Presença missionária em Papua-Nova Guiné

Papua-Nova Guiné, país da Oceania, é um mundo desconhecido para a maioria dos brasileiros, mas foi um dos primeiros campos de missão das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS). Elas estão lá desde 1899. Com uma cultura riquíssima, o país tem três idiomas oficiais e mais de 800 línguas indígenas locais, para se ter uma ideia da variedade de grupos nativos. A população enfrenta problemas sociais, como pobreza, violência, mortalidade infantil, falta de acesso à educação, entre outros. Por isso, além do trabalho pastoral e de anúncio do Evangelho que as irmãs realizam, elas também atuam nas áreas em que há maior necessidade, como escolas, hospitais, maternidades, clínicas itinerantes, atendimento a pessoas com HIV/Aids, promoção da mulher, projetos de desenvolvimento social e de formação nas aldeias. A presença das irmãs em Papua-Nova Guiné motivou os alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, a produzirem uma peça de teatro sobre a realidade daquele país e encená-la durante a II Semana Sem Fronteiras, realizada no início de outubro. Dada a qualidade do trabalho, os alunos foram convidados para se apresentarem no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, para o encerramento do Mês Missionário Extraordinário. Encerramento do Mês Missionário No dia do aniversário de nascimento de Santo Arnaldo Janssen, 5 de novembro, o Centro Missionário promoveu um evento para encerrar o Mês Missionário Extraordinário. Estiveram presentes os alunos do Curso de Formação Teológica e Missionária, as irmãs da Comunidade do Convento Santíssima Trindade e Santana, e o grupo de alunos do Colégio Espírito Santo, acompanhados dos professores, para assistir ao teatro sobre Papua-Nova Guiné. A peça, toda montada pelos alunos, apresentou uma jovem que, ao chegar em casa, liga a televisão e assiste a diferentes gêneros de programação, todos sobre Papua-Nova Guiné. Os alunos encenam os programas, mostram danças típicas e incluem documentários, entrevistas e até o depoimento em vídeo de uma missionária brasileira, Ir. Lourdes Hummes, que trabalhou 18 anos naquele país. Depois de uma hora de apresentação, uma terra até então longínqua e desconhecida passou a fazer parte do coração dos que assistiram à peça. Souberam do drama que as mulheres enfrentam, uma vez que, por causa da cultura machista, são vítimas constantes de violência doméstica, estupro e outros crimes. Somente há poucos anos, o país adotou uma legislação que as protege, mas mudanças culturais são lentas, e os homens continuam violentos. Mas o público também viu a beleza de sua natureza, de suas danças e de seus povos. É um país exótico, cheio de mistérios e com muitos desafios. Os 120 anos de presença missionária naquele país certamente estão contribuindo para que as pessoas tenham melhor qualidade de vida, educação, saúde e a oportunidade de conhecer os valores do Evangelho. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______

O encontro que me enviou em missão (Mateus 28,1-10)

O Sínodo da Amazônia tem despertado grande interesse nos cristãos e na sociedade em geral. A cada dia, assistimos a inúmeros comentários e reflexões sobre a busca, a partir da Amazônia, de novos caminhos para a Igreja. O grito dos pobres, dos indígenas, da natureza e das mulheres marcou pautas de debate no Sínodo. Além disso, o tema da possível ordenação de diaconisas repercutiu no mundo com vozes a favor e encontra. Não nos cabe analisar aqui esse tema, basta-nos apenas refletir o trecho de Mateus 28,1-10, buscando compreender, à luz da Palavra, a grande confiança que Jesus teve nas mulheres que o seguiam e o seguem. Confiança que, no dia de sua ressurreição, ele mesmo confirmou: Ide anunciar a meus irmãos… 1Após o sábado, no início do primeiro dia da semana, Maria de Mágdala e a outra Maria foram ver o sepulcro. 2E eis que produziu um grande terremoto: o Anjo do Senhor desceu do céu, veio rolar a pedra e sentou-se em cima. 3Seu aspecto era de relâmpago, e sua veste, branca como a neve. 4Com o medo que tiveram dele, os guardas ficaram estarrecidos e como mortos. 5Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: “Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado. 6Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito”. 7Depois, “Ide depressa dizer a seus discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos’. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. É o que tenho a vos dizer”. 8Deixando às pressas o sepulcro, com medo e grande alegria, elas correram para levar a notícia a seus discípulos. 9E eis que Jesus veio a seu encontro e lhes disse: “Alegrai-vos”. Elas se aproximaram dele e abraçaram-lhe os pés, e, prostrando-se, o adoraram. 10Então Jesus lhes disse: “Não temais. Ide anunciar a meus irmãos que eles devem ir à Galileia. Lá é que eles me verão”. Depois da narrativa da morte de Jesus, segue-se o relato da ressurreição. Lembremos que Jesus foi julgado e condenado à morte acusado de crime de blasfêmia (Mt 26,65). Isso ocorreu durante o governo de Herodes (Mt 27,2.14) e quando Caifás era o sumo sacerdote de Jerusalém (Mt 26,3). Era uma sexta-feira quando Jesus foi crucificado. É, portanto, significativo que os relatos da ressurreição comecem com o shabbat. Isso é um aviso de que o grande acontecimento da ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana. No pano de fundo das narrativas, há uma chamada de atenção aos leitores para “algo novo” que está acontecendo. E dele as Marias foram as primeiras testemunhas. Elas tinham ido ao sepulcro, segundo o evangelista Marcos, com o objetivo de embalsamar o corpo (Mc 16,1). Ora bem, mesmo que Mateus refira-se somente a duas mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, como as primeiras a inteirar-se da alegria da ressurreição (v. 1), é obvio que elas estariam junto com outras (cf. Mc 15,40; Mt 27,55; Lc 23,49). Tratava-se daquelas que tinham seguido Jesus desde a Galileia, tinham-no acompanhado em sua paixão e crucifixão, e estado presentes quando o puseram no sepulcro (Mc 15,47; Mt 27,61; Lc 23,55). E, desta vez, recebiam a alegre surpresa: Jesus estava vivo! Embora parecesse muito belo para ser verdade, era verdade! Depois dessa bela experiência, coube a essas mulheres reunir de novo os discípulos e levar a eles a Boa Notícia da ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-8; Jo 20,11-17). O relato mateano está ornado de imagens: “grande terremoto”, “um anjo com aspecto como de relâmpago” e “vestes brancas como a neve”. São imagens que simbolicamente revelam o sentido escondido dos acontecimentos. Trata-se duma linguagem apocalíptica, própria dessa época. Com certeza, quer-se destacar e assegurar a veracidade da grande descoberta: o sepulcro estava vazio. Jesus havia ressuscitado! Estudiosos concordam que o “grande terremoto” pode estar rememorando o acontecido na sexta-feira. Porém, agora, em vez de avisar a morte de Jesus, mostrava a completude de sua missão. Notemos que esse terremoto era de maior proporção que o da crucificação, pois, por meio dele, era comunicada a nós a vitória divina, a prova da nova vida e a confirmação das promessas (Mt 17,9.22; Mc 8,31; 9,31; Lc 9,22). Além disso, o Anjo vindo do céu surgiu pela primeira vez fazendo uso de um poder assustador, vindo do Senhor. Em outras passagens, os anjos aparecem somente como mensageiros da Palavra de Deus (Lc 1,12.19.26; Mt 1,20; 2,13), mas sem usar do poder. O anjo tinha a aparência de um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Isso remete à cena da transfiguração no monte (Mt 17,1-2; Mc 9,2-3; Lc 9,28-29). O anjo falou às mulheres usando dois imperativos: Não tenham medo! Falem! As mulheres que tinham chegado ao sepulcro se deparavam com duas barreiras: a grande pedra que fechava o túmulo e os guardas que tinham sido colocados pelas autoridades para resguardar o lugar. Mas, em vez de lutar contra as barreiras, ficaram perplexas: a pedra fora removida, os guardas ficaram como mortos, e o Anjo, radiante de luz, explicou-lhes a razão. O caminho estava livre, mas Jesus não estava lá, porque havia ressuscitado. As discípulas não tinham entendido que era necessário que tudo aquilo acontecesse para que a promessa de ressuscitar dos mortos se cumprisse. O Anjo as convidou a olhar o sepulcro, para que seu coração se acalmasse e pudessem logo contar aos outros discípulos: Falem! A promessa de ir diante deles à Galileia logo iria cumprir-se. As Marias, com medo e grande alegria, puseram-se a caminho. Tratava-se do medo de quem não estava ainda preparado para ver que aquele que morrera na cruz vivia! Pois bem, indo avisar aos discípulos, encontraram-se com Cristo. Ele as saudou: “Alegrai-vos”. As mulheres corresponderam à saudação, prostrando-se e adorando-o. O fato de adorar é sinal do reconhecimento de que Jesus é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”. Cristo repete às mulheres o que o Anjo lhes tinha dito, mas, no diálogo, existe uma mudança importante: em vez de os chamar de meus “discípulos”, Ele os chamou

Sínodo: missionário verbita defende uma Igreja como rosto amazônico

Neste domingo, 27 de outubro, concluiu-se um dos mais importantes eventos do pontificado do Papa Francisco, no que se refere à América Latina. O Sínodo da Amazônia reuniu no Vaticano centenas de pessoas, entre eles representantes de povos nativos dos nove países que compõem a Pan-Amazônia, missionários e missionárias leigos e consagrados, padres e diáconos, e especialistas de diversas áreas. Entre os convidados estava o padre José Boeing, missionário verbita que trabalha no Pará. Ele representou o superior-geral da Congregação, o Pe. Paulus Budi Kleden. Paranaense, o padre atua na Paróquia São José Operário, em Trairão-PA, e há 29 anos luta pelos direitos dos povos da floresta. Em entrevistas ao Vatican News, o religioso da Família Arnaldina apresenta suas impressões e expectativas quanto ao Sínodo. Igreja feminina Padre Boeing salienta que há um esforço grande para que os leigos sejam sujeitos da missão. “Faltam missionários, mas estamos aqui defendendo uma Igreja ministerial; quer dizer, não queremos somente consultar os leigos, mas que eles tenham o poder de decisão”, defende. Ele relata, por exemplo, que 70% das comunidades cristãs são guiadas por mulheres, sejam religiosas, sejam leigas. Por isso acha justo que o papel delas seja discutido mais profundamente no encontro. Justiça eficiente Também destacou a luta em favor dos direitos humanos. Ele denuncia que o Brasil propaga aos outros países uma criminalização dos movimentos sociais. “As pessoas que lutam são taxadas como inimigas do progresso, do capitalismo, portanto são perseguidos em suas comunidades, sejam líderes sindicais, das associações, inclusive da Igreja”, relata. O missionário defende que a Igreja também incentive que o Estado, por meio do Judiciário, possa julgar efetivamente os crimes. “Nós temos uma impunidade na Amazônia. Não existe boletim de ocorrência, não tem processo. Por isso é fácil eliminar o outro, com interesses econômicos, políticos, sociais”, afirma. E continua: “Que não possamos nos calar diante dessa situação. Que nós sejamos solidários com quem está sendo ameaçado. A Igreja deve, sim, se posicionar e exigir que o Estado assegure o direito das pessoas”. O próprio verbita, advogado e mestre em Direito, já recebeu ameaças de morte. Ele mantém o projeto “Agentes Comunitários de Justiça e Paz”, de incentivo à justiça restaurativa, para ele mais eficiente que a punitiva. Diálogo “Lá já estava o Espírito de Deus”, por isso o Pe. Boeing afirma que os evangelizadores precisam ter uma cuidadosa atitude de escuta, para compreenderem as culturas que eles encontram na Amazônia. “Por que não, na liturgia, falar de um rito amazônico? Respeitando, assim, as culturas e as tradições que lá existem”, propõe. O religioso conta que os verbitas atuam na Região Amazônica desde 1980, com o compromisso de ser uma Igreja inculturada a serviço do povo. “O que a Congregação defende está sendo discutido aqui: diálogo intercongregacional, diálogo inter-religioso, com as culturas, defesa dos territórios, dos povos”, diz ao jornalista Silvonei José Protz, de quem o missionário foi colega no Seminário de Ponta Grossa-PR. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

Movimentos lembram os 40 anos da morte do operário católico Santo Dias

Movimentos eclesiais e sociais recordam, nesta quarta-feira, 30 de outubro, os 40 anos do assassinato do sindicalista católico Santo Dias da Silva. O operário é uma das figuras brasileiras mais emblemáticas na luta pelos direitos humanos e por melhores condições a trabalhadores e pessoas pobres. Ele foi morto aos 37 anos, ao tomar um tiro pelas costas, disparado por um policial militar durante uma manifestação pacífica, na porta de uma fábrica localizada na Zona Sul da capital paulista. A irmã Cecília Hansen, missionária serva do Espírito Santo, conheceu de perto o jovem sindicalista. Ela atua no Comitê Santo Dias, que mantém vivas as lutas defendidas pelo militante e a memória do operário. A religiosa conta que, além do engajamento sindical como metalúrgico, Santo Dias tinha uma intensa atuação cristã. “Já em sua terra natal (Terra Roxa, interior de São Paulo), participou da Legião de Maria, Congregação Mariana e das lutas dos trabalhadores rurais”, relata. A irmã acrescenta que o sempre alegre Santo também foi ministro extraordinário da comunhão e frequentemente visitava os enfermos na periferia de São Paulo. “Em sua fé, sempre se mostrou inabalável, mesmo diante das grandes dificuldades. Seu compromisso com os trabalhadores vem de suas convicções da vivência do Evangelho na vida”, testemunha a missionária. Ao lado da esposa, Ana Maria do Carmo, Santo Dias participou do Movimento Custo de Vida. Em plena ditadura militar, na década de 70, contestava o aumento dos gastos das famílias. Uma das iniciativas mais célebres foi um abaixo-assinado firmado por 1,3 milhão de pessoas, pedindo ao presidente da República a redução dos preços de produtos básicos. A apresentação do documento reuniu cerca de 20 mil pessoas na Praça da Sé, no Centro de São Paulo. Santo também participou ativamente da Pastoral Operária, surgida das reflexões das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). A morte de Santo Dias causou grande comoção à época, conta Ir. Cecília. O cortejo fúnebre reuniu uma multidão em frente à Catedral da Sé, transformando-se numa grande manifestação contra as forças que oprimiam o povo. Imediatamente após o assassinato do sindicalista, foi criado o Comitê Santo Dias. A primeira ação do Comitê foi acompanhar de perto o julgamento do assassino. As sessões no Tribunal foram seguidas pela população. Irmã Cecília relata que, na primeira instância, o autor foi condenado, contudo, mesmo com a clareza de todas as evidências, o policial foi absolvido na segunda. “Criou uma descrença e desconfiança na Justiça. Mostrou que o poder está acima da Justiça. Fiquei indignada!”, lamenta Ir. Cecília. Parques, praças, pontes, escolas e projetos sociais no Brasil e no exterior ganharam o nome do sindicalista católico. Desde 1998, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo concede o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, e a Arquidiocese de São Paulo criou o Centro Santo Dias de Direitos Humanos, que visa a defender a causa de pessoas de diversas comunidades. Programação Para lembrar os 40 anos do assassinato de Santo Dias, uma intensa programação foi organizada em várias partes do Brasil. Em São Paulo-SP, o Comitê promove a Semana Santo Dias 2019. Veja os principais eventos da programação: 30 de outubro (quarta-feira), 14h Ato em frente à antiga fábrica Sylvania e celebração no Cemitério Campo Grande: Rua Quararibeia, altura do nº 200. 2 de novembro (sábado) 24ª Caminhada pela Vida e pela Paz – saída de pontos diferentes até o Cemitério São Luiz. Às 8h, encontro na Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. Encontro no CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular): Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180. 3 de novembro (domingo), 8h Missa dos Mártires – Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. 9 de novembro (sábado) ,10h Roda de Conversa – EMEI Santo Dias da Silva: Praça Michel Mattar, s/nº. 23 de novembro (sábado), 10h Lançamento da 2ª edição do livro “Santo Dias: quando o passado se transforma se em História” – Instituto Cultural de Trabalhadores/as da Zona Sul: Rua Antônio Foster, 100 – Vila Socorro. Outras informações sobre a vida e o legado de Santo Dias, além do programa completo das homenagens em São Paulo estão disponíveis no endereço https://cmpmboicp.wixsite.com/santo-dias Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

À luz do Evangelho Dominical

Neste 30º Domingo do Tempo Comum, a liturgia traz o Evangelho de Lucas (18,9-14), que conta a parábola do fariseu e do cobrador de impostos (chamado também de publicano). O padre Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, reflete sobre o trecho. O cenário é o templo, lugar de oração. Cada personagem relaciona-se com Deus de uma maneira completamente diversa. Jesus chama a atenção daqueles que instrumentalizam a religião e a usam para afirmar a si próprios. Essas pessoas são representadas, na parábola, pelos fariseus. Do outro lado, está o publicano. Este se põe afastado, reconhece sua fraqueza e a necessidade do perdão de Deus. Quem demonstra humildade em sua relação com o Pai volta para casa justificado, atendido em sua prece. Jesus nos ensina que precisamos de uma oração tal como a dos pobres, de total confiança em Deus, conhecedor das limitações humanas. “Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (v. 14). Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e saiba mais.

À luz do Evangelho Dominical

O evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum é uma passagem de Lucas (18,1-8). O texto valoriza a fé e a perseverança na oração. O padre Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, mostra que a cidade, e não o Templo ou a sinagoga, é o cenário escolhido para a parábola de Jesus. Dois personagens representam a realidade daquele tempo e dos dias atuais: um juiz sem ética e sem moral, que não teme a Deus, e uma viúva, representação dos mais fracos. A mulher exige do magistrado um direito, mas o homem exerce seu ofício não por ser sensível à Justiça, um valor importantíssimo para os judeus e cristãos, mas para não ser importunado. E Jesus pergunta: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele?”. Quem grita por socorro, segundo o ensinamento do Senhor, será ouvido, mas sempre no tempo de Deus. Por isso Jesus recomenda firmemente a persistência na oração. O texto finaliza destacando o valor da fé na relação com o Pai. Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e saiba mais.

O encontro com a felicidade (Mt 5,1-12) (2ª parte)

Tal como já vimos, no trecho das bem-aventuranças, condensam-se os ensinamentos que Jesus dá a seus discípulos (Mt 5,1-12). Dessa forma, em cada dito, encontra-se muita riqueza de conteúdo. Por esse motivo, neste breve escrito, daremos continuidade à reflexão publicada em setembro. Entretanto aqui nos deteremos especificamente nos versículos 5 a 12. Quando refletimos a primeira bem-aventurança, vimos que não podemos conceder importâncias às coisas, mas sim a Deus e, portanto, às pessoas. O caminho da felicidade que Jesus nos propõe nos impele a levantar os olhos à “Montanha”, impele-nos a olhar, sem medo, o presente e assumir, com alegria, o compromisso com nossa casa comum. Nesse sentido, a terceira bem-aventurança, “Felizes os que choram, porque serão consolados” (v. 5), não deixa de nos surpreender. Pois ninguém espera pelo sofrimento, mas, com certeza, desejam que as relações o façam sentir-se feliz. Contudo reconhecemos que as relações humanas, quando sustentadas na ótica patriarcal, androcêntrica e mercantil, desumanizam-nos. O risco é acreditar que é “normal” ser forte, dominador e intolerante com os outros. Diante dessa realidade, Jesus nos diz “que felizes são os que choram…”, porque, ao não concordarem com essa forma cruel de entender as relações, sofrem. Mas a dor que se padece buscando outras formas de se relacionar conduz às profundezas da vida. E é tocando nossas profundezas que ressurgimos mais humanos. Dessa forma, essa bem-aventurança de felicidade podemos interpretá-la em nossa atualidade com o seguinte significado: que felizes os que choram diante da dolorosa realidade de exclusão, marginalização, violência, pobreza, injustiça e destruição da casa comum. Porque quem sente a dor do mundo não aceita sua degradação. Que felizes são eles porque não se conformam com os sistemas injustos, os devaneios mercantis e a crescente violência. Porém ousam denunciar e buscar alternativas de vida digna. A partir desse choro é que se encontra a alegria de Deus. Essa bem-aventurança descreve muito bem a Jesus, por isso quem quer ser seu discípulo terá de abraçar esse mesmo caminho de felicidade. As palavras não existem no vazio. Têm uma história inscrita nas experiências de quem as usa: “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (v. 6). Os evangelhos narram que Jesus ia de um lugar a outro, pregando a Boa-Nova. Nessas viagens, com certeza, experimentou a fome e a sede. Além do mais, na Palestina antiga, as condições geográficas e econômicas propiciavam estados de fome e sede extremas. Algo incompreensível nas sociedades atuais, sobretudo as de cunho ocidental. De modo que a fome dessa bem-aventurança não se pode compreender como aquela que se sacia comendo um petisco ou bebendo um refrigerante. Pois se trata daquela fome de quem, durante toda a sua vida, não comeu o suficiente para satisfazer-se. Essa bem-aventurança nos coloca, assim, diante da pergunta: qual é a intensidade real do desejo de justiça que nos anima? Até que ponto estamos dispostos a assumir o compromisso que a justiça demanda Entretanto nos cabe arriscar a diferença entre o conceito antigo e atual de justiça. No antigo Israel, a justiça concebia-se como sendo o valor mais elevado da vida. Sobre tal valor toda a vida se sustentava. Desse modo, a justiça era a base da paz e da benção. Na sociedade atual, porém, a justiça se resume em dar a cada parte o que as leis determinam. Notemos que essa bem-aventurança é exigente e radical, uma vez que não fala de desejar um pouco de justiça atual, mas de desejar a total justiça bíblica. A bem-aventurança em sequência, “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (v. 7), requer pouca explicação, pois suas palavras são já um grande ensino. Dessa forma, basta-nos dizer que a misericórdia é muito mais que sentir piedade do outro. Trata-se da capacidade de nos adentrar no outro, a tal ponto de podermos ver com seus olhos, pensar com sua mente e sentir com seu coração. Numa sociedade individualista, essa bem-aventurança é uma grande luz, pois nos desafia a sair da falsa bondade e do conforto para identificar-nos com o outro. Dessa forma, podemos interpretar essa bem-aventurança como “que feliz é a pessoa capaz de entrar nos outros e sentir com eles, pois sentirá o mesmo dos outros e de Deus!”. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (v. 8). Entendemos que ser puro de coração é aquele que não pratica o mal e cujas intenções são íntegras. Advirtamos que não se trata de viver numa falsa modéstia, mas de identificar-se com Deus e seu projeto. De tal modo, podemos ler essa bem-aventurança assim: “que feliz é a pessoa cujas motivações são completamente puras, porque ela verá a Deus!”. Em consonância está a seguinte bem-aventurança: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (v. 9). No hebraico, paz (shalom) significa tudo aquilo que contribui ao bem-estar integral do ser humano. Portanto essa bem-aventurança não é a aceitação passiva de qualquer situação; antes, é denúncia do mal e promoção da paz. A seguir, temos duas bem-aventuranças cujo tema é a perseguição por causa de Cristo: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, dizerem todo o mal contra vós por causa de mim” (vv. 10-11). Como se pode perceber, os seguidores de Jesus estão sempre em conflito com um mundo que rejeita sua mensagem (Jo 16,2-4.8-11.20.33;17,14-16). Jesus não oculta a conflitividade de quem assume o projeto do Reino, porém procura transmitir um modo de vida que produz alegria e prazer: “Alegrai-vos e regozija-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (v. 12). A dinâmica egocêntrica leva a acumular e possuir para, assim, resistir à insegurança da vida. Entretanto, o dom de Deus inspira e motiva a pessoa para que esta se assemelhe a Ele e apreenda a relacionar-se gratuita e generosamente, como Jesus o fez. Pois quem vive para os outros vive para Deus. Enfim, o

À luz do Evangelho Dominical

O evangelho deste domingo, retirado de Lucas (17,11-19), começa mostrando uma dolorosa realidade no tempo de Jesus e também hoje: o drama das pessoas excluídas, representadas pelos dez leprosos, número que indica grande quantidade. O trecho relata não somente a cura dos dez enfermos, mas a entrega dessas pessoas ao convívio social. Um dos fatos curiosos é que, dos dez resgatados pelo Senhor, apenas um retornou para agradecer. Esse homem era justamente um samaritano, um povo menosprezado. Retornar para agradecer é ato de fé, é conversão, um sinal da vitória da vida sobre a morte. O padre Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, explica que a passagem de Lucas também tem sentido litúrgico, como a celebração da vida e da Eucaristia: um encontro, um pedido de perdão, cantar e dar glória a Deus pela vida, retornar e agradecer: a Eucaristia. Com muita alegria, a Igreja no Brasil celebra também a canonização da Irmã Dulce; a partir de agora, a Santa Dulce dos Pobres. Veja um trecho do documentário “Mãos Carinhosas”, produzido pela Verbo Filmes. No vídeo, a própria santa conta um pouco de sua missão. Imperdível!

II Semana sem Fronteiras

De 30 de setembro a 5 de outubro, a Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo realizou a segunda edição da Semana sem Fronteiras. O tema foi “Descobrindo caminhos para um mundo de justiça e bem comum”. A proposta da Semana sem Fronteiras é reconhecer e unir em torno do carisma missionário as quatro escolas localizadas em diferentes Estados (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). O carisma nos ajuda a entender que nada deve nos separar e que construir pontes deve ser a nossa grande missão. Por esse motivo, as irmãs servas do Espírito Santo estão presentes em todos os continentes e em quase 50 países, para nos ajudar a entender que, para fazer o bem, não devemos impor limites e precisamos estar sempre “em saída”.  Na primeira edição, em 2017, a cada dia, olhamos para um continente e para suas peculiaridades. Neste ano, toda a comunidade educativa, em especial os alunos, foi convidada a voltar o olhar para cinco países, os quais puderam conhecer mais intensamente: Papua-Nova Guiné, Holanda, Indonésia, Etiópia e Venezuela. Realidades variadas em diferentes continentes que se apresentaram cheios de surpresa, curiosidades e peculiaridades. Os resultados de um trabalho feito, desde o início do ano, pelos alunos e professores foram vistos e compartilhados como abertura do Mês Missionário Extraordinário. Pesquisas, arte, criatividade, cultura, dedicação e missão: uma viagem além-fronteiras de descobertas surpreendentes e de aprendizado sobre a atuação das irmãs, bem como questões ambientais, sociais e culturais de cada país proposto. Agradecemos a todos pela segunda edição da Semana sem Fronteiras ter sido um sucesso! Confira os melhores momentos no álbum e, a seguir, conheça um pouco mais dos países: PAPUA NOVA-GUINÉ Ação das irmãs  Em 1899, um grupo formado por quatro irmãs missionárias servas do Espírito Santo foi a Papua-Nova Guiné, com o objetivo de escolarizar e introduzir trabalhos pastorais em paróquias. Atualmente, a missão concentra esforços nas áreas da saúde, educação e trabalhos sociais. As irmãs atuam no processo de evangelização das comunidades, auxiliam os doentes com HIV, além de apoiarem mulheres, jovens e crianças vítimas do tráfico humano.  Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=HcARaxj2B28. Ambiental  É o segundo maior país da Oceania. Apresenta clima equatorial e muitas florestas tropicais com grande biodiversidade. É constituído por várias ilhas, algumas estão sendo submersas devido à elevação das águas oceânicas ocasionada pelo aquecimento global.   Social  A maioria dos habitantes de Papua-Nova Guiné vive abaixo da linha de pobreza. A taxa de mortalidade infantil no país é de 49 para cada 1000 nascidos vivos. Os serviços de saneamento básico são precários e destinados a menos de 45% das residências. O índice de analfabetismo é de 45,8%.   Cultural  Culturalmente, é um dos lugares mais heterogêneos do planeta e com maior diversidade linguística do mundo. Apresenta cerca de 850 línguas diferentes. A religião aborígene é predominante, mas há outras, como o catolicismo e o protestantismo. HOLANDA Ação das irmãs A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada por Santo Arnaldo Janssen em 1889, em Steyl, Holanda, com o auxílio de Madre Maria Helena Stollenwerk e Madre Josefa Stenmanns, duas mulheres de fé que hoje são reconhecidas pela Igreja como bem-aventuradas. Ambiental Conhecido mundialmente por suas flores, vacas, moinhos e diques, o país se destaca por proteger a natureza, cuidar do meio ambiente e atender aos ditames ambientais. A fim de evitar atropelamentos, diversos “ecodutos” foram construídos em locais que têm estradas próximas a hábitats, para que animais atravessem com segurança. Para diminuir a quantidade significativa de emissão de gases causadores do efeito estufa, as bicicletas constituem o principal meio de transporte interno.    Social O sistema educacional holandês está entre os melhores do mundo. O governo mantém escolas públicas e financia instituições privadas. O sistema penitenciário é praticamente inexistente no país, graças aos índices baixíssimos de criminalidade.    Cultural  Os Países Baixos detêm a maior concentração mundial de museus por habitante. Lá pessoas com boa situação financeira dificilmente têm empregadas domésticas. Cada um cuida da própria casa, sendo de classe baixa até média alta. E, diferentemente do Brasil, não existem cachorros de rua na Holanda. ETIÓPIA Ação das irmãs As missionárias servas do Espírito Santo atuam em vários países do continente africano. Na Etiópia, estão desde 1994, quando foram para trabalhar nas áreas da saúde, educação e assistência social. A ação das irmãs nessa região está voltada para o acolhimento de crianças com trajetória de rua, para a catequese, para o desenvolvimento de programas de prevenção da aids e emancipação das mulheres, para o diálogo ecumênico entre católicos e ortodoxos, etc.    Ambiental O país tem algumas reservas conhecidas de metais preciosos e outros recursos naturais, como ouro, potássio, gás natural, cobre e platina. Além de todas essas riquezas, existe também um vasto potencial para a geração de energia hidrelétrica. No entanto o país sofre com secas periódicas e apresenta a mais alta temperatura média do planeta.   Social A Etiópia é o segundo país mais populoso do continente africano e um dos mais pobres e com problemas de abastecimento de comida do mundo. Apresenta economia centrada majoritariamente no setor primário, com destaque para a agricultura. Quase metade da população vive abaixo da linha da pobreza, o que se agrava com as elevadas desigualdades sociais e a falta de investimentos em infraestrutura, educação e saúde.    Cultural Protegida como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, a República Democrática Federal da Etiópia tem raízes africanas, muçulmanas, judaicas e cristãs. Para os etíopes, comer é um ato que deve ser realizado coletivamente. Existem noventa línguas faladas na Etiópia, mas a predominante é a amárica. Os outros idiomas falados no país são originados das línguas afro-asiáticas, dos ramos cuchítico ou semítico. VENEZUELA Ação das irmãs As irmãs missionárias servas do Espírito Santo não estão presentes fisicamente nesse país, contudo reconhecem a necessidade e o compromisso missionário com nossos irmãos venezuelanos diante das necessidades que esse povo vem enfrentando, acolhendo-os no Centro de Integração do Migrante (CIM), em São Paulo-SP.    Ambiental A Venezuela é um país conhecido

Abertura do Mês Missionário Extraordinário

No dia 1º de outubro, junto com toda a Igreja, demos início ao Mês Missionário Extraordinário. No Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, os alunos do Curso de Teologia para Leigos e as irmãs da comunidade fizeram uma breve, mas significativa celebração de abertura, a fim de marcar este importante período. As cinco turmas do curso se concentraram na entrada do Convento e, cantando, caminharam para a varanda do Centro Missionário. Eles levaram alguns símbolos: a bandeira com a frase “Batizados e enviados”, a Cruz Missionária, a Bíblia, o globo e a vela. Alunos e irmãs se distribuíram na varanda, enquanto membros da equipe do curso com as pessoas que levavam os símbolos ficaram no jardim, bem ao centro, de modo que todos podiam vê-los. Os padres Oswair Cavalheiro, coordenador da Comissão Missionária Diocesana de Santo Amaro (Comidi), e Francisco das Chagas, ambos da equipe de coordenação do curso, fizeram uma breve introdução sobre a importância do Mês Missionário. Eles lembraram Santa Terezinha e São Francisco Xavier, padroeiros das missões. Os presbíteros também convidaram todos a rezarem juntos a oração do Mês Missionário. A celebração foi uma surpresa para os alunos que, já na entrada, foram recepcionados na porta da capela com um banner sobre o Sínodo da Amazônia e um arranjo com os símbolos missionários. Após a oração, todos foram para suas respectivas salas, para dar continuidade às aulas de Bíblia, Mariologia, Sacramentos, Cristologia, Teologia Moral e Doutrina Social da Igreja. O curso está com aproximadamente 200 alunos. A primeira turma já está preparando a formatura, marcada para dezembro, após três anos de estudos nas terças-feiras à noite. Um dos alunos, Sérgio Mauro Antunes, disse que a celebração de abertura do Mês Missionário Extraordinário no Curso de Teologia motivou a responder ao pedido do Papa Francisco, de sempre seguirmos as palavras de Jesus: “Ide e fazei discípulos todos os povos”. Entusiasmado, Sérgio afirmou: “Devemos ser multiplicadores da palavra de Jesus, da Boa-Nova, espalhando e distribuindo sempre o seu amor. E a celebração antes da aula fez nos lembrar exatamente disso”.

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