No tempo das mentiras, o Espírito Santo nos ensina a verdade

Em um mundo globalizado, marcado pelas inovações tecnológicas, pela propagação de fake news e pela busca incessante, nas redes sociais, de notoriedade e fama a qualquer preço, a Festa de Pentecostes se torna uma oportunidade para a humanidade refletir profundamente não apenas sobre os frutos ou sete dons do Espírito Santo, mas, sobretudo, sobre o amor infinito de Deus diante dos movimentos e cenas que, ultimamente, têm disseminado discursos de ódio, xenofobia, intolerância religiosa em nome da liberdade de expressão, violência e desrespeito aos direitos humanos. Tais acontecimentos, em vários cantos do mundo, devem ser vistos como “sinais dos tempos” em que se faz necessária e imprescindível a presença permanente do Espírito Santo para recriar e renovar a “face da terra”, marcada e maculada pelo feminicídio e derramamento de sangue de inocentes, vítimas de guerras, conflitos armados e pela destruição do meio ambiente ecologicamente equilibrado. A Solenidade de Pentecostes é uma imperatividade do fogo ardente nos corações dos fiéis comprometidos, comprometidas para mudar o mundo e revelar o rosto amoroso do Pai Celeste que, com o Filho, são um: “Eu e meu Pai somos um” (Jo 10,30). O amor da Santíssima Trindade revelado pelo Espírito Santo faz com que os seres humanos (de modo especial, os cristãos) busquem a comunhão sincera e a fraternidade na obediência aos mandamentos. “O que glorifica meu Pai é que deis fruto em abundância; e assim sereis verdadeiramente meus discípulos. Assim como o Pai me amou, Eu, da mesma forma, vos amei. Permanecei no meu amor. Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor, exatamente como Eu tenho obedecido às ordens do meu Pai e permaneço em seu amor” (Jo 15,8-10). Nesse sentido, vale salientar o pensamento de São José Freinademetz (1852-1908), primeiro missionário verbita na China que, ao lembrar-se dos desafios missionários e da pertinência de se abrir à cultura chinesa, disse que a linguagem do amor é a única língua que todos os povos compreendem. Afinal, quem é o autor de tal abertura às culturas dos outros? Obviamente é o Espírito Santo que nos abre ao conhecimento da divindade do Cristo, mas também congrega todos os povos, todas as raças, línguas e culturas em uma só família, em um só povo, o povo de Deus. Observa-se, nesse caso, a importância da presença do Espírito Santo na vida da Igreja como agente pastoral, como guia dos corações apaixonados por Jesus Cristo, o Mestre, o Bom Pastor, o Rosto amoroso do Pai, de quem procede também o Espírito, o Paráclito (que anima, consola nas dores, nos sofrimentos), o Advogado (que defende, perante as adversidades da vida, nos falsos julgamentos) e o Animador que dá vida e sentido às pastorais e demais atividades eclesiais e sociais. O Espírito da verdade e da vida Vale a pena contextualizar a mensagem do próprio Jesus Cristo quando, na qualidade do enviado do Pai e revelando-se melhor aos discípulos, destacou abertamente sua identidade dizendo “Eu e o Pai somos um”, e a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai”. É o Espírito Santo que nos revela esse mistério do amor, da união e comunhão entre o Pai e o Filho. É interessante ressaltar a nobreza da missão do Espírito Santo na sociedade. Em um mundo de mentiras, o Espírito vem nos ensinar pedagogicamente a verdade, pois o Filho de Deus é a Verdade por excelência. Diante da cultura da morte, Ele nos revela o sentido da valoração e valorização da vida. E quando a sociedade oferece vários caminhos que levam à perdição e à morte, o Espírito nos aponta o Caminho que leva ao Pai Celeste e às boas pastagens verdejantes. Em sua homilia de 5 de maio de 2022, o Papa Francisco recordava que o Espírito é o “motor” de nossa vida espiritual, que nos faz ver tudo de maneira nova, segundo o olhar de Jesus. Sabemos, de fato, que o olhar de Jesus é do amor verdadeiro, é compassivo, misericordioso e cheio de ternura para com todos, principalmente para com as pessoas em situação de vulnerabilidade, de exploração e exclusão social. É um olhar transformador. Daí a importância do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho como abertura ao amor pleno porque, sem ele, fruto do amor, a vida humana não tem e nunca terá sentido. Vê-se, portanto, a importância do Espírito Santo tanto na vida eclesial como na social, no dia a dia. Nobre lição “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Esse é que vos ensinará tudo e há de recordar-vos tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26). Ensinar o quê? A quem? Como e quando? Revela-se, sobremaneira, que o Espírito transmite o conhecimento do amor que há no Pai e no Filho a toda a humanidade, cumprindo-se, então, a promessa de Jesus. Olhando para a própria etimologia do verbo “ensinar”, percebe-se que o Espírito, tanto na Igreja como na sociedade, age como educador, pois Ele faz com que as pessoas aprendam a amar o Pai e o Filho que o enviaram e revelar o mistério do amor que habita neles. Infelizmente, hoje em dia, há muitos “educadores”, sobretudo no mundo digital, onde muitos são chamados de “influenciadores, influenciadoras”, tornando-se vozes a serem ouvidas no deserto de uma sociedade carecedora de referências e caminhos para muitas pessoas sem bússola, apenas adormecidas por ideologias geradoras de violência, ignorância, intolerância, negatividade e ceticismo com a ciência. É mergulho, aparentemente, sem volta no mundo de incertezas e de relações líquidas. É, justamente, no meio desses desafios da nossa Era que o Espírito ensina e orienta a Igreja a não ter medo, pelo contrário, a seguir o caminho apontado por Jesus, o qual leva ao Pai. Considerando a complexidade da condição humana e sua multidimensionalidade, como diria Edgar Morin, pode-se, no caso da Igreja, com a diversidade de ministérios, dizer que a força do Espírito Santo abre a humanidade a novos horizontes de pensar, ensinar, educar e congregar todos os conhecimentos em um ponto de convergência que é o Cristo. Na Era

CEMJ celebra os 20 anos de fundação

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ) celebra, em 2023, os 20 anos de fundação. A obra é fruto do sonho das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) de estarem ao lado dos moradores do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ. O ponto alto das comemorações foi a missa, realizada no dia 19 de maio, na Paróquia São Tiago de Inhaúma, próxima da creche. Toda a comunidade educativa esteve presente, relembrando os desafios superados para levar educação de qualidade e alimentação digna aos mais necessitados. Também participaram da liturgia ex-colaboradores, ex-alunos e membros da equipe gestora do Rio de Janeiro, nas pessoas da diretora Susete Maria Parreira e Sandra Demétrio. Com muita alegria, as famílias receberam as irmãs Maria Aparecida Ribeiro, Theodora Illi, Teresita Sotello e a fundadora Ir. Irmilde. Bem antes da inauguração do CEMJ, em 29 de maio de 2003, Ir. Irmilde já realizava obras sociais no Alemão, comunidade que ela conhece bem. Em janeiro, a obra abriu a contagem regressiva para a grande festa. Além das mensagens partilhadas pelas redes sociais, promoveu atividades especiais com as famílias. Para muitos, o CEMJ vai além de sua função educativa, tornando-se uma extensão das ações missionárias, em seu movimento de escuta e solidariedade.

Santa Ruah: o sopro que gera vida

“… soprou sobre eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo’” (Jo 20,22) Pentecostes é hoje; é sempre! Não foi só naquele distante dia em que um grupo de discípulos e discípulas assustados(as) se sentiram fortes, encorajados(as), movidos(as) por um impulso tal que os levou a romper os espaços fechados e viver o movimento de “saída”. Pentecostes acontece em cada um de nós; não é pomba nem chama ardente e, talvez, não nos lança ao meio da multidão dando gritos. E, no entanto, o Espírito de Deus continua descendo sobre nós, envolvendo-nos em silêncio, seduzindo-nos sem imposições, sussurrando-nos palavras de amor infinito e ensinando-nos a olhar o mundo e a vida com novos olhos. Somos casa do Espírito! O relato do evangelho deste domingo nos oferece outra perspectiva do encontro do Ressuscitado com seus discípulos: seus olhos viram as feridas, mas seu coração experimentou que Jesus está vivo. E esta experiência os encheu de alegria. O Espírito os capacitou a ter um novo olhar, muito mais profundo. O Espírito do Ressuscitado é o gerador de novos equilíbrios, rompedor de todos os medos; por isso, Ele se revela sempre desconcertante, surpreendente, interpelante. Mas é assim que o Espírito Santo nos abre a uma nova sabedoria, a um novo entendimento, a uma nova gestualidade, a uma nova vida. O Espírito é o sopro que vivifica, anima, restaura e congrega. Somos “filhos(as) do Vento”. O vento impetuoso em Pentecostes faz com que todos nos sintamos cheios de novo alento, de novo sopro de vida. Em outras palavras, sentimo-nos “animados” (= com alma, espírito). Nosso tempo pede que sejamos homens e mulheres do Vento, que ajudam o mundo a respirar e sentir a vida palpitar; que buscam, na terra, viver o sonho do Reino; que alimentam as chamas da esperança nos corações sonhadores; que se reconhecem humildes ante a misericórdia e o infinito de Deus; que acreditam na força dos pequenos e dos gestos simples; que vibram com as conquistas justas e que se compadecem da miséria do humano; que cuidam de tudo e de todos com ternura e carinho. O vendaval em Pentecostes varreu o medo e a desconfiança. Todos se encheram de uma força e de um dinamismo jamais experimentado, que fez mover pessoas, corações e mentes. Sentiram-se como que envolvidos pelo Espírito, que os permitiu falar uma linguagem que todos entendiam. Tal experiência provoca um movimento que rompe fronteiras e barreiras. Assim, o Espírito faz superar o fundamentalismo, a hipocrisia e a apatia. Não há nada de mágico; simplesmente, as pessoas se deixam mover pelo Espírito, que habita o universo e os corações, e se deixam levar pelo sopro divino. Para captar o sentido profundo da presença e ação do Espírito, em nós e na criação, é preciso retornar à expressão hebraica “Ruah”, muito mais densa de sentido e essência. Foi o que fez o Ressuscitado ao “soprar sua Ruah” sobre os discípulos medrosos e fechados. Já no relato do Gênesis, encontramos o primeiro alento divino que deu vida ao barro inerte. Com linguagem atual, podemos dizer que a Ruah nos faz a “respiração boca a boca”, nos devolve o fôlego quando sentimos que a vida nos escapa, quando estamos desalentados, angustiados… A “Ruah” é dinamismo, vida, relação, comunhão divina. É alento, vento, água. É unguento, é consolo, é companhia. “Ruah” é invenção, é fonte de criatividade, de autêntica novidade. É fonte de novas possibilidades no mundo, energia inaugural de novas auroras. É a energia materna de Deus que aquece o coração da Criação, e que tudo sustenta. Detalhemos as características da “Ruah” do Ressuscitado: – Ruah é a ação (ou a presença) de Deus que vitaliza o ser do mundo e, de uma forma peculiar, a história da humanidade. É a expansão de amor do Deus que, ao atuar sem cessar, faz com que a vida nasça e que os seres humanos entrem no mesmo fluxo desse amor. – Ruah é a profundidade mesma de vida dos seres humanos no mundo. Ela sustenta o cosmos e a história, e se explicita em cada um de forma constante, ilimitada, sempre forte. – Ruah é força de esperança, de maneira que ultrapassa as atuais condições da vida. Encontramo-nos em Deus e abertos ao futuro; nossa verdadeira identidade não se apoia naquilo que agora somos, mas, antes, no mistério vitalizante do Espírito divino. – A Santa Ruah não vem para ditar um catálogo de normas, mas para revelar o sentido profundo da nossa vida. Abundante, generosa, sem cor, sem restrições ou fronteiras, assim é o seu dom. Portanto, celebrar Pentecostes não consiste só em recordar uma experiência de dois mil anos atrás; é tomar consciência que nossa vida – pessoal e comunitária – pode mudar com a mesma intensidade que mudou a vida daquele grupo de homens e mulheres, que estavam cheios de temor. Que nos move na celebração de Pentecostes? Olhemos em nosso interior tudo aquilo que é obstáculo para crescer como discípulo(a). Coloquemos nomes: medos, pré-juízos, petrificação, rotina, superficialidade, indiferença, ódio, maldade… Estes obstáculos são como travas que nos impedem caminhar como discípulos(as). É a Ruah que nos purifica a fundo, estabelecendo o “cosmos” em meio ao nosso “caos” interior; é Ela que deixa a descoberto as vivências não integradas, as experiências não pacificadas, as feridas não cicatrizadas… Existem partes de nós mesmos, talvez alguns dos nossos membros, que estão fechados ao próprio movimento da vida, que estão fechados ao Sopro do Vivente. Cada um de nós, de modo bem particular e pessoal, tem um espaço de abertura e um espaço de fechamento. Qual deles prevalece? A missão da “Ruah” não é ajudar a nos “livrar” daquilo que imaginamos que torna sombria nossa existência e nos atemoriza (feridas, rejeições, ressentimentos…), senão que sua ação nos conduz, suavemente, a abraçar tudo e tudo recolher para que não se perca nem um só dos fragmentos da vida e, assim, com imensa gratidão, poder saciar-nos de seus dons. Sua presença não se limita à exterioridade, mas é como a água que penetra na terra

Por que a Solenidade de Pentecostes é tão importante para a Igreja

Sejamos nós os Apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo e, juntos, vivenciemos o amor de Deus derramado sobre nós. Esse amor denomina-se Espírito Santo. Amor de Deus em nós e um convite para que continuemos aquilo que se iniciou logo após o Pentecostes: a missão da Igreja. Um convite a levar essa experiência extraordinária que vive e está presente na Igreja e a acompanha no decurso dos séculos, fazendo-a ser viva e atuante no mundo. O Espírito Santo tem papel essencial na vida da Igreja, pois aqui inicia o papel missionário dela. O Espírito é a alma da Igreja, pois vemos em todas as ações realizadas por ela a ação e a força do Espírito, o qual assiste e guia cada iniciativa desenvolvida por ela. O Espírito Santo é o elo da Trindade, em que o Pai gera o Filho na força do Espírito Santo, por isso são modelos de comunidade. Jesus escolhe a festa da colheita dos judeus para enviar o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre Maria. Faz-se uma analogia com livro de Êxodo (23,14). A passagem destaca que se ofereciam as primícias dos frutos a Deus, assim, a Igreja que nasce na força do Espírito deve anunciar a todos as maravilhas de Deus em favor das pessoas. O ponto de partida de nossa ação missionária pós-Pentecostes é o amor. O Espírito nos lembra que, sem o amor na base, tudo é vão. Ele é o “motor” de nossa vida espiritual, alimentando nossa memória, e nos leva à recordação do amor de Deus, seu olhar pousado sobre nós. Podemos comprovar esse amor nas linhas do Catecismo da Igreja Católica (n. 684) nas quais se afirma: o “Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo”. Que possamos receber a força e a graça vinda de Deus a nós pela Festa de Pentecostes e trilhar os passos para chegarmos à alegria de Deus e vê-lo face a face. Para isso, exige-se de nós abertura total ao plano de Deus, que é receber e reconhecer a ação divina pelos dons derramados sobre cada um de nós e que nos torna filhos de Deus. Como filhos, temos nossas obrigações de falar de Deus às pessoas, promover carismas em toda a Igreja. Que a Festa de Pentecostes desperte em nós o ardor missionário de ser Igreja, de acolher o outro e transmitir o amor de Deus a cada pessoa. Que “arda” nosso coração assim como aconteceu no dia de Pentecostes, levemos a mensagem de Deus a todas as pessoas e sempre possamos contar com o Espírito prometido. Maria, a primeira missionária, esteja a nosso lado, inspirando-nos, intercedendo e, acima de tudo, sendo modelo de acolhimento do amor de Deus. Viva o Espírito Santo em nossos corações! Antonio César BurnatProfessor no Colégio Sant’Ana, Ponta Grossa-PR.

Os desafios da área ambiental no pós-devastação

Abordar o tema biodiversidade em 2023 passa necessariamente por um olhar retrospectivo sobre o cenário de terra arrasada, resultante das políticas ambientais promovidas nos últimos anos. Entre 2017 e 2021, período emblemático para o agravamento da metabolização da natureza em favor da economia, fui estudante do curso de especialização “Conservação da Natureza e Educação Ambiental”. Sou oriunda do campo do Design, que, em sua dimensão mais mercadológica e industrial, participa da instrumentalização da relação de exploração da Terra. Após 30 anos de convivência com a área, mais do que as leituras ou das notícias que saltavam dos jornais, a desesperança de meus jovens colegas biólogos, educadores ambientais e engenheiros florestais foi o fator sensibilizador para o contínuo desmonte das políticas ambientais. Se, em 2023, a refundação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a criação do Ministério dos Povos Indígenas sinaliza uma mudança de rota do atual governo em relação às questões ambientais, há muito a ser reconstruído, e com urgência. Em 17 de abril último, o podcast “O Assunto”, apresentado por Julia Duailibi abordou, em seu episódio 943, o tema “A reconstrução da área ambiental no pós-devastação”. Participaram do programa Daniela Chiaretti, repórter especial de meio ambiente para o jornal “Valor Econômico”, e o professor Ricardo Abramovay, autor dos livros “Por uma economia do conhecimento da natureza” e “Infraestrutura para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Daniela analisou as dificuldades enfrentadas pela ministra Marina Silva, como o combate do desmatamento da Amazônia, este entrelaçado com o crime organizado, que, entre outros mecanismos, estende-se desde o contrabando de madeira até o tráfico de pessoas e drogas. A repórter também destacou a importância da recomposição e da capacitação de equipes de fiscalização de órgãos como o Ibama para lidar com o crime organizado. Por fim, apontou progressões como o Fundo Amazônia e ações conduzidas para interromper o garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami. O valor do Fundo Amazônia, de acordo com a jornalista, está em atuar como freio para o desmatamento e articular ações de sustentabilidade para outros projetos Abramovay abordou a riqueza potencial da Amazônia e destacou a importância de sua extração e uso sustentável. Seu olhar é sistêmico e considera a importância de uma “agenda pós-desmatamento” ou uma “agenda verde”. O professor destaca o Ministério Indígena como uma ação socioambiental, o Fundo Amazônia como um eixo estratégico de sustentabilidade econômica da floresta, a assistência técnica aos produtores rurais como tática mais adequada de aproveitamento dos produtos da floresta, e o investimento em fontes sustentáveis de geração de renda nos espaços urbanos como estratégia de contribuição para a preservação da floresta. Tudo isso requer uma mudança de cultura. A educação para a preservação da biodiversidade assume importância fundamental para uma nova mentalidade e para considerar que a floresta se constitui em bônus e não em ônus. Isso passa por educar para a economia da sociobiodiversidade, da regeneração da floresta, do aproveitamento dos produtos oriundos da floresta e da valorização dos conhecimentos das populações quilombolas e indígenas. Referência O ASSUNTO #942. A reconstrução da área ambiental no pós-devastação. Disponível em https://open.spotify.com/episode/2NAWbpTsgYD1wUHhh4cpkp e https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2023/04/17/o-assunto-942-a-reconstrucao-da-area-ambiental-no-pos-devastacao.ghtml. Marli Teresinha EverlingProfessora dos cursos de Graduação e Pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville (Univille); coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica; colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental (caranguejo.org.br); colaboradora do blog SSpS Brasil para temas ambientais; colaboradora das redes sociais do design para temas ambientais (Instagram @designuniville).

Projeto “Troca de Saberes”: mulheres se fortalecem na convivência fraterna

A pandemia de covid-19 (hoje mais denominada “sindemia”, devido à interação e impacto em todas as áreas da sociedade, segundo a Fiocruz) exigiu novas ações missionárias, principalmente em apoio às mulheres e homens “invisíveis” aos olhos da dinâmica capitalista. Após identificar esse cenário no entorno da comunidade, as irmãs servas do Espírito Santo (SSpS) da comunidade Cohab Adventista, em São Paulo-SP, propuseram uma ação de acolhimento às mulheres no período pós-pandemia. A ideia foi imediatamente acolhida pelo casal Joana Félix e José Martin, que se colocaram à disposição para partilhar seus conhecimentos humanos, pedagógicos e artísticos. Assim nasceu o Projeto Troca de Saberes. Irmã Martina conta que o projeto é desenvolvido há mais de um ano, e o objetivo é “conviver, acolher, aprender a fazer em conjunto as coisas, celebrar, rezar, sorrir, dançar e construir relações, além das atividades práticas”. O projeto acolhe desempregadas, aposentadas, educadoras populares, estudantes. Alguns homens também foram recebidos. Segundo Joana, pedagoga e educadora popular, algumas ações foram amadurecendo até chegar ao que fazem no momento. “Em 2022, começamos a fazer toucas de crochê. Quem não sabia, aprendia. Confeccionamos muitas toucas, que foram doadas para pessoas em situação de rua. Foi um trabalho muito bonito e participativo”, relata. A iniciativa não tem por objetivo confeccionar e vender artesanato, mas faz parte em meio ao convívio alegre, de cuidado e fraterno das mulheres, o que fortalece a troca de saberes. “Ganhamos de apoiadores anônimos o material necessário. Emprestamos algumas máquinas de costura. Hoje, o trabalho flui muito bem. Quem sabe costurar, bodar, fazer vagonite e biquinhos no pano de prato ensina às outras. Novos artesanatos estão programados: mantas, bolsas, mandalas, fuxicos, tapetes, uso de retalhos”, conta Joana. O resultado da primeira oficina foi apresentado no dia 1º de maio de 2022, no espaço da Associação Povo em Ação Olímpio da Silva Matos. A presidenta, Edna Matos, reconhece que o Troca de Saberesresgata o Clube de Mães das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). “Ao mesmo tempo em que as mulheres partilham a vida difícil e aprendem artesanatos, também despertam e reivindicam os direitos de políticas públicas”, explica. O Troca de Saberesé aberto a todos, sem se preocupar com gênero, idade, opção religiosa e formação. Algumas mulheres são acompanhadas por José Martin, que procura desenvolver habilidades de concentração e coordenação motora em um grupo de participantes, com pintura de mandalas para confecção de bolsas ecológicas de algodão cru. Um trabalho feito a muitas mãos, com excelentes resultados. Desde que as SSpS perceberam que as consequências da covid-19 deixaram pessoas desanimadas, com baixa autoestima, com crises familiares, foram impulsionadas a querer ajudar na recuperação da força, da fé e da esperança da população local. Objetivo confirmado pelas participantes. “Sou evangélica, casada, com dois filhos. Sou voluntária e me sinto maravilhosa, acolhida por todas. Eu adoro dar aula de bordado. Estou aqui desde 2022” (Elisabete Alves dos Santos). “Participo há dois meses. Toda terça-feira, é uma verdadeira terapia. Amo, sou acolhida; são minhas irmãs. Estamos aqui para aprender e ensinar. Estou aprendendo fuxico e fechando mantas, com a ajuda de outras mulheres” (Luciana Maria da Silva). “Fui para a inscrição de moradia na Associação Povo em Ação e aí fiquei sabendo do Troca de Saberes. Conheci e gostei. Agora que me aposentei, estou aqui aprendendo crochê, além de estar estudando. Eu amo este espaço” (Maria José da Conceição). “Fui para a inscrição de moradia na Associação Povo em Ação e aí fiquei sabendo do Troca de Saberes. Conheci e gostei. Agora que me aposentei, estou aqui aprendendo crochê, além de estar estudando. Eu amo este espaço” (Maria José da Conceição). O Projeto Troca de Saberes define um cronograma de produção dos artesanatos que não interfere nos momentos de diálogo, escuta ativa, meditação, oração, dança e partilha de lanche no fim dos encontros. Miriam Bernadete de SouzaLeiga missionária

Ascensão: quando “subir” significa “descer”

“Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20) Na dinâmica do Tempo Litúrgico, após uma longa e criativa caminhada com Jesus, a liturgia nos faz “desaparecer em Deus”, como o Cristo da Ascensão “desapareceu em Deus”. “Depois de sua paixão, Jesus mostrou-se vivo a eles, com numerosas provas; apareceu-lhes por um período de quarenta dias, falando do Reino de Deus” (At 1,3). Tivemos, portanto, 40 dias que nos prepararam para acolher a nova maneira de presença de Jesus, depois que, segundo nos diz o evangelho, Ele “ascendeu” ao céu. O número 40 aparece com frequência na Bíblia, sempre relacionado com tempos de experiências vitais profundas, cruciais, fundantes. Algumas vezes, tempo de caminho incansável, outras vezes, tempo de espera paciente, mas sempre tempos de busca, preparação, escuta e crescimento pessoal ou comunitário. Falamos, então, de tempo (40 dias) e espaço (a ascensão ao céu). Tempo e espaço que, de modo claramente pedagógico, são utilizados pelo evangelho como meios de preparação para que possamos amadurecer o nosso processo no seguimento de Jesus Cristo. Por tudo isso, é importante que estejamos atentos às últimas palavras que Jesus nos diz no evangelho de hoje: “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Fica claro que Jesus, ao “subir”, coloca seus seguidores em movimento. “Por que ficais aqui, parados?”, dirá o livro dos Atos. Portanto, não percamos tempo; já tivemos o tempo suficiente, 40 dias. Já não há desculpas. O Senhor não só nos preparou para esse momento, mas promete continuar ao nosso lado, atuar junto a nós e confirmar a nossa missão de sermos presenças inspiradas e criativas no mundo. Não fiquemos parados! Mateus culmina seu evangelho relatando a despedida de Jesus. Aqui não aparece nenhuma “subida”; o que há é a promessa de uma permanente presença de Jesus. Mais que uma “subida”, há um “permanecer”, um estar todos os dias, uma contínua solidariedade. Não há ausência de Jesus, mas um novo modo de presença, a “d’Aquele que não tinha deixado o Pai ao descer à terra nem tinha abandonado os seus discípulos ao subir ao céu” (S. Leão Magno). Por meio do Espírito se realiza este novo modo de presença. O Espírito faz com que Jesus Cristo, que se foi, venha agora e sempre de um modo novo. O Espírito não é uma compensação pela ausência de Jesus, mas o modo como Ele se faz presente. Graças ao Espírito, continua a atividade salvífica d’Ele; graças ao Espírito, as palavras de Jesus se fazem novas, atuais, presentes. Os Onze discípulos retornam à Galileia; são onze, porque um se perdeu, símbolo do perigo que correrá cada discípulo e cada comunidade. Eles voltam ao lugar onde tinham experimentado a sedução do primeiro chamado: “Segui-me e farei de vós pescadores do humano”. Tinham seguido Jesus com entusiasmo, embora lhes tenha custado muito entendê-lo e, sobretudo no final, o quão difícil foi superar o trauma de sua morte na Cruz e reconhecer no Crucificado a plenitude da Vida. Jesus lhes indica com toda precisão qual deve ser a missão deles. Não é propriamente “ensinar uma doutrina”, não é só “anunciar o Ressuscitado”. Sem dúvida, os discípulos de Jesus deverão cuidar diversos aspectos: “dar testemunho do Ressuscitado”, “proclamar o Evangelho”, “implantar comunidades”…, mas tudo está finalmente orientado a um objetivo: “fazer discípulos de Jesus”. A festa da Ascensão nos recorda que Jesus não “subiu” fisicamente ao céu. A Ascensão do Senhor é outra coisa; se “subiu” é porque primeiro “desceu”. Porque se “humanizou”, fazendo-se servidor, foi “exaltado por Deus” (Fl 2,9). “Quem se humilha, será exaltado” (Mt 23,12). Só a partir desta atitude é possível compreender a recomendação que Jesus faz a seus seguidores(as): aquele(a) que quer ser o primeiro, que seja o(a) servidor(a) de todos. Subir, elevar-se, estar acima dos outros, triunfar, conquistar o primeiro lugar… são expressões que se revelam sempre tentadoras. “Subir” é a aspiração de todo ser humano no terreno político, laboral, financeiro, esportivo, relacional… Assim funciona a nossa sociedade competitiva. Mas, “entre vós não deve ser assim”, nos diz Jesus. Quando buscamos as “subidas”, nossas obras serão de morte (ódio, competição, divisão, indiferença…) e as obras de vida serão esvaziadas; é preciso viver a “mística da descida”, ou seja, acolher o estrangeiro, atender ao enfermo, defender o maltratado, perdoar quem nos ofende… Se entrarmos no “fluxo de descida” de Jesus, nossas obras serão de vida. Agora, Jesus nos convoca de novo à Galileia, à montanha das bem-aventuranças, para nos confiar outra missão, muito mais exigente: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos”. Não temos de voltar à Jerusalém, o centro do poder político e religioso, que havia crucificado o Mestre. O horizonte é agora universal: “todos os povos”, sem nenhuma discriminação. Encontraremos raças diferentes, línguas desconhecidas, culturas surpreendentes. Não teremos de mudá-las, mas iluminá-las com a verdade e a originalidade do modo de ser e viver de Jesus. Diremos só uma palavra essencial: “amem-se”. Amem-se com a riqueza de suas próprias tradições, com a originalidade de seus próprios costumes e ritos. Amem-se e conheçam Aquele que nos amou primeiro, que entregou sua vida por amor. Não translademos a outros povos nossa cultura, não imponhamos nossos costumes e nossas leis; não preguemos outra lei a não ser o mandamento do amor, pois muitos a praticam em diferentes formas, iluminados pelo mesmo Espírito que não se deixa prender por uma instituição ou religião. E batizemos “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”: inundemos o mundo do amor da Trindade santa, comunidade de amor que nos faz partícipes de sua vida divina. Esta é a nossa missão: fazer “seguidores” de Jesus para que conheçam sua mensagem, sintonizem-se com seu projeto, aprendam a viver como Ele e prolonguem hoje a presença d’Ele no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus e o ensinamento a observar tudo o que Ele ordenou, são vias para aprender a ser seus discípulos.

“Eu, o outro e o nós”: professoras da educação infantil partilham experiência

Eu sou assim… Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), esse campo contempla o autoconhecimento, a construção de relações, a criação de vínculos sociais, o sentimento de pertencimento e de coletividade, além da diversidade cultural e o respeito às diferentes formas de pensar e de agir do outro. Desse modo, quanto mais cedo a criança participa de dinâmicas de vivências em diferentes contextos sociais (a escola é um deles), sua compreensão de mundo avança e sua autoestima se desenvolve. É na escola que ocorre o primeiro contato com a socialização, onde as crianças começam a trocar experiências, desenvolver a empatia e a ter o primeiro contato com as regras de convivência estabelecida em grupo. O papel do professor é estimular, mediar e orientar essa boa relação. O desenvolvimento socioemocional da criança tem sido muito estimulado no contexto escolar. É muito importante entender como o aluno da educação infantil pensa e age na hora da resolução de conflitos. A observação e a compreensão do professor ou mediador são muito importantes nessa faixa etária. É importante ressaltar que, como em todo processo, a construção de habilidades socioemocionais avança um pouco a cada dia e a cada situação, uma vez que a criança buscará agir sempre na tentativa de satisfazer os próprios desejos. Assim, é imprescindível o diálogo constante como ferramenta para a mediação de conflitos e desentendimentos entre as crianças. O uso de recursos variados, como histórias, música, caixa surpresa, jogos e brincadeiras no dia a dia escolar, permite muitas coisas: movimentar as partes do corpo para se expressar; explorar sons do próprio corpo e do ambiente; reconhecer quando é chamado pelo nome e reconhecer o nome dos outros; explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais, além das abordagens cognitivas, a criação de espaços de reflexão em que é possível ceder um pouco de nosso lugar para o outro. Diante disso, proporcionamos uma atividade coletiva, na qual as crianças ouviram músicas com comandos de identificar, com gestos e movimentos, partes do corpo. Em seguida, puderam se observar no espelho, perceber no outro suas semelhanças e diferenças. Numa roda na quadra, cada um sentou-se em frente a um círculo desenhado com giz no chão e fizeram seu autorretrato. Com essa atividade, a criança teve a oportunidade de se reconhecer como pessoa, descobrir o próprio corpo, suas capacidades de movimento e interação. Atividades assim são essenciais para o desenvolvimento infantil, além de serem muito divertidas, pelas quais as crianças demonstram interesse, entusiasmo, alegria e muita imaginação. É brincando que se aprende! Veja algumas fotos! Da esquerda para a direita: Elba Soares, Danielle Araujo, Mariana Amorim, Renata Gomes e Camila Parreira, professoras do maternal I e II no Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ.

Terciato 2023 leva membros da Família Arnaldina aos lugares de origem

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD) participam, em Nemi (arredores de Roma, Itália) e Steyl (Holanda), do Curso de Terciato 2023. O evento tem como objetivo favorecer aos participantes um tempo especial para aprofundamento da vida religiosa missionária, experienciar a riqueza da vida comunitária intercultural e ajudar a criar abertura para os desafios no processo de transformação e renovação. O curso tem como cenário os lugares importantes na origem da família espiritual fundada por Santo Arnaldo Janssen. A proposta é favorecer às missionárias e aos missionários a conexão com suas raízes. Para irmã Zoleide Adriana Renosto, SSpS, o Curso de Terciato está sendo um momento enriquecedor, de graça, bênçãos e renovação, por ser um tempo de estudo e oportunidades. “O que estudamos em livros e que as irmãs nos contaram, hoje, estou aqui, vivendo interiormente essa graça de estar onde teve início nossa Congregação, por meio do sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria e Josefa. Momento único, especial.” Irmã Zoleide se diz agradecida à direção provincial Brasil-Sul por poder fazer a experiência, junto à Família Arnaldina, nos locais de origem dos fundadores, onde toda a história das congregações teve início. “É uma experiência muito boa de convivência, como família, numa caminhada de fé, renovação espiritual, humana, da missão. É um momento de muita emoção interior, de muita fé. Estar em Oies, onde nasceu São José Freinademetz, foi um momento muito marcante para mim. Toda a cidade fala de São José, tudo é dedicado a ele, é um grande missionário. A experiência me alimentou para buscar nele inspiração para ser uma boa serva do Espírito Santo na missão que Deus me confia”, declara. Para a Ir. Nely, é uma possibilidade de conivência muito intensa e tensa entre irmãos e irmãs, com base na mesma espiritualidade e carisma e, ao mesmo tempo, de muitas culturas diferentes. “Foi quase que um laboratório que, às vezes, evidenciou nossas próprias limitações e nos mostrou lugares que nos convidam a crescer e compreensões que convocam a alargar nossas possibilidades de convivência e nossa compreensão de missão”, relata. O curso, diz Ir. Nely, “foi uma oportunidade de aprofundar os lugares onde nossas congregações começaram e ver a compreensão da geração fundadora, irmãos e irmãs, com o elã que se lançaram e com uma meta absolutamente definida, que é preparar uma vida missionária e enviar pessoas em missão. Encanta-me muito a certeza com a qual eles fizeram isso, o que será uma inspiração para novas iniciativas na minha vida religiosa”. “Este foi o melhor presente que pude ganhar nos meus 25 anos de vida consagrada. Eu me sinto tão feliz que não tenho palavras para agradecer”, confessa Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeiro. “O Terciário oferece momentos fortes de vida comunitária e oportunidades de partilhas em grupo das alegrias e dificuldades encontradas na missão”, completa. Também, segundo ela, é um tempo para aprofundamento teórico, bíblico, dos documentos da Igreja, missionário, da história da Congregação e da vida dos fundadores. “Pude pisar onde pisaram os fundadores, um lugar abençoado. Estamos terminando o lindo retiro personalizado, e estou fazendo uma experiência maravilhosa.” Para a Ir. Juliana de Andrade, a convivência entre as congregações, a partilha da missão, o orar juntos, retomar o carisma desde suas origens são experiências que fortalecem e enriquecem a missão. “Abre o desejo e a possibilidade de maior cooperação em nossos trabalhos e na busca de respostas aos desafios atuais”, explica. “O Terciário” – explica Ir. Juliana – “significou um aprofundamento de nossas raízes, de minha identidade como SSpS, assim como abriu novos horizontes, me dando um novo gás para o dia a dia da missão. Só tenho a agradecer à Província e à Congregação por tão bela oportunidade.” Perfil dos participantes Participam do Terciato conjunto 33 pessoas de 17 nacionalidades, entre missionários do Verbo Divino e missionárias Servas do Espírito Santo. Têm a faixa etária entre 42 e 64 anos, com o mínimo de dez anos de votos perpétuos. Missionárias Servas do Espírito Santo A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada, em 8 de dezembro de 1889, por Santo Arnaldo Janssen e com a indispensável colaboração das Bem-aventuradas Maria Helena Stollenwerk (Madre Maria) e Hendrina Stenmanns (Madre Josefa), e outras jovens aspirantes. A missão no Brasil iniciou-se em Juiz de Fora-MG, em 20 de agosto de 1902. Hoje elas marcam presença missionária em 11 Estados. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.

Juiz de Fora: Centro Educacional Madre Maria Helena em novo espaço

Na quarta-feira, 9 de maio, foi inaugurado o novo espaço do Centro Educacional Madre Maria Helena, em Juiz de Fora-MG. Na ocasião, Juliana Íris da Silva Rodrigues, mãe da aluna Helena da Silva Rodrigues, da educação infantil, dirigiu à comunidade uma mensagem. Veja o texto a seguir: O livro dos Provérbios (22,6) diz: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e, mesmo com o passar dos anos, não se desviará deles”. E existe um ditado africano que diz que é necessária uma aldeia para educar uma criança. Partindo desses dois pontos, nos fica muito claro que o Centro Educacional Maria Helena é o caminho que nos leva a ter objetivos concretos e palpáveis no que diz respeito à educação de nossos filhos. Temos o privilégio de contar com uma instituição que carrega os mesmos valores e princípios que os nossos. Uma instituição que acolhe nossos filhos todos os dias pela manhã, com carinho, respeito e responsabilidade. Obrigada! Por isso, somos gratos pela confiança nunca quebrada. Pela segurança nunca interrompida. Uma instituição que está em constante busca de ofertar uma educação de qualidade e integrar a família em todas as atividades desenvolvidas na escola. Perfeitos? Não, eles não são. Mas que bom! Porque, assim, temos a certeza de que estes profissionais vão continuar em uma incessante busca de qualificação, o que os torna profissionais melhores, ofertando aos nossos filhos excelência dentro do que os compete. Em cada demanda colocada a elas, nos é dada uma resposta com eficácia. Em cada apresentação, festividades que elas organizam, ficamos surpresos e alegres com tamanho cuidado, dedicação e empenho ali colocados, para que seja um sucesso. E é! Esta fase de nossos filhos nunca voltará, por isso ficamos muito felizes e gratos por terem começado suas jornadas escolares em um lugar tão especial, por cada momento estar sendo eternizado em nossos corações. Para concluir, cito o evangelho de Marcos 9,36-37: “E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: ‘Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou’”. Que grande graça de Deus é a instituição educacional que, seguindo os ensinamentos de Cristo, recebe nossos pequenos como quem recebe o próprio Jesus Cristo. Educar é um dom único, transmitir conhecimentos intelectuais e morais é um desafio, e o Centro Educacional Maria Helena vem cumprindo esse dom de forma brilhante. Em cada atividade desenvolvida, nossos filhos crescem no amor, no respeito e nos principais valores éticos e morais os quais poderíamos lhes dar a conhecer. A família sempre presente, pois é a base de tudo. Em nome de todos os pais, agradecemos imensamente por cada união, cada palavra e cuidado. E desejamos que todas as conquistas e realizações sejam contínuas e que Deus abençoe a todos! Nosso carinho e admiração às irmãs missionárias servas do Espírito Santo que, no dia 9 de maio, inauguraram a nova sede do Centro Educacional Maria Helena. Obra assistencial que atende crianças carentes na cidade de Juiz de Fora. O cuidado, o zelo com que preparam cada detalhe: o ambiente, a equipe educacional, a formação humana e cristã, o ambiente, a alimentação, nos mostra que missão é servir, fazer o bem às pessoas em todas as oportunidades e, acima de tudo, missão é amar. #somosmelhoresjuntos

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Mais informações sobre: Política de Privacidade