Reaprendendo a flanar

Entre os vários sentidos que se atribuem ao verbo “flanar”, o significado formal sempre diz de algo sobre andar sem rumo, sem sentido e ociosamente. Com meus pés morrendo de saudades da rua, minhas mãos pousam no teclado, meus ouvidos escutam “acordes saltimbancos”, ouço a vizinhança ao longe, e a memória longínqua me faz lembrar certas cidades invisíveis. Não sabia mais se era sonho ou realidade, se era realidade sonhada, se era sonho realizado, só sei que meu “All Star azul” pisou na rua. Não eram mais a mesma praça, o mesmo banco, nem as mesmas flores, nem o mesmo jardim. Eu também já não era mais a mesma. O que eu enxergava já não me afetava da mesma forma. Nas palmeiras enfileiradas, o ir e vir sem fim. Ipês desprendiam suas flores bailarinas. Ao redor da praça, pessoas correndo contra o tempo, ao encontro da saúde e do bem-estar. Nos passos curtos dos idosos, a sabedoria dos que perderam a pressa de chegar. A presença divina nos ninhos, brotos e flores era de calar a alma de tanto encantamento. A fonte seguia jorrando e ressignificando cada gota, num transbordar infinito e cotidiano que somos nós. Máscaras na face das pessoas como se fossem uma declaração de amor próprio e à vida em comum. O barulho ensurdecedor dos carros seguia nos desafiando a encontrar caminhos e alternativas mais sustentáveis. Sementes pelo chão, sementes pela terra, sementes ao vento, um ar primaveril nos convidando a renascer e ser transformação. O cheiro da pipoca trouxe lembranças, e fez-se infância. Beijos estalando doçura e desejos eram ouvidos. Casais das mais variadas composições seguiam de mãos dadas celebrando a vida. A alegria da menininha que parecia voar no seu primeiro passeio de bicicletas sem rodinhas contagiava e nos enchia de metas e planos. A água potável que mata a sede, independente de faixa etária, credo ou classe social, seguia disponível e democrática. A essa altura, eu já estava descalça, sentindo as pedras do caminho nos pés, mas sabendo que flanar é preciso e que as cidades seguem e seguirão nos desafiando e inspirando. Cada dia, todo dia! Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
23º Domingo do Tempo Comum

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”Mt 18,15-20 O texto de hoje é tirado do chamado “Discurso eclesiológico”, que trata de problemas da vida cotidiana da comunidade dos discípulos, a qual Mateus chama de “Igreja” (nos evangelhos, o termo “Igreja” só ocorre aqui e em Mateus (16,18). Entre esses problemas, podemos detectar a busca do poder (v. 1-5), o escândalo dado aos pobres e humildes (v. 6-14), a questão do irmão que erra (v. 15-20) e o perdão das ofensas (v. 21-25). São questões ainda atuais para as comunidades de hoje. Um dos grandes assuntos que perpassa o capítulo é a preocupação com o irmão, a irmã que se desgarra ou se desvia. A lição é que os dirigentes (e a comunidade) devem ter a mesma atitude de Jesus diante de tais pessoas, ou seja, a compaixão, a compreensão, a vontade de reintegrá-las à comunidade. Somente em último caso, o erro de um irmão deve ser levado à comunidade mais ampla (a Igreja), pois a caridade exige que primeiro se procure resolver a questão em particular. É nesse espírito que a comunidade ganha o poder que Pedro recebeu em Mateus (16,19), o de excluir o infrator da comunidade. Porém é essencial interpretar esse direito à luz dos versículos 12 a 14, em que a busca da ovelha desgarrada é dever primordial dos dirigentes comunitários, a exemplo do Pai Celeste. Esse sentido da exclusão é ressaltado por Paulo em 1 Coríntios (5,5): “Humanamente, ele será arrasado, mas seu espírito será salvo no dia do Senhor”. O texto conclui-se dizendo que, “se dois de vocês estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido”. Certamente, “qualquer coisa” se situa dentro das preocupações desta seção de Mateus, que trata do seguimento de Jesus e da vivência da comunidade. Não se refere a um pedido qualquer ou que não fomenta a chegada do Reino, da justiça, da partilha, da fraternidade. Quantas vezes nossos pedidos são nada mais do que expressões de nosso individualismo? Cumpre lembrar que o Deus da Bíblia ouve “o clamor do sofrido”, como tantos textos afirmam, os salmos e os profetas. O Evangelho afirma que o Pai vai atender a qualquer pedido em nome de Jesus, em favor da chegada do Reino. É claro que podemos e devemos rezar por nossas preocupações individuais e pessoais, mas elas não podem dominar o horizonte de nossa fé. Devemos realmente lembrar a frase tão importante de Mateus que nos ensina: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo isso será dado em acréscimo”. A nossa oração jamais poderá ser desvinculada dos grandes temas do Reino e do sofrimento de tantos irmãos e irmãs no mundo de hoje. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD
A pandemia na perspectiva de uma comunidade de idosas

Vivendo nesta época da pandemia, cada pessoa tem uma história para contar às gerações futuras sobre a pandemia causada pelo novo coronavírus, que transformou a vida comum em um “novo normal”. Santana é uma comunidade de missionárias servas do Espírito Santo já idosas. São vinte irmãs, algumas acamadas, outras na cadeira de rodas, outras andando com a ajuda de bengala. Todas têm muito para contar. O covid-19 está afetando drasticamente a população global. Em muitos países, os idosos, por serem mais vulneráveis, enfrentam riscos maiores. Em relação às irmãs da Comunidade de Santana, os cuidados estão sendo redobrados. “Nossa responsabilidade é apoiá-las e protegê-las para não contraírem essa doença”, explica a Ir. Maria Percila Vieira, coordenadora provincial. Por orientação médica, as religiosas não recebem visitas, nem mesmo das outras irmãs de congregação. Irmã Maria Percila descreve os cuidados que elas recebem. Regularmente, as missionárias passam por consultas médicas e por acompanhamento de dentista, fisioterapia, nutricionista, enfermeiras e cuidadoras que estão sempre ao lado das missionárias. Ela também as acompanha nas reuniões e as ajuda a se organizarem melhor nas orações, missas e outras práticas espirituais. “Isso as ajuda a ter saúde física e mental. Estão todas felizes e com boa saúde, graças a Deus”, afirma a provincial. “A população de rua e os pobres passam fome e não têm quem cuide deles neste tempo de pandemia”, lamenta Ir. Maria das Graças Mallmann, 80 anos, coordenadora da comunidade. Ela se sente muito agradecida pelos cuidados recebidos, quando tantas pessoas não têm o necessário. “As cuidadoras estão se arriscando para cuidar de nós e de nossas necessidades”, acrescenta. “Agora a nossa única missão é rezar, e repito sempre a oração ‘Vinde, Maria, chegou o momento, se humano socorro vier a faltar, com o vosso sempre podemos contar’”. Irmã Mansuetis Santanna, 92, falou sobre calamidades naturais que vêm acontecendo nos últimos anos, e agora reflete sobre a pandemia que tira a vida de milhares de pessoas: “Somos vulneráveis. O futuro parece incerto”. Apesar disso, Ir. Mansuetis tem muita fé e esperança que Deus transformará toda essa situação e cita a frase do Apocalipse (21,5): “Eis que eu faço novas todas as coisas”. A Ir. Maria Catarina Schneider, 79, explica que sua visão em relação à própria vida mudou. “O coronavírus levanta questões metafísicas”. E ela se pergunta: “Por que isso está acontecendo? O que isso significa?”. Para ela, questionamentos como esses podem levar à oração. “Em vez de caminhar lá fora, caminho por dentro de mim. Agora compreendo melhor o que é a transitoriedade da vida”, partilha. Acompanhamento profissional A fisioterapeuta Daniela Aparecida Mourão se sente feliz e grata por trabalhar em um ambiente seguro e protegido: “Quando entro no convento, meu medo desaparece. Cada dia é uma batalha diferente, e tenho que vencer”. Ela explica que a Fisioterapia desempenha um papel importante no aumento da imunidade e da saúde mental durante a pandemia; a respiração melhora quando se fazem exercícios, ajuda no tratamento e na recuperação de pacientes também com covid-19. “Quando cuido da saúde dos outros, Deus cuida de mim; é uma bênção para mim e para minha família”, declara a fisioterapeuta. Maria das Graças Serrão da Silva, uma das enfermeiras que cuida das idosas, recorda o pronunciamento da Organização Mundial de Saúde, que declarou 2020 o “Ano da Enfermeira e da Parteira”, em comemoração ao 200º aniversário de Florence Nightingale (1820–1910). “Foi completamente inesperada esta crise internacional de saúde”, afirma. “Como cuidadoras de saúde, temos de buscar formas de proteger aqueles que estão em maior risco, como as irmãs idosas aqui”, explica Marisa Ferreira Gomes, outra enfermeira da comunidade. Apesar de seus medos e ansiedades, “temos de ser esperança e otimismo para as situações de desesperança”, acrescenta Maria das Graças. “A pandemia me faz pensar que a vida é curta, e desejo ser feliz, e as pessoas ao meu redor também. O que está acontecendo no mundo, com certeza, nos deixa tristes e deprimidos”, confessa Marcela Soares da Silva, uma das funcionárias da casa. Ela encontra sua própria maneira de tornar sua vida feliz e satisfatória. Ela costuma ouvir música no celular enquanto trabalha e aproveita breves momentos para conversar com as irmãs idosas e rir com elas. “Estou feliz e grata por ser capaz de trabalhar em um ambiente de silêncio e paz”, acrescentou. Com muita sabedoria, Norma Suely Barbosa dos Santos, uma das cuidadoras, acredita que “Deus está cuidando de nossas vidas, e nós na terra temos que cuidar de nosso próximo”. Ela recorda a parábola do “Bom Samaritano”. “Hoje essas irmãs precisam de nossa ajuda e cuidado, e amanhã podemos estar na mesma situação. Por isso precisamos ser mais humanas e bondosas com todos”, conclui.
Abre tua mão para teu irmão

A Igreja Católica no Brasil celebra, ao longo de setembro, o Mês da Bíblia. A inspiração vem de São Jerônimo, um grande estudioso da Sagrada Escritura que se dedicou a traduzi-la em uma linguagem mais simples, para que as pessoas tivessem melhor entendimento. Sob essa motivação, desde setembro de 1976, iniciando pela Arquidiocese de Belo Horizonte e rapidamente se expandindo pelo Brasil, a Igreja elege um tema, sendo um livro bíblico para estudo e reflexão. Assim, a comunidade cristã é convidada a ir ao encontro profundo com a Palavra e, através dela, cultivar o relacionamento com Deus e com a comunidade. Neste ano de 2020, o livro do Deuteronômio foi o escolhido pela CNBB. O lema proposto é “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11). Segundo os biblistas Carlos Mesters e Francisco Orofino, o amor de Deus, a memória do povo, o serviço aos irmãos, a atitude de uma comunidade em saída, a vida comunitária, a libertação da opressão e a aliança de Deus com o povo são os grandes temas que se destacam nesse livro. Diante da realidade complexa em que vivemos, com tantos males que assolam o planeta e a humanidade, o livro de Deuteronômio nos convida à terra prometida, para viver uma vida nova. É o convite à terra da fartura, da solidariedade, da justiça, do cuidado mútuo, do dom de Deus. Em Deuteronômio, no entanto, fica claro que não é possível chegar lá sozinho. O caminho é coletivo, com passos concretos, sendo necessário abrir a mão para o irmão, acolhendo a vulnerabilidade humana com compaixão e misericórdia. Que a Palavra de Deus nos oriente e seja luz para nossos passos. Para mais informações sobre o Mês da Bíblia, sugerimos as seguintes fontes: Como se preparar para o Mês da Bíblia 2020? Mês da Bíblia – 2020Tema: O livro do Deuteronômio Lema: “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11)Por Carlos Mesters e Francisco Orofino
Tempo da Criação: rezar e cuidar da natureza

Desde 2015, o dia 1º de setembro está inscrito no calendário católico como o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A iniciativa partiu da Igreja Ortodoxa, que celebra esta data desde 1970, portanto há 50 anos, e foi assumida pelo Papa Francisco com o propósito de chamar toda a humanidade a uma conversão ecológica e criar relações sustentáveis e de cuidado com o mundo que nos rodeia. A iniciativa ajuda a proteger a Criação e fortalece a comunhão com nossos irmãos ortodoxos. No domingo, após a oração do Ângelus, o Papa se referiu à comemoração de 1º de setembro: “A partir desta data, até 4 de outubro, celebraremos, com nossos irmãos e irmãs cristãos de várias Igrejas e tradições, o ‘Jubileu da Terra’, para comemorar o estabelecimento, 50 anos atrás, do Dia Mundial da Terra”. Por intermédio da Secretaria das Missões de Roma, as missionárias servas do Espírito Santo foram incentivadas a celebrar este dia e promover atividades durante o “Tempo da Criação”, que abrange o período de 1º de setembro a 4 de outubro, com a festa de São Francisco de Assis, patrono da natureza. Entre as atividades sugeridas, estão um dia de oração pelo cuidado da criação, organização de seminários na web, reflexões e retiros sobre a Encíclica Laudato Si’, atuação sobre os objetivos do desenvolvimento sustentável, participação no Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, entre outras. Este “Tempo da Criação” de 2020 é uma forma de nos unir aos 2,2 bilhões de cristãos no mundo inteiro, como uma família global que se compromete e cuida de sua casa comum, o planeta Terra.Para ajudar a celebrar este dia e animar a oração pessoal e comunitária, trazemos um vídeo, a “Oração para o Tempo da Criação 2020” e ainda um poema que fala da presença do Espírito Santo na criação. Louvor ao Espírito SantoLúcia Caffer Neves Toda terra canta na mais forte vibração de amor.A natureza de horizonte a horizonteentoa um salmo eterno em teu louvor. Tu, que tudo animas, que dás sabor à vida,vem, vem habitar em nós. A criação se alegra e glorifica ao mais alto Ser,num coro imenso celebrando a vida,que sempre renasce em cada amanhecer. Tu, luz peregrina, que o mundo extasia,vem, vem habitar em nós. Toda a terra ama numa exuberante explosão de cor,desde a floresta que procura o rio,desde a abelinha quando busca a flor. Tu que te derramas em graças tantas,vem, vem habitar em nós. Toda a terra ama: homens e feras e animais das matas,aves e peixes, borboletas, flores, montes e vales,fontes e cascatas. Tu, força infinita que geras a vida,vem, vem habitar em nós. Toda a criatura exulta e vibra ao bafejo teu,para beber do manancial da graçatanta delícia que lhe vem do céu. Tu, presença viva, que o mundo renovas,vem, vem habitar em nós.
22º Domingo do Tempo Comum

Mt 16,21-27“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga!” O Evangelho de hoje, na verdade, é uma continuação do proclamado na Solenidade de São Pedro e São Paulo e, para que entendamos o texto mateano em sua integridade, torna-se necessário completar a leitura do Evangelho da solenidade com o texto de hoje. Pois ele mostra que, embora Pedro tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, ele os entendia de modo errado. Para Jesus, ser o Cristo significava assumir a missão do Servo de Javé, descrito pelo profeta Segundo Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-11; 52,13-53). Jesus deixa claro que ser o Cristo não significava triunfo nos termos deste mundo, mas o contrário: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias não era comum. Em geral, o povo esperava um messias triunfante e glorioso. Mateus nos mostra que Pedro partilhava essa visão errada, a ponto de tentar corrigir Jesus e de ganhar do Senhor uma correção dura: “Fique longe de mim, Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mc 8,33). Não basta usar os termos certos, temos de ter o conteúdo certo. A Bíblia nos conta que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, mas, na verdade, muitas vezes, nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, para que Ele não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio-termo. O discípulo tem de andar nas pegadas de seu mestre: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lc 9,23). O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai nos colocar em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento passivamente. Se fosse assim, a religião seria masoquismo! Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia, mas o que Ele faria se estivesse aqui hoje. E como Ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos, “os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei” (a elite dominante em termos econômicos, religiosos e ideológicos), seus seguidores entrarão em conflito com os grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitando a religião a uma religião intimista e individualista, sem consequências sociais, políticas, econômicas ou ideológicas. A nossa resposta à pergunta “E você, quem diz que eu sou?” se dá não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós por nossa maneira de viver, por nossas opções concretas, por nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz consequências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho não foi assim e deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,24). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD
O eu em (como) vocação

Quando se pergunta a uma criança “o que você vai ser quando ficar grande?”, em geral, ela responde aquilo que o pai ou a mãe faz, ou então aquilo que alguma pessoa significativa ou que ela admira faz. Conforme cresce, porém, vai se deparando com muitas outras possibilidades de escolha. E aí começa uma busca mais consciente por uma definição do que vai ser na vida. É o eu em (como) vocação que se põe perguntas. Na verdade, não se trata apenas de escolher uma profissão, é mais que isso, é descobrir para que se tem vocação. O que dá sentido à vida, o que inclui uma profissão, mas vai além desta. Para se ter uma profissão, basta aprender um ofício, preparar-se tecnicamente para ele ou pegar o emprego que aparece, e pronto! Levantar-se de manhã, tomar a condução, trabalhar oito, nove horas seguidas, depois voltar para casa e, no fim do mês, receber seu salário, e está resolvida a questão da profissão. Quanto à vocação, é algo mais complexo, porque ela diz respeito àquilo que dá sentido à vida e se liga ao bem que a pessoa faz aos outros ou à sociedade. Nem todos os que têm uma profissão definida têm uma vocação acertada. Que valor tem para os outros o exercício de sua profissão? Com que espírito ele trabalha? É necessário perceber um bem maior presente no exercício da profissão. É comum ouvir-se queixas de não se sentir realizado no que faz, mas como não há outra escolha profissional, o jeito é conformar-se. Na vocação, a questão é outra. Trata-se de descobrir o que dá sentido ao que se faz e ao porquê vive. É algo que ultrapassa os limites da profissão. Vivendo a vocação acertada, ela também dá sentido à profissão. Na profissão, depois de vários anos de trabalho, o sujeito se aposenta, deixa o exercício profissional. A vocação dura a vida inteira, só cessa com a morte, porque, na continuidade de sua vida, vê sentido naquilo que faz sem necessariamente ser de sua profissão. Em outras palavras, sente-se motivado por viver um sentido que lhe dá razão de viver. Por falta de discernimento, ocorrem muitos enganos. Às vezes, o jovem procura apenas pela profissão e, quando a tem, vê que não é nela que encontra sua vocação. Faltou-lhe perceber o detalhe que faz a diferença: se naquela profissão seu eu está em (como) vocação. Explicando melhor: a palavra vocação (vocare, do latim) quer dizer ser chamado. Cada um pode se perguntar: “sou chamado para que nesta vida? Qual a contribuição que eu, como pessoa, posso dar para o bem comum?”. Vocação implica ouvir (uma voz interior) e responder a ela. Pode-se somente a ouvir e não responder. Na perspectiva cristã, responder à vocação está ligado ao sentido que se dá à vida e o que se faz com ela. Em outras palavras, em que direção vive aquilo que escolheu e faz. Então, vocação e profissão podem andar de mãos dadas. Toda vocação implica um componente de transcendência. Isto é, encontrar um sentido fora de si, que vá além. A vocação dá à pessoa uma certeza interior de que aquilo que faz, mesmo profissionalmente, tem um sentido maior do que só lhe dar um salário no fim do mês. Mas tem consciência de que sua ação é construtora, é benéfica aos outros. Sua vocação então se reflete em seu empenho, em sua responsabilidade, em sua dedicação, em sua honestidade no que faz. O eu em vocação é aquele que vive e trabalha dedicado a uma profissão, mas, quando se aposenta desta, continua vivendo sua vocação, porque a vida não perdeu o sentido, mesmo quando cessa de ter um trabalho produtivo. Ninguém se realiza na profissão se não tiver um sentido de vocação. O eu em vocação passa pela profissão, mas não se esgota nela, porque tem uma dimensão que ultrapassa aquilo que suas mãos podem fazer. O eu em vocação tem a ver com aquilo que o coração pede e o lança para além de si mesmo. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Tecendo Relações de Solidariedade

A vida é feita de pessoas que, diariamente, tecem os sinuosos fios, dando sentido à existência humana. A sensibilidade que se traduz em ajuda é um dos sentidos que tornam o dom de viver ainda maior. Gente que se encontra e que, na convivência, vão descobrindo que a generosidade, a solidariedade e a alegria contagiante de fazer o bem às pessoas, por meio de gestos concretos e das mãos que se abrem, fazem toda a diferença e podem mudar tudo. Nesse sentido são os depoimentos de quem entendeu que educação se faz também de atitudes nobres. Por eles, partilhamos um pouquinho do projeto “Tecendo Relações de Solidariedade”, da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. “No início, nossa preocupação era com as necessidades emocionais, espirituais e sociais de toda a comunidade educativa e que nasce como resposta a uma preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte da Rede, e por entender a importância do cuidado emocional, do acolhimento e da espiritualidade que constitui a alma e a razão de ser de nosso carisma. O Projeto foi se desenvolvendo e tecendo diferentes maneiras de ouvir, sentir e cuidar. Esse precioso cuidado, que chegou aos alunos, educadores, familiares por meio de encontros virtuais e ‘webinares’, criou uma grande corrente de solidariedade, amizade e fraternidade. Pensando naqueles que mais precisam, surgiu uma necessidade de ajudar, de fazer mais pelo nosso próximo. Doações variadas, de forma especial, de cestas básicas, contribuíram com muitas famílias e comunidades atendidas pelas obras sociais ligadas à instituição. Estamos conectados e envolvidos diante de um olhar cuidadoso e fraterno.” Luciana Marzullo Araujo, coordenadora missionária do Colégio Stella Matutina – Juiz de Fora-MG ________________________________________________________ “O projeto tem como objetivo despertar, em nossa comunidade educativa (famílias e colaboradores), o olhar do cuidado àqueles que estão em dificuldades ou nelas foram colocados. Assim, para comemorar nosso centenário de uma maneira em que o nosso carisma e missão estivessem visíveis ,realizamos o ‘Drive-Thru Solidário’, em que as famílias e os colaboradores foram convidados a trazer doações de alimentos não perecíveis para a confecção de cestas básicas que serão distribuídas para as famílias dos alunos do Centro Educacional Madre Josefa, obra de nossa Rede e que atende famílias que vivem no Complexo do Alemão. O objetivo foi alcançado! Conseguimos recolher cerca de meia tonelada de alimentos. Agradecemos a todos os familiares e colaboradores que se empenharam na concretização desse projeto. Que essa parceria família-escola continue dando muitos frutos!” Alexandre Britto, coordenador missionário, Colégio Imaculado Coração de Maria – Rio de Janeiro-RJ ________________________________________________________ “A situação que vivemos, no contexto da pandemia, tem nos ensinado a ressignificar nossas relações, sejam elas com nosso corpo, com nossas responsabilidades, com o mundo em que vivemos e também com nosso semelhante. Poder ajudar as famílias do Centro do Imigrante, por meio do projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’, tem sido uma experiência incrível. Saber que, de alguma forma, um pequeno gesto solidário que está a meu alcance poderá significar um suspiro aliviado e provisão para os próximos dias de uma família é encontrar, dentro de toda a instabilidade do momento em que vivemos, sentido para a vida. É uma alegria caminhar com pessoas que assumem a responsabilidade de entender o papel da educação na intervenção social. O sentimento é de gratidão por conhecer tantas pessoas boas que têm se mobilizado, em um exercício de empatia, para cuidar e servir.” Beatriz Von Laspera Carelli, professora da educação infantil, Colégio Espírito Santo – São Paulo-SP ________________________________________________________ “Empatia, compaixão e solidariedade. Esses são alguns sentimentos que o projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’ me trouxe neste momento. Mostrou-me o que é ser uma verdadeira cristã e uma cidadã consciente. A pandemia fez com que muitas pessoas parassem e olhassem o próximo. Mas esse olhar vai além do enxergar; estamos sentindo. Um projeto tão lindo, com o qual fui surpreendida por tanto amor e preocupação de tanta gente! E fazer parte disso tudo é colocar em prática valores que não ficam só na teoria. Agradeço a meus colegas Agostinho, Beatriz e Kelly, que compartilham dos mesmos sentimentos e ideias! Gratidão sempre!” Luciana Basile Mendonça Lima, professora do ensino fundamental 1, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP ________________________________________________________ “O que dizer sobre projetos sociais? A gente vê muito por aí sobre trabalhos lindos que envolvem a generosidade e o amor das pessoas em ajudar o próximo ou aquele que nem conhece. Sempre achei lindo, mas nunca tive uma atitude eficaz para me envolver a fundo com esse tipo de ‘trabalho’/‘ação’. Contudo hoje tudo mudou. Acredito que essa pandemia veio nos ensinar muita coisa e nos ajudar a sermos seres humanos melhores, com um olhar mais humanizado e generoso para o outro. A palavra do momento é ‘empatia’, portanto vamos usá-la com todo o significado que ela tem. Fazer parte de um projeto social tem um gostinho diferente. Estou imensamente feliz em participar ativamente. Tem sido mágico, impactante e extremamente importante colaborar com esse tipo de ação, em especial, colaborar com o projeto ‘Tecendo Relações’. Se antes eu já tinha a preocupação em me tornar um ser humano melhor, um ser humano responsável e ajudar o próximo, hoje isso está inserido em minha rotina, enfim em minha vida. Conectar-me com as pessoas para ajudar outras pessoas, ir em busca de descontos, faz-me sentir viva, forte. Sim, eu posso ajudar! Sim, eu quero ajudar! Agradeço imensamente por fazer parte deste projeto lindo. Poder ajudar as pessoas me faz um bem enorme, um bem à alma… Muito obrigada!” Kelly Silva Brandão, coordenadora de Segmento da Ed. Infantil e 1º ano ________________________________________________________ São palavras como as que acabamos de ler que nos ajudam a entender, cada vez mais, que a partilha é um caminho urgente, possível e transformador. Motivar e participar de projetos como o “Tecendo Relações”, tendo a possibilidade de fazer o bem neste momento da história, nos faz felizes e ajuda a pensar sobre nossa missão aqui. Afinal, ajudar as pessoas a encontrar suporte nos momentos de necessidade nos ajuda a entender que estamos
MLDUT: missionários leigos assumem sua vocação

A Igreja no Brasil dedica todo o mês de agosto às vocações e destaca, a cada semana, uma vocação específica. Assim, no início do mês, celebramos o Dia do Padre e o chamado ao ministério ordenado (bispo, padre e diácono). Depois veio a Semana da Família, aprofundando a vocação ao matrimônio e, na sequência, a Semana da Vida Religiosa Consagrada. No quarto domingo, lembramos o Dia do Catequista e, nesta semana, ressaltamos a vocação laical. Em nossa congregação, desde sua origem, Santo Arnaldo Janssen, nosso fundador, sempre valorizou a participação dos leigos, tanto que promovia retiros espirituais para os leigos e leigas. Em nossa Casa-Mãe, em Steyl, as irmãs desocupavam seus quartos e iam dormir no sótão, para acolher as mulheres que vinham para os retiros. Ao longo dos anos, em torno das irmãs, foram surgindo grupos e associações laicais que buscavam vivenciar nossa espiritualidade e colaborar em nossa missão. Em 1921, surgiu a Liga Auxiliar do Espírito Santo e, em 1957, a Associação do Espírito Santo. Em 1978, essas duas organizações se fundiram, dando origem à Associação Missionária do Espírito Santo, a AMES, que se desenvolveu em diversos países, buscando unir espiritualidade e ação social. No Brasil, a AMES teve início em 1982, em Guarapuava-PR, e vários grupos foram se organizando. Entre as duas províncias das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a Associação chegou a ter quase 4 mil membros. Depois da 1ª Assembleia Internacional da AMES, em 1990, os grupos no Brasil passaram a ser chamados Missionários Leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT). Atualmente se organizam em grupos que se encontram mensalmente para formação, oração e partilha de vida. Também contribuem com a missão, de acordo com suas possibilidades. Em nossa Província Stella Matutina, acompanho os grupos de MLDUT como orientadora espiritual. Visito periodicamente cada um dos grupos e apoio na formação e no aprofundamento de nossa espiritualidade. Também estou ao lado da equipe de coordenação, formada por representantes dos vários grupos. Neste período de pandemia, tivemos de cancelar as visitas, e cada grupo está dando continuidade mais por contatos via WhatsApp e, onde é possível, por reuniões on-line. Sempre entro em contato para conversar com as coordenadoras e ver como o grupo está caminhando. Fico impressionada como a pandemia, ao contrário do que se poderia supor, fez surgir um dinamismo completamente novo e outras formas de engajamento. Entre as missionárias leigas dos grupos, temos quem está aproveitando as redes sociais para promover a evangelização, a partir das pastorais paroquiais, outras organizando reuniões on-line, momentos orantes ou mesmo lives. Aqui trago o depoimento de Maria da Conceição Roberto Gonçalves, mais conhecida como Lia, uma das missionárias do grupo de Funilândia-MG. Ela conta como está vivendo este tempo de pandemia. Pela declaração dela, gostaria de homenagear a cada um e cada uma de nossos MLDUT, pelo testemunho de fé e doação no assumir a vocação laical. Valorização do essencial “Neste tempo de isolamento social, estou estudando o Novo Diretório da Catequese, participando de algumas missas na comunidade, quando nosso ministério de música é responsável pelo canto, assistindo às transmissões da missa da paróquia, de Aparecida, e limpando semanalmente a Igreja, com uma equipe. O seio familiar, graças a Deus, sempre foi bem unido. Partilhamos tudo. Apesar do isolamento social, marido e filhos estão trabalhando. Meu tempo está dividido com os cuidados com a família, orações, descanso, meditação, curso sobre “Crimes cibernéticos: os principais riscos e técnicas básicas de prevenção”, e aprendendo novas partituras musicais. Um olhar para o mundo: pelos impactos dessas mudanças, darão mais valor ao convívio familiar, na valorização do essencial, levando a que se repensem hábitos de consumo, a prática da solidariedade mais evidente, a perceber quais valores estamos colocando à frente de nossas vidas, o crescimento na confiança do amor providencial de Deus.” Irmã Heloise, Cláudia Matos, SSpS, membro do Conselho Provincial, pedagoga e psicóloga, faz parte da Dimensão Missionária das Escolas e é orientadora espiritual dos grupos de MLDUT.
21º Domingo do Tempo Comum

“E vocês, quem dizem que eu sou?”Mt 16,13-20 Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8,27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho. O trecho meditado neste domingo levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que significa ser discípulo dele? São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira de meu seguimento dele. O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. É inócua, pois não compromete quem responde. O “dizem que” compromete ninguém, pois expressa a opinião de outros. Por isso chovem respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas”. Mas Jesus não quer parar aqui, essa pergunta foi só uma introdução. Depois vem a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Agora não há muitas respostas, pois quem responde vai se comprometer: não será a opinião de outros, mas a pessoal. Essa opinião traz consequências práticas para a vida. Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias, o Filho de Deus vivo”. Aqui Mateus acrescenta os versículos 17 a 19, pois quer destacar o papel de Pedro (e, por conseguinte, dos líderes de sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que, nos evangelhos, somente aqui e no capítulo 18 é chamada de “Igreja”. “As chaves do Reino” não se referem ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos. O fundamento, o alicerce dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Mas continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?”. Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça. Por isso Jesus toma uma atitude aparentemente estranha: “Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias!”. Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fale a verdade sobre ele! Como é que espera angariar discípulos desse jeito? O assunto merece mais atenção. Realmente Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”. Pois cada um pode entender esse termo conforme os seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” (um termo hebraico; em grego, seria “cristo”, e significa “ungido”) para ele é ser o “Servo de Javé”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo. Não significa ser o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então. Em nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia a clarificar em que Jesus acreditamos. O Jesus sentimental, que existe para resolver os meus problemas, tão amado por setores da mídia, e também de grandes setores das Igrejas, ou o Jesus bíblico, o Servo de Javé, que veio para dar a vida em favor de todos? O Jesus da “teologia de prosperidade” ou o Jesus proclamado quase diariamente pelo Papa Francisco, o Jesus de Nazaré verdadeiro? Esse assunto virá à tona no Evangelho do próximo domingo. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.