Comunicação não violenta: uma linguagem de paz num mundo de conflitos

Muita gente, ao escutar sobre comunicação não violenta (CNV), entende que estamos falando de pessoas que são mal-educadas, que gritam, respondem de forma agressiva, etc. Com essa compreensão, dizem: “Isso não é para mim. Sou uma pessoa educada”. Aí há um engano! A CNV não é sobre ser bonzinho e falar baixinho com muita educação e dizer o que as pessoas desejam ouvir, para evitar conflitos. Muito pelo contrário! Um dos pilares da CNV é a autenticidade. A CNV foi desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a partir da década de 1970, e vem ajudando pessoas a transformar, pacífica e efetivamente, conflitos em 65 países, nos âmbitos pessoal, organizacional e político. Ele estudou e trabalhou com Carl Rogers, psicólogo e desenvolvedor da abordagem centrada na pessoa. Muito do processo da CNV recebeu influência da investigação de Rogers sobre os fatores que melhoram os relacionamentos. Marshall nos provoca especialmente com três perguntas: “O que está vivo em você agora?”; “O que podemos fazer para tornar a vida mais maravilhosa?”; “Você prefere ter razão ou ser feliz?”. A abordagem da CNV é um processo contínuo de conexão conosco e com as outras pessoas. As perguntas acima dizem respeito a essa conexão. Nessa busca, dois movimentos são importantes em relação à intenção e à atenção. A intenção para a conexão é “quero compreender você e ser compreendido, compreendida”. Na CNV, a intenção não é mudar outra pessoa. E a atenção diz respeito a estar presente, estar por inteiro diante de outra pessoa, grupo e nós mesmos. Isso quer dizer que é necessário um movimento interno de autoconhecimento e uma predisposição interna para acolher o outro. Para criar conexão, é essencial investir na autocompaixão, empatia e autenticidade. A compaixão diz respeito à inclusão, aceitação e integração. A empatia refere-se a entender a perspectiva do outro, com a verdade do outro, da escuta ativa e do não julgamento. E a autenticidade fala da expressão do que realmente sentimos e de nossas necessidades. A CNV se baseia na escuta empática e na expressão autêntica. Dizer “o que está vivo em mim agora” é falar de meus sentimentos e minhas necessidades. Aprendemos a falar o que pensamos e raramente falamos o que sentimos e do que necessitamos, com empatia e compaixão. A girafa é um símbolo da CNV e representa a linguagem-padrão natural de falar e escutar a partir do coração e com ampla perspectiva. Essa linguagem deseja ser autorresponsável (criar compreensão mútua) e conectar-se consigo e com os outros. Na CNV, o chacal simboliza o padrão habitual de ataque, defesa ou fuga. A linguagem do chacal quer mudar o outro, controlar, punir e ser dona da verdade. É uma linguagem de acusação, leva tudo para o pessoal, sempre encontra um culpado que, adivinhem, é o outro. O processo da CNV tem quatro passos que nos ajudam a transformar reações automáticas em respostas conscientes: 1) observar o que está afetando nosso bem-estar, sem julgamentos e interpretações; 2) identificar sentimentos em relação ao que observamos; 3) identificar necessidades que dão origem a esses sentimentos; 4) fazer o pedido claro do que gostaríamos que fosse feito. As necessidades humanas universais são necessidades comuns a qualquer pessoa, por isso são universais (autonomia, segurança, apoio…). O que varia de um indivíduo para o outro é sua manifestação e a maneira de atender a essas necessidades. Os conflitos geralmente ocorrem entre as estratégias. A prática da CNV visa a buscar estratégias para atender às necessidades de TODOS. Ao escutarmos as necessidades e sentimentos dos outros, há uma abertura para a conexão. Nada é mágico. É um exercício e, conforme o aprendemos, nós nos desarmamos e interrompemos a agressividade, minha e a do outro. Vale lembrar que é preciso querer a conexão. Às vezes, você quer, e a outra pessoa não quer. Se você escolheu, não desista. A CNV ajuda a reduzir hostilidades, curar a dor e fortalecer relacionamentos pessoais e profissionais. Se você optou pela conexão, é importante enxergar o ser humano que está do outro lado ou atrás da mesa, na direção de um cargo, no lugar da mãe, do pai, do irmão, da vizinha… Ele é um ser humano e, como todos nós, tem sentimentos e necessidades. Tentar empaticamente identificar esses sentimentos e necessidades pode facilitar uma conversa difícil. Às vezes, você vai perceber que vocês têm as mesmas necessidades, e o que está em conflito são as estratégias. Isso vai facilitar a conversa. Referências MORRISON, Jean. A linguagem da girafa: um passeio divertido pelos fundamentos da comunicação não violenta. São José dos Campos: Colibri, 2019. ROSENBERG, Marshall. A linguagem da paz em um mundo de conflitos: sua próxima fala mudará seu mundo. São Paulo: Palas Athena, 2019. Sandra Mara Resende Pereira, pedagoga, especialista em Teologia Pastoral, mediadora de conflitos, facilitadora de CNV e círculo de mulheres, coaching logoterapêutica, coaching das emoções, graduanda em Psicologia, idealizadora e responsável pelo Espaço Flor de Lótus: educação, espiritualidade e autoconhecimento. Facebook: sandra.resende.54584.

Uma nova masculinidade, menos violenta

Em uma sociedade não violenta, e neste texto preferirei o termo menos violenta, parece-me importante compreender não apenas aspectos individuais que compõe uma pessoa violenta neste século XXI, como estresse, impaciência, ansiedade e mais. Prefiro entender a violência como algo que fala também, e principalmente, de relações humanas. Como quem afirma que “não se é violento sozinho, mas na relação com o outro”. Ou seja, existem aspectos econômicos, sociais, culturais que se referem à relação de um humano com outro que também podem contribuir na composição de uma pessoa violenta. Assim, vou destacar dois tipos de violência que costumam causar grande comoção social, a violência contra mulher e a violência sexual contra crianças e adolescentes. Os dados das duas últimas edições do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2018 e 2019), que faz um levantamento dos registros de boletins de ocorrência das Secretarias Estaduais de Segurança Pública e, ou, Defesa Social de todos os Estados e do Distrito Federal, mostram que o número de vítimas de feminicídio (quando o homicídio de uma pessoa ocorre por ela ser mulher) no Brasil aumentou de 929, em 2016, para 1.206, em 2018. Isso equivale a dizer que três mulheres são vítimas de feminicídio por dia no País. E o número de registros de lesão corporal dolosa, considerada como violência doméstica (a violência que ocorre dentro da casa da vítima), foi de 194.273, em 2016, para 263.067, em 2018, o que equivale dizer que, a cada dois minutos, uma mulher foi vítima de violência doméstica no Brasil. Sabe-se que, em se tratando de feminicídio, em 88% dos casos, o autor foi o companheiro ou ex-companheiro da vítima, conforme índices de 2018. A última edição do Anuário destaca o perfil dos estupros no Brasil e indica que esse crime aumentou de 43.869, em 2011, para 66.041, em 2018, sendo 63% destes considerados estupros de vulneráveis, ou seja, praticados contra crianças ou adolescentes. A faixa de idade mais vitimada foi a de 5 a 13 anos. Em comum, na maioria dessas violências, não está apenas o fato de serem contra mulheres ou meninas, ou de serem praticadas por homens, mas também de ocorrerem na casa da vítima e efetuadas por homens de sua confiança, que lhes deviam afeto ou mesmo cuidado, no caso de crianças e adolescentes. Por isso parece importante que, ao refletir sobre essas violências, e em uma sociedade menos violenta, consideremos como o homem deste século exerce sua masculinidade. Nós, homens, crescemos aprendendo, ou melhor, ouvindo que “em mulher não se bate nem com uma pétala de rosas”. Buscaram nos ensinar a cortejar a mulher, oferecer-lhe flores, abrir-lhe a porta do carro. A sociedade se responsabilizou em ensinarmos que a mulher é mais frágil, e por isso cabe ao homem protegê-la. E mesmo quanto a crianças e adolescentes, essa mesma lógica se estende, e o homem assume a responsabilidade de chefe de família, responsável pela provisão da casa. Assim se constrói a masculinidade, quase que como um contrário da feminilidade da mulher: homem forte, mulher fraca; homem valente, mulher medrosa; homem bruto, mulher dócil; o homem poderoso, mulher submissa. Sem saber dos números de violência aqui descritos, a filósofa Simone de Beauvoir e outros pensadores já defendiam que a masculinidade desta época foi ensinada não apenas como diferente da feminilidade, mas sim como superior a ela. Por isso o homem que é fraco, medroso, dócil ou submisso é chamado de “afeminado”. Ele é menos homem e por isso ele “perde seu valor” diante da sociedade machista. E essa reflexão tem tudo a ver com as violências descritas, pois dizem do lugar que a mulher ocupa em relação ao homem: um lugar de desigual, de menor valor. Por isso não basta nos chocarmos com os inúmeros casos, e digo isso porque os dados aqui apresentados são apenas com relação aos registros de boletim de ocorrência e não se referem às violências que ocorrem, há anos, em absoluto sigilo, no ambiente privado dos lares. Precisamos reconhecer que a masculinidade deste século precisa se reinventar, talvez não sobre o princípio da superioridade sobre a feminilidade, mas sim considerando as simples diferenças, não na concorrência, mas na cumplicidade entre elas. Uma nova masculinidade que vá, de fato, no sentido de uma sociedade menos violenta. Everton Borges, assistente social no Projeto Construindo Novos Valores, do Instituto Novos Valores.

Testemunho de um missionário verbita que se evangelizou com sua missão

São José Freinademetz nasceu na Itália, nas Montanhas das Dolomitas, no Tirol. A formação de suas raízes religiosas primariamente foi feita pelas devoções de sua família. Diariamente, rezavam o rosário nas intenções missionárias. Mais tarde, sentindo a vocação ao chamado sacerdotal, fez os estudos de Teologia no seminário de Bressanone. Depois de um tempo, sentiu que sua vocação era ser missionário e conheceu a Congregação do Verbo Divino. Foi para Steyl, Holanda, onde Santo Arnaldo Janssen estava fundando a Congregação. O primeiro passo foi dado enquanto José Freinademetz superava os obstáculos dos idiomas. Ele era ladino, com sua própria língua, foi estudar Teologia em Alemão e, em sua região, também se fala italiano. O missionário foi enviado para a China por sua Congregação do Verbo Divino. Ele sempre foi pessoa simples e humilde, verdadeiro homem de Deus. Sabia que era para sempre e que não voltaria para suas montanhas. Ele levava no coração o envio para evangelizar outros povos. Chegando à China, teve problemas em aprender outra língua e cultura, além de enfrentar um mundo hostil a uma evangelização colonialista daquele tempo. Até na própria comunidade, nem sempre foi fácil a convivência. Mas o missionário, dotado de uma fé profunda e com uma vontade férrea em propagar a Palavra de Deus, foi superando as muitas dificuldades. Naquele ambiente, o padre José foi descobrindo que o Espírito Santo atua por meio das pessoas e culturas para as quais havia sido enviado, passando por sua própria conversão primordialmente. Santuário Quando voltei de minha missão no Paraguai para trabalhar na Itália, foi-me proposta a construção do Santuário, com uma igreja, museu e hospedagem para grupos de retiro. No primeiro momento, achei que era uma grande pretensão poder contribuir para essa obra no lugar onde o santo tinha marcado a vida de muitas pessoas. Com o tempo, aceitei o desafio, porque senti que era um processo pelo qual eu poderia me identificar com os valores aprendidos na missão e que enriqueceriam os peregrinos que passavam por Oies, na busca de um lugar tranquilo onde poderiam rezar e meditar a vida missionária com o exemplo de São José Freinademetz. Um ambiente sossegado, onde as pessoas vão ao encontro com elas mesmas e se abrem à escuta de Deus. Gostei dessa motivação que estimulou minha caminhada como verbita missionário, podendo incluir um testemunho que é muito animador e inspirador na obra de Deus. A cada vez que vou à Itália, passo vários dias na Casa do Santo, buscando entender como ele segue acompanhando a mim e a tantos outros verbitas e peregrinos em busca de respostas valiosas, até o dia de hoje, aos desafios na missão. É uma graça que Deus me proporciona quando sinto essa aproximação e que me guia no dia a dia, no meio de um discernir o que é de Deus e o que posso abandonar. Daqui, vejo o quanto são importantes os testemunhos de vida que deixamos trilhar neste mundo e que fazem a diferença de uma vida plena, com uma espiritualidade com o pé no chão, perto do povo, percebendo a vontade de Deus em nossa vida. Agradeço essa possibilidade de comunicar, com carinho e alegria, o que me faz mais verdadeiro como missionário verbita. Irmão Paollo Delucca, SVD.

Aposentei… será?

Muitas pessoas que conheço nutrem um enorme desejo de, um dia, ancorados por uma estabilidade financeira, quererem saborear os frutos da aposentadoria. Um desejo justo, já que o trabalho e todas as obrigações atreladas à atividade profissional exigem e acompanham os indivíduos por toda uma vida. Creio, contudo, que esse sonho, se olhado com mais critério, poderá trazer certo desespero quando ele se realizar de fato. Existe uma parcela da população que já transita por esse lugar. Após anos de dedicação em escritórios, escolas, empresas e demais áreas de atuação, veem-se desprezados e improdutivos. Falo isso por experiência própria, pois venho de uma família que batalhou muito para usufruir conquistas importantes. Um imóvel para morarmos, um carro para viagens e emergências e até mesmo a aquisição de uma linha telefônica que, à época, custou muito caro para nosso padrão econômico. O tempo foi passando, nós, os filhos, fomos crescendo e demos início à nossa jornada. O barulho de antes, com brincadeiras, música alta e pedidos comuns de qualquer criança – “MÃE, TÔ COM FOME!”, “MÃE, O EMERSON NÃO QUER ME EMPRESTAR A BOLA!” – foram substituídos por dias menos barulhentos, por refeições mais tranquilas, e a casa passou a ser reflexo do presente de meus pais. Eles deixaram de ser pai e mãe e se transformaram em avós, que já não tinham o mesmo vigor físico de antes. Iniciaram um processo de inércia e tristeza. Chegava a machucar o coração quando ouvíamos nossos pais dizerem: “Nossa, ainda lembram que têm pai e mãe?”. Fomos percebendo que estavam desanimados e infelizes, pois já se viam com a obra de suas vidas acabada. Até que um dia, despretensiosamente, um convite chegou a seus corações: “Dona Marlene, sr. Joel, vocês teriam um tempinho na semana para nos ajudar a montar algumas cestas básicas que serão entregues aos carentes da Favela do Moinho?”. Como um sopro de vida, aquele simples convite feito pela Pastoral Social de nossa comunidade religiosa devolveu a meus “bons velhinhos” a alegria de uma vida em doação. Já haviam se dedicado tanto a cuidarem de nossa educação que essa missão ainda estava latente e necessitava ser revisitada. Daquele primeiro convite para montar algumas cestas básicas, eles foram descobrindo que poderiam contribuir com a vida de muitas famílias nos serviços da Igreja, como ministros da comunhão, como palestrantes do Encontro de Casais com Cristo, fazendo lanche e cuidando de crianças na festa de Nossa Senhora Aparecida… Hoje, algumas caixinhas de remédios estão aposentadas no fundo de uma gaveta, quase esquecidas, da mesma forma que aquelas lembranças que antes serviam apenas para roubar o sorriso de meus pais. O ócio que nasceu com o fim do trabalho formal deu espaço à alegria de servir os necessitados. Parafraseando Jesus, muitas ovelhas, de outros redis, também foram alcançadas. Hoje dificilmente encontro meus pais em casa. Estão pelo caminho, lançando as sementes que tanto nos ensinaram a cultivar. Acredito que essa é uma realidade imutável. O trabalho é parte integrante e necessária para a realização de cada pessoa. Temos de entender que a percepção do trabalho atualmente não está unicamente relacionada ao formal, e sim a todas as atividades realizadas pelo homem, que busca o crescimento de si e do outro, com ou sem remuneração. Essa ação laboriosa cria um caminho para a alegria e criatividade, fazendo fecundo o solo dos sonhos e da realização pessoal. Max de Oliveira Faria, professor de Filosofia, Ensino Religioso e Educação Física; especialista em Educação Escolar e Grupos Especiais; membro da Equipe da Dimensão Missionária do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

Crime ambiental de Brumadinho completa um ano

Exatamente às 12h29min de 25 de janeiro de 2019, ocorria um dos maiores crimes ambientais da história. Nesse horário, rompeu-se a Barragem I da Mina Córrego do Feijão, no Município de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG. Em número oficiais, a tragédia vitimou 270 pessoas, sendo que, até o dia 31 de dezembro último, 13 destas permaneciam desaparecidas. Isso sem contar o incalculável dano ambiental, o que refletirá, por muito tempo, até em áreas bem distantes da barragem. A palavra “crime”, usada por organismos estatais, civis e mesmo a Igreja, não é um exagero. A Companhia Vale, responsável pelo empreendimento, parece não ter se preocupado em proteger a vida dos próprios trabalhadores e das pessoas que viviam no caminho da lama. Conforme investigações realizadas pelo Poder Público e outros profissionais de diversas áreas, a Vale sabia dos riscos do colapso da barragem e até mesmo já tinha na ponta do lápis o número de mortes que ela poderia causar: 214, segundo a Polícia Federal, que teve acesso aos relatórios. Tudo em números frios, tal como manda a idolatria do insaciável deus-mercado. Um relatório da PF, divulgado no fim de novembro último, mostra que a empresa TÜV SÜD não poderia ter emitido, em setembro de 2018, um aval de segurança da barragem de rejeitos de minério de ferro. Se o laudo da empresa tivesse dado um quadro real dos riscos, as autoridades poderiam ter se preparado melhor para minimizar os danos de uma possível tragédia. O Estado de Minas Gerais vem registrando esse tipo de crime desde que começou sua atividade minerária, no início do século XVIII. Um caso icônico ocorreu em 1884. Numa mina de ouro de Itabira da Serra, atual Itabirito, também nos arredores da capital, mais de cem trabalhadores ficaram presos dentro de uma galeria, após o desabamento de uma rocha. Como não havia tecnologia para abrir uma passagem para resgatá-los, a “solução” foi inundar o espaço, sacrificando todos os que gemiam no fundo da terra. As lições não foram aprendidas, em nome dos “benefícios” que a mineração leva à economia do Estado. Decisão inédita A Companhia também é acusada de outro crime, acontecido na tarde de 5 de novembro de 2015, em Mariana-MG. Dezenove pessoas morreram, e a bacia do Rio Doce, que passa por Minas Gerais e Espírito Santo foi contaminada. A Vale, juntamente com a anglo-australiana BHP Billiton, era responsável pela Samarco, que geria a Barragem do Fundão, zona rural da cidade história. A Justiça Federal decidiu não responsabilizar pelo crime os executivos. Se o julgamento não for revertido, ninguém responderá pelas mortes. Mas o caso foi denunciado ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). Em dezembro passado, o órgão considerou o crime ambiental como sendo também contra a humanidade. Essa é a primeira decisão desse tipo no Brasil e pode servir de base para representações contra o País em tribunais internacionais. Feridas que não cicatrizam Não há dúvidas de que as centenas de famílias das vítimas do crime ocorrido em Brumadinho precisarão ter muita força para, pelo menos, aliviar a dor das perdas de seus entes queridos, de suas histórias. Houve muitos outros danos, além dos humanos. Hortas, granjas e pastos às margens dos cursos d’água atingidos foram danificados. O comércio sofreu um forte golpe e nem mesmo o simpático Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico de Inhotim, lugar único no mundo, conseguiu devolver a vida aos eixos. A pacata Brumadinho, com cerca de 40 mil habitantes, já não é mais conhecida por seu museu, pelas festas, pelas construções históricas nem pelas alturas da serra do Rola Moça, local obrigatório para os adeptos do voo livre. Depois da tragédia, quando se fala na cidade, logo vem à mente as cenas da lama avermelhada e do esforço dos bombeiros para procurar as vítimas. A operação de resgate, aliás, prossegue e já é considerada a maior da história do Brasil. Deus ao lado dos sofredores Passado um ano, falta muito para que as famílias tenham acesso a indenizações devidas e justas. Aos poucos, os holofotes começam a se apagar. É importante que os missionários e outros profissionais que visitaram as famílias nos primeiros dias, rezando com elas e ouvindo-as, não deixem esfriar o ânimo. Também é essencial continuar acompanhando as investigações e exigindo das autoridades a punição aos responsáveis pelo crime, calculado e frio crime. O Deus, que é justo e está ao lado dos sofredores, console aquele povo, suas famílias, seus trabalhadores. De nossa parte, não permitamos que as trevas vençam as luzes. Brumadinho precisa voltar a ser o lugar da vida, da arte, das festas e de voos livres, bem livres. Sementes de esperança Luiz Felipe Ricobom de Sousa, aluno do 9º ano do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, partilha um poema. A reflexão é fruto da experiência vivida na “Missão sem Fronteiras”, realizada em junho de 2019. Do alto daquele monte,vejo casas, ruas, praças, a igreja,o menino indo estudar.Do alto daquele monte,mineradores indo almoçar. De repente, a lama cobriu as histórias daquela gente.De repente, nada estava mais lá.Quanto valem as vidas ceifadas?Quanto vale o preço da gente?E o risco em toda Minas ainda é iminente. Flor da esperança brota em meio à lama.Brota no suor do bombeiro,na atitude voluntária que canta,nas cordas do violeiro. Todos juntos, no mesmo ideal,mãos dadas contra a impunidade,a barragem vai virar ponte,e o sonho de justiçaé um sonho de realidade. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

O Ensino Religioso e o respeito à diversidade

O diálogo, a tolerância entre as pessoas de diferentes crenças religiosas é o princípio de uma convivência pacífica entre todos. Como professora de Ensino Religioso, certo dia, deparei-me com um aluno que não gostava da disciplina, por pensar que seriam ministrados nas aulas conteúdos relacionados a Deus, por ele não acreditar. E ele então me fez a seguinte pergunta: “O que se aprende em Ensino Religioso?”. Apesar de você pensar que se fala sobre Deus, a disciplina aborda sobre a diversidade religiosa como área de conhecimento, sobre valores praticados com o próximo e a formação da cidadania. O amor ao próximo é um dos deveres mais importantes do ser humano. É uma das formas mais bonitas de demonstração de carinho, afeto, solidariedade e compaixão. O respeito constante à diversidade de um modo geral, para a construção de um mundo de paz.  A partir de uma aula em que foi transmitido o filme “Extraordinário”, o aluno percebeu que o Ensino Religioso não era uma aula que falava somente sobre Deus e sim uma oportunidade na qual podemos ampliar o conhecimento de nós mesmos e de nosso semelhante, estabelecendo relação democrática e humanizadora. O Ensino Religioso não é espaço de doutrinação e proselitismo religioso. Atualmente a disciplina é um componente curricular da educação básica e tem uma área de conhecimento referencial, a Ciência da Religião. É ela quem provê os referenciais epistemológicos e metodológicos para um ensino sobre a religião como aspecto da cultura. É aqui também que se dá o processo de formação de professores para atuarem com o Ensino Religioso no ensino fundamental. O desafio é superar as tradicionais aulas de Religião e inserir conteúdos que tratem da diversidade de manifestações religiosas, que se expressam por meio de lugares sagrados, ritos, festas, símbolos, textos, entre outros. No Ensino Religioso, portanto, os conteúdos devem ser significativos, e os encaminhamentos metodológicos devem levar os alunos a uma contextualização da realidade cultural, religiosa, política e social, bem como ao exercício do diálogo, da criticidade e da reflexão. O Ensino Religioso é uma disciplina que colabora para o desempenho de cidadãos que saibam conviver com as diferenças religiosas e culturais, respeitá-las e valorizá-las. Deve contribuir para formar alunos críticos, conscientes, que saibam amar e cuidar da vida. Rogélia Aparecida de Rezende, pedagoga e professora de Ensino Religioso no ensino fundamental I, no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.

Uma comunidade a serviço da juventude

A Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG, tem como missão a formação das jovens que desejam entrar para a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Nos últimos anos, o lugar acolheu as aspirantes e as postulantes de primeiro ano, introduzindo as jovens vocacionadas no estilo de vida comunitária e preparando-as para os passos seguintes da formação inicial. Você já imaginou como uma jovem se torna uma missionária SSpS? Neste vídeo, você vai ter uma ideia de como é pelo menos nas etapas iniciais. Você vai poder ver como é o cotidiano da vida comunitária e da missão. As jovens partilham também seus sonhos e suas buscas, enquanto as irmãs apresentam os desafios e a proposta da comunidade. Você vai perceber que a diversidade de cultura e de idades também fazem parte da formação numa congregação internacional, e grande parte do processo de formação se dá na convivência comunitária. É claro que as jovens estudam e fazem cursos, mas é no dia a dia que vão aprendendo as atitudes e o jeito de ser de uma missionária serva do Espírito Santo. Nesse sentido, é importante o testemunho e a presença de Ir. Giselda Kerber que, aos 83 anos (quando o vídeo foi gravado), dá um show de dedicação à missão. Assista ao vídeo:

Um santo que enxergava longe

Arnaldo Janssen nasceu em 15 de janeiro de 1837, em Goch, Alemanha, numa família profundamente religiosa. Foi ordenado padre em 15 de agosto de 1861 e dedicou-se ao ensino de Ciências e Matemática. Por sua piedade e devoção ao Sagrado Coração de Jesus, foi nomeado diretor diocesano do Apostolado da Oração. Apesar da perseguição religiosa, Arnaldo inaugurou, em 8 de setembro de 1875, em Steyl, Holanda, a primeira casa missionária da Congregação do Verbo Divino. Sentindo a necessidade da presença da mulher na missão, especialmente junto às famílias, deu início à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS) no dia 8 de dezembro de 1889. Em 1896, completou sua obra missionária, com a fundação do ramo contemplativo, a Congregação das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP). Pela adoração permanente do Santíssimo, intercede pela Igreja e pelas outras duas congregações missionárias. Santo Arnaldo faleceu em 15 de janeiro de 1909. Sua total entrega à vontade de Deus foi abençoada pelo crescimento contínuo das comunidades por ele fundadas. No dia 5 de outubro de 2003, o Papa São João Paulo II o canonizou. O Sagrado Coração de Jesus Para Santo Arnaldo, o coração era o centro da espiritualidade. No coração de Jesus, o amor incondicional de Deus Pai foi revelado e, na força do Espírito Santo, Jesus anunciou esse amor às pessoas, convidando-as a participar do Reino de Deus. O pensamento da morada da Trindade no Coração de Jesus moldou toda a vida de Arnaldo Janssen, sua orientação para a missão, seu desejo de glorificar a Deus Uno e Trino, de seguir Jesus e colaborar com o anúncio do Evangelho para “Que todos os povos cheguem a conhecer o Pai amoroso e sua infinita misericórdia e possam, desde já, partilhar na comunidade da Trindade”, como costumava dizer. Como jovem padre, Arnaldo percorria toda sua diocese para propagar o Apostolado da Oração. Para ele, conformar a própria vida de acordo com o projeto de Cristo, “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10), era a melhor devoção ao Coração de Jesus. Com Santo Arnaldo, aprendemos que tão importante quanto a veneração do Divino Coração de Jesus é tornar nosso coração semelhante ao do Senhor, seguindo Cristo no pensar, no agir, na oração, no amor ao Pai e no amor à humanidade. Por isso, Arnaldo sempre rezava: “Viva o Coração de Jesus nos corações de todas as pessoas!”. À frente de seu tempo Além de fundar as três congregações, Arnaldo Janssen foi um homem de visão muito à frente de sua época. Ele deixou inúmeras contribuições por meio de seu intenso apostolado, uso da imprensa e serviço à Igreja como um todo. Entre as principais contribuições de Santo Arnaldo, podemos destacar a formação da consciência missionária entre os católicos alemães de seu tempo, a divulgação da importância do ecumenismo, a promoção do apostolado leigo, do apostolado da imprensa católica, o pioneirismo no movimento de retiros espirituais, o incentivo ao estudo da Antropologia, a aceitação de vocações dos países de missão, a abertura à internacionalidade, dando um caráter plurinacional às comunidades missionárias. Padre Arnaldo, muitas vezes, foi criticado por seu gênio. Alguns o consideravam um louco, pois, numa época em que as casas religiosas estavam sendo fechadas em consequência da perseguição religiosa promovida pelo Kulturkampf (revolução cultural), na época de Bismarck, ele propunha a fundação de uma obra missionária. Arnaldo Janssen é exemplo de alguém que, ao longo dos anos, por uma vida intensa de oração e dedicação missionária, deixou-se transformar, somando sua força de vontade, perseverança e profundo senso de responsabilidade a serviço da vontade de Deus. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Cura para o corpo e para a alma

Para o padre, não havia diferença se as pessoas, na missa que celebrava, dedicada aos enfermos, necessitavam ou não de cura para si ou para alguém próximo. Ele convidou todos os enfermos ali presentes para receberem a unção. Você iria? Eu fui. Eu e todos os que participavam daquela ceia. Fui porque precisava de cura, cura para a alma, tão desejosa de esperança, por tantas perdas e desencontros nos caminhos da vida, mas, acima de tudo, pela esperança e renovação que ali encontraria. Fui porque ali estava Jesus, anunciado pelo profeta Isaías e confirmado por Ele próprio: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e me enviou…” (Is 42,7; Lc 4,18). A unção dos enfermos, antigamente nomeada extrema unção, era recebida no perigo de morte. Hoje é sacramento da vida. A nova expressão é mais suave e alivia o sofrimento, a dor de uma enfermidade, traz paz diante de uma cirurgia ou alívio para a dor e inquietações da alma. Já vi pessoas que, por terem recebido o sacramento da unção, fortaleceram-se diante de uma enfermidade ou acalmaram seus corações desesperançados de viver. Um sinal sagrado que fortalece a esperança, a fé e a coragem de enfrentar os desafios do cotidiano da vida de quem o recebe. Esse é o novo olhar do sacramento da unção. Há relatos comprovados cientificamente de pessoas que, por meio da oração, tiveram melhoras muito significativas em suas enfermidades, junto aos devidos cuidados médicos, e obtiveram a cura, diferentemente de outros que não aceitaram a intercessão da oração em seus períodos de tratamento. Inclusive, há uma disciplina de “Medicina e Espiritualidade” em algumas faculdades de Medicina, que traz essa reflexão aos novos profissionais da área. São Tiago já nos abriu esse caminho em sua carta: “Alguém entre vós está enfermo? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tg 5,14). Se você se viu em algum pedacinho dessa reflexão ou lembrou-se de alguém, não deixe essa graça passar! Vá em busca do sacramento da unção dos enfermos. Seja presença de vida para si mesmo ou para alguém que necessite dessa bênção. Seja instrumento de cura para quem precisa ter de volta a esperança de viver. Nanci Queiroz, missionária leiga de Deus Uno e Trino

Você sabe quais as principais conclusões sobre o Sínodo para Amazônia?

O Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, realizado em outubro, no Vaticano, teve como tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O encontro ganhou muita repercussão não apenas nos países que compõem a região. Conforme o desejo do Papa Francisco, houve liberdade para o diálogo, e as decisões poderão ter reflexos em outros lugares. A Igreja reza “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra”. Caminhos novos para a Igreja seguir, abrindo portas, construindo pontes e anunciando a novidade do Cristo Vivo “ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8) para todos, especialmente para os que vivem nas periferias, os migrantes, os invisíveis, os sofridos e esquecidos. No dia 21 de novembro, no Colégio Santa Teresa de Jesus, na Tijuca, Rio de Janeiro-RJ, o cardeal Dom Cláudio Hummes, relator-geral do Sínodo, apresentou algumas conclusões. Vejamos: Sobre os indígenas Foi extraordinária a grande presença de povos indígenas a caráter na Basílica de São Pedro. Ninguém jamais tinha visto aquilo dentro da Basílica; certamente indígenas, sim, mas não a caráter. Muitos na Cúria colocaram interrogações: o que estava acontecendo? Viram algo que a Igreja na Europa não conhecia sobre a periferia do mundo (América do Sul, Brasil, Amazonas…), que não tinha importância e agora passou a ter. Agora somos iguais a vocês! Isso não foi fácil assimilar. Foi um choque muito grande, segundo o Dom Cláudio. A Cúria tinha uma ideia vaga. O Papa Francisco disse: vocês estão dizendo que estou sozinho? Olha só quanta gente comigo que vocês não conhecem! Tinham uma ideia vaga de que isso existia. Mandavam missionários e, cada vez menos, porque há cada vez menos padres. O pedido aprovado é que a Igreja seja uma aliada e defenda os povos indígenas. A Igreja tem de reconhecer que os povos nativos devem ser sujeitos, protagonistas de sua história, devem decidir seu futuro. Não são objeto de nossos projetos, por mais importantes que sejam e por mais dinheiro que se tenha para as ações. Isso é colonização, seja politicamente, seja religiosamente. É a pior coisa que se pode fazer. O neocolonialismo é uma tragédia, e isso ficou muito claro no Sínodo. Os indígenas querem acolher, estar juntos com a Igreja. “Vamos caminhar juntos. Que o Evangelho seja pregado, oferecido, mas não imposto. Que possamos, pelo diálogo, identificar de que forma podemos inculturar essa fé. Todos os missionários são bem-vindos, mas dentro de nossa mentalidade, de nossa história. Que cada um possa ir decidindo ser cristãos ou não, mas dentro de uma Igreja indígena.” Depois se falou muito sobre novos modelos de desenvolvimento. Os indígenas têm o direito de progredir, desenvolver-se. Não podemos obrigá-los a ficar ali, na fase que estão, como um museu, mas são eles que devem ter o direito de dizer o que é importante para seu desenvolvimento, o que constrói e destrói, incomoda e coloniza. Sobre ordenação de padres casados Exercer o vicariato apostólico, como se diz em países de língua espanhola. Saem e vão para as comunidades. Mas, de fato, deveriam viver e conviver ali, e isso não se dá por decreto, porque não se pode obrigar ninguém a fazer isso, não se consegue fazer. Você pode fazer grandes retiros, tentar converter, mas isso de fato não acontece. Há pouquíssimos padres que vivem com as comunidades indígenas, ribeirinhas, aquelas mais retiradas, mais isoladas. Nesse contexto, surge a demanda da ordenação de homens casados, gente da comunidade que vive ali e se compromete a permanecer ali. Somente poderiam exercer seu sacerdócio ficando na comunidade e não indo para outras dioceses depois de ordenados. Que a Igreja invista mais em diáconos permanentes indígenas e outros, e que tenham experiência fecunda como diáconos. Entre eles poderiam ser escolhidos os que tivessem condições de serem ordenados padres. Foi aprovado e está com o Papa para decidir se é possível ou não, mas foi pedido. Sobre a presença da mulher Houve uma participação grande das mulheres. Não foi o Sínodo para as mulheres, mas elas tiveram realmente uma presença muito grande, bonita e valente. Falaram o que queriam falar, e o Papa as ouvia. “Nós temos de escutar vocês, porque precisamos dar passos para frente”, disse Francisco. Isso foi muito bem acolhido. Muito preparadas, elas abriram o jogo porque sabiam que o Papa as apoiava, e elas se sentiam ainda mais à vontade para expor os pensamentos. Foi muito bonito! Todos agradecemos essa participação, porque ajudou dentro desse contexto e vai iluminar a Igreja mundo afora. Há necessidade de fazer com que cada vez mais passos sejam dados em relação às mulheres na Igreja. Segundo Dom Cláudio Hummes, o diaconato feminino não avançou, mas os estudos devem continuar, porque não há clareza ainda. O que foi aprovado é que houvesse ministérios instituídos, porque existem os ordenados e os instituídos, mas os instituídos também são estáveis, portanto dá uma estabilidade também litúrgica e eclesial dentro da comunidade. Cristina Maia, doutoranda em Educação, professora de Ensino Religioso, com estudos aprofundados em Teologia e Bibliodrama, membro da equipe nacional de espiritualidade SVD e SSpS.

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