À Luz do Evangelho Dominical – Quarto Domingo da Páscoa

O vídeo “À luz do Evangelho dominical” desta semana traz a imagem de Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. O Senhor conhece cada pessoa pelo nome e vai ao encontro dos pequenos, pobres e excluídos. Ele quer vida plena para todos.
Justiça restaurativa e cultura da paz

Os conflitos fazem parte da vida humana, mas, em uma sociedade em que a desigualdade social, a má distribuição dos recursos e a falta de segurança predominam, os conflitos se intensificam e se tornam cada vez mais violentos. Nesse contexto, oferecer ferramentas para lidar e superar os conflitos é contribuir para a construção de uma cultura da paz. Isso é o que a irmã Nelly Boonen vem realizando, por intermédio do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) de Campo Limpo-SP, pelo Projeto de Formação em Justiça Restaurativa. “A justiça restaurativa é um processo que busca a reparação moral e material do dano, por meio do diálogo e escuta efetiva entre vítimas, ofensores, além de representantes de sua comunidade de afeto”, explica Ir. Nelly. A meta de todo o trabalho é dar assistência às vítimas e levar os ofensores a assumirem a responsabilidade pelo que fizeram e ser reinseridos na comunidade. A consequência, segundo Ir. Nelly, é “o empoderamento dos envolvidos, a solidariedade, o respeito mútuo e a humanização das relações”, ou seja, a restauração dos vínculos sociais existentes antes do conflito. Irmã Nelly e a equipe do CEDHEP vem realizando diversos cursos em fundamentos de justiça restaurativa, tanto em sua sede, em São Paulo-SP, como em diferentes regiões do Brasil e até mesmo no exterior. A formação é sempre teórica e prática, e busca identificar criticamente a cultura punitiva existente no País e ajuda a elaborar os próprios sentimentos e comportamentos decorrentes de conflitos e experiências pessoais, interpessoais e sociais de violência. Formação em Santarém Nos dias 26 a 28 de abril, em Santarém-PA, Ir. Nelly trabalhou com representantes das paróquias animadas pelos missionários do Verbo Divino da Região Amazônica, a convite da Dimensão da Jupic (Justiça, Paz e Integridade da Criação). O tema foi “Conflitos e justiça restaurativa”. Embora tenha sido uma formação mais curta, uma vez que o curso “Fundamentos em Justiça Restaurativa” tem 48 horas de duração, de acordo com Ir. Nelly, as pessoas, todas elas engajadas em trabalho comunitário, conseguiram absorver os conteúdos e saíram satisfeitas no fim do domingo. Exemplo disso é o depoimento de José de Freitas, coordenador do Núcleo da Pastoral do Menor: “O curso foi um instrumento de renovação, no qual consegui embasamento para resolver conflitos que causam dor em mim e nos outros”, declara. Também Mirtes Terezinha Pagel, facilitadora de círculos restaurativos, considerou o curso muito esclarecedor. “Sinto-me provocada a repensar minhas atitudes e como posso ajudar as pessoas, ao mesmo tempo em que me sinto encorajada para continuar aprendendo e praticando a cultura da paz”, disse ela. Na mesma ocasião, Ir. Nelly também deu palestra sobre justiça restaurativa na Universidade da Amazônia, em Santarém. Entre 12 e 18 de maio, a missionária participará de uma conferência internacional e de eventos na Universidade da Bélgica, partilhando sobre a experiência brasileira em justiça restaurativa. Conheça Ir. Nelly O nome completo de irmã Nelly é Petronella Maria Boonen. Ela nasceu em Luxemburgo, na Europa, e ingressou na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Ministra cursos, oficinas e palestras sobre temas como justiça restaurativa, perdão, conflitos e habilidades emocionais para pessoas ligadas, principalmente, à área socioeducativa, prisional, judicial e pastoral. Tem formação pelo International Institute for Restorative Practices dos Estados Unidos, o European Forum for Restorative Justice, a Fundación para la Reconciliación de Bogotá, Colômbia, e a Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul, Brasil. É doutora e mestra em Sociologia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP), com tese sobre justiça restaurativa. Graduou-se em Ciências Sociais também pela USP e é especialista em mediação de conflitos pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Foi coordenadora das Escolas de Perdão e Reconciliação – Brasil e pesquisadora no Núcleo de Estudos de Violência-USP. Já realizou trabalhos na Guatemala, Honduras, Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina, Uruguai, Romênia e Áustria.
Papo Vocacional

Papo Vocacional é a nova série de vídeos que as missionárias servas do Espírito Santo estão produzindo para responder às jovens que buscam um caminho vocacional. Nas primeiras produções, a Ir. Juliana de Andrade, coordenadora da Animação Vocacional, responde a algumas perguntas mais comuns que as jovens fazem quando descobrem em suas vidas o chamado de Deus e estão dispostas a iniciar um caminho vocacional. Certamente há muitas outras perguntas vocacionais que também necessitam de respostas. Se você tiver alguma questão, teremos muito prazer em publicar a resposta. Mas, de repente, pode ser que você já tenha descoberto alguma resposta e queira partilhar conosco. Então grave um vídeo no próprio celular e envie para nós. Os melhores vídeos serão publicados. Aqui vai o regulamento para a publicação dos vídeos: O assunto do vídeo deve ser vocacional. A gravação deve ser feita com o celular na posição horizontal. A duração da gravação deve ter tempo mínimo de dois minutos e máximo de três minutos. Na introdução do vídeo, você deve dizer seu nome e de onde você é. Também pode dizer sua idade e o que você faz. Em seguida, poderá contar o que você quiser sobre suas dúvidas e descobertas vocacionais. Ao nos enviar o vídeo, você estará, de antemão, autorizando a publicação. Serão publicados apenas os vídeos que estiverem de acordo com a proposta e apresentarem boa qualidade de imagem e de som. Os vídeos deverão ser enviados para o link https://drive.google.com/drive/folders/1swzkJJBuDCM-hh__Lrwt_V5VSHSVkHcs?usp=sharing Avisar que enviou pelo e-mail mkt.sede@ssps.org.br FAVOR ENVIAR SUA INSCRIÇÃO AQUI
Encontro com Nicodemos (Jo 3,1-13)

Olhando os evangelhos, vemos Jesus quase sempre rodeado de pessoas pobres, doentes, excluídas. Inclusive, muitas vezes, nem o nome destas é citado. Por isso não deixa de chamar-nos a atenção o relato do encontro entre Jesus e Nicodemos. Pois o texto nos diz que Nicodemos era membro da aristocracia de Jerusalém. A palavra usada para descrevê-lo é archon. Quer dizer, o que era membro do Sinédrio. Este era um tribunal de setenta membros e era a suprema corte dos judeus. Aliás, Nicodemos deve ter sido ser muito rico (cf. Jo 19,39). Outro detalhe que temos é que Nicodemos era um fariseu (v. 1) e, portanto, era gente boa. Como assim, gente boa? Pois é, ao contrário do que comumente ouvimos, os fariseus eram a melhor gente de todo o país, porque se dedicavam a observar a Lei. Lembremos que, para um judeu, a Lei é sagrada, pois ela é a mais perfeita Palavra de Deus. Na Lei, explícita ou implicitamente, encontra-se tudo o que uma pessoa precisa para viver uma vida digna. A Lei encontra-se expressa nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento. A Lei consta de grandes, nobres e amplos princípios que o homem deve elaborar por si mesmo. Contudo, com o passar do tempo, entre os estudiosos da Lei, surgiu uma afirmação que dizia: “A Lei é completa; de maneira que, nela, deve haver uma regra e uma regulação para governar todo o possível da vida”. Logo, eles se dedicaram a extrair dos grandes princípios da Lei um número infinito de normas e regulamentos. Os escribas eram os que elaboravam esses regulamentos, e os fariseus eram os que dedicavam suas vidas a obedecê-los. Sendo fariseu, Nicodemos era convencido de que agradava a Deus, por isso nos surpreende que procurasse Jesus. O Evangelista nos diz que era de noite quando Nicodemos se aproximou de Jesus (v. 2). Temos duas possíveis explicações para a afirmação “de noite”. Primeiro pode ter sido uma medida de precaução, para não expor o Sinédrio ou porque Nicodemos sinceramente não tenha querido comprometer-se. Outra razão, no caso, mais plausível, é que os rabinos afirmavam que a noite era o melhor momento para o estudo da Lei. De algum modo, na escuridão da noite, é que Nicodemos procurou Jesus. Quem sabe nele achasse luz à suas mais profundas interrogações? No diálogo entre ambos, há uma série de perguntas e declarações que suscitam mais interrogantes. Será que a intenção do autor é propor-nos uma metodologia que nos faça pensar e encontrar, também nós, as respostas que buscamos “… ‘Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes se Deus não estiver com ele’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’” (vv. 2b-3). Num primeiro momento, vemos um Nicodemos maravilhado pelos sinais que Jesus vinha realizando no meio do povo. Os sinais de Jesus que deslumbraram Nicodemos seguem fascinando hoje muitas pessoas. Tanto é assim que o comércio, sabendo de nossas buscas, tem-se mascarado de religioso e, a todo custo, vende-nos a ilusão dos sinais de Jesus. Mas estejamos atentos, pois a proposta de Jesus a Nicodemos, de uma mudança radical, também é para nós! “Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’” (v. 3). Será que, por detrás desse desafio, Jesus está pedindo que permitamos que seja Ele quem nos faça nascer de novo? A resposta de Nicodemos deixa transparecer sua busca por esse novo nascimento, mas questiona sua possibilidade: “Como pode um homem nascer, sendo já velho” (v. 4). O nascimento novo não era lago estranho aos conhecedores da Escritura hebraica, portanto Nicodemos sabia dele (veja, por exemplo, 1Sm 10,6; Is 32,15; Ez 36,25-27; 37). Entretanto, parece-nos que o problema era que Nicodemos não estava reconhecendo Jesus como Messias, apenas queria discutir com ele como mestre, num nível de conhecimento semelhante. Jesus, porém, fala a Nicodemos numa analogia terrena (água, carne, vento…) e, se Nicodemos não podia compreender isso, como poderia crer se lhe falasse das coisas do céu? Crer é mais do que aceitar racionalmente Jesus e seus ensinamentos. Crer é ter a certeza de que Deus caminha conosco. Crer é confiar que as palavras de Jesus, o Filho de Deus, podem-nos mudar e que essa mudança é tal que somente pode descrever-se como voltar a nascer. Mas essa mudança só é possível pela graça de Deus: “O Vento sopra onde quer, e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito” (v. 8). Jesus usa a metáfora do vento para descrever a maravilhosa experiência que podemos ter quando Deus se move em nós por meio de seu Espírito. Pois nem o vento nem os movimentos do Espírito de Deus podem ser controlados por ninguém. A presença do Espírito nas pessoas é comprovada pelo efeito que exerce em sua vida. Por isso o seguimento de Jesus não se mede por guardar a Lei nem pelas belas pregações ou pelo conhecimento dos textos sagrados, mas por um amor igual ao de Jesus. Um amor capaz de pôr-nos em movimento para testemunhar que Deus vive e, por isso, o mal que destrói a humanidade pode ser vencido. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
Liderança transformacional é tema de Seminário Panam

Para as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a liderança é um serviço necessário para o bom desempenho da missão e que, para ser realizado com eficácia, exige formação. Com a finalidade de melhor preparar seus membros, a Congregação está realizando, de 28 de abril a 3 de maio, em São Paulo-SP, o 1º Seminário de Formação para Equipes Provinciais e Regionais SSpS em nível Panam. Participam do encontro os membros das 11 coordenações provinciais e regionais SSpS do continente americano, num total de 43 irmãs, incluindo duas representantes da Direção-Geral da Congregação, vindas de Roma: irmãs Margareth Leslie Hansen e Maria Cristina Ávalos. Estão presentes missionárias do Chile, Bolívia, Argentina (Missiones, Norte e Sul), Paraguai, México, Cuba, Estados Unidos, Brasil (Norte e Sul) e Itália. A abertura do seminário foi no domingo, com a celebração da missa, e continuou com dinâmicas de grupo para que todas as participantes se conhecessem. A tarde foi dedicada ao aprofundamento da Palavra de Deus que inspirou o evento: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,30-44). As irmãs Heloíse Matos, Maria de Fátima Marques e Ir. Paolo Delucca, da equipe de bibliodrama, dinamizaram o encontro com reflexões em grupo, partilha e danças. Durante a semana, as equipes de coordenação refletirão sobre a liderança transformacional, abordando aspectos como trabalho em equipe, estratégia de planejamento e organização, mediação de conflitos e cultura vocacional, entre outros. De acordo com a coordenação do seminário, o objetivo é favorecer um espaço de formação para as equipes provinciais e regionais, no qual será possível experimentar o trabalho em equipe com base na vivência da comunhão, à luz da espiritualidade trinitária, característica da Congregação. Irmã Maria Percila Vieira, da equipe de coordenação Panam, explica que, além do aprofundamento do tema, “o seminário está proporcionando a partilha de experiências, o intercâmbio de informações e a aproximação entre as equipes dos diversos países, o que favorecerá ações conjuntas para o futuro”. Para a conselheira-geral, Ir. Maria Cristina, o seminário “é uma fonte de energia para continuar a construir a comunhão no interior das comunidades”, de modo especial neste ano em que vivenciamos a comunhão dentro da Congregação, em preparação ao próximo Capítulo-Geral. Ela destacou também a abertura e o compromisso das irmãs “em buscar crescer e apostar na vida, defender e construir a vida”. Irmã Margareth acrescenta que, com tantas responsabilidades e decisões que precisam ser tomadas, as equipes de liderança frequentemente não têm o tempo necessário para se encontrar e escutar umas às outras. Assim, o seminário “é uma oportunidade de estar juntas como equipes de Panam, sentir o apoio mútuo, questionar-se e buscar outros caminhos de colaboração”. Ao fazer uma síntese sobre o andamento do seminário, Ir. Maria Cristina afirma: “Sentimos realmente a dinâmica, a presença do Espírito Santo entre nós, através da alegria e do entusiasmo entre todas, portanto estamos muito contentes”. Entre as atividades previstas, está também uma peregrinação à Basílica Nacional de Aparecida, no dia 2 de maio, quando terão oportunidade de conhecer um pouco sobre a fé do povo brasileiro. O encerramento será no dia 3. No dia seguinte, haverá ainda a assembleia de provinciais para eleger a nova equipe de coordenação Panam. Veja alguns momentos do seminário:
À Luz do Evangelho Dominical – Segundo Domingo da Páscoa

Para marcar os 40 anos de fundação, a produtora católica Verbo Filmes está produzindo uma série de vídeos sobre o Evangelho. “À Luz do Evangelho Dominical” são reflexões a partir do contexto atual e da tradição da Igreja que publicaremos semanalmente.
Semana Santa no Córrego do Feijão

O Córrego do Feijão é um bairro rural do Município de Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG. No censo demográfico de 2010, foram contados ali 415 residentes. Com o rompimento da barragem da Mina do Feijão, essa comunidade foi a primeira a ser atingida pela lama de rejeitos. Desde então a comunidade passou a viver um verdadeiro pesadelo: gritos sufocados pela lama, perdas de pessoas queridas, histórias de vida destruídas, o desespero diante de tanta dor, os incontáveis dramas pessoais e familiares. É impossível permanecer indiferente diante de um crime dessa magnitude. É urgente contribuir, de alguma forma, para se ir aos poucos tecendo, reconstruindo, preparando a vitória da vida sobre a morte, verdadeiro sentido da Ressurreição, reconstrução e renascimento, retirar da lama e trazer novamente para primeiro plano a dignidade das pessoas: “Perdi meu pai, um primo, o direito de ir e vir, a dignidade, a paz”. Foi certamente com esses objetivos que a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB/Belo Horizonte) organizou, para a Semana Santa, uma missão, priorizando os bairros mais atingidos pelo rompimento da barragem da Companhia Vale. Por meio das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), solicitei e fui integrada ao grupo para o trabalho específico com os florais de Bach, com as terapeutas florais, Ir. Ana Elídia Neves e Francisca Romana da Costa. Os florais são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma terapia complementar, eficaz, no reequilíbrio do estado emocional, restaurando a harmonia e o bem-estar. Meu trabalho foi o preparo dos florais indicados, adequados ao estado emocional de cada pessoa. É um momento que exige muita concentração e interiorização, para facilitar o contato com o Senhor da Vida, pedindo para aquela pessoa novas forças, esperança, assim como o desejo de uma nova postura diante do crime que se abateu sobre ela. Assim, pela divulgação que naturalmente foi acontecendo, as pessoas foram chegando, trazendo outras, e outras, e outras, o que nos proporcionou realizar um trabalho intenso, atingindo um número de pessoas acima do previsto para o tempo de que dispúnhamos. Também participamos das celebrações da Semana Santa, tradição na pequena comunidade. Significativo foi o Sábado Santo, com o “plantio” de grãos de feijão em um vaso devidamente preparado, representando cada pessoa ali presente, acrescentando quem mais quisessem “plantar”, simbolizando que a comunidade do Córrego do Feijão, atingida pela lama que soterrou pessoas queridas, sonhos, esperanças, histórias, agora, pela força da Ressurreição de Jesus, também ressurgirá, e, unidos, construirão uma nova vida, abertos ao belo que o novo também traz. Agradeço imensamente às SSpS pela oportunidade que me foi dada, de poder acrescentar outras “vidas à minha história, novas lições que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”, porque “sou feita de retalhos, de pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para ser costurado” (“Sou feita de retalhos”, de Cris Pizziment). Ana Lúcia Florêncio é educadora e missionária leiga A morte e a ressurreição que vêm da lama Três meses depois, o verde começa a cobrir a lama de rejeitos provenientes da barragem e que enterrou pelo menos 270 pessoas. Destas, 233 já foram identificadas e 37 ainda estão sendo procuradas pelos bombeiros. Mas, para os moradores que perderam familiares, vizinhos e tantos amigos, a dor ainda está longe de se atenuar. Várias famílias ainda buscam pelo corpo desaparecido, para darem o adeus final. Para todos eles, a realidade é uma só: a vida nunca mais será a mesma… Uns pensam em sair de lá para não conviver com as lembranças, outros ainda não conseguiram assimilar que seus entes queridos jamais voltarão… Alguns descrevem os gritos dos trabalhadores que não conseguiam escapar da lama… São histórias cheias de terror pelo acontecido e de insegurança pelo que virá depois. Nesse contexto, nossa equipe missionária, coordenada pela CRB de Belo Horizonte, acompanhou as celebrações do Tríduo Pascal na comunidade de Córrego do Feijão. Como o padre estava se desdobrando para atender às 14 comunidades da paróquia, celebramos de maneira simples e informal, para que a comunidade pudesse partilhar a vida e se apoiar na palavra de Deus. Na Quinta-Feira Santa, refletimos sobre o serviço prestado com amor, que pode dar um novo sentido a quem sofre. Na Sexta-Feira da Paixão, caminhamos pelas ruas do bairro, rezando a paixão de Cristo e a paixão deles mesmos… A lama vai aos poucos sendo coberta pelo verde que insiste em crescer, mas a contaminação persiste… E o rio Paraopeba? Quando suas águas poderão voltar à vida? Assim como foi difícil para os discípulos de Jesus acreditar na ressurreição, também o é para os moradores de Córrego do Feijão. Por isso, foi escolhido o símbolo da semente. Ela parece morta, mas a vida está escondida dentro dela, esperando uma chance para se manifestar. Assim, durante a Vigília Pascal, a comunidade plantou grãos de feijão. O compromisso de cuidar para as sementes poderem nascer e crescer é também o de cuidar uns dos outros, na certeza de que, apesar de tudo, a vida continua e é preciso redescobrir a alegria de viver e de amar. Contrastando com esse cenário, o Domingo Pascal foi de muita solenidade e festa. A Vale reformou a Igreja de Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial, que haviam sido transformadas em campo de operação de resgate, e lhes deu um novo visual, com gramados e jardim. Uma pequena prova de boa vontade que não apaga a omissão e a irresponsabilidade diante de uma tragédia criminosa que poderia ter sido evitada. Aos moradores do Córrego do Feijão deixamos nossa prece, nosso carinho e a esperança de que a vida é mais forte que a morte. As sementes da ressureição, mais cedo ou mais tarde, desabrocharão. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional, coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) e terapeuta floral. ____
Mês do Livro na Rede de Educação

Abril é o mês do livro! Várias datas são dedicadas a ele. Por que um mês reservado para celebrar o principal instrumento de multiplicação do conhecimento? Além de homenagear os escritores e suas obras, todas as datas comemoradas reforçam a conscientização sobre a importância do livro. As celebrações iniciam com o Dia Internacional do Livro Infantil, em 2 de abril. Já 18 de abril foi nomeado o Dia Nacional do Livro Infantil. Existe um motivo especial para isso. Foi nessa data, no ano de 1882, que nasceu Monteiro Lobato, um dos maiores escritores brasileiros, responsável por criar e dar vida a personagens que marcaram a infância de diversas gerações, como a Narizinho, Emília, Visconde de Sabugosa, Tia Anastácia e Dona Benta. O Dia Mundial do Livro é comemorado em 23 de abril. Nessa mesma data, celebramos o Dia de São Jorge, que tem grande relação com os livros. Além disso, foi nesse dia que morreram dois dos maiores escritores da literatura mundial: William Shakespeare e Miguel de Cervantes, que, coincidentemente, faleceram na mesma data, em 1616. Esses são os motivos da escolha do dia 23 de abril para celebrar o livro. Nos quatro colégios e nos três centros educacionais da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, várias atividades, realizadas ao longo do mês, marcam as comemorações. Mostras e semanas literárias, feira de livros, bate-papo com autores, “contação” de histórias são somente algumas das atividades que agitaram todas as escolas da Rede neste mês. O foco de todas elas é mostrar a importância do livro no projeto pedagógico, mas, acima de tudo, reforçar o quanto ele é necessário para trazer novos conhecimentos, inclusive nas horas de lazer. Na agenda escolar de 2019, a cada mês, um vídeo, sempre narrado por alunos, apresenta um tema relacionado àquele período do ano. Para abril, escolhemos contar curiosidades e ressaltar a importância dos livros em nossas vidas. Esse e outros estão disponíveis no canal do Youtube da Rede, que pode ser acessado pelo endereço bit.ly/rededeeducacao Ir. Maria de Fátima Marques, SSpS Diretora-presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo
Encontro ao amanhecer (Jo 20,1-18)

Nos relatos da Páscoa, os evangelistas narram, de diversas formas, as experiências de encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado. Neste breve escrito, porém, nós nos deteremos concretamente no encontro entre Jesus e Maria de Mágdala, narrado pelo evangelista João. É interessante observar os elementos que compõem a cena: tempo, lugar, agentes e ação: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do lugar” (v. 1). Tanto Maria como todos nós, quando perdemos alguém que amamos, sentimos intenso desejo de recuar no tempo, para estarmos junto dessa pessoa e retê-la conosco. O fluxo narrativo dessa cena nos introduz a compartilhar da “hora zero” da salvação, ou seja, a participarmos da transição da morte para a vida, da escuridão para a luz (“bem de madrugada, quando ainda estava escuro”). Nesse primeiro versículo, vemos Maria totalmente tomada pelo luto, e isso lhe impede de compreender a ressurreição. Os dois primeiros verbos, “foi” e “viu”, movimentam já o posterior desenlace, pois descrevem a chegada de Maria ao sepulcro e a descoberta do túmulo vazio. A seguir, temos mais três verbos que nos situam na expectativa de um novo encontro: “corre” e “vem” até Pedro e o Discípulo Amado e lhes “diz”: “Tiraram do túmulo o Senhor e não sabemos onde o colocaram” (v. 2). Maria aparece ainda bem confusa. Nossa formação religiosa parece deter-se na crucifixão e deixar por entendida a experiência da ressurreição. Nessa ótica, a confusão de Maria perante os sinais da ressurreição torna-se sinal para sairmos do costume ritual, dos chavões e adentrar-nos na experiência da ressurreição de Jesus Cristo. Maria considerava o cadáver de Jesus como se fosse o Senhor Jesus e por isso retornou ao sepulcro: “Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo (v. 11)”. O primeiro momento dela é de desilusão. A descrição do estado de ânimo de Maria (ela chora) reafirma a incompreensão diante dos acontecimentos, pois ela ainda estava pressa à ideia de que a morte é o fim de tudo. Certamente o sepulcro vazio é uma prova de que Jesus não está mais ali, porém ainda não é a evidência definitiva da ressurreição. Entretanto nos chama a atenção a repetição do movimento: ela se “curva para ver dentro do túmulo: vê os anjos… Logo se vira para fora” e vê Jesus, mas não o reconhece; pensa que é o jardineiro (cf. vv. 12 e 14). Ou seja, Maria ainda não “entendeu” a aparição. “De fato, ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos” (v. 9). Seguindo o brevíssimo diálogo entre Jesus ressuscitado e Maria Madalena, notamos o processo de saída à luz de Maria. Pois, submersa na tristeza e na desesperança, não percebe que a vida é que vence a morte e não o contrário. Por isso, quando Jesus lhe pergunta por que ela chora e quem ela buscava, ela está mais ainda no escuro e não o reconhece. “Então Jesus falou ‘Maria!’. Ela voltou-se e exclamou em hebraico ‘Rabbuni!’, isto é, Mestre” (v. 16). O tom do diálogo agora é pessoal (“Maria!”, “A quem procurais”). Imediatamente Maria deixa de observar o túmulo e fixa o olhar no brilho do Senhor ressuscitado, o seu “Mestre”. Em nenhum momento Jesus se impôs, porém, deixando-se encontrar, tenta responder às inspirações mais profundas do discípulo, da discípula. Maria se encontra com Jesus vivo, início da nova Criação. E a experiência de ser amada e acolhida como discípula a fortalece para ir anunciar e testemunhar o Ressuscitado: “Vai dizer a meus irmãos: ‘Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’” (v. 17). Maria Madalena se torna então a primeira missionária na pregação e no ministério da Igreja: “‘Eu vi o Senhor!’, e contou o que ele lhe tinha dito” (v. 18). O caminho percorrido por Maria de Mágdala é o da fé, que passa pela crise para chegar a ver, face a face, o Ressuscitado. Existem experiências nas nossas vidas que, pelo seu impacto, jamais serão esquecidas. O encontro ao amanhecer é uma destas que marcaram os discípulos desde o começo. A partir de então, eles caminhariam numa relação de intimidade e convivência no amor com o Ressuscitado. Como Maria Madalena, alegremo-nos, pois Cristo está vivo e está presente entre nós! E seja de noite ou ao amanhecer, o Ressuscitado nos segue, chamando cada um pelo nome e nos espera no amor. Jesus Cristo confia em nós como confiou em Maria e em tantos outros discípulos e discípulas. Por isso nos envia a tecer relações de vida nova e a superar as ideologias de morte do capitalismo monopolista. Deixemo-nos interpelar pela experiência de Maria e que, no Espírito Santo, possamos hoje com ela dizer: “Eu vi o Senhor!”. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
“Tomem e comam”

“Desejei ardentemente comer esta ceia com vocês antes de sofrer” (Lc 22,14). Meu coração se consome de dor por ter de deixá-los. Por isso, invoquei o Pai, e Ele me concedeu uma maneira de continuar presente em cada um, cada uma de vocês. Meus sentimentos de amor, carinho e saudade já se antecipam à despedida. Sim, quero deixar-lhes um presente. Quero dar-lhes a mim mesmo como presente para que vocês possam continuar comigo. Como tudo que experimentei do Pai é verdadeiro, eis uma forma de permanecer, mesmo Eu tendo de partir. Quero tanto que vocês, meus discípulos e discípulas, experimentem em mim o que experimentei do Pai. E eu, mesmo partindo, continue tão vivo e presente em vocês como o Pai está em mim… Tinha de ser algo simples, mas profundo, capaz de transformar o mundo. Escolhi, então, a ceia, pois nada é tão íntimo como a amizade que nos une. E compartilhar o alimento representa a comunhão de nossas vidas. Então escolhi o pão, alimento que sustenta e sacia. Mas quero dar-lhes algo que seja mais que o pão. Quero lhes dar a mim mesmo! “Eu sou o pão da vida!” (Jo 6,35). Comam, isto é o meu corpo… Assim, alimentando-se de mim, minha vida circula em cada um de vocês. É a união perfeita do amor: Eu em vocês e vocês em mim. Assim, somos um, um único corpo. Da mesma forma, o sangue, derramado em sacrifício e redenção pelos pecados… É este sangue que lhes dou como bebida, este mesmo sangue gerado no ventre de Maria, alimentado com o amor do Pai e impregnado da essência da vida. O que melhor que o vinho para o assumir? O fruto da videira, esmagado e fermentado, transformado em espírito de festa e de alegria… O vinho da nova e eterna aliança, o vinho do nosso amor e amizade, e de tudo quanto compartilhamos… Este é o meu sangue! Tomai e bebei para que, circulando em suas veias, vocês possam participar da vida eterna que gozo junto do Pai. Venham! Aproximem-se. Este é o presente que lhes dou. Sou eu mesmo! Meu corpo e meu sangue! Agora não será mais despedida. Agora só encontro, permanência, comunhão. Não, não morrerei! A vida é mais forte do que a morte. Estarei com cada um, cada uma de vocês para sempre, e os alimentarei com meu corpo e meu sangue. Este é um compromisso eterno, selado com o sangue derramado na Cruz e confirmado pela Ressurreição. Venham, aproximem-se! Não há mais nada por que temer. Eu sou a VIDA, não existe mais a morte. Nem para mim nem para quem está comigo! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)