sem memórias” for a criança adotada, mais fácil será sua adaptação aos novos pais. Outro fator importante no Brasil é o propósito legal e jurídico de não se separarem irmãos. Ou seja, caso os pais biológicos percam o direito sobre todos os filhos menores de 18 anos, a preferência na adoção é que todos sejam adotados pela mesma família, evitando assim sua separação. Esse fator também acaba por impedir, muitas vezes, que a adoção se realize. Seja a adoção burocrática ou não, fato é que uma criança reacende a chama da vida numa família que pode estar desesperançada. É muito comum que técnicas para “revelação da origem”, ou seja, quando se conta para a criança que ela não é filha biológica, sejam apresentadas argumentações como: “O papai e a mamãe eram muito tristes até o dia em que Papai do Céu trouxe você de presente”; ou ainda, “Você não nasceu da barriga da mamãe! Você veio do meu coração! Por isso você é nosso filho do coração! Porque é no coração que a gente sente que ama uma pessoa. E eu sinto aqui, no meu coração, como eu amo você desde o dia em que você veio para a nossa casa”. Neste Dia Nacional da Adoção, que todos os brasileiros possam parar um minuto e pensar na importância que há em dar a uma criança ou
Novena de Pentecostes 2022 – 2º dia

ORAÇÃO INICIAL Vem, Espírito de Entendimento,e supera em nós todas as barreiras. Vem, Espírito de Encontro,e constrói pontes entre nós. Vem, Espírito de Paz,e traz a cura a nossos corações e a nosso mundo. Vem, Espírito de Abertura,e rompe a mesquinhez de nossos corações. Vem, Espírito de Conselho,e mostra-nos o seguinte passo a dar. Vem, Espírito de Conhecimento,e mostra-nos o caminho a seguir, conforme a tua vontade. Vem, Espírito de Sabedoria,e aprofunda nossa confiança em tua orientação. Vem, Espírito de Amor,e ajuda-nos a ser instrumentos de tua bondade. Vem, Espírito de Discernimento,e faz-nos escutar tua voz e seguir teu caminho. (autor desconhecido) Sugestão: momento de silêncio, para interiorizar a oração e, depois fazer eco da mesma (pode-se utilizar música). ______________________________________________________________ Segundo dia“Movidas pelo Espírito vivificante, reavivamos nossa paixão pela missão de Deus. Buscamos cruzar múltiplas fronteiras para encontrar-nos com as pessoas ali onde estão, especialmente com aquelas que são marginalizadas ou excluídas por nosso mundo.” (XV CG) Canto ao Espírito Santo (escolhido pela responsável da oração) Introdução Quando considero as histórias sobre Jesus, vejo, uma e outra vez, como Ele se abriu a esses encontros (com os pobres). Há uma história hindu que diz: “Olhei à distância, vi algo que se movia e pensei que fosse um animal. Quando me aproximei, vi que era um homem. Quando parei e o olhei nos olhos, vi que era meu irmão”. Se nossa vida espiritual pessoal e nossa experiência coletiva na Igreja nos protegem dessas experiências intensas (de encontrar os pobres), então estamos violando o chamado de nossa fé. Se pensarmos na espiritualidade e na Igreja como um refúgio contra esses encontros desconfortáveis, então provavelmente estamos perdendo a Cristo (que se encontra) entre nós. (Ir. Philip Pinto, CFC) (Tomemos uns momentos de silêncio para refletir sobre esses textos) ORAÇÃO INICIAL Palavra de Deus (Marcos 5,21.25-34) Tendo Jesus passado outra vez para a outra margem, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ora, havia ali uma mulher que, já por doze anos, padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Dizia ela consigo: “Se tocar, ainda que seja na orla de seu manto, ficarei curada”. Ora, no mesmo instante, se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: “Quem tocou minhas vestes?”. Responderam-lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão te comprime e perguntas: ‘Quem me tocou?’”. E ele olhava ao redor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade. Mas Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal”. Dirigente: Em silêncio (aproximadamente dez minutos), reflitamos sobre o texto e a imagem, perguntando-nos: como a presença sanadora de Jesus me desafia a crescer na paixão pela missão de Deus e a verdadeiramente “encontrar as pessoas onde elas estão”? (Depois deste tempo de silêncio, partilhar a reflexão/oração) Oração: Pai-Nosso Canto (escolhido pela responsável da oração) ______________________________________________________________ ORAÇÃO FINAL Deus de ternura e compaixão,Três em Um,sempre dançando,sempre amando,sempre nos chamando a ti,para unir-nos à tua dança… Estivemos reunidas, reunidos,e Tu rezaste conosco e em nós,derramaste teu Espírito em nossos corações,cantaste tua música em nossas almas… Fica conosco agora, para que,ao continuarmos nosso caminho de transformação,possamos levar tua dança ao mundo,escutando e respondendo a teu gritono grito da mãe terra e de nossos irmãos e irmãs; abraçando apaixonadamente sua missãoem nossas comunidades interculturais,como testemunhas de tua bondade e compreensão. Que possamos unir-nos corajosamente à tua dança, Deus de amor,e ser instrumentos de tua compaixão neste mundo. Rezamos esta oração por meio de Jesus Cristo, no Espírito, Amém. Canto final a Maria (escolhido pela responsável da oração) Reze conosco seguindo as publicações diárias, ou com sua comunidade baixando a novena completa.
6º Domingo da Páscoa

“Eu lhes dou a minha paz”João 14,23-29 A porta de entrada do texto é o versículo anterior, em que Judas (não o Iscariotes) pergunta a Jesus, durante a Última Ceia, “Por que vais se manifestar a nós e não ao mundo?” (vers. 22). Jesus dá a resposta: o Pai vem morar no cristão que guarda sua Palavra, pois suas palavras são as do Pai. O mundo (aqui entendido como o antirreino, não o mundo físico) não ama a Deus. A presença de Deus somente pode ser experimentada por quem o ama. Não é possível amar Deus sem guardar sua Palavra. O versículo 26 traz a segunda predição no Último Discurso da vinda do Paráclito (João 14,15). Aqui se focaliza mais seu papel de ensinamento, um ensinamento que clarifica o que Jesus ensinou. Ele vai fazer com que os discípulos “lembrem” tudo o que Jesus disse. Aqui, “lembrar” significa a capacidade de entender o verdadeiro sentido das palavras e ações de Jesus, depois da ressurreição (João 2,22; 12,16). O Espírito Santo, aqui descrito como Paráclito (no sistema judicial grego, o Paráclito era o advogado da defesa), não trará ensinamento que seja independente da revelação de Jesus. Ele vai preservar os discípulos de erro e guardá-los perto de Jesus. Com esse dom, Jesus deixa sua paz a sua comunidade. Ele usa a palavra tradicional dos judeus para a paz: shalom. É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada na noite de Páscoa, quando dirá “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo” (João 20,21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende, muitas vezes simplesmente como a ausência de briga. Com frequência, a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido, como tantos países experimentaram durante as ditaduras de direita e de esquerda. O shalom é tudo o que o Pai quer para seu povo. Somente existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e de suas consequências. Como dizia o saudoso Papa São Paulo VI, “Justiça é o novo nome da paz!”. O shalom dos discípulos não pode ser perturbado pelo fato de sua partida, pois é pela volta do Filho para o Pai que o shalom vai se instalar. A verdadeira paz, o shalom, é um dom de Deus, mas precisa da colaboração humana. Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo e na cidade, da exploração do latifúndio, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou de uma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos e filhas de Deus. Às vezes, esse shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino, mas quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta a verdade da frase do texto de hoje: “Não fiquem perturbados nem tenham medo” (vers. 27), pois, disse Jesus, “Eu venci o mundo”. Por isso devemos sempre “fazer a memória de Jesus” (aqui se destaca o momento privilegiado da celebração eucarística), de sua pessoa e de seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença (ou ausência) do shalom em nossa sociedade e nos comprometemos com a criação do mundo mais justo que Deus quer. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Vocação: um caminho para a santidade

A vocação batismal é o chamado para seguir Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Marcos 1,17). No primeiro chamado, o batismo, somos interpelados a responder “sim”, entrar na dinâmica do discipulado de Jesus e, conscientemente, aderir ao projeto de Deus e viver com intensidade nossa vocação batismal. Desse modo, tornarmo-nos capazes de anunciar o amor compassivo e misericordioso de Deus às pessoas, por meio do apostolado e da missão. Ao redescobrirmos nossa vocação batismal, percebermos que todas as pessoas batizadas são chamadas por Deus e enviadas em missão. A vocação é, antes de tudo, chamado para o seguimento de Cristo, a tomar o caminho da santidade. Na comunidade cristã, não é importante ser isso ou aquilo, mas ser membro efetivo, como discípulo e discípula de Jesus. Os chamados de Deus para vocações específicas (sacerdócio, vida religiosa consagrada, matrimonial e leiga) são formas diferenciadas de viver o seguimento de Cristo. Poderíamos dizer que é a concretização da vocação batismal, realização do batismo mediante uma resposta pessoal, de acordo com os dons recebidos no próprio batismo e suscitados pelo Espírito Santo. Todo cristão precisa ser fiel à inspiração que o Espírito Santo segreda no seu coração e responder, com fidelidade, ao chamado. É todo o povo de Deus que se beneficia do carisma e da fidelidade de cada membro da Igreja-comunidade. “Segue-me!”, diz Jesus a cada um de nós, hoje. Precisamos ter a mesma atitude de disponibilidade e prontidão de tantos seguidores de Jesus… para entrar no projeto de Jesus. Assumamos nosso batismo para valer: testemunhar que vale a pena ser de Jesus, segui-lo, que vale a pena aderir a seu Reino e tornar-nos construtores do Reino de Deus aqui e agora. Ser fiel e perseverante ao chamado de Deus em nosso interior é, com certeza, garantia de realização e de vida plena e feliz. A fidelidade se consegue pela presença atuante do Espírito Santo. É um “deixar-se conduzir pelo Espírito” (Gálatas 5,16), na oração. Abramos nosso coração. Deixemos o Deus da Vida falar a nosso interior. Que Maria, a Serva do Espírito Santo, alimente a chama acesa de nossa vocação e continue acendendo essa mesma chama no coração de muitos jovens generosos e disponíveis. Irmã Hermelinda Maria Ruschel, SSpS, Ponta Grossa-PR.