Injúria racial: uma violação dos direitos humanos e um desafio para a sociedade

A injúria racial é caracterizada como uma ofensa verbal, escrita ou gestual direcionada a uma pessoa ou grupo, com base em sua raça, cor, etnia, religião ou origem. Essa forma de discriminação é prejudicial e contribui para a perpetuação de estereótipos negativos, além de criar um ambiente de ódio e exclusão. É um crime que afeta não apenas a vítima, mas toda a sociedade e tem causado grande impacto, gerando discussões sobre igualdade, respeito e diversidade. No Brasil, houve avanços na garantia dos direitos humanos ao longo dos anos, no entanto, nosso País ainda é uma terra de desigualdade e violações à vida humana. É importante ressaltar que a injúria não se baseia apenas em ofensas verbais, mas também pode ocorrer por meio de gestos, escritos, desenhos ou qualquer outra forma de manifestação discriminatória. Desde 12 de janeiro de 2023, com a sanção da Lei n.º 14.532, a prática de injúria racial passou a ser expressamente uma modalidade do crime de racismo, tratada conforme o previsto na Lei n.º 7.716/1989. Até então, a injúria racial estava prevista apenas no Código Penal, com penas mais brandas e algumas possibilidades que agora deixam de existir. A mudança foi importante por reconhecer que a injúria racial também consiste em ato de discriminação por raça, cor ou origem, que tem como finalidade, a partir de uma ofensa, impor humilhação a alguém. Consequências As vítimas de injúria racial sofrem não apenas danos emocionais, mas também psicológicos e sociais. Essa forma de violência pode abalar a autoestima, gerar ansiedade, depressão e até mesmo levar à exclusão social. Além disso, a injúria racial afeta negativamente a qualidade de vida das vítimas, prejudicando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Impacto na sociedade Não é apenas um problema individual, mas também uma questão social. Ela contribui para a criação de um ambiente hostil e desigual, em que a dignidade e a igualdade de todos os indivíduos são violadas. Além disso, alimenta a discriminação e o preconceito, dificultando a construção de uma sociedade inclusiva e justa. Combate Para combater a injúria racial, é necessário um esforço coletivo e abrangente. Algumas medidas que podem ser adotadas incluem: – educação: promover a educação antirracista nas escolas e comunidades, visando a desconstruir estereótipos e promover a valorização da diversidade; – sensibilização: realizar campanhas de conscientização sobre a importância do respeito à igualdade racial, destacando as consequências negativas da injúria racial para toda a sociedade; – fortalecimento da legislação: garantir leis robustas e eficazes que combatam a injúria racial, com punições adequadas e mecanismos acessíveis de denúncia; – apoio às vítimas: estabelecer redes de apoio às vítimas de injúria racial, oferecendo suporte emocional, jurídico e psicológico. Conclui-se que a injúria racial é uma violação dos direitos humanos. Ela afeta a vida de muitas pessoas e prejudica o desenvolvimento de uma sociedade justa e inclusiva. É nosso dever combater essa forma de discriminação, promovendo a conscientização, fortalecendo a legislação e apoiando as vítimas. Somente assim poderemos construir um futuro em que a igualdade e o respeito sejam valores fundamentais para todos, independentemente de sua raça ou origem. Jociane da Silva PereiraProfessora no Colégio e Faculdade Sant’Ana, Ponta Grossa-PR.

Transfigurar nossa capacidade de escuta

“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17,5) O apelo do Deus de Jesus a seu povo, a cada filho e filha é este: “escutar”. O maravilhoso “Shemá Israel”, que nossos irmãos judeus tanto repetem e veneram, esteve nos lábios de Jesus infinitas vezes ao longo de sua vida. Em seus lábios, sim, como bom judeu que era, mas sobretudo em sua vida, como uma atitude. De Jesus falamos mais de suas palavras e de seus feitos, o que Ele “fez e disse”. Quando nos referimos ao seu “fazer”, nós nos fixamos em suas curas, em seus gestos eloquentes como multiplicar o pão para alimentar a multidão, no gesto de lavar os pés dos seus discípulos, de devolver vida e força às pessoas alquebradas por enfermidades etc. E o que Ele “disse”, os textos canônicos e apócrifos conservam para serem rezados, estudados, repetidos diariamente em centenas de liturgias, nos corações orantes, nos estudiosos enamorados da Palavra… De Jesus falamos muito pouco de sua escuta. Jesus é “Shemá” em sua mais pura essência. Embora pareça que tenha falado muito, sempre nos inspira uma etapa longa de sua vida, antes de seu batismo, na qual vivia uma vida normal, como todo bom judeu, cujo guia foi a fidelidade ao “Shemá”. Jesus escutava seu Abba, sua realidade social e religiosa, e continuou escutando. E porque escutou, se tornou um buscador; encontrou João no deserto e o escutou. Depois de um tempo, tomou uma decisão, deixou-se batizar e imediatamente foi conduzido pelo Espírito ao deserto para escutar. O motor da atividade de Jesus foi a escuta da voz do Pai, dos textos revelados e do pulsar da vida. Assim como aconteceu com Jesus, ativar a capacidade de escuta é a que nos possibilita a entrada no mistério. A escuta é como um sacramento que nos unge para a trajetória do seguimento de Jesus, para a travessia que nos faz sair das pequenas ou grandes atrofias: maneiras de pensar, opiniões petrificadas e inamovíveis sobre Deus e os outros, atitudes petrificadas, moralismos doentios, culpas mórbidas… para poder caminhar em direção à plenitude de vida, que é a meta. Tal plenitude não é um lugar físico, é um “estado interior” que nos ajuda a descobrir a direção e a felicidade. Na mentalidade judaica trata-se da “Terra prometida”. Esta não consiste simplesmente em estarmos bem, mas em estarmos em comunhão com tudo, em descobrir que somos uno, que estamos conectados, que somos uns com os outros, que possivelmente passou por nossos pulmões o mesmo oxigênio que passou pelo resto da humanidade, que somos pó de estrelas…; logo, pertencemos ao infinito, ao cosmos e desfrutamos contemplando as estrelas. Somos família. Escutar é perigoso, subverte; e é libertador, pois nos arranca da estabilidade e da acomodação. Quem escuta sai de si e se põe em movimento. Escutar é conectar com o pulsar de tudo e sentir que é preciso ser pessoa de travessia para outra margem, pessoa capaz de soltar para acolher, para abraçar e acompanhar. A vida não é um mistério para aqueles que elegem caminhos seguros. Nossa vida começa a sentir o mistério quando escutamos e entramos em sintonia com a realidade e de sua mão nos deixamos introduzir em outro nível, o do “Shemá”, o da escuta da pulsação d’Aquele que é Presença providente e cuidadosa. A festa da Transfiguração nos anima a que nos tornemos homens e mulheres de “Shemá”, de escuta. Deixar que o longo tempo que Jesus se dedicou a escutar nos contagie; deixar que este aspecto de nossa essência configure mais e mais nossa identidade como pessoas “escutadoras”. A escuta mais profunda se realiza a partir da quietude e do silêncio interior. Como no lago sem ondas, em cuja superfície lisa se refletem as imagens, o ouvido interno capta o som de vida criada e criadora só quando os ruídos artificiais forem aquietados. É preciso afinar mais a capacidade de escuta interior para melhor sentir, discernir e optar. Ao escutar Jesus nos sentiremos movidos a sair de nosso conformismo, romper com um estilo de vida egoico no qual estamos, talvez, confortavelmente instalados, e começar a viver mais atentos à interpelação que nos chega a partir dos mais excluídos e desvalidos de nossa sociedade. Saber escutar nos liberta do fechamento indiferente, do fanatismo e do conservadorismo que aprisiona a vida; liberta-nos também da surdez cúmplice dos ruídos alienadores que bloqueiam os clamores que provêm da Terra machucada e dos irmãos violentados. O “ouvido evangelizado” nos permite abrir ao diferente, à palavra e ao silêncio, à brisa e ao rugir da tormenta. Através do ouvido podemos saborear a beleza das melodias da natureza (água, vento, árvores, pássaros…) e da criação artística. Um ouvido atento que possa perceber o Silêncio, um silêncio carregado de Presença, e o Mistério que pode ser nomeado de diversos modos: Transcendência, Ser, Energia Puríssima, Alá, Deus, Ser, Presença…; Jesus de Nazaré o denominou “Abba”, como expressão de sua experiência de relação amorosa. Saber escutar foi e continua sendo uma aprendizagem longa e difícil, que não termina nunca, e que vai nos conduzindo a um encontro com a Vida; portanto, a uma aprendizagem no caminho em direção ao amor. É preciso aprender o ofício de “escutadores/as”; escuta descentrada que nos coloca no lugar da outra pessoa, escuta para ativar os dois ouvidos: um atento às necessidades dos outros, e o outro atento às nossas próprias ressonâncias interiores. Por isso, é importante aprofundar no que significa fazer do ouvido um lugar para o encontro com o Ser, com a vida, com o Amor, porque isto supõe uma aprendizagem, requer arte e técnica, supõe transitar caminhos diferentes, cultivar um modo original de nos fazer presentes na realidade que nos envolve. É preciso afinar cada vez mais nossos ouvidos para poder escutar a voz dos sem voz, daqueles que já não tem nem forças para gritar, daqueles que perderam a esperança de serem escutados, daqueles que ficaram exaustos, atirados nos caminhos que eles acreditavam serem

Escutar com o ouvido do coração

O Papa Francisco propõe, em sua mensagem para o 56º Dia Mundial das Comunicações, que fixemos a atenção no “escutar”, atitude decisiva na comunicação para um diálogo autêntico.  Estamos perdendo, no dia a dia, a capacidade de ouvir a pessoa que está à nossa frente. Ao mesmo tempo, damo-nos conta de que vivenciamos um novo e importante desenvolvimento no campo comunicativo e informativo (podcast e chat áudio), evidenciando que a escuta continua essencial para a comunicação. Ao ser perguntado a um terapeuta qual a maior necessidade do ser humano, respondeu: “O desejo ilimitado de ser ouvido”. O desejo de escutar é o que interpela a todos os que se sentem chamados a ser educadores, formadores, pais, professores, agentes de pastoral…  Escutar com o ouvido do coração Na Bíblia, a “escuta” está intimamente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade: “Shemá, Israel = escuta, Israel” (Deuteronômio 6,4). São Paulo, na Carta aos Romanos (10,17), afirma que “a fé vem da escuta”. A iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-o. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegia o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto, deixando o ser humano mais livre. A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Deus ama a pessoa: por isso lhe dirige a Palavra, “inclina o ouvido” para escutar. Nós, seres humanos, tendemos a fugir da relação, a virar as costas, “fechar os ouvidos” para não ter de escutar. Essa recusa de ouvir pode, muitas vezes, transformar-se em agressividade sobre o outro. O Senhor nos chama a uma aliança de amor, para que nos tornemos, plenamente, imagem e semelhança de Deus na capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. A escuta é uma dimensão do amor. Por isso Jesus convida seus discípulos e nós a verificarmos a qualidade da escuta: “Vede, pois, como ouvis” (Lucas 8,18), sugerindo que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração “bom e virtuoso” e a guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lucas 8,15). Somente prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos, como ouvimos, cresceremos na arte de nos comunicar bem.  É a “capacidade do coração que torna possível a proximidade” (Papa Francisco, Evangelii gaudium, 171). A escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. Santo Agostinho convidava a escutar com o coração (corde audire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas no coração: “Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração”. A escuta como condição da boa comunicação O que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro, com abertura leal, confiante e honesta. Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera de que o outro acabe de falar para impor nosso ponto de vista. Na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se, ambos, “em saída”, tendendo um para o outro. A escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Antes de se comunicar, é preciso escutar.  O cardeal Agostinho Casaroli, perito da Santa Sé, falava de “martírio da paciência”, necessário para escutar e fazer-se escutar. A escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de deixar-se surpreender pela verdade da pessoa a quem escutamos.  Escutar-se na Igreja O ato de escutar é o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar.  “Devemos escutar através do ouvido de Deus, se quisermos falar através de sua Palavra. O primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa, deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus” (Bonhöfffer). Na ação pastoral, a obra mais importante é o “apostolado do ouvido”. Devemos escutar antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago (1,19): “Cada um seja pronto para ouvir, lento para falar”. Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade. Para saber mais: Mensagem para o 56º dia Mundial das Comunicações Sociais – Papa Francisco. Roma, 24 de janeiro de 2022. [LINK: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20220124-messaggio-comunicazioni-sociali.html] Irmã Hermelinda Maria Ruschel, SSpSCoordenadora do Comidi (Conselho Missionário Diocesano) – Diocese de Ponta Grossa-PR, membro da Equipe de Comunicação SSpS Brasil.

Equipe de Espiritualidade realiza encontro no Rio de Janeiro

A Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) se reuniu, nos dias 21 e 22 de julho, no Colégio Imaculado Coração de Maria (CICM), no Rio de Janeiro-RJ. O primeiro encontro presencial do grupo teve como objetivo fomentar a interação entre os participantes e o aprofundamento na herança espiritual deixada por Santo Arnaldo Janssen e a geração fundadora. Como tem sido prática na Congregação das SSpS, a equipe também é formada por irmãs e leigos. A programação começou com a acolhida da Ir. Maria Inês Aragão, coordenadora. Por meio de videochamada, a Ir. Maria Percila Vieira, superiora da Província Brasil Norte, também saudou os participantes. Em seguida, houve uma reflexão sobre a parábola do semeador, narrada no Evangelho de Mateus (13,1-23). Cada um recebeu uma sacola com um pequeno recipiente, terra fértil, um galho espinhoso, uma pedra, sementes de girassol, pincel atômico e papel. Usando o material, todos deveriam expressar as impressões sobre a passagem. A partilha foi um momento muito rico e emocionante. A Ir. Maria Inês conduziu um estudo sobre o tema “Paixão pela missão em Arnaldo Janssen”. Foi uma oportunidade para conhecer melhor os fundadores e primeiros missionários e missionárias da Família Arnaldina. No sábado, as atividades começaram ainda na madrugada, quando a equipe se dirigiu ao mirante do Parque do Leblon, para acompanhar o nascer do sol. Espontaneamente, os participantes elevaram a Deus uma oração de louvor. Na sequência, houve um passeio por alguns pontos da Cidade Maravilhosa. À tarde, a equipe revisou o planejamento, destacando as prioridades para os próximos meses. Após a avaliação do encontro, a equipe participou da celebração da Palavra. A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum destacou a parábola do joio e do trigo, presente no Evangelho de Mateus (13,24-43). Como é costume na Família Arnaldina, também foi dirigida uma prece especial à Santíssima Trindade. O momento concluiu-se com a bênção e o abraço da paz. Alessandro Faleiro MarquesMembro das equipes de Comunicação SSpS Brasil e de Espiritualidade da Província SSpS Brasil Norte, diácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte.

Rede de Educação SSpS presente em congressos da ANEC e do Sinepe/RS

A educação é um dos campos de atuação das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS). Por isso, a presença de dirigentes e de representantes da Rede de Educação SSpS em eventos da área sinaliza o interesse genuíno em acompanhar os mais variados debates e reflexões relacionados ao processo de ensino-aprendizagem. Recentemente, dois eventos educacionais serviram como ponto de encontro para conhecer novas práticas pedagógicas e para partilhar experiências: o 17º Congresso do Ensino Privado, promovido pelo Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Estado do Rio Grande do Sul), e o VI Congresso Nacional de Educação Católica, realizado pela ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil). Tendências para incrementar o trabalho Entre os dias 19 e 21 de julho, o 17º Congresso do Ensino Privado proporcionou aos participantes o contato com as principais tendências da educação. O Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre-RS, recebeu cerca de 1.500 educadores e gestores provenientes de 74 Municípios e 194 instituições, incluindo lideranças e especialistas de outros oito Estados. Da rede de Educação SSpS estavam representados os colégios Espírito Santo (Canoas-RS) e Sant’Ana (Ponta Grossa-PR). Ao longo dos três dias, os especialistas falaram sobre funcionamento cognitivo, experiências memoráveis, didática assimétrica, relações socioemocionais, cultura do pensamento e os frutos do processo pedagógico. Ideias que vão se multiplicar e incrementar o trabalho nas instituições de ensino por, no mínimo, mais dois anos, quando um novo encontro deve ser promovido. “O que me impressionou foi ouvir diversos professores dizendo que precisam estudar esses assuntos, porque somente após o estudo e o domínio deles é que poderão fazer um trabalho melhor”, observou o presidente do Sinepe/RS, Oswaldo Dalpiaz. Fazendo valer o tema “Essência e Saberes da Educação”, os participantes ganharam como brinde um aromatizante composto por óleo de bambu e produzido pela equipe do sindicato. Experiências transformadoras que tecem o futuro Mais de 2 mil educadores de todo o Brasil estiveram reunidos no Centro de Convenções de Salvador-BA, entre os dias 29 de junho e 1º de julho, para o VI Congresso Nacional de Educação Católica. Ao todo, foram 40 palestras, com 10 conferências e mesas-redondas, 13 salas temáticas e 23 eventos paralelos na ExpoANEC, tendo como tema central “Transformar o presente, tecer o futuro: pactos e compromissos”. Pela Rede de Educação SSpS, participaram representantes dos colégios das duas províncias (Brasil Norte e Brasil Sul). O evento promoveu a partilha de vários temas comuns a todos os congressistas. A primeira conferência foi sobre a “Educação planetária para a construção da pedagogia da paz”. “Foram muitas as contribuições dos palestrantes do congresso e, em quase todas as falas, estavam presentes os apelos do Papa Francisco. Nessa perspectiva, fomos instigados a tecer futuro, com as mãos e com o coração, como tecelões da sensibilidade, da dedicação e do amor para educar nossas crianças, adolescentes e jovens, para o desejo de serem protagonistas em seu meio, em sua realidade”, comenta a irmã Eva de Lourdes Bueno, do Colégio Espírito Santo (Canoas-RS). Irmã Eva também pôde partilhar seu testemunho inspirador sobre a Plataforma de Ação Laudato si’ no “Espaço Aquário”, local criado como ponto de encontro para troca de ideias, experiências e projetos. Ela ressaltou que a plataforma tem desafiado as comunidades religiosas a repensarem suas formas de pensar e agir: “Com uma abordagem focada na espiritualidade, a Plataforma de Ação Laudato si’ incentiva a incorporação de valores como amorosidade, compaixão e cuidado em relação à casa comum”. Com apoio da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a plataforma proporciona o compartilhamento e dá destaque a projetos de sustentabilidade desenvolvidos em diferentes regiões do País, promovendo a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis. Em uma das salas temáticas, espaços com reflexões sobre temas específicos e em grupos menores, o cuidado com a casa comum também foi o foco da abordagem de Aleluia Heringer e Virginia Abouid em “Ecologia integral na prática: uma metodologia para implantação de ecopedagogia”. Elas explanaram sobre o uso consciente de papel, plástico, água, energia e alimentação. “Enfim nos fizeram refletir como muitas vezes falamos, mas nossa prática, na maioria das vezes, está longe da teoria”, ponderou Maria Aparecida Ribeira, participante da Rede de Educação SSpS Brasil Norte. Consenso entre as religiosas SSpS que participaram do congresso, a apresentação da vida e da obra de Santa Dulce dos Pobres (Irmã Dulce) foi a atividade mais emocionante de toda a programação. “Esse momento foi muito forte, pois foi a sobrinha da Irmã Dulce quem partilhou sua experiência. Ela mostrou todas as obras sociais fundadas para os mais pobres e vulneráveis, a maioria na área da educação”, disse Maria Aparecida. Ela destacou ainda a presença de três pessoas criadas nos orfanatos fundados por Irmã Dulce e que hoje trabalham nessas obras sociais: “Esses ‘filhos’ da Irmã Dulce deram seu testemunho da alegria e gratidão por serem quem são hoje graças a tudo o que receberam no tempo em que estiveram no orfanato”. A possibilidade de saber mais sobre a caminhada da educação no presente, abrangendo diferentes setores do processo educativo, para projetar o futuro alargou horizontes e contribuiu para fomentar o trabalho em rede. “Tive oportunidade de aprender e reaprender tantas coisas, renovar e recriar, projetar e buscar novas alternativas, procurando deixar nosso mundo melhor, mais humano e humanizador. Oportunidade de reavivar o sonho de relações interpessoais humanizadoras, da concretização da Laudato si’, das práticas restaurativas como ferramentas da prevenção dos conflitos e da cultura da paz. Perceber, uma vez mais, na Era Digital em que vivemos, a importância de uma ecologia integral, do desenvolvimento de competências socioemocionais e da educação psicossocial para uma formação integral, de uma gestão empreendedora e a liderança como a arte de cuidar uns dos outros”, resume irmã Ilca Maria Hendges sobre o que vivenciou ao longo dos três dias do congresso. Para saber mais:https://sinepe-rs.org.br/noticias/educadores-voltam-do-17o-congresso-do-ensino-privado-satisfeitos-e-com-dever-de-casa https://anec.org.br/noticias/salvador-recebeu-o-vi-congresso-nacional-de-educacao-catolica-com-mais-de-2-mil-pessoas/ https://crbnacional.org.br/a-plataforma-de-acao-laudato-si-promove-sustentabilidade-durante-o-vi-congresso-de-educacao-catolica/

Traços, sons, cores e formas na vivência da espiritualidade com a criança

Quando as crianças experimentam a espiritualidade na infância, isso ajuda a desenvolver a mente, as emoções e os relacionamentos delas. A espiritualidade pode ser sentida de muitas maneiras, por meio de coisas como sons, cores e formas. Este texto fala sobre como esses elementos são importantes para as crianças experimentarem a espiritualidade e como isso pode ajudá-las a se sentirem conectadas a algo maior. Os traços, ou seja, as linhas que compõem uma imagem, podem despertar a curiosidade e a imaginação da criança, proporcionando uma maneira tangível de se conectar com o mundo espiritual. Desenhos, símbolos e representações visuais de conceitos espirituais podem ajudar a criança a compreender e internalizar essas ideias abstratas. Por exemplo, mandalas, que são desenhos circulares utilizados em algumas tradições espirituais, podem auxiliar a criança a desenvolver um senso de equilíbrio e harmonia. Os timbres têm um efeito profundo na experiência humana, e vivenciar a espiritualidade com uma criança não é diferente. Música, canto, mantras e rituais sonoros podem criar um ambiente propício à introspecção e à conexão espiritual. As canções, por exemplo, podem transmitir valores e ensinamentos, além de gerar um sentimento de pertencimento a uma comunidade. Além disso, a criança pode se expressar musicalmente, criando timbres que refletem sua própria experiência e compreensão de espiritualidade. As cores têm um impacto poderoso em nossas emoções e percepções. Na vivência com crianças, elas podem ser usadas para representar conceitos e estimular a criatividade. Diferentes tradições atribuem significados simbólicos a cores específicas, como azul para serenidade e confiança, e amarelo para alegria e energia. Ao explorar esses significados, a criança pode desenvolver uma compreensão mais profunda de sua própria espiritualidade e expressá-la por suas escolhas de cores. As formas e traços têm papel importante na vivência espiritual com crianças. A geometria sagrada, que usa formas como círculo, triângulo e quadrado, está presente em várias tradições espirituais. As crianças podem explorar essas formas para entender padrões universais e a ordem cósmica, e expressar sua espiritualidade criando mandalas, formas geométricas complexas que representem a totalidade e a conexão com o divino. A experiência da espiritualidade na infância é valiosa para o desenvolvimento pleno da criança. Sons, cores, formas e traços têm um papel importante nessa vivência, permitindo explorar, de maneiras palpáveis, o mundo e suas diversas espiritualidades. Ao proporcionar experiências sensoriais e simbólicas, despertam a imaginação, a criatividade e a conexão com algo maior. É crucial que pais, educadores e cuidadores reconheçam sua importância e criem um ambiente acolhedor e estimulante para a expressão espiritual da criança. Lucas Fortunato CarneiroProfessor e coordenador da Dimensão Missionária no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.

No “chão da vida” está escondido nosso verdadeiro tesouro

“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo…; é também como um comprador de pérolas preciosas” (Mt 13,44-45) As parábolas têm sua força na luz da proposta e não na agressividade do contraste. São implicativas, têm valor universal, não precisam de um passo prévio de preparação intelectual para poderem ser compreendidas. São entendidas porque são transparentes, pequenas, sem contornos sofisticados. As parábolas nos evangelhos despertam o dinamismo da fé para acolher a novidade do Reino apresentada por Jesus. É na mesma fé que elas adquirem força para serem propostas, compartilhadas e presenteadas. As parábolas são parte essencial dos métodos terapêuticos de Jesus. Ele cura por meio de histórias, cura usando palavras que abrem o coração dos ouvintes para a própria verdade e para uma relação mais sadia com o Pai. Com seus relatos, Jesus desperta e extrai o melhor e mais nobre presente no interior de cada um; quem o escuta sente um novo movimento que o faz sair de si e abrir-se às surpresas da vida. Por isso, as parábolas apresentam uma linguagem simples, comum, próxima. Para quem as escuta ou as lê, é preciso alargar seus espaços interiores numa atitude de atenção acolhedora, de encontro, de deixar-se envolver e provocar por elas, sem ter que forçar o texto ou uma interpretação. As parábolas apresentam-se sempre como relatos abertos, provocando diferentes reações, despertando e ampliando a vida. Podemos, então, dizer que as parábolas contadas por Jesus são “arriscadas”. Não pertencem à literatura de consumo; ampliam a vida e a comprometem; pronunciá-las ou assumi-las como estilo de vida dá medo… Colocam-nos no fluxo do divino e precisamente por isso tem um atrativo muito especial: são incontestáveis. As parábolas do tesouro escondido ou da pérola procurada, presentes em diferentes tradições sapienciais, constitui um convite a encontrar ou descobrir aquilo que, mesmo sem saber, desejamos: o que realmente somos. Elas contêm várias indicações valiosas: o tesouro e a pérola estão aí, o tempo todo; trata-se simplesmente de descobri-los. Não são algo separado de nós, nem algo do qual carecemos, mas justamente aquilo que somos. Quando os encontramos ou descobrimos, tudo o mais começa a ser visto como algo secundário; e essa descoberta se traduz em alegria perene. Todo ser humano anseia por esse tesouro e essa pérola. De fato, é essa aspiração que nos move, nos faz iniciar a busca e percorrer diferentes caminhos, atraídos sempre por seu aroma de plenitude. No entanto, nessa busca pode acontecer de tudo: nos distraímos e terminamos enredados; nos conformamos com pequenas “guloseimas” ou nos entretemos com “brinquedos”, esquecendo o tesouro real; calamos a voz do desejo profundo, abafando-nos com múltiplos ruídos; dizemos a nós mesmos que a aspiração profunda é inventada e que é necessário ser “práticos” e não acreditar em “contos” ilusórios… E, mesmo no melhor dos casos, quando a busca se apoia numa forte determinação, não é fácil superar a armadilha que nos incita a buscar o tesouro ou a pérola em “algo” fora, longe ou no futuro. Há em todos nós o “bom odor” da plenitude. Mas, nossa mente, identificada com nosso ego separado, nos faz crer que a plenitude se encontra fora e aí começamos a correria que não conduz a nenhum lugar. As parábolas deste domingo nos recordam esta inspiradora verdade: nós, em nossa verdadeira identidade, somos já o que estamos buscando. Não é preciso correr para fora, porque onde temos de chegar é no nosso eu mais profundo, na nossa essência, onde somos nós mesmos. Basta pacificar a mente e, se tivermos paciência e perseverança nisso, o silêncio nos mostrará o tesouro que desde sempre aspiramos. Quando isto acontece, a busca será concluída: descobrimos o que sempre fomos e que nos permanecia oculto. Só podemos encontrar o tesouro e a pérola dentro de nós se descermos ao chão de nossa vida, ou mergulharmos nas profundezas de nossa interioridade. É normal que nós nos surpreendamos frente a frente com um “eu” desconhecido, temido ou reprimido há muito tempo. O caminho para o nosso tesouro passa pelo diálogo com os nossos instintos, com nossas paixões, com nossos problemas e fragilidades, nossas angústias e nossas feridas, com tudo quanto grita dentro de nós e consome nossa energia. A espiritualidade cristã nos mostra que exatamente em nossas feridas nós descobrimos o tesouro do nosso verdadeiro “eu” escondido no fundo de nosso coração. “Lá onde nós fomos feridos, onde nos quebramos, aí nós também nos abrimos para Deus” (H. Nouwen). Se algo nos deixa claro nas parábolas deste domingo é que a renúncia ou desprendimento evangélico não é um meio para ter acesso ao Reino, mas consequência de tê-lo encontrado. É o tesouro e a pérola que exigem e possibilitam a renúncia, uma vez encontrado. Não o inverso. É muito curiosa esta íntima relação evangélica entre a alegria e a perda. Uma alegria que nos mobiliza… e nos despoja. “A alegria é o primeiro efeito do amor e, portanto, da entrega… Pelo contrário, a tristeza é um vício causado pelo desordenado amor de si mesmo, que não é um vício especial, mas a raiz geral de todos eles”(S. Tomás de Aquino). A partir daqui se entende muito bem a ligação direta entre alegria e entrega total, pois “cada um tanto se aproveitará em todas as coisas espirituais quanto sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Sempre e quando seja um sair que nos adentra em nós mesmos, nos desaloja para poder viver “em casa”. Talvez nos ajude a recuperar o sentido da abnegação e o “custo” (vendeu tudo) como condição necessária para uma vida evangélica. É o duplo movimento do “empobrecer-nos para sermos ricos” (2Cor 8,9), para que o tesouro que nos habita seja o centro de nossa vida e não o ego inflado e estéril. E isso porque se trata de descentrar-nos, de esvaziar o ego e converter o “eu” em um receptáculo cada vez mais disponível para que Deus possa irromper e manifestar-se através dos nossos melhores recursos. Enfim, podemos proclamar esta certeza: o tesouro

Amizade: cultivando laços de vida

Cada pessoa que “vem ao mundo” chega de mãos vazias. Cada passo do desenvolvimento humano saudável só é possível diante da mediação de um outro que cuida e orienta rumo à maturidade. Todavia, mesmo depois de crescidos, ainda se fazem necessários a presença, o olhar, o sorriso de alguém que se anima a compartilhar seus caminhos. Hoje vivemos em uma sociedade hedonista e individualista, que leva as pessoas a crerem que podem viver sozinhas suas vidas, desprovidas de vínculos profundos, que são, muitas vezes, substituídos por coisas, carreiras, dinheiro, aparência e diversão. Existe uma lógica capitalista para a qual as relações se tornaram relativas, efêmeras, funcionais, descartáveis e, consequentemente, assustadoras. Todavia, a construção de um ser humano autossuficiente, sem necessidades básicas, como aceitação, amor, reconhecimento… é ilusão. Tal ilusão tem contribuído com o fechamento e o isolamento de muitas pessoas, que, a longo prazo, veem-se sozinhas, desprovidas de vínculos, depressivas, lutando por encontrar um sentido para sua existência. Distantes da vida social, elas abandonam aspectos importantes para sua própria psique, como a interação, a conexão com o mundo exterior e sua alteridade, a necessidade de pertença, de dar e receber amor, de cuidar e ser cuidado, os vínculos de amizade. Abrir mão de vincular-se com outras pessoas, de compartilhar emoções e experiências de vida rouba do indivíduo recursos que não podem ser comprados, como o entusiasmo, a alegria, a empolgação, a partilha, o propósito que vai para além de si mesmo e a possibilidade de sentir-se importante para alguém. Como resgatar ou preservar nossa alegria e entusiasmo diante das demandas diárias, do isolamento e falta de sentido? Cultivando e construindo laços, vinculando-se, ou seja, buscando amigos que compartilhem com gratuidade sua vida, suas emoções e seus desafios, companheiros na busca de sentido e de respostas às grandes perguntas da vida, que se sintam felizes de ter você por perto. A amizade verdadeira constrói redes de conexões espontâneas e gratuitas, capazes de oferecer afeto e trocas profundas de experiências e emoções. Amigos verdadeiros são como chuva para o campo em tempos de seca, ele acolhe sem julgamento, recebe com alegria e partilha com gratidão, estar em sua presença, muitas vezes, é suficiente para aplacar a angústia e eliminar sentimentos de desamparo. Ao mesmo tempo, um bom amigo também desafia, convida a pessoa ao crescimento e oferece importantes feedbacks em tempos de dúvida ou diante de conflitos diários, podendo ser duro e obstinado em suas opiniões, mas uma amizade profunda tem a capacidade de despertar a consciência e ajudar a pessoa a repensar seus caminhos e aprofundar escolhas. Empatia é uma das mais belas características da amizade. A capacidade de conectar-se com a dor e acolher a vulnerabilidade do outro, sem julgamento e com profunda aceitação, exige liberdade interior e amor, mas é, em si, a essência de uma amizade madura, de laços que promovem a vida. Portanto, escolha bem seus amigos e cultive suas amizades. Mais que diversão e descanso, bons amigos contribuem com nossa saúde emocional. Tenha coragem de oferecer um pouco de seu tempo, de sua escuta a outras pessoas e construa laços cheios de significado. Cultive a gratidão e a empatia com aqueles que partilham de seu dia a dia. Irmã Juliana de Andrade, SSpS

Como envelhecer com saúde

“Debaixo dos caracóis dos seus cabelos /Uma história pra contar de um mundo tão distante /Debaixo dos caracóis dos seus cabelos /Um soluço e a vontade de ficar mais um instante…”(Erasmo Carlos e Roberto Carlos) Saudades? O tempo está passando, os filhos vão crescendo, os amigos vão se distanciando, lembranças dos lugares da infância e da juventude voltam à memória. Após anos trabalhando, o corpo não é mais o mesmo. O cansaço vai chegando… Aposentar ou não? Eis a questão. O que está acontecendo? Pode ser o tempo do envelhecer chegando. Estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicados em 2023, revelam que existem mais de 33 milhões de pessoas idosas no Brasil. A pesquisa também mostra que, com o avanço da medicina, aumentou o número de pessoas de idade acima de 60 anos. Envelhecer (sênior) não é cair na melancolia nem procurar clínica de estética para tirar rugas (risos). Cuidar-se bem é o segredo da longevidade! Fazer o check-up anual para que a saúde fique em dia. Tomar as vacinas nos prazos certos, alimentar-se de modo saudável. Praticar atividade física é necessário. Ler faz bem para a mente, mexe com a imaginação e, ou, enriquece o conhecimento adquirido ao longo dos anos. Para que trabalhar tanto? Para pagar a faculdade daquela filha, daquele filho que mais tarde sairá de casa e nem terá tempo para visitar você? Sem falar naqueles pais que, quando chegam a uma idade, passam o nome do imóvel (doam) para os filhos e depois sentem o desagradável sentimento da ingratidão quando são abandonados por eles. Ou vira babá de netos? Muitas pessoas idosas, por causa da frustração, têm praticado o suicídio, infelizmente. Então, como envelhecer com saúde e dignidade? As dicas são: manter a interação social, aprender coisas novas e praticar atividades físicas. Estimular a cognição afasta depressão e demências. Como diz a canção: “As luzes e o colorido que você vê agora / Nas ruas por onde anda, na casa onde mora / Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente / Você só deseja agora voltar pra sua gente”. Sobre a interação social, participe de eventos sociais, culturais e religiosos, não pare de encontrar com os amigos, visite algum conhecido ou doente, trabalhe como voluntário em alguma instituição, conheça lugares novos, faça parte de algum grupo, seja de estudo ou de excursão, pratique uma religião. O importante é não se sentir só, pois os pais falecem, filhos crescem e se vão pelo mundo, ter amigos de bocha ou de chá, de baralho ou de bazar, você não verá o tempo passar. Outra dica é aprender sempre coisas novas. Faça cursos de idiomas, toque um instrumento, dance, cante, aprenda informática, escreva um poema, um artigo, um livro. Cora Carolina começou a escrever seus poemas quando tinha 70 anos. Isso significa que nunca é tarde para começar. Gosta de jardinagem? Aproveite e procure cultivar plantas, flores, crie um jardim. Há vários cursos na internet. Faça palavras-cruzadas, caça-palavras. Aprenda sobre primeiros socorros. Tudo que for bom para estimular a mente é importante. A terceira dica é praticar atividades físicas. Caminhada, natação, Pilates, musculação, aeróbica, hidroginástica, alongamento, subir e descer escadas; enfim, movimente-se! Não deixe os joelhos e as pernas ficarem sem circulação; procure sempre uma atividade adequada à sua saúde. Para isso, é necessário primeiramente uma avaliação médica. Há os alpinistas, os ciclistas, os surfistas, os que gostam de trilhas. Não permita que a ostopenia ou a artrose atrofie a vontade de recuperar os movimentos. Se for cadeirante, não desanime. Uma orientação fisioterapêutica faz muito bem. O importante é não ficar parado, parada. Ah! Não se esqueça de ler o Estatuto do Idoso e demais leis, pois somos sujeitos de direitos. Que todos sejam respeitados, colocando-nos no lugar do outro. Afinal, todos um dia vão envelhecer. Maria Terezinha CorrêaMestranda em Filosofia e mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, filiada à ABA, à Apeoesp, à SBPC, à Aproffib e Sintram; membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura (ALESC), voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

Festas juninas valorizam a cultura na Rede de Educação SSpS Brasil

Já faz tempo que as tradicionais “festas juninas” escolares não estão restritas ao mês de junho. Em vários colégios de todo o Brasil, a festividade também tem sido realizada em julho, marcando o encerramento das atividades do primeiro semestre. Independentemente de quando ocorrem os festejos, o variado repertório cultural do País tem sido valorizado junto aos estudantes da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). Meu Cordel Sagrado No caso do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, a festa junina teve como tema “Meu Cordel Sagrado”. Para ilustrar a comemoração, os alunos foram convidados a produzir cordéis e outros gêneros textuais com o tema da cultura nordestina. “A literatura de cordel recebeu o título de patrimônio cultural imaterial brasileiro em 2018, no entanto, ao contrário do que as pessoas pensam, o gênero não nasceu no Brasil. O estilo já existia no período dos povos greco-romanos, fenícios, cartagineses e saxões. Chegou a Portugal e Espanha por volta do século XVI. No Brasil, veio com os colonizadores, instalando-se na Bahia, mais precisamente em Salvador, à época, a capital brasileira”, explica a professora de Literatura Cintia Valéria Melo Combat Barbosa. Inspirada em uma fala da cordelista paraibana Izabel Nascimento, que afirma que o cordel é uma ferramenta de transformação social, a professora desafiou os alunos do 9º ano a criarem o gênero lambe-lambe e exporem traços da linguagem nordestina em cartazes. “O trabalho ficou fantástico, foi possível ler frases autorais, trechos de músicas e poemas, e conhecer a variedade linguística, em uma arte que tem como objetivos a intervenção e a reflexão”, relembra Cintia. Danças e comidas típicas No Colégio Santos Anjos, em Porto União-SC, a festa junina é um dos eventos mais esperados não somente pela comunidade escolar, mas também por moradores do próprio Município e da vizinha União da Vitória. “Todo mundo reserva a data desta que é uma das nossas festividades mais tradicionais, para ver as danças e saborear as comidas típicas que são famosas aqui em nossa região”, conta a professora de Educação Física Uná Mariana Manfredini de Campos, destacando os principais atrativos da programação. As coreografias do ensino fundamental II e do ensino médio são criadas pelos próprios estudantes, amparados em pesquisa, muita criatividade e consenso entre os colegas, para definir a música, os movimentos e os trajes que comporão a dança. “É algo que demanda bastante energia e que os alunos gostam bastante de participar. Tudo é feito nas aulas de Educação Física, por ser um conteúdo de dança, que está na grade curricular. O nosso terceirão faz um espetáculo à parte, com uma coreografia de dez minutos”, comenta Uná. Já as turmas da educação infantil e do ensino fundamental I contam com o auxílio das professoras para a organização das danças. A gastronomia típica também é garantia de público nos festejos. “Nosso pastel e cachorro-quente são bastante famosos. O pessoal não se importa com o frio, e todos vão ao colégio. A gente viu o envolvimento de professores, funcionários, alunos e suas famílias. Todos participaram e se divertiram bastante”, garante Uná. O porquê das festas juninas A comunidade escolar do Colégio Sant’Ana, em Ponta Grossa-PR, também celebra as festas juninas com comidas típicas, chapéus de palha e todo o colorido característico nas vestimentas e na decoração. E é de lá que vêm algumas explicações sobre os motivos de essa festividade ser realizada tradicionalmente em junho. Segundo o professor Antonio César Burnat, as festas juninas descendem, em linha direta, da devoção à deusa Juno, dos romanos, identificada como Hera pelos gregos. “O quarto mês do calendário era dedicado à deusa pagã Juno e, no solstício de verão, eram comuns muitas comemorações em sua homenagem. As celebrações para Juno eram marcantes, não importando que a deusa se desdobrasse em outra tantas. Dizem as pesquisas que nossas festas juninas apresentam os mesmos elementos característicos das comemorações motivadas por Juno: fogueiras, batatas e as alcachofras queimadas, flores recolhidas ao primeiro raio de sol e consultas ao oráculo”, diz o professor. Antonio observa, porém, que a colonização portuguesa e a devoção cristã católica passaram a exaltar as festas populares, valorizando os produtos locais e estabelecendo ligações entre os festejos e os santos católicos lembrados em junho: “Começou por São João Batista (24 de junho). Mais tarde, foram elevados ao culto junino São Pedro e São Paulo (29 de junho). E, depois, as comemorações juninas a Santo Antônio (13 de junho)”. Ele explica que, para diferenciar cada um desses santos, ficou estabelecido um formato próprio de fogueira. Para São João Batista, a fogueira é em formato cilíndrico; São Pedro tem o formato triangular; e Santo Antônio ganhou o formato quadrangular. “Vivam nossos santos católicos, vivam as comemorações juninas, viva a alegria do povo que luta, trabalha e se alegra, vivendo sua religiosidade e sua fé de forma pura e singela e, assim, abençoadas pelos santos que doaram sua vida pelo amor a Jesus e ao Evangelho”, vibra o professor. Marcos Vinícius MerkerJornalista no Colégio Espírito Santo de Canoas-RS, membro da Equipe de Comunicação das SSpS Brasil.

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