À Luz do Evangelho Dominical

Neste segundo domingo do Advento, a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. A liturgia destaca o Evangelho de Lucas (1,26-38), que narra o anúncio de dois nascimentos: o de Jesus e o de João Batista, cumprindo as profecias. Padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, explica que a mensagem é dada pelo Anjo Gabriel, que significa “A Força de Deus”. No pequeno povoado de Nazaré, Deus encontra Maria e a chama “Cheia de Graça”. O evento é marcado por algumas transgressões às normas religiosas daquele tempo e um alerta contra aquilo que, em nome de Deus, é usado para marginalizar, oprimir. Ao responder “Eu sou a serva do Senhor”, a Mãe de Jesus se identifica com todo o povo que punha em Deus a confiança. Quais situações de hoje pequem que nos tornemos servos, servas do Senhor? Assista à produção da Verbo Filmes e saiba mais.

Reeducação dos homens diminui violência contra a mulher

Projeto Construindo Novos Valores: uma perspectiva de promover a equidade de gênero. A violência doméstica e familiar contra as mulheres apresenta um grande entrave para a conquista da equidade de gênero e exige a formulação de políticas públicas específicas para a sua prevenção e combate. Com a promulgação da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), em 2006, o debate sobre serviços de atendimento a homens autores de violência tem atraído cada vez mais visibilidade. Apesar de escassos no Brasil, esses serviços, denominados como “centros de educação e de reabilitação” ou “programas de recuperação e reeducação” nos artigos 35 e 45 da Lei, são consolidados em vários países como um complemento às iniciativas voltadas às mulheres. Esses espaços devem proporcionar o engajamento da população masculina na promoção da equidade de gênero e nas ações pelo fim da violência praticada por homens contra as mulheres. A importância de criar espaços de atendimento para homens autores de violência contra mulheres está na possibilidade de proporcionar ao sujeito a chance de reconhecer suas dificuldades e criar instrumentos para lidar com elas. “Eu não sei o que acontece, mas, quando ela fala alto comigo, eu perco a noção; quando vejo, já bati. Eu gosto dela, gosto muito”, ouvimos de um autor de violência. Ao ser questionado sobre o porquê dessa agressividade ao ouvir uma fala em um tom mais alto, após alguns minutos pensando, respondeu: “Acho que é porque, quando eu era pequeno, meu pai chegava bêbado em casa, ele gritava e batia na gente”, referindo-se aos irmãos e à mãe. A Lei Maria da Penha significou uma conquista e tem se traduzido em avanço no acesso aos direitos específicos das mulheres. A partir da norma, os crimes de violência contra a mulher começaram a ser mais visíveis, passando a ser combatidos e punidos. Porém uma lei por si só não transforma uma realidade. Ela precisa ser acompanhada de uma ampla mudança de paradigmas, de desconstrução de velhos valores e a elaboração de novas formas educacionais e culturais. Em uma sociedade que tem como prioridade o capital, todos os sujeitos se tornam vítimas constantes das diversas formas de violência, reproduzidas nas relações sociais. O Projeto Construindo Novos Valores foi criado, em 2014, para buscar compreender e apresentar ferramentas para combater a violência de gênero, especificamente a ocorrida no espaço doméstico, local e resultado de relações de poderes, onde as vítimas, em sua maioria, são esposas e filhas dos autores da agressão. A iniciativa é voltada para homens que se encontram em conflitos familiares causados por violência doméstica contra as mulheres. A partir de um processo de responsabilização, reflexão e reeducação, mediante atendimentos gratuitos, discutimos assuntos voltados à masculinidade, gênero, relações marido-mulher, o sentimento de posse, o perdão e o autoperdão. O objetivo é orientar o homem a rever e transformar os próprios valores, trabalhar a agressividade e a adotar um estilo de vida mais equilibrado. Os atendimentos individuais e em grupo são realizados por uma equipe composta por quatro psicólogos e três assistentes sociais. São realizados em espaço cedido generosamente pela Fundação Julita, localizado a Rua Nova do Tuparoquera, 249 – Jardim São Luís, em São Paulo-SP. Às segundas-feiras, das 19h às 21h, há os grupos psicossociais; às terças-feiras, das 18h às 21h, o acolhimento; e, às quartas-feiras, das 18h às 21h, atendimentos individuais. Os serviços são ofertados aos homens em conflitos familiares que chegam encaminhados pelo Judiciário e serviços de garantia de direitos do território, assim como aqueles que buscam o projeto de forma espontânea. Para além dos atendimentos diretos, o Projeto Construindo Novos Valores trabalha a prevenção da violência e a promoção da cultura de paz por meio da oficina “Ninguém mete a colher”, junto ao Fórum Social Sul, a Rede de Saúde e a Rede de Educação. Trabalhar com os homens é fazer política pública de enfrentamento à violência contra a mulher. Venha fazer parte conosco, associe-se ao Instituto Novos Valores. Rosita da Cruz Assistente social Especialista em Políticas Públicas Fundadora e presidente do Instituto Novos Valores cnv.inova@gmail.com (11) 95123-7672

Curso de Teologia celebra primeira formatura

A primeira turma de Formação Teológica e Missionária para Leigos recebeu o certificado de conclusão após três anos de estudos. O grupo de 70 formandos com seus familiares e amigos, alunos, professores e membros da equipe expressaram muita alegria e gratidão por todo o processo vivenciado, especialmente a convivência, os conhecimentos adquiridos e o compromisso com a missão. A formanda Joselene Maria Rosa Marinho participa da Pastoral da Saúde, é ministra extraordinária da comunhão eucarística e membro do Apostolado da Oração. Para ela, o curso ajudou a aprofundar o amor incondicional do Pai, que precisa ser partilhado com os “irmãos deste mundo”. “As disciplinas foram excelentes porque abriram nossa mente para um conhecimento maior da Palavra de Deus”, acrescenta. “O curso, para mim, foi um oásis, aprendizagem, conhecimento, crescimento, foi um desamarrar de ideias”, afirmou Márcia Bozza Gomez. Formada em Filosofia, sempre atuou na educação e pretende empregar os novos conhecimentos em sua ação pastoral na paróquia, nas visitas que realiza há dez anos na Santa Casa de Santo Amaro, no trabalho de meditação com os funcionários no Regional Sul e também na Pastoral da Escuta, que, segundo ela, é o mais difícil. Carlos Eduardo Guenka coordena, junto com a esposa, a Pastoral Familiar da Diocese de Santo Amaro e trabalha em conexão com várias outras pastorais. Para ele, o curso lhe abriu os olhos para várias questões, além da oportunidade de conhecer mais a fé e “sair da posição de espectador para a de entender melhor a Teologia que alinha fé e razão”. Ele está confiante que o curso vai ajuda-los na formação espiritual das famílias, especialmente as divididas ou em segunda união, além dos noivos. “O conhecimento do curso, com certeza, nos fará multiplicadores de temas importantes para o cristão”, completa. A criação do curso é fruto da parceria da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo com a Diocese de Santo Amaro, em São Paulo-SP. Em 2016, apresentaram ao bispo a proposta de um trabalho conjunto visando à formação missionária de leigos e leigas no espaço do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, localizado na Diocese. Segundo a Ir. Ana Elídia C. Neves, uma das idealizadoras e membro da equipe de coordenação, o bispo de Santo Amaro, Dom José Negri, acolheu a proposta das irmãs e indicou o Pe. Francisco das Chagas para representar a Diocese na viabilização do projeto. Padre Oswair Cavalheiro, coordenador do Comidi (Comissão Missionária Diocesana), logo aderiu e, com a participação de um grupo muito dedicado de leigos e leigas, formaram uma equipe para pensar e organizar o curso. Percebendo a necessidade de um curso de Teologia para os agentes de pastoral, a equipe de voluntários se reuniu inúmeras vezes para planejar a formação, que teve início em março de 2017. Padre Oswair comenta que foi a oração, a reflexão e a busca da vontade de Deus que fortaleceram a equipe para assumir tal desafio. Padre Chagas acrescenta que outro elemento fundamental foi o relacionamento fraterno e a amizade que se construiu no grupo. Os professores foram escolhidos em vista da qualidade do conteúdo e de uma comunicação acessível às pessoas que vinham das paróquias, com diferentes níveis de escolaridade. O bom acolhimento, desde o início, estava entre os objetivos do curso e se manifestou na presença da equipe, no lanche, no ambiente e no carinho com que todos os alunos sempre foram recebidos. O curso começou com duas salas, e o número de inscrições superou a expectativa dos organizadores. Atualmente ocupa cinco salas, com um total aproximado de 200 alunos. Com a formatura, já estão abertas as inscrições para duas novas turmas para março de 2020. As aulas são realizadas sempre às terças-feiras, das 19h30min às 21h30min. A partir do próximo ano, o Centro Missionário também oferecerá cursos mais curtos, de apenas um semestre, para a formação de catequistas, e outros, como Bíblia, como falar em público e sobre perdão e reconciliação. Para mais informações e inscrições clique abaixo.

Advento: tempo de atenção

Na liturgia dominical de 1º de dezembro, entramos no ciclo natalino, o memorial de uma das bases de nossa fé: o encontro, ou melhor, os encontros com o Senhor que vem até nós. Este período é aberto com o Tempo do Advento, indicando a alegre e amorosa expectativa pela vinda de Cristo. Em muitas comunidades, dá-se um grande destaque à Solenidade do Natal que se aproxima. Este tempo, contudo, é bem mais do que arrumar a casa para “recordar” o nascimento de Jesus. É uma oportunidade forte de repensar a vida, de preparar-nos com vigilância também para o encontro definitivo com o Senhor, que virá gloriosamente. É um chamado a refletir se estamos atentos às diversas vezes em que Jesus vem a nós nos eventos do cotidiano. A Palavra de Deus nos convida a pensar como será a chegada do “noivo” que surge na alta noite, do “patrão” que cobra resultados, do “rei” que prepara um lugar em sua casa, do “pastor” que separa as ovelhas dos cabritos, daquele que chega sem avisar, como um “ladrão”. Alegorias usadas pelo Evangelho para nos dizer que devemos sempre estar prevenidos para um compromisso que não tem hora marcada. Este é um momento precioso para avaliar como vivemos o lava-pés da Eucaristia. Demos de comer e de beber, acolhemos os “peregrinos”, vestimos os nus, visitamos os enfermos e os encarcerados? Ou apenas paramos para ouvi-lo piedosamente nas praças, sem transformar em prática essa escuta? Se nossa vida for pedida de volta pelo Senhor, como a devolveremos a ele? Esses são alguns dos questionamentos que nos interpelam sobre o encontro com o Cristo que veio, vem e virá. O roxo dos paramentos, a delicadeza dos adornos e a doce discrição dos instrumentos musicais são um convite à conversão, à volta ao caminho pavimentado e seguro que é o próprio Cristo. Os alertas de Isaías e de João precisam ecoar em nosso coração para fazê-lo reluzir mais que os ansiosos adornos ostentados na faminta e descartável “liturgia” do comércio. A luz do Senhor que vem sobre a terra deve resplandecer como em Maria, a Mãe sempre à disposição a servir o Reino e a louvar o Deus que eleva os humildes. A expectativa desta época não pode ser experimentada com o mesmo afobamento que a vida urbana nos impõe. Essa espera é alegre, corajosa e não nos permite cochilar. Que nós, a Igreja, possamos testemunhar, em palavras e ações, que estamos “doentes de amor” à espera do Amado, cuja boca é cheia de doçura e de quem tudo é encanto (cf. Ct 5,8.16). Sinal admirável No primeiro domingo do Advento, o Papa Francisco visitou Greccio, Itália, onde, em 1223, São Francisco de Assis apresentou o presépio pela primeira vez. Para demonstrar apoio à prática, seja na família, seja em locais públicos, o Pontífice publicou a Carta Apostólica Admirabile Signum (O Sinal Admirável). O desejo do Papa é que a mensagem ajude nas reflexões em preparação para o Natal. Como não poderia ser diferente quando se refere ao nascimento de Jesus, o texto é marcado pela espiritualidade que convoca ao olhar para Deus e para o ser humano. Como o Pobrezinho de Assis, o Papa se detém diante da tocante pobreza daquele rei que vem se fazer um de nós, sofrer nossas dores e alegrar-se conosco. Um Deus no meio do povo e não “acima de tudo”, como ainda insistem alguns. “Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas se faz presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência”, diz Francisco. O Bispo de Roma também recorda que a vinda do Senhor é primeiro para os pobres, na figura dos pastores. “Os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós”, diz o texto. O Filho de Deus também se encarna para todos os povos, representados pelos Magos, que partem de longe para chegar a Cristo: “À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-lo”. Veja, a seguir, o texto completo da Carta Apostólica Admirabile Signum. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

À Luz do Evangelho Dominical

Iniciamos o Tempo do Advento, época de uma alegre e sábia expectativa. Quando aguardamos a chegada de alguém que amamos, essa espera é sempre marcada pelo júbilo. O padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, ajuda-nos a refletir sobre a mensagem do Evangelho deste domingo, retirada de Mateus (24,37-44). O trecho afirma que o Filho do Homem virá numa hora a qual não sabemos. Jesus fala sobre a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos, ocorrida por volta do ano 70 d.C. Para Cristo, o evento não era necessariamente uma tragédia, mas o fim de um tempo em que se pensava que o Reino de Deus era apenas prerrogativa do povo de Israel e não de toda a humanidade. Deus não é propriedade de um povo, de uma religião. Jesus nos chama a atenção para o risco de nos perdemos em nossos afazeres cotidianos, esquecendo-nos de nos preparar para um novo tempo. Quem sente que o Senhor está às portas, busca a conversão e ajusta a própria vida conforme o desejo de Deus, em ações concretas e não somente em palavras. Este é o espírito deste tempo: viver a justiça, a solidariedade com os mais sofredores, o contato próximo com o Pai e com o irmão e irmã. Como está nossa preparação para o encontro com o Senhor? Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e veja mais.

Eis o tempo de conversão!

Instituições importantes emitem um grande sinal de alerta. É preciso converter-nos agora para garantir a vida do planeta. Há um mês, o Papa Francisco presidia a última sessão do Sínodo da Amazônia, na qual foi aprovado o documento final dessa grande reunião. No texto, a palavra que mais se destaca é “conversão”, tanto que o termo aparece nos títulos de todos os capítulos, indicando claramente que a humanidade precisa mudar de rumo. O alerta não vem apenas da Igreja, mas é o que também aponta o novo relatório lançado na terça-feira, 26 de novembro, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O clima é de urgência! De acordo com a ONU, se não houver uma diminuição da emissão de gases de efeito estufa de 7% ao ano entre 2020 e 2030, as temperaturas sofrerão um aumento de 3,2º C, o que acarretará impactos climáticos mais destrutivos. A conclusão do relatório mostra que, ainda que todas as metas do Acordo de Paris sejam implantadas, as temperaturas continuarão a subir. Para permanecer abaixo de 2º C ou 1,5º C (que é a meta do Acordo de Paris), os objetivos precisam ser cinco vezes mais ambiciosos na próxima década. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas diz que, se a temperatura for além de 1,5º C, as ondas de calor e as tempestades serão mais frequentes e intensas. Quando a Igreja afirma que temos uma Casa Comum, significa também sustentar que somos todos corresponsáveis por ela. O futuro desse grande lar, e consequentemente o nosso, depende da ação de cada ser humano. Que nesse Advento, tempo de conversão, possamos repensar nossos estilos de vida e nos comprometer com a vida do planeta. Ir. Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade

À Luz do Evangelho Dominical

Chegamos ao último domingo do ano litúrgico, ocasião em que a Igreja celebra a Solenidade de Cristo, Rei do Universo. O Pe. Raimundo da Silva, CRL, da equipe do Centro Bíblico Verbo, comenta o Evangelho de Lucas (23,35-43), proclamado nesta liturgia. O texto narra a passagem em que Jesus, já crucificado, é escarnecido por aqueles que não o consideravam o rei esperado. Na cena, os presentes pedem ao Senhor um sinal de sua realeza, numa ligação com a passagem das tentações (Lc 4,1-23). Pelo poder, violência e mentira, respectivamente, os chefes, os soldados e um dos bandidos dão sinais de que assimilaram o espírito do diabo. O Reino anunciado por Jesus, contudo, é de misericórdia, e assim Ele o demonstra ao perdoar o outro malfeitor, este arrependido. Com o gesto, Cristo confirma que veio buscar e salvar o que estava perdido (Lc 19,10). O bandido, ao contar com o perdão do Senhor, é o único a reconhecer que o reinado de Deus não é deste mundo. E, segundo Pe. Raimundo, a salvação é para agora, refutando um futurismo incerto, utópico. Os pecadores, os pobres, os sofredores têm a capacidade de reconhecer a verdadeira majestade de Jesus, exercida do trono da Cruz e não em realismos triunfalistas. Assista à produção da Verbo Filmes e veja mais.

Música: a arte que transforma

“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem que vir antes.” (Rubem Alves) No dia 22 de novembro, celebramos o Dia da Música, dos Músicos e também o Dia de Santa Cecília, conhecida como a padroeira dos músicos. Por isso aproveitamos a data para conversarmos sobre o efeito transformador da música na vida da criança. A música é a mais completa das artes, e sua linguagem vem sendo apontada, por especialistas de todo o mundo, como uma das áreas do conhecimento mais importantes a serem estudadas no desenvolvimento da criança. Segundo o psicopedagogo, arte-educador e mestre em educação João Beauclair, “A música não é só uma questão de interferência na educação da criança, é uma necessidade, que deve ter espaço consagrado e rotineiro, por possibilitar a melhoria da sensibilidade, beneficiar os processos de aquisição da leitura e da escrita, e auxiliar na melhoria da capacidade de memorização e de raciocínio”. Musicalizar uma criança é despertá-la para esse universo rico que a música é capaz de proporcionar. Por meio das cantigas de ninar, de roda, brinquedos e histórias cantadas, exploração dos sons do ambiente e de instrumentos da bandinha rítmica, estimulamos habilidades como a socialização, afetividade, concentração, coordenação motora, desenvolvimento da fala e vocabulário pelo canto, memória, acuidade auditiva, pela qual ela aprende a apreciar os diversos sons que estão à sua volta, criatividade, raciocínio lógico, entre tantas outras mais específicas. Quando colocamos a criança em contato com diferentes gêneros musicais, despertamos nela emoções diversas que podem ir da gargalhada às lágrimas. Também percebemos variações em sua expressividade corporal, como movimentos delicados e até mesmo mais brutos. Essa exposição a diversos estilos musicais, além de promover contato com outras culturas, é uma excelente forma de estimular seu campo cerebral. Como afirmou Teca Alencar de Brito, educadora musical, doutora e mestra em Comunicação e Semiótica, “A educação musical não deve visar à formação de possíveis músicos do amanhã, mas sim à formação integral das crianças de hoje”. Por isso devemos trabalhar com a música de uma forma que esta influencie no desenvolvimento global das crianças, fazendo com que elas se interessem por música, pelos vários gêneros musicais, pelas diferentes culturas. O objetivo é formar crianças autônomas e críticas mediante a influência do trabalho musical realizado com elas. A música é uma arte completa, não necessariamente para formar músicos, mas por ser capaz de transformar crianças em seres humanos melhores, mais felizes, sensíveis, mais confiantes em si, além de proporcionar um enriquecimento cultural imenso! E viva a Música! Anna Paula Bruno Behrend, professora de Música do Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ. _________

Participação e solidariedade marcam assembleia

Todos os anos, as missionárias servas do Espírito Santo se reúnem em assembleia para aprofundar o ser missionário, partilhar e avaliar como estão vivendo a missão e crescer no benquerer e na comunhão. Neste ano, de 14 a 17 de novembro, elas se reuniram no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, com essa finalidade. Encontraram-se as irmãs das comunidades do Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, num total de 59 participantes presenciais. As que não podiam viajar se uniram às outras pela oração. A Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) perpassou todas as atividades e serviu de inspiração para as principais decisões da assembleia. O primeiro dia foi dedicado à formação, convivência e aprofundamento do texto bíblico. Marcou a jornada a celebração eucarística presidida pelo padre Lucas Herkt, missionário do Verbo Divino. Para enriquecer a reflexão do Evangelho, as irmãs Maria de Fátima Marques e Heloise Matos, com o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, utilizaram dinâmicas de bibliodrama. Uma das irmãs representou o homem da parábola, agredido por bandidos. Todas foram convidadas a fazer a experiência de estar no lugar do sacerdote que viu o sofredor e não fez nada, do levita, que também passou adiante, e do samaritano que cuidou do homem ferido. Depois, em grupos, refletiram sobre a atitude do personagem escolhido, confrontando com a própria vida. Depois, no ato penitencial, cada grupo apresentou seu pedido de perdão. À tarde, foi a liturgia eucarística. Em grupos, as irmãs prepararam as ofertas, refletindo sobre o amor que leva à solidariedade. Cada grupo esculpiu ou desenhou na areia o que queria ofertar e depois partilhou com a assembleia. Padre Lucas deu prosseguimento com o rito eucarístico. Tudo está interligado No momento da ação de graças, a assembleia expressou sua busca por alargar o círculo da comunhão com Deus, com a criação, com os marginalizados e excluídos, com os outros povos e culturas, e também entre as próprias irmãs. Para isso cantaram a música “Tudo está interligado”, composta pelo Pe. Cireneu Kuhn, inspirada na encíclica Laudato Si’. Com fitas coloridas, vivenciaram a união entre todas. Nos três dias seguintes, a assembleia seguiu a metodologia do “ver, julgar e agir”. Para o “ver”, foram apresentados os relatórios das entidades religiosa, educacional e social: Instituto Trinitas, SEB e Redes. Também as equipes de Espiritualidade, Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, Animação Vocacional, Comunicação e Centro Missionário partilharam o que estão fazendo. Migrantes e indígenas Um destaque foi a participação de alguns leigos e leigas que fazem parte da missão. O Centro de Integração dos Migrantes relatou a abrangência do trabalho realizado e a necessidade de um espaço maior e mais adequado para o acolhimento das crianças. As irmãs que trabalham com o povo xerente, no Tocantins, expuseram os desafios que enfrentam. Também cada uma das comunidades partilhou como está vivendo a comunhão, suas atividades missionárias e perspectivas de futuro. Para o julgar, as irmãs se reuniram em grupos. Com base no estudo que fizeram nas comunidades, sobre justiça socioambiental e Psicologia na vida religiosa, destacaram a importância do cuidado com o meio ambiente, a solidariedade com os pobres e a busca de políticas públicas que respeitem a dignidade humana. Refletiram ainda sobre as atitudes que ajudam a crescer na comunhão, como o perdão, a justiça, a liberdade, o amor, o relacionamento, o desapego e a gratidão. Outro tema foi o discernimento comunitário em preparação à eleição da delegada que participará, junto com a coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, do 15º Capítulo-Geral da Congregação, marcado para o próximo ano, na Holanda. Irmã Maria de Fátima Marques foi eleita a delegada. Irmã Maria Percila Vieira avalia: “Crescemos na comunhão entre nós, no benquerer, no respeito e, como somos de diferentes países, também na interculturalidade. Experimentamos que é possível conviver e respeitar o diferente”. Destacou que procuram fazer a diferença nos locais onde estão e viver seu ser missionário hoje, na realidade de Brasil. “Crescemos na solidariedade e estamos mais abertas aos excluídos e descartados pela sociedade. Junto com outras congregações, apoiando os grupos que precisam mais”, afirma Ir. Maria Percila. Segundo a coordenadora, ficou bem clara na assembleia a solidariedade com projetos concretos, especialmente com os migrantes e com os indígenas. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) ________

O encontro que me fez escutar e proclamar (Mc 7,31-37)

O relato da cura do surdo gago (ler o texto Mc 7,31-37) está estrategicamente inserido logo após o diálogo de Jesus com a mulher siro-fenícia (Mc 7,24-30) e antes da segunda multiplicação dos pães (Mc 8,1-10). Provavelmente o autor quer mostrar aos leitores que é por meio de Jesus que os ouvidos dos gentios podem ser abertos à escuta da boa notícia divina, e suas línguas podem ser desatadas para proclamar a Palavra de Deus. A narrativa começa descrevendo uma interessante viagem, pois Jesus está indo de Tiro ao território que rodeia o mar da Galileia. Quer dizer que, de Tiro, no Norte, dirige-se à Galileia, no Sul. À primeira vista, parece uma travessia ilógica, entretanto pode ser que essa longa viagem seja proposital. O que permitiria a Jesus ter um tempo mais prolongado para preparar seus discípulos antes do fim iminente. A trama desenvolve-se na seguinte sequência: descrição do itinerário geográfico (v. 31); os mediadores apresentam o surdo gago e imploram a imposição das mãos (v. 32); Jesus de quem se espera que ponha a mão sobre o surdo; o ritual da cura (vv. 33-34); o efeito curativo do ritual (v. 35); o encargo por parte de Jesus e a reação do povo (vv. 36-37). É interessante, porém, que não é novidade que as personagens “mediadoras” sejam inominadas, pois isso ocorre também em outras passagens (Mc 1,32; 2,3; 6,55-56; 10,13-16). Compreende-se, portanto, que o interesse do autor, mais que destacar os mediadores, é evidenciar que o mal em questão é de caráter coletivo. Quer dizer, a enfermidade desse homem está afetando todo o grupo. Portanto mediar é uma disposição de buscar o bem da comunidade. Anteriormente dizemos que esse percurso foi um tempo de instrução aos discípulos, por isso chama nossa atenção que, subitamente, eles desaparecem da trama. É provável que sua ausência queira expressar uma atitude de incompreensão com seu mestre. Os discípulos reaparecem no texto quando Jesus os chama (cf. Mc 8,1). Por sua vez, o enfermo encontra-se numa situação de passividade e isolamento, pois nem recebe, nem comunica. A condição de surdez e gagueira o priva da palavra. Dessa forma, ele está condenado às margens da história de uma vida recriada por Deus. Se bem que o verbo μογιλάλον não indica surdez, mas sim dificuldade para falar. Provavelmente isso seja indício de que nem sempre ele foi surdo. Algo deve ter acontecido em sua vida que o tornara surdo. Vivemos numa sociedade global, em que as mídias sociais têm atingido amplos níveis, encurtando distâncias. Porém, nesse novo cenário, a visão das pessoas se ofusca ante a vastidão de informação. Além disso, quando as mídias estão atreladas ao sistema hegemônico, distorcem a informação para garantir domínio do sistema. A consequência é que quase não mais conseguimos distinguir o bem do mal. De alguma forma, ficamos surdos e gagos. Quase ninguém mais escuta os gritos dos pobres; dos que têm fome; dos que são injustiçados, escravizados; o grito das crianças e mulheres violentadas; o grito da terra e da natureza explorada. Para contrariar esse sistema de morte, é imperativo que se abram nossos ouvidos e se solte nossa língua. É mister ser curados por Jesus para recuperar o poder da palavra. No Oriente Antigo, a palavra tinha um poder que chegava a repercutir nas realidades das coisas da vida. Era como se tivesse uma força de destruição e uma força de vida. Isso nos ajuda a compreender o que os evangelhos querem dizer quando neles se indicam a força e a eficácia que tinha a palavra de Jesus. Em Jesus, o dizer e o fazer se identificavam e se fundiam de tal forma e tal extremo que o que Ele dizia e o que fazia dava vida e libertava as pessoas de seus males. A unidade da palavra e da ação consiste em que Jesus mesmo é a “Palavra de Deus” (Jo 1,1). Em Jesus Deus se expressa e se dá a conhecer. Por isso nele se manifesta a força de vida, de saúde, de plenitude da existência. “Colocou os dedos nas orelhas dele e, com a saliva, tocou-lhe a língua. Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu e disse: ‘Effatha’, que quer dizer ‘Abre-te!’” (vv. 33-34). O gesto de Jesus, segundo alguns estudiosos, é ritual simbolizando o processo de cura do surdo gago. As ações realizadas por Jesus (Ele o levou à parte, colocou os dedos nas orelhas, com saliva lhe tocou a língua, levantou olhos ao céu, gemeu e falou) devem ser compreendidas no marco bíblico e sociocultural da época. A expressão idiomática “a sós” ocorre frequentemente em Marcos, em cenas nas quais os discípulos estão a sós com Jesus (cf. Mc 4,34; 6,31-32; 9,2-28; 13,3). Nesse trecho, é a única vez que essa expressão é usada com outra pessoa. Naquela época, atribuía-se poder curativo à saliva, sobretudo a saliva das pessoas influentes. Por isso, cuspir nas partes enfermas era algo comum naquela época. O gesto de levantar os olhos é realizado quando Jesus quer estabelecer um diálogo com o Pai (Mc 6,41). O gemido é sinal de quem está em profunda oração. Além dos gestos, Jesus pronuncia uma palavra “Effatha”, que o autor traduz como “Que se abra”. Pelo fato de o verbo aramaico effatha estar no singular, acredita-se que a expressão esteja dirigida à totalidade do homem e não somente aos órgãos da palavra e audição. A expressão “e falava corretamente” confirma a inserção dele no grupo com o qual se poderia comunicar. Porém, agora que o homem podia se comunicar, Jesus pediu às testemunhas não falar. Porém eles, ao invés de calarem-se, apregoam maravilhas que Jesus realizava: “Ele fez tudo bem…”. Nessa afirmação, encontra-se o reconhecimento do cumprimento da profecia anunciada em Isaías 35,5. O interessante é que, nesta ocasião, a proclamação é feita pelos gentios e não pelo povo da Aliança. Dessa forma, Marcos dá um giro ao exclusivismo isaiano. A difusão da boa notícia sobre Jesus não é exclusividade de um grupo seleto e não pode ser contida; ela

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Mais informações sobre: Política de Privacidade