Ensino Religioso nas escolas

Em 2015, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou a ser elaborada a partir da análise e da reflexão dos documentos curriculares já existentes. Sua ideia é de apresentar o que se deve aprender nas escolas brasileiras da educação infantil ao ensino médio, garantindo o direito à aprendizagem dos estudantes, de uma formação democrática, inclusiva e integral. Finalidade do Ensino Religioso Uma das grandes novidades apresentadas na BNCC está nas competências que ela oferece e, de forma especial, para o Ensino Religioso. Das competências propostas pela Base Nacional Curricular para o Ensino Religioso, ideias como conhecer diferenças, respeitar manifestações religiosas, diretos humanos e cultura de paz constituem conceitos-chave para serem ensinados, bem como a educação socioemocional que, além de permear todas as áreas, está também muito presente aqui. O objetivo é oferecer aos estudantes conteúdos que fundamentam a perspectiva religiosa do ser humano, despertando para o desenvolvimento da espiritualidade e para um maior compromisso com a construção de um mundo melhor, como lembra a orientação das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo. Para que isso se torne prática, a formação dos educadores é o caminho. Isso se dá com estudo, leituras, reflexões e participação em simpósios e congressos. Espírito ecumênico e inter-religioso Um grupo de educadores da Rede de Educação marcou presença no X Congresso Nacional de Ensino Religioso (Conere), na PUC Paraná, em Curitiba, entre os dias 18 e 20 de novembro. Além dos temas referentes ao Ensino Religioso, Ciências da Religião e Teologias, o encontro, que reuniu pessoas de diferentes denominações religiosas, provocou os participantes a pensar os desafios do mundo contemporâneo, apresentando perspectivas práticas para a vida cotidiana diante de um mundo que muda a cada instante. Em relação à Casa Comum, uma das reflexões que mais chamaram a atenção foi proferida pelo pastor Werner Fucks. De forma profunda e lúcida, além de levar questões urgentes para repensar um estilo de vida sustentável, salientou o quanto temos de aprender com a natureza sobre sua capacidade de regeneração. Dialogar e ouvir diferentes visões de mundo, que foram das cosmologias religiosas às agnósticas, em clima de harmonia e respeito, foi outra característica marcante do encontro, em sintonia com o conceito de “religare” que nos irmana. Assim, os participantes das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo retornam para suas realidades ressignificados e comprometidos em multiplicar o conhecimento adquirido, além de levarem a responsabilidade de promover uma educação em que tolerância e respeito andem de mãos dadas. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS. _______
Música: a arte que transforma

“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem que vir antes.” (Rubem Alves) No dia 22 de novembro, celebramos o Dia da Música, dos Músicos e também o Dia de Santa Cecília, conhecida como a padroeira dos músicos. Por isso aproveitamos a data para conversarmos sobre o efeito transformador da música na vida da criança. A música é a mais completa das artes, e sua linguagem vem sendo apontada, por especialistas de todo o mundo, como uma das áreas do conhecimento mais importantes a serem estudadas no desenvolvimento da criança. Segundo o psicopedagogo, arte-educador e mestre em educação João Beauclair, “A música não é só uma questão de interferência na educação da criança, é uma necessidade, que deve ter espaço consagrado e rotineiro, por possibilitar a melhoria da sensibilidade, beneficiar os processos de aquisição da leitura e da escrita, e auxiliar na melhoria da capacidade de memorização e de raciocínio”. Musicalizar uma criança é despertá-la para esse universo rico que a música é capaz de proporcionar. Por meio das cantigas de ninar, de roda, brinquedos e histórias cantadas, exploração dos sons do ambiente e de instrumentos da bandinha rítmica, estimulamos habilidades como a socialização, afetividade, concentração, coordenação motora, desenvolvimento da fala e vocabulário pelo canto, memória, acuidade auditiva, pela qual ela aprende a apreciar os diversos sons que estão à sua volta, criatividade, raciocínio lógico, entre tantas outras mais específicas. Quando colocamos a criança em contato com diferentes gêneros musicais, despertamos nela emoções diversas que podem ir da gargalhada às lágrimas. Também percebemos variações em sua expressividade corporal, como movimentos delicados e até mesmo mais brutos. Essa exposição a diversos estilos musicais, além de promover contato com outras culturas, é uma excelente forma de estimular seu campo cerebral. Como afirmou Teca Alencar de Brito, educadora musical, doutora e mestra em Comunicação e Semiótica, “A educação musical não deve visar à formação de possíveis músicos do amanhã, mas sim à formação integral das crianças de hoje”. Por isso devemos trabalhar com a música de uma forma que esta influencie no desenvolvimento global das crianças, fazendo com que elas se interessem por música, pelos vários gêneros musicais, pelas diferentes culturas. O objetivo é formar crianças autônomas e críticas mediante a influência do trabalho musical realizado com elas. A música é uma arte completa, não necessariamente para formar músicos, mas por ser capaz de transformar crianças em seres humanos melhores, mais felizes, sensíveis, mais confiantes em si, além de proporcionar um enriquecimento cultural imenso! E viva a Música! Anna Paula Bruno Behrend, professora de Música do Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ. _________
Gentileza: crianças enviam cartas para idosos

Consideradas um dos meios de comunicação mais antigos do mundo, as cartas perduraram como principal veículo de informações a distância por muitos séculos. Entretanto, a chegada do telefone, em 1870, provocou mudanças na cultura da escrita de cartas, mesmo que continuassem a contribuir para que as pessoas se comunicassem e expressassem seus sentimentos, desejos, projetos e desabafos. No entanto, no século XXI, com a internet e a divulgação das redes sociais, o que era escrito em folhas de papel passou a ser digitalizado em telas dos smartphones, tablets e computadores, e as pessoas que viveram grande parte de suas vidas fora da Era Digital e hoje moram em lares de idosos viram-se, muitas vezes, impedidas de escrever e receber cartas, aumentando, por exemplo, a solidão e sensação de abandono. Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte-MG, em parceria com o Movimento Gentileza, lançou, no dia 22 de outubro, o projeto “Cartas para você”. O objetivo é promover um intercâmbio geracional entre crianças, jovens e idosos, além de permitir o desenvolvimento de um elo afetivo por meio de cartas manuscritas. O Colégio Sagrado Coração foi convidado a participar da iniciativa, representando as escolas privadas de Belo Horizonte. Assim, 413 crianças e adolescentes dedicaram um tempo para escrever uma carta para uma idosa ou idoso, compartilhando histórias, sentimentos e sonhos. As mensagens, por sua vez, foram entregues pelos correios, reacendendo nos idosos residentes em 28 lares da capital mineira as memórias dos tempos em que as cartas eram esperadas ansiosamente, pois traziam notícias de pessoas amadas e que viviam longe. Cerimônia de lançamento Os alunos Maria Luiza Vanucci Ferreira, Rafaela Andrade Alves, Nicole Cunha Ribeiro e João Freire Villela participaram da cerimônia de lançamento do projeto, no salão nobre da Prefeitura. “Abro meu coração quando escrevo uma carta”, revelou a aluna Maria Luiza, em depoimento ao Jornal Estado de Minas. Em paralelo a esse depoimento, recordarmos um dos pensamentos de Madre Josefa, uma das fundadoras da Congregação da Missionárias Servas do Espírito Santo que norteia a filosofia dos colégios: “Nossa missão é abrir os corações ao amor”. Com isso, esperamos que as cartas levem ânimo, alegria e carinho aos corações dos idosos e idosas dos 28 lares, como os residentes do Lar Nossa Senhora da Saúde. Assim nos escreveu a assistente social Juliana Moreira: “Recebemos as cartas aqui no lar, e os idosos adoraram. Ficaram muito felizes e interessados ao abrir a carta e poder ter contato com essas crianças maravilhosas do Colégio Coração de Jesus, do 6º ano”. Escrever uma carta é um gesto significativo de gentileza, mas existem muitos outros. Nossos alunos fizeram a parte deles. Agora é sua vez de também espalhar gentileza, cumprindo o que Madre Josefa nos deixou como legado: “Abrir os corações ao amor”! Simone Fortunato NunesCoordenadora da Pastoral Missionáriado Colégio Sagrado Coração de Jesus ________ Assista ao vídeo publicado pelo Jornal Minas:
Presença missionária em Papua-Nova Guiné

Papua-Nova Guiné, país da Oceania, é um mundo desconhecido para a maioria dos brasileiros, mas foi um dos primeiros campos de missão das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS). Elas estão lá desde 1899. Com uma cultura riquíssima, o país tem três idiomas oficiais e mais de 800 línguas indígenas locais, para se ter uma ideia da variedade de grupos nativos. A população enfrenta problemas sociais, como pobreza, violência, mortalidade infantil, falta de acesso à educação, entre outros. Por isso, além do trabalho pastoral e de anúncio do Evangelho que as irmãs realizam, elas também atuam nas áreas em que há maior necessidade, como escolas, hospitais, maternidades, clínicas itinerantes, atendimento a pessoas com HIV/Aids, promoção da mulher, projetos de desenvolvimento social e de formação nas aldeias. A presença das irmãs em Papua-Nova Guiné motivou os alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, a produzirem uma peça de teatro sobre a realidade daquele país e encená-la durante a II Semana Sem Fronteiras, realizada no início de outubro. Dada a qualidade do trabalho, os alunos foram convidados para se apresentarem no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, para o encerramento do Mês Missionário Extraordinário. Encerramento do Mês Missionário No dia do aniversário de nascimento de Santo Arnaldo Janssen, 5 de novembro, o Centro Missionário promoveu um evento para encerrar o Mês Missionário Extraordinário. Estiveram presentes os alunos do Curso de Formação Teológica e Missionária, as irmãs da Comunidade do Convento Santíssima Trindade e Santana, e o grupo de alunos do Colégio Espírito Santo, acompanhados dos professores, para assistir ao teatro sobre Papua-Nova Guiné. A peça, toda montada pelos alunos, apresentou uma jovem que, ao chegar em casa, liga a televisão e assiste a diferentes gêneros de programação, todos sobre Papua-Nova Guiné. Os alunos encenam os programas, mostram danças típicas e incluem documentários, entrevistas e até o depoimento em vídeo de uma missionária brasileira, Ir. Lourdes Hummes, que trabalhou 18 anos naquele país. Depois de uma hora de apresentação, uma terra até então longínqua e desconhecida passou a fazer parte do coração dos que assistiram à peça. Souberam do drama que as mulheres enfrentam, uma vez que, por causa da cultura machista, são vítimas constantes de violência doméstica, estupro e outros crimes. Somente há poucos anos, o país adotou uma legislação que as protege, mas mudanças culturais são lentas, e os homens continuam violentos. Mas o público também viu a beleza de sua natureza, de suas danças e de seus povos. É um país exótico, cheio de mistérios e com muitos desafios. Os 120 anos de presença missionária naquele país certamente estão contribuindo para que as pessoas tenham melhor qualidade de vida, educação, saúde e a oportunidade de conhecer os valores do Evangelho. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______
II Semana sem Fronteiras

De 30 de setembro a 5 de outubro, a Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo realizou a segunda edição da Semana sem Fronteiras. O tema foi “Descobrindo caminhos para um mundo de justiça e bem comum”. A proposta da Semana sem Fronteiras é reconhecer e unir em torno do carisma missionário as quatro escolas localizadas em diferentes Estados (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). O carisma nos ajuda a entender que nada deve nos separar e que construir pontes deve ser a nossa grande missão. Por esse motivo, as irmãs servas do Espírito Santo estão presentes em todos os continentes e em quase 50 países, para nos ajudar a entender que, para fazer o bem, não devemos impor limites e precisamos estar sempre “em saída”. Na primeira edição, em 2017, a cada dia, olhamos para um continente e para suas peculiaridades. Neste ano, toda a comunidade educativa, em especial os alunos, foi convidada a voltar o olhar para cinco países, os quais puderam conhecer mais intensamente: Papua-Nova Guiné, Holanda, Indonésia, Etiópia e Venezuela. Realidades variadas em diferentes continentes que se apresentaram cheios de surpresa, curiosidades e peculiaridades. Os resultados de um trabalho feito, desde o início do ano, pelos alunos e professores foram vistos e compartilhados como abertura do Mês Missionário Extraordinário. Pesquisas, arte, criatividade, cultura, dedicação e missão: uma viagem além-fronteiras de descobertas surpreendentes e de aprendizado sobre a atuação das irmãs, bem como questões ambientais, sociais e culturais de cada país proposto. Agradecemos a todos pela segunda edição da Semana sem Fronteiras ter sido um sucesso! Confira os melhores momentos no álbum e, a seguir, conheça um pouco mais dos países: PAPUA NOVA-GUINÉ Ação das irmãs Em 1899, um grupo formado por quatro irmãs missionárias servas do Espírito Santo foi a Papua-Nova Guiné, com o objetivo de escolarizar e introduzir trabalhos pastorais em paróquias. Atualmente, a missão concentra esforços nas áreas da saúde, educação e trabalhos sociais. As irmãs atuam no processo de evangelização das comunidades, auxiliam os doentes com HIV, além de apoiarem mulheres, jovens e crianças vítimas do tráfico humano. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=HcARaxj2B28. Ambiental É o segundo maior país da Oceania. Apresenta clima equatorial e muitas florestas tropicais com grande biodiversidade. É constituído por várias ilhas, algumas estão sendo submersas devido à elevação das águas oceânicas ocasionada pelo aquecimento global. Social A maioria dos habitantes de Papua-Nova Guiné vive abaixo da linha de pobreza. A taxa de mortalidade infantil no país é de 49 para cada 1000 nascidos vivos. Os serviços de saneamento básico são precários e destinados a menos de 45% das residências. O índice de analfabetismo é de 45,8%. Cultural Culturalmente, é um dos lugares mais heterogêneos do planeta e com maior diversidade linguística do mundo. Apresenta cerca de 850 línguas diferentes. A religião aborígene é predominante, mas há outras, como o catolicismo e o protestantismo. HOLANDA Ação das irmãs A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada por Santo Arnaldo Janssen em 1889, em Steyl, Holanda, com o auxílio de Madre Maria Helena Stollenwerk e Madre Josefa Stenmanns, duas mulheres de fé que hoje são reconhecidas pela Igreja como bem-aventuradas. Ambiental Conhecido mundialmente por suas flores, vacas, moinhos e diques, o país se destaca por proteger a natureza, cuidar do meio ambiente e atender aos ditames ambientais. A fim de evitar atropelamentos, diversos “ecodutos” foram construídos em locais que têm estradas próximas a hábitats, para que animais atravessem com segurança. Para diminuir a quantidade significativa de emissão de gases causadores do efeito estufa, as bicicletas constituem o principal meio de transporte interno. Social O sistema educacional holandês está entre os melhores do mundo. O governo mantém escolas públicas e financia instituições privadas. O sistema penitenciário é praticamente inexistente no país, graças aos índices baixíssimos de criminalidade. Cultural Os Países Baixos detêm a maior concentração mundial de museus por habitante. Lá pessoas com boa situação financeira dificilmente têm empregadas domésticas. Cada um cuida da própria casa, sendo de classe baixa até média alta. E, diferentemente do Brasil, não existem cachorros de rua na Holanda. ETIÓPIA Ação das irmãs As missionárias servas do Espírito Santo atuam em vários países do continente africano. Na Etiópia, estão desde 1994, quando foram para trabalhar nas áreas da saúde, educação e assistência social. A ação das irmãs nessa região está voltada para o acolhimento de crianças com trajetória de rua, para a catequese, para o desenvolvimento de programas de prevenção da aids e emancipação das mulheres, para o diálogo ecumênico entre católicos e ortodoxos, etc. Ambiental O país tem algumas reservas conhecidas de metais preciosos e outros recursos naturais, como ouro, potássio, gás natural, cobre e platina. Além de todas essas riquezas, existe também um vasto potencial para a geração de energia hidrelétrica. No entanto o país sofre com secas periódicas e apresenta a mais alta temperatura média do planeta. Social A Etiópia é o segundo país mais populoso do continente africano e um dos mais pobres e com problemas de abastecimento de comida do mundo. Apresenta economia centrada majoritariamente no setor primário, com destaque para a agricultura. Quase metade da população vive abaixo da linha da pobreza, o que se agrava com as elevadas desigualdades sociais e a falta de investimentos em infraestrutura, educação e saúde. Cultural Protegida como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, a República Democrática Federal da Etiópia tem raízes africanas, muçulmanas, judaicas e cristãs. Para os etíopes, comer é um ato que deve ser realizado coletivamente. Existem noventa línguas faladas na Etiópia, mas a predominante é a amárica. Os outros idiomas falados no país são originados das línguas afro-asiáticas, dos ramos cuchítico ou semítico. VENEZUELA Ação das irmãs As irmãs missionárias servas do Espírito Santo não estão presentes fisicamente nesse país, contudo reconhecem a necessidade e o compromisso missionário com nossos irmãos venezuelanos diante das necessidades que esse povo vem enfrentando, acolhendo-os no Centro de Integração do Migrante (CIM), em São Paulo-SP. Ambiental A Venezuela é um país conhecido
Leitura continuada da Bíblia

“Santo Agostinho falava que Deus escreveu dois livros. E o primeiro livro escrito por Deus não foi a Bíblia, mas sim a criação plena de todas das coisas, a natureza, a vida. O Livro da Vida, é por ele que Deus quer falar conosco.” (Frei Carlos Mesters, biblista) Na Igreja Católica, setembro é o Mês da Bíblia. É o período em que os fiéis são exortados a ter mais contato com os textos da Sagrada Escritura e, assim, iluminar e rezar a vida com base nos relatos, orações e ensinamentos presentes na Palavra de Deus. Uma das formas de ter contato com o texto bíblico é a leitura feita em grupo, com a comunidade e com os irmãos de fé e caminhada. Por isso a turma da catequese de crisma do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, participou da experiência da leitura continuada da Palavra, promovida pelo Arsenal da Esperança há nove anos. Na tarde de 24 de setembro, esteve na escola o missionário do Arsenal, Ivan Sbrana. Junto com os jovens do grupo de crisma, a catequista Sônia Vieira e o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, Ivan motivou o momento de leitura compartilhada da Palavra. O trecho lido foi o dos capítulos 1 a 6 do 2º Livro das Crônicas, uma das obras históricas do Antigo Testamento e que relata o discernimento e o esforço do povo para entender a maravilha de sua relação com Deus. De forma orante, os crismandos leram a passagem. A experiência, certamente, fortaleceu e aprofundou a compreensão da importância de ser comunidade e participar amorosamente da Igreja. Veja o depoimento de alguns alunos: “A experiência que tive durante a leitura continuada da Bíblia foi bem intensa e interessante. A sala estava repleta de uma energia inspiradora, que servia como guia para a alma. Além disso, as músicas tocadas pelo professor Agostinho contribuíram, de forma muito positiva, para tornar o ambiente ainda mais aconchegante. Foi um momento em que a palavra pôde adentrar mais fundo em nossos corações. Com certeza, foi muito enriquecedor.” (Felipe Mesquita Moura Mota Rodrigues, 9º ano A) “É impossível alguém que acompanhe o cristianismo não ame utilizar este Livro Sagrado. Os ensinamentos de Jesus, a história da humanidade, a criação do mundo, Moisés, Noé, Davi e tantos outros personagens estão presentes dentro da Bíblia. É tão fundamental que é apresentada como a Palavra do Senhor. Surpreendentemente, a Sagrada Escritura fica esquecida dentro da gaveta nas casas das pessoas. Lemos Crônicas 2, em que se conta a história de Salomão, um rei justo e fiel a Deus. É um grande exemplo de vida, pois pediu ao Senhor sabedoria e inteligência para reinar. Aprendemos que não é necessário construir um santuário como o de Salomão para provar que somos católicos, mas nos pequenos gestos, como ler a Bíblia e praticar seus ensinamentos.” (Luiz Felipe Ricobom de Sousa, 9º ano B) Sonia Vieira da SilvaProfessora de Ensino Religioso e catequista do Colégio Espírito Santo ________
Estudantes debatem conflitos no Morro do Alemão

O conflito do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ, mobilizou alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus e de diversas escolas de Ensino Médio e universidades de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, num total de 200 estudantes que participaram da SIS – Simulação Intercolegial do Sagrado, no dia 31 de agosto. A SIS faz parte do projeto pedagógico do colégio e, segundo a aluna Ana Luiza Araújo, “é um projeto criado e organizado pelos estudantes do Ensino Médio, no qual eles têm a oportunidade de mergulhar no excitante mundo diplomático”. Ela explica que os estudantes se organizam em comitês, criando um ambiente de simulação de organismos internacionais ou instituições nacionais, e se transformam em delegados para discutir temas relevantes da agenda nacional e internacional. Nesse processo, os alunos debatem, pactuam, articulam, deliberam, criam consensos e propostas de resolução para os temas em questão. Por isso a Simulação Intercolegial do Sagrado é uma oportunidade para aprimorar conhecimentos e a capacidade de relacionamento, diálogo e gerência do imprevisto. Neste ano, a 2ª edição da SIS organizou seis comitês, cada um com um tema: questões indígenas; antirrevolucionários durante a Revolução Francesa; crime organizado; segurança marítima; crise e intervenção na imprensa e o conflito no Morro do Alemão. Emoção no relato de moradoras O workshop sobre o conflito no Morro do Alemão teve destaque na SIS com o depoimento da Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, Gilmara Soledade dos Santos, coordenadora educacional do Centro de Educação Infantil Madre Josefa e Paula da Silva Alves, moradora do Morro do Alemão. Elas narraram a chegada das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na Serra da Misericórdia logo após um desastre ambiental que destruiu as casas. De forma imediata e comunitária, elas procuraram ajudar os moradores a reconstruírem suas vidas. Entre as muitas dificuldades que eles enfrentavam, as irmãs assumiram a necessidade de creches para atender às mães que trabalhavam fora e deram início à creche Madre Josefa. Os depoimentos de Irmã Fátima, Gilmara e Paula sobre o antes e o depois do conflito, “carregados de sentimento, já cativaram o coração dos diretores do comitê” conta Fernanda Ferreti, diretora assistente do comitê e estudante de veterinária da UFMG. Segundo ela “foi impossível conter o choro” durante o diálogo com os delegados. Fernanda conta que as convidadas relataram que o sentimento de esperança, que veio junto com a intervenção de 2010, deu lugar ao abandono ao fim das comemorações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, ambas sediadas na capital fluminense. Dessa forma, a entrada da segurança pública no Morro do Alemão, por não ter sido acompanhada de políticas públicas de inclusão social, foi descrita como midiática. Segundo as moradoras Gilmara e Paula, as forças de polícia deram lugar novamente ao tráfico, coexistindo em uma paz armada em todo o Complexo, deixando os moradores a mercê de acordos não divulgados e ainda mais insegurança. Para Paula, significou sobretudo, um afastamento de sua família e amigos, que já não podem visitar a sua casa no morro, além de determinar seu plano de vida: ter filhos somente após a concretização do sonho da casa própria, em outro bairro, fora do Morro do Alemão, onde nasceu e cresceu. Gilmara partilhou ainda a dificuldade de educar crianças em meio a uma guerra: “como dar a esses jovens cidadãos esperança e, principalmente, mantê-los longe do tráfico de drogas?” Experiência e aprendizado Participar do SIS foi uma experiência enriquecedora tanto para as convidadas como para os estudantes. Paula, feliz por contribuir para a formação de caráter dos jovens comenta: foi “muito marcante, porque sempre senti vergonha em falar onde moro, mas quando vi o interesse dos alunos sem olhares preconceituosos ou de pena, a vergonha se transformou em orgulho”. Amanda Antunes, do Colégio Santo Agostinho – Unidade Contagem, que nunca havia simulado em gabinete antes e estava com uma “expectativa altíssima”, relatou que “a atenção do secretariado, o apoio dos diretores e o ambiente tão leve fez da SIS uma simulação maravilhosa!” Entusiasmada com o resultado, Fernanda diz que o workshop “foi um grandioso aprendizado” num ambiente de acolhimento e que abriu novas perspectivas para o futuro. Também animada com a experiência, a estudante Ana Luiza concluiu: “o workshop foi simplesmente incrível; os relatos aproximaram os delegados ao cenário do Complexo, explorando a empatia e sensibilidade de cada um, levando a uma simulação ainda mais especial”.
“Estamos aqui porque amamos a escola”

Entre os dias 28 e 30 de agosto, os coordenadores missionários da Rede de Educação Servas do Espírito Santo estiveram reunidos no Centro Missionário Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, para alinhar os objetivos da aprendizagem do Programa de Ensino Religioso dentro das especificidades da Base Nacional Comum Curricular. A inspiração do encontro foi a frase do Papa Francisco: “Nós estamos aqui porque amamos a escola. E digo ‘nós’ porque eu amo a escola, eu amei a escola como aluno, como estudante e como professor. E depois como bispo”. O encontro foi produtivo e enriquecedor. Juntamente com a Assessoria Pedagógica, propôs aos coordenadores missionários das escolas caminhos que deverão guiar as novas ações educacionais. O momento contou também com a Ação Pastoral das unidades, a qual tem por objetivo promover um novo jeito de ser e viver baseado no amor trinitário. Nesse sentido, as ações da Dimensão Missionária nas escolas devem iluminar toda a prática educativa, possibilitando que os processos pedagógicos contribuam com a transformação social e o compromisso com a vida, por meio da vivência da solidariedade e a busca por uma cultura de paz. Ações solidárias, voluntariado, grupos de preparação para os sacramentos da Eucaristia e crisma, Juventude e Infância Missionárias, formação de educadores e pais, Missão Sem Fronteiras, Semana Sem Fronteiras, entre outros assuntos, foram discutidos e planejados pela equipe que acredita e realiza a educação por amor e com amor. “O encontro garantiu que os educadores retornassem a suas escolas com novas expectativas e uma bagagem renovada e preparada para o âmbito educacional”, afirma Agostinho Travençolo Júnior, coordenador missionário da Rede de Educação. Continue acompanhando o trabalho missionário das escolas, acessando o Instagram: https://www.instagran.com/acoespelapaz Luciana Marzullo Araujo, pedagoga e cientista da religião, coordenadora da Pastoral do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG. ________
Contagem regressiva para o centenário

O Colégio Imaculado Coração de Maria, localizado no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, vai comemorar cem anos de existência em 2020. Milhares de pessoas passaram pelas salas de aula, corredores e pátios da instituição. Desde sua fundação, pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo, tornou-se uma das principais referências de educação da capital fluminense. Para marcar seu aniversário de 99 anos e abrir o ano jubilar, no dia 24 de agosto, foi realizada uma celebração que contou com a presença de famílias, educadores e das irmãs missionárias servas do Espírito Santo. As famílias foram recebidas com música. A Banda Sinfônica da Faetec abriu o evento ao som de clássicas canções cariocas, como Garota de Ipanema e Cidade Maravilhosa. Na sequência, uma animada celebração da Palavra foi presidida pelo padre Júlio, pároco da Basílica Coração de Maria. Nas preces, foram lembradas famílias, alunos, ex-alunos, educadores e irmãs missionárias. Também se rezou pelos valores humanos e cristãos, pelo diálogo na formação dos jovens e pela caminhada e missão de todos. Fechando a celebração, uma emocionante ação levou quem estava presente às lágrimas: 99 balões foram lançados por alunos do colégio. Cada balão representava um ano de muitas histórias e levava um gentil recado, que contava sobre o aniversário do colégio e convidava quem o encontrasse a fazer uma visita ao colégio e ganhar um presente. “Foi uma festa linda. Todas saíram encantados. E o mais importante foi que transmitimos a mensagem de que, mesmo com seus 99 anos, o Coração de Maria mantém o compromisso de educar crianças e jovens na perspectiva cristã, sempre alinhando tradição com contemporaneidade e inovação. O carisma missionário nos fortalece e nos conecta aos valores que o mundo em transformação exige de cada um”, afirma irmã Cida, que conduziu as festividades. Um painel de contagem regressiva foi inaugurado e instalado na fachada do colégio. Diariamente, as placas serão viradas, indicando quantos dias faltam para o centenário do colégio. A cada dia, um aluno, familiar, educador ou ex-aluno será convidado para alterar a placa. Patrícia Campos é jornalista e especialista em comunicação corporativa. Faz parte da equipe da Árvore, um laboratório de comunicação localizado em Belo Horizonte (MG), que faz a gestão de comunicação de todos os colégios e centros educacionais da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo _____
Papo Vocacional – Propósito de vida

Estamos chegando ao fim do Mês Vocacional, mas vocação faz parte de nossa vida e cultura, e é um tema que nunca se esgota. No vídeo de hoje, a estudante Jade Santos Tamiett fala sobre seu processo de escolha vocacional, que somente foi possível a partir da descoberta de seu propósito de vida. E você, já descobriu o seu? Já sabe qual é a sua missão no mundo? O propósito de vida é a missão para a qual nos sentimos chamados. É o motivo pelo qual existimos e a contribuição que devemos dar para a sociedade e o mundo. Isso é algo muito pessoal, e cada ser humano tem o seu próprio propósito que precisa ser descoberto. Quando descobrimos qual é o nosso lugar no mundo e o que viemos para fazer, nossa vida ganha foco e direção. Sabemos quem somos e qual o caminho a seguir. Assim podemos aplicar todos os nossos esforços em direção à nossa meta. Jade é ainda muito jovem, mas já descobriu seu propósito de vida: ajudar a salvar o planeta. Assim ela pode se decidir pelas Ciências Biológicas, que vão dar as ferramentas e o conhecimento necessário para ela realizar seu intento. Todo ser humano tem uma missão a cumprir, a qual é diferente para cada pessoa. Realizar o chamado profundo de nosso coração, seja ele qual for, é a melhor maneira de encontrar a felicidade. Quando colocamos nossos dons e talentos a serviço dos outros, buscando o bem de todos e o crescimento pessoal, vamos concretizando nossa razão de existir. E você, já descobriu seu lugar no mundo? E que passos está dando para viver sua vocação?