Cuidar da vida e se defender do coronavírus

Um ser extremamente minúsculo, o coronavírus, ganhou destaque nos noticiários internacionais, mudando a vida das pessoas em diferentes países. Além de causar mortes e muito medo, está desencadeando uma crise econômica sem precedentes. Embora tão pequeno, esse vírus está sendo capaz de parar diversos países do chamado “Primeiro Mundo” e já chegou também ao Brasil. Diante desse quadro, é natural que todos nós estejamos preocupados e buscando informações do que devemos ou não fazer. E nós, missionárias servas do Espírito Santo, que temos como vocação o cuidado com a vida, estamos muito atentas e buscando a melhor maneira de colaborar para conter essa pandemia o mais rápido possível. Ter informações corretas e tomar as medidas necessárias é indispensável em situações como esta, em que pequenas atitudes pessoais podem fazer a diferença e salvar a vida de pessoas que sequer conhecemos. O momento exige consciência e responsabilidade. É necessário cuidar de si mesmo e dos outros, pois, conforme nos lembra o Papa Francisco, na Encíclica Laudato Si’, estamos todos interligados. Nesta entrevista, convidamos a médica geriatra Dr.ª Sílvia Bitar que, desde 2013, cuida de nossas irmãs idosas da Comunidade do Santana, em São Paulo-SP. Ela vai nos orientar quanto aos cuidados necessários para evitar o contágio e proteger a vida, especialmente das pessoas mais vulneráveis. Doutora Sílvia é especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e pós-graduada em cuidados paliativos e, acima de tudo, uma profissional capaz de se colocar no lugar de quem sofre e de buscar todos os meios para garantir uma melhor qualidade de vida para seus pacientes. Vale a pena seguir suas recomendações. Irmã Ana Elídia C. Neves: Doutora Sílvia, o coronavírus está se alastrando rapidamente também no Brasil. O que os meios de comunicação estão falando, em sua opinião, é real ou há uma dose de exagero? Doutora Sílvia Bitar: O coronavírus já é considerado uma pandemia. Existe uma preocupação que considero real, pois é um vírus cuja disseminação é muito alta e que tem uma maior mortalidade em idosos. Temos de tomar cuidado com o excesso de informação, que está gerando um pânico na população e pode acabar fazendo com que as pessoas tomem atitudes irracionais. Os meios de comunicação têm um papel importante de educar e de orientar as pessoas em relação às medidas que devem ser tomadas. Ir. Ana Elídia: Como o covid-19 oferece mais riscos para pessoas idosas, que medidas preventivas instituições como a nossa e outras que cuidam de pessoas idosas devem tomar? Dr.ª Sílvia: Estamos tomando algumas medidas para proteger nossas idosas, como treinar e educar os funcionários: orientar de não trabalhar em caso se febre e, ou, sintomas respiratórios, reforçar a aderência a medidas de prevenção e controle de infecções, como a lavagem das mãos com água e sabão, álcool gel e uso correto de materiais de proteção individual, como luvas e máscaras… Também recomendamos reduzir as atividades em grupo e evitar concentrar grande número de pessoas em áreas de convivência, inclusive evitar saídas para consultas e exames de rotina. Orientamos também isolar no quarto a pessoa idosa com quadro respiratório e o profissional a utilizar os equipamentos necessários de proteção. Ir. Ana Elídia: E as famílias que têm pessoas idosas em casa, o que devem fazer para diminuir os riscos de contágio e não expor seus idosos ao coronavírus? Dr.ª Sílvia: O ideal é que o idoso evite sair de casa neste momento e as pessoas que moram na casa tomem todos os cuidados de proteção. Principalmente evitar contato físico. Também tomar as medidas de prevenção de infecção. Em caso de algum familiar ficar doente com sintomas respiratórios, será necessário isolá-lo em algum cômodo. Quando possível, pode ser interessante utilizar mascara em área coletiva. Ir. Ana Elídia: Nós também temos escolas e nos preocupamos com as crianças e jovens, suas famílias, professores e colaboradores… A senhora tem alguma recomendação especial para o cuidado de crianças e jovens? Dr.ª Sílvia: As crianças parecem estar mais protegidas do covid-19. Geralmente, os sintomas são leves, e muitas não apresentam sintomas. A vacinação deve ser estimulada nessa faixa etária. Tendo em vista a necessidade de evitar aglomerações e reduzir o volume do transporte público para prevenir a disseminação do coronavírus e assim evitar sobrecarga dos sistemas de saúde, todas as escolas do Estado de São Paulo terão as atividades gradualmente suspensas a partir do dia 16 de março, até a suspensão completa no dia 23 de março. Devemos ter uma atenção especial com as crianças com problemas respiratórios crônicos e imunodeprimidas. Também acho importante conscientizar e educar os jovens. “Atitudes individuais podem ajudar o coletivo.” Ir. Ana Elídia: Que atitudes ou comportamentos podem ajudar a conter o coronavírus? Dr.ª Sílvia: Orientar os pacientes a evitar aglomeração, etiqueta do espirro e manter as medidas básicas de higiene das mãos. Sintomas gripais leves podem ser tratados em domicílio. Pacientes com sinais de alarme, como febre persistente, falta de ar e queda do estado geral, devem ser encaminhados ao pronto atendimento. Uso de máscara para os indivíduos com sintomas respiratórios. Evitar contato físico, como aperto de mãos, abraços e beijos. Ir. Ana Elídia: Que lições, em sua opinião, podemos aprender com o coronavírus e suas consequências para o mundo? Dr.ª Sílvia: Acho que as pessoas estão mais conscientes em relação à necessidade de medidas de higiene e prevenção de infecção. Atitudes individuais podem ajudar o coletivo. Ao mesmo tempo, nosso papel como profissional de saúde é orientar a população a tomar medidas conscientes. Na Espanha, estão homenageando os profissionais de saúde que estão cuidando dos pacientes infectados, pois, enquanto a população está isolada em suas casas para evitar que o vírus se espalhe, os profissionais estão expostos para cuidar dos doentes. Cada indivíduo tem seu papel na sociedade para ajudar a combater essa pandemia. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _____

Águas de fevereiro: a raiz do problema

Nosso país ficou bastante chocado com o alto volume e a intensidade das chuvas que ocorreram na Região Sudeste, nos dois primeiros meses de 2020. Somente em Minas Gerais, 196 municípios decretaram emergência em consequência das chuvas, mais de 8 mil pessoas ficaram desabrigadas e houve 55 mortes. Muitas pessoas questionam as razões de tanta chuva. Cientistas não hesitam em apontar o aquecimento global como uma das causas. De acordo com Gilvan Sampaio, doutor e mestre em Meteorologia pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com a elevação da temperatura global, há um aumento de evaporação na atmosfera, com isso as nuvens aumentam e as chuvas tornam-se mais intensas. O pesquisador ressalta ainda que as emissões de gases de efeito estufa do outro lado do mundo podem causar impactos em qualquer outro lugar. A cientista brasileira Márcia Zilli fala dos efeitos e aponta para o surgimento de um novo padrão climático. As chuvas fortes estão acontecendo com mais frequência do que antes e há um período de seca mais extenso entre as chuvas. Apesar do impacto direto sobre a vida de inúmeras pessoas em todo o mundo, as ações de combate ao aquecimento global caminham a passos lentos. Em 2015, na COP 21, líderes mundiais ou seus representantes assinaram um pacto de combate global às mudanças climáticas. No entanto, em 9 de fevereiro deste ano, expirou o prazo simbólico para que esses Estados apresentassem às Nações Unidas suas contribuições determinadas nacionalmente (CDN) para fortalecer o conjunto de medidas de combate às mudanças climáticas. Apenas o Suriname, as Ilhas Marshall e a Noruega apresentaram planos climáticos atualizados. Entendemos a raiva da jovem Greta Thunberg ao confrontar os líderes mundiais e apontar a destruição de nossa Casa Comum. Mais do que nunca, é necessária e urgente uma atitude de conversão, conforme salienta o documento final do Sínodo da Amazônia. Que nesta Quaresma também nós possamos fazer um sincero exame de consciência a fim identificar a coparticipação pessoal na destruição do planeta e buscar uma conversão ativa que revitalize as relações socioambientais e garanta o futuro das gerações que nos sucedem. Ir. Stela Maris Martins, SSpSMembro da Redes – Rede de Solidariedade

Transformando vidas no Taquaril

As missionárias servas do Espírito Santo estão no bairro do Taquaril, na Região Leste do Município de Belo Horizonte, desde o início da década de 1990, poucos anos após o surgimento do bairro, em 1986. Apesar de ser uma área muito bonita, rodeada pela Serra do Curral, o Taquaril já foi considerado uma das regiões mais pobres do Brasil e a maior periferia da capital mineira. Sua população, em sua maioria, vinda do interior do Estado, precisou enfrentar muitos problemas sociais, além da violência, conflito entre gangues e tráfico de drogas. Graças ao trabalho dedicado da Igreja local e o empenho da população, muitas melhorias foram alcançadas. Exemplo disso é a presença da missionária polonesa Ir. Matilda Gorus. Quando ela chegou ao bairro, não havia praticamente nenhum serviço de atendimento à população. Então ela foi perguntando ao povo qual era a maior necessidade, e as famílias disseram que queriam uma creche, para deixar as crianças e, assim, permitir que as mães pudessem trabalhar. A Creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ligada à Paróquia São Gabriel, teve início em 1996 e vem transformando a vida das crianças e da população. Neste vídeo, você conhecerá um pouco da missão de Ir. Matilda no Taquaril e também verá o depoimento de alguns moradores da comunidade. Eles, incluindo o padre e um pastor evangélico, falam sobre a dedicação e o amor que a missionária tem para com aquele povo. Confira.

Tema transversal 2020 – Escola viva: vê, sente e cuida

A Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a uma nova reflexão e ação diante da vida. O tema traz algumas palavras importantes, como vida, dom, compromisso; e como lema palavras de igual importância, como ver, sentir, cuidar e ter compaixão. Todas essas palavras, se bem pensadas e vividas, tornam-se um (projeto) estilo de vida. O estilo de vida ensinado por Jesus, capaz de transformar nosso jeito de nos relacionar com nós mesmos, com os que caminham conosco e com o planeta, nossa Casa Comum. Por esse motivo, o tema transversal escolhido para as escolas da Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo para 2020 é: “Escola viva: vê, sente e cuida”. Os verbos ver, sentir e cuidar estão presentes na história contada por Jesus e conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” (Lc 10,25-37). Ao ver a difícil situação de alguém, o personagem da narrativa olha, para e se coloca no lugar de homem ferido, procurando fazer o melhor que podia naquela circunstância. Cuidado e acolhida que devemos encontrar na família, na sociedade, entre nossos amigos e na escola. E por falar em escola, uma escola viva vive e ensina a fazer da vida dom e compromisso que se traduz no cuidado e na acolhida com as pessoas, lugar por excelência do sagrado. Colocar-se no lugar do outro Há 56 anos, a Campanha da Fraternidade nos convida anualmente a pensar temáticas que venham ao encontro das necessidades existentes em nossa sociedade. Pensando nas questões humanas e no que precisa ser transformado para que a vida seja vivida com dignidade, a CF nos chama a ver a realidade, pensar sobre ela e buscar ações eficazes de mudança. Diante de aspectos essenciais à vida, como saúde, educação, moradia, exclusão, justiça e tantos outros, a CF vem nos provocar neste ano para que vejamos, sintamos e cuidemos da vida. Contudo sabemos que isso exige, de cada um, de cada uma, o compromisso de deixarmos de lado a indiferença diante da necessidade dos que mais precisam de nós. Não por acaso, a Rede de Educação, inspirada na CF de 2020, escolheu com seus educadores um tema transversal para o ano letivo. Esse tema é responsável por motivar nossos alunos, educadores e familiares à sensibilidade e à diligência que nos tornam mais humanos. Ver, sentir e cuidar, como fez o personagem da parábola contada por Jesus, que sentiu empatia pela situação que presenciou e, colocando seu coração, procurou fazer o melhor. Em tempos de extremo individualismo, colocar-se no lugar de outra pessoa tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a história do Samaritano é uma provocação e um convite feito por Jesus para se repensar uma sociedade indiferente diante das necessidades dos que mais precisam. Nesse sentido, a escola viva deve ser o lugar onde se aprende e se pratica nosso modo de ver, sentir e cuidar de nós, do próximo e do planeta, nossa casa. Verbos interdependentes que ganham sentido quando acontecem nesta mesma ordem: sente quem vê, cuida quem sente. Inevitavelmente só conseguiremos vivenciar essa trilogia se passar pelo coração, pois só quando a transformação acontece de dentro para fora é que conseguimos fazer diferença nos espaços onde atuamos. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.

Missionários leigos SSpS participam de seminário em Roma

“Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas obras, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”(1Cor 12,4-6). Com esse sentimento de diversidade de dons, ministérios e obras, mas um só Espírito, sou uma entre os doze missionários leigos SSpS da África, Ásia, América e Europa que participaram do seminário “Missionários leigos SSpS aprofundando a comunhão”, realizado na Casa-Geral, em Roma, de 23 a 29 de fevereiro. Com alegria, gratidão e fé, partilhamos nossa visão, desejos, sonhos, oportunidades, sugestões sobre a nossa participação como “companheiros da missão”. Cada um de nós falou sobre as atividades realizadas em seu país e, quando chegou minha vez, apresentei o que estamos fazendo no Brasil, começando por um breve histórico das servas do Espírito Santo (SSpS) no País e sua organização atual em duas províncias: Brasil Norte (BRN) e Brasil Sul (BRS). Depois fiz um resumo sobre nossos grupos de missionários(as) leigos(as) de Deus Uno e Trino (MLDUT): como nos reunimos, nossa formação, símbolos e identidade visual, como nos comunicamos, o acompanhamento espiritual e como nos mantemos. A Coordenadora-Geral, a irmã Maria Theresia Hornemann, assistiu às apresentações da Alemanha, Angola, Argentina, Coreia, Paraguai, Gana, Índia, Java, Filipinas, Taiwan, Holanda e, ao fim da apresentação do Brasil, reconheceu o trabalho que estamos realizando. A missa de abertura foi presidida pelo Superior-Geral da Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD), Pe. Budi Kleden. Ele falou sobre o ânimo na construção de novos caminhos que o Espírito realiza bem como sobre os documentos das missionárias SSpS que manifestam a necessidade de aumentar a liderança participativa dos leigos e a coragem de aceitar e valorizar as diferenças. O seminário nos ajudou a fortalecer nossa colaboração como missionários leigos junto às irmãs SSpS e a compartilhar uma visão comum. Também propomos um plano de realização do seminário de acordo com a realidade de cada país, preparamos uma declaração e elegemos dois participantes para nos representar no 15º Capítulo-Geral da Congregação, que será realizado em Steyl, na Holanda de 19 de abril a 21 de maio próximos. Um momento muito especial para todos nós foi a saudação que o Papa Francisco fez na audiência-geral, no dia 26 de fevereiro, aos missionários leigos e leigas ligados às irmãs SSpS. Para nos representar, elegemos Juan Matías (Argentina) e Richar González (Paraguai). A seguir, apresento a declaração que preparamos. Nossos dois representantes vão levá-la ao Capítulo-Geral. Quem são os “companheiros da missão” Mulheres e homens (consagrados e não consagrados) de diferentes nacionalidades e idades, corresponsáveis pela missão com as SSpS: comprometidos com a espiritualidade trinitária e com o carisma missionário; escolhem compartilhar os dons e talentos nas diversas áreas e pastorais da missão. Sentem-se parte da Família Arnaldina como fonte de alegria, fortaleza e esperança. Caminham com as congregações fundadas por Santo Arnaldo Janssen, vivendo a espiritualidade e o carisma na vida cotidiana, ante a urgência dos tempos, e colaboram com o discernimento e trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS); realizando a missão interna (igreja doméstica – família) e a missão externa (ad gentes), ampliando círculos de comunhão. Companheiros da missão Para os leigos missionários, é importante fazer parte da missão e visão da Congregação das SSpS, pois, ao ampliar os círculos, podem oferecer seus talentos em diferentes áreas da missão de Cristo, em coerência com a vida da Congregação, encontrando realização pessoal e alegria em compartilhar a missão de amar e glorificar o Deus Uno e Trino no coração de todas as pessoas, em uma dimensão espiritual e também concreta. São “companheiros da missão” e se oferecem totalmente, com suas luzes e sombras, para a evangelização, com humildade, honestidade, alegria e disposição para aprender e compartilhar a vida cristã. Desejam poder motivar, comunicar e animar, com entusiasmo, as comunidades, em compromisso com a liderança, com os valores do Evangelho; reconhecendo a ação de Deus em todos os estilos de vida. Visão Ampliar o círculo de comunhão, inspirados e fortalecidos pelo Espírito Santo que renova, dinamiza e alegra a missão com as SSpS e respondem a novos desafios de nosso mundo, promovendo a vida, a dignidade e cuidando da casa comum. Mensagem às SSpS Agradecidos e inspirados pelos frutos de viver no espírito de comunhão, os companheiros da missão desejam continuar juntos o caminho missionário com maior participação e colaboração junto às SSpS, fomentando o espírito de respeito e confiança mútuos, corresponsabilidade, formação contínua, compromisso mais profundo, renovado entusiasmo e fervor. Desejam criar equipes de liderança regionais, provinciais e intercontinentais para trabalhar em colaboração entre os companheiros da missão e as SSpS. Agradecemos muito a oportunidade de, reunidos em Roma, expressar à equipe de liderança congregacional e aquelas que tornaram o seminário possível, bem como a confiança para analisar abertamente novas formas de trabalho conjunto e participar do 15º Capítulo-Geral. Os companheiros da missão renovam o apoio contínuo e o compromisso para alargar cada vez mais os círculos de comunhão. Maria Cristina Queiroz MaiaMissionária leiga SSpS e participante do seminário, Roma, 2020.

Mulheres comprometidas com a vida

Março começa com a letra M; “M” de “mulheres”, “M” de “meninas” e, por que não, também “M” de “musas” inspiradoras da vida? Já pensou em quantas conquistas as mulheres brasileiras conseguiram ao longo dos últimos séculos? Você sabia que, em 1879, as mulheres no Brasil ganharam o direito de cursar uma faculdade? Lembrando, contudo, que eram apenas as da classe privilegiada, em tempos ainda de Monarquia. Em 1932, Período Republicano, às brasileiras foi garantido o direito de votar? Graças à reivindicação de um grupo de mulheres no Rio Grande do Norte. Nas décadas entre 1960 a 1980, muitas artistas, cantoras e atrizes revelaram-se no mercado da indústria cultural? Em 2006, criou-se a Lei Maria da Penha para combater a violência doméstica? Em 2010, escolhemos a primeira mulher presidente da República? Em 2015, a Lei de Feminicídio classifica o assassinato de mulheres como crime hediondo? Quantas mulheres lutaram pela liberdade e, até hoje, buscam pelo direito a uma vida digna, de escolher estudar, de ter uma profissão, de poder constituir sua família na paz? Mulheres de Abaeté, de Itapuã, lembradas no enredo do carnaval deste ano, mulheres quilombolas, indígenas, ribeirinhas, afrodescendentes, mulheres operárias, caminhoneiras, costureiras, cozinheiras, diaristas, domésticas, jogadoras, jornalistas, metalúrgicas, motoristas, professoras, arquitetas, médicas, engenheiras, advogadas, teólogas e tantas outras, enfim, conquistaram o espaço que antes era só masculino. Desde a Antiguidade, as mulheres ocidentais sofreram preconceitos, principalmente em relação à participação política. Ao longo da História, várias foram caçadas como bruxas, queimadas vivas, como na Inquisição, ou assassinadas por questionar atitudes desumanas e injustiças sociais. Um exemplo foi a francesa Olympie de Gouge, que criou a Declaração Universal da Mulher e da Cidadã (1791), como crítica ao Estatuto do Homem, após a Revolução Francesa. Pouco depois, foi morta (1793). No século XIX, outras tantas se comprometeram com a vida das mulheres, enfrentando até chefes, intelectuais, autoridades, como Rosa Luxemburgo. Uma fábrica em Nova Iorque, em 1911, sofreu um incêndio, e 130 operárias morreram carbonizadas, marcando, assim, a data do Dia Internacional das Mulheres. Em 1917, 90 mil operárias participaram do movimento “Pão e Paz” na Rússia. Em 1918, na Inglaterra, as mulheres conquistaram o voto e, somente em 1945, a Carta das Nações Unidas reconheceu a igualdade de direitos entre homens e mulheres, garantindo a vida, a liberdade e a segurança. Na década de 1960, os movimentos feministas possibilitaram avanços internacionais das mulheres de conquistar seu espaço na sociedade, permitindo ver, sentir e cuidar melhor da vida. Simone de Beauvoir, Bertha Lutz, Olga Benário Prestes, entre outras, foram pioneiras em pensar num mundo melhor para todos. Nossa esperança é que as “meninas-guerreiras” do século XXI continuem com coragem e comprometidas com a vida, não somente pessoal, mas também planetária, a exemplo de Malala, que luta pelo direito das meninas à educação; Gretha, que busca conscientizar mundialmente a preservação do meio ambiente, sem esquecer que muitas deram e dão a vida por um mundo de paz e justiça. O Dia internacional da Mulher é lembrado em diversas partes do mundo, gerando vida nova a todas que estão a seu redor. No Brasil, sabemos o quanto ainda temos de melhorar: a presença das mulheres na política, o combate ao feminicídio, a violência doméstica, a igualdade salarial entre os gêneros, os direitos das mulheres rurais e domésticas em se aposentar com dignidade e tantos outros projetos. Elas renunciam a fama, o sucesso, a carreira, a família, mas, com fé, lutam pelos menos favorecidos em orfanatos, em hospitais, atendem moradores de rua, atuam em casas de recuperação, vivem em favor dos indígenas em aldeias, trabalham em campos de refugiados, fazem visitas a presidiários, a idosos e tantos outros. Temos muitos exemplos como os de Ir. Dorothy Stang, Margarida Alves, Santa Paulina, Santa Teresa de Calcutá, Santa Dulce e tantas anônimas e voluntárias que ao verem a necessidade de humanos e também de animais, sentem empatia e buscam cuidar para o bem. Mulheres comprometidas geram vida! Maria Terezinha Corrêa é Mestra em Antropologia pela USP, especialista em Ensino de Filosofia pela UFSCar, graduada em Filosofia pela UFJF e em Pedagogia pela Unitins, sócia da APEOESP, ABA e SBPC. Carioca, trabalhou por 27 anos na Rede Estadual de Ensino Oficial de São Paulo, lecionando Filosofia e Sociologia, atuou entre os ribeirinhos de Humaitá-AM e em serviços voluntários e pastorais em várias comunidades.

Papa Francisco propõe nova economia

O ENCONTRO FOI ADIADO PARA NOVEMBRO, COM O OBJETIVO DE FAVORECERA PARTICIPAÇÃO DOS JOVENS ECONOMISTAS. Saiba mais. De 26 a 28 de março, Assis, a cidade italiana de São Francisco, receberá mais de 2 mil economistas e empreendedores de 115 países, todos com menos de 35 anos, para participar do encontro “A Economia de Francisco”, evento convocado pelo Papa. O Brasil se fará representar por 30 participantes. A agenda prevê debates sobre • trabalho e cuidado; • gestão e dom; • finança e humanidade; • agricultura e justiça; • energia e pobreza; • lucro e vocação; • políticas para a felicidade; • desigualdade social; • negócios e paz; • economia e mulher; • empresas em transição; • vida e estilos de vida; e • economia solidária. “Não há razão para haver tanta miséria. Precisamos construir novos caminhos”, declarou Francisco ao convocar o evento. Ele propõe uma economia “que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da Criação e não a depreda”. E afirma a necessidade de “corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das futuras gerações”. Para assessorar o Encontro, o Papa convidou Jeffrey Sachs, Joseph Stiglitz, Amartya Sen, Vandana Shiva, Muhammad Yunus e Kate Raworth. Os temas da desigualdade social e da devastação ambiental ocuparão o centro das atenções. Segundo o economista Ladislau Dowbor, no atual estágio do capitalismo, “não há nenhuma razão para haver miséria no planeta. Se dividirmos os 85 trilhões de dólares que temos de PIB mundial pela população, isso equivale a 15 mil reais por mês por família de quatro pessoas. Isso é amplamente suficiente para todos viverem de maneira digna e confortável”. Hoje, segundo a FAO, 851 milhões de pessoas passam fome. A população mundial é de 7,6 bilhões de pessoas, e o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de bocas. Portanto não há falta de recursos, há falta de justiça. Como não há falta de dinheiro, e sim de partilha. Os paraísos fiscais, verdadeiras cavernas de Ali Babás, guardam 20 trilhões de dólares, 200 vezes mais do que os US$ 100 bilhões que a Conferência de Paris estabeleceu para tentar deter um desastre ambiental. No neoliberalismo, o capitalismo adquiriu nova face. Deslocou-se da produção para a especulação. As fabulosas fortunas estocadas nos bancos favorecem prioritariamente os especuladores, e não os produtores. Em suas obras, Piketty demonstra que produzir gera empregos e resulta no crescimento de bens e serviços na ordem de 2% a 2,5% ao ano. Porém quem aplica no mercado financeiro obtém um rendimento de 7% a 9% ao ano. O agravante é que o capital improdutivo quase não paga imposto. E a desigualdade de renda tende a crescer, pois, hoje, 1% da população mundial detém em mãos mais riqueza que os 99% restantes. A soma das riquezas de apenas 26 famílias supera a soma da riqueza de 3,8 bilhões de pessoas, metade da população mundial. E, no Brasil, apenas seis famílias acumulam mais riqueza do que 105 milhões de brasileiros – quase metade de nossa população – que se encontram na base da pirâmide social. Segundo a Revista Forbes, 206 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 230 bilhões de reais em 2019, enquanto a economia ficou praticamente estagnada. Enquanto isso, aos mais pobres cabem os R$ 30 bilhões do Programa Bolsa Família. Portanto, como assinala Dowbor, não é o Bolsa Família e a aposentadoria dos velhinhos que prejudicam a economia, e sim a acumulação de riquezas em mãos de grandes grupos privados que não produzem, são meros especuladores financeiros. Essas famílias tinham uma fortuna, em 2012, de R$ 346 bilhões. Em 2019, subiu para 1 trilhão e 206 bilhões de reais. Como em nosso país, lucros e dividendos são isentos de tributação, esses bilionários não pagam impostos. O objetivo do Papa Francisco é que vigore no mundo uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável. Frei Betto é escritor mineiro, autor de “Uma Educação Crítica e Participativa” (Rocco), entre outros livros.

A serviço da justiça, paz e reconciliação

A situação prisional do Brasil é uma catástrofe. Em julho de 2019, a população prisional era de 773.151 pessoas privadas de liberdade. Dessas, 33% não tinham qualquer condenação. A população carcerária triplicou nos últimos 20 anos. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Estado de São Paulo ocupa a primeira colocação, com 233.755 presos; seguido por Minas Gerais, com 78.003 detentos; Rio de Janeiro, com 59.966; Rio Grande do Sul, com 40.687; e Pernambuco, com 33.555. Diante desse cenário, o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP) estabeleceu uma parceria com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e o Conselho Nacional da Justiça (CNJ) para implantar ações de justiça restaurativa em dez tribunais do Brasil. Esse avanço é fruto de 15 anos de trabalho e busca inquietante, de uma pesquisa de doutorado e de muitas formações oferecidas dentro e fora do Brasil com os mais diversos públicos. Pouco a pouco, fui me capacitando, ganhando experiências e enxergando lugares de atuação. Desde 2013, outras duas irmãs servas do Espírito Santo (SSpS) de minha comunidade, Martina Gonzalez e Helena Christo, dão formação em fundamentos de justiça restaurativa em presídios de São Paulo, em conjunto com a Pastoral Carcerária. Inspirada na Escola de Perdão e Reconciliação, esse curso trabalha as dimensões cognitivas e emocionais para reconhecer e lidar com sentimentos e necessidades que afetam as relações, aprofundando o perdão como um valor. Ao introduzir a justiça restaurativa, desconstrói e reconstrói conceitos e práticas já enraizadas e propõe um modelo de justiça que conecta e restaura pessoas e relações, possibilitando a reconciliação. O trabalho no presídio tem um aspecto pastoral muito importante, e agradeço minhas irmãs por assumirem essa missão. Cada curso tem dez encontros semanais de três horas de duração, e ouvimos testemunhos edificantes dos presos. Mas me inquietava que o resultado não tinha incidência na política pública. Com o número sempre crescente de encarcerados e as condições nos presídios cada vez mais desumanas, sempre questionava a comunidade: como a justiça restaurativa poderia evitar o encarceramento, a desumanização e a retroalimentação da violência causada pelas respostas punitivas do Estado? Em julho de 2017, participei de uma formação com a juíza Catarina Lima, de Planaltina-DF. Até então, ela era a única juíza criminal que levava em consideração os procedimentos restaurativos para incidir sobre a sentença. Ela estava tão aflita quanto eu em relação à bomba-relógio que o encarceramento em massa está construindo no Brasil. Depois de várias conversas buscando ver como aplicar a justiça restaurativa para ter reflexos na sentença, ela me convidou para trabalhar na Vara Criminal que ela coordena. Aceitei o desafio e a oportunidade, e, ao longo de um ano e meio, uma vez por mês, ia alguns dias a Brasília para os atendimentos. Com formação em Ciências Sociais, tive de aprender muito da área do Direito e descobrir as possibilidades da justiça restaurativa na área criminal. No CDHEP, conseguimos um financiamento para replicar e ampliar os aprendizados em uma Vara Criminal de São Paulo. Contratamos um criminalista e, após quase um ano, com outras duas juízas, iniciamos os atendimentos de casos de crimes graves. No momento, estamos com dez casos criminais e esperamos poder oferecer um bom desfecho para as vítimas, para os ofensores e para a sociedade como um todo. Paralelamente a essas ações, continuaram as reflexões sobre a possibilidade de ampliar a justiça restaurativa na Justiça Criminal. Com mais experiência e apoio de criminalistas, conseguimos oferecer esse novo projeto tendo em vista a diminuição do encarceramento. A parceria com o CNJ pretende contribuir para a implantação, estruturação e fortalecimento de órgãos e serviços de justiça restaurativa nos Tribunais de Justiça, na Rede de Garantia de Direitos e na sociedade civil para atuarem no Sistema de Justiça Criminal e Penitenciário e no Sistema de Justiça Juvenil e Socioeducativo em dez Estados da Federação. O projeto já aprovado se enquadra no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 da ONU, que almeja o acesso à Justiça para todos e a construção de instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. A mim cabe coordenar a aplicação desse projeto nos dez Estados participantes. Com exceção de São Paulo, são do Norte e Nordeste, os mais pobres e com instituições públicas mais deficientes. Minha sensação é de fecharmos um ciclo de trabalho, indo a outro nível de organização. A paciência, as articulações e as formações de muitos anos produziram uma semente a ser espalhada pelo Brasil. A terra foi preparada. Agora é hora de semear. Um belo desafio e uma ótima oportunidade. Irmã Petronella Maria Boonen (Nelly) é cofundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP. O projeto já aprovado: link para https://www.cnj.jus.br/justica-restaurativa-chegara-a-10-tribunais-do-pais/

Conheça a Comunidade Santana: a missão em outra perspectiva

A Comunidade Santana, em São Paulo-SP, é composta por dezoito irmãs servas do Espírito Santo e uma leiga. Segundo a irmã Monika Kopf, sete das religiosas são cadeirantes e quatro precisam de cuidados dia e noite. Essa é uma das características da casa que acolhe missionárias que já trabalharam muito ao longo da vida. “Elas cuidaram tanto e agora têm o carinho de serem cuidadas”, diz a fisioterapeuta Jéssica Aline de Oliveira. Mas se engana quem pensa que as irmãs da comunidade levam uma vida monótona. Com a ajuda de profissionais, elas participam de atividades de formação, trabalhos manuais, exercícios físicos, confraternizações. “Nós acompanhamos tudo o que acontece na Congregação. Todos os informativos nós lemos, refletimos, comentamos”, conta a irmã Monika. Ela acrescenta que todas continuam sendo missionárias. Pela oração, apoiam evangelizadores e evangelizadoras de todo o mundo. Assista ao vídeo e conheça mais sobre a Comunidade.

Campanha da Fraternidade 2020: Dom e Compromisso

Quantas vezes você viu pessoas pedindo ajuda para comprar uma passagem ou um remédio? Ou viu seres humanos debaixo de viadutos, pessoas que se tornaram moradores de rua? A demanda de migrantes, de pessoas desempregadas em nosso País é grande. O que fazer? Neste ano de 2020, a Igreja Católica no Brasil propõe, a partir do período da Quaresma, a refletir sobre o nosso compromisso com a vida, com o outro, com aquele que deveríamos considerar como “irmão”, pois é nosso semelhante, já que chamamos Deus de Pai. Como ser solidário, solidária com o próximo? Jesus, no Evangelho segundo Lucas (10,25-37), dá-nos a resposta ao contar a Parábola do Bom Samaritano. Um estrangeiro que, no caminho, percebeu o outro caído, machucado, necessitado: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). O samaritano não se omitiu ao ver o problema do outro. A importância do olhar foi fundamental para que ele sentisse compaixão, tivesse empatia. Não ficou criticando os que atacaram o transeunte nem teve preconceito com o caído, porque não era da mesma crença ou porque não era seu conhecido ou conterrâneo; preocupou-se em devolver-lhe a vida, levando-o para uma hospedaria para ser cuidado. Por isso o Mestre perguntou quem, dos três personagens da parábola, foi o mais próximo daquele homem necessitado. Em nossa sociedade brasileira, há diversas situações de dificuldades que precisam ser percebidas, vistas com os “olhos do coração”, ou seja, além das aparências, para que, por meio de atitudes solidárias e cristãs, possam ser geradas soluções, situações de paz. Pequenos gestos são muito importantes para devolver o dom da vida aos semelhantes: olhar para ver a situação do outro, do “próximo”, comover-se com a situação de outrem, não se omitir diante de injustiças, de problemas. Cuidar do outro, auxiliando no que for preciso, encaminhar se necessário; isso também é caridade. A Igreja tem vários exemplos de “samaritanos e samaritanas” comprometidos com o dom da vida, como São Francisco de Assis, São Francisco Xavier, São Vicente de Paula, Dom Hélder, Santa Paulina, Santa Teresa de Calcutá e, mais recentemente, Santa Dulce dos Pobres, que afirmou: “O importante é fazer a caridade, não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como missão escolhida por Deus”. E tantos outros anônimos que oferecem um espaço em sua casa ou num terreno e trabalham no e para o bem dos mais necessitados. Não seja indiferente, preconceituoso. Faça a diferença, outros que dedicam suas vidas aos menos favorecidos. Não adianta somente olhar o vídeo postado nas redes sociais e compartilhar as situações de misérias ou de violências. Isso é continuar na mesmice. Seja presente e comprometido com a vida, que é dom. Denuncie, caso seja necessário. Faça valer o direito à vida, à liberdade, à dignidade. Que tenhamos mais geladeiras solidárias, serviços de ouvir os que estão acamados, os deprimidos, visitas aos idosos e aos doentes, de levar conhecimento àqueles que estão em busca de apoio para aprender um ofício, dar atenção às crianças e aos jovens caídos pelas sarjetas da vida porque perderam seus pais para os desafetos da sociedade desigual. Veja, sinta, cuide de tudo que acontece a seu redor para, assim, compartilharmos e criarmos uma sociedade de justiça, de fraternidade e de paz, a partir de projetos éticos, para o bem de todos. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia pela USP, especialista em Ensino de Filosofia pela UFSCar, graduada em Filosofia pela UFJF e em Pedagogia pela Unitins, sócia da APEOESP, ABA e SBPC. Carioca, trabalhou por 27 anos na Rede Estadual de Ensino Oficial de São Paulo, lecionando Filosofia e Sociologia, atuou entre os ribeirinhos de Humaitá-AM e em serviços voluntários e pastorais em várias comunidades.

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