Catequese familiar on-line

Uma das prioridades da Rede de Educação é, sem dúvida alguma, o cuidado para com a espiritualidade e a evangelização da comunidade escolar. Tal anseio motivou a equipe missionária a continuar as atividades em plena pandemia. Evidentemente, o meio utilizado é o virtual, por meio dos recursos tecnológicos educacionais disponível a docentes e discentes. À primeira vista, para quem acredita na força da interação pessoal para a transmissão da fé e que o testemunho é imprescindível para a evangelização, a exemplo das antigas comunidades cristãs, algumas objeções não seriam fáceis de superar. Uma catequese on-line teria efeito? O que pensariam os alunos? E os pais? De fato, a catequese tem sua origem nas primeiras comunidades cristãs. A palavra “catequese” significa explicação oral e sistemática dos mistérios da fé. Nesses pequenos grupos, a exemplo dos primeiros cristãos, os estudantes partilham suas vidas e celebram suas crenças e aspirações em comunhão com a Igreja. A preparação para a primeira Eucaristia tem como objetivo uma formação na fé, com impacto positivo para a vida da criança, da família e da sociedade. A catequese possibilita o amadurecimento e experiência da criança e do adolescente na fé. Além disso, há o grupo da Infância Missionária e da Perseverança, com o objetivo de manter o espaço de encontro para os que já receberam os sacramentos. Os grupos são estimulados a participar de projetos de voluntariado, inclusive em outras instituições. Logo após a interrupção das atividades presenciais, alguns alunos já entraram em contato por meio do Google Classroom, para saber se continuaríamos as atividades missionárias e de catequese. Com efeito, após um debate na própria equipe missionária do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, foi decidido implantar encontros quinzenais e uma experiência de espiritualidade para os grupos. A atividade foi aberta à participação das famílias, pois a Igreja afirma que a família é o berço da fé. Os pais são os primeiros catequistas. A escola abriu então a possibilidade de os pais ou responsáveis participarem junto com os filhos na caminhada da Igreja em família. Mesmo no período da quarentena, os grupos foram mantidos por meio dos recursos tecnológicos disponíveis aos alunos, especialmente o Google Suíte. Os encontros têm momentos dinâmicos, com metodologia ativa, com partes expositivas, momentos de partilha e escuta dos alunos, trechos de vídeos, confecções artísticas, momentos de oração, dramatização, leituras bíblicas, atividades dinâmicas que movimentam o corpo e muita música. Os comentários de gratidão tanto por parte dos alunos quanto dos familiares, que assistem e participam dos encontros na telinha, fizeram com que a equipe alterasse a frequência dos encontros, agora semanais. A frequência dos convidados é impecável, inclusive porque foi aberta a possibilidade de dois horários facultativos. Para um educador-missionário, não tem preço ver crianças e adultos com olhinhos brilhando e experimentando a aquela paz de Cristo que provém de encontros com o Transcendente. Dessa forma, famílias, estudantes e educadores aprimoram sua espiritualidade. Professor Marcos Melo é doutor em História da Filosofia pela Unicamp, mestre em Literatura pela USP e mestre em Teologia pela PUC-SP. No Colégio Espírito Santo, contribui na equipe missionária e leciona para os ensinos fundamental e médio.
Festas juninas “cada um na sua casa”

Neste período de pandemia, estamos fazendo a experiência de, a cada dia, nos reinventar e, com criatividade, buscar novos caminhos para tudo o que é importante em nossas vidas. Assim, vivenciamos diferentes experiências de festas juninas virtuais e presenciais, sempre respeitando o cuidado com cada pessoa. Aqui compartilhamos algumas dessas experiências. Arraial virtual com os alunos e famílias O mês de junho tradicionalmente traz aquele clima de festa no ar. E não dá para negar que a festa junina é uma celebração muito esperada. Todos amam participar dessa festividade e, é claro, vestido a caráter, também comer guloseimas e dançar a quadrilha. Mas como foi essa experiência no último mês? Claro que não poderia ter sido diferente! No período de 15 a 26 de junho, a comunidade educativa do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ, realizou seu 1º Arraial Virtual. Participaram os alunos da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental e suas respectivas famílias. A ideia foi promover um momento de leveza e descontração em suas casas, e aproximar a família da escola. Proporcionar a alegria em plena quarentena!O clima foi de pura descontração! As casas dos alunos foram decoradas com enfeites juninos, e as comidas típicas não faltaram. Crianças e adultos participaram das atividades propostas pelos professores, tais como a gincana, a corrida da colher e a dança da laranja. Tudo elaborado com muita música e diversão! Finalizamos a festa com o esperado e tradicional quadrilhão, além de uma mensagem em formato de vídeo, resgatando as muitas festas juninas realizadas no Colégio Imaculado Coração de Maria. Concluímos com a certeza de que, no próximo ano, estaremos mais uma vez reunidos para celebrar as festividades dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Magda Nascimento, coordenadora pedagógica do ensino fundamental I. Dança da quadrilha com distanciamento social No Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, tradicionalmente é feita uma festa junina com a participação das irmãs e de todos os colaboradores e colaboradoras, com suas respectivas famílias. É uma data muito esperada e preparada com muito empenho e alegria. Este ano, precisou ser diferente, mas nem o vírus impediu a festa. As irmãs fizeram uma recreação comunitária, com gincana, sorteios, brincadeiras, comidas típicas, música em diversas línguas e danças. Não poderia faltar a quadrilha, mas como dançar quadrilha e manter o distanciamento social? Para tudo há solução. Veja no vídeo a nova modalidade de dança de quadrilha! Os colaboradores que trabalham no Convento também tiveram seu dia de festa e se divertiram muito com as brincadeiras, bingo e sorteios. Também dançaram a quadrilha, mantendo a distância. O importante é que todos se divertiram e aproveitaram a descontração para aliviar a tensão do momento atual. Vídeo juntou quem estava longe e fez a festa A equipe das educadoras do Centro Educacional Madre Theresia Messner, também na capital paulista, não pôde reunir as crianças para a festa que fazem todos os anos, mas nem por isso deixaram de celebrar. Cada uma em sua casa e também as irmãs que trabalham na creche gravaram uma cena e, tudo junto, mostrou a alegria de celebrar os santos juninos. Assista ao vídeo e sinta o clima.
Empatia, compaixão e cuidado na Rede de Educação SSpS

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está promovendo uma série de atividades on-line como parte do projeto “Tecendo Relações”. O próximo webinar ao vivo é nesta quinta-feira, 9 de julho, às 19h, com o tema “Caminhos para viver bem: empatia, compaixão e cuidado!”. A convidada é a Monja Coen, reconhecida como autoridade na abordagem de práticas vivenciais baseadas na sabedoria, na compaixão e na empatia. A webinar será transmitida no endereço https://www.youtube.com/channel/UCJkRvCAyci2WxskppPEidEQ. O tema faz parte da proposta do projeto “Tecendo Relações” que, de acordo com a diretora-presidente da Rede de Educação, Ir. Maria de Fátima Marques, “Nasceu das reflexões realizadas em rede e da preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte de nossa missão educativa, como o samaritano que viu, sentiu e se compadeceu”. Dessa forma, o projeto está alinhado com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e busca cuidar do emocional da comunidade educativa, incluindo alunos, educadores, familiares e interessados em aprofundar assuntos que possam ser iluminadores, especialmente durante este período de pandemia. A primeira webinar foi com a psicóloga Aline Souki, que desenvolveu o tema “Gerindo as emoções durante o isolamento social”. O encontro está disponível no Youtube, pelo link https://www.youtube.com/watch?v=rce0Rflu7io. Diante da necessidade de cuidar do emocional e das relações humanas, a Monja Coen vai dialogar e apontar caminhos do bem-viver, tendo a empatia, a compaixão e o cuidado como práticas possíveis e que fazem parte dos valores que iluminam a ação pedagógica das escolas da Rede de Educação SSpS e que ganharam reforço por causa do tema transversal deste ano, que é “Escola viva: vê, sente e cuida”. Coen é uma monja zen budista brasileira de ascendência portuguesa e missionária oficial da tradição Soto Shu, com sede no Japão. Ela vem ajudando muitas pessoas a pensar e a dar à vida um novo significado, com base na espiritualidade, motor que move cada ser humano.“Refletir sobre esses temas se torna necessário e oportuno para que saiamos ainda melhores deste momento de distanciamento social”, afirma Patrícia Campos, assessora de comunicação da Rede de Educação. Ela acredita que, “diante de tantas tribulações, parar um pouco, serenar o coração e ouvir se torna essencial”. O webinar está aberto também ao público em geral. Será uma oportunidade de refletir a partir de uma perspectiva inter-religiosa que certamente ajuda a abrir horizontes para uma compreensão mais ampla da realidade atual e da universalidade do ser humano.
Resposta ao “Perseverança On-Line” surpreende professor

O professor Max de Oliveira Faria, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, apresenta a “Perseverança On-Line”. A proposta busca não deixar esfriar a fé de crianças e adolescentes e valoriza o encontro entre alunos e professores. Max recorda que todos têm necessidade do outro, desejo da companhia, assim surgiu o desejo de, no ambiente virtual, suprir essa demanda. “Estamos vivendo tempos de mudanças e renovações, dentro e fora de nossas casas, dentro e fora dos nossos corações, quando toda a sociedade foi ‘convidada’ a valorizar e explorar novos espaços, por isso não tivemos dúvidas em iniciar a ‘Perseverança On-Line’”, explica Max, que leciona Ensino Religioso e é responsável pelo grupo da Perseverança. A calorosa acolhida da ação surpreendeu o professor. “Quando fizemos a proposta desse formato, esperávamos alguma resistência por conta da demanda que hoje nossos alunos tiveram de assumir, porém, logo que receberam o convite, percebemos a alegria em cada mensagem de resposta, pois o reencontrar quem amamos é motivo de muita alegria”, conta.No primeiro encontro da “Perseverança On-Line”, foi pedido que os alunos apresentassem um símbolo que representasse a alegria e a esperança. “Ficamos impressionados com as partilhas e depoimentos, pois todos os alunos reconheceram na família, na escola e nos momentos com os amigos como os mais significativos e importantes, e já estavam morrendo de saudades”, relata Max. Ao fim do encontro, o professor confessa que percebeu a importância que os educadores e catequistas têm na vida de crianças e adolescentes. “Nós nos tornamos referências para boas práticas, ocupamos um espaço na vida deles que poucas profissões ocupariam, galgamos um lugar dentro da história e no coração desses jovens, mudamos perspectivas e os ajudamos na construção dos seus projetos de vida”, declara. “Nossa prática não se resume à sala de aula, mas vai além dos muros, dos conteúdos e avaliações. Somos responsáveis por regar sementes, descobrir tesouros e lapidar pedras preciosas.” O professor vê com esperança o futuro. “Tenho fé que sairemos deste momento transformados e com a certeza de que o melhor lugar do mundo é dentro de um coração amigo”, conclui. Assista ao vídeo que a turma do “Perseverança On-Line” preparou declamando o poema “Recomece” de Bráulio Bessa. Veja também a letra do poema. RECOMECE – Bráulio Bessa Quando a vida bater fortee sua alma sangrar,quando esse mundo pesadolhe ferir, lhe esmagar…É hora do recomeço.Recomece a LUTAR. Quando tudo for escuroe nada iluminar,quando tudo for incertoe você só duvidar…É hora do recomeço.Recomece a ACREDITAR. Quando a estrada for longae seu corpo fraquejar,quando não houver caminhonem um lugar pra chegar…É hora do recomeço.Recomece a CAMINHAR. Quando o mal for evidentee o amor se ocultar,quando o peito for vazio,quando o abraço faltar…É hora do recomeço.Recomece a AMAR. Quando você caire ninguém lhe aparar,quando a força do que é ruimconseguir lhe derrubar…É hora do recomeço.Recomece a LEVANTAR. Quando a falta de esperançadecidir lhe açoitar,se tudo que for realfor difícil suportar…É hora do recomeço.Recomece a SONHAR. Enfim, É preciso de um finalpra poder recomeçar,como é preciso cairpra poder se levantar.Nem sempre engatar a résignifica voltar. Remarque aquele encontro,reconquiste um amor,reúna quem lhe quer bem,reconforte um sofredor,reanime quem tá tristee reaprenda na dor. Recomece, se refaça,relembre o que foi bom,reconstrua cada sonho,redescubra algum dom,reaprenda quando errar,rebole quando dançar,e se um dia, lá na frente,a vida der uma ré,recupere sua fée RECOMECE novamente. Fonte: www.tudoepoema.com.br/braulio-bessa-recomece
Uma Páscoa diferente

Neste período de pandemia, em que os alunos estão em casa de férias ou tendo aulas on-line, a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está buscando, de muitas maneiras, manter o contato com as famílias e acompanhar os estudantes. Entre as muitas ações que vêm sendo realizadas com as famílias das comunidades educativas dos colégios, o trabalho realizado na Semana Santa merece destaque especial. Foram três passos que culminaram na celebração da Páscoa em família. Aqui vale observar a importância do processo que cada família realizou. Desde a preparação do espaço, a produção dos pães até o momento da celebração em si. Parece até que voltamos a celebrar do mesmo jeitinho que Jesus, na primeira páscoa, em nossas casas. A festa da fé, da esperança e da vida nova vivida na intimidade de nossos lares e em pequenos grupos. Olhando o texto bíblico, é curioso perceber o que fala sobre os preparativos da Páscoa. Aproximava-se a festa da tradição judaica que fazia memória da saída do povo do Egito, e o grupo de Jesus realizaria esse preceito. Surgiu, entretanto, um problema: eles não tinham uma casa para que pudessem se reunir. E Jesus encontrou uma solução: “Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: ‘Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d’água virá a vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre pergunta: ‘Onde está a minha sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?’. E ele vos mostrará no andar superior uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós.” (Marcos 14,13-15) Os discípulos encontraram aquilo que Jesus havia falado. Seguiram o homem da bilha, entraram na casa, e o dono do lugar disponibilizou uma grande sala, no andar superior. Ali os discípulos prepararam a ceia. Como podemos ler, não aparece o nome do homem que ofereceu a sala para Jesus e os discípulos celebrarem a Páscoa. Nos vídeos, veremos como tudo isso aconteceu nas famílias bem como a relação que a Rede de Educação tem buscado estabelecer com cada uma. Assista. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Celebre a Páscoa com a gente

A Dimensão Missionária da Rede de Educação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo preparou, para os alunos, familiares e educadores dos colégios e centros educativos, três momentos para ajudar a comunidade educativa a pensar, sentir e viver a Páscoa em tempos de distanciamento social. A ideia é trazer a identidade de Rede para este momento tão especial para nós, cristãos. A seguir, apresentamos as três ações e um pouquinho de como cada uma foi pensada. Celebre com a gente e uma feliz Páscoa a todos! Primeira ação Hoje convidamos vocês a refletirem sobre a história da margarida diferente. Todos nós sentimos falta de ouvir histórias, pois elas chegam ao coração, formando imagens com base na experiência sensorial da fala, ajudando-nos a vibrar com quem as narra. Assim Jesus gostava de ensinar. Ouçamos a história e levemos adiante essa ideia! Segunda ação Estamos nos preparando para celebrar o ponto mais alto de nossa fé, a Páscoa. Unamos nossos corações em prece para vivermos juntos este momento especial. Sugerimos que essa ação aconteça no almoço do domingo de Páscoa. Terceira ação Para celebrar a festa da esperança, vamos precisar de pessoas novas para um mundo novo. Para isso, a fé deve ser nosso norte. Fé na vida, fé nas pessoas, fé em dias melhores. Somos todos sementes do amanhã!
Sobre sonhos e histórias…

Quando criança, meus pais não tinham o hábito de contar histórias de “Chapeuzinho Vermelho” ou “A Bela Adormecida” para eu dormir. Tampouco me compravam livros ou me levavam a bibliotecas… Entretanto assistimos a muitas peças teatrais, o que sempre me fascinava. Quando fui para a escola, onde existia uma biblioteca, por curiosidade, perguntei à moça responsável se havia um livro sobre a primeira peça que vi, “A Bonequinha Preta”, de Alaíde Lisboa. O livro estava disponível para empréstimo, e foi assim que essa peça teatral despertou em mim o gosto pela leitura. A biblioteca passou a ser meu lugar preferido na escola e, posteriormente, meu lugar predileto no mundo. Quando me formei no ensino médio, tive a certeza de que queria ser psicóloga, porém, durante o cursinho para o vestibular, os professores de Língua Portuguesa, Literatura e História me apresentaram um curso que eu pouco conhecia, o de Biblioteconomia. A partir daí, já não tive mais aquela certeza. Então… troquei minha primeira opção de curso para Biblioteconomia. Passei no vestibular e, em 2011, iniciei a graduação. A graduação me trouxe novas perspectivas e percepções, mas a maior delas foi a descoberta de uma nova paixão: a área de Educação e, oportunamente, a “contação” de histórias. Durante toda a graduação, eu visei à especialização em bibliotecas escolares. Assim que me formei, fui trabalhar como bibliotecária num hospital, em Belo Horizonte-MG. O sonho de trabalhar em uma escola foi adiado. Ficou aguardando por mais três anos, adormecido… Mas foi despertado em 2018, quando iniciei minha carreira no Colégio Sagrado Coração de Jesus. A oportunidade de trabalhar no Colégio Sagrado Coração de Jesus abriu-me várias portas, inclusive a possibilidade de, finalmente, fazer meu curso de “contação” de história. No Colégio, a “contação” de histórias é algo muito forte e valorizado. Isso ocorre porque acreditamos que contar histórias é o maior incentivo à leitura que podemos dar às crianças, do infantil ao último ano das séries iniciais do fundamental I. Quando me vi diante desse cenário, percebi que precisava urgentemente de um curso, para eu aprender técnicas que transmitissem essas histórias de uma forma encantadora, que pudessem realmente tocar as crianças. As histórias são algo que nos transforma. Ouvir histórias é bom demais; contá-las é melhor ainda. A primeira história que narrei foi “A bofetada”, um conto africano. Lembro-me da expectativa e da emoção quando terminei. Posso relembrar vários momentos que me marcaram: o livro “A sopa de pedra”, pelo qual eu contei a história de um personagem conhecido do mundo adulto, mas, dessa vez, ele era uma criança, Pedro Malazartes. Outro momento muito interessante foi quando precisava contar na “Semana sem Fronteira”. Alguns dias antes, tive uma laringite e fiquei afônica. No dia, como um milagre, a voz voltou forte e, somente durante a “contação” de história, para depois sumir novamente. Essa apresentação foi realizada para os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Eles contaram algumas partes comigo e fizeram a sonorização. O momento foi emocionante. Em minhas “contações” no colégio, sempre canto uma música antes de começar as histórias e uso um avental. A esse conjunto de preparação chamamos preâmbulo, para as crianças entrarem no clima. Depois conto a história e então deixo que elas também contem suas histórias. É lindo observar as crianças cantarem a música e, posteriormente, contarem a história da maneira deles. Guiomar Dantas (2019, p. 66) afirma que mediar leitura “é, sobretudo, contagiar filhos, sobrinhos, afilhados, alunos, amigos ou o público para o qual faz mediação com o vírus da leitura que, por sua vez, propaga no corpo e na mente um vício incurável: o amor pelos livros e pelas histórias”. E é exatamente com essa perspectiva que me preparo para os momentos de “contação”. Gosto de provocar emoções que tocam o coração e incentivam cada vez mais a busca por leitura e literatura. E assim, a cada história, vamos criando e recriando o famoso “felizes para sempre”. DANTAS, Guiomar. A arte de criar leitores: reflexões e dicas para uma mediação eficaz. São Paulo: Senac, 2019. 279 p. Raissa Cirilo, bibliotecária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, contadora de histórias e autora do capítulo “A hora do canto como recurso de mediação de leitura na biblioteca escolar e disseminação da cultura afro-brasileira”, disponível no livro “Mulheres negras na Biblioteconomia”.
Tema transversal 2020 – Escola viva: vê, sente e cuida

A Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a uma nova reflexão e ação diante da vida. O tema traz algumas palavras importantes, como vida, dom, compromisso; e como lema palavras de igual importância, como ver, sentir, cuidar e ter compaixão. Todas essas palavras, se bem pensadas e vividas, tornam-se um (projeto) estilo de vida. O estilo de vida ensinado por Jesus, capaz de transformar nosso jeito de nos relacionar com nós mesmos, com os que caminham conosco e com o planeta, nossa Casa Comum. Por esse motivo, o tema transversal escolhido para as escolas da Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo para 2020 é: “Escola viva: vê, sente e cuida”. Os verbos ver, sentir e cuidar estão presentes na história contada por Jesus e conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” (Lc 10,25-37). Ao ver a difícil situação de alguém, o personagem da narrativa olha, para e se coloca no lugar de homem ferido, procurando fazer o melhor que podia naquela circunstância. Cuidado e acolhida que devemos encontrar na família, na sociedade, entre nossos amigos e na escola. E por falar em escola, uma escola viva vive e ensina a fazer da vida dom e compromisso que se traduz no cuidado e na acolhida com as pessoas, lugar por excelência do sagrado. Colocar-se no lugar do outro Há 56 anos, a Campanha da Fraternidade nos convida anualmente a pensar temáticas que venham ao encontro das necessidades existentes em nossa sociedade. Pensando nas questões humanas e no que precisa ser transformado para que a vida seja vivida com dignidade, a CF nos chama a ver a realidade, pensar sobre ela e buscar ações eficazes de mudança. Diante de aspectos essenciais à vida, como saúde, educação, moradia, exclusão, justiça e tantos outros, a CF vem nos provocar neste ano para que vejamos, sintamos e cuidemos da vida. Contudo sabemos que isso exige, de cada um, de cada uma, o compromisso de deixarmos de lado a indiferença diante da necessidade dos que mais precisam de nós. Não por acaso, a Rede de Educação, inspirada na CF de 2020, escolheu com seus educadores um tema transversal para o ano letivo. Esse tema é responsável por motivar nossos alunos, educadores e familiares à sensibilidade e à diligência que nos tornam mais humanos. Ver, sentir e cuidar, como fez o personagem da parábola contada por Jesus, que sentiu empatia pela situação que presenciou e, colocando seu coração, procurou fazer o melhor. Em tempos de extremo individualismo, colocar-se no lugar de outra pessoa tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a história do Samaritano é uma provocação e um convite feito por Jesus para se repensar uma sociedade indiferente diante das necessidades dos que mais precisam. Nesse sentido, a escola viva deve ser o lugar onde se aprende e se pratica nosso modo de ver, sentir e cuidar de nós, do próximo e do planeta, nossa casa. Verbos interdependentes que ganham sentido quando acontecem nesta mesma ordem: sente quem vê, cuida quem sente. Inevitavelmente só conseguiremos vivenciar essa trilogia se passar pelo coração, pois só quando a transformação acontece de dentro para fora é que conseguimos fazer diferença nos espaços onde atuamos. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Rede de Educação une formação humana e desempenho pedagógico

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo acredita que a melhor maneira de educar é alinhar o desenvolvimento das habilidades emocional, social e intelectual. Tem a segurança de que a metodologia adotada em cada um de seus colégios e creches faz deles uma ESCOLA VIVA. O que torna os colégios e creches da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo excelentes escolas é a formação de alta qualidade, nas várias dimensões essenciais, para o desenvolvimento pleno das pessoas. A excelência pedagógica é uma premissa da qual não abrimos mão e que, hoje, está diretamente relacionada ao desafio de formar jovens para o mundo, como ele é no século XXI, em constante transformação. Os colégios e creches da Rede formam, assim, uma ESCOLA VIVA, que sempre soube, em seus mais de 115 anos de prática educacional, conjugar em harmonia sua vocação humana ao desempenho pedagógico. O projeto educacional tem como seu primeiro referencial a filosofia da instituição, que é fundamentada nos valores cristãos. Como base, adota os quatro pilares da educação da UNESCO, as dez competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as competências do ENEM.Cursos oferecidos em nossos colégios: EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO Para coordenar o projeto educacional, cada unidade escolar mantém uma estrutura de gestão composta de: • diretor(a)-geral• diretor(a) educacional• gestor(a) administrativo(a)• coordenadores(as) pedagógicos(as)• coordenadores(as) de área• coordenadores(as) de segmento• coordenador(a) do Sistema Integral(nas unidades onde há Sistema Integral)• coordenador(a) missionário(a)• serviços de suporte educacional/administrativo VISÃOSer uma REDE de educação inovadora, reconhecida pela excelência acadêmica, que prioriza o desenvolvimento integral da pessoa humana. MISSÃOEducar crianças e jovens, à luz dos valores cristãos, para que sejam cidadãos conscientes, críticos e criativos, capazes de conviver com as diferenças e protagonistas na construção de uma sociedade justa e sustentável. VALORESNossos valores são fundamentados nos valores cristãos que norteiam nossa ação educacional: verdade, beleza, bondade, justiça e comunhão. Ir. Maria de Fátima Marques, SSpS, Diretora Presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.
Centro Educacional Madre Josefa

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ), obra social sem fins lucrativos, mantida pela Sociedade de Ensino e Beneficência, foi fundada em 20 de maio de 2003. Atualmente atende 80 crianças de 2 a 5 anos de idade, em regime integral, e se propõe a educá-las de maneira plural, assumindo um compromisso com os valores cristãos: fé, justiça, solidariedade e construção da cidadania. Nestes quase 17 anos de funcionamento, o CEMJ realiza suas atividades acreditando na educação como força que transforma o indivíduo e o faz compreender-se como gerador de seu próprio conhecimento. Localizado numa região de grande vulnerabilidade social, o Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, o Centro Educacional Madre Josefa foi pensado em sua totalidade, atendendo não somente crianças, mas também suas famílias. Também busca gerar emprego aos moradores de seu entorno, muitos deles oriundos de outros Estados do País. Minha jornada profissional se atrelou à fundação da creche. Encantada pela missão de educar e com a tímida vontade de quebrar a ordem social imposta, a empatia com a filosofia da instituição me fez compreender os sentimentos e emoções próprios, de forma objetiva e ao mesmo tempo racional, assim como sentem os demais indivíduos da comunidade. Já no primeiro ano de matrícula, consegui ouvir relatos das famílias sobre a falta de espaço recreativo, educacional e de cuidados básicos para as crianças da comunidade. Como experiência pessoal, pois minha infância foi toda nesta comunidade, sei que tais fatores dificultam as perspectivas e a visão de mundo dessas famílias. Recordo-me das grandes caminhadas até a escola e a falta dos recursos. O que me animava era encontrar naquele espaço professores e pessoas que me acolheriam, iriam me alimentar e, naquele momento, era tudo o que me bastava. Crescendo em meio a tantas outras dificuldades, a escola era o local seguro para estar. A tarefa desafiadora do atendimento no CEMJ foi justamente esta: oferecer à Comunidade do Alemão oportunidade digna para o desenvolvimento infantil. Ano após ano, o CEMJ vem sendo reconhecido na comunidade como um espaço educacional de qualidade. Com efeito, esse modelo de atendimento parece ter dado impulso a uma consciência mais crítica acerca da qualidade de ensino oferecido às crianças, e a esperança passou a ser depositada no modelo de trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) como ideal desejado. Esse fato merece ser salientado, pois, a cada família atendida, a procura por uma vaga aumenta. O reconhecimento explícito da diferença na educação oferecida possibilita que esses moldes ultrapassem os muros da instituição, oferecendo às famílias oportunidade de reconstrução em suas próprias relações sociais e no convívio familiar. “Acreditar no sonho é o primeiro passo para transformá-lo em realidade.” (Ana Stoppa) Deixo aqui de lado mudanças espetaculares, como muitos esperam ver. A semente que é plantada e fertilizada não morre. As mudanças que o Centro Educacional provoca vêm pela reflexão, a construção da crítica, o contato com novas culturas, o desejo de crescimento pessoal e intelectual. A creche, como obra social, cumpre, com maestria, sua função, e hoje, para seus indivíduos, o mundo lá fora nunca será o bastante. Acreditamos no sonho de educação para a população em situação de vulnerabilidade, apostamos nos valores humanos e, acima de tudo, respeitamos as pessoas. Gilmara Solidade, coordenadora pedagógica – CEMJ Rio de Janeiro-RJ