Envelhecimento do brasileiro exige atitudes imediatas

No dia 1º de outubro, o Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/2003) completa 17 anos de sua assinatura. A data é uma oportunidade para se buscar saber como está a população idosa deste que já foi considerado um país jovem. São muitas as estatísticas que mostram que seremos um povo de anciãos daqui a poucas décadas. A depender de como lidaremos com essa realidade, o quadro poderá ser dramático ou uma oportunidade. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde) uma pessoa idosa é aquela que tem 60 anos ou mais. Uma estimativa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), produzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indica que o Brasil começou 2020 com 34 milhões de indivíduos na eufêmica “terceira idade”, representando 16,2% da população. Dos 73 milhões de domicílios no país, 25,1 milhões (34,5%) abrigavam idosos. Esses números tendem a aumentar consideravelmente nas próximas décadas. Segundo o IBGE, em 2043, um quarto dos brasileiros terá idade acima de 60 anos. Enquanto isso, a proporção de jovens de até 14 anos será de 16,3%. Há uma previsão de que, em 2047, a população deverá parar de crescer, um drama já vivido por outros países. Em 2060, cerca de 19 milhões de brasileiros estarão acima dos 80 anos. O crescimento do grupo de idosos se deve a alguns fatores, como a queda constante na taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, este motivado pela melhoria nos serviços de saúde, educação e saneamento básico. Atualmente, o brasileiro vive, em média, 30,5 anos a mais que alguém em 1940. Quem vem a este mundo em 2020 tem a expectativa de viver, em média, 76,7 anos. Aos que chegarem em 2060, esse número estará em 81,2 anos. Desafios e oportunidades O desafio mais conhecido em uma população envelhecida é o de manter a previdência. É provável que esse sistema terá de passar por diversas e áridas reformas ao longo dos anos. Por outro lado, forçará (ou pelo menos deveria) o Estado a buscar controles mais rígidos contra desvios de recursos, provocados geralmente pela corrupção ou má administração como um todo. Há também a questão da saúde. Cada vez mais, haverá necessidade de profissionais especializados e avanços científicos para atender às demandas dos anciãos. Promover atividades saudáveis tanto para o corpo quanto para o espírito ajudará a aliviar a enorme pressão já esperada para as redes pública e privada de saúde. E é preciso se preparar, desde agora, para problemas motivados pela solidão ou outras causas, fornecimento de medicamentos e sobretudo programas de prevenção, como incentivo ao lazer, ao estudo e à convivência. Outro drama que poderá acentuar-se é o do mercado de trabalho formal para os mais velhos. Hoje, devido à crise acentuada pela pandemia do novo coronavírus, o país não consegue garantir emprego nem mesmo a todos os jovens. Percebe-se que, diferentemente de outros tempos, os idosos mantêm até mais tarde as condições de vida laboral, sobretudo em cargos que exigem mais escolaridade e menos força física. Um país como o nosso não pode se dar ao luxo de abrir mão da participação de ninguém. A educação financeira, desde a juventude, seria muito benéfica para um envelhecimento mais seguro. A professora universitária Catarina (nome fictício), de 65 anos, solteira e sem filhos, prevê que ficará sozinha daqui a algum tempo. Sua família é formada apenas pelo pai, já bem idoso e doente, com quem ela vive num município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em tom realista, a professora afirma que já até escolheu o lar especializado no qual deseja passar a última etapa da vida. A violência também preocupa. Segundo dados do Disque 100, um serviço público que atende denúncias de violações de direitos humanos, há uma média de um idoso agredido a cada dez minutos. Os casos mais comuns são de negligência, pressões psicológicos, abuso financeiro e econômico ou contra o patrimônio, e agressões físicas ou maus-tratos. É possível que exista uma subnotificação. Autoridades relatam notar um constrangimento da vítima em denunciar o autor, justamente por este ser um ente familiar ou o cuidador. Criar ou reforçar mecanismos de defesa dos idosos, sobretudo os que estimulam a autonomia dessas pessoas, pode trazer muitos benefícios a toda a sociedade. Cursos especializados para essa faixa etária, conselhos de direitos, estreitamento de laços com autoridades e mesmo interfamiliares são algumas propostas. “Em uma civilização em que não há espaço para os idosos ou onde eles são descartados porque criam problemas, tal sociedade traz em si o vírus da morte, porque se separa das próprias raízes.” (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 193) Estatuto do Idoso Fruto de uma notável mobilização social, o Estatuto do Idoso foi assinado em 1º outubro de 2003 e entrou em vigor em janeiro do ano seguinte. Embora ainda haja muito a ser praticado, a lei é considerada um avanço na defesa dos cidadãos e cidadãs de mais idade. Entre outros aspectos, a lei abrange as seguintes dimensões: direito à vida, à liberdade, ao respeito, à dignidade, ao sustento, à saúde; educação, cultura, esporte e lazer; profissionalização e trabalho; previdência social; assistência social; habitação; transporte. Para envelhecer bem Mente: modere o tempo diante da tevê, do computador ou celular, mas tenha coragem de lidar com as novas tecnologias; aprenda atividades diferentes (música, dança, artesanato…); não tenha receio de voltar a estudar, ainda que lhe custe algum sacrifício; tenha acesso a boas leituras. Corpo: tenha uma dieta adequada; pratique atividades físicas; visite o médico regularmente; evite o consumo de cigarro e álcool; não use medicamentos sem orientação médica. Futuro e presente: desde cedo, busque economizar para viver bem a velhice; se possível, elabore um orçamento por escrito e tenha disciplina; desconfie de ofertas tentadoras; evite fazer dívidas. Espírito: busque opções divertidas de lazer (valem as simples, baratas ou mesmo gratuitas); frequente eventos culturais (cinema, teatro, palestras, cursos, festas); procure encontrar-se mais com os amigos; não feche o coração para novas amizades ou amores; busque mais contato com a natureza e os animais (que tal ter um

Da Pátria à cidadania justa

Há seis meses, a população brasileira está vivendo um tempo diferente, sofrido. Muitos perderam seus entes queridos… O período da pandemia do covid-19, para alguns, tem sido difícil, todavia, para outros, tem sido de oportunidades. Como pátria, somos solidários com todos os familiares que passam por momentos de dor. Mas, o que é “pátria”? Conforme estudos, pátria é um lugar onde o ser humano nasce ou vive por muitos anos e ao qual se sente afetivamente ligado por valores históricos e culturais. Como cidadãos, defendemos o mesmo território, criamos leis para cumprirmos os deveres e termos garantidos os mesmos direitos. Mas, de que adianta nos reunirmos, votar em representantes se não levarmos em conta as necessidades essenciais dos outros?Embora ainda a maioria dos cidadãos brasileiros esteja confinada em casa, como idosos, crianças, jovens estudantes e funcionários em trabalho remoto, é muita a empatia com aqueles que são vulneráveis, em situação de rua e desempregados. Mas o que move indivíduos e grupos a se (re)unirem em favor dos mais necessitados? A Palavra. Não é qualquer palavra, mas a Palavra de Deus, o Verbo; a Palavra que se faz ação. Do mesmo modo que o Verbo (Palavra) se fez carne, também agimos no bem quando nos colocamos no lugar do outro ou procuramos estar a serviço dos mais necessitados. Costurar máscaras, criar cozinhas comunitárias, buscar e, ou, entregar remédio ou marmita, ir à padaria para a vizinha, ligar para uma pessoa idosa ou que mora sozinha, enfim, transmitir a Palavra. E assim, entrar em comunhão com outros e, consequentemente, consigo mesmo. O alimento que sacia a matéria corporal transcende as paredes ou bancas solidárias, criando laços de reconhecimento da prática cidadã e, também, cristã. O exemplo das comunidades cristãs, onde “todos tinham tudo em comum” permite que os “invisíveis” tornem-se “visíveis”, isto é, todo cidadão ou grupo de indivíduos passa a ter seus direitos respeitados, embora ainda não seja plenamente o ideal. O Brasil é a nossa pátria, nossa nação. Todos nós, brasileiros e estrangeiros que aqui habitam, somos responsáveis pela manutenção de nossa flora e fauna, de nossas fronteiras, de zelar pelo meio ambiente, de cuidar uns dos outros, colocando-se no lugar do outro, ter empatia. Para isso, exercitar as virtudes da justiça, da honestidade, da lisura, da prudência, buscar a sabedoria para agirmos com ética é fundamental para eliminarmos os desvios de conduta prejudicial à coletividade. Nossa Pátria, sendo um Estado laico, acolhe todas as crenças religiosas e respeita os que se dizem agnósticos quanto ao sobrenatural. Há espaço para a diversidade nas dimensões social e política no Brasil, mesmo porque somos uma nação culturalmente plural. As diferenças nos enriquecem. Como um jardim de várias flores, sejamos botões de esperança, sementes da Palavra que gera vida. Aproveitemos, portanto, este tempo de pandemia para sermos éticos, solidários e também bíblicos, no sentido de buscarmos praticar uma cidadania justa. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia, Pedagogia e Teologia pelo Mater Ecclesiae, professora de Filosofia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC; membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC; voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

Dia da Árvore: pouco a se comemorar em 2020

Celebrar o Dia da Árvore tem um significado ímpar nos dias atuais. No Brasil, essa data é comemorada às vésperas da primavera, em 21 de setembro. Além de sua própria exuberância, as árvores têm funções fundamentais para o meio ambiente. Oferecem sombra, diminuem a poluição, mantêm a umidade do ar, deixam o solo firme, produzem matéria-prima para a fabricação de papel, remédios e diversos produtos. De forma que, ao derrubá-las, tenhamos a consciência da necessidade de replantá-las. Embora os problemas relacionados ao meio ambiente sejam conhecidos há certo tempo, a cada dia que passa, o agravamento das más ações saltam aos nossos olhos. Falta de preservação, descaso, sobretudo com a Floresta Amazônica, queimadas, não somente em nosso país, é o triste cenário da displicência política e de interesses econômicos, muitas vezes estabelecidos em nome de um “desenvolvimento” sem nexo. O desmatamento, a mineração e as queimadas constituem a causa-origem da degradação generalizada. Diante desse cenário, é inegável que a crise ecológica sinaliza, sem dúvida, uma crise de valores humanos. E cada vez mais os problemas assumem proporções alarmantes, por diferentes razões, interesses e meios. Via de regra, não devemos assumir uma posição ingênua ou indiferente diante do atual contexto, muito menos delegar nosso destino à “providência divina” e acreditar que a lei da natureza impõe o seu próprio equilíbrio. Muito pelo contrário, o que vemos é a força da natureza revelando que há um imenso desequilíbrio natural dos ecossistemas. Então vamos lá! Plante uma árvore se for possível. Adote atitudes que beneficiem o meio ambiente, consuma produtos de fontes renováveis. Ana Aparecida Martins Ferreira é professora de Ensino Religioso no Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP. ________ Devastação histórica Grandes brasileiros estão sofrendo com as queimadas ou desmatamento irregular. O Pantanal passa por uma das maiores catástrofes já registradas. A Polícia Federal investiga pelo menos cinco fazendeiros que teriam provocando o incêndio. As chamas atingiram áreas de proteção, reservas indígenas e afetaram até a vida nas cidades. Estima-se que mais de 12% do bioma já viraram cinzas. Além da poluição atmosférica, a fumaça tem formado a chamada “chuva escura” no Brasil e em países vizinhos. O fogo e outras formas de destruição, como o desmatamento irregular, a mineração, a invasão de terras indígenas e o garimpo, também atingem a Amazônia. Ambientalistas suspeitam de que, neste ano, teria se repetido o chamado “dia do fogo”, quando criminosos, numa ação orquestrada, iniciaram as chamas. Independentemente do bioma, o prejuízo para a flora, a fauna e para a economia ainda é difícil de ser calculado devido à grande extensão das áreas atingidas. Em todas as ocorrências, organizações denunciam o descaso das autoridades e a falta de estrutura para combater os crimes. Na última sexta-feira (18), a França declarou sua oposição ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Áustria, Holanda e Bélgica também anunciaram que não darão o aval ao acordo enquanto não houver imposições ambientais. Tragédia no Pantanal Assista ao vídeo divulgado pela página da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), denunciando os danos causados ao Pantanal.

25º Domingo do Tempo Comum

“Os últimos serão os primeiros”(Mt 20,1-16) Há um consenso entre os estudiosos da Bíblia de que o centro da pregação de Jesus era “O Reino de Deus” (ou dos Céus, que, em Mateus, significa a mesma coisa). Mas Jesus nunca define o Reino; pelo contrário, sempre o descreve por meio de parábolas, para que o ouvinte se esforce para descobrir quais são os valores que tornam o Reino de Deus presente no meio de nós. A parábola de hoje nasce no contexto da realidade agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas com seu povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos, e a maioria trabalhava ou como arrendatários ou como “boias-frias”, como diríamos hoje. Embora a cena situe-se na Galileia de 2 mil anos atrás, ela bem poderia ser no Brasil da atualidade. Apresenta uma situação de trabalhadores braçais desempregados, não por querer, mas “porque ninguém os contratou” (v. 7). Talvez haja uma diferença, comparando com a situação de hoje: na parábola, o salário combinado era uma moeda de prata, um denário, que, na época, era o suficiente para o sustento de uma família por um dia, o que nem sempre se verifica hoje. O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a lógica da sociedade vigente. Na nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que produz; logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso, aposentado, doente, excepcional. Na parábola, o patrão (símbolo do Pai) usa como critério de pagamento não a produção, mas o sustento da vida: também o trabalhador da última hora precisa sustentar a família e, por isso, recebe o valor suficiente: um denário. O Reino tem outros valores da sociedade neoliberal do nosso tempo: a vida é o critério, não a produção. Por isso quem procura vivenciar os valores do Reino estará na contramão da sociedade dominante. O texto nos convida a imitar o Pai do Céu, lutando por novas relações na sociedade e no trabalho, baseadas no valor da vida, não na produção e consumo. Para a comunidade de Mateus, a parábola tinha mais um sentido. Começavam a entrar pagãos na comunidade, e muitos cristãos de origem judaica tinham dificuldade em aceitá-los em pé de igualdade, eram “da última hora”. Mateus conta a parábola para ensinar a eles que, no Reino, experimentado por meio da comunidade, não pode haver discriminação entre cristãos de várias origens; por isso “os últimos serão os primeiros”. O critério é a gratuidade de Deus Pai, pois tudo o que temos recebemos dele, e sendo todos filhos e filhas amados dele, a comunidade cristã não pode discriminar pessoas, por qualquer motivo que seja. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD

A vida resiliente do povo Pataxó Hã-hã-hãe: entre lutas e lutos

O povo Pataxó Hã-hã-hãe, com cerca de 4 mil pessoas, vive em território tradicional, nos municípios Pau Brasil, Itaju do Colônia e Camacan, no sul da Bahia. No entanto, devido aos conflitos gerados por disputas fundiárias com fazendeiros, a crise de água decorrente do monocultivo de eucalipto na região e as ameaças por parte dos produtores de cacau e pecuaristas, membros do povo foram forçados a migrar para diferentes regiões de Minas Gerais a partir de 1970. Em 2012, um grupo se instalou temporariamente em Belo Horizonte, mas a incompatibilidade com o estilo de vida da cidade, a impossibilidade de viver e expressar seus costumes, bem como os múltiplos desafios próprios do meio urbano fizeram com que os indígenas buscassem um novo território. Em 2017, esse grupo ocupou um terreno de 30 hectares no Município de São Joaquim de Bicas-MG, Região Metropolitana de Belo Horizonte, às margens do Rio Paraopeba, formando a aldeia Naô Xohã. A área, protegida como reserva ambiental, estava sob litígio e pertencia à mineradora MMX Mineração e Metálicos S.A., do empresário Eike Batista. Desde que chegaram à região, os indígenas vinham reivindicando a regularização fundiária do território que ocupavam. O anseio de ter um lugar onde pudessem viver sua cultura em paz e em harmonia com a Mãe Terra, como é tão próprio do povo indígena, foi fortemente impactado em 25 de janeiro de 2019. Nesse dia, ocorreu a ruptura da barragem do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, no Município de Brumadinho. Os indígenas viram seu sonho se transformar em pesadelo quando toneladas de resíduos tóxicos contaminaram o rio e as terras de que dependiam para sua sobrevivência. Depois do desastre, algumas famílias decidiram ficar na área, no entanto outros membros não encontraram condições materiais e emocionais para permanecer no local. “Saímos de lá porque não estávamos aguentando mais ficar naquela situação. O Tyopai (rio) estava morto, e a gente não podia plantar nem fazer rituais. Estávamos ficando doentes”, conta a líder indígena Ângohó, que se tornou uma das vozes de denúncia dessa tragédia humana e ambiental. Hoje 13 famílias estão em Belo Horizonte. Vivendo em diferentes locais na periferia da capital mineira, atualmente os indígenas lutam pela subsistência. O auxílio pago pela Vale, por determinação judicial, é insuficiente para as despesas do grupo. A situação ficou ainda mais dramática com a pandemia do novo coronavírus. A venda de artesanatos na Feira Hippie e outras localidades, fonte principal de renda do grupo, foi interrompida. Além disso, todos foram contaminados pelo vírus, sendo que alguns tiveram sintomas graves. Atualmente, para a sobrevivência, essas famílias contam com a solidariedade de pessoas e entidades. A Redes (Rede de Solidariedade), entidade das missionárias Servas do Espírito Santo, soma-se a outros benfeitores com o objetivo de auxiliar os indígenas em suas necessidades e apoiá-los na luta por seus direitos a uma vida digna. Nem os indígenas, nem nós, apoiadores, estamos satisfeitos com a situação na qual se encontram no momento. “A gente não quer viver assim, de doação. Sabemos plantar, fazer nosso artesanato. Só queríamos que nos devolvessem nossa terra e nossa paz”, afirma Ângohó. A maior urgência desse grupo do povo Pataxó Hã-hã-hãe é a justiça. Embora os males causados pelo crime da Vale nunca possam ser compensados em sua totalidade, uma vez que vão muito além de questões materiais, esperamos que a companhia possa responder pelos danos causados em todas as dimensões possíveis de reparação. Continua a luta do líder Galdino, também pataxó hã-hã-hãe, queimado e assassinado em Brasília quando reivindicava os direitos de seu povo. Diante de todas as formas de ameaças, desde o tempo da colonização até a contemporaneidade, os corpos indígenas teimam em resistir. Se alguns tombam pela truculência dos brancos e pela voracidade do capitalismo, o sonho por uma terra sem males continua vivo e vibrante. Que a causa indígena seja também a nossa. Certamente esse também é o sonho de Tupã (Deus) que, por meio de seu Filho, quis instaurar seu Reino, seu projeto, onde todos podem ter vida em abundância. Ir. Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade

SSpS abrem nova comunidade na capital paulista

Nem a pandemia impediu a missão de três irmãs servas do Espírito Santo, Ir. Maria Gislaine Pereira, Ir. Lusia Sakunab e Ir. Severina do Carmo Amaral, de iniciarem uma nova comunidade religiosa. A nova casa está situada na Paróquia São Marcos, Parque São Rafael, Zonal Leste de São Paulo-SP. Irmã Gislaine, coordenadora da comunidade, é brasileira; Ir. Lusia é da Indonésia e, como missionária, está no Brasil há 18 anos; e Ir. Severina é natural do Timor Leste e chegou ao Brasil há sete meses e está estudando português. A comunidade foi fundada tendo como perspectiva a missão no Centro Educacional Madre Theresia, creche que atende gratuitamente 65 crianças de famílias em situação de vulnerabilidade econômica, e também na Paróquia São Marcos Evangelista, onde atuam os missionários da Congregação do Verbo Divino. A creche pertencia ao Verbo Divino e, em 2017, passaram para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo. As irmãs, que moravam na comunidade do Tatuapé, começaram a trabalhar na creche, para isso, tinham de tomar ônibus e metrô todos os dias. O tempo gasto no trânsito, devido à longa distância, era uma dificuldade para que chegassem a tempo dos compromissos. “Agora a nossa presença aqui abrirá a possibilidade de visitar as famílias de nossas crianças. A maioria delas vem de locais onde a realidade da vida é mais dura e desafiadora”, enfatiza Ir. Gislaine. “Para iniciar uma comunidade neste tempo de pandemia, precisávamos do espírito e da intercessão do São José Freinademetz”, conta Ir. Lusia. Ao explicar por que a comunidade escolheu o santo como patrono, Ir. Lusia conta que ele foi pioneiro como missionário do Verbo Divino na China. “Toda a sua vida foi marcada pelo desejo de ser um chinês entre chineses. Ele disse ‘Eu amo a China e os chineses; aqui quero morrer e junto deles ser enterrado’”. Quando surgiu uma epidemia de tifo, o evangelizador foi à frente no atendimento e socorro às vítimas. O missionário contraiu a moléstia e morreu no dia 28 de janeiro de 1908, em Taikia. “‘O melhor lugar é onde Deus nos quer’, como disse São José Freinademetz, por isso estou feliz por colaborar entre o povo nesta região”, explica Ir. Gislaine. Para uma recém-chegada ao Brasil, como a Ir. Severina, a linguagem pode ser uma barreira para comunicar e compreender, mas ela afirma, com confiança, que precisa não somente do idioma para conversar com as pessoas, mas também da linguagem do amor. Ela também retoma o ensinamento do patrono da nova comunidade, o qual dizia que “A única linguagem que todas as pessoas entendem é a linguagem do amor”. A bênção da nova comunidade foi no dia 22 de agosto. O rito foi celebrado juntamente com a missa, presidida pelo Pe. Bonifácio Issaka, pároco, e demais verbitas da paróquia. A coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, as irmãs conselheiras, Maria Aparecida Ribeiro e Heloise Mattos, além da ecônoma, Ir. Maria de Fátima Marques, foram conhecer a nova residência das irmãs e participaram da liturgia. “A missão não é nossa missão só, mas a missão de Deus, da Província e também da Congregação. Nós três representamos a missão de todas”, disse Ir. Gislaine. Irmã Lusia falou com gratidão sobre o apoio e a partilha das irmãs para o estabelecimento da nova comunidade. “Nós temos tudo em casa e nada compramos, pois a Província partilhou conosco”. “Irmã Maria Percila nos acompanhou no dia a dia, e também toda a Província estava conosco pelo espírito de oração e pelo apoio”, acrescentou Ir. Gislaine.

Lives ajudam a superar o estresse da pandemia

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo vem realizando uma série de atividades on-line dentro do Projeto Tecendo Relações. Entre elas estão as lives que apresentam os talentos dos colégios da Rede de Educação. A última foi com a banda Xad Caramelo, na sexta-feira, 11 de setembro, no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG. A escola está comemorando 118 anos de existência. Antes disso, o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, apresentou a banda Soul Much Blues, no fim de julho. A irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação, explica que as lives surgiram como um desdobramento do projeto Tecendo Relações, quando perceberam que a pandemia estava gerando muito cansaço e um certo nível de estresse na comunidade educativa. “Então resolvemos trazer as lives com uma leveza artística, com a música, com o ‘sextou’, com o descanso, para estar num ambiente familiar, curtindo uma boa música”. Além disso, segundo ela, é também uma oportunidade para promover os talentos dos alunos e professores, que se intercalam durante a apresentação. Na última live, o aluno Alexander Behrend e sua mãe, Ana Paula Behrend, professora de Música, representaram o Colégio Imaculado Coração de Maria, que celebrou recentemente os cem anos de presença no Méier, bairro do Rio de Janeiro-RJ. O aluno Eduardo Martins, do Colégio Espírito Santo, fez uma apresentação de guitarra, e o professor Célio Andrade, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, soltou a voz, em homenagem ao cantor Vander Lee, nascido em Belo Horizonte-MG. “O Tecendo Relações, dentro dos jardins do Colégio Stella Matutina, comemorando os seus 118 anos, fez pulsar dentro de mim os sentimentos mais profundos de saudade, de emoção, de solidariedade e de amizade”, afirmou a gestora administrativa Raquel Fiuza. Para ela, o projeto significa “o reencontro com a comunidade escolar, neste momento de angústia, de tristeza, por que o mundo está passando”. O mais importante para ela é que isso “está fazendo os nossos corações pulsarem”, não só nos alunos e profissionais, mas também no ex-alunos e até nas escolas vizinhas. Feliz com os bons resultados, afirma: “A comunidade precisa desse carinho”. Também Lilian Sedlmayer, diretora educacional do Colégio Stella Matutina, falou de sua emoção ao perceber o engajamento da comunidade escolar: “Foi muito bom participar da organização do evento, ver a mobilização das pessoas e a emoção da equipe, dos professores, alunos e familiares”. Irmã Maria de Fátima vem participando diretamente das lives e demais atividades on-line, e comenta que as transmissões já ultrapassaram 1.800 visualizações. “É número muito significativo no universo educacional de nossas escolas”, acrescenta. Das atividades on-line, o recorde de visualizações foi a apresentação do centenário do Colégio Imaculado Coração de Maria, em agosto, com mais de 4.600 visualizações. Segundo ela, está crescendo a adesão no canal do Youtube, o que mostra que “a comunidade educativa vem respondendo a esse projeto on-line da Rede de Educação”. A diretora-presidente lembrou ainda que, neste momento, o objetivo da Rede de Educação é cuidar da comunidade educativa, incluindo os educadores, os alunos e as famílias, e que “esses momentos de leveza são uma expressão desse cuidado”, explicou. “Queremos desestressar, viver momentos alegres, mesmo que o distanciamento social, nesta realidade da pandemia, traga desafios tão profundos.” Para finalizar, Ir. Maria de Fátima recitou o slogan da Rede: “Uma escola viva pulsa na gente”. ____ Na live do dia 11 de setembro, foi escolhida a banda Xad Caramelo porque seu vocalista, Alex Xad, é pai do aluno Aleph Mograbi, de 2 anos de idade, e sua esposa Thais Moreira Silva, é professora do colégio. A apresentação, com um repertório dedicado ao rock dos anos 70, foi uma homenagem aos 118 anos do Stella Matutina. Aqui trazemos a letra da música composta por Thomé Paulo Soares e Xad Caramelo, a qual ganhou uma adaptação para homenagear a presença missionária do colégio na cidade de Juiz de Fora. Flores do Céu Em tudo e em todosAlgo existe fascinante de se ver O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu Na bravia tempestadeNos ventos indomáveisNa calmaria em um lagoNo cintilar das gotasAté no tocar dos sinosDe um templo mais alémNa revoada dos pássarosAlegres em debandada O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu No alvorecer do diaNa noite caindo aos poucosNo surgir de uma estrelaNas estrelas matutinas (O Stella Matutina – adaptação) O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do… Se o mundo assim tão beloMe revelou sua belezaSerá assim pra sempreE será a partir de agora! O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu

24º Domingo do Tempo Comum

“Não lhe digo sete vezes, mas até setenta vezes sete”(Mt 18,21-35) Este texto trata do último dos problemas comunitários no discurso do capítulo 18: o perdão. Mais uma vez, é Pedro que articula em palavras o desafio cristão, “Quantas vezes devo perdoar o meu irmão?”, e responde ele mesmo, sugerindo “sete vezes”, com certeza achando que agir assim seria um exagero. Mas, para Jesus, não basta o discípulo agir segundo os critérios deste mundo, nosso modelo de ação sempre deve ser o Pai. Por isso exige “não somente sete vezes, mas setenta vezes sete”, ou seja, para quem realmente quer se modelar em Deus, o perdão tem de ser sem limites. A frase lapidar é tirada da tradição comum que Mateus partilha com Lucas (17,4), mas Mateus acrescenta a parábola dos servos, para ilustrar a necessidade da misericórdia sem fim. A ideia básica inverte a posição sangrenta e vingativa de Lamec, em Gênesis (4,24): “Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete!”. O cristão tem de deixar definitivamente por trás todo sentimento de vingança e assumir os novos valores do Reino de Deus, entre os quais tem lugar de destaque o perdão. A parábola provavelmente foi composta pelo autor mesmo, para ilustrar um dos pedidos do Pai-Nosso, “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”. Fazendo esse pedido, estamos querendo o perdão de Deus para que, experimentando-o, consigamos perdoar nossos devedores (originalmente se referiu realmente às dívidas financeiras, mas se aplica às ofensas em geral). Não é que o perdão de Deus depende do nosso; é sempre Deus que toma a iniciativa, e nós que respondemos. Mas somos capazes de render nulo o efeito do perdão do Pai se nós não queremos perdoar os outros. Assim, o Pai continua querendo nos perdoar, mas nós cortamos o efeito dessa gratuidade divina. Obviamente, o perdão envolve um processo todo, que abrange não apenas a parte espiritual, mas também psicológica da pessoa. Não se consegue eliminar os efeitos das ofensas de uma só vez. Mas o importante é o “querer” perdoar. O próprio desejo já é o perdão, pois é somente com a graça divina que nós conseguiremos perdoar mesmo. Mas, quando esse desejo é ausente, nem o perdão do Pai penetra a barreira que nós erguemos, e seu perdão fica sem frutos. A proposta do texto de hoje é além de nossas forças humanas, mas não além da possibilidade da graça divina. Por isso temos de sempre pedir o dom do perdão, conforme nos ensina a Oração do Senhor, para que nossas comunidades sejam verdadeiramente sinais do Reino e não meramente aglomerações de pessoas que partilham as mesmas teorias teológicas, mas sem que estas influenciem em sua vivência, em sua prática. De nossa parte, exige-se esforço, e Deus dará a força, para que vivamos conforme o desafio do Sermão da Montanha: “Sejam perfeitos como o Pai do Céu de vocês é perfeito” (Mt 5,48). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD

Missão em Juquitiba continua…

Na vida missionária, tão importante quanto iniciar uma missão, é saber a hora de entregá-la aos outros. Assim se deu com a comunidade das missionárias servas do Espírito Santo de Juquitiba-SP, após 33 anos de presença evangelizadora no Município localizado na Região Metropolitana de São Paulo. Irmã Elisabeth Plattner e Ir. Anastásia M. Krohling, em um misto de saudade e de gratidão pela missão cumprida, compartilham um pouco do “tempo em Juquitiba”. Ambas trabalharam em diferentes períodos, mas sempre atuando na área de saúde integrativa, com o objetivo de “ajudar as pessoas a tomarem a saúde em suas próprias mãos”, conforme explica Ir. Beth, como é mais conhecida. Antes de começar a pastoral da saúde, Ir. Anastásia recorda as visitas às famílias, tanto na cidade como também nos bairros do interior. Para resgatar o conhecimento que o povo tinha em relação ao uso de ervas medicinais, especialmente no uso de chás e tinturas, ela e a Ir. Beth organizaram cursos e atendimentos individuais. Em consequência, “muitas pessoas mudaram seu estilo de alimentação”, enfatiza Ir. Beth, relatando a importância de uma nutrição correta para uma vida saudável. Para que as pessoas conhecessem as propriedades das ervas e a variedade de verduras e legumes, as irmãs ampliaram a horta no quintal da própria casa e, na calçada, colocaram uma mesa com mudas, para que as pessoas as plantassem nas próprias casas. “Essa doação foi um legado que nós deixamos”, afirma Ir. Beth. Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá Na Pastoral da Saúde formaram uma equipe de leigos que lideravam ativamente a missão, com a orientação das irmãs. Regularmente os membros da pastoral visitavam os doentes, organizavam as missas dos enfermos e faziam encaminhamentos para outros profissionais de saúde. A pedido do pároco de São Lourenço da Serra, Município vizinho de Juquitiba, Ir. Beth iniciou, em 1998, a Pastoral da Saúde. O primeiro passo foi realizar um curso de fitoterapia. A partir daí, 15 pessoas se prontificaram a iniciar um trabalho de atendimento para as pessoas interessadas em melhorar e fortalecer sua saúde. Assim surgiu o Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá que, nos anos seguintes, promoveu inúmeras formações sobre tratamentos, como massagens, reiki, acupuntura sistêmica, terapia craniossacral, florais de Bach e de Minas, limpeza de ouvido com cone de cera, constelação familiar, entre outras. “Jesus sempre se preocupou com a saúde física e espiritual das pessoas. Para Ele, era fácil curar: um toque, uma palavra… Exigia apenas a fé da pessoa. Para nós, curar exige empenho, amor e perseverança”, afirma Ir. Beth, que é enfermeira. Nestes anos todos de missão, utilizando as terapias integrativas e complementares, as irmãs ajudaram muita gente a encontrar a cura. “Perto de nossa casa organizamos grupos de oração. Nós nos encontrávamos principalmente na Semana Santa e na novena de Natal”, conta Ir. Beth. Muitas pessoas se sentiam em casa na comunidade das irmãs e iam visitá-las para conversar, pedir orações e rezar na capela. Às vezes, passavam apenas para cumprimentar. “A casa tinha muito movimento”, lembra Ir. Anastásia. Desde 1987, muitas irmãs passaram por Juquitiba e deixaram sua contribuição para a missão. Durante um tempo, lá também foi casa de formação para as jovens que ingressavam na Congregação. Nos últimos anos, além da Ir. Anastásia e Ir. Beth, também Ir. Helena Suzana Christo morou na comunidade. Ela dividia seu tempo com a Casa São José, que cuida da recuperação de jovens dependentes químicos, e suas atividades com a Pastoral Carcerária e a CRB da Diocese de Campo Limpo. Mais recentemente, ela mudou para a Comunidade da Cohab Adventista, na Região Sul de São Paulo-SP, assumindo a coordenação das duas comunidades. Gratidão a Deus e ao povo Com a idade avançada, 86 e 87 anos, e problemas de saúde que foram se agravando, Ir. Anastásia e Ir. Beth perceberam que já era momento de deixar Juquitiba. Foi uma decisão tomada com tranquilidade e que já vinha sendo preparada havia mais tempo. Atualmente, elas vivem na comunidade do Convento Santíssima Trindade. Irmã Anastásia trabalhou quase 20 anos em Juquitiba e, para ela, não foi fácil deixar a comunidade e o Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá. “Sou grata a Deus e ao povo, principalmente às pessoas que nos ensinaram a viver mais autenticamente a nossa fé”, expressou com emoção. Depois, citando as palavras de São Paulo, acrescentou: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4,7). Para Ir. Helena, o mais importante na missão é formar lideranças que possam dar continuidade ao trabalho e, em Juquitiba, os leigos assumiram as atividades pastorais e sociais ligadas à paróquia. Um dos motivos que dão tranquilidade e alegria às irmãs ao deixarem Juquitiba é que a missão do Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá continua com 25 terapeutas, e a casa onde estavam será usada para a recuperação de jovens dependentes químicos da Casa São José. “Assim, nossa missão está continuando” afirma Ir. Helena, com gratidão, lembrando também todas as irmãs que participaram na missão na comunidade.

Vivat pressiona países a defenderem meio ambiente

A Vivat Internacional, organização não governamental constituída por 12 congregações religiosas, entre as quais a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e a Sociedade do Verbo Divino, membros fundadores, atua na ONU para promover os direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a paz entre os povos e a defesa do meio ambiente, tendo em vista as futuras gerações. Seguindo sua missão, quer pressionar os países da América Latina e Caribe a assinarem o Acordo de Escazú, firmado na Costa Rica, em março de 2018. Mas que acordo é esse e qual a sua importância para o continente e o mundo? E o que a Vivat Internacional pretende fazer? Quem responde a essas questões é o Pe. José Boeing, verbita, membro da equipe da Vivat Brasil e que atua na Região Amazônica. Urgência de soluções para a Amazônia Os nove países pan-amazônicos estão sofrendo impactos ambientais, principalmente a Amazônia brasileira, afetada pelo desmatamento, grilagem de terras públicas, garimpos ilegais nas terras indígenas, impactos das hidrelétricas e mineradoras. Os povos indígenas e comunidades tradicionais são vítimas do sistema capitalista de exploração e depredação do meio ambiente. Por isso é urgente a necessidade de ratificar o Acordo de Escazú, que garante o direito de todos a um meio ambiente limpo e saudável, além de proteger aqueles que lutam para defender a ecologia. Como o prazo termina no dia 26 de setembro de 2020, a Vivat Internacional apoia a iniciativa da ONU e também reforça a carta da CLAR (Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos) para pressionar os congressos nacionais a fim de que pelo menos 11 dos 33 países da América Latina e do Caribe ratifiquem o tratado, de modo a levar o acordo a entrar em vigor (veja abaixo a íntegra da carta). Até o momento, 9 países ratificaram o documento (Antígua e Barbuda, Bolívia, Guiana, Nicarágua, Panamá, São Cristóvão e Nevis, São Vicente e Granadinas, Equador e Uruguai). Precisamos pressionar para que ao menos mais dois países ratifiquem o Acordo de Escazú. Por isso, a Vivat Internacional solicita que os cidadãos dos países enviem cartas, e-mails, ofícios para o Congresso Nacional de cada país, manifestando o interesse e a importância da ratificação do Acordo Escazú para a defesa da vida, dos direitos Humanos e do meio ambiente. Conheça o Acordo de Escazú O tratado histórico visa a garantir a implantação plena e eficaz, na América Latina e no Caribe, dos direitos de acesso à informação ambiental, participação do público na escolha de decisões ambientais e o acesso à Justiça em questões ambientais. O Acordo Escazú foi adotado em 4 de março de 2018, na cidade de Escazú, Costa Rica. Esse tratado fortalece o vínculo entre direitos humanos e defesa ambiental, impondo obrigações aos Estados partes sobre a proteção dos defensores dos direitos humanos ambientais. Assim, o Acordo de Escazú promove um modelo de quatro pilares da democracia ambiental. 1 – Acesso à informação O artigo 5 define as obrigações de os países que fazem parte garantirem o acesso à informação pública sobre o meio ambiente. De acordo com esse artigo, qualquer cidadão tem o direito de, sem a necessidade de apresentar demais justificativas, solicitar informações ambientais e recebê-las dentro de 30 dias. O artigo 6 define as maneiras pelas quais os países que fazem parte devem produzir e divulgar dados sobre o meio ambiente. As informações que devem estar disponíveis ao público incluem, entre outros, textos sobre tratados e acordos internacionais bem como leis ambientais, relatórios sobre o estado do meio ambiente, lista de áreas contaminadas, informações sobre o uso e conservação de recursos naturais e serviços ecossistêmicos, dados sobre processos de avaliação de impacto ambiental e sobre outros instrumentos de gestão ambiental. Além destes, informação sobre os riscos ambientais que possa afetar o meio ambiente e a saúde. 2 – Acesso à participação na tomada de decisões ambientais As comunidades afetadas pelos grandes projetos devem ser consultadas, como afirma a Convenção OIT 169. Qualquer empreendimento que causará impacto ambiental deverá antes passar por audiências e consultas aos povos originários. 3 – Acesso à justiça em questões ambientais O artigo 8 estabelece obrigações em relação ao direito de acessar mecanismos judiciais ou administrativos, de apelar e contestar decisões relativas ao acesso a informações ambientais ou à participação em processos de tomada de decisões ambientais. Isso é essencial para a plena implantação dos outros direitos. Da mesma forma, os países devem garantir a existência de entidades estatais competentes, com acesso a conhecimentos especializados em questões ambientais. Esses órgãos devem ser capazes de fornecer medidas preventivas para evitar danos ao meio ambiente e fornecer compensação e soluções eficazes para as vítimas dos danos ao meio ambiente. 4 – Proteção para os defensores ambientais Propõe prevenir, investigar e punir todos os ataques contra defensores de direitos ambientais. É o primeiro tratado internacional que contempla medidas específicas para protegê-los. Quatro pontos importantes do acordo Escazú 1 – Teve a participação significativa do público e o apoio da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), como secretaria técnica. 2 – É o único tratado que surgiu da Rio + 20 e o primeiro sobre questões ambientais na América Latina e no Caribe. 3 – Gerações futuras: o tratado reconhece o direito a um ambiente saudável para as gerações presente e futuras. 4 – Direitos humanos e meio ambiente: é o único instrumento internacional vinculativo com disposições específicas para a promoção e proteção dos direitos humanos em questões ambientais. Pe. José Boeing, SVDCoordenador da equipe executiva da Vivat Brasil. Desde 1991, atua na Amazônia como religioso missionário do Verbo Divino. Como advogado da CPT e pastorais sociais, sempre atuou junto com várias entidades em apoio aos defensores dos direitos humanos e do meio ambiente. ______ Assista ao vídeo produzido para a Vivat Internacional Íntegra da carta da CLAR A Confederação Caribenha e Latino-Americana de Religiosas e Religiosos (CLAR) solicita aos Congressos Nacionais a ratificação do Acordo de Escazú Bogotá, 4 de setembro de 2020. Em sintonia com a inspiração do Papa

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