Colégio Imaculado Coração de Maria celebra o centenário

O Colégio Imaculado Coração de Maria, situado no Bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, está celebrando seu centenário de fundação. Embora tenha planejado a festa há bastante tempo, por causa da pandemia, precisou mudar os planos. Devido ao distanciamento social, a festa terá um estilo completamente diferente, impensável há poucos meses. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, explica que a festa será virtual, utilizando os recursos de transmissão ao vivo pela internet. Para ela, celebrar os cem anos da instituição, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, significa renovar a esperança e manter a escola de portas abertas, ainda que virtualmente. “Significa manter o movimento e o dinamismo de uma escola viva”, afirma, baseando-se no lema da Rede de Educação: “Escola viva: vê, sente e cuida”. O colégio foi inaugurado oficialmente no dia 19 de março de 1920, mas, por causa de Nossa Senhora, a patrona da comunidade escolar, surgiu a tradição de celebrar sua festa em 22 de agosto. “Há 100 anos, o colégio faz história, formando crianças e jovens à luz dos valores evangélicos, comprometido com a transformação social”, conta Ir. Fátima. Ela recorda também os muitos desafios que o colégio teve de enfrentar. Com as reformas e ampliação dos ambientes, o Colégio Imaculado Coração de Maria conta atualmente com espaços modernos que atendem seus 900 alunos. Para marcar a celebração do centenário, no período da manhã de sábado, haverá um drive-thru, em que as famílias poderão passar pelo colégio e, sem sair do carro, os alunos poderão ver seus professores, matarem a saudade e receber um kit comemorativo pelo centenário. Além disso, poderão doar alimentos não perecíveis, que serão destinados às famílias atendidas pelo Centro Educacional Madre Josefa, no Complexo do Alemão. Às 19h30min, haverá uma apresentação-surpresa transmitida ao vivo pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. Neste vídeo você vai ver o depoimento de algumas pessoas que ajudam a construir a história do Coração de Maria: Como fazer para dar aulas no Coração de Maria? A seguir apresentamos o depoimento emocionado de Susete Parreira, atual diretora educacional do colégio. Um século de história! Nossa, é muito tempo! Embora eu não tenha muitos anos no Colégio Imaculado Coração de Maria, ele sempre esteve por perto, ou melhor, presente em meu caminho. Primeiramente, pela exuberância de seu prédio, que salta aos olhos de quem passa pela Rua Aristides Caire, e também por alimentar meu sonho de um dia vir a fazer parte do grupo de seus colaboradores, como professora. Trabalhei em outros colégios do entorno e, sempre que passava por sua porta, pensava em como fazer para dar aulas no famoso Coração de Maria do Méier. A vida dá muitas voltas, e hoje nossas histórias se cruzam. Não dou mais aulas de Geografia. Sou diretora, e digo isso com o coração transbordando de orgulho e felicidade! Minha eterna gratidão às irmãs missionárias servas do Espírito Santo, por acreditarem e confiarem a mim a administração da parte educacional de seu colégio. Farei minhas as palavras de toda uma comunidade que reconhece a importância desta instituição em suas vidas. São palavras de carinho, de afeto, de orgulho e de um imenso reconhecimento por tudo o que este colégio proporcionou a cada um deles. Hoje já são pais, avós e continuam trazendo os filhos, os netos, os sobrinhos. Várias gerações de uma mesma família cresceram e se formaram adultos nas salas de aula, nos bancos, nos corredores deste colégio que era a segunda casa deles, como até hoje o dizem. Estudar e trabalhar no Imaculado Coração de Maria é se dar a oportunidade de crescer como ser humano, de desenvolver-se como pessoa na generosidade e solidariedade pelo outro. Aqui se aprende o valor e a importância dos ensinamentos de Jesus Cristo: amar e respeitar o próximo, também a propagar a Palavra de Deus “em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”.Ao longo destes cem anos, muitas mudanças aconteceram. O mundo se transformou, mas a essência missionária deste espaço de ensino e formação não foi alterada. As irmãs exercem um papel importante em nosso dia a dia. Elas iluminam, com sua espiritualidade e afeto, nossa rotina escolar. Ajudam-nos na condução da educação e construção de pessoas melhores, mais humanas. E quando falamos nas irmãs, imediatamente nos lembramos da querida e inesquecível irmã Mansuetis Santanna, carinhosamente chamada por nós de irmã Mansu, com seus 92 anos de idade e ainda estudando alemão. Mas sabemos que há outras irmãs que também deixaram suas lembranças nas memórias de vários ex-alunos ao longo deste século de existência. Um tempo pleno de fé, vitórias, lágrimas, tristezas, de idas e vindas, gratidão e esperança de poder escrever mais cem anos de história no Bairro do Méier, destacando-se na Zona Norte da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. Parabéns pelos seus cem anos, Colégio Imaculado Coração de Maria! Centenário do Coração de Maria “Como é cheio de vida e de encanto,Um Colégio como este onde o amor…” E assim, partindo de um sonho de amor, em 1920, nasce o Colégio Imaculado Coração de Maria, que se torna o cenário de muitas histórias, com a nobre missão de educar crianças e jovens. A missão das queridas irmãs missionárias servas do Espírito Santo irradia, através dos tempos, os valores cristãos e éticos, a vivência da fé e a construção de uma sociedade justa e sustentável. Por sua tradição permeada de afeto, integridade e compromisso com a formação integral do ser humano, firma uma excelência acadêmica. Uma construção coletiva, desenhada por gerações, transformando o Coração de Maria em uma referência de passado, presente e futuro. O projeto educacional estruturado em sua trajetória vem, a cada dia, inovando-se diante das demandas que se apresentam no mundo, sem perder sua essência, sua identidade, seus fundamentos e princípios que fazem dela uma “Escola que vê, sente e cuida”, “Onde a educação está em todo lugar”. A idade mágica de cem anos de existência é
SSpS: 118 anos de presença missionária no Brasil

No dia 20 de agosto, as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) recordam a chegada das seis primeiras irmãs ao Brasil, em 1902. Naquela época, com apenas 13 anos de fundação, a jovem Congregação experimentava uma vitalidade missionária extraordinária. Fundada em Steyl, na Holanda, já havia enviado missionárias para Argentina (1895), Togo (1897), Papua-Nova Guiné (1899) e Estados Unidos (1891). A disposição de vir para o Brasil partiu do próprio fundador, Santo Arnaldo Janssen. Após muita oração e discernimento, ele decidiu pelo envio do grupo pioneiro. Madre Josefa era a Superiora-Geral e ajudou a preparar as irmãs. Eram elas as irmãs Walburgis, Laurência, Bonifácia, Crescência, Regina e Córdula. O objetivo principal das missionárias na América Latina era reavivar a fé nas famílias cristãs. No Brasil, havia também a grande necessidade de escolas. Por isso, as irmãs já vieram focadas em iniciar um colégio, a partir do qual poderiam estar em contato com muitas pessoas. É surpreendente a coragem das primeiras missionárias. Em janeiro de 1903, poucos meses após a chegada, ainda mal falando o português, deram início a uma escola que depois viria a se tornar o Colégio Stela Matutina, em Juiz de Fora-MG. Depois delas, outras irmãs foram chegando, não somente para as escolas, mas também para trabalhar em hospitais e nas pastorais. Muito rapidamente, espalharam-se pelo Brasil, assumindo diferentes frentes missionárias, especialmente em locais onde as necessidades eram maiores. Em 1963, quando decidiram estabelecer uma segunda província no Brasil, já somavam um total de 461 irmãs, entre missionárias vindas da Europa e irmãs brasileiras. Sempre atentas aos apelos do Espírito Santo, as missionárias SSpS acompanharam as grandes transformações pelas quais passou a Igreja, com o Concílio Vaticano II e as conferências de Medellín e Puebla. Foram ao encontro dos mais pobres nas periferias das grandes cidades e para o interior, nos locais onde a Igreja ainda não estava devidamente estabelecida. Desde então, marca presença também com populações indígenas. Atualmente, o número de missionárias SSpS no Brasil está em torno de 200, organizadas nas províncias Stela Matutina (Estados de São Paulo, Tocantins, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Divina Sabedoria (Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará, Amazonas e Roraima). Um aspecto marcante da Congregação, e que sempre esteve presente nestes 118 anos no Brasil, é a interculturalidade. No início, isso se dava pela presença de irmãs europeias e brasileiras. Atualmente, a variedade cultural está crescendo, com a chegada de irmãs de outros continentes, especialmente da Ásia. O compromisso com a vida e a busca de construir comunhão se fortalecem com as práticas cotidianas de “Justiça, Paz e Integridade da Criação”, conhecidas pela sigla Jupic, e que fazem parte do estilo de vida das missionárias. Concretamente, significa que as irmãs priorizam o cuidado com a ecologia, defendem os direitos humanos e os grupos menos favorecidos, assumem as principais causas sociais e promovem uma cultura de paz, fundamentadas nos valores do Evangelho. Os campos de missão são muito diversificados em cada uma das províncias. Mas, ao viverem o carisma missionário e a espiritualidade trinitária, seja qual for a obra social, educacional, pastoral ou da área da saúde, as irmãs sempre buscam vivenciar o lema de nossa congregação “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Irmãs SSpS Brasil Norte em sua história…
Irmã Zilda Hornai: confiança em Deus e desafios em nossa cultura

A irmã Zilda Maria Cofitalan Hornai pertence à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo. Ela é natural do Timor Leste, um país insular, localizado na Ásia, que conquistou sua independência de Portugal no ano de 1975 e, em 2002, da Indonésia, com o fim da ocupação. Sua população é composta por vários grupos étnicos e fala cerca de dezesseis línguas. A primeira vez que irmã Zilda sentiu o chamado foi quando participava do grupo de coroinhas e assistiu ao filme sobre Santa Teresa de Calcutá. Ela ficou profundamente tocada. “Queria também me tornar uma freira para servir ao povo de Deus e, como as irmãs, ter uma vida muito simples”, narra. Um dia, ela encontrou uma missionária serva do Espírito Santo e expressou sua vontade de entrar numa congregação. “Nunca perdi de vista esse desejo até que terminei meus estudos e entrei. Tinha 19 anos”, conta Ir. Zilda. Ela passou quatro anos em formação religiosa antes de se tornar freira. Ao falar sobre os primeiros votos, seus olhos brilham e, com muita alegria, diz: “Deus me escolheu!”. Naquele dia, os pais, os parentes e os paroquianos foram para testemunhar sua consagração religiosa, realizada na paróquia. “Foi uma festa muito especial, com comidas deliciosas e danças, que foi até o sol se pôr”, lembra Ir. Zilda. Antes de entrar na congregação, Ir. Zilda achava que freira não precisava estudar, mas, durante seu estágio pastoral em uma escola das irmãs, percebeu que queria ser professora. Na formação, aprendeu sobre a Congregação, sua missão, carisma, internacionalidade e que as irmãs são enviadas para onde são mais necessárias. Só não imaginava que sairia do país para estudar e que viria para o Brasil, a fim de fazer faculdade e passar por uma experiência intercultural de seis anos. Para isso teria de deixar sua cultura, sua família, suas irmãs, sua comida e adaptar-se a uma nova vida. Chegando ao Brasil, sentiu muita saudade de seu país, porque tudo era diferente: a linguagem, a comida e as irmãs, muito mais idosas do que ela. Com o tempo, Ir. Zilda começou a gostar da vida no Brasil. “As irmãs são simpáticas e carinhosas, cuidando com muita atenção para que não me sentisse fora da comunidade”, conta. O que a ajudou foi lembrar-se sempre de São José Freinademetz. Enviado como missionário para a China, ele se tornou chinês com os chineses, a ponto de afirmar que queria ser chinês até mesmo no céu. “A vida dele se tornou uma inspiração para mim, pois me ensina a me adaptar, acolher e aceitar esta nova cultura”, afirma. A vida comunitária com irmãs de faixas etárias, nacionalidade, pensamentos, sentimentos e temperamentos diferentes não é fácil, mas ela explica que é possível: “Quando nos ajoelhamos diante de Deus, em oração, Ele nos dá força e paciência para nos entender umas com as outras e aceitar, com todo o coração, sem julgar e sem preconceito”. No dia 11 de agosto, Ir. Zilda renovou, pela quinta vez, seus votos religiosos, sendo a terceira vez aqui no Brasil. Relata que foi uma grande alegria ter uma Eucaristia presencial depois de meses de missa só pela televisão, por causa da pandemia. “Sinto-me privilegiada e grata por poder continuar o legado de nossa Congregação e de nossas irmãs. Cada vez que renovo meus votos, coloco-me à disposição como Nossa Senhora: ‘Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim segundo sua vontade’”, partilha. Sobre seus estudos na faculdade, Ir. Zilda confessa que, no início, estava com muito medo e nervosa, pois não conhecia ninguém, mas disse a si mesma que enfrentaria seu medo, conversando com os outros alunos. Aproximou-se dos demais, e o medo foi embora. Com o passar dos dias, começou a sentir-se confiante. Agora ela tem uma relação muito boa com os colegas e também com os professores. O Timor Leste tem dois idiomas oficiais, o português e o tétum. Embora as escolas ofereçam aulas de língua portuguesa, como esta não é a língua falada, os alunos, segundo Ir. Zilda, não levam a sério para aprendê-lo bem. Mas agora, cursando Pedagogia, ela tem de se esforçar e trabalhar muito para dominar o idioma e compreender a linguagem dos livros. Mas, com determinação, conseguiu passar em todos os semestres, sem falhar em nenhuma disciplina. Nas horas de descanso, a irmã pratica violão e toca nas orações e recreações da comunidade. Além disso, está sempre disposta a ajudar em tudo o que precisa. Para outras irmãs que chegam ao Brasil, Ir. Zilda é uma inspiração, pois percebem que elas também podem aprender, pois, como crê, “É Deus quem conduz nossa vida quando colocamos nossa confiança nele”.
Solenidade da Assunção de Maria

“Olhou para a humilhação da sua Serva”Lc 1,39-56 Pode-se dividir este texto em duas partes: a história da Visitação de Maria a Isabel e o “Canto de Maria” ou “Magnificat”. Reduzir o sentido da Visitação a um simples gesto serviçal da parte de Maria para com a sua parente idosa seria empobrecer muito o pensamento de Lucas. Essa cena é altamente simbólica. Lucas quer mostrar o acolhimento do “Novo” (representado por Maria e Jesus) por parte do “Antigo” (representado por Isabel e João). Isabel, símbolo de todos os justos da Antiga Aliança, inspirada pelo Espírito Santo, proclama Maria “bendita entre as mulheres”, usando uma frase aplicada no Antigo Testamento para duas mulheres lutadoras, que ajudaram na libertação do seu povo: Jael (Jz 5,24) e Judite (Jt 13,18). Assim, apresenta Maria como mulher corajosa que, animada pela fé no Senhor libertador, colabora na luta pelo mundo que Deus quer. Esse mundo, a chegada do Reino de Deus, já é inaugurado com a chegada do seu Filho: “Bendito o fruto do seu ventre”. Nesse trecho, é importante destacar o motivo pelo qual Maria é bem-aventurada: “Feliz aquela que acreditou”. Para Lucas, Maria é bendita não pelo simples fato da maternidade, mas porque ela é o modelo da fé. Ela acreditou na promessa do Senhor, não somente a promessa da gravidez, mas o projeto de Deus, desde Abraão, de dar a seu povo a terra, a descendência e a bênção. Enfim, a promessa da realização do projeto do Reino. O Magnificat, que Lucas põe na boca da Maria, é uma composição literária magistral, inspirada no Cântico da Ana (1Sm 2,1-10) e outros trechos do Antigo Testamento. Expressa a espiritualidade dos “pobres de Javé”, os deserdados desta terra que, apesar de tudo, acreditavam no projeto libertador do Deus da vida e na chegada de uma sociedade justa. Maria exulta, pois experimentou que Deus olhou para a sua pequenez e humilhação (não “humildade”!). Ela celebra a mudança radical que o Reino traz: os poderosos, soberbos e ricaços serão derrubados, e os pobres, humilhados e famintos serão erguidos. Esse retrato de Maria contrasta muito com a personalidade passiva e pálida que, muitas vezes, inventamos para ela. A Maria de Lucas é uma figura pobre e humilhada, mas forte e batalhadora, como tantas mulheres de nossas comunidades hoje. Diante das forças opressoras de seu tempo (o abuso do poder religioso e econômico, o machismo, o racismo), ela canta a experiência do Deus libertador, do Deus da vida, do Deus que se encarna no meio dos oprimidos. Essa Maria nos desafia para que nos unamos na luta pela construção do Reino, sem pobres e ricaços, humilhados e soberbos, dominados e dominadores. Em nosso mundo, pelo menos tão opressor quanto naquela época, esse texto questiona as nossas opções reais da vida. Seremos bem-aventurados conforme acreditarmos e nos empenharmos na construção de um mundo mais fraterno, justo e igualitário, conforme a vontade e o projeto de Deus, celebrado por Maria no canto do Magnificat e demonstrado na pessoa e missão de seu filho Jesus. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Quem não conhece a verdade faz fofoca

Há pessoas que se comprazem em falar dos outros quando têm uma chance de emitir opiniões sem conhecer a verdade dos fatos. Ouvem algum boato, tomam-no como verdadeiro e passam a fazer juízos falsos, interpretações errôneas e têm prazer em passar adiante a notícia, sem verificar sua veracidade. São especialistas em fofocas, emitindo julgamentos sobre coisa que não conhecem, sem se darem conta do quanto estão prejudicando a reputação de pessoas e das consequências que daí decorrem. Para essas pessoas, valeriam as três peneiras de Sócrates. Conta-se que, um dia, um amigo chamou Sócrates, grande filósofo da antiga Grécia, para contar-lhe algo sobre alguém. Antes de o amigo prosseguir, o pensador lhe perguntou se o que iria contar-lhe já tinha passado pelas três peneiras. “Peneiras?” “Sim, há três peneiras”, disse-lhe o filósofo. “A primeira é a da verdade. Você tem certeza se aquilo que vai me contar é absolutamente verdadeiro?” “Não – disse-lhe o amigo – Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!” “Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos, então, para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar faz bem a alguém, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?” “Não! Absolutamente não!” “Então suas palavras vazaram também a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa?” “Não”, respondeu-lhe o amigo. “Então nem eu nem você, nem outros vão se beneficiar disso que você tem para me contar. Então, esqueça, enterre tudo.” Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras, porque pessoas sábias falam sobre ideias, pessoas comuns falam sobre coisas, pessoas medíocres falam sobre pessoas. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre as pessoas. Quanto bem faria à convivência se esses critérios socratianos fossem observados. Todos os dias, ouvem-se queixas de pessoas que se sentem julgadas, humilhadas por outras que se acham impolutas e acima dos demais e, portanto, com o direito de falar sobre o que não conhecem. Têm coceira na língua e vivem distorcendo os fatos. São pouco críticas em relação a si mesmas, mas especialistas em criticar falhas dos outros ou mesmo espalhando inverdades. Quem tem o direito de julgar os outros ou suas intenções sem os conhecer de verdade? Se os fofoqueiros de plantão se ocupassem com coisas úteis e se calassem, fariam muito bem. Haveria mais amizades sinceras, solidariedade, compaixão. A fofoca é como travesseiros de penas de galinha, quando abertos ao vento. Elas se espalham rapidamente, e ninguém mais terá controle sobre a situação. Daí vale o ditado, conte até dez antes de emitir juízos temerários e você será mais prudente, e uma pessoa melhor para conviver com os outros. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Santa Dulce dos Pobres

Este é o primeiro ano em que celebramos Santa Dulce dos Pobres, nossa santa baiana, canonizada no dia 13 de outubro do ano passado. Seu nome de batismo era Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes e nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914. Desde muito jovem, manifestou sua paixão pelos pobres e os acolhia em sua casa. Ao optar pela vida religiosa, encontrou caminhos para ajudar as pessoas mais necessitadas, a ponto de ficar conhecida como “O Anjo Bom da Bahia”. Irmã Dulce não medida esforços para cuidar daqueles que não tinham a quem recorrer. Por eles, enfrentava todos os desafios, até mesmo transformou o galinheiro do convento num abrigo para os doentes, dando início ao Hospital Santo Antônio. A Ir. Dulce ficou associada ao cuidado dos pobres e ao testemunho radical de entrega e doação a Deus, a serviço dos doentes e mais necessitados. Sua própria vida já era um milagre, pois, além de sua constituição frágil, tinha muitos problemas de saúde e, mesmo assim, era incansável em sua dedicação. Santa Dulce dos Pobres, título que ganhou após sua canonização, faleceu em 13 de março de 1992. No vídeo que apresentamos a seguir, produzido pela Verbo Filmes em 1983, quando Ir. Dulce estava em plena atividade, vemos seu carinho pelas pessoas e por que ela se tornou tão amada pelo povo brasileiro. Santa Dulce dos Pobres, intercedei por nós! Assista ao vídeo:
Maestro João Carlos Martins participa do Tecendo Relações nesta quinta

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, o maestro João Carlos Martins participa ao vivo de um bate-papo sobre a arte de agir com amor e emoção para superar os desafios. O artista é o convidado do webinar Tecendo Relações. A conversa será mediada pela professora Edja Camila, do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. A transmissão será pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. O professor Marcus Vinícius Leles de Barcelos, que leciona Literatura e História da Arte no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, conta um pouco mais sobre o maestro João Carlos: “Aos 5 anos, João precisou submeter-se a uma cirurgia para a remoção de um tumor benigno incrustrado em seu pescoço. Todavia o procedimento contou com alguns revezes. Sensibilizado, o pai do menino decidiu presenteá-lo com um instrumento, o piano. O pai de João lhe sentenciou ao apresentar o instrumento pelo qual o garoto desenvolveria verdadeira fascinação: ‘Nós vamos perseguir o sonho de você se curar, e você ficará curado’. Iniciou-se, assim, a relação entre o menino e a música. João, sanado em nova cirurgia aos 8 anos, debruçou-se cada vez mais sobre as teclas. Aos 13 anos, João Carlos Martins estabelecera-se como concertista com sólida carreira pelo Brasil. Aos 18, passou a constelar entre os nomes de lustre do cenário internacional. Pouco depois, consagrou-se em apresentações no Carnage Hall, em Nova Iorque, sempre com lotação esgotada. Em tais ocasiões, peças de Bach eram as melhores vitrines para o virtuosismo do brasileiro. João não apenas os versava com facilidade como adestrou seu corpo a um novo patamar de exigência. Tornou-se capaz de executar vinte e uma notas por segundo. Em 1965, o músico residia em Nova Iorque, quando o time da Portuguesa de Desportos visitou a cidade por ocasião de um jogo-treino, para o qual convidou João Carlos Martins a integrar a equipe oficial. Contudo, em um desfecho inusitado, a participação do pianista na partida foi interrompida por um acidente que provocou a perfuração de seu braço à altura do cotovelo e comprometeu o pleno funcionamento do nervo ulnar, relacionado à elaboração motora das falanges. Como consequência, João Carlos Martins precisou afastar-se temporariamente do piano, devido à atrofia de três dedos. A situação se agravou alguns anos depois, quando o músico, que em nenhum momento desistiu da vocação e manteve-se engajado em exaustivos tratamentos, desenvolveu um quadro de lesão por esforço repetitivo. Entretanto, em um exemplo incrível de superação, o pianista conseguiu voltar aos palcos após longas e atribuladas sessões de fisioterapia. Não se desapegou, aliás, da paixão por Bach. Entre 1979 e 1985, realizou várias e significativas gravações das composições do mestre barroco. Em 1995, uma nova pirueta do destino. Ao sair de um teatro na cidade de Sófia, na Bulgária, João Carlos Martins foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, em um assalto. A concussão causou uma sequela neurológica que impôs restrições ainda mais severas à mobilidade do braço direito. Passou a executar peças que demandassem apenas a utilização de sua mão sã, como o álbum Só para a mão esquerda, composto por Maurice Ravel para Paul Wittgenstein, pianista austríaco que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, acabou por ter a mão esquerda inviabilizada pelo acometimento de uma nova moléstia, a contratura de Dupuytren. Desse ponto em diante, iniciou um longo périplo pela regência antes que pudesse voltar ao piano. A transição à posição de maestro acarretou novas necessidades de adaptação. Impossibilitado de manusear as partituras em tempo hábil para reger a orquestra, João Carlos Martins passou a memorizar, nota por nota, as peças que se propunha apresentar. Ressignificou também sua fascinação por Bach por meio da criação da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, instituições responsáveis pelo recrutamento e pela revelação de grandes talentos musicais. Surpreendentemente, em 2020, deu-se o reencontro do músico com o piano, por meio de um par de luvas biônicas projetadas pelo designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, as quais restituíram a mobilidade às mãos de João. A trajetória de João Carlos Martins é uma peça executada a vários andamentos. Nunca em silêncio. E para aqueles que, a qualquer momento, pensaram-no fora de cena, não se iludam. Como todo bom prestidigitador de Bach, João Carlos Martins é mestre da invenção e do improviso. Tem a arte sutil do ardil e da saída. Tocata e Fuga. Conhecê-lo é um privilégio que será experimentado pelos colaboradores da Rede de educação das Missionárias Servas do Espírito Santo no webinar Tecendo Relações.” Marcus Vinícius Leles de Barcelos é graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. É professor de Literatura e de História da Arte do Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Água benta evapora…

Diz a sabedoria popular que a última aula só termina quando a nossa luz se apaga ou, para quem acredita, quando vamos ser luz na eternidade. Dito de outra maneira, a gente aprende até morrer. E é sobre aprendizados da vida que vamos conversar. Para contextualizar, um pouco de memória. Em 2012, ousei querer herdar de minha mãe sua inesgotável fonte de água. Ficava pendurada na parede e media minúsculos 12 centímetros, mas era gigante aos meus olhos.Uma “minipia” de água benta que nunca secava, num gesto invisível que nos inundava de fé… Feito o bolo que chega à mesa depois de muita maestria e alquimia. Parecido com a mudinha que vinga de um galho arrancado. Cheiro de casa limpa e roupa de cama lavada. A travessia dos que nunca se atrasam. Boletim que chega sem nota vermelha. Cachorros vibrando com sua chegada. O indizível da pia sempre limpa. A experiência de ser perdoada. O convite despretensioso para passear com as amigas. A visita surpresa de um parente querido. Um telefonema inesperado de alguém distante. A espontaneidade dos braços de um bebê querendo seu colo. A alegria de falar sim, todo dia, para seguir jurando amor. Tudo isso, e muito mais, é expressão de nosso empenho e de nossas opções cotidianas.A vida, tomada como um pote de água benta, também é assim. Há de se cuidar!É cuidando todo dia, nutrindo de convicções e gestos tudo o que nos é valor que vamos ter sempre nosso pote mágico sempre cheio. Que saibamos cuidar do pote de água benta que é nossa vida.Eu já aprendi, demorou, mas aprendi: água benta evapora.E você, já colocou água benta no pote hoje? Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
19º Domingo do Tempo Comum

“Coragem! Sou eu! Não tenham medo!”Mt 14,22-33 É comum ler nos jornais e revistas os resultados de pesquisas que apontam o medo e a insegurança entre as principais preocupações de nosso povo, especialmente nas cidades: o medo da violência, do desemprego, da pobreza, da solidão, da velhice e muitos outros. O medo parece até tomar conta de uma boa parte de nossas instituições, o medo de tomar as medidas necessárias para justas reformas (agrária, política e econômica) por parte das autoridades competentes; o medo de muitos líderes religiosos diante dos desafios do mundo da Pós-Modernidade, pluralista e globalizada, levando até à paralisia e ao fechamento; o medo de procurar novas soluções para novos desafios. O medo parece ser a força motora da atividade (ou da falta dela) de muitas pessoas, grupos e instituições. A comunidade eclesial onde nasceu o Evangelho de Mateus também sentia medo. Seus membros (em sua maioria, judeu-cristãos, bem diferente, etnicamente e de tradição religiosa, das comunidades lucanas) enfrentavam oposição e perseguição por parte das autoridades das sinagogas. A comunidade estava em luta com o chamado “judaísmo formativo”, para definir o rumo que o judaísmo tomaria depois do desastre de 70 d.C., quando foram destruídos Jerusalém e o Templo. Com a eliminação, pela repressão romana ou por guerra civil, dos saduceus, dos zelotes e dos essênios, somente dois grupos organizados sobreviveram para disputar a hegemonia dentro do judaísmo: o grupo de cunho farisaico e o grupo judeu-cristão, representado pela comunidade de Mateus. Era uma luta de muita radicalidade, como costuma acontecer nas brigas fratricidas. O sofrimento da comunidade de Mateus é retratado em Mt 10,22: “Sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo”. É nesse contexto que se entende o texto de hoje. Os discípulos, ao verem Jesus, acham que é um fantasma e ficam apavorados. A comunidade de Mateus era semelhante; diante da perseguição e do sofrimento, Jesus parecia para eles um fantasma, uma ilusão, uma fugacidade, incapaz de dar sustento à sua vida comunitária de fé, no contexto da perseguição. Diante do medo dos discípulos, Jesus é taxativo: “Coragem! Não tenham medo! Sou eu!”. Mateus relata essa história, acrescentando esses elementos em comparação com o texto mais sóbrio de João 6,16-21, para ajudar sua comunidade a entender que Jesus não é um fantasma, mas uma presença real, vivificante, fortalecedora e libertadora no meio da comunidade, especialmente na hora das dificuldades e perseguições. Tipicamente, o Evangelho de Mateus destaca a figura de Pedro (como também em 16,13-20; 17,24-27). Pedro era personagem muito importante em Antioquia, talvez o local da última redação de Mateus. Aqui Pedro é o protótipo do discípulo, cheio de amor, mas com uma fé enfraquecida pela dúvida. O estender da mão de Jesus é um convite a Pedro, à comunidade de Mateus e a nós hoje para dar uns passos para o desconhecido, para não nos fechar em nossas seguranças, frequentemente falsas, que nós mesmos construímos, mas para ter a coragem de enfrentar os ventos da vida, mesmo quando contrários, pois Jesus está realmente conosco, e, como disse Paulo, “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).Ter fé e não ter medo por causa de Jesus não quer dizer “Não tenham medo, confiem em Deus, e Ele garantirá que as coisas que os amedrontam não lhes acontecerão”, mas antes: “Não tenham medo, confiem em Deus. É bem possível que as coisas que os amedrontam vão lhes acontecer, mas não devem ter medo disso, porque Deus estará ao seu lado”. A fé em Deus não tira os nossos sofrimentos e dificuldades, como querem tantos hoje, mas nos dá as forças necessárias para vencê-los. Deus não é um analgésico para as dores e dificuldades da vida, mas uma presença amorosa que anima, fortalece e estimula, pois, como disse Paulo, “A fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1,25) Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Em tempo de máscaras: o olhar, o ouvir e a ação

“#Fiqueemcasa, mas, se sair, use máscara.” O compromisso com a vida, com o outro atualmente começa com um gesto simples, o uso de máscara cobrindo o nariz e a boca. Essa solidariedade, além de ser uma recomendação dos especialistas da área da saúde, é um ato de empatia. E você, tem usado sua máscara de modo correto? Quais modelos você utiliza? São tantas, profissionais e caseiras, não importa. O importante é não ficar sem o uso da máscara. O fato de se cuidar demonstra que está cuidando do outro, lembra a frase “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você”. Essa máxima nunca foi tão verdadeira quanto na atual conjuntura mundial. Somos todos conectados, afirma a Física Quântica. Nesse sentido, o uso da máscara passou a ser um acessório indispensável para todos, independentemente da classe social. Não basta apenas lavar as mãos, deixar os calçados num canto da casa ou evitar aglomerações, o ar que respiramos não é mais o mesmo… Analisando esse momento de pandemia gerado pelo covid-19, em que todo cidadão precisa usar máscara, podemos aprender algumas coisas. Em tempos de máscaras, chama a atenção o olhar de cada um. Há décadas, as pessoas não se olhavam mais por causa da televisão ou do computador e, recentemente, do celular. Agora, olhar para o outro é um desafio constante, pois os olhos revelam a alma que está dentro de você. E, dependendo do seu olhar, de sua empatia, entenderá o outro, devendo colocar-se no lugar dele. Quantos estão precisando de sua ajuda neste momento de crise, por causa de desemprego ou por causa de desafetos, ou mesmo porque estão doentes, sozinhos? Dar as mãos ou abraçar devemos evitar, mas ouvir é de graça! A máscara sinaliza não falar, mas olhar, ouvir e agir. Ter compromisso com a vida. Ficar em casa significa ouvir-se também. Quantos apelos dentro de si o têm transtornado? Ouvir os filhos, a esposa ou o esposo, os pais, os avós… Imagino o quanto de apelos os agentes de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos da área de saúde) ouvem todos os dias e a todo instante quando chega mais um enfermo nos hospitais. Há muitos desesperados, desolados. E os cientistas então? Estão a ouvir o apelo mundial pela vacina ou por uma medicação eficaz. E quantos estão a orar pedindo a Deus que os ouça? Muitas famílias, neste tempo de pandemia, têm reencontrado com seus afetos antes dispersos. No entanto outras estão amarguradas pelos desafetos, buscando quem as ouça, quem as socorra. Infelizmente, há muitas máscaras invisíveis que não demonstram quem a pessoa é. Geralmente, os que não querem ouvir automaticamente puxam a máscara protetora para o pescoço ou então, por descaso, nem a usam. Mas quem tem o olhar de empatia e o ouvir solidário busca agir de modo fraterno e justo. A ação passa a ser coerente com a situação. A realidade social clama por pessoas que saibam ver o outro e ouvir os apelos dos mais fracos, dos mais vulneráveis, dos mais isolados, dos mais empobrecidos, porque são os menos ouvidos por aqueles que deveriam ouvir e agir mediante decisões sensatas. Além de ouvir os infectados pelo covid-19, não deixemos de ouvir e agir em prol da vida de negros e mulheres sufocados pela desigualdade, pelo preconceito e pela discriminação. No momento, ainda são os apelos mais expressivos que existem Em tempos de máscaras, olhar, ouvir e agir são características de todos aqueles que são vocacionados a dar sua vida pela vida do outro, que colocam em prática seus conhecimentos e também suas virtudes, como a bondade e a solidariedade, buscando uma ação justa. Neste mês de agosto, mês dedicado a ouvir o chamado, a ouvir o apelo do Espírito, ouça os que ainda não têm quem os ouça. Faça valer cada minuto que existe para dar sentido a uma vida sem “máscaras” sociais, que somente têm causado decepções e corrupção humana. Cuide-se sem esquecer de cuidar do outro. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, professora de Filosofia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC; membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, na Arquidiocese de Florianópolis.