Leitura continuada da Bíblia

“Santo Agostinho falava que Deus escreveu dois livros. E o primeiro livro escrito por Deus não foi a Bíblia, mas sim a criação plena de todas das coisas, a natureza, a vida. O Livro da Vida, é por ele que Deus quer falar conosco.” (Frei Carlos Mesters, biblista) Na Igreja Católica, setembro é o Mês da Bíblia. É o período em que os fiéis são exortados a ter mais contato com os textos da Sagrada Escritura e, assim, iluminar e rezar a vida com base nos relatos, orações e ensinamentos presentes na Palavra de Deus. Uma das formas de ter contato com o texto bíblico é a leitura feita em grupo, com a comunidade e com os irmãos de fé e caminhada. Por isso a turma da catequese de crisma do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, participou da experiência da leitura continuada da Palavra, promovida pelo Arsenal da Esperança há nove anos. Na tarde de 24 de setembro, esteve na escola o missionário do Arsenal, Ivan Sbrana. Junto com os jovens do grupo de crisma, a catequista Sônia Vieira e o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, Ivan motivou o momento de leitura compartilhada da Palavra. O trecho lido foi o dos capítulos 1 a 6 do 2º Livro das Crônicas, uma das obras históricas do Antigo Testamento e que relata o discernimento e o esforço do povo para entender a maravilha de sua relação com Deus. De forma orante, os crismandos leram a passagem. A experiência, certamente, fortaleceu e aprofundou a compreensão da importância de ser comunidade e participar amorosamente da Igreja. Veja o depoimento de alguns alunos: “A experiência que tive durante a leitura continuada da Bíblia foi bem intensa e interessante. A sala estava repleta de uma energia inspiradora, que servia como guia para a alma. Além disso, as músicas tocadas pelo professor Agostinho contribuíram, de forma muito positiva, para tornar o ambiente ainda mais aconchegante. Foi um momento em que a palavra pôde adentrar mais fundo em nossos corações. Com certeza, foi muito enriquecedor.” (Felipe Mesquita Moura Mota Rodrigues, 9º ano A) “É impossível alguém que acompanhe o cristianismo não ame utilizar este Livro Sagrado. Os ensinamentos de Jesus, a história da humanidade, a criação do mundo, Moisés, Noé, Davi e tantos outros personagens estão presentes dentro da Bíblia. É tão fundamental que é apresentada como a Palavra do Senhor. Surpreendentemente, a Sagrada Escritura fica esquecida dentro da gaveta nas casas das pessoas. Lemos Crônicas 2, em que se conta a história de Salomão, um rei justo e fiel a Deus. É um grande exemplo de vida, pois pediu ao Senhor sabedoria e inteligência para reinar. Aprendemos que não é necessário construir um santuário como o de Salomão para provar que somos católicos, mas nos pequenos gestos, como ler a Bíblia e praticar seus ensinamentos.” (Luiz Felipe Ricobom de Sousa, 9º ano B) Sonia Vieira da SilvaProfessora de Ensino Religioso e catequista do Colégio Espírito Santo ________
À luz do Evangelho Dominical

No Evangelho de domingo (Lc 16,19-31), vamos encontrar o rico que se banqueteia todos os dias e o pobre Lázaro, que vive das migalhas que caem no chão. É gritante o contraste entre a vida de um e de outro, até que os dois morrem, e a situação deles se inverte. O rico que não se importava com o pobre foi parar no inferno, e Lázaro encontrou a felicidade no Paraíso. No vídeo, o teólogo leigo Afonso Giglio Junior alerta sobre as consequências de nossas atitudes e ações para o presente e o futuro de nossa vida. Quem constrói abismos que nos separam dos outros nesta vida ficará separado de Deus na outra. Por isso o apelo é para viver a justiça do Reino de Deus a partir de agora, para não criar distância e segregação entre as pessoas. O que deixamos para o futuro pode ser tarde demais. Confira o vídeo e medite o Evangelho!
Vem aí a Capela Missionária Virtual

Junto com o Mês Missionário Extraordinário, que começa no dia 1º de outubro, vamos lançar a Capela Missionária Virtual, um espaço de espiritualidade e oração, mas também de compromisso com a missão da Igreja no Brasil e no mundo. A criação da Capela Missionária é uma das ações das missionárias servas do Espírito Santo para responder ao apelo do Papa Francisco em despertar uma maior consciência da missão ad gentes “e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. De fato, nós, como missionárias, fazemos parte da missão ad gentes, isto é, da missão além-fronteiras, porque somos uma congregação intercultural e internacional, presente em cerca de 50 países nos cinco continentes. Nesse sentido, a capela missionária é uma forma de partilharmos nossa espiritualidade e carisma missionários e dar a conhecer significativas experiências de missão aqui no Brasil e em outros países. Mas o que vem a ser a Capela Missionária Virtual? Em primeiro lugar, um espaço de oração voltado para as grandes necessidades do mundo atual e das pessoas concretas em suas lutas e sonhos por uma vida melhor. Como é virtual, não importa onde você esteja. Poderá acessá-la pelo celular, computador ou tablet, visitar nossa capela e rezar conosco a partir de um coração missionário. A Capela Missionária vai oferecer vários tipos de oração, como a leitura orante do Evangelho do dia, a oração do terço missionário, as intenções missionárias para cada dia e outras baseadas em nossa espiritualidade e na vida da Igreja. Basta conectar-se conosco e abrir-se à ação do Espírito Santo. Além de poder rezar pelas situações que atingem a humanidade e por todos os que necessitam de preces, também será possível pedir orações e, simbolicamente, acender uma vela nas intenções desejadas. Cada pedido receberá as preces de nossas irmãs das comunidades do Convento Santíssima Trindade, Santana e outras. Nós levaremos os pedidos e intenções também para a celebração da missa e nossas orações comunitárias. Um dos objetivos da Capela Missionária é ser um espaço de missão on-line, com algumas irmãs disponíveis para dialogar e interagir com as pessoas que entrarem em contato. Nossa intenção é responder a todos, oferecendo apoio, consolo, ânimo e orientação espiritual aos que o desejarem. E, como o nome já diz, trata-se de um espaço de abertura para o mundo e de encontro do diferente, de conhecimento de outras realidades. Será um convite para alargar o coração até os confins do mundo e acolher nossos irmãos de outros povos, culturas e línguas. Na Capela Missionária haverá muitas formas de interagir, até mesmo de participar da missão e apoiar obras missionárias concretas, cada pessoa segundo suas possibilidades e apelos que sentir dentro de si. Em breve, estaremos no ar e convidaremos você para fazer parte dessa nova comunidade missionária. Vamos começar aos poucos, ampliando a cada dia os conteúdos e oportunidades para nos aprofundar na fé e nos comprometer com a missão. Contamos com você. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______
O encontro com a felicidade (Mt 5,1-12; Lc 6,20-23)

O relato das bem-aventuranças encontra sua versão em Mateus e Lucas. Estudiosos concordam que não se trata somente de um sermão, que Jesus tenha pregado em uma ocasião concreta. Antes, é o resumo dos ensinos que, em diversas oportunidades, Ele ministrara a seus discípulos. Portanto, no trecho das bem-aventuranças, encontra-se o essencial dos ensinamentos de Jesus. De tal modo, todo seguidor de Jesus precisar abraçá-las como programa de vida. Quando Jesus anuncia as bem-aventuranças, o que faz, na realidade, é descrever sua própria vida. Uma vida identificada com os desejos dos pobres, dos que carecem do indispensável para viver com dignidade. Por isso sua vida atraiu e atrai multidões. Nesse tratado, o surpreendente é Jesus colocando que o que nos faz mais felizes é aquilo que, ao “simples olhar”, parece nos fazer mais míseros. Pois a pobreza, o sofrimento, ter fome e sede de justiça, ser perseguido e insultado (Mt 5,1-12; Lc 6,20-23) é muito difícil de suportar. Onde está, então, a chave da felicidade nesse tratado Nesta breve reflexão, tentaremos responder a essa questão. Mas, antes de continuar, recomendamos a leitura do texto de Mateus (5,1-12), o qual será comentado a seguir. Notemos, logo na introdução, três importantes chaves de leitura: “Subiu à montanha e, sentando-se, começou a ensinar”; “E pôs-se a falar”; “Ensinava-lhes, dizendo”. No Antigo Testamento, a montanha evoca o lugar do encontro com Deus (Êx 19,3.10-18; 20,1-18). O gesto de sentar-se era comum aos rabinos quando ministravam seus ensinamentos. Nesse marco, a postura de Jesus para ensinar pode dizer da importância do caráter essencial de sua doutrina. “E pôs-se a falar”; a tradução mais exata é “abriu a boca”. Essa expressão, entre outros sentidos, significa abrir o coração. Abrindo seu coração, Jesus mostra os conteúdos mais íntimos àqueles que seriam seu braço direito no cumprimento da missão. “Ensinava-lhes, dizendo”. O verbo “ensinava” está no imperfeito e, portanto, descreve uma ação habitual, repetida de Jesus; entende-se que Jesus ensinava continuamente. Observemos que cada bem-aventurança tem a mesma forma: “Felizes os…”. Estudiosos concordam que, no grego, falta o elo que, em nossas traduções comuns, une cada ditado. Isso se deve a que Jesus as pronuncia em aramaico-hebraico. No Antigo Testamento, é comum encontrar uma expressão, em forma de interjeição, e que significa: “Que feliz é…!” (Sl 1,1). Essa é a mesma forma que Jesus usa nas bem-aventuranças: “Que feliz é o pobre de espírito…!”. É muito importante ressaltar essa forma, porque significa que as bem-aventuranças não são piedosas exclamações de esperança de um possível futuro, mas são de alegria e encanto por algo que já existe. São felicitações no agora, certamente alcançarão a plenitude na eternidade. Ao falar da felicidade, não podemos ignorar o desejo, pois nele se encontra a chave da felicidade. Aquele que cobiça e deseja aquilo que não pode alcançar na presente ordem das coisas, aos poucos, submerge-se na amargura, ressentimento e violência. Por outro lado, aquele que orienta suas vontades e desejos pelo bem da felicidade dos outros, esse é quem alcança a felicidade na presente ordem das coisas. De fato, é demonstrado que as pessoas que se preocupam com os demais, as pessoas que lutam para que, neste mundo, haja menos carências, menos injustiças, menos violências e mais paz, justiça e perdão são mais felizes. Pelo contrário, aqueles que se preocupam tão somente com elas mesmas se afundam no egoísmo e na infelicidade. Os desejos de Jesus se identificam sempre com os anseios dos pobres, dos doentes, dos excluídos… Por isso, multidões seguiam Jesus (Mt 4,23-24; 8,16-17; 9,35; Lc 4,18-21; 4,40-41; 6,17-19). Sem pretensões de “rebaixar” o projeto de Jesus para que cada um tome o que queira, o que buscamos é propor um apelo a subir ao monte, contemplar Jesus e escutar dele como viver nossas relações humanas. Pois, em nossa contemporaneidade, parece irreconciliável individualidade e compromisso social. A sociedade de consumo nos faz acreditar que satisfará tudo e todos, porém o que falaciosamente faz é identificar a felicidade com o estar saciado. Nessa dinâmica perniciosa, a saciedade é a prisão do desejo. Cabe aqui perguntar-se: qual é meu desejo? É interessante que se comece a falar da felicidade dizendo: “Que felizes são os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (v. 3). Devemos deixar claro que Jesus não elogia a pobreza material. Ele sempre esteve contra essa classe de pobreza que esmaga pessoas e povos. Jesus elogia os pobres no espírito, isto é, os que reconhecem sua condição humana limitada diante das exigências da vida e colocam em Deus toda sua confiança. O “pobre no espírito” é quem compreende que nenhuma coisa satisfará seu desejo mais profundo, mas somente Deus. E, portanto, faz a vontade de Deus, tornando-se, assim, feliz cidadão do Reino de Deus. “Felizes os mansos porque herdarão a terra” (v. 4). Em grego, a palavra praus é equivalente a “manso”, e era de um significado elevado na ética. Aristóteles explicou a virtude como o meio-termo entre dois extremos. A virtude da mansidão era então o meio-termo entre muita ira e pouca ira. Entende-se então que é feliz o cristão que, diante da agressão, dos insultos à sua pessoa, não reage com agressividade, porém, quando os outros são ofendidos, ele manifesta indignação. Outro significado para praus é “domesticado”. Quando o animal tinha sido treinado para obedecer ao dono, era tido como manso. Nesse marco, pode dizer-se que é feliz a pessoa que sabe dominar suas paixões e desejos, pois têm domínio sobre eles. A atual sociedade se arroga por “liberdade”, porém, muitas vezes, estamos prisioneiros de nossas paixões. É imperativo, portanto, sempre se perguntar: sou eu a governar minhas paixões e desejos ou são eles a me governar Chama-me a atenção como as redes sociais concorrem por ocupar o centro de nossa vida. Parece que conhecem nossos gostos e se interessam por nossos sentimentos e pensamentos. Como elas, há outros mecanismos que que buscam é exaltar nosso ego. Mas Deus nos quer felizes e nos convida a sê-lo: “Felizes os mansos…”. O texto das bem-aventuranças
Declaração de apoio ao Cimi

A Vivat Brasil, rede de congregações religiosas filiadas à Vivat International, fiel à sua missão de: • trabalhar com pessoas e grupos que vivem em qualquer tipo de pobreza e compartilhar seus esforços para a restauração e preservação do bem-estar, dignidade e liberdade; • promover os direitos humanos; promover o desenvolvimento sustentável, a compreensão e a harmonia entre povos, culturas, classes, religiões e crenças; esforçar-se pela criação de uma sociedade mundial e comunidades locais que incentivem a inclusão e participação de todos; • trabalhar pela sustentabilidade ecológica, a proteção da biodiversidade e a preservação da riqueza do planeta para as gerações futuras, Manifesta sua solidariedade aos povos indígenas que, na atual conjuntura do País, estão enfrentando perseguições e desrespeito de seus direitos, com o assassinato de vários de seus representantes; invasão de seus territórios por fazendeiros, grileiros, madeireiros, garimpeiros e hidronegócios, destruição de seu meio ambiente por agrotóxicos e incêndios criminosos, e extinção de políticas públicas favoráveis à preservação ambiental, demarcação de suas terras e órgãos de apoio e proteção. Da mesma forma, a Vivat Brasil apoia o Sínodo da Amazônia como um dos processos participativos em que a Igreja Católica mais se pôs à escuta dos povos indígenas e de seus clamores. Somente poderemos defender a vida, a Amazônia e todos os outros biomas por meio do protagonismo indígena e das comunidades e povos tradicionais, no respeito de sua autodeterminação e aprendendo seu estilo de vida e relação com a inteira Criação. Por isso fazemos nossas as denúncias apresentadas pela XXIII Assembleia-Geral do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, realizada de 9 a 13 de setembro de 2019, em Luziânia-GO, com o tema “Em defesa da Constituição, contra o roubo e devastação dos territórios indígenas”. Em âmbito internacional, busquemos também apoiar, como propõe o Cimi, as iniciativas que sancionam produtos brasileiros quando produzidos ilegalmente em terras indígenas e à base de práticas criminosas, como as queimadas, invasões, arrendamentos e grilagens. Portanto, como expressão de compromisso e apoio, solicitamos a todos os membros das congregações filiadas à Vivat International e à Vivat Brasil bem como a seus simpatizantes e apoiadores que divulguem em suas redes sociais e contatos esta Declaração de Apoio e o Documento Final da XXIII Assembleia do Cimi, que transcrevemos a seguir. Participam de Vivat International as seguintes Congregações: • Sociedade do Verbo Divino • Missionárias Servas do Espírito Santo • Congregação do Espírito Santo • Irmãs Missionárias do Espírito Santo • Missionários Combonianos • Missionárias Combonianas • Irmãzinhas da Assunção • Irmãs da Santa Cruz • Missionárias Scalabrinianas • Missionários Dehonianos • Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo • Oblatos de Maria Imaculada • Irmãs do Santo Rosário Veja, na íntegra, o Documento Final da XXIII Assembleia-Geral do Conselho Indigenista Missionário – Cimi.
À luz do Evangelho Dominical

O Evangelho de Jesus sempre é muito concreto. Neste domingo, o tema é o uso do dinheiro (Lc 16,1-13), assunto que incomoda muita gente, especialmente quando toca o bolso… O tema continua atual, pois grande parte dos problemas que enfrentamos estão relacionados ao mau uso do dinheiro. Jesus conta a parábola do administrador infiel e, no fim, elogia sua esperteza. Não que ele aprove as coisas erradas que o administrador fez, mas aponta sua criatividade para corrigir o mal realizado e revertê-lo a seu favor. No tempo de Jesus como nos dias de hoje, para muita gente, o dinheiro é um ídolo, uma meta que para ser alcançada. Para isso, vale tudo: explorar os pobres, enganar, roubar… Mas isso destrói o ser humano e nos afasta do Reino de Deus. Por isso continua atual o alerta de Jesus: “Não é possível servir a Deus e ao dinheiro”.
Estudantes debatem conflitos no Morro do Alemão

O conflito do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ, mobilizou alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus e de diversas escolas de Ensino Médio e universidades de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, num total de 200 estudantes que participaram da SIS – Simulação Intercolegial do Sagrado, no dia 31 de agosto. A SIS faz parte do projeto pedagógico do colégio e, segundo a aluna Ana Luiza Araújo, “é um projeto criado e organizado pelos estudantes do Ensino Médio, no qual eles têm a oportunidade de mergulhar no excitante mundo diplomático”. Ela explica que os estudantes se organizam em comitês, criando um ambiente de simulação de organismos internacionais ou instituições nacionais, e se transformam em delegados para discutir temas relevantes da agenda nacional e internacional. Nesse processo, os alunos debatem, pactuam, articulam, deliberam, criam consensos e propostas de resolução para os temas em questão. Por isso a Simulação Intercolegial do Sagrado é uma oportunidade para aprimorar conhecimentos e a capacidade de relacionamento, diálogo e gerência do imprevisto. Neste ano, a 2ª edição da SIS organizou seis comitês, cada um com um tema: questões indígenas; antirrevolucionários durante a Revolução Francesa; crime organizado; segurança marítima; crise e intervenção na imprensa e o conflito no Morro do Alemão. Emoção no relato de moradoras O workshop sobre o conflito no Morro do Alemão teve destaque na SIS com o depoimento da Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, Gilmara Soledade dos Santos, coordenadora educacional do Centro de Educação Infantil Madre Josefa e Paula da Silva Alves, moradora do Morro do Alemão. Elas narraram a chegada das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na Serra da Misericórdia logo após um desastre ambiental que destruiu as casas. De forma imediata e comunitária, elas procuraram ajudar os moradores a reconstruírem suas vidas. Entre as muitas dificuldades que eles enfrentavam, as irmãs assumiram a necessidade de creches para atender às mães que trabalhavam fora e deram início à creche Madre Josefa. Os depoimentos de Irmã Fátima, Gilmara e Paula sobre o antes e o depois do conflito, “carregados de sentimento, já cativaram o coração dos diretores do comitê” conta Fernanda Ferreti, diretora assistente do comitê e estudante de veterinária da UFMG. Segundo ela “foi impossível conter o choro” durante o diálogo com os delegados. Fernanda conta que as convidadas relataram que o sentimento de esperança, que veio junto com a intervenção de 2010, deu lugar ao abandono ao fim das comemorações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, ambas sediadas na capital fluminense. Dessa forma, a entrada da segurança pública no Morro do Alemão, por não ter sido acompanhada de políticas públicas de inclusão social, foi descrita como midiática. Segundo as moradoras Gilmara e Paula, as forças de polícia deram lugar novamente ao tráfico, coexistindo em uma paz armada em todo o Complexo, deixando os moradores a mercê de acordos não divulgados e ainda mais insegurança. Para Paula, significou sobretudo, um afastamento de sua família e amigos, que já não podem visitar a sua casa no morro, além de determinar seu plano de vida: ter filhos somente após a concretização do sonho da casa própria, em outro bairro, fora do Morro do Alemão, onde nasceu e cresceu. Gilmara partilhou ainda a dificuldade de educar crianças em meio a uma guerra: “como dar a esses jovens cidadãos esperança e, principalmente, mantê-los longe do tráfico de drogas?” Experiência e aprendizado Participar do SIS foi uma experiência enriquecedora tanto para as convidadas como para os estudantes. Paula, feliz por contribuir para a formação de caráter dos jovens comenta: foi “muito marcante, porque sempre senti vergonha em falar onde moro, mas quando vi o interesse dos alunos sem olhares preconceituosos ou de pena, a vergonha se transformou em orgulho”. Amanda Antunes, do Colégio Santo Agostinho – Unidade Contagem, que nunca havia simulado em gabinete antes e estava com uma “expectativa altíssima”, relatou que “a atenção do secretariado, o apoio dos diretores e o ambiente tão leve fez da SIS uma simulação maravilhosa!” Entusiasmada com o resultado, Fernanda diz que o workshop “foi um grandioso aprendizado” num ambiente de acolhimento e que abriu novas perspectivas para o futuro. Também animada com a experiência, a estudante Ana Luiza concluiu: “o workshop foi simplesmente incrível; os relatos aproximaram os delegados ao cenário do Complexo, explorando a empatia e sensibilidade de cada um, levando a uma simulação ainda mais especial”.
O encontro que me libertou (Jo 7,53-8,11)

A passagem de Jesus e a adúltera insere-se na narrativa das conversas entre Jesus e os “judeus”, inclusive interrompe esses debates. Os estudiosos se questionam sobre o sentido de a perícope encontrar-se justamente nessa seção. O tema em si mesmo é incomum no quarto Evangelho. Além do mais, a forma literária (apotegma ou paradigma) em que se expressa é um gênero mal atestado no restante do escrito joanino. Chama-nos também a atenção a mudança na atitude de Jesus. Nas seções anterior e posterior, nós o vemos discutindo; aqui, porém, fica calado e, somente no fim do episódio, toma a palavra. Uma das hipóteses explica que a razão de essa perícope estar nessa seção está em seu conteúdo. Entretanto, antes de seguir com a apreciação do texto, propomos sua leitura, para melhor acompanhar os comentários. 7 53E cada um voltou para sua casa. 8 1Jesus foi para o Monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus: 4“Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. 5Moisés, na lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu que dizes 6Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. 7Como insistiram em perguntar, Jesus endireitou-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado atire a primeira pedra!”. 8Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. 9Ouvindo isso, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio em pé. 10Ele se endireitou e disse-lhe: “Mulher, onde estão eles Ninguém te condenou”. 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!”. Jesus então lhe disse: “Eu também não te condeno. Vai e, de agora em diante, não peques mais”. Em 7,53-8,1-2, temos a conclusão da perícope anterior, e a introdução à seguinte cena. Nesta, os agentes da ação são os escribas, os fariseus, a mulher, Jesus e, provavelmente, também a presença de uma multidão que estaria ouvindo os ensinamentos de Jesus. A narrativa pode ser dividida da seguinte forma: vv. 3-6b, descrição o inquérito dos fariseus e escribas; vv. 6c-8, a reação de Jesus; e, nos vv. 9-11, o desenlace. O quadro está emoldurado de elementos-chave, tais como “ir para casa-templo”, os interlocutores vão para casa; “o Monte das Oliveiras”, nos sinóticos, há referências de Jesus dirigir-se, nas noites, ao Monte das Oliveiras (cf. Lc 21,37); “na madrugada, ou dia seguinte”, essa expressão realça a autoridade dos ensinamentos de Jesus. Há outros elementos que, por sua importância, merecem uma explicitação mais ampla. Chama nossa atenção, sobretudo, a reação de Jesus diante dos acusadores: “Jesus começou a escrever no chão com o dedo” (v. 6c). “Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão” (v. 8). Qual é o sentido desse movimento de Jesus Que significa escrever com o dedo no chão O que será que ele escreveu Em O Evangelho segundo João, Johannes Beutler, considera a observação de Thomas O’Loughin. Esse estudioso, por sua vez, trouxe à tona a leitura comparativa feita por Santo Agostinho, entre João 8,1-11 e a escrita do Decálogo. Lembremos que é no Decálogo que se assentam as bases de julgamento contra o adultério. O adultério era tido como um dos três pecados mais graves, portanto a Lei a seu respeito era a pena de morte (cf. Lv 20,10; Dt 22,23-24). Na época de Jesus, quando surgia algum problema legal difícil, costumava-se levá-lo aos rabinos, para que estes tomassem uma decisão. Dessa forma, compreende-se que os escribas e fariseus se aproximaram de Jesus como a um rabino. Trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Eles tinham razão em sua acusação, mas, observando atentamente a trama, percebe-se que faltam elementos para um processo formal de julgamento contra um caso de adultério, pois o parceiro, que igualmente deveria ser submetido à ação, estava ausente (cf. Lv 20,10; Dt 22,22-24). Isso leva a supor que o problema em questão era bem mais complexo. A cena traz o tom acusador, porém o foco da acusação é Jesus e não a mulher. O texto diz que os escribas e fariseus queriam experimentar e acusar Jesus. Jesus é colocando diante de um dilema, se concordasse com os escribas e fariseus que era preciso apedrejar a mulher, estaria contradizendo-se em seu amor e sua misericórdia. E ainda estaria atentando contra a lei romana, pois, sendo judeu, não tinha poder de impor a pena de morte. Se, pelo contrário, ele dissesse que era preciso perdoá-la, seria acusado de desobedecer à Lei de Moisés. É evidente que os escribas e fariseus pretendiam fazer Jesus cair numa armadilha. Diante desse cenário, a resposta de Jesus foi decisiva, porém Jesus se calou, curvou-se e escreveu com o dedo no chão. Seguindo a leitura comparativa de Santo Agostinho, estamos diante de um contraste entre a escrita em pedra do Decálogo e a escrita de Jesus na areia. Será essa diferença a grande mensagem dessa perícope? Em todas as épocas, as leis surgem visando a garantir o desenvolvimento integral dos indivíduos e das coletividades. Pois, quando a vida se vê ameaçada, requer mecanismos que a resguardem. Desse modo, em todas as sociedades, as leis se tornam necessárias. Entretanto, quando essas leis são manipuladas em benefício de uns poucos ou de alguma instituição, elas se tornam instrumentos de opressão e morte, sobretudo para os mais indefesos. Mas Deus não abandona. Ele, de diversas formas, impele-nos à conversão. Deus continuamente suscita no coração das pessoas a chama profética em favor da vida ameaçada (cf. Is 1,21-23; 58,3-7; Am 2,6-8; 5,10-12; Mq 3,1-4). No silêncio de Jesus, podemos ler a atitude profética de denúncia: “Por isso o sábio se cala neste tempo, porque é tempo de desgraça” (Am 5,13). O silêncio profético é um grito de denúncia contra a injustiça. Além do mais, o gesto desconcertante de Jesus de inclinar-se e escrever na areia obriga os acusadores a repetir a pergunta. Será que
Guia Prático para o Mês Missionário Extraordinário

A Vivat Brasil, durante o encontro sobre o Sínodo da Amazônia, ofereceu este guia prático com sugestões e indicações de materiais para ser usados em outubro, para as atividades do Mês Missionário Extraordinário. Agora disponibilizamos na versão eletrônica, com os links para os materiais disponíveis na internet. Motivações e sugestões Para uso nas celebrações paroquiais, nas escolas, nos grupos de base e nas diversas instituições sociais das (arqui)dioceses. Motivação para o Mês Missionário Extraordinário (MME) e o Sínodo para a Amazônia (usar também o material do Mês Missionário):a. contextualizar a partir da Vivat Brasil;b. contexto atual do Brasil / importância do Sínodo e sua relação com o MME. 2. Sugestões práticas: Aproveitar o tempo antes das missas ou celebrações dominicais, para uma maior sensibilização a respeito do Sínodo, com vídeos e canções relativos ao tema da ecologia integral. Usar símbolos ecológicos durante a liturgia. Trabalhar a mesma temática nos diversos encontros e atividades da paróquia, escola ou instituição ao longo do mês de outubro. Utilizar atividades escolares para divulgar e discutir as questões relativas à ecologia integral e à realidade da Amazônia. 3. Durante o Mês Missionário Extraordinário, colocar banners com a temática da Amazônia em frente à comunidade ou instituição. 4. Usar Power Point com fotos e canções durante as missas ou encontros de formação e animação. 5. Sugestão prática para os domingos do mês de outubro:Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros. Dia 29 de setembro – Vídeo: Preparação para o Sínodo Dia 6 de outubro – Abertura solene do MME – Vídeo: Sínodo para a Amazônia Dia 13 de outubro – Canonização da Ir. Dulce – Vídeo: Mãos Carinhosas Dia 20 de outubro – Domingo das Missões – Vídeo: O Mês Missionário e a Amazônia Dia 27 de outubro – Encerramento do Sínodo da Amazônia – Vídeo: Repam – documentário 6. Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros.
Vivat Brasil promove encontro sobre Sínodo da Amazônia

O Sínodo da Amazônia está provocando muita polêmica por causa da desinformação que está sendo divulgada, confundindo o público sobre suas finalidades e importância para a Igreja e para a humanidade. De fato, o Sínodo abordará questões relacionadas à evangelização e preservação do meio ambiente pela prática de uma ecologia integral, não somente na Amazônia brasileira, mas nos nove países que integram a Pan-Amazônia. Devido à urgência de esclarecer e envolver as pessoas na proposta do Sínodo da Amazônia, a Vivat Brasil promoveu um encontro para aprofundar o Documento de Trabalho e preparar agentes de pastoral, professores e representantes de organizações, para buscarem estratégias de como trabalhar os temas relacionados com a ecologia integral em suas comunidades ou locais de base. O encontro foi realizado neste sábado, 14 de setembro, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Participaram 50 pessoas, membros da Vivat Brasil e representantes de dez paróquias da Grande São Paulo. O encontro foi aberto com um momento de espiritualidade ao ar livre, para se sentir o contato com a Criação, e continuou com apresentações dos conteúdos e estudo em grupos. Irmã Maria Percila Vieira, coordenadora provincial das missionárias servas do Espírito Santo, uma das congregações fundadoras junto com a Congregação do Verbo Divino, acolheu os presentes e explicou que os membros de Vivat Brasil julgaram importante provocar “uma maior consciência nas comunidades em relação a esse importante evento convocado pelo Papa Francisco, que envolve a Igreja da Amazônia, mas que deve também ser assumido por nós que estamos mais ao sul”, explicou. O missiólogo verbita, padre Fernando Doren, e a cientista da religião, Nilda de Assis Cândido, iluminaram uma parte do encontro. Eles apresentaram a síntese de alguns capítulos do Documento de Trabalho. Outros sete padres e duas religiosas também participaram. Foi distribuído o “Guia prático para o Mês Missionário”, com sugestões de cantos, apresentações e vídeos para serem utilizados durante o mês de outubro, tanto nas celebrações e atividades paroquiais como também nas escolas e outras organizações. Os interessados no guia poderão seguir o link e ter acesso ao conteúdo. No encontro também esteve presente a liderança indígena Imaculada Lima Barreto, da Região do Rio Negro e da etnia tucana, que atualmente reside em São Paulo. Ela deu testemunho da contribuição dos povos indígenas na preservação da floresta. No estudo em grupos, os participantes conversaram sobre as sugestões concretas do Documento de Trabalho, procurando ver como aplicá-las à realidade de São Paulo. Sugeriram utilizar as motivações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para chamar a atenção sobre o cuidado da Criação e aproveitar as sugestões do Guia Prático antes das missas e celebrações dominicais ou mesmo durante a própria celebração, como pequenos vídeos, a Oração do Sínodo, a Oração do Mês Missionário e alguns cantos de Campanhas da Fraternidade anteriores que abordam a preservação da natureza. Outra proposta foi a instalação de painéis para dar visibilidade ao Sínodo. Padre Arlindo Pereira Dias, um dos organizadores do encontro, avaliou que os participantes “desejam encontrar formas de estar em comunhão com os membros do sínodo em Roma e apoiar concretamente essa iniciativa importante e vital, relacionada com o cuidado da casa comum que Deus nos entregou com tanto carinho”. Segundo ele, a ecologia tem sido presença constante nas Campanhas da Fraternidade desde 1979, mas precisa ser mais bem compreendida. “Queremos gerar ações concretas e, ao mesmo tempo, dar prosseguimento a esse caminho depois da realização do Sínodo”, acrescentou Pe. Arlindo. Como parte da equipe organizadora do encontro, fiquei muito feliz com o engajamento e compromisso dos participantes. Todos saíram muito motivados para trabalharem as temáticas do Sínodo em seus próprios ambientes e com muito desejo de se organizarem para que a reflexão sobre a ecologia integral se transforme em ações concretas nas comunidades. Também expressaram o desejo de continuar a se reunir para estudo e aprofundamento. Do ponto de vista da Vivat Brasil, o encontro trabalhou uma das ações imediatas propostas pela rede de congregações que fazem parte da instituição, que é o acompanhamento do Sínodo da Amazônia e também se articular melhor dentro de suas duas prioridades: sustentabilidade e cultura da paz. Para conhecer melhor as propostas da Vivat Brasil, sugerimos assistir ao vídeo produzido pela Verbo Filmes, disponível no Youtube: Vivat Brasil – workshop maio 2019. Ir. Ana Elídia Caffer Neves, SSpS, secretária executiva da Vivat Brasil, jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN). _______