Milhares de jovens vão às ruas em defesa do planeta

Pela primeira vez, os estudantes da Europa estão fazendo uma greve por uma causa ambiental. O movimento tem como lema “#fazpeloclima”. Nesta última semana, milhares de jovens foram às ruas das principais cidades do continente. Querem aliar suas vozes às dos mais de 9 milhões de estudantes que, segundo estimativas, aderiram à convocação mundial “#schoolstrike4climate” e “#fridaysforfuture”. Eles pretendem garantir o direito a uma vida que não esteja ameaçada pelas alterações climáticas e pela inação de muitos governantes. “A solução está nesta geração”, lembram. Entusiasmados, os jovens pintam as letras em torno de um globo azul desenhado nos cartazes de um metro e meio de largura. “Cuide do planeta como cuida de você” ou “Nós queremos ter uma Terra para habitar” são algumas das palavras de ordem. “Se as pessoas forem conscientes de que o mundo está precisando de uma ajuda, vão ver que esses movimentos são importantes”, afirma convicto Wilson, um jovem português, do alto de seus 12 anos. “Se as pessoas não abrirem os olhos para esses problemas, não haverá evolução”, reforça a colega Leonor, de 11, enquanto pintam um planeta com um olhar triste diante do que lhe está acontecendo. Em Portugal, país tão próximo a nós brasileiros, a adesão à greve climática estudantil começou a ganhar forma em janeiro, pela mão de duas estudantes da escola secundária de Palmela, Matilde Alvim e Beatriz Barroso. Elas chegaram a pensar sentar-se, em protesto, na escadaria do parlamento. Pelas redes sociais, sobretudo no Instagram e no WhatsApp, a ideia foi ficando mais consistente. O grupo foi crescendo, e a adesão à greve mundial pelo clima ganhou forma. A coordenação conta agora com cerca de 40 estudantes de vários níveis de ensino, do básico ao universitário, de várias partes daquele país. Os jovens inspiram-se na adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que iniciou a primeira greve escolar numa sexta-feira de fins de agosto, sozinha, em frente ao parlamento sueco. “Há quem diga que eu devia estar na escola: mas por que devo preparar-me para um futuro que pode não existir?”, questionou Greta, durante uma palestra na TEDx, em Estocolmo, em novembro. No mês seguinte, discursava na Cúpula do Clima da ONU, na Polônia, acusando os líderes mundiais de não serem “Suficientemente maduros para encarar os fatos e deixarem o peso das alterações climáticas para as crianças”. Em janeiro último, no Fórum Econômico Mundial de Davos, atirou: “Eu não quero que sejam esperançosos, quero que entrem em pânico. Quero que sintam o medo que eu sinto todos os dias e depois quero que ajam”. A mensagem de Greta repete-se em suas intervenções e contagia outros jovens: “Vocês estão roubando nosso o futuro!”. Nestes dias, a adolescente foi nomeada candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Por todo os países europeus têm surgido oficinas para fazer cartazes e atrair mais jovens para a causa. “Admito que tenho sido um colega um pouco chato”, diz Duarte Antão, de 18 anos, estudante de Direito em Coimbra e um dos membros do comitê organizador. Duarte conta que têm sido contatados pelas mais variadas associações e “até por um jardim de infância no Porto, que quer levar 30 crianças à manifestação”. “Há muito por fazer e, segundo os cientistas, temos 12 anos para agir, senão será demasiado tarde”, sublinha o jovem estudante de Coimbra. “O movimento é descentralizado e incentiva o empoderamento e o ativismo jovem. Queremos chamar a atenção para a urgência na ação”, sublinha Carolina Silva, de 18 anos, estudante de Psicologia também em Coimbra. A seu lado, Matilde Alvim, Rita Vasconcelos, Margarida Marques, Beatriz Barroso e Duarte Antão acenam em confirmação. “Esta greve é só o começo”, sublinham numa declaração conjunta. “Com certeza, os jovens acordaram!” Os jovens no mundo chamam a atenção para a “urgência da ação”, na qual incluem a aposta nas energias renováveis (sobretudo na solar), o fechamento das centrais termoelétricas e o fim da exploração de combustíveis fósseis. É preciso reduzir em 55% as emissões de gases de efeito de estufa, como o CO2, até 2030, e em 85% até 2050. Estima-se também que, em meados do século, as emissões que restarem serão compensadas pelas florestas que, vão absorvê-las. Para os jovens, porém, principalmente da Europa, falar em “metas para 2050 é incoerente com a urgência” e defendem que cabe aos governos priorizar essa questão. Lembram que o degelo dos polos se acentua, que a subida do nível do mar é cada vez mais crescente e que os fenômenos climáticos extremos são sentidos cada vez mais com frequência. Diante dessa realidade, afirmam convictos: “Continuamos decididos, empenhados e atentos, e lutando por ter um ambiente sadio onde possamos ter um futuro”. “Nós, os jovens, começamos a nos mexer. Nós vamos mudar o destino da humanidade, quer os adultos, os governos, gostem ou não. Unidos vamos elevar a nossa voz até vermos concretizada uma justiça climática. Exigimos que quem toma as decisões do mundo assuma a responsabilidade e resolva a crise climática”, declaram os organizadores da greve. Os jovens estão dando o primeiro grande passo, mas não querem ficar por aí. Eles mostram-se atentos e rebeldes por uma causa de salvação da humanidade. Irmã Luciana Rzepka, SSpS – Professora universitária, educadora, teóloga, bióloga, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, mestranda em Teologia Bíblica.

A paz depende também de nós

Ao ver tantas situações de sofrimento em nosso País e no mundo, tantas tragédias causadas pela natureza ou pela violência humana, conflitos e guerras em diferentes países, preconceito, fome, miséria, destruição da natureza, abusos de crianças, corrupção e todo tipo de crimes, sinto que estamos chegando ao limite. Muitas vezes, eu me pergunto: o que está acontecendo com nosso mundo? O que está acontecendo no coração do ser humano? Parece-me que estamos colhendo os frutos do ódio, da exploração, da ganância, da perda dos referenciais de fé e da falta de ética e cuidado com os seres humanos e com nosso planeta. Mas será que há alguma coisa que podemos fazer para reverter essa realidade? Com certeza, há, mas depende de cada ser humano, de cada pessoa fazer a sua parte. Num Universo onde tudo está interligado (cf. Laudato Si’), tudo o que acontece ao nosso redor influiu dentro de nós. Mas também o que acontece dentro de nós influiu no mundo a nosso redor. Por isso há uma grande variedade de pequenas ações que estão a nosso alcance e podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, se queremos paz no mundo, podemos buscar a paz e a reconciliação dentro de nós e com as pessoas com quem nos desentendemos. Perdoar e pedir perdão pode ser o começo de uma grande transformação. Cultivar a serenidade de espírito, a harmonia, o acolhimento, a tolerância diante das outras pessoas pode transformar o ambiente de trabalho, diminuir o estresse e tornar a vida mais gratificante para mim e para os outros… A meditação e a oração têm o poder de criar o ambiente interior onde as mudanças do pensamento e das atitudes se tornam reais. Cultivar a raiva, o ódio, a crítica destrutiva, a reclamação vai gerar atitudes destrutivas, negativas que prejudicam a mim mesma e aos outros. Mas podemos mudar nossos pensamentos. Bons pensamentos geram bons sentimentos, os quais, por sua vez, levam a atitudes positivas que geram ações que constroem o bem comum. Acreditando nisso, convido você a rezar comigo esta oração, pedindo a Deus a graça da transformação deste mundo violento num mundo de paz, começando com a mudança do meu e do seu mundo interior, de tudo aquilo que ainda precisa ser pacificado e transformado em amor. Oração pela Paz Senhor, diante de ti, trazemos a dor da humanidade que luta e sofre em busca de paz. Trazemos a angústia das vítimas da violência, injustiças e opressão. Trazemos o desespero dos que perderam os entes queridos em situações de conflito. Trazemos também o nosso coração ferido, sedento de tua paz e de teu amor. Queremos, ó Deus, consagrar o dia de hoje à causa da paz, para que chegue o tempo em que todos os dias serão dias de paz. Dá-nos, Senhor, tua luz para construirmos a paz em nossos relacionamentos. Dá-nos, Senhor, tua paz, para aprendermos a acolher sem preconceitos e respeitar a dignidade de cada ser humano. Dá-nos, Senhor, tua paz, para reconhecermos, em cada pessoa, o nosso semelhante e, em toda a criação, o dom generoso de teu amor. Transforma a violência e a injustiça que habitam dentro de nós em dom do amor e compaixão que geram paz. Amém. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Missão e espiritualidade dos missionários leigos de Deus Uno e Trino

“A onipotência do Pai, a sabedoria do Filho e o amor do Espírito Santo.” Santo Arnaldo Janssen O momento histórico-político-social demanda que cada cristão seja testemunha do amor misericordioso de Deus, testemunha da ação e revelação de Jesus Cristo vivo, a partir do diálogo, da partilha e da comunhão. Somos chamados a construir uma sociedade centrada no amor, como explica Santo Agostinho: “O Pai é o que ama, o Filho é o amado, e o Espírito Santo é o amor”. Desde a década de 1960, o Concílio Vaticano II nos convida a retomar as bases do carisma congregacional, renovando a fidelidade, bebendo das revigorantes fontes da espiritualidade das origens. Dessa forma, a animação na espiritualidade trinitária tem um papel fundamental desde a geração fundante, pois é o enraizamento da vida pessoal e comunitária na Trindade que dá sustento à missão dos verbitas, das missionárias servas do Espírito Santo, das irmãs da Adoração Perpétua como também para os missionários leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT). Até hoje, existem várias iniciativas de animação espiritual. Deve-se a Santo Arnaldo Janssen e às cofundadoras, as Bem-Aventuradas Madre Maria e Madre Josefa, a centralidade trinitária e o amor ao Espírito Santo. Como MLDUT, tive a benção de participar de um encontro de aprofundamento no carisma, no Centro de Espiritualidade Arnaldo Janssen (CEAJ), em Steyl, Holanda, em 1999, juntamente com as irmãs servas do Espírito Santo Aglaé Pascoal (in memoriam), Heloíse Matos e um grupo de nove lideranças das escolas da Província Brasil Norte (BRN) das SSpS. Todas as obras buscam ser um louvor à Trindade Santa, por meio da doação gratuita aos irmãos nas creches comunitárias, no centro de integração do migrante, na comunicação, no apoio à população de rua, nas visitas assistenciais dos missionários leigos e tantas outras frentes de trabalho nas quais toda família Arnaldina se empenha, visando à justiça, paz e integridade da criação. Hoje, na Família Arnaldina, a missão é entendida de um modo diferente e mais abrangente. Padre Pernia, SVD, explica que “As gentes estão também aqui entre nós e ao nosso redor. Pode ser a família que mora ao lado, a pessoa que se senta a meu lado no ônibus, o técnico que vem fazer um conserto em minha casa ou a senhora que me atende na feira ou no mercado. Hoje, necessitamos entender a missão ad gentes (chamado missionário além-fronteiras) também como missão inter gentes (missão como lugar de encontro e diálogo no meio das pessoas). A missão inter gentes pode enriquecer nossa compreensão da missão hoje. Não como substituição da missão ad gentes, mas como complemento”. “Nossa tarefa é abrir os corações de todos os homens ao amor.”Madre Josefa Missão da Família Arnaldina Congregação dos Missionários do Verbo Divino: tem a missão especial de anunciar a Boa-Nova de Jesus Cristo em situações em que a necessidade é maior. Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo: dedicam-se, sobretudo, às pessoas excluídas pela sociedade, minorias e povos ameaçados, refugiados, migrantes… Congregação das Missionárias das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua: irmãs adoradoras espalhadas em quatro continentes, em vinte conventos existentes nos EUA, Argentina, Brasil, Alemanha, Chile, Holanda, Polônia, Filipinas, Índia, Indonésia e Togo. Missionários Leigos de Deus Uno e Trino: a presença dos leigos e das leigas na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e na Família Arnaldina como um todo vem desde o tempo da fundação. Os MLDUT são chamados a viver a espiritualidade trinitária e com o carisma missionário inter gentes (no lar, no trabalho, na recreação, na oração, na Igreja e na sociedade), para tornar o amor de Deus Uno e Trino conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas. Para isso, procuramos novos caminhos para cumprir nossa tarefa missionária: • partilhar com as pessoas a experiência pessoal e comunitária do Deus Uno e Trino; • ler, rezar, estudar, partilhar a Palavra de Deus e participar da Eucaristia como ato central de nossa vida; • discernir os movimentos do Espírito nas realidades socioeconômico-político-culturais, mediante ações pela justiça, paz, preservação da natureza e defesa da vida humana; • promover a vocação missionária dos leigos, apoiá-los em sua formação e envio a lugares onde são muito necessitados; • promover e incentivar as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, por meio da oração, do discernimento e da ajuda financeira; • fazer promoções em benefício do trabalho de missionário inter gentes e ad gentes, fundamentado na espiritualidade; • trabalhar de mãos dadas com as irmãs SSpS, as irmãs SSpSAP e os missionários do Verbo Divino pela evangelização do mundo e para realizar nosso lema comum: “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Segundo o Concílio Vaticano II, cada leigo deve ser, perante o mundo, uma testemunha da ressurreição e um sinal do Deus vivo. Todos, em conjunto, e cada um, por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (cf. Gl 5,22) e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados (cf. Mt 5,3-9). Numa palavra, “Sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo”. Maria, Mãe e Estrela da Nova Evangelização, guie os próximos passos para que sejamos cada vez mais enraizados na Palavra, para tornar Deus Uno e Trino, conhecido, amado e glorificado por todas as pessoas, grupos, povos e nações. Cristina Maia Além de professora universitária, mestre em Sistemas de Gestão e doutoranda em Educação, é missionária leiga de Deus Uno e Trino e membro da Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS/SVD. ___ __ “Que Jesus nos conceda a graça de sermos repletos do Espírito Santo.”Madre Maria Helena Fontes: Constituição Lumem Gentium. In: Documentos do Concílio Vaticano II: constituições, decretos, declarações. Petrópolis: Vozes, 1966. SACARDO, Ir. Matilde W., SSpS. Manual dos Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, 1996. A Santíssima Trindade e a geração fundante. Disponível em: http://www.novosite.ssps.org.br/arquivos/10/downloads/geracao-fundante.pdf. Acesso em: 15 mar. 2019. A Santíssima Trindade: mistério de amor. Disponível em: https://pantokrator.org.br/po/artigos-pantokrator/a-santissima-trindade-misterio-de-amor/. Acesso em: 15 mar. 2019. Espiritualidade missionária. Disponível em: http://www.ssps.org.br/.

Uma comunidade a serviço da juventude

A Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG, tem como missão a formação das jovens que desejam entrar para a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Nos últimos anos, o lugar acolheu as aspirantes e as postulantes de primeiro ano, introduzindo as jovens vocacionadas no estilo de vida comunitária e preparando-as para os passos seguintes da formação inicial. Você já imaginou como uma jovem se torna uma missionária SSpS? Neste vídeo, você vai ter uma ideia de como é pelo menos nas etapas iniciais. Você vai poder ver como é o cotidiano da vida comunitária e da missão. As jovens partilham também seus sonhos e suas buscas, enquanto as irmãs apresentam os desafios e a proposta da comunidade. Você vai perceber que a diversidade de cultura e de idades também fazem parte da formação numa congregação internacional, e grande parte do processo de formação se dá na convivência comunitária. É claro que as jovens estudam e fazem cursos, mas é no dia a dia que vão aprendendo as atitudes e o jeito de ser de uma missionária serva do Espírito Santo. Nesse sentido, é importante o testemunho e a presença de Ir. Giselda Kerber que, aos 83 anos (quando o vídeo foi gravado), dá um show de dedicação à missão. Assista ao vídeo:

Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus

Encontro no deserto

Os evangelhos sinóticos narram que, depois da experiência no batismo, Jesus foi conduzido ao deserto (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13). Após quarenta dias naquele lugar, Jesus foi tentado (os quarenta dias, no caso, acenam para os quarenta anos da travessia de Israel no deserto). Há quem veja esse acontecimento das tentações como uma provação da qual Jesus, sendo o Filho de Deus, sai triunfante. Nós, porém, seguindo Juan Antonio Estrada, preferimos ler nesse episódio o processo de assimilação e amadurecimento da experiência que Jesus viveu em seu batismo: “Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11b). Todo novo conhecimento de Deus precisa ser assumido pessoalmente, mas o processo é muito complexo. É necessário observar com atenção os efeitos e a interpretação que se faz dessa experiência. Em outras palavras, trata-se de fazer um processo de discernimento para não cair no autoengano. Depois da experiência de Deus, surge uma nova sensibilidade, que precisa ser estruturada no “deserto”. “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; e vivia entre as feras, e os anjos o serviam” (Mc 1,12-13). É interessante que os evangelistas sublinhem que foi o Espírito quem impeliu Jesus ao deserto. Jesus é inabitado pelo Espírito, mas é tentado porque é parte de uma sociedade e sofre as influências do “dever ser” que essa sociedade lhe impõe. Porém Jesus não teve medo de sua liberdade interior nem das exigências de ser autêntico, por isso ele não se submeteu ao código social e, ou, religioso. Em nossos dias, abundam ofertas de experiências religiosas, mas nos chama a atenção que os efeitos, muitas vezes, ficam num subjetivismo alienante. E é que todos estamos condicionados por nossa personalidade e o código cultural do qual fazemos parte, assim somos presas fáceis de enganos. O âmbito religioso certamente é uma mediação para encontrar Deus, mas também é um lugar de tentação. Aliás, análogo a certas experiências religiosas, intensifica-se o fenômeno patológico, que busca o bode expiatório sobre o qual descarregar a culpa da desgraça e do pecado. Aludir às tentações de Jesus se refere, pois, a tratar do encontro de nós com nós mesmos, em vistas do amadurecimento na fé. É indispensável que reconheçamos nossa vulnerabilidade humana e que nos confrontemos com as forças contraditórias presentes no interior de todo ser humano. A tentação faz parte de nossa estrutura humana, pois está atrelada à insegurança pessoal. Todos buscamos a segurança que neutralize a angústia existencial. Mas acontece que, muitas vezes, ao fugir dessa angústia, acabamos nos submetendo ao “dever ser” que a sociedade nos apresenta e deixamos de almejar ser o que Deus nos chama a ser. Ainda que as tentações respondam às necessidades humanas de satisfazer a fome, ao anseio de ser valorizados e ao desejo de poder, precisamos advertir para a dinâmica diabólica que jaz por trás delas. Essas necessidades, usando-se das carências e desejos humanos, facilmente seduzem ao acúmulo, dominação e triunfalismo, aliás, quando essas tentações se cristalizam, somente causam destruição. Jesus, como homem verdadeiro, inserido numa cultura concreta, sentiu a tentação e a ambiguidade da vida que ameaçava perverter a experiência de seu batismo. Mas ele venceu as tentações, confrontando-as num profundo discernimento. Assim, Jesus transforma as necessidades e desejos humanos, canalizando-os para um projeto de sentido, o projeto do reinado de Deus. Nós, também deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo ao deserto da vida, para aí apreendermos com Jesus a resistir às tentações e aderir a seu projeto de vida. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

Justiça e Paz promove CF 2019

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB e representantes de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Conferência dos Religiosos do Brasil (JPIC – CRB) realizaram, de 22 a 24 de fevereiro, em Brasília-DF, um encontro em aliança das duas organizações. O tema foi “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O evento teve três objetivos principais: 1) promover a troca de experiências entre as comissões de Justiça e Paz diocesanas, regionais e brasileiras, com as comissões de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB; 2) analisar a realidade brasileira, tendo como critérios a Encíclica “Laudato Si’”, a Campanha da Fraternidade, a Constituição Brasileira de 1988 e o Sínodo da Amazônia; 3) fortalecer a Rede Brasileira de Justiça e Paz, mobilizando uma comunicação para a transformação social, com destaque para o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. A missionária SSpS, irmã Malgarete Scapinelli Conte, membro da Diretoria da Redes (Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo), esteve presente e conta que o encontro reuniu 87 pessoas de 22 Estados. A reunião proporcionou momentos de muita partilha do que cada participante faz relacionado ao tema. “Existe muita vida acontecendo no Brasil, mas se dá pouca visibilidade a esse fazer cotidiano no meio do povo”, afirma Ir. Malgarete. “Apesar das riquezas partilhadas, senti muita indignação ao ver tantas injustiças cometidas por diferentes autoridades”, desabafou. Entre os assuntos discutidos, o que mais a impressionou foram os dados trazidos sobre o modelo predatório de exploração da Amazônia, envolvendo madeira, pecuária, mineração, monocultura e energia. Ela cita que, em quatro décadas, o desmatamento passou de 0,5% do território da floresta original para cerca de 18%. Além de 50% da madeira oriunda da Amazônia serem explorados ilegalmente, pelo menos outros 40% apresentam algum tipo de irregularidade, como fraudes em documentação ou uso de trabalho escravo. De cada 5 hectares de terra na Amazônia 1 é ocupado sem documentação ou com documentos falsos. Irmã Malgarete lembra também que a Amazônia desmatada concentra 9 em cada 10 mortes de ativistas em conflitos no campo e menciona a irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005. “A morte da floresta é o fim da nossa vida”, dizia Ir. Dorothy. Muito indignada com a situação, Ir. Malgarete afirma que há estudos que mostram que é possível ter um outro modelo que seja socioambiental e trabalhe a agroecologia direcionada aos povos da floresta e à redistribuição da renda. Reforçando a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano (Fraternidade e Políticas Públicas), Ir. Malgarete acrescenta: “Temos muito de trabalhar na conscientização, na formação e troca de experiências, fortalecimento e organização desde as bases e na comunicação, recriando nossa narrativa no anúncio do Reino. É muito importante a participação em conselhos, fóruns, audiências públicas e outros”. A seguir, publicamos a íntegra da carta redigida pelos participantes e dirigida ao povo de Deus. No texto, apresentam suas principais preocupações em relação ao contexto mundial e nacional. Também apresenta propostas de enfrentamento, em consonância com a CF 2019, cujo lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça” (Is 1,27), assumido por eles. MENSAGEM AO POVO DE DEUS III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional de Justiça,Paz e Integridade da CriaçãoXVII Encontro Nacional das Comissões Justiça e Paz e Afins] “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) Nos dias de 22 a 24 de fevereiro de 2019, mais de oitenta representantes da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), de comissões de Justiça e Paz regionais e diocesanas (CJP), de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Conferência de Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) realizaram, em Brasília, na Casa de Retiros Assunção, o III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional, e o XVII Encontro Nacional das CJP e Afins. Os participantes vieram de 22 Estados, garantindo a presença de todas as regiões do País. Com esta carta, saúdam todos e todas que, em nome do Evangelho, dedicam suas vidas à defesa da justiça e à promoção da paz. O cenário nacional e internacional inspirou constante preocupação. A ameaça de conflito internacional envolvendo especialmente a Venezuela, um possível envolvimento brasileiro nesse conflito armado na região, o modelo predador de desenvolvimento nacional, agressões e ameaças a defensores e a defensoras de direitos humanos, e a destruição de direitos sociais (conquistados e incluídos na Constituição Federal de 1988) constituíram elementos imprescindíveis para compreender o que está em jogo atualmente e mereceu a atenção das comissões reunidas. Foram relacionados ainda a Medida Provisória nº 870/2019 (que redefine as atribuições dos órgãos do Poder Executivo), o Projeto Anticrime e a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, como aspectos recentes que marcam a conjuntura nacional brasileira e que confirmam um quadro de incertezas nos próximos anos para o País. As comissões reunidas assumem a perspectiva das populações empobrecidas, por quem o Papa Francisco nutre cuidado e dedicação especiais, e porque foi em sua defesa que ele convocou o Sínodo para a Amazônia. São essas populações, formadas pelos povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e outros povos originários e comunidades tradicionais, as principais vítimas da Emenda Constitucional nº 95/2016 (que congelou ao reajuste apenas pela inflação, por 20 anos, os recursos destinados à saúde, educação e outras políticas sociais); da terceirização e reforma trabalhista; da entrega dos territórios preservados às mineradoras; da expansão das monoculturas; e da perda da biodiversidade. Essas reformas aprovadas e as propostas apresentadas atingem principalmente as mulheres, as pessoas idosas, os jovens e as crianças. Defender o ecossistema inclui levar em consideração essas populações tradicionais que, milenar ou secularmente, povoam, de forma harmônica, os diferentes biomas brasileiros. Do mesmo modo, manifestam sua preocupação com o modelo de política criminal adotado pelo atual governo, sobretudo no que se refere ao incentivo ao armamento da população e ao estímulo à violência policial, que poderá vitimizar, principalmente, a juventude pobre e negra que habita as periferias. Tais medidas não levam em conta a complexidade do fenômeno, desresponsabilizam o Estado pela segurança pública

Chega de violência contra a mulher

Celebrar o Dia Internacional da Mulher não é simplesmente reconhecer sua importância na sociedade, a qual é inegável, mas é, antes de tudo, um grito de protesto contra todo o sofrimento que é imposto às meninas e às mulheres no mundo inteiro. Por que será que as mulheres precisam carregar um fardo tão pesado de discriminação, violência, desigualdade e preconceito? Quanto dano faz uma cultura machista! Ser diferente não quer dizer ser inferior ou superior, significa apenas ter habilidades e possibilidades distintas para nos ajudar mutuamente e nos complementar como seres humanos, com os mesmos direitos e deveres. Infelizmente, ainda estamos longe disso. O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países onde há o maior índice de feminicídio no mundo. Só em 2016, uma mulher brasileira foi assassinada a cada duas horas. Mas o que é feminicídio? É matar uma mulher pelo fato de ela ser mulher, ou seja, por questões de gênero, em consequência do menosprezo ou discriminação da condição feminina. No Brasil, muitas mulheres são assassinadas pelos seus próprios maridos ou namorados. Até bem pouco tempo, as penas desses crimes eram abrandadas por estes serem considerados passionais e em defesa da honra. Somente a partir de 2015 o assassinato de mulheres passou a ser tido como crime hediondo, graças à Lei 13.104, que alterou o Código Penal Brasileiro. É preciso entender que o feminicídio é o último estágio da violência contra a mulher. Segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016, a cada hora, 503 mulheres acima de 16 anos foram vitimadas, resultando em 4,4 milhões de casos denunciados. Essas agressões foram desde a ofensa verbal e a ameaça até a violência física. Estes dados são alarmantes! Mas de onde vem toda essa violência? De acordo com a Organização das Nações Unidas, as agressões estão relacionadas ao sentimento de posse e de controle do homem sobre a mulher e seu corpo, do desejo de limitar sua emancipação e autonomia, e ainda o desprezo e até mesmo o ódio por sua condição de gênero. Todos esses fatores são culturais e precisam ser mudados. Daí a importância de abrir os olhos para o que está acontecendo e denunciar, ajudar as mulheres que sofrem agressões a buscarem amparo legal. Para isso temos a Lei Maria da Penha e a Delegacia da Mulher. Vamos, sim, comemorar o Dia Internacional da Mulher, homenageando sua coragem, sua criatividade, seu cuidado pela vida, sua capacidade de amar e de criar beleza ao seu redor. Vamos agradecer às mulheres por tornarem o mundo um lugar muito melhor… Mas vamos também dizer “chega”! Chega de violência contra a mulher! Chega de feminicídio! Chega de desigualdade, preconceitos, exploração sexual e de todos os tipos de exploração! Chega de abusos contra a mulher! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Viver bem o tempo da Quaresma

Se você busca Deus e acredita que a fé tem de ser praticada no dia a dia, aqui vão algumas dicas para viver intensamente este tempo da Quaresma. Mas, afinal, o que é mesmo a Quaresma? É o período litúrgico que começa logo depois do carnaval, na Quarta-Feira de Cinzas, e termina antes da celebração da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, quando começa o Tríduo Pascal, que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Então, é um caminho de preparação para a Páscoa. E para que serve este tempo? A Igreja Católica sempre ensinou que a Quaresma é um período de conversão, no qual somos chamados a nos tornar pessoas melhores. Para isso, a Igreja propõe algumas práticas espirituais, especialmente o jejum, a oração e a esmola, ou prática da caridade. Vejamos cada uma dessas práticas. Jejum Tem sentido, ainda hoje, jejuar? Tem! Jejuar é deixar de comer ou abster-se de algo. É uma forma de educar o corpo e de fortalecer o espírito para dominar nossas tendências negativas e nos tornarmos pessoas mais livres. Por exemplo, posso jejuar, deixando de comer algo que gosto para ajudar os pobres… Posso também jejuar de vídeo games, de bebida alcóolica e até de cigarro, especialmente se estes começam a prejudicar minha vida. Há outros jejuns também desafiadores e que fazem muito bem, como jejuar de falar mal dos outros… De que tipo de jejum você está precisando? O importante é o sentido de sacrificar algo para o bem do próximo e para corrigir alguma coisa que não está indo bem em minha vida. Oração A oração é muito importante para a nossa vida, especialmente nesta época das redes sociais, que não nos deixam um minuto. Rezar é tirar um tempo para me encontrar com Deus e comigo mesmo; tomar consciência do amor de Deus em minha vida e ver se estou amando de verdade as pessoas. Há muitas maneiras de rezar. Todas as que me ajudam a viver o Evangelho e a fazer o bem ao próximo são boas formas de oração. Esmola Há ainda a esmola e a prática da caridade. O sentido da esmola é ajudar o pobre e quem passa por necessidades. Essa atitude espiritual é básica, e devemos fazê-la com critério. Não basta simplesmente dar uns trocados a qualquer mendigo para acalmar a consciência. É necessário ir às causas que geram mendigos, moradores de rua, crianças abandonadas, pessoas famintas e tantas outras situações que clamam aos céus, e fazer o que está a nosso alcance para superá-las. Campanha da Fraternidade Para nos ajudar a vivenciar as práticas espirituais da Quaresma de tal forma que elas possam transformar as situações de injustiça e melhorar a vida das pessoas, a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade (CF). A cada ano, a Campanha traz um tema relevante que ajuda a entender, à luz da fé, alguma situação ou problema e a buscar alternativas de solução. Neste ano, o tema da CF 2019 é “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Políticas públicas O tema da CF 2019 vai nos ajudar a entender que podemos e devemos atuar como cidadãos e lutar pela garantia dos direitos fundamentais, como educação, saúde, moradia, trabalho, cultura, lazer, preservação do meio ambiente, oportunidade de acesso às novas tecnologias, entre outros. A Constituição Brasileira de 1988 garante todos esses direitos, mas os governos, muitas vezes envolvidos em corrupção, utilizam os recursos públicos para interesses próprios, deixando grande parte da população brasileira totalmente desassistida. Nesse contexto, o exercício da cidadania é fundamental e pode até mesmo mudar, para melhor, os rumos do País. Mas, para isso, o que temos de fazer? Qual é o caminho para que as políticas públicas respondam às reais necessidades da população e sejam de fato implantadas? É o caminho da participação e da política. Para isso precisamos partir para algumas ações bem concretas: tomar conhecimento do que está acontecendo em nossa cidade; acompanhar a atuação dos políticos que elegemos e também dos outros; participar de fóruns de discussão de questões sociais, de movimentos populares e outros; participar na elaboração e implementação de políticas públicas, por meio dos conselhos deliberativos (criança e adolescente, saúde, assistência social e educação). Essas são algumas das possibilidades, mas, para conhecer melhor as propostas da Campanha da Fraternidade, trazemos alguns links para você consultar: Mais informações: https://campanhadafraternidade2019.com.br/ Kit gratuito da CF: https://bit.ly/2Uc2RaB Texto-base: https://portalkairos.org/tag/cf-2019-texto-base/ Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Encontros que movimentam a água

É interessante que o evangelista sublinhe que eram muitos os que esperavam a cura e logo dirija nossa atenção no encontro a sós entre Jesus e o homem que estava enfermo: “Encontrava-se ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus o viu aí deitado e, sabendo que estava assim desde muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar sadio’” (versículos 5 e 6). O relato nos diz que o homem ficou curado antes mesmo de proferir qualquer palavra de fé: “Jesus lhe disse: ‘Levanta-te, toma tua maca e anda!’” (v. 8). O diálogo que se estabelece entre Jesus e esse homem deixa-nos mais desconcertados, pois, embora se trate de uma cura milagrosa, foge do esquema típico das curas de doenças. Geralmente há um pedido e uma afirmação da fé, mas, neste caso, é Jesus quem, por iniciativa própria, apresenta-se ao enfermo com uma oferta. Mesmo diante da negativa deste, Jesus insiste. Cabe observar que, no caso, o imperativo “Levanta-te” antecipa já a autoridade de Jesus para ressuscitar os mortos (cf. Jo 11). Nessa ótica, o acontecimento transcende a cura física e nos situa perante questões mais profundas que paralisam internamente o ser humano. Podem ser ideologias religiosas ou culturais, indiferença social, sofrimento, injustiça, etc. Na lógica de nossa sociedade, a gratuidade parece absurda. Em geral, somos educados na ideologia mercantilista. Assim, oferecemos algo (inclusive afeto) ou fazemos favores esperando retribuição (que ganho com isso De que me serve isso…, etc.) Dessa forma, quando é evidente que não seremos retribuídos, nós nos negamos a ajudar e até mesmo nos justificamos com razões socialmente válidas (não faço mal a ninguém, eu trabalho, meu dever é cuidar da minha família…). Também colocamos a Deus a concepção retributivo-mercantil, por isso nos custa tanto confiar na gratuidade de seu amor e misericórdia (no fundo, acreditamos mais na recompensa e no castigo). Destarte, preferimos pagar que ofertar, cumprir ritos religiosos que ser compassivos com quem está sofrendo da paralisia sociocultural e religiosa. Aliás, se no mais recôndito de nosso coração, estamos satisfeitos sendo como somos, não haverá uma mudança capaz de acolher a oferta libertadora de Jesus. O enfermo esperava que a água da piscina fosse movimentada e que, daquela vez, conseguisse mergulhar. “O enfermo respondeu: ‘Senhor não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água se movimenta. Quando estou chegando, outro entra na minha frente’” (v. 7). O fato de querer curar-se, embora não visse como, pois ninguém o ajudava, foi a primeira atitude para ele receber a cura. E Jesus manda-o que faça o que parecia impossível. Ele diz “Levanta-te!”. Além do mais, é interessante que Jesus o mande o enfermo carregar a maca na qual este esteve deitado por trinta e oito anos. Porém o homem não se queixa, não se autocompadece; ao contrário, faz o esforço de levantar-se, carregar sua maca e andar. É, no entanto, um sábado. Logo, a lei rabínica proíbe estritamente as pessoas de carregarem qualquer objeto. Parece, pois, uma ironia que o homem que foi curado agora esteja quebrando a lei. Essa transgressão poderá levá-lo a ser apedrejado até a morte. Por isso, ao ser questionado, ele se defende, colocando a culpa no homem que o curou. É notável que não saiba quem é Jesus, por isso diz: “Aquele que me curou disse: ‘Toma teu leito e anda!’”(v. 11). Na realidade, somente busca ver-se livre da situação. “Mais tarde, Jesus encontra-o no templo e, desta vez, lhe diz: ‘Ficaste saudável, não peques mais’” (v. 14). Agora não é o profundo da piscina que se mexe, mas é o homem, em seu mais recôndito, estremecendo-se ao descobrir que aquele que o curou e mandou carregar sua maca é Jesus. Certamente, depois disso, as acusações se deslocam à pessoa de Jesus. Entretanto a defesa de Jesus é surpreendente: “Meu Pai trabalha sempre, e eu trabalho também” (v. 17b). Jesus mostra-nos que o cerne da lei de Deus é o amor, a misericórdia e a compaixão. Indiscutivelmente, o Filho e o Pai não descansam. Eles continuam procurando-nos junto à “piscina”. Eles nos desafiam a levantar-nos da paralisia, para chegarmos àquilo que devemos ser: filhos de Deus. Jesus nos quer de pé, quer-nos carregando nossa maca como testemunho de que é possível sermos seus seguidores! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

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