Irmã Roselene Ventura terá experiência missionária nas Filipinas

Alunos e professores do 4º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em Canoas-RS, lotaram a Paróquia Nossa Senhora das Graças, na manhã de 23 de março, para participar da missa de envio da irmã Roselene Ventura. Em abril, ela parte para uma experiência missionária de seis anos nas Filipinas. A celebração também promoveu o 3º Ano Vocacional do Brasil, convidando os estudantes a conhecerem mais sobre as quatro vocações: vida religiosa consagrada, ministério ordenado, matrimônio/família e laical. Natural de Rondônia, Ir. Roselene sentiu seu chamado vocacional quando ela tinha por volta de 18 anos. A preparação para ingressar na Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo iniciou-se em 2008. Em 2020, ela fez a sua consagração definitiva, com os votos perpétuos. “A experiência missionária ocorreria logo após os meus votos perpétuos, porém, em função da pandemia, acabou sendo adiada”, conta. No Colégio Espírito Santo desde 2021, Ir. Roselene atuou como professora de Ensino Religioso, no programa Escola da Inteligência, na Pastoral Escolar e em outras frentes de trabalho, como o grupo CES Mãos em Ação. “A missa de envio foi um momento emocionante e surpreendente. Tudo o que fiz na escola foi com amor, carinho e dedicação. O afeto tão puro e verdadeiro das crianças e dos jovens são um ânimo a mais para a missão”, afirma a religiosa. O embarque para as Filipinas está previsto para o dia 11 de abril. “Ficarei em Cebu. Os primeiros meses são para aperfeiçoamento dos idiomas inglês e cebuano, que é a língua local”, diz a irmã. Depois disso, ela será enviada para as frentes de missão nas áreas da educação e pastorais. “Será uma oportunidade de aprender com a experiência de lá e de conhecer outras frentes de missão antes de retornar para a Província Brasil”, comenta. Veja o vídeo da missa de envio e assista também ao vídeo com depoimentos das irmãs missionárias servas do Espírito Santo sobre a vocação à vida religiosa. 3º Ano Vocacional O 3º Ano Vocacional se iniciou no dia 20 de novembro de 2022 e terá conclusão em 26 de novembro próximo. Neste período, diferentes iniciativas buscam promover a cultura vocacional nas comunidades, nas famílias e na sociedade, a fim de despertar todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus. Com base no tema “Vocação: graça e missão” e no lema “Corações ardentes, pés a caminho”, toda a comunidade escolar do Colégio Espírito Santo é chamada a estar com Jesus e a assumir a missão recebida dele. Edições anteriores O primeiro Ano Vocacional foi realizado em 1983 e mobilizou todo o povo de Deus na reflexão vocacional, aprofundando o tema “Vem e segue-me”, recordando que o chamado de Jesus é personalizado, e a resposta é pessoal. Em 2003, um novo Ano Vocacional foi celebrado. O tema “Batismo, fonte de todas as vocações” desejou avançar na reflexão vocacional na Igreja, compreendida com uma assembleia de vocacionados e vocacionadas. O sonho foi de uma Igreja com fisionomia vocacional, em que todos foram e são convocados pela Trindade ao serviço em favor da vida e da humanidade, e, assim, consciente do chamado à missão, pudessem agir com ânimo e coragem em sua ação evangelizadora. Marcos Vinícius MerkerJornalista no Colégio Espírito Santo de Canoas-RS, membro da Equipe de Comunicação das SSpS Brasil.

Missão, um testemunho de encontro

No espaço escolar e de missão, deve-se considerar o valor do testemunho. A Semana Sem Fronteiras 2021 exigiu de cada educador, de cada educadora, estudante e famílias a capacidade de redescobrir o valor do testemunho. Muitas foram as histórias e vivências, indicando que a condição de estar nas fronteiras independe do local geográfico. Tempos novos exigem novas posturas, sem perder de vista a beleza do caminho missionário: encontrar, escutar e celebrar. Encontrar, entre os estudantes da educação infantil ao ensino médio, a ternura e o vigor da vida e dos saberes; escutar a realidade cultural de cada território e discernir o melhor modo de agir nas fronteiras existenciais e geográficas; e celebrar a diversidade que nos enriquece. Descobrimos que os protagonistas da missão são todos aqueles, aquelas que se deixam tocar pela força do Espírito Santo que sopra onde quer. Percebemos que a força da palavra é fundamental tanto nas fronteiras geográficas como nas virtuais. Muitas foram as imagens, experiências, testemunhos, ações e sonhos partilhados. Dessa forma, alegres e fortalecidos, os que estão nos espaços educativos e de missão, nas fronteiras e em tantos outros espaços afirmamos: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos dos Apóstolos 4,20). No link a seguir, acesse o álbum e confira um pouco do muito que cada escola realizou: Lucas Fortunato CarneiroProfessor de Ensino Religioso,Colégio Sagrado Coração de Jesus,Belo Horizonte-MG.

18 anos da Pastoral da Pessoa Idosa

Primeiro de outubro. Além de estarmos em plena primavera, é a abertura de um mês de muitas datas significativas. Para a Igreja, celebra-se o Mês das Missões, cuja padroeira é Santa Teresinha do Menino Jesus, acompanhada dos Santos Anjos. Lembramos também o Dia da Padroeira do Brasil e Dia das Crianças (12), do Fisioterapeuta (13), do Professor (15), do Médico (18), do Dentista (25), do Funcionário Público (28) e tantas outras homenagens. Nesse sentido, também se comemora a aprovação da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Dá-se à sociedade, ao Poder Público, ao Estado, às famílias brasileiras a regulamentação de uma série de prerrogativas à pessoa idosa, como o direito à vida, à saúde, à educação, à cultura, à assistência e previdência social, ao lazer, ao esporte, à habitação e ao transporte. A velhice passa a ter uma proteção social como direito fundamental. Assim, nessa mesma data, celebra-se o Dia do Idoso. Diante do quadro demográfico da população brasileira, que tem demonstrado um perfil de envelhecimento, do Ano Internacional do Idoso, promovido pela ONU, e da Carta aos Anciãos, escrita pelo Papa João Paulo II em 1999, a CNBB lançou, em 2003, a Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e as Pessoas Idosas”, tendo como lema: “Vida, dignidade e esperança”. Assim, no ano seguinte, sensibilizada pela situação das pessoas idosas, principalmente nas comunidades carentes, a dr.ª Zilda Arns Neumann, médica, irmã do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, decidiu iniciar um programa de acompanhamento às pessoas idosas, nascendo a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). Por dezoito anos, a PPI sempre foi marcada pela visita domiciliar. Com a pandemia, contudo, muitas visitas foram substituídas pela conversa ao telefone. Com a vacinação e os cuidados sanitários, a Pastoral da Pessoa Idosa vem retomando as visitas, pois muitas pessoas que moram sozinhas esperam ansiosamente receber os agentes missionários. A experiência da pessoa idosa tem muito a acrescentar à vida da família e da comunidade em geral. Seus ensinamentos e relatos fazem parte da memória da história local. Ouvir a pessoa idosa é importante, pois muito têm a nos ensinar. Infelizmente, o século XXI tem sido de muita correria. Ninguém parece ter tempo para visitar aquele avô ou avó que mora longe dos filhos e netos ou aquela tia que vive sozinha. Em contraponto, há grupos da terceira idade que costumam programar reuniões ou viagens em excursão. Mas, ainda, há aquelas pessoas idosas que não têm condições ou não querem sair, pois preferem ficar em seu “cantinho”. Nosso desafio está em encontrar um tempinho na semana para dar atenção a todos os que são necessitados de atenção e levar a Palavra, o conhecimento. Na educação para jovens e adultos (EJA), é comum ouvir de senhoras e senhores que, depois de aposentados, voltam a estudar: “Voltei para realizar um sonho que eu tinha de estudar”. Depois dos filhos criados, estão voltando… O Brasil ainda tem 11 milhões de pessoas analfabetas (conforme dados do IBGE de 2010) e, entre eles, a maioria é de idosos. Vamos incentivar a pessoa idosa a aproveitar melhor o tempo que tem, respeitando suas fragilidades, oferecendo-lhes conforto, conhecimento, dignidade. O Brasil precisa de todos. Leia o Estatuto do Idoso, procure pesquisar seus direitos. Ter cuidados com a saúde física é importante, mas com a saúde mental e espiritual também. Devemos combater o etarismo e a humilhação social contra os idosos. Se alguém sofre violência tanto física quanto psicológica, financeira, patrimonial, afetiva, denuncie. Ligue para 180. Que Santa Ana, São Joaquim, Zacarias, Isabel e outros exemplos bíblicos, os filósofos Sêneca e Cícero, nossa poetisa Cora Coralina e tantos outros nos inspirem a viver bem. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, membro da diretoria da Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

Para servir com amor na missão…

No ano de 1889, começava o grande sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria Helena e Josefa Stenmanns: a fundação da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, uma comunidade religiosa missionária dedicada totalmente ao Espírito Santo. Nasceu do anseio mais ardente de nosso Fundador: “Que viva Deus Uno e Trino nos corações de todas as pessoas”. Com esse imenso desejo, hoje estamos presentes em 53 países e nos mais diversos setores, como educação, saúde, justiça restaurativa, migração, entre muitos outros. Nossa missão é fazer com que Deus Uno e Trino seja conhecido e amado onde quer que seja e a quem o Senhor nos chame a servir. Para ser uma missionária serva do Espírito Santo, é necessário se formar, conhecer nosso carisma e espiritualidade, e ir confirmando o chamado que o próprio Deus faz em cada coração. Agora vem a pergunta: será que também posso dedicar minha vida ao serviço do Reino de Deus? Será que sou chamada a ir e anunciar esse amor tão grande de Deus para todas as pessoas? Para saber mais, entre em contato com as Irmãs Crislaine (31) 98237-6433, Adriana Regina da Silva (42) 99930-6341 e Maria Cristina Krupek (69) 98415-7394. Também foi criado, nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), o perfil “As Freiras em Missão” no qual há mais informações sobre nossa vida e missão.

Missão em Juquitiba continua…

Na vida missionária, tão importante quanto iniciar uma missão, é saber a hora de entregá-la aos outros. Assim se deu com a comunidade das missionárias servas do Espírito Santo de Juquitiba-SP, após 33 anos de presença evangelizadora no Município localizado na Região Metropolitana de São Paulo. Irmã Elisabeth Plattner e Ir. Anastásia M. Krohling, em um misto de saudade e de gratidão pela missão cumprida, compartilham um pouco do “tempo em Juquitiba”. Ambas trabalharam em diferentes períodos, mas sempre atuando na área de saúde integrativa, com o objetivo de “ajudar as pessoas a tomarem a saúde em suas próprias mãos”, conforme explica Ir. Beth, como é mais conhecida. Antes de começar a pastoral da saúde, Ir. Anastásia recorda as visitas às famílias, tanto na cidade como também nos bairros do interior. Para resgatar o conhecimento que o povo tinha em relação ao uso de ervas medicinais, especialmente no uso de chás e tinturas, ela e a Ir. Beth organizaram cursos e atendimentos individuais. Em consequência, “muitas pessoas mudaram seu estilo de alimentação”, enfatiza Ir. Beth, relatando a importância de uma nutrição correta para uma vida saudável. Para que as pessoas conhecessem as propriedades das ervas e a variedade de verduras e legumes, as irmãs ampliaram a horta no quintal da própria casa e, na calçada, colocaram uma mesa com mudas, para que as pessoas as plantassem nas próprias casas. “Essa doação foi um legado que nós deixamos”, afirma Ir. Beth. Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá Na Pastoral da Saúde formaram uma equipe de leigos que lideravam ativamente a missão, com a orientação das irmãs. Regularmente os membros da pastoral visitavam os doentes, organizavam as missas dos enfermos e faziam encaminhamentos para outros profissionais de saúde. A pedido do pároco de São Lourenço da Serra, Município vizinho de Juquitiba, Ir. Beth iniciou, em 1998, a Pastoral da Saúde. O primeiro passo foi realizar um curso de fitoterapia. A partir daí, 15 pessoas se prontificaram a iniciar um trabalho de atendimento para as pessoas interessadas em melhorar e fortalecer sua saúde. Assim surgiu o Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá que, nos anos seguintes, promoveu inúmeras formações sobre tratamentos, como massagens, reiki, acupuntura sistêmica, terapia craniossacral, florais de Bach e de Minas, limpeza de ouvido com cone de cera, constelação familiar, entre outras. “Jesus sempre se preocupou com a saúde física e espiritual das pessoas. Para Ele, era fácil curar: um toque, uma palavra… Exigia apenas a fé da pessoa. Para nós, curar exige empenho, amor e perseverança”, afirma Ir. Beth, que é enfermeira. Nestes anos todos de missão, utilizando as terapias integrativas e complementares, as irmãs ajudaram muita gente a encontrar a cura. “Perto de nossa casa organizamos grupos de oração. Nós nos encontrávamos principalmente na Semana Santa e na novena de Natal”, conta Ir. Beth. Muitas pessoas se sentiam em casa na comunidade das irmãs e iam visitá-las para conversar, pedir orações e rezar na capela. Às vezes, passavam apenas para cumprimentar. “A casa tinha muito movimento”, lembra Ir. Anastásia. Desde 1987, muitas irmãs passaram por Juquitiba e deixaram sua contribuição para a missão. Durante um tempo, lá também foi casa de formação para as jovens que ingressavam na Congregação. Nos últimos anos, além da Ir. Anastásia e Ir. Beth, também Ir. Helena Suzana Christo morou na comunidade. Ela dividia seu tempo com a Casa São José, que cuida da recuperação de jovens dependentes químicos, e suas atividades com a Pastoral Carcerária e a CRB da Diocese de Campo Limpo. Mais recentemente, ela mudou para a Comunidade da Cohab Adventista, na Região Sul de São Paulo-SP, assumindo a coordenação das duas comunidades. Gratidão a Deus e ao povo Com a idade avançada, 86 e 87 anos, e problemas de saúde que foram se agravando, Ir. Anastásia e Ir. Beth perceberam que já era momento de deixar Juquitiba. Foi uma decisão tomada com tranquilidade e que já vinha sendo preparada havia mais tempo. Atualmente, elas vivem na comunidade do Convento Santíssima Trindade. Irmã Anastásia trabalhou quase 20 anos em Juquitiba e, para ela, não foi fácil deixar a comunidade e o Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá. “Sou grata a Deus e ao povo, principalmente às pessoas que nos ensinaram a viver mais autenticamente a nossa fé”, expressou com emoção. Depois, citando as palavras de São Paulo, acrescentou: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4,7). Para Ir. Helena, o mais importante na missão é formar lideranças que possam dar continuidade ao trabalho e, em Juquitiba, os leigos assumiram as atividades pastorais e sociais ligadas à paróquia. Um dos motivos que dão tranquilidade e alegria às irmãs ao deixarem Juquitiba é que a missão do Núcleo de Saúde Madre Teresa de Calcutá continua com 25 terapeutas, e a casa onde estavam será usada para a recuperação de jovens dependentes químicos da Casa São José. “Assim, nossa missão está continuando” afirma Ir. Helena, com gratidão, lembrando também todas as irmãs que participaram na missão na comunidade.

SSpS: 118 anos de presença missionária no Brasil

No dia 20 de agosto, as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) recordam a chegada das seis primeiras irmãs ao Brasil, em 1902. Naquela época, com apenas 13 anos de fundação, a jovem Congregação experimentava uma vitalidade missionária extraordinária. Fundada em Steyl, na Holanda, já havia enviado missionárias para Argentina (1895), Togo (1897), Papua-Nova Guiné (1899) e Estados Unidos (1891). A disposição de vir para o Brasil partiu do próprio fundador, Santo Arnaldo Janssen. Após muita oração e discernimento, ele decidiu pelo envio do grupo pioneiro. Madre Josefa era a Superiora-Geral e ajudou a preparar as irmãs. Eram elas as irmãs Walburgis, Laurência, Bonifácia, Crescência, Regina e Córdula. O objetivo principal das missionárias na América Latina era reavivar a fé nas famílias cristãs. No Brasil, havia também a grande necessidade de escolas. Por isso, as irmãs já vieram focadas em iniciar um colégio, a partir do qual poderiam estar em contato com muitas pessoas. É surpreendente a coragem das primeiras missionárias. Em janeiro de 1903, poucos meses após a chegada, ainda mal falando o português, deram início a uma escola que depois viria a se tornar o Colégio Stela Matutina, em Juiz de Fora-MG. Depois delas, outras irmãs foram chegando, não somente para as escolas, mas também para trabalhar em hospitais e nas pastorais. Muito rapidamente, espalharam-se pelo Brasil, assumindo diferentes frentes missionárias, especialmente em locais onde as necessidades eram maiores. Em 1963, quando decidiram estabelecer uma segunda província no Brasil, já somavam um total de 461 irmãs, entre missionárias vindas da Europa e irmãs brasileiras. Sempre atentas aos apelos do Espírito Santo, as missionárias SSpS acompanharam as grandes transformações pelas quais passou a Igreja, com o Concílio Vaticano II e as conferências de Medellín e Puebla. Foram ao encontro dos mais pobres nas periferias das grandes cidades e para o interior, nos locais onde a Igreja ainda não estava devidamente estabelecida. Desde então, marca presença também com populações indígenas. Atualmente, o número de missionárias SSpS no Brasil está em torno de 200, organizadas nas províncias Stela Matutina (Estados de São Paulo, Tocantins, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Divina Sabedoria (Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará, Amazonas e Roraima). Um aspecto marcante da Congregação, e que sempre esteve presente nestes 118 anos no Brasil, é a interculturalidade. No início, isso se dava pela presença de irmãs europeias e brasileiras. Atualmente, a variedade cultural está crescendo, com a chegada de irmãs de outros continentes, especialmente da Ásia. O compromisso com a vida e a busca de construir comunhão se fortalecem com as práticas cotidianas de “Justiça, Paz e Integridade da Criação”, conhecidas pela sigla Jupic, e que fazem parte do estilo de vida das missionárias. Concretamente, significa que as irmãs priorizam o cuidado com a ecologia, defendem os direitos humanos e os grupos menos favorecidos, assumem as principais causas sociais e promovem uma cultura de paz, fundamentadas nos valores do Evangelho. Os campos de missão são muito diversificados em cada uma das províncias. Mas, ao viverem o carisma missionário e a espiritualidade trinitária, seja qual for a obra social, educacional, pastoral ou da área da saúde, as irmãs sempre buscam vivenciar o lema de nossa congregação “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Irmãs SSpS Brasil Norte em sua história…

Missão com migrantes durante a pandemia

O Centro de Integração do Migrante (CIM) é um espaço alternativo de formação e orientação para migrantes, localizado no bairro do Brás, na região central da cidade de São Paulo. A obra está a caminho de seu quinto aniversário, em dezembro próximo. O CIM é uma das frentes de missão das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na cidade de São Paulo. Hoje somos três irmãs aqui: irmãs Lucilene Soares, Nadir Pereira e Malgarete Conte. O CIM realiza sua missão em parceria com outras instituições, como Missão Paz (padres escalabrinianos), Caritas, Veredas (USP), Mary Knoll, Colégio Espírito Santo, Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD). O centro também conta com a contribuição de muitos outros voluntários e voluntárias que dedicam seu tempo e seus talentos para acolher, servir e ser solidário com nossos irmãos migrantes, diante do quadro de mobilidade em que vivemos na cidade. As ações realizadas no CIM são diversificadas, buscando atender às necessidades e demandas dos migrantes que aqui chegam. Para crianças, as atividades são diárias: brincadeiras, reforço escolar, inglês, artes, educação física, computação. Para adolescentes e adultos, há atendimentos e suporte com a documentação, plantão psicológico, jurídico, assim como aulas de português, informática, manutenção de computadores, bolos e salgados, empreendedorismo e espanhol. O CIM também oferece atendimento em geral ao público durante a semana, como o Bazar da Solidariedade. As roupas obtidas em doação são vendidas a preço simbólico para quem mais necessita. Também o CIM é o lugar do encontro, da acolhida, da partilha do conhecimento cultural. Aqui nos reunimos para celebrar as festas das culturas, dias de festa, e celebrações. Um espaço de vida e alegria. Com toda essa demanda, e com a participação de muitos migrantes, percebemos a necessidade de um espaço maior para poder atender melhor e com mais condições a cada pessoa que vem até o CIM. Com isso, neste ano, foi adquirido um novo espaço, no mesmo bairro. O local é maior e com mais possibilidades de trabalho e integração com os migrantes. Precisa passar por um processo de restruturação, para já podermos encaminhar os novos trabalhos. De coração aberto e portas fechadas Faz mais de dois meses que, por conta da pandemia, tivemos de fechar o atendimento, assim como todas as atividades que realizávamos em conjunto com outros amigos e parceiros do Centro de Integração do Migrante. Hoje socorre muitos migrantes e brasileiros que perderam sua renda por falta de trabalho, e vivem em uma realidade de fome e de necessidades básicas. Impelidas diante dessa nova situação, somos chamadas a realizar algo, mesmo com as portas fechadas. E assim, com a colaboração generosa de tantos amigos e pessoas de boa-fé, de organizações, Igrejas que realizaram doações com cestas básicas de alimentos, higiene pessoal e limpeza, podemos garantir ao menos o básico para tantos irmãos e irmãs nesta grande cidade de São Paulo. Temos a oportunidade hoje de ser “ponte” e realizar a “entrega” dessas doações. Com isso, podemos abrir as portas ao menos uma vez por semana e realizar a doação desse material que, com alegria, recebemos. Por este tempo de pandemia, é assim que realizamos a missão a qual Deus confia a nós, valorizando a solidariedade do povo que oferece com alegria generosa. “A pandemia mudou a minha vida” Para os migrantes que frequentam o CIM, a pandemia está somando dificuldades ainda maiores àquelas que normalmente enfrentam. A boliviana Dionísia explica: “Eu me sinto triste porque não sabemos quanto tempo mais vai durar, quando vai terminar. Parece que esta pandemia veio para ficar conosco. Gostaria de sair com minha família, mas não posso”. Para a menina Annalia Boliva, de 8 anos, e seu pai Abel Boliva, 39, a situação é crítica. Eles são da Venezuela e moram num pequeno quarto alugado no bairro do Belenzinho, em São Paulo-SP. A mensalidade consome dois terços do salário de Abel, que está no Brasil há cerca de 2 anos e meio. Annalia chegou há 11 meses e conta: “A pandemia mudou a minha vida. Agora estou estudando na minha casa, que é um quartinho pequeno. Eu estudo, assisto à tevê, leio a Bíblia e fico aguardando o meu pai, que vai trabalhar das 5 da madrugada até 5 horas da tarde”. Antes ela ia para a escola de manhã e, depois, para o Educandário São José, no bairro do Belém. Frequentava as aulas de informática do CIM. Annalia diz que sente saudades das irmãs, do vovô Angel (um dos voluntários que precisou ser hospitalizado por causa do covid-19 e que está se recuperando), dos coleguinhas e dos brinquedos. Abel relata que não estão fáceis estes três meses de confinamento. “Graças a Deus, continuo trabalhando, mas minha filha, minha companheirinha de 8 anos, não pode mais ir à escola nem ao Centro do Migrante. Está confinada em um quarto onde vivemos só ela e eu, passa 24 horas aqui… Mas estamos vivos, temos saúde e seguimos lutando”, diz. Antes da pandemia, Abel complementava o salário fazendo bicos à noite e nos fins de semana. Dessa forma, ele conseguia se manter e enviar alguma coisa para ajudar a família na Venezuela. Agora mal consegue pagar as despesas. Ele também sente falta do Centro de Integração do Migrante, que considera um grande apoio e do qual tem prazer em participar. Irmã Lucilene Ferreira Soares é missionária serva do Espírito Santo, está concluindo o Curso de Teologia e faz parte da equipe do CIM.

Uma comunidade para amar e servir

Na Comunidade Madre Maria, em Belo Horizonte-MG, vive um grupo de missionárias servas do Espírito Santo, quase todas octogenárias e muito animadas. As dificuldades próprias da idade não as impedem de continuar a missão. Cada uma assume, de acordo com suas possibilidades, o trabalho que consegue fazer na comunidade e ainda marcam presença na paróquia, na visita aos enfermos no hospital e no serviço aos mais pobres. Neste vídeo, você terá uma ideia de como vivem as irmãs, em seu cotidiano de serviço, oração e convivência entre elas e com outras pessoas. Elas expressam, com alegria, como são missionárias nesta etapa da vida e como buscam amar e servir nas pequenas coisas de cada dia. Assista e deixe-se surpreender.

Transformando vidas no Taquaril

As missionárias servas do Espírito Santo estão no bairro do Taquaril, na Região Leste do Município de Belo Horizonte, desde o início da década de 1990, poucos anos após o surgimento do bairro, em 1986. Apesar de ser uma área muito bonita, rodeada pela Serra do Curral, o Taquaril já foi considerado uma das regiões mais pobres do Brasil e a maior periferia da capital mineira. Sua população, em sua maioria, vinda do interior do Estado, precisou enfrentar muitos problemas sociais, além da violência, conflito entre gangues e tráfico de drogas. Graças ao trabalho dedicado da Igreja local e o empenho da população, muitas melhorias foram alcançadas. Exemplo disso é a presença da missionária polonesa Ir. Matilda Gorus. Quando ela chegou ao bairro, não havia praticamente nenhum serviço de atendimento à população. Então ela foi perguntando ao povo qual era a maior necessidade, e as famílias disseram que queriam uma creche, para deixar as crianças e, assim, permitir que as mães pudessem trabalhar. A Creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ligada à Paróquia São Gabriel, teve início em 1996 e vem transformando a vida das crianças e da população. Neste vídeo, você conhecerá um pouco da missão de Ir. Matilda no Taquaril e também verá o depoimento de alguns moradores da comunidade. Eles, incluindo o padre e um pastor evangélico, falam sobre a dedicação e o amor que a missionária tem para com aquele povo. Confira.

Presença missionária junto ao povo Akwẽ Xerente

No início de 2018, retornei à missão junto ao povo Xerente e logo me tornei um dos membros do NIPAX (Núcleo de Intercâmbio do Povo Akwẽ Xerente), assim como outros apoiadores: Ir. Sílvia, Thêkla Maria Wewering, SSpS, e Pe. Martins Rodrigues Putencio. O grupo é formado por lideranças masculinas e femininas xerentes, pelo qual buscamos refletir e agir conjuntamente, no que se refere a questões fundamentais (terra, cultura, identidade, autonomia) para a sobrevivência como povo. Neste ano, o nosso trabalho está voltado para os seis clãs dessa etnia. Realizamos ações como articulação e organização sobre a questão dos clãs, em vista da realização de um congresso sobre os clãs, entre os dias 1º e 5 de junho de 2020. Percebemos que as identidades culturais, suas tradições estão se perdendo. Por isso o grupo NIPAX pensou em realizar o I Congresso do Povo Xerente, cujo objetivo primeiro é uma reorganização interna dos xerentes como povo Akwẽ, a fim de que possam reunir-se em clãs e tomarem algumas decisões importantes para a preservação de suas culturas. Acredito que será um momento de conscientização, comprometimento e de um despertar para se firmarem como um povo. Será de grande importância principalmente para os jovens xerentes. A minha presença como missionária serva do Espírito Santo inserida na realidade xerente é de uma partilha na vida das aldeias; de luta ao lado deles, de incentivo nos trabalhos para o autossustento. No momento atual, estou comprometida em apoiá-los, dando o meu testemunho de consagrada, que acredita na vida e que devemos cuidar dela e preservá-la, ainda mais dentro de um território onde a vida sofre constantes ameaças, por pressões externas, como o agronegócio (com os desmatamentos e agrotóxicos), os grandes projetos hidroelétricos com os impactos ambientais e outros. Para isso incentivamos as comunidades no plantio das roças de mandiocas e de grãos, pois, além de não faltar o alimento, terão como contribuir na alimentação nos dias do congresso. Entre um trabalho e outro, participo de algumas aulas da língua xerente, ministrada pelo professor Nelson Praze Xerente, membro também do NIPAX. O aprendizado do idioma será importante para a interação com todos da comunidade Akwẽ Xerente. Espero que, ao término do congresso, os indígenas estejam mais fortalecidos e conscientes com relação à identidade e sua autonomia como povo Akwẽ Xerente, para construírem juntos sua história de vida. Participar desse processo de preparação do congresso está sendo para mim um aprofundar no aprendizado da cultura e do modo de vida do povo Akwẽ bem como experienciar o quanto está sendo importante acolher e valorizar cada expressão de vida nas aldeias visitadas, e também poder partilhar com eles a alegria, a fé, a minha entrega amorosa a Cristo entre os xerentes. Por isso destaco Aquele que nos trouxe a vida, a causa de nossa missão: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Irmã Maria Leonice Neves é missionária serva do Espírito Santo, pós-graduada em Pedagogia Social com o tema “A atuação das mulheres indígenas xerentes na sua cultura”.

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