Reverência à natureza: conheça o padre Nicolau Bakker

Padre Nicolau Bakker tem 80 anos e é missionário do Verbo Divino. Ele nasceu na Holanda, mas se formou no Brasil. Aqui exerceu diversos ministérios, seja como pároco, professor, lutando pelos direitos humanos e mesmo na política. Em um emocionante vídeo produzido pela Verbo Filmes, o religioso conta poeticamente um pouco de sua caminhada, fala de espiritualidade e sobre a integração entre o ser humano, em sua totalidade, e a natureza. Hoje ele vive na Casa São José Freinademetz, em São Paulo-SP, onde recupera, com muito carinho, um bosque formado por árvores da Mata Atlântica. Assista ao episódio da série “Enraizados na Palavra”! Imperdível!
Família que celebra a fé conserva a união

Ter uma família grande e unida é graça, mas também fruto da busca constante e de cuidados mútuos. Não acontece por acaso, mas precisa ser cultivada, especialmente nos tempos atuais, nos quais, muitas vezes, o individualismo fala mais alto. Mas, para os membros da família da irmã Celiniana, Natália Pykosz, um dos fatores que os mantêm unidos é a fé e o gosto de celebrar juntos. De fato, é uma família muito religiosa e também missionária. Além da Ir. Celiniana, que é missionária serva do Espírito Santo e celebrou, em dezembro do ano passado, 70 anos de consagração religiosa, ela tem também um sobrinho, o irmão Moacyr Rudnick, que é missionário verbita em Moçambique. Em dezembro, a família da Ir. Celiniana se organizou, alugou um ônibus e foi em peso celebrar o jubileu da tia, no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Vestiram a camiseta preparada especialmente para a ocasião e puseram mãos à obra! Ajudaram em tudo o que puderam. Dos mais pequenos e jovens aos mais idosos, foi uma alegria só! E mais recentemente, no domingo, 16 de fevereiro, a família se reuniu novamente para uma missa solene em ação de graças pela vida da Ir. Celiniana e de todos os membros da família na capela Nossa Senhora do Rosário, no Município de Agudos do Sul-PR. A missa foi presidida pelo Pe. Ademar Lino, SVD. A seguir, apresentamos o comentário da missa feito por sua sobrinha, Roseli Maria Chapieski: “Hoje, aqui estamos para agradecer o dom da vida de cada um de nós, mas sobretudo da tia Natália, irmã Celiniana. Aqui neste local, Tarumã, ela nasceu, aprendeu suas primeiras palavras, descobriu o amor familiar e de Deus com sua mãe, seu pai, irmãos mais velhos, tios e todos os que a rodeavam. Embora revestida de todo esse carinho, sentiu em seu coração um chamado e o seguiu, escutando aquela voz de seu coração a seguir o único TUDO de sua vida. Seguiu o Espírito Santo, seguiu a vontade de Deus! Mesmo que distante fisicamente, mas nunca longe de nossos corações, nossas orações, toda vez que voltava para nos encontrar, sempre foi uma grande festa! O encontro familiar, uns chegando com suas carroças (meio de transporte…), e todos, como podiam, vinham para o encontro da família, porque a presença de Jesus em meio à família é real. Somos gratíssimos a Deus por seu amor fiel e sua fidelidade que também nos manteve na mesma estrada, procurando gerar sempre a presença dele entre nós; esse amor incondicional que aprendemos de nossos avós (Babusz e Babucha) na fidelidade das orações diárias, que é o nosso sustento até hoje.” De acordo com sua outra sobrinha, Seliana Pontes, após a missa, todos foram em procissão até o cemitério onde os pais da Ir. Celiniana, Aleixo e Rosália Pykosz, estão sepultados. Seus irmãos ainda vivos (Afonso, Bárbara, Rosália, Vitória e Genoveva) e todos os presentes levaram a vela que irmã Celiniana recebeu no dia em que fez seus votos de vida religiosa. Esse era um desejo da Ir. Celiniana, em agradecimento. “Foi um momento de muitas graças para todos os presentes”, conta Roseli. E, para completar a celebração, foi feita a venda de almoço no salão da Igreja. A verba foi confiada ao irmão Moacir que a destinou para as missões na África.
Espiritualidade da convivência intercultural

Antigamente era normal passar a vida num mesmo local, com pessoas da mesma origem e conviver apenas com as que praticavam a mesma religião e compartilhavam os mesmos princípios. Hoje vivemos numa sociedade multicultural. Com o aumento das migrações e da globalização, aliado à rapidez das comunicações e à facilidade de transporte, não precisamos mais nos deslocar para outros países para encontrar pessoas com línguas e costumes diferentes dos nossos. Elas estão em nossas cidades e até mesmo em nossas famílias. Conviver com outras culturas é um desafio, pois, apesar de sermos todos humanos, temos maneiras diferentes que vão desde o jeito de preparar a comida e educar os filhos até o modo expressar sentimentos, celebrar a alegria e enfrentar os sofrimentos. Como nascemos e crescemos imersos em nossa própria cultura, tudo o que fazemos nos parece natural, enquanto que o comportamento de outros povos nos parece estranho quando é apenas diferente. Na sociedade atual, a convivência multicultural é fonte de conflitos e de mal-entendidos, mas também é oportunidade de enriquecimento e abertura para novos horizontes. Acolher, conviver e aprender com as diferenças faz parte de uma nova maneira de estar no mundo e exige a superação de nosso etnocentrismo, dos preconceitos e da tendência à exclusão. Do multicultural ao intercultural Para as missionárias servas do Espírito Santo, com comunidades formadas por irmãs de diversos países e de distintas regiões, o desafio é ainda maior, pois somos chamadas a superar o multicultural para vivenciar o intercultural. Qual a diferença? Num grupo multicultural, cada pessoa mantém a própria cultura, mas não há um verdadeiro intercâmbio, e as pessoas ficam isoladas umas das outras; moram juntas, mas, no fundo, estão sozinhas. Por outro lado, se cada pessoa renunciasse à própria cultura para se adaptar aos costumes do país onde está, haveria um empobrecimento cultural e um sentimento de mal-estar reprimido, pois não podemos negar a raiz de onde viemos ou deixar de ser quem somos. Então, o que fazer? É possível construir comunidades com gente tão diferente? Sim, é possível, mas não é fácil. O caminho da interculturalidade é um processo de conversão constante que nos ajuda a perceber que há outras maneiras de viver e de agir tão boas como as nossas, e outras que, tanto como as nossas, precisam de aperfeiçoamento e de transformação. Com base na espiritualidade trinitária, é possível alcançar a interculturalidade. Como Deus é um só, mas, ao mesmo tempo, Pai, Filho e Espírito Santo, cada pessoa divina, em sua diversidade, está de tal forma unida pelo amor às demais que formam uma única realidade. Assim é a Trindade. Também nós somos chamadas a viver em comunhão com Deus, com as pessoas e com toda a criação. Isso significa construir uma convivência que vai além de nossas diferenças, reconhecendo no outro a beleza e a grandeza de nosso Criador, que se expressa de múltiplas formas. Numa comunidade intercultural, as pessoas não estão justapostas em sua maneira de ser e de pensar, mas vivenciam relações dinâmicas nas quais cada uma pode se expressar a partir do que é e da cultura de onde vem, e são aceitas, acolhidas e respeitadas em sua diversidade. Ninguém é melhor que a outra: todas têm dons a oferecer e muito a aprender. Quando isso ocorre, a comunidade se transforma e cria uma nova cultura que é diferente da cultura original de cada uma, mas incorpora elementos de todas elas de acordo com o que promove a vida e o desenvolvimento humano. Chamamos isso de comunidade intercultural, e o resultado é o amor mútuo e a celebração de nossas diferenças como dádivas para o enriquecimento de todos. Seminário de Espiritualidade e Interculturalidade Para aprofundar a vivência da interculturalidade, com base na ótica da espiritualidade trinitária, um grupo de cerca de 35 missionárias servas do Espírito Santo, missionários verbitas e leigos participaram de um seminário internacional em Steyl, na Holanda, de 26 de janeiro a 14 de fevereiro. Éramos de 20 nacionalidades, atuando em diferentes países da África, Ásia, Oceania, Europa e Américas. Assim tivemos a oportunidade de vivenciar intensamente a interculturalidade não somente nos conteúdos e dinâmicas, mas principalmente na convivência entre nós. A primeira parte foi dedicada ao aprofundamento dos conceitos teóricos; a segunda para integrar a espiritualidade pela oração e o silêncio; e a terceira para colocar em prática o que aprendemos e vivenciamos, por meio da produção de materiais para retiros, reflexões e atividades comunitárias. Participar desse seminário em Steyl, local da fundação da família religiosa de Santo Arnaldo Janssen, foi uma experiência inesquecível. Tivemos o privilégio de beber da fonte espiritual que alimentou nossa geração fundadora e que, até hoje, inspira-nos a deixar tudo para anunciar o Evangelho em qualquer país aonde somos enviadas. Viver a interculturalidade, para nós. SSpS, SVD e missionários leigos e leigas, é viver a cultura do Evangelho, abrindo o coração para acolher as diferenças e superar todas as formas de discriminação e exclusão. Em outras palavras, vivenciar a cultura do amor universal e do encontro que abre as portas para a cultura da paz. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Presença missionária junto ao povo Akwẽ Xerente

No início de 2018, retornei à missão junto ao povo Xerente e logo me tornei um dos membros do NIPAX (Núcleo de Intercâmbio do Povo Akwẽ Xerente), assim como outros apoiadores: Ir. Sílvia, Thêkla Maria Wewering, SSpS, e Pe. Martins Rodrigues Putencio. O grupo é formado por lideranças masculinas e femininas xerentes, pelo qual buscamos refletir e agir conjuntamente, no que se refere a questões fundamentais (terra, cultura, identidade, autonomia) para a sobrevivência como povo. Neste ano, o nosso trabalho está voltado para os seis clãs dessa etnia. Realizamos ações como articulação e organização sobre a questão dos clãs, em vista da realização de um congresso sobre os clãs, entre os dias 1º e 5 de junho de 2020. Percebemos que as identidades culturais, suas tradições estão se perdendo. Por isso o grupo NIPAX pensou em realizar o I Congresso do Povo Xerente, cujo objetivo primeiro é uma reorganização interna dos xerentes como povo Akwẽ, a fim de que possam reunir-se em clãs e tomarem algumas decisões importantes para a preservação de suas culturas. Acredito que será um momento de conscientização, comprometimento e de um despertar para se firmarem como um povo. Será de grande importância principalmente para os jovens xerentes. A minha presença como missionária serva do Espírito Santo inserida na realidade xerente é de uma partilha na vida das aldeias; de luta ao lado deles, de incentivo nos trabalhos para o autossustento. No momento atual, estou comprometida em apoiá-los, dando o meu testemunho de consagrada, que acredita na vida e que devemos cuidar dela e preservá-la, ainda mais dentro de um território onde a vida sofre constantes ameaças, por pressões externas, como o agronegócio (com os desmatamentos e agrotóxicos), os grandes projetos hidroelétricos com os impactos ambientais e outros. Para isso incentivamos as comunidades no plantio das roças de mandiocas e de grãos, pois, além de não faltar o alimento, terão como contribuir na alimentação nos dias do congresso. Entre um trabalho e outro, participo de algumas aulas da língua xerente, ministrada pelo professor Nelson Praze Xerente, membro também do NIPAX. O aprendizado do idioma será importante para a interação com todos da comunidade Akwẽ Xerente. Espero que, ao término do congresso, os indígenas estejam mais fortalecidos e conscientes com relação à identidade e sua autonomia como povo Akwẽ Xerente, para construírem juntos sua história de vida. Participar desse processo de preparação do congresso está sendo para mim um aprofundar no aprendizado da cultura e do modo de vida do povo Akwẽ bem como experienciar o quanto está sendo importante acolher e valorizar cada expressão de vida nas aldeias visitadas, e também poder partilhar com eles a alegria, a fé, a minha entrega amorosa a Cristo entre os xerentes. Por isso destaco Aquele que nos trouxe a vida, a causa de nossa missão: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Irmã Maria Leonice Neves é missionária serva do Espírito Santo, pós-graduada em Pedagogia Social com o tema “A atuação das mulheres indígenas xerentes na sua cultura”.
Rede de Educação une formação humana e desempenho pedagógico

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo acredita que a melhor maneira de educar é alinhar o desenvolvimento das habilidades emocional, social e intelectual. Tem a segurança de que a metodologia adotada em cada um de seus colégios e creches faz deles uma ESCOLA VIVA. O que torna os colégios e creches da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo excelentes escolas é a formação de alta qualidade, nas várias dimensões essenciais, para o desenvolvimento pleno das pessoas. A excelência pedagógica é uma premissa da qual não abrimos mão e que, hoje, está diretamente relacionada ao desafio de formar jovens para o mundo, como ele é no século XXI, em constante transformação. Os colégios e creches da Rede formam, assim, uma ESCOLA VIVA, que sempre soube, em seus mais de 115 anos de prática educacional, conjugar em harmonia sua vocação humana ao desempenho pedagógico. O projeto educacional tem como seu primeiro referencial a filosofia da instituição, que é fundamentada nos valores cristãos. Como base, adota os quatro pilares da educação da UNESCO, as dez competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as competências do ENEM.Cursos oferecidos em nossos colégios: EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO Para coordenar o projeto educacional, cada unidade escolar mantém uma estrutura de gestão composta de: • diretor(a)-geral• diretor(a) educacional• gestor(a) administrativo(a)• coordenadores(as) pedagógicos(as)• coordenadores(as) de área• coordenadores(as) de segmento• coordenador(a) do Sistema Integral(nas unidades onde há Sistema Integral)• coordenador(a) missionário(a)• serviços de suporte educacional/administrativo VISÃOSer uma REDE de educação inovadora, reconhecida pela excelência acadêmica, que prioriza o desenvolvimento integral da pessoa humana. MISSÃOEducar crianças e jovens, à luz dos valores cristãos, para que sejam cidadãos conscientes, críticos e criativos, capazes de conviver com as diferenças e protagonistas na construção de uma sociedade justa e sustentável. VALORESNossos valores são fundamentados nos valores cristãos que norteiam nossa ação educacional: verdade, beleza, bondade, justiça e comunhão. Ir. Maria de Fátima Marques, SSpS, Diretora Presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.
12 de fevereiro: Ir. Dorothy Mae Stang, mártir da América Latina

Irmã Dorothy Mae Stang nasceu em 7 de junho de 1931, em Dyton, Ohio, Estados Unidos. Quando jovem, entrou para a Congregação de Nossa Senhora de Namur. Veio para o Brasil em 1966, naturalizou-se brasileira e, desde a década de 1970, atuou na Amazônia, junto aos trabalhadores rurais. Fazia parte da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e defendia uma reforma agrária justa, por meio do diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas. Em Anapu-PA, batalhou incansavelmente pela implantação de um projeto de desenvolvimento sustentável, que buscasse a harmonia entre as pessoas e a natureza. Mesmo ameaçada de morte, nunca se deixou intimidar. Procurava soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra. Antes de ser assassinada com seis tiros, aos 73 anos, no dia 12 de fevereiro de 2005, declarou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir, com dignidade, sem devastar”. O corpo da irmã Dorothy está enterrado em Anapu. Todos os anos, em sua memória, celebra-se a Romaria da Floresta a partir do local do assassinato até seu túmulo, por isso é considerada mártir da ecologia. Maria Terezinha CorrêaGraduada em Filosofia pela UFJF, mestre em Antropologia pela USP, graduada em Pedagogia pela UNITINS e Especialista em Ensino de Filosofia pela UFSCar, sócia da APEOESP, ABA e SBPC. Carioca, lecionou 27 anos na rede estadual de ensino oficial de São Paulo com Filosofia e Sociologia, trabalhou entre os ribeirinhos de Humaitá-AM, e em serviços voluntários e pastorais em várias comunidades.
Centro Educacional Madre Josefa

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ), obra social sem fins lucrativos, mantida pela Sociedade de Ensino e Beneficência, foi fundada em 20 de maio de 2003. Atualmente atende 80 crianças de 2 a 5 anos de idade, em regime integral, e se propõe a educá-las de maneira plural, assumindo um compromisso com os valores cristãos: fé, justiça, solidariedade e construção da cidadania. Nestes quase 17 anos de funcionamento, o CEMJ realiza suas atividades acreditando na educação como força que transforma o indivíduo e o faz compreender-se como gerador de seu próprio conhecimento. Localizado numa região de grande vulnerabilidade social, o Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, o Centro Educacional Madre Josefa foi pensado em sua totalidade, atendendo não somente crianças, mas também suas famílias. Também busca gerar emprego aos moradores de seu entorno, muitos deles oriundos de outros Estados do País. Minha jornada profissional se atrelou à fundação da creche. Encantada pela missão de educar e com a tímida vontade de quebrar a ordem social imposta, a empatia com a filosofia da instituição me fez compreender os sentimentos e emoções próprios, de forma objetiva e ao mesmo tempo racional, assim como sentem os demais indivíduos da comunidade. Já no primeiro ano de matrícula, consegui ouvir relatos das famílias sobre a falta de espaço recreativo, educacional e de cuidados básicos para as crianças da comunidade. Como experiência pessoal, pois minha infância foi toda nesta comunidade, sei que tais fatores dificultam as perspectivas e a visão de mundo dessas famílias. Recordo-me das grandes caminhadas até a escola e a falta dos recursos. O que me animava era encontrar naquele espaço professores e pessoas que me acolheriam, iriam me alimentar e, naquele momento, era tudo o que me bastava. Crescendo em meio a tantas outras dificuldades, a escola era o local seguro para estar. A tarefa desafiadora do atendimento no CEMJ foi justamente esta: oferecer à Comunidade do Alemão oportunidade digna para o desenvolvimento infantil. Ano após ano, o CEMJ vem sendo reconhecido na comunidade como um espaço educacional de qualidade. Com efeito, esse modelo de atendimento parece ter dado impulso a uma consciência mais crítica acerca da qualidade de ensino oferecido às crianças, e a esperança passou a ser depositada no modelo de trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) como ideal desejado. Esse fato merece ser salientado, pois, a cada família atendida, a procura por uma vaga aumenta. O reconhecimento explícito da diferença na educação oferecida possibilita que esses moldes ultrapassem os muros da instituição, oferecendo às famílias oportunidade de reconstrução em suas próprias relações sociais e no convívio familiar. “Acreditar no sonho é o primeiro passo para transformá-lo em realidade.” (Ana Stoppa) Deixo aqui de lado mudanças espetaculares, como muitos esperam ver. A semente que é plantada e fertilizada não morre. As mudanças que o Centro Educacional provoca vêm pela reflexão, a construção da crítica, o contato com novas culturas, o desejo de crescimento pessoal e intelectual. A creche, como obra social, cumpre, com maestria, sua função, e hoje, para seus indivíduos, o mundo lá fora nunca será o bastante. Acreditamos no sonho de educação para a população em situação de vulnerabilidade, apostamos nos valores humanos e, acima de tudo, respeitamos as pessoas. Gilmara Solidade, coordenadora pedagógica – CEMJ Rio de Janeiro-RJ
A justiça restaurativa com crianças e adolescentes

Gostaria de iniciar lembrando e agradecendo a meus pais amorosos, Virgínia e Cícero, pelo melhor que me oferecem até hoje. Às irmãs Adriana, Karla e Lígia, pela longa parceria. Aos filhos João, Ana Júlia e Bruno, e ao marido Alexandre pela partilha cotidiana no incessante, turbulento e encantador movimento de cuidar e aprender. Também de destacar como inspiração, meio e fim, o que diz a irmã Martina Gonzalez, SSpS, em seu texto “A ética do cuidado”: “Sem o cuidado, não há ambiente favorável para o aflorar daquilo que nos humaniza: o sentimento profundo, a vontade de partilha e a busca do amor”. Divido um pouco de minha experiência no Degase, que é o Departamento-Geral de Ações Socioeducativas, órgão no Rio de Janeiro responsável pela internação e acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de conflito com a lei. Trajetória que começa com o voluntariado nas Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere) da Fundación para la Reconciliación da Colômbia, uma organização que se dedica a disseminar a cultura de paz e a justiça restaurativa em vários países. Por meio das Espere, conheci as irmãs Nelly Boonen e Martina Gonzalez, e tive o primeiro contato com o processo circular de construção de paz. Essa é uma prática restaurativa que busca o desenvolvimento de relações saudáveis, baseado em sete crenças centrais (veja abaixo) que intensificaram um movimento profundo de transformação em minha vida pessoal e meu envolvimento social. Seguindo na busca pelo conhecimento da justiça restaurativa, acompanhei outras formações teóricas e vivenciais no CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo). Junto ao aprendizado, veio a possibilidade de colaborar. Em 2019, com outras três facilitadoras, iniciamos a oficina Fundamentos de Justiça Restaurativa/Espere com jovens em cumprimento de medida socioeducativa em regime de internação. As atividades ocorreram no Centro de Socioeducação Dom Bosco, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro-RJ, comunidade onde vivo. Os desafios foram imensos nesse ambiente de inúmeras ausências e violências, estruturado no entendimento de justiça pela lógica punitiva. Como desenvolver uma proposta e atividades continuadas à luz da não violência, em busca de construção de relações justas baseadas no reconhecimento das diferentes identidades, no diálogo e na corresponsabilização? A incerteza da realização do encontro a cada semana pelas necessidades da instituição, a limitação do espaço e do horário e a impermanência dos jovens foram algumas das dificuldades que determinaram o esvaziamento da oficina ao longo dos meses. Mas, apesar da imprevisibilidade e esvaziamento, aumentou gradativamente a sensação de confiança e aproximação entre o grupo. A partir da participação voluntária nas atividades propostas e reflexões sobre valores humanos, novas perguntas puderam ser feitas. Foi um processo: passar do estranhamento e desconhecimento iniciais ao reconhecimento de si e do outro, na descoberta de novas respostas e caminhos possíveis. Um despertar de consciência para a responsabilidade pessoal e coletiva, mesmo que ainda sob a perspectiva limitadora e violenta da privação de liberdade, do sentimento de indignação, da sensação de abandono e falta de rede de apoio suficiente para atender tantas carências. Por fim, esses encontros me fizeram experimentar, mais uma vez, a conexão humana que se estabelece e engrandece a partir do cuidado e validação de nossa identidade, da aceitação de nossas limitações e potências, do compromisso pelo bem individual e coletivo. Independentemente dos lugares que ocupamos, somos seres de afeto em busca de reconhecimento, espaço e integração. Estamos interligados e, por novos e melhores dias, mantenho a esperança. Pressupostos centrais dos processos circulares de construção de paz: 1) dentro de cada um de nós está o verdadeiro eu: bom, sábio e poderoso; 2) o mundo está profundamente interconectado; 3) todos os seres humanos têm um profundo desejo de estarem em bons relacionamentos; 4) todos os seres humanos têm dons, cada um é necessário pelo dom que traz; 5) tudo de que precisamos para fazer mudanças positivas já está aqui; 6) seres humanos são holísticos; 7) nós precisamos de práticas para criar hábitos de viver a partir do eu verdadeiro. (Carolyn Boyes-Watson e Kay Pranis. No coração da esperança: guia de prática processos circulares: o uso de círculos de construção de paz para desenvolver inteligência emocional e construir relacionamentos saudáveis.) Vanessa Bispo Gadelha Valente, voluntária do Centro de Valorização da Vida e das Escolas de Perdão e Reconciliação, Rio de Janeiro-RJ.
Centro Missionário abre novos cursos

A formação missionária e pastoral dos leigos e leigas é uma das prioridades do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. A instituição está abrindo inscrições para quatro novos cursos, todos marcados para começar em 2020. As formações são direcionadas a catequistas, lideranças paroquiais e de comunidades, agentes de pastoral em geral, mas também a educadores e católicos em geral que desejam aprofundar na fé e nos conhecimentos bíblicos. A duração é de quatro meses, de 5 de março a 2 de julho, às quintas-feiras, das 19h30min às 21h30min, no Centro Missionário. Além de professores muito capacitados, o ambiente do curso é agradável, com salas confortáveis e bem equipadas, rodeadas de varandas e de jardim, uma vez que o Centro Missionário funciona dentro do Convento Santíssima Trindade. Conheça o local… Outra conveniência é a facilidade de acesso ao local. Diversas linhas de ônibus param bem em frente, e a estação Borba Gato, da Linha Lilás do Metrô, fica a apenas sete minutos a pé. Conheça os cursos VAGAS ESGOTADAS – O Curso Perdão e Reconciliação é teórico e vivencial, com dinâmicas que ajudam a lidar com os conflitos em família, nas comunidades ou outros, buscando caminhos de superação e de melhoria dos relacionamentos e alívio do sofrimento. Ver mais… O Curso Bíblico abordará as cartas de São Paulo, revelando sobre a vida do apóstolo e das primeiras comunidades cristãs. Será um mergulho no tempo e uma oportunidade de conhecer o pensamento paulino e a teologia presente nos escritos daquele que é uma das colunas da Igreja. Ver mais… VAGAS ESGOTADAS – Para as pessoas que têm dificuldade de falar em público, o Curso Como Falar em Público oferece a oportunidade de não apenas treinar práticas de retórica e oratória, mas também de conhecer e trabalhar os próprios bloqueios e dificuldades, melhorando a comunicação e a habilidade de falar em público. Ver mais… Para quem trabalha na catequese, pastoral do batismo, crisma e outras pastorais, o Curso de Formação para Catequistas dará a preparação necessária para trabalhar tanto os conteúdos como a didática. É ideal também para quem deseja estar a serviço da evangelização em diferentes situações. Ver mais… Os interessados poderão se inscrever a partir de agora, garantindo sua vaga. O cadastro pode ser feito on-line, acessando o link, pelo WhatsApp (11 98550-0227) ou no próprio local do curso. O endereço é Rua São Benedito, 2146 – Santo Amaro, São Paulo-SP.
Tique-taque, tique-taque…

Dizem que vai ser um ano de muitos recessos, feriados, além das datas comemorativas de sempre. Trazendo para este diálogo o tempo revestido de calendário, será importante anunciar. Ainda bem que já passou janeiro, com seus boletos, impostos, listas e promessas. E se a gente vai ter carnaval em fevereiro, acho que, em março, vai dar para o ano começar de vez. De cara, temos o Dia da Mulher que, para ser celebrado, precisa ser precedido de uma postura cotidiana marcada por sororidade, respeito, autonomia e parceria. Virando a “folhinha”, temos abril, que trará os costumes e a cultura indígena para a pauta. Mas esse debate e essa defesa têm de ser todo dia. Inadiavelmente. Depois vem maio, tempo de tradição casamenteira que deve encontrar casais que reuniram afetos e convicções de uma vida em parceria. E tem também o Dia das Mães, cujo comércio e consumismo não podem nos deixar esquecer que, para ter motivos para celebrar em maio, temos de, agora, experimentar afeto e proximidade. E, em junho, o destaque vai para o meio ambiente. Nosso planeta dá sinais de esgotamento e, diante desse cenário, precisamos mudar hábitos e atitudes enquanto é tempo. Tique-taque, tique-taque… E as férias chegaram… Aproveite para lembrar que é preciso estudar agora para colher os frutos e o merecido descanso no julho que virá. Agosto vem com o discreto charme do Dia dos Pais, figura mais que controvertida nos dias atuais, cujo aprendizado de presença, de proximidade, de diálogo nos desafia a cada dia. E também, a cada dia, revela-nos uma nova geração paterna mais colaborativa, que sabe que ser pai é todo dia. “Entrou setembro…” Ah, a primavera! Cheiro de poesia no ar, uma sensação de que valeu ter vivido até aqui e um discreto mal-estar despontando, indicando-nos que ainda há muito o que fazer. Este ano, a cena das barulhentas e criativas crianças vai dar lugar emergencial às eleições. Em outubro, escolheremos prefeitos e vereadores pelo Brasil afora. Vale acompanhar, empenhar-se em escolher uma boa candidatura ou a menos pior. Mas vote! E 2021 vai agradecer você… Na sequência, vem Zumbi assombrando nossa consciência negra. Espero que nos encontre dignos para celebrar essa data. Então é Natal! Tempo de celebrar, agradecer, renascer, repactuar promessas e atitudes. Sempre haverá tempo… Apesar da correria. Tique-taque, tique-taque… Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.