O encontro que me devolveu à vida (Lc 7,11-17)

A instauração do Reino de Deus é real e palpável nos sinais e nos ensinamentos de Jesus. Nessa ótica, entendemos o encontro de Jesus com a viúva de Naim (Lc 7,11-17). A grande característica dessa perícope é que se trata de um relato de contrastes entre a morte e a vida. Portanto se emoldura nos costumes e ritos próprios dos cortejos fúnebres. Lembremos que, na maior parte do mundo antigo, o lamento da flauta e outras práticas rituais eram usados para acentuar a desolação e a separação definitiva pela morte. Ora, diante desse drama, Jesus nos mostra a face da compaixão do Abba (Pai), revelando-se como o Senhor da vida e da morte. “Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e o acompanhavam seus discípulos com uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, coincidiu que estavam levando um morto, um filho único filho, cuja mãe era viúva” (vv. 11-12). É interessante que o local do encontro fosse à porta da cidade. Na Antiguidade, as portas da cidade eram de grande importância, pois, além de dar segurança ao lugar, nelas se exercia a justiça, por isso porta e tribunal eram unívocos. Assim, conclui-se que o evangelista apresenta estrategicamente a porta para estabelecer o limite entre a caravana da vida e a caravana da morte. Outro detalhe a ser considerado é que o encontro deve ter acontecido no fim da tarde, pois os mortos comumente eram enterrados fora dos muros das cidades, e no fim do dia da morte. Além disso, o autor traz duas multidões caminhando em direções inversas, uma entrando na cidade com Jesus e outra saído da cidade com a viúva. Com Jesus vem uma grande multidão do povo de Deus. Entretanto a que acompanha a mulher é uma multidão suficiente. Significando que a mãe viúva tem a solidariedade de um grupo suficiente de pessoas da comunidade. Entretanto ambas as multidões logo formarão o novo povo de Deus. No desenrolar da ação, o evangelista nos chama a atenção para o momento-chave: o movimento interno de compaixão que se gera em Jesus diante da mulher. Aqui há algo muito bonito, o olhar de Jesus: “Ao vê-la, o Senhor foi movido de compaixão por ela” (v. 13). Esse “ver” de Jesus, seguido do verbo no passivo, indica que Jesus foi profundamente afetado. O sentido do verbo σπλαγχνίζομαι (“mover-se, ser movido de compaixão, comover-se”) é muito intenso, pois tem o significado de sentir com as entranhas. No Novo Testamento, esse verbo é referido somente ao comportamento de Jesus (cf. Mt 18,27; Lc 10,22; 15,20). Essa compaixão de Jesus é um sinal da compaixão de Deus, inaugurando seu Reino, e é destinada às pessoas mais desprotegidas e excluídas. Numa sociedade patriarcal, uma viúva que perdesse seu único filho significava que ela ficaria sem qualquer possibilidade de sustento físico e moral. Pois, com a morte do único filho, acabava-se a descendência da família. Dessa ótica, as mulheres que perdessem seu único filho ficavam na mesma posição de desonra e até de “castigo” de Deus que a mulher estéril. Os profetas compararam as catástrofes de Israel precisamente à mãe que perdia o seu único filho (cf. Jr 6,26; Am 8,10b; Zc 12,10b). Notemos então que não é o morto quem provoca a compaixão em Jesus, mas a mãe que chora imersa na morte do filho. “E disse a ela: não chores!” (v. 13). Essas palavras trazem já a certeza de que não há mais motivo para chorar. Dessa forma, concluímos que a reanimação do jovem é resultado de uma atitude de profunda compaixão de Jesus pela mãe. No Antigo Testamento, órfão e viúva, junto com o estrangeiro, eram os grupos mais pobres e indefensos, portanto Iahweh saiu em seu socorro. O povo da Aliança assim o experimentou e teve de ampará-los por meio das normas jurídicas (cf. Dt 10,18-19; 14,28-29; 24,17-21; 26,12-13; Is 1,17; Jr 22,3). Na atualidade, assistimos a líderes que se autoproclamam cristãos. Mas, em vez de propor ou resguardar leis que defendam os grupos sociais mais pobres e indefesos, atuam contrariamente. O mais escandaloso é que se resguardam sob o nome de Deus e de Maria para realizar sua destruição. Consequentemente, como a viúva de Naim, os mais fracos enfrentam situações de morte e risco. De modo que podemos perguntar-nos: qual é o choro dos marginalizados e excluídos de hoje O que temos perdido Conservamos a certeza de que com Deus nem a morte é uma derrota Diante das situações cruciais da vida, Jesus é o exemplo. E, com a força e autoridade da sua palavra, Jesus diz a ele: “Jovem, eu te digo, levanta-te…, e o morto sentou-se e começou a falar” (vv. 14 e 15). O jovem não somente é reanimado e torna à vida, mas também Jesus o restitui como filho (“Ele o entregou à mãe”), para que aquela mulher torne a encontrar a razão da sua vida e a alegria de doar-se ainda. Movido de “compaixão” com a mulher viúva e dando novamente vida ao menino morto, Jesus assume atitudes em favor da vida, como outrora Iahweh havia realizado em favor de seu povo. Deus sai a nosso encontro, dando-nos motivos para exultar de alegria e glória. Espalhemos essa boa notícia na práxis! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

Solenidade da Santíssima Trindade

Neste domingo, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, que é o “mistério central da fé e da vida cristã”, de acordo com o Catecismo da Igreja. Para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo, é o coração de toda a espiritualidade e carisma missionário. Somos convidados a refletir sobre o mistério do Deus único que não é sozinho e se manifesta em três pessoas iguais em poder, divindade e sabedoria, mas com características distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. A Santíssima Trindade é a origem e fonte de toda vida, amor e comunhão. A Solenidade da Santíssima Trindade também é a data em que os missionários leigos de Deus Uno e Trino escolheram para celebrar sua vocação laical e consagração. A celebração ocorre sempre no domingo após a Solenidade de Pentecostes e nos convida a abraçar o jeito de ser do próprio Deus, que é diálogo e comunhão de amor. Ao contemplar o mistério da Trindade, descobrimos que Deus é amor e nos quer participantes de sua vida plena. Isso significa viver o diálogo, a partilha e a comunhão, trabalhando para que o mundo seja melhor, sem excluídos, violência nem injustiças, pois o amor do Deus Uno e Trino envolve todas as pessoas, oferecendo sua alegria e sua paz. Santo Arnaldo Janssen e as Bem-Aventuradas Madre Maria e Madre Josefa vivenciaram profundamente a espiritualidade trinitária, traduzindo em ações concretas o que contemplavam na oração. Como herança espiritual, deixaram o lema “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Vivamos também nós esse lema, cuidando para que a dignidade dos filhos e filhas de Deus seja reconhecida e respeitada em todos os seres humanos. Oração à Santíssima Trindade Ó Deus Trindade,Pai, Filho e Espírito Santo,nós vos louvamos pela vossa comunhão. Sois o fundamento e a inspiração de nossa fraternidade.Ajudai-nos a construir uma convivência fraterna,respeitando as diferenças e sendo solidários(as) com todas as pessoas. Abençoai os missionários e as missionárias do mundo inteiroe a nós, que peregrinamos rumo ao Reino de Deus,que é comunhão total e vida eterna. Despertai vocações missionárias no campo e na cidade,para que possamos, com Maria, construir um milênio sem exclusões,na dignidade e na paz. Amém. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Domingo da Santíssima Trindade

Para você se preparar melhor para o domingo, já estamos publicando o vídeo que a Verbo Filmes está produzindo semanalmente com a reflexão dominical. No vídeo de hoje, o biblista Luiz Catapan aprofunda o Evangelho e fala sobre o sentido da Santíssima Trindade na vida dos cristãos. O Deus de amor, compaixão e ternura nos convida a cuidar uns dos outros e a zelar pelo bem de todos. Assista!

Urgência da questão ecológica e Sínodo da Amazônia

O Sínodo da Amazônia, com o tema “Novos caminhos para uma ecologia integral”, segundo o cardeal Dom Cláudio Hummes, é importante não somente para a Igreja na Pan-Amazônia, mas para todos os países, porque amplia a discussão do cuidado com a natureza num momento “em que o mundo está passando por uma crise de máxima gravidade, porque está em risco o planeta”. Como presidente da Repam (Rede Pan-Amazônica), Dom Cláudio Hummes tem dado palestras pelo Brasil, esclarecendo sobre o Sínodo da Amazônia e alertando sobre sua importância. No Instituto São Paulo de Estudos Superiores (Itesp), em São Paulo-SP, ele destacou, no dia 10 de junho, a urgência da preservação da natureza e a busca de novos caminhos para enfrentar os desafios pastorais que a Igreja enfrenta na região amazônica. Embora seja um encontro de bispos marcado para Roma, em outubro próximo, o sínodo vai ouvir lideranças das comunidades da Pan-Amazônia, especialmente indígenas, que falarão sobre suas realidades. Embora a Igreja não vá refletir a respeito de fronteiras nem com questões de soberania nacional, o governo brasileiro reagiu… Para Dom Cláudio, o receio do governo é que o sínodo mexa com seus interesses e o das grandes empresas que tratam a Amazônia como um grande negócio. Que futuro você quer para seu filho? Partindo do tema da ecologia integral, Dom Cláudio falou sobre as mudanças climáticas que já estão ocorrendo no planeta por causa do aquecimento global, causado pelo efeito estufa. Ele lembrou que, se a temperatura subir mais de 1,5 grau, o processo será irreversível. O planeta ficará tão aquecido que não terá mais condições de vida. Para evitar que isso aconteça, será necessário abandonar o uso do petróleo, do carvão mineral e do gás mineral, principais fontes de energia utilizadas atualmente, e substituí-las por energia limpa. Isso é possível, mas requer investimentos altíssimos e vai contra os interesses dos que vivem da exploração dessas energias fósseis, que produzem o gás carbônico, um dos principais responsáveis pelo efeito estufa. Dom Cláudio alertou que, se essas medidas forem deixadas para depois, “será tarde demais”. Salientou que se trata de uma questão ética: o direito das próximas gerações de ter um planeta saudável. E questionou: “Que futuro você quer para seu filho? O futuro será não ter futuro só porque você não tem coragem de mudar?”. Discorrendo sobre o paradigma tecnocrático e o processo exploratório com o uso de novas tecnologias, reforçado pela ideologia do liberalismo, a terra tem sido explorada até o limite e de maneira irresponsável. Por isso é necessário e urgente buscar novos modelos de desenvolvimento para reverter o processo, porque o planeta está dizendo que não dá mais. Desafios pastorais na Amazônia Dom Cláudio situou alguns dos problemas que a Igreja na Amazônia enfrenta, especialmente por ser uma Igreja com muitas dificuldades econômicas e que enfrenta grandes distâncias para alcançar as comunidades. Embora haja muitas comunidades, há poucos pastores, e estes não conseguem estar presentes. Apenas visitam os povoados, em muitos casos, apenas uma vez por ano. “Um pastor que aparece uma vez por ano não pastoreia”, afirmou ele. “As comunidades têm o direito de celebrar a Eucaristia e ter os sacramentos, ter um pastor que reza com o povo, celebra, acompanha… Mas isso não existe, o que é muito sério!”, lembra. Ele afirmou que, “depois de 400 anos de evangelização, ainda não conseguimos passar a Igreja para eles; não temos um clero autóctone, inculturado… E isso é um direito deles”. Daí a urgência de se buscarem novos caminhos e de se discutir sobre os ministérios ordenados, para que a Igreja possa realizar uma pastoral de permanência, com ministros das próprias comunidades. Para Dom Cláudio, o cuidado com a preservação da Amazônia também é parte importante da ação pastoral da Igreja naquela região, pois do cuidado do meio ambiente depende a sobrevivência das próprias comunidades, “uma vez que tudo está interligado, e o que fazemos contra a terra o fazemos contra nós mesmos”, completou o cardeal.

Escola de Perdão e Reconciliação tem nova gestão

O VI Encontro Nacional Espere (Enespere), realizado em Belo Horizonte-MG, de 23 a 25 de maio, contou com a participação de voluntários de todas as regiões do Brasil, que acolheram a metodologia da Escola de Perdão e Reconciliação (Espere) como uma das formas de encontrar caminhos e estratégias para uma cultura de paz. O evento teve as presenças do fundador do projeto, padre Leonel Narvaez, e da presidente da Fundación para la Reconciliación, Paula Monroy, ambos procedentes de Bogotá, Colômbia. A programação permitiu a contribuição de todos os inscritos no Seminário Internacional de Cultura de Paz, promovido na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Palestras, diálogos e partilhas com temas relacionados à alteridade, verdade, ódio e a justiça restaurativa nos âmbitos Judiciário e comunitário marcaram o primeiro dia do encontro. A palestra da dr.ª Petronella Boonen, mais conhecida como Ir. Nelly, missionária serva do Espírito Santo (SSpS), encerrou o dia. Ela convidou professores, alunos, representantes do Judiciário e demais participantes do Seminário a refletirem sobre a “Justiça restaurativa na perspectiva comunitária”. A programação no segundo dia, desta vez, na Casa de Retiros São José, propôs diversas oficinas temáticas. Entre elas a do “Autoperdão”, conduzida por Joana Blaney, do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) de Campo Limpo, e Ir. Helena Suzana Christo, também SSpS, da mesma comunidade de Ir. Nelly, localizada na periferia de São Paulo-SP. Os voluntários se envolveram na experiência e puderam reavaliar fatos que deixaram marcas em suas vidas, as quais podem ser vividas com uma melhor compreensão do autoperdão. Por fim, houve a reunião dos coordenadores regionais, a apresentação do levantamento da realidade nacional e a eleição para o novo modelo de coordenação da Espere Brasil para o biênio 2019-2021. As regiões puderam indicar nomes para a nova modalidade de gestão. O grupo reconheceu o esforço e o trabalho desenvolvido pela Ir. Nelly em mais de dez anos de atuação com perdão e justiça restaurativa. Ela foi eleita como articuladora nacional dos núcleos Espere. Essa gestão será compartilhada com a assessoria de Minas Gerais, na área de comunicação, e do Distrito Federal, na secretaria, em diálogo com as cinco coordenações regionais. Mesmo participando pela primeira vez no Enespere, percebo que o encontro fortaleceu a reflexão sobre a importância do perdão e da mediação de conflitos para as comunidades, em especial, as esquecidas pelo Poder Público. Nesse sentido, gostaria de salientar que, nessa missão, a coerência e a ética são primordiais para a efetiva aceitação da proposta. Participar do encontro foi motivo de alegria, especialmente pela oportunidade de conhecer parte daqueles que, em diferentes esferas da sociedade, dinamizam voluntariamente ações que contemplam a metodologia Espere, pois os voluntários e voluntárias nos animam e nos levam a ter esperança na construção de uma realidade verdadeiramente justa e fraterna. Miriam de Souza, São Paulo-SP, voluntária no CDHEP e missionária leiga.

Domingo de Pentecostes

No dia de Pentecostes, principal festa das missionárias servas do Espírito Santo, celebramos a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e o início da Igreja. Convidamos você para rezar a Oração de Pentecostes e assistir ao vídeo do Evangelho de hoje. Oração de Pentecostes Divino Espírito Santo, enviai-nos como pequenas chamas desprendidas do grande Pentecostes. Que o mesmo Espírito que naquela manhã radiante em que os discípulos rezavam juntos com Maria, no cenáculo, possa tomar conta do nosso ser e enviar-nos pelo mundo a testemunhar a força e o poder do vosso amor. Que a mesma mensagem que contagiou os apóstolos naquela manhã de Pentecostes, possa contagiar a cada um (a) de nós e nos dar um impulso novo de criatividade na missão. Ó Eterno Consolador, dai-nos o teu Espírito e renovai nossas comunidades, nossas paróquias, nossa congregação e toda a Igreja. Enfim, renovai a face da Terra. Coragem! Dai-nos vosso Espírito de Coragem, de ousadia e de profetismo. Afastai de nós todo o medo, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de amor! Alegria! Dai-nos vosso Espírito de Alegria e dancemos juntos na leveza do vento. Convosco podemos sorrir e nos alegrar, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de bondade! Amor! Dai-nos vosso Espírito de Amor, de carinho, de ternura, de amizade e compaixão. Arrancai de nós o medo de amar, de nos doar e de nos acolher mutuamente, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus de misericórdia! Criatividade! Cria Dai-nos vosso Espírito Criador, que renova a face da Terra! Em vossa presença podemos sonhar, criar e acreditar num mundo melhor, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus sempre novo! Liberdade! Dai-nos vosso Espírito de Liberdade, que provém da verdade e da humildade. Tornai-nos livres e cantaremos leves e soltos (as), sem preconceitos e sem medos, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus sem limites! Solidariedade! Dai-nos vosso Espírito de Solidariedade, que revela que somos irmãs e irmãos de todos, que a humanidade é nossa casa e a dor dos outros ferem nosso coração. Convosco podemos abrir nossos braços e nos comprometer com os que sofrem, pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus que ama os pequenos e excluídos. Comunhão! Dai-nos vosso Espírito de Comunhão, de unidade e verdadeira comunicação. Convosco somos fortes, não porque somos muitos, mas porque somos um. Pois tudo está em vossas mãos e sois um Deus Uno e Trino! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Cuidar do meio ambiente todos os dias

O Dia do Meio Ambiente é 5 de junho, mas este mês todo é voltado para as questões ambientais que, na verdade, devem ser um compromisso de todos nós para cada dia do ano. Temos sempre de cuidar da natureza e do planeta! Se queremos um futuro feliz, precisamos cuidar dos rios, dos oceanos, das florestas, do ar, do solo e de cada cantinho de terra que temos a nosso alcance. Cuidar do meio ambiente é tão essencial à continuação de nossa vida como o respirar, o comer e o beber. Se não respirarmos, comermos e bebermos, vamos morrer! Mas também morreremos se não cuidarmos da natureza, pois é ela que nos dá o ar para respirar, o alimento para comer e água para beber. Neste vídeo, você verá que sempre podemos fazer alguma coisa para tornar o mundo melhor, cuidando do que está a nosso redor. E você? Já está cuidando do meio ambiente? O planeta Terra é nossa casa comum. Cuidemos dele com carinho!

VIVAT – Brasil assume novos desafios

Durante o workshop que se realizou de 27 a 30 de maio, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, o grupo Vivat – Brasil se consolidou e decidiu tornar-se uma filial da Vivat Internacional. Com isso, a instituição brasileira assumirá, com mais eficácia, o compromisso de trabalhar para a erradicação da pobreza, para o desenvolvimento sustentável, a promoção das mulheres e a cultura da paz. Neste vídeo, você assistirá a uma reportagem completa sobre o Workshop Vivat – Brasil, produzida pela Verbo Filmes, e conhecerá o que é a Vivat Internacional e as prioridades assumidas pela Vivat – Brasil. Mensagem final do Workshop Vivat – Brasil Nós, representantes das congregações religiosas membros da Vivat Internacional: Sociedade do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo, Congregação do Espírito Santo, Irmãs Missionárias do Espírito Santo, Missionários Combonianos, Missionárias Combonianas, Irmãzinhas da Assunção, Irmãs da Santa Cruz e Missionárias Scalabrinianas, estivemos reunidos no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em Santo Amaro, São Paulo, nos dias 27 a 30 de maio. O workshop contou com a presença da equipe executiva da Vivat Internacional / Nova Iorque: padre Robert Mirsel, SVD, e irmã Helen Saldanha, SSpS, e teve como objetivo a rearticulação da Vivat no Brasil e a retomada dos trabalhos em conjunto. A ONG Vivat permite a nossas congregações religiosas consolidar o compromisso evangélico por Justiça, Paz e Integridade da Criação, organizando-nos para uma maior incidência no âmbito das Nações Unidas, na defesa e promoção dos direitos das comunidades que acompanhamos. Nesse sentido, refletimos temas relacionados às prioridades da Vivat: Erradicação da Pobreza, Igualdade de Gênero, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz. Fizemos memória da caminhada da Vivat no Brasil e das atividades das congregações presentes, análise da conjuntura nacional, partilha da atuação da equipe da Vivat Internacional junto à ONU e aspectos práticos da organização em nível de Brasil. Essas reflexões, realizadas num clima de muita partilha e comunhão, ajudaram-nos a elaborar um plano de ação e a designar uma equipe de articulação para a Vivat Brasil. Para garantir uma presença mais profética e eficaz, decidimos dar os passos necessários para nos tornarmos uma entidade legalmente reconhecida no Brasil como filial da Vivat Internacional. Também vamos divulgar os compromissos assumidos e envolver nossos irmãos e irmãs, em nossas congregações, bem como os leigos e leigas que atuam conosco. Nossa presença num mundo profundamente injusto e desigual desperta em nós a indignação e a solidariedade que, enraizadas na fonte da espiritualidade, suscita em nós o empenho e um compromisso maior com o trabalho em rede da Vivat, em busca da superação das forças que destroem a vida. Nestes dias de encontro, marcou-nos, em particular, a memória das numerosas vítimas em Manaus, mortas em consequência de um sistema carcerário desumano, e das vidas ceifadas pelos crimes socioambientais da mineração, especialmente em Brumadinho e Mariana. Comprometidos com a realidade do povo brasileiro, assumimos como prioridades o desenvolvimento sustentável (com foco no agronegócio e mineração) e a cultura da paz (com ênfase na migração e na proteção das comunidades e lideranças ameaçadas, em particular povos indígenas e populações tradicionais). Também optamos por uma ação imediata da Vivat Brasil na defesa do Estatuto do Desarmamento e no acompanhamento e apoio aos compromissos que nascerão do Sínodo para a Amazônia, reafirmando o protagonismo dos povos amazônicos em busca de novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral. Concluímos o workshop fortalecidos na esperança e profundamente comprometidos em contribuir para uma vida melhor para o nosso povo, confiantes que as prioridades assumidas possam ser respostas às necessidades dos grupos mais sofridos. Vivat Brasil São Paulo, 30 de maio de 2019.

Encontro sobre o mar (Jo 6,16-21; Mc 6,45-52)

A relação entre as pessoas e Deus começa pelo conhecimento, por isso Jesus se empenhou em modificar a noção que as pessoas tinham sobre Deus. Nesse viés, podemos ler o encontro sobre o mar. Especificamente acompanharemos a narrativa dos evangelistas Marcos e João (Jo 6,16-21; Mc 6,45-52). Esse emblemático episódio também se refere a nós, discípulos e discípulas, hoje submersos na vertigem dos ventos que são contrários à vida. O sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “mal líquido” esses ventos (cf. Zygmunt Bauman e Leonidas Donskis. “Mal líquido: vivendo num mundo sem alternativas”). Em sua narrativa, João nos diz que, depois da multiplicação dos pães, houve a tentativa de reter Jesus e fazê-lo rei (6, 15). Diante disso, Marcos acrescenta mais detalhadamente a reação de Jesus: “Logo em seguida, Ele forçou seus discípulos a entrar no barco e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida (João menciona Cafarnaum) enquanto ele despedia a multidão. E, tendo-a despedido, foi ao monte para orar” (6,45-46). O pano de fundo é o discernimento de Jesus ante duas complexas questões: 1) a crescente hostilidade das pessoas ortodoxas; 2) o grupo que queria fazer dele um messias nacionalista. E o discernimento dos discípulos. Ambos os evangelistas nos situam no drama que os discípulos enfrentavam nessa travessia: “Já estava escuro, e Jesus ainda não viera encontrá-los. Além disso, soprava um vento forte, e o mar se encrespava” (Jo 6,17-18). Em vista do vento que soprava, eles estavam tentando aproximar-se da margem para obter segurança. João nos diz que os discípulos tinham remado de 25 a 30 estádios (é o equivalente entre cinco e seis quilômetros). Segundo alguns estudiosos, no extremo norte, o lago não tinha mais de seis quilômetros de largura; isso quer dizer que estavam quase chegando ao fim da viagem. Os detalhes que emolduram essa narrativa descrevem a situação das comunidades antes da chegada de Jesus (vv. 16-18) e o seu efeito depois de Ele ter vindo. Notemos, por exemplo, “ao anoitecer”, expressão de sentido figurado significando “tempo de angústia e de perigo”. Ainda se acrescenta o tema do “mar” que, desde os tempos antigos, traz o significado de ameaça e de forças contrárias a Deus. O “vento contrário” pode ser lido reforçando o mesmo cenário de desorientação e perigo. Cria-se, portanto, um contraste entre o antes e o depois da vinda de Jesus nas comunidades dos discípulos. Lembremos que o texto de Marcos nos diz que Jesus “forçou” os discípulos a embarcar e ir à outra margem (v. 45). “Ir, atravessar, seguir” exterioriza o desejo do Mestre de abandonar uma situação, mudando por completo de atitude e se afastando dela. Completa-se a ação do verbo com a expressão “outra margem, para…”, dissipando a dúvida sob o lugar a alcançar. Portanto podemos concluir que Jesus quis dirigir-se ao lado oposto do lugar ideológico dominado pelo grupo dos ativistas e pela multidão que queriam fazê-lo rei. E, do mesmo modo, quis que os discípulos se afastassem dessa ideologia. Certamente, em cada época, Jesus “força” seus discípulos a “atravessar”, a “ir à outra margem”. Pois ele quer salvar a humanidade dos ardis ideológicos que a tentam privar de sonhos e projetos alternativos. É que toda ideologia que é contrária ao Evangelho trabalha com a ideia de sedução, desunião e ainda oferece o “melhor”, porém deixa sem alternativas. A fé, ao contrário, é dinâmica, acolhe as diferenças, é otimista, confia que o bem pode vencer o mal e sempre nos abre possibilidades de um mundo melhor e mais humano. O mundo, provavelmente, nunca foi tão inundado de ideologias fatalistas e deterministas como hoje. Basta acessar qualquer meio informativo para perceber o emaranhado de projeções de iminentes crises financeiras, políticas e religiosas. As grandes instituições perdem credibilidade, e ameaças de todo o tipo nos transbordam. E, se analisarmos as informações, muitas delas se sustentam em uma “cultura do medo”. Nesse viés, os messias amorais e oportunistas entram em cena e, com os slogans de paz, segurança nacional, progresso da “nossa” nação, afiançam-se no poder. Mas, como os primeiros discípulos, também temos de levantar os olhos e aguçar os ouvidos, pois o Senhor não nos abandonou. “Viram Jesus aproximar-se do barco, caminhando sobre o mar. Ficaram com medo. Jesus, porém, lhes disse: ‘Sou eu. Não temais’” (Jo 6,19b-20). O relato nos mostra os fadigados discípulos absortos nos remos, tentando se abeirar. Mas, ao levantar os olhos, avistaram Jesus se aproximar deles, caminhando firme sobre as agitadas águas. Então se sentiram alarmados, achando que se tratava de um fantasma. Em seguida, por cima das águas, chegou esta voz tão amada: “Sou eu. Não temais”. O “Sou eu”, mais que uma identificação, refere-se a uma revelação de Deus como salvador de seu povo (cf. Is 43,1-3.10; 44,2.8; Gn 15,1; Lc 1,30). Trata-se, pois, de uma epifania de Jesus, exortando a confiar nele. Avistar Jesus causa-lhes primeiramente medo, porém sua palavra reveladora lhes dá coragem. Os discípulos ainda não estavam entendendo o que para eles significava ter Jesus consigo. “Quiseram, então, recolhê-lo no barco, mas Ele imediatamente chegou à terra para onde iam” (v. 21). Com Jesus Cristo, é possível fazermos a travessia neste “mal líquido”, pois, unidos a ele, poderemos alcançar a outra margem. Ouçamos sua voz! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

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