Férias, e agora?

Estamos próximos do fim do ano e, com ele, aproxima-se um período muito importante para os pequenos. Na realidade, importante para pais e filhos, para a renovação familiar. Muitos de nós passamos muito tempo longe dos filhos, em razão do trabalho. Os filhos estudam em período integral, quer seja na creche ou no colégio, e, dessa forma, muitas vezes, perdemos descobertas que eles fazem, por não estarmos presentes. Falo isso também por conta dos pais que moram longe dos filhos, quer seja por motivo de trabalho ou por novas configurações familiares. No dia a dia, por mais que nos esforcemos, às vezes, sentimos que poderíamos ter feito mais e melhor, mas o cansaço (dos pais e dos filhos) acaba nos vencendo, e deixamos de estar ao lado daqueles que mais amamos. Quem de nós nunca chegou ao fim de um dia ou de um fim de semana e pensou: poderia ter feito mais por/com ele (ou eles). Quando conseguimos chegar ao fim do dia ou de semana sem essa sensação, nós nos sentimos muito bem, ao ver que tivemos êxito em não cumprir com um dever, mas em estar presente na vida dos pequenos. Nesse sentido, as férias vêm para nos ajudar a melhorar nosso tempo com nossos filhos. Mesmo que não possamos estar todo o período a seu lado, o tempo que conseguirmos dedicar a eles deve ser único e exclusivo. Digo isso por minha própria experiência. Sou pai de três belezuras e me incluo em uma nova configuração familiar. Conciliar atividades entre eles (11 meses, 5 anos e 11 anos) requer criatividade, paciência e administração de pequenas “crises” de ciúmes que, pela idade, é natural. O mais importante é mostrar para os pequenos que as férias são um momento de aprendizagem e conhecimento. Não como na escola, onde muitas vezes ficamos sentados recebendo informação (dependendo do modelo escolar que experimentamos), mas um conhecimento ativo. Conhecendo a si mesmo, seus limites, conhecendo os irmãos, os pais, e os pais conhecendo os filhos. Estabelecendo novas relações ou renovando-as. As experiências vividas nas férias em família vão ficar registradas para sempre em nossas memórias e vão nos acompanhar e nos ajudar ao longo de toda a nossa trajetória. Por isso a importância de serem muito bem vividas. Quando falamos em férias bem vividas, para muitos, vem a questão financeira, e aí é que pode ser o fim de uma grande experiência. Mas cuidado! Se você pensa que ótimas férias são sinônimo de “gastação”, você pode estar indo pelo caminho errado. Claro que viajar para fora, conhecer novas culturas e outras coisas mais é muito importante e bem divertido, mas de que adianta fazer isso se a troca de afeto e cumplicidade não acontecer? Quando criança, nunca viajei com meus pais, mas me lembro de cada passeio pela cidade, brincadeiras inventadas pelo papai. Muitas vezes, a mamãe “brigava”, dizendo que ele era mais criança do que nós… Uma ida à pracinha, à praia, ao museu e outras tantas coisas que podemos fazer, se bem pensada e com a dose certa de amor, vale mais que tudo. Lembro-me de, muitas vezes, ficarmos sem energia em casa e passarmos bons momentos nos divertindo com as “sandices” inventadas pelo papai. Sombras com a luz da vela, “uma música com a palavra” e “fingir” que a luz chegou, para ver a reação dos outros moradores… Rendiam bons momentos de gargalhada. Na hora de dormir, o melhor era ouvir as histórias dos tempos de criança do papai e da mamãe, e contar para eles o que tinha sido a melhor coisa do dia… Dentro de minha realidade e possibilidade, tento fazer com meus pequenos um pouco do que tive de meus pais, mas o melhor, aprendi com meus filhos e busco pôr em prática, mesmo ainda que de maneira sutil. Vou tentando aproveitar esse período das férias com mais interação e diversão do que cumprir um cronograma rígido. Dar mais qualidade ao tempo dividido com eles do que quantidade de coisas a serem feitas! Lembremos que, ao sair de férias, devemos procurar fazer coisas que normalmente não fazemos, esquecer o relógio (claro que do pequenino isso ainda não é possível), deixar as coisas acontecerem a seu tempo. Nada é tempo perdido se estamos juntos e em família! Alexandre Pinho Britto, bacharel em Teologia e licenciado em Filosofia, coordenador da Pastoral do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ.

2020: tempo de multiplicar talentos

Um homem muito rico se viu, de repente, preocupado com o aumento do desmatamento e do aquecimento global, o que o levou a refletir: “Como posso contribuir para que a natureza seja preservada e as gerações vindouras possam viver em um mundo melhor?”. E movido por esse questionamento, decidiu comprar terras e reflorestar. Sua missão não era fácil e exigia dedicação, cuidado e paciência, porém, sabendo das grandes dificuldades enfrentadas em todo o planeta, resolveu partir em busca de mais terras, na intenção de reflorestar um maior número de espaços possível. Assim, o homem resolveu convidar algumas pessoas de sua comunidade para ajudar na missão de plantar e cuidar das sementes que ele havia preparado. Esse convite foi feito de forma bem criteriosa, considerando as habilidades de cada um deles. Para o primeiro vizinho ele entregou sementes de flores coloridas, que dariam cor, perfume e alegria para o mundo. Para o segundo ele entregou sementes de árvores frutíferas, que seriam fonte de alimento para os que por ali passassem. Para o terceiro ele entregou sementes de árvores frondosas, que serviriam de abrigo em dias de sol e muito calor. Assim que entregou as sementes, o homem pediu a cada um que cuidasse muito bem delas e que se esforçasse para que elas não morressem. O primeiro vizinho tratou logo de convidar a família para ajudar na tarefa de plantar, adubar e cuidar das sementes. O segundo vizinho chamou a família e alguns amigos para, juntos, plantarem as sementes e cuidarem delas. Como eram muitos, foi possível dividir tarefas e cuidar das sementes com mais dedicação. O terceiro vizinho pensou: “E se as sementes morrerem? E se não chover? E se o sol estiver muito quente e acabar por queimar as sementes?”. E foi pensando assim que ele decidiu guardar as sementes para plantá-las depois. O tempo passou, e o dono das terras voltou. Ao chegar, cheio de expectativas, pois confiava em seus vizinhos, ele foi ver como estavam as terras. As sementes de flores coloridas haviam germinado, perfumando e colorindo todo o terreno. As árvores frutíferas, apesar de ainda não darem frutos, já mostravam os brotos nascendo. Porém ele sentiu falta das árvores que dariam sombra. Por isso procurou pelo terceiro vizinho e perguntou: “Onde estão as árvores que darão sombra às pessoas?”. O vizinho respondeu: “Senhor, eu tive medo. Medo de que não chovesse, medo de que o sol queimasse as sementes, enfim, medo de as sementes não brotarem. Por isso escolhi guardá-las para um momento oportuno”. O Senhor, perplexo, disse: “O nosso terreno está florido, perfumado e, em pouco tempo, dará frutos. Porém, por você ter se deixado vencer pelo medo e pela insegurança, faltará para muitos a sombra. Devolva-me as sementes, que as entregarei aos outros vizinhos, para que possam plantá-las o quanto antes. Quanto a você, busque encarar e vencer seus medos. Eles existem em todos nós, porém servem como um alerta. Não podem nos paralisar. Seus colegas corriam os mesmos riscos e, mesmo assim, acreditaram, plantaram, cuidaram, e hoje temos flores e frutos. Na vida, somos como os vizinhos do senhor que queria reflorestar o planeta. Somos convidados a contribuir com nossos dons, transformando-os em talentos, para fazer do planeta um lugar colorido, perfumado e bom de se viver. Por isso, neste início do ano de 2020, convido você a refletir acerca de seus talentos, de maneira a se comprometer em desenvolvê-los e colocá-los a serviço de sua própria realização e do bem comum. As perguntas a seguir são, na verdade, o primeiro passo para que você possa refletir acerca de seu propósito para o ano que se inicia. Por isso responda com sinceridade e, com base no que você disser, estabeleça metas e estratégias para sua vida: ● Com qual dos personagens dessa história você se identifica? ● Quais talentos você reconhece em si mesmo? ● De que maneira você pode aprimorar seus talentos para se sentir mais realizado e feliz? ● Nossos talentos são dádivas divinas. Nós os recebemos por graça e é gratificante quando podemos compartilhá-los com as pessoas. De que maneira seus talentos podem contribuir para a felicidade e o bem comum? ● Ao fim do ano de 2020, você se sentirá feliz e realizado se seu talento… Para refletir: “O talento ou acaso não escolhem, para manifestar-se, nem dias nem lugares.” José Saramago. Simone Fortunato Nunes Professora, assistente social, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.

“Disponibilidade e alegria de servir”: conheça a Comunidade Sagrado Coração de Jesus

A Comunidade Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, reúne missionárias servas do Espírito Santo que desenvolvem ações bem diversificadas, conforme explica a irmã Heloíse Mattos. Justamente pela variedade, há um cuidado das irmãs de sempre trocarem experiências e estarem em comunhão. No vídeo, as religiosas partilham um pouco de seu trabalho missionário com os enfermos, com os evangelizadores leigos, com as crianças. Todas têm consciência de que, dentro ou fora da comunidade, cada uma ajuda a contribuir para o anúncio de Jesus, a Boa Notícia. “O povo ainda confia em nosso trabalho, em nossa oração”, conta a Ir. Ana Maria de Souza. A produção traz ainda o testemunho da irmã Arnhild Lahrkamp, falecida em 27 de junho de 2019, e que dedicou 64 anos de sua vida missionária ao cuidado com os enfermos na Santa Casa de Misericórdia, na capital mineira. “A disponibilidade e a alegria de servir, penso que são as características desta comunidade”, resume Ir. Heloíse. Assista ao vídeo e veja mais.

Começar de novo… todo dia!

Estar vivo já seria motivo suficiente para que cada um de nós interrompesse esta leitura que agora se inicia e se transportasse para uma atitude de gratidão e encanto pelo dom da vida. Você pode experimentar esse encantamento aí, agora, passando a ler, de forma vagarosa e pausada, estas palavras, ficando alguns segundos em silêncio, observando-se e observando o mundo à sua volta. … Mas, se depois desse respiro, você ainda quiser continuar esta leitura, convido você para um striptease, um abrasileirado “estripitize”. Para deixar o ano de 2020 nascer, fecundar, brotar e nutrir nossos sonhos, será preciso nos despir. Na humildade de quem sabe que ninguém é perfeito e tampouco sabe todas as coisas, o convite é para que consigamos fazer um giro de desprendimento de amarras, medos, prepotências, arrogâncias e “viseiras” que insistem em nos habitar. Pontos de vista não nascem com as pessoas… Criam-se, formam-se, educam-se, socializam-se, propagam-se e ativam-se. Para fazer esse exercício de nudez, não será necessário tirar a roupa, como num clássico “estripitize”, basta um pequeno exercício cotidiano. Vamos enxergar o mundo, livre de “pré-conceitos” e plenos de abertura para com o outro e para com o desconhecido. É assim que a gente se renova, é assim que a gente deve receber esse novo ano, é assim que a gente deve nascer cada dia deste ano que se inicia. É ano novo todo dia. Todo dia, temos uma nova chance de nos desnudar, de seguir, de repensar, de ajustar a rota, de buscar novas alternativas, de perdoar, de acolher, de viver nossa deliciosa imperfeição e incompletude. Estarmos no mundo que é atravessado de conexões complexas, muitas vezes imperceptíveis, que exige de cada um de nós uma abertura para aquilo que não vivemos diretamente, que nem conhecemos, que nos é estranho e longínquo. Temos em nós uma pertença universal, uma pertença espiritual, humana, planetária que deve nos implicar no comprometimento essencial, criando campos de intercessão e empatia, despindo-nos do que não importa: a cor da pele importa quando ela representa a nossa diversidade; a crença religiosa importa, pois nos diz da multiplicidade de caminhos de fé e espiritualidade o país de origem importa, porque nos dá a dimensão étnica; a orientação sexual importa quando reafirma que qualquer maneira de amor vale a pena; a desigualdade social importa quando nos alerta para o combate à injustiça social; a inclusão social importa quando nos comprometemos a ajudar a escancarar as portas e promover oportunidades; a diversidade cultural importa, porque nos coloca diante da magnitude da humanidade; a ética importa, porque nos transporta para um mundo de possibilidades; … Que 2020 nos encontre leves e desnudos para novas conquistas e aprendizados. Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Metas para que 2020 seja mais feliz

Quantos desafios enfrentamos em 2019! Não foi um ano fácil de se viver, mas como tudo passa, o ano está chegando ao fim e, com ele, a promessa de um tempo melhor no novo ano que está chegando. Mas será que 2020 vai ser um ano melhor? É claro que nem tudo está em nossas mãos, e, muitas vezes, os governantes tomam decisões sem levar em conta os reais interesses da população. Mas, apesar de todos os cenários que se delineiam à nossa frente, 2020 será o que cada pessoa fizer dele. Então depende de nós! Avaliar e aprender Para viver bem o ano que começa, que tal começar com uma avaliação? Não vou avaliar os outros, mas sim a minha vida, o que foi bom e o que deixou a desejar. Quais foram as metas que consegui alcançar? O que me trouxe alegria e realização? Como foi minha convivência com a família, amigos e pessoas próximas? Em que me tornei uma pessoa melhor? Houve alguma falha ou fracasso? Que aprendizado isso me trouxe? Consegui crescer e melhorar com base em meus erros? Certamente você terá muitas outras perguntas… Pode acrescentá-las. Se puder, responda-lhes por escrito. Escrever ajuda a ordenar os pensamentos e a transformá-los em realidade. Tome tempo para pensar e escreva quais foram os momentos mais importantes que você viveu neste ano que termina. O que você aprendeu com eles? O que você faria diferente? Agradecer por tudo Diante de tantas experiências boas ou não, vamos agradecer. Vamos dar graças a Deus por tudo! Pelas pessoas que passaram por nossa vida… Por todas as graças recebidas… Pelas dificuldades superadas e também aquelas com as quais ainda lutamos… Tudo tem seu propósito e faz parte de minha vida para me ensinar algo… Portanto agradeço a Deus e me abro para aquilo que Ele quer me mostrar. Descobrir o que quero E agora? O que virá pela frente? Que desejo construir em 2020? Quais são minhas metas? Tenho sonhos, planos, desejos? Anoto no papel e, se ainda não tenho planos, começo a esboçá-los. Para colocar-me a caminho, preciso saber aonde quero ir. Uma grande realização começa com o primeiro passo. Talvez você tenha grandes metas, como casar, terminar os estudos, arrumar um novo emprego, comprar sua casa… Comece a planejar. Para chegar lá, o que você precisa fazer? Buscar o essencial Mas há coisas muito simples que são essenciais para uma vida feliz. Por isso, ao iniciar o novo ano, é importante se perguntar: o que realmente me traz alegria e felicidade? Certamente não são as coisas que eu tenho ou gostaria de ter… A saúde, por exemplo, é fonte de alegria e bem-estar. O amor, a amizade e o bom relacionamento com as pessoas dão sabor à vida. A fé em Deus traz esperança, coragem e sentido a nosso dia a dia… Aqui poderia acrescentar muitos outros elementos, como o contato com a natureza, o amor e o cuidado com o próximo, a busca do bem comum… Tomar decisões Tudo isso depende de atitudes e de escolhas. Se quero ter boa saúde, não são remédios que preciso tomar, mas decisões sobre meu estilo de vida, tipo de alimentação, qualidade de sono, equilíbrio emocional, etc. Então que devo mudar em 2020 para que minha saúde seja melhor? O que vou comer ou deixar de comer? Que exercícios vou fazer? O mesmo se aplica a outras áreas. Para me relacionar bem com as outras pessoas, preciso rever minhas atitudes. Estou bem comigo mesma? Tenho verdadeiro interesse pelo bem das outras pessoas? Estou disposta a contribuir para que a vida delas seja melhor? Tenho tempo para me dedicar a elas? Sei respeitar e aceitar o jeito de ser de cada um? Sou tolerante e sei conviver com as diferenças? Cultivar a espiritualidade Há muitos outros aspectos que ajudam a me tornar uma pessoa melhor, mas acredito que cultivar a espiritualidade é a chave para todos eles. O que entendo por espiritualidade? Para mim é um modo de viver que me ajuda a estar em contato com a dimensão mais profunda de meu ser e me abre para uma relação de amizade com Deus e de comunhão com a criação e com as outras pessoas. O cultivo da espiritualidade, a meu ver, está relacionado à vivência coerente dos valores humanos e cristãos. Que valores são esses? O amor e o respeito por todos os seres, a fé em Deus, a honestidade, a ética, a responsabilidade, o cuidado com a vida, o compromisso com o bem comum, apenas para citar alguns deles. Nos Evangelhos, encontramos os valores que nos ajudam a crescer numa vida espiritual. A oração e a meditação nos colocam em contato com Deus, fonte de toda vida espiritual. Quanto mais nos encontramos com Deus, mais Ele nos impulsiona a amar e servir o próximo, cuidar da natureza e buscar o bem de todos. A prova que de fato estamos num caminho verdadeiramente espiritual é nosso compromisso com um mundo melhor para todos, especialmente os mais pequenos e pobres. Sem isso, nossa oração pode ser alienação. Assim, que 2020 seja, de fato, um ano muito feliz para você e para todos nós. Desejo-lhe saúde, paz, amor, alegria, fé em Deus e compromisso com a vida! Então, boas escolhas e decisões acertadas, pois o ano fará germinar apenas as sementes que nós plantarmos. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

À Luz do Evangelho Dominical

Continuamos a celebrar as alegrias do Natal. Na oitava desta importantíssima solenidade, festejamos a Sagrada Família, que acolheu Jesus e é referência de muitas outras famílias, em todos os tempos. Segundo o Evangelho de Mateus (2,13-15.19-23), José assume a missão de defender o pequeno Jesus da ação do Império, que queria eliminar o Salvador. Um anjo é que ajuda José a defender a própria família. Segundo o padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, o personagem aparece outras duas vezes em Mateus: no anúncio do nascimento de Jesus e na ressurreição do Senhor. Para salvar o Menino, José é obrigado a levar Jesus e Maria para o Egito. A Terra Prometida torna-se agora o lugar da escravidão. O Egito, outrora país das correntes, passa a ser o lugar do refúgio. O evento tem uma impressionante relação com a passagem da libertação do antigo povo, liderado por Moisés. Como acolhemos quem busca refúgio? Essa é uma das questões que hoje nos são propostas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e saiba mais.

Nasce para nós o “Filho do Amor”!

O “Filho do Amor”, esse foi o modo que Santo Arnaldo Janssen encontrou para falar do Menino Jesus que, “vestido com as roupagens de nossa carne”, tornou-se “nosso irmão”. Assim a humanidade conheceu de perto o amor, tocou o amor e deixou-se tocar por ele. Vestir-se com a roupagem de nossa carne significa ser humano, na mais profunda experiência do ser! Na pessoa dos mais necessitados, dos que lutam diariamente por seus direitos, daqueles cujas vozes se calaram… Mas também na carne da gente que zela pela justiça e pelo amor, que vai aonde se perdeu a esperança, aonde se necessita de sua palavra, de seu alimento, de sua força para viver. Jesus criança, o Filho do Amor, que transforma nosso coração no Natal, é o mesmo Jesus que, durante sua vida, mostrou, nos milagres que realizou, o valor de nossa fé. É o mesmo Jesus que se sentiu tocar por tantos que precisavam de cura para suas dores. Hoje somos nós, não somos? Somos os cegos quando não enxergamos quem está ao nosso lado. Somos os paralíticos quando não saímos de nós mesmos em favor do outro. Somos a samaritana em busca da água viva. Somos os discípulos de Emaús, ao percebermos que Jesus é quem está diante de nós. Acreditar que Jesus é o Cristo, permitir que Ele nasça ou renasça em nossas vidas é ser testemunho vivo do grande mistério de amor na casa que habitamos. Agora, pare um pouquinho sua leitura e olhe para o presépio… Deixe que essa imagem venha a seu pensamento neste tempo de Natal. Permita que esse Amor toque seu coração. Vamos, juntos, caminhar no seguimento de Jesus, em tudo o que Ele aqui deixou. Vamos, juntos, transformar nossa Casa Comum! E, com Santo Arnaldo Janssen, exaltemos Jesus em seu poema de Natal: Com os anjos gostaria de cantar Na profundidade da noite, em todo lugar E levar a mensagem da criança Que no estábulo espera por nós. Quero acordar os que dormem, Que nunca viram a luz do sol, Convidar os de coração oprimido, Que nunca conheceram a alegria do Natal. A todos, a todos quero dizer Onde encontrarão seu Salvador. Nanci Queiroz, missionária leiga de Deus Uno e Trino, Rio de Janeiro-RJ. ________ Rehbein, Franziska C., SSpS. Fascinado pelo mistério, Arnaldo Janssen: homem de oração. Steyler Verlag, 2004.

O encontro que busca respostas (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23)

No começo dos evangelhos, encontramos João Batista como primeiro legitimador de Jesus (Jo 1,29-34; Mc 2,5), mas depois os relatos dão a entender que João não tem clareza sobre quem é o Nazareno e se interroga sobre ele: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro” (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23). Para nós, que nascemos na época recente, a pergunta de João pode até soar discordante, pois, na atualidade, basta acessar o Youtube e encontraremos abundantes vídeos sobre Jesus. Dessa forma, até quem nem frequenta a catequese mais básica postula-se a ser um conhecedor do Cristo. As muitas informações, no entanto, nem sempre nos aproximam do Jesus dos evangelhos. Às vezes, somente criam imaginários que ou tranquilizam as consciências diante dos problemas sociais ou justificam comportamentos contrários ao Evangelho. É doloroso ver como, em nome de Jesus, agride-se, despreza-se, lucra-se, até mesmo se cometem assassinatos. Diante dessa realidade, é necessário interrogar-nos, ler os acontecimentos mais além da superficialidade e da banalização que se impõe. É necessário contemplar por onde o mistério de amor e vida plena revela sua face. Nesse marco, propomos o relato de Mateus (11,2-6), o qual encontra seu paralelo em Lucas (7,18-23), almejando que traga luz à nossa vida. 2João, ouvindo falar, na prisão, a respeito das obras de Cristo, enviou-lhe alguns dos seus discípulos para lhe perguntarem: 3“És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro”. 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: 5os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem e os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho. 6E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. O texto consta de uma pergunta de João (v. 2) e de uma longa resposta de Jesus (vv. 4-6). A resposta se articula com precisão. Assim, no versículo 5, temos seis frases breves, os dois pares primeiros estão unidos por χαί (e) e se justapõem em forma assindética, os dois últimos começam por χαι. O versículo 6 também começa com χαι, sendo que a força recai sobre esta última frase, por ser de maior extensão. O relato está emoldurado em seu contexto e apresenta uma unidade geral, com exceção do versículo 6, pois o tom da frase (“E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”) parece não se encaixar bem na pergunta de João. Além do mais, a bem-aventurança parece estar dirigida a todos os seguidores e não apenas a João e a seus discípulos. Ora bem, se a bem-aventurança é parte da resposta de Jesus, podemos compreender que a pergunta sobre “o que há de vir” não pode satisfazer-se teoricamente. Nesse terreno, são necessárias as decisões pessoais a favor ou contra Jesus. E as curas “do tempo de salvação” devem ajudar a fazer a escolha. O relato diz que João estava na prisão. Imaginemos a situação desse homem acostumado a andar e respirar o ar livre do deserto (Lc 3,2-3; Mt 3,1), e agora está confinado numa diminuta cela, afogado pelas paredes. Nessa situação crítica do cativeiro, a dúvida, a perplexidade ou até a surpresa pode ter surgido no coração do Batista. Os estudiosos concordam que não se trata de uma dúvida sobre se Jesus é ou não o Messias. João duvida porque não vê Jesus desempenhar o papel de “reformador fogoso” que ele esperava que fosse. No capítulo 3,17 de Mateus e 3,12 de Lucas, João apresenta o Messias reformador. Jesus não responde à pergunta de João de forma direta, mas indiretamente remete ao tempo de salvação que profetas e reis quiseram ver. E ainda remete à própria experiência dos interrogadores: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, e os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o evangelho” (v. 5). Notemos que Jesus aponta os fatos, algo que João talvez não aguardasse como resposta. Quem sabe João esperasse que Jesus respondesse: “Os pecadores são destruídos. O juízo começou. A ira de Deus está em marcha!”. Nós também, diante da realidade de injustiça social, política e econômica, de gênero, da realidade de opressão, destruição da natureza, do extermínio de grupos étnicos minoritários, com certeza, gostaríamos de escutar que Deus virá como um trovão a destruir todos os males que nos afligem. Mas a resposta de Jesus foi: “Voltem e digam a João que chegou o amor de Deus”. Deus não age de forma intervencionista, desrespeitando a liberdade que nos deu. Ele age com o único fogo que é o do amor. E o amor nos abre à salvação de Deus e nos encoraja a viver e lutar por um mundo de amor, justiça e paz para todos. Nesse horizonte, compreende-se o fim da resposta de Jesus: “E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Trata-se da bem-aventurança que proclama ditoso quem se aproxima de Jesus sem ideias preconcebidas e sem preconceitos. Pois aquele poderá compreendê-lo como a personificação das bênçãos divinas anunciadas pelo profeta Isaías (61,1) e não como o reformador de fogo. Sejamos também nós parte dos bem-aventurados, levando a boa notícia do amor e da misericórdia de Jesus aos que ainda não o conhecem! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México e é missionária em Moçambique.

À Luz do Evangelho Dominical

Chegamos ao último domingo do Advento, um tempo de expectativa pelo encontro com o Senhor que veio, vem e virá. A Palavra de Deus na liturgia de hoje destaca o Evangelho de Mateus (1,18-25), que tem uma preocupação em confirmar a fé das comunidades, sobretudo as da Palestina e Síria. Reforça que Jesus é o verdadeiro Ungido que devia vir para resgatar o povo e anunciar um novo tempo. O missionário do Verbo Divino, Pe. Arlindo Dias, medita sobre como foi o anúncio do nascimento de Jesus na visão de Mateus. O texto começa destacando que a gravidez de Maria foi por obra do Espírito Santo e não de um homem. Aos olhos da sociedade da época e conforme a lei de Moisés, Maria merecia a pena de morte. Mas José, com sua grandeza e senso de justiça, decide salvar a vida da noiva e de Jesus. Em sonho, um anjo ajuda José, personagem de destaque em Mateus, a compreender o projeto de Deus. O Cristo recebe dois nomes: Jesus (Deus nos Salva) e Emanuel (Deus Conosco), mostrando que Deus não abandona seu povo. Os nomes cumprem e superam a esperança do povo. As figuras de Maria e José nos remetem aos pais e mãe que cobrem seus filhos com o manto do amor, mesmo em situações adversas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e veja mais.

Reflexões sobre o Advento

Iniciamos um novo ano litúrgico. É um tempo especial que a Igreja nos oferece para avaliarmos o caminho que percorremos até aqui. Da janela do meu carro, parado no sinal, observo as luzes que iluminam e inspiram. Um clima de solidariedade, de cooperação se torna realidade. Crianças que antes se isolavam em seus quartos, com seus jogos eletrônicos, agora vêm pra rua, em busca de afeto e do contato humano. Neste cenário, uma certeza: precisamos tirar de nossos corações as trevas que não permitem Deus chegar até nós. Devemos tirar os obstáculos que nos atrapalham e as estruturas que nos condicionam. Renovação interior de cada pessoa e de nossa sociedade são condições para que o Reino aconteça entre nós. Na simplicidade de uma criança, a grandeza de Deus se revela. O sentimento de que o Reino se faz presente não apenas nos traz uma profunda alegria como também um novo tipo de relacionamento com o próximo. O cristão não apenas tem alegria, mas é uma alegria para quem o encontra no caminho. Amor e serviço! O amor de Deus para com os seres humanos ultrapassa todo nosso entendimento. Por isso o Verbo se faz carne e veio armar a sua tenda entre nós. Os céus fecundam a terra. Assim, todas as criaturas, todos os seres viventes, transformam-se, impregnados pelo amor que se revela no espírito que invade e aquece todos os corações dos homens de boa vontade. Tudo o que move se torna sagrado e sacramento do amor de Deus. Assim, o Advento se torna um tempo apropriado para refletirmos sobre o mistério da Encarnação e mergulharmos em nossa humanidade. Meditarmos sobre o sentido profundo de sairmos de nós para irmos ao encontro do outro. Sobre o significado de aceitarmos nossa fragilidade e, consequentemente, as de nosso semelhante. Sobre a importância de alimentarmos nossa espiritualidade numa esperança histórica. E, finalmente, sustentarmos nosso coração na generosidade e gratidão. Desejamos, portanto, que este Advento e Natal sejam momentos de encontro, proximidade e convivência amorosa e fraterna, fecundas de compromisso com a vida em todas as suas expressões. Geraldo Célio Andrade e Jonas José Santana, professores de Ensino Religioso.

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