Resposta ao “Perseverança On-Line” surpreende professor

O professor Max de Oliveira Faria, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, apresenta a “Perseverança On-Line”. A proposta busca não deixar esfriar a fé de crianças e adolescentes e valoriza o encontro entre alunos e professores. Max recorda que todos têm necessidade do outro, desejo da companhia, assim surgiu o desejo de, no ambiente virtual, suprir essa demanda. “Estamos vivendo tempos de mudanças e renovações, dentro e fora de nossas casas, dentro e fora dos nossos corações, quando toda a sociedade foi ‘convidada’ a valorizar e explorar novos espaços, por isso não tivemos dúvidas em iniciar a ‘Perseverança On-Line’”, explica Max, que leciona Ensino Religioso e é responsável pelo grupo da Perseverança. A calorosa acolhida da ação surpreendeu o professor. “Quando fizemos a proposta desse formato, esperávamos alguma resistência por conta da demanda que hoje nossos alunos tiveram de assumir, porém, logo que receberam o convite, percebemos a alegria em cada mensagem de resposta, pois o reencontrar quem amamos é motivo de muita alegria”, conta.No primeiro encontro da “Perseverança On-Line”, foi pedido que os alunos apresentassem um símbolo que representasse a alegria e a esperança. “Ficamos impressionados com as partilhas e depoimentos, pois todos os alunos reconheceram na família, na escola e nos momentos com os amigos como os mais significativos e importantes, e já estavam morrendo de saudades”, relata Max. Ao fim do encontro, o professor confessa que percebeu a importância que os educadores e catequistas têm na vida de crianças e adolescentes. “Nós nos tornamos referências para boas práticas, ocupamos um espaço na vida deles que poucas profissões ocupariam, galgamos um lugar dentro da história e no coração desses jovens, mudamos perspectivas e os ajudamos na construção dos seus projetos de vida”, declara. “Nossa prática não se resume à sala de aula, mas vai além dos muros, dos conteúdos e avaliações. Somos responsáveis por regar sementes, descobrir tesouros e lapidar pedras preciosas.” O professor vê com esperança o futuro. “Tenho fé que sairemos deste momento transformados e com a certeza de que o melhor lugar do mundo é dentro de um coração amigo”, conclui. Assista ao vídeo que a turma do “Perseverança On-Line” preparou declamando o poema “Recomece” de Bráulio Bessa. Veja também a letra do poema. RECOMECE – Bráulio Bessa Quando a vida bater fortee sua alma sangrar,quando esse mundo pesadolhe ferir, lhe esmagar…É hora do recomeço.Recomece a LUTAR. Quando tudo for escuroe nada iluminar,quando tudo for incertoe você só duvidar…É hora do recomeço.Recomece a ACREDITAR. Quando a estrada for longae seu corpo fraquejar,quando não houver caminhonem um lugar pra chegar…É hora do recomeço.Recomece a CAMINHAR. Quando o mal for evidentee o amor se ocultar,quando o peito for vazio,quando o abraço faltar…É hora do recomeço.Recomece a AMAR. Quando você caire ninguém lhe aparar,quando a força do que é ruimconseguir lhe derrubar…É hora do recomeço.Recomece a LEVANTAR. Quando a falta de esperançadecidir lhe açoitar,se tudo que for realfor difícil suportar…É hora do recomeço.Recomece a SONHAR. Enfim, É preciso de um finalpra poder recomeçar,como é preciso cairpra poder se levantar.Nem sempre engatar a résignifica voltar. Remarque aquele encontro,reconquiste um amor,reúna quem lhe quer bem,reconforte um sofredor,reanime quem tá tristee reaprenda na dor. Recomece, se refaça,relembre o que foi bom,reconstrua cada sonho,redescubra algum dom,reaprenda quando errar,rebole quando dançar,e se um dia, lá na frente,a vida der uma ré,recupere sua fée RECOMECE novamente. Fonte: www.tudoepoema.com.br/braulio-bessa-recomece

Uma Páscoa diferente

Neste período de pandemia, em que os alunos estão em casa de férias ou tendo aulas on-line, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está buscando, de muitas maneiras, manter o contato com as famílias e acompanhar os estudantes. Entre as muitas ações que vêm sendo realizadas com as famílias das comunidades educativas dos colégios, o trabalho realizado na Semana Santa merece destaque especial. Foram três passos que culminaram na celebração da Páscoa em família. Aqui vale observar a importância do processo que cada família realizou. Desde a preparação do espaço, a produção dos pães até o momento da celebração em si. Parece até que voltamos a celebrar do mesmo jeitinho que Jesus, na primeira páscoa, em nossas casas. A festa da fé, da esperança e da vida nova vivida na intimidade de nossos lares e em pequenos grupos. Olhando o texto bíblico, é curioso perceber o que fala sobre os preparativos da Páscoa. Aproximava-se a festa da tradição judaica que fazia memória da saída do povo do Egito, e o grupo de Jesus realizaria esse preceito. Surgiu, entretanto, um problema: eles não tinham uma casa para que pudessem se reunir. E Jesus encontrou uma solução: “Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: ‘Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d’água virá a vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre pergunta: ‘Onde está a minha sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?’. E ele vos mostrará no andar superior uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós.” (Marcos 14,13-15) Os discípulos encontraram aquilo que Jesus havia falado. Seguiram o homem da bilha, entraram na casa, e o dono do lugar disponibilizou uma grande sala, no andar superior. Ali os discípulos prepararam a ceia. Como podemos ler, não aparece o nome do homem que ofereceu a sala para Jesus e os discípulos celebrarem a Páscoa. Nos vídeos, veremos como tudo isso aconteceu nas famílias bem como a relação que a Rede de Educação tem buscado estabelecer com cada uma. Assista. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.

Celebre a Páscoa com a gente

A Dimensão Missionária da Rede de Educação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo preparou, para os alunos, familiares e educadores dos colégios e centros educativos, três momentos para ajudar a comunidade educativa a pensar, sentir e viver a Páscoa em tempos de distanciamento social. A ideia é trazer a identidade de Rede para este momento tão especial para nós, cristãos. A seguir, apresentamos as três ações e um pouquinho de como cada uma foi pensada. Celebre com a gente e uma feliz Páscoa a todos! Primeira ação Hoje convidamos vocês a refletirem sobre a história da margarida diferente. Todos nós sentimos falta de ouvir histórias, pois elas chegam ao coração, formando imagens com base na experiência sensorial da fala, ajudando-nos a vibrar com quem as narra. Assim Jesus gostava de ensinar. Ouçamos a história e levemos adiante essa ideia! Segunda ação Estamos nos preparando para celebrar o ponto mais alto de nossa fé, a Páscoa. Unamos nossos corações em prece para vivermos juntos este momento especial. Sugerimos que essa ação aconteça no almoço do domingo de Páscoa. Terceira ação Para celebrar a festa da esperança, vamos precisar de pessoas novas para um mundo novo. Para isso, a fé deve ser nosso norte. Fé na vida, fé nas pessoas, fé em dias melhores. Somos todos sementes do amanhã!

Sobre sonhos e histórias…

Quando criança, meus pais não tinham o hábito de contar histórias de “Chapeuzinho Vermelho” ou “A Bela Adormecida” para eu dormir. Tampouco me compravam livros ou me levavam a bibliotecas… Entretanto assistimos a muitas peças teatrais, o que sempre me fascinava. Quando fui para a escola, onde existia uma biblioteca, por curiosidade, perguntei à moça responsável se havia um livro sobre a primeira peça que vi, “A Bonequinha Preta”, de Alaíde Lisboa. O livro estava disponível para empréstimo, e foi assim que essa peça teatral despertou em mim o gosto pela leitura. A biblioteca passou a ser meu lugar preferido na escola e, posteriormente, meu lugar predileto no mundo. Quando me formei no ensino médio, tive a certeza de que queria ser psicóloga, porém, durante o cursinho para o vestibular, os professores de Língua Portuguesa, Literatura e História me apresentaram um curso que eu pouco conhecia, o de Biblioteconomia. A partir daí, já não tive mais aquela certeza. Então… troquei minha primeira opção de curso para Biblioteconomia. Passei no vestibular e, em 2011, iniciei a graduação. A graduação me trouxe novas perspectivas e percepções, mas a maior delas foi a descoberta de uma nova paixão: a área de Educação e, oportunamente, a “contação” de histórias. Durante toda a graduação, eu visei à especialização em bibliotecas escolares. Assim que me formei, fui trabalhar como bibliotecária num hospital, em Belo Horizonte-MG. O sonho de trabalhar em uma escola foi adiado. Ficou aguardando por mais três anos, adormecido… Mas foi despertado em 2018, quando iniciei minha carreira no Colégio Sagrado Coração de Jesus. A oportunidade de trabalhar no Colégio Sagrado Coração de Jesus abriu-me várias portas, inclusive a possibilidade de, finalmente, fazer meu curso de “contação” de história. No Colégio, a “contação” de histórias é algo muito forte e valorizado. Isso ocorre porque acreditamos que contar histórias é o maior incentivo à leitura que podemos dar às crianças, do infantil ao último ano das séries iniciais do fundamental I. Quando me vi diante desse cenário, percebi que precisava urgentemente de um curso, para eu aprender técnicas que transmitissem essas histórias de uma forma encantadora, que pudessem realmente tocar as crianças. As histórias são algo que nos transforma. Ouvir histórias é bom demais; contá-las é melhor ainda. A primeira história que narrei foi “A bofetada”, um conto africano. Lembro-me da expectativa e da emoção quando terminei. Posso relembrar vários momentos que me marcaram: o livro “A sopa de pedra”, pelo qual eu contei a história de um personagem conhecido do mundo adulto, mas, dessa vez, ele era uma criança, Pedro Malazartes. Outro momento muito interessante foi quando precisava contar na “Semana sem Fronteira”. Alguns dias antes, tive uma laringite e fiquei afônica. No dia, como um milagre, a voz voltou forte e, somente durante a “contação” de história, para depois sumir novamente. Essa apresentação foi realizada para os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Eles contaram algumas partes comigo e fizeram a sonorização. O momento foi emocionante. Em minhas “contações” no colégio, sempre canto uma música antes de começar as histórias e uso um avental. A esse conjunto de preparação chamamos preâmbulo, para as crianças entrarem no clima. Depois conto a história e então deixo que elas também contem suas histórias. É lindo observar as crianças cantarem a música e, posteriormente, contarem a história da maneira deles. Guiomar Dantas (2019, p. 66) afirma que mediar leitura “é, sobretudo, contagiar filhos, sobrinhos, afilhados, alunos, amigos ou o público para o qual faz mediação com o vírus da leitura que, por sua vez, propaga no corpo e na mente um vício incurável: o amor pelos livros e pelas histórias”. E é exatamente com essa perspectiva que me preparo para os momentos de “contação”. Gosto de provocar emoções que tocam o coração e incentivam cada vez mais a busca por leitura e literatura. E assim, a cada história, vamos criando e recriando o famoso “felizes para sempre”. DANTAS, Guiomar. A arte de criar leitores: reflexões e dicas para uma mediação eficaz. São Paulo: Senac, 2019. 279 p. Raissa Cirilo, bibliotecária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, contadora de histórias e autora do capítulo “A hora do canto como recurso de mediação de leitura na biblioteca escolar e disseminação da cultura afro-brasileira”, disponível no livro “Mulheres negras na Biblioteconomia”.

Tema transversal 2020 – Escola viva: vê, sente e cuida

A Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a uma nova reflexão e ação diante da vida. O tema traz algumas palavras importantes, como vida, dom, compromisso; e como lema palavras de igual importância, como ver, sentir, cuidar e ter compaixão. Todas essas palavras, se bem pensadas e vividas, tornam-se um (projeto) estilo de vida. O estilo de vida ensinado por Jesus, capaz de transformar nosso jeito de nos relacionar com nós mesmos, com os que caminham conosco e com o planeta, nossa Casa Comum. Por esse motivo, o tema transversal escolhido para as escolas da Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo para 2020 é: “Escola viva: vê, sente e cuida”. Os verbos ver, sentir e cuidar estão presentes na história contada por Jesus e conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” (Lc 10,25-37). Ao ver a difícil situação de alguém, o personagem da narrativa olha, para e se coloca no lugar de homem ferido, procurando fazer o melhor que podia naquela circunstância. Cuidado e acolhida que devemos encontrar na família, na sociedade, entre nossos amigos e na escola. E por falar em escola, uma escola viva vive e ensina a fazer da vida dom e compromisso que se traduz no cuidado e na acolhida com as pessoas, lugar por excelência do sagrado. Colocar-se no lugar do outro Há 56 anos, a Campanha da Fraternidade nos convida anualmente a pensar temáticas que venham ao encontro das necessidades existentes em nossa sociedade. Pensando nas questões humanas e no que precisa ser transformado para que a vida seja vivida com dignidade, a CF nos chama a ver a realidade, pensar sobre ela e buscar ações eficazes de mudança. Diante de aspectos essenciais à vida, como saúde, educação, moradia, exclusão, justiça e tantos outros, a CF vem nos provocar neste ano para que vejamos, sintamos e cuidemos da vida. Contudo sabemos que isso exige, de cada um, de cada uma, o compromisso de deixarmos de lado a indiferença diante da necessidade dos que mais precisam de nós. Não por acaso, a Rede de Educação, inspirada na CF de 2020, escolheu com seus educadores um tema transversal para o ano letivo. Esse tema é responsável por motivar nossos alunos, educadores e familiares à sensibilidade e à diligência que nos tornam mais humanos. Ver, sentir e cuidar, como fez o personagem da parábola contada por Jesus, que sentiu empatia pela situação que presenciou e, colocando seu coração, procurou fazer o melhor. Em tempos de extremo individualismo, colocar-se no lugar de outra pessoa tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a história do Samaritano é uma provocação e um convite feito por Jesus para se repensar uma sociedade indiferente diante das necessidades dos que mais precisam. Nesse sentido, a escola viva deve ser o lugar onde se aprende e se pratica nosso modo de ver, sentir e cuidar de nós, do próximo e do planeta, nossa casa. Verbos interdependentes que ganham sentido quando acontecem nesta mesma ordem: sente quem vê, cuida quem sente. Inevitavelmente só conseguiremos vivenciar essa trilogia se passar pelo coração, pois só quando a transformação acontece de dentro para fora é que conseguimos fazer diferença nos espaços onde atuamos. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.

Rede de Educação une formação humana e desempenho pedagógico

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo acredita que a melhor maneira de educar é alinhar o desenvolvimento das habilidades emocional, social e intelectual. Tem a segurança de que a metodologia adotada em cada um de seus colégios e creches faz deles uma ESCOLA VIVA. O que torna os colégios e creches da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo excelentes escolas é a formação de alta qualidade, nas várias dimensões essenciais, para o desenvolvimento pleno das pessoas. A excelência pedagógica é uma premissa da qual não abrimos mão e que, hoje, está diretamente relacionada ao desafio de formar jovens para o mundo, como ele é no século XXI, em constante transformação. Os colégios e creches da Rede formam, assim, uma ESCOLA VIVA, que sempre soube, em seus mais de 115 anos de prática educacional, conjugar em harmonia sua vocação humana ao desempenho pedagógico. O projeto educacional tem como seu primeiro referencial a filosofia da instituição, que é fundamentada nos valores cristãos. Como base, adota os quatro pilares da educação da UNESCO, as dez competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as competências do ENEM.Cursos oferecidos em nossos colégios: EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO Para coordenar o projeto educacional, cada unidade escolar mantém uma estrutura de gestão composta de: • diretor(a)-geral• diretor(a) educacional• gestor(a) administrativo(a)• coordenadores(as) pedagógicos(as)• coordenadores(as) de área• coordenadores(as) de segmento• coordenador(a) do Sistema Integral(nas unidades onde há Sistema Integral)• coordenador(a) missionário(a)• serviços de suporte educacional/administrativo VISÃOSer uma REDE de educação inovadora, reconhecida pela excelência acadêmica, que prioriza o desenvolvimento integral da pessoa humana. MISSÃOEducar crianças e jovens, à luz dos valores cristãos, para que sejam cidadãos conscientes, críticos e criativos, capazes de conviver com as diferenças e protagonistas na construção de uma sociedade justa e sustentável. VALORESNossos valores são fundamentados nos valores cristãos que norteiam nossa ação educacional: verdade, beleza, bondade, justiça e comunhão. Ir. Maria de Fátima Marques, SSpS, Diretora Presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.

Centro Educacional Madre Josefa

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ), obra social sem fins lucrativos, mantida pela Sociedade de Ensino e Beneficência, foi fundada em 20 de maio de 2003. Atualmente atende 80 crianças de 2 a 5 anos de idade, em regime integral, e se propõe a educá-las de maneira plural, assumindo um compromisso com os valores cristãos: fé, justiça, solidariedade e construção da cidadania. Nestes quase 17 anos de funcionamento, o CEMJ realiza suas atividades acreditando na educação como força que transforma o indivíduo e o faz compreender-se como gerador de seu próprio conhecimento. Localizado numa região de grande vulnerabilidade social, o Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, o Centro Educacional Madre Josefa foi pensado em sua totalidade, atendendo não somente crianças, mas também suas famílias. Também busca gerar emprego aos moradores de seu entorno, muitos deles oriundos de outros Estados do País. Minha jornada profissional se atrelou à fundação da creche. Encantada pela missão de educar e com a tímida vontade de quebrar a ordem social imposta, a empatia com a filosofia da instituição me fez compreender os sentimentos e emoções próprios, de forma objetiva e ao mesmo tempo racional, assim como sentem os demais indivíduos da comunidade. Já no primeiro ano de matrícula, consegui ouvir relatos das famílias sobre a falta de espaço recreativo, educacional e de cuidados básicos para as crianças da comunidade. Como experiência pessoal, pois minha infância foi toda nesta comunidade, sei que tais fatores dificultam as perspectivas e a visão de mundo dessas famílias. Recordo-me das grandes caminhadas até a escola e a falta dos recursos. O que me animava era encontrar naquele espaço professores e pessoas que me acolheriam, iriam me alimentar e, naquele momento, era tudo o que me bastava. Crescendo em meio a tantas outras dificuldades, a escola era o local seguro para estar. A tarefa desafiadora do atendimento no CEMJ foi justamente esta: oferecer à Comunidade do Alemão oportunidade digna para o desenvolvimento infantil. Ano após ano, o CEMJ vem sendo reconhecido na comunidade como um espaço educacional de qualidade. Com efeito, esse modelo de atendimento parece ter dado impulso a uma consciência mais crítica acerca da qualidade de ensino oferecido às crianças, e a esperança passou a ser depositada no modelo de trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) como ideal desejado. Esse fato merece ser salientado, pois, a cada família atendida, a procura por uma vaga aumenta. O reconhecimento explícito da diferença na educação oferecida possibilita que esses moldes ultrapassem os muros da instituição, oferecendo às famílias oportunidade de reconstrução em suas próprias relações sociais e no convívio familiar. “Acreditar no sonho é o primeiro passo para transformá-lo em realidade.” (Ana Stoppa) Deixo aqui de lado mudanças espetaculares, como muitos esperam ver. A semente que é plantada e fertilizada não morre. As mudanças que o Centro Educacional provoca vêm pela reflexão, a construção da crítica, o contato com novas culturas, o desejo de crescimento pessoal e intelectual. A creche, como obra social, cumpre, com maestria, sua função, e hoje, para seus indivíduos, o mundo lá fora nunca será o bastante. Acreditamos no sonho de educação para a população em situação de vulnerabilidade, apostamos nos valores humanos e, acima de tudo, respeitamos as pessoas. Gilmara Solidade, coordenadora pedagógica – CEMJ Rio de Janeiro-RJ

Aposentei… será?

Muitas pessoas que conheço nutrem um enorme desejo de, um dia, ancorados por uma estabilidade financeira, quererem saborear os frutos da aposentadoria. Um desejo justo, já que o trabalho e todas as obrigações atreladas à atividade profissional exigem e acompanham os indivíduos por toda uma vida. Creio, contudo, que esse sonho, se olhado com mais critério, poderá trazer certo desespero quando ele se realizar de fato. Existe uma parcela da população que já transita por esse lugar. Após anos de dedicação em escritórios, escolas, empresas e demais áreas de atuação, veem-se desprezados e improdutivos. Falo isso por experiência própria, pois venho de uma família que batalhou muito para usufruir conquistas importantes. Um imóvel para morarmos, um carro para viagens e emergências e até mesmo a aquisição de uma linha telefônica que, à época, custou muito caro para nosso padrão econômico. O tempo foi passando, nós, os filhos, fomos crescendo e demos início à nossa jornada. O barulho de antes, com brincadeiras, música alta e pedidos comuns de qualquer criança – “MÃE, TÔ COM FOME!”, “MÃE, O EMERSON NÃO QUER ME EMPRESTAR A BOLA!” – foram substituídos por dias menos barulhentos, por refeições mais tranquilas, e a casa passou a ser reflexo do presente de meus pais. Eles deixaram de ser pai e mãe e se transformaram em avós, que já não tinham o mesmo vigor físico de antes. Iniciaram um processo de inércia e tristeza. Chegava a machucar o coração quando ouvíamos nossos pais dizerem: “Nossa, ainda lembram que têm pai e mãe?”. Fomos percebendo que estavam desanimados e infelizes, pois já se viam com a obra de suas vidas acabada. Até que um dia, despretensiosamente, um convite chegou a seus corações: “Dona Marlene, sr. Joel, vocês teriam um tempinho na semana para nos ajudar a montar algumas cestas básicas que serão entregues aos carentes da Favela do Moinho?”. Como um sopro de vida, aquele simples convite feito pela Pastoral Social de nossa comunidade religiosa devolveu a meus “bons velhinhos” a alegria de uma vida em doação. Já haviam se dedicado tanto a cuidarem de nossa educação que essa missão ainda estava latente e necessitava ser revisitada. Daquele primeiro convite para montar algumas cestas básicas, eles foram descobrindo que poderiam contribuir com a vida de muitas famílias nos serviços da Igreja, como ministros da comunhão, como palestrantes do Encontro de Casais com Cristo, fazendo lanche e cuidando de crianças na festa de Nossa Senhora Aparecida… Hoje, algumas caixinhas de remédios estão aposentadas no fundo de uma gaveta, quase esquecidas, da mesma forma que aquelas lembranças que antes serviam apenas para roubar o sorriso de meus pais. O ócio que nasceu com o fim do trabalho formal deu espaço à alegria de servir os necessitados. Parafraseando Jesus, muitas ovelhas, de outros redis, também foram alcançadas. Hoje dificilmente encontro meus pais em casa. Estão pelo caminho, lançando as sementes que tanto nos ensinaram a cultivar. Acredito que essa é uma realidade imutável. O trabalho é parte integrante e necessária para a realização de cada pessoa. Temos de entender que a percepção do trabalho atualmente não está unicamente relacionada ao formal, e sim a todas as atividades realizadas pelo homem, que busca o crescimento de si e do outro, com ou sem remuneração. Essa ação laboriosa cria um caminho para a alegria e criatividade, fazendo fecundo o solo dos sonhos e da realização pessoal. Max de Oliveira Faria, professor de Filosofia, Ensino Religioso e Educação Física; especialista em Educação Escolar e Grupos Especiais; membro da Equipe da Dimensão Missionária do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

O Ensino Religioso e o respeito à diversidade

O diálogo, a tolerância entre as pessoas de diferentes crenças religiosas é o princípio de uma convivência pacífica entre todos. Como professora de Ensino Religioso, certo dia, deparei-me com um aluno que não gostava da disciplina, por pensar que seriam ministrados nas aulas conteúdos relacionados a Deus, por ele não acreditar. E ele então me fez a seguinte pergunta: “O que se aprende em Ensino Religioso?”. Apesar de você pensar que se fala sobre Deus, a disciplina aborda sobre a diversidade religiosa como área de conhecimento, sobre valores praticados com o próximo e a formação da cidadania. O amor ao próximo é um dos deveres mais importantes do ser humano. É uma das formas mais bonitas de demonstração de carinho, afeto, solidariedade e compaixão. O respeito constante à diversidade de um modo geral, para a construção de um mundo de paz.  A partir de uma aula em que foi transmitido o filme “Extraordinário”, o aluno percebeu que o Ensino Religioso não era uma aula que falava somente sobre Deus e sim uma oportunidade na qual podemos ampliar o conhecimento de nós mesmos e de nosso semelhante, estabelecendo relação democrática e humanizadora. O Ensino Religioso não é espaço de doutrinação e proselitismo religioso. Atualmente a disciplina é um componente curricular da educação básica e tem uma área de conhecimento referencial, a Ciência da Religião. É ela quem provê os referenciais epistemológicos e metodológicos para um ensino sobre a religião como aspecto da cultura. É aqui também que se dá o processo de formação de professores para atuarem com o Ensino Religioso no ensino fundamental. O desafio é superar as tradicionais aulas de Religião e inserir conteúdos que tratem da diversidade de manifestações religiosas, que se expressam por meio de lugares sagrados, ritos, festas, símbolos, textos, entre outros. No Ensino Religioso, portanto, os conteúdos devem ser significativos, e os encaminhamentos metodológicos devem levar os alunos a uma contextualização da realidade cultural, religiosa, política e social, bem como ao exercício do diálogo, da criticidade e da reflexão. O Ensino Religioso é uma disciplina que colabora para o desempenho de cidadãos que saibam conviver com as diferenças religiosas e culturais, respeitá-las e valorizá-las. Deve contribuir para formar alunos críticos, conscientes, que saibam amar e cuidar da vida. Rogélia Aparecida de Rezende, pedagoga e professora de Ensino Religioso no ensino fundamental I, no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.

2020: tempo de multiplicar talentos

Um homem muito rico se viu, de repente, preocupado com o aumento do desmatamento e do aquecimento global, o que o levou a refletir: “Como posso contribuir para que a natureza seja preservada e as gerações vindouras possam viver em um mundo melhor?”. E movido por esse questionamento, decidiu comprar terras e reflorestar. Sua missão não era fácil e exigia dedicação, cuidado e paciência, porém, sabendo das grandes dificuldades enfrentadas em todo o planeta, resolveu partir em busca de mais terras, na intenção de reflorestar um maior número de espaços possível. Assim, o homem resolveu convidar algumas pessoas de sua comunidade para ajudar na missão de plantar e cuidar das sementes que ele havia preparado. Esse convite foi feito de forma bem criteriosa, considerando as habilidades de cada um deles. Para o primeiro vizinho ele entregou sementes de flores coloridas, que dariam cor, perfume e alegria para o mundo. Para o segundo ele entregou sementes de árvores frutíferas, que seriam fonte de alimento para os que por ali passassem. Para o terceiro ele entregou sementes de árvores frondosas, que serviriam de abrigo em dias de sol e muito calor. Assim que entregou as sementes, o homem pediu a cada um que cuidasse muito bem delas e que se esforçasse para que elas não morressem. O primeiro vizinho tratou logo de convidar a família para ajudar na tarefa de plantar, adubar e cuidar das sementes. O segundo vizinho chamou a família e alguns amigos para, juntos, plantarem as sementes e cuidarem delas. Como eram muitos, foi possível dividir tarefas e cuidar das sementes com mais dedicação. O terceiro vizinho pensou: “E se as sementes morrerem? E se não chover? E se o sol estiver muito quente e acabar por queimar as sementes?”. E foi pensando assim que ele decidiu guardar as sementes para plantá-las depois. O tempo passou, e o dono das terras voltou. Ao chegar, cheio de expectativas, pois confiava em seus vizinhos, ele foi ver como estavam as terras. As sementes de flores coloridas haviam germinado, perfumando e colorindo todo o terreno. As árvores frutíferas, apesar de ainda não darem frutos, já mostravam os brotos nascendo. Porém ele sentiu falta das árvores que dariam sombra. Por isso procurou pelo terceiro vizinho e perguntou: “Onde estão as árvores que darão sombra às pessoas?”. O vizinho respondeu: “Senhor, eu tive medo. Medo de que não chovesse, medo de que o sol queimasse as sementes, enfim, medo de as sementes não brotarem. Por isso escolhi guardá-las para um momento oportuno”. O Senhor, perplexo, disse: “O nosso terreno está florido, perfumado e, em pouco tempo, dará frutos. Porém, por você ter se deixado vencer pelo medo e pela insegurança, faltará para muitos a sombra. Devolva-me as sementes, que as entregarei aos outros vizinhos, para que possam plantá-las o quanto antes. Quanto a você, busque encarar e vencer seus medos. Eles existem em todos nós, porém servem como um alerta. Não podem nos paralisar. Seus colegas corriam os mesmos riscos e, mesmo assim, acreditaram, plantaram, cuidaram, e hoje temos flores e frutos. Na vida, somos como os vizinhos do senhor que queria reflorestar o planeta. Somos convidados a contribuir com nossos dons, transformando-os em talentos, para fazer do planeta um lugar colorido, perfumado e bom de se viver. Por isso, neste início do ano de 2020, convido você a refletir acerca de seus talentos, de maneira a se comprometer em desenvolvê-los e colocá-los a serviço de sua própria realização e do bem comum. As perguntas a seguir são, na verdade, o primeiro passo para que você possa refletir acerca de seu propósito para o ano que se inicia. Por isso responda com sinceridade e, com base no que você disser, estabeleça metas e estratégias para sua vida: ● Com qual dos personagens dessa história você se identifica? ● Quais talentos você reconhece em si mesmo? ● De que maneira você pode aprimorar seus talentos para se sentir mais realizado e feliz? ● Nossos talentos são dádivas divinas. Nós os recebemos por graça e é gratificante quando podemos compartilhá-los com as pessoas. De que maneira seus talentos podem contribuir para a felicidade e o bem comum? ● Ao fim do ano de 2020, você se sentirá feliz e realizado se seu talento… Para refletir: “O talento ou acaso não escolhem, para manifestar-se, nem dias nem lugares.” José Saramago. Simone Fortunato Nunes Professora, assistente social, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Mais informações sobre: Política de Privacidade