Vivat Brasil: Carta ao Presidente

A Vivat Brasil enviou uma mensagem ao presidente Lula, pedindo que a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-28) seja mais efetiva no cuidado da Casa Comum. O encontro ocorre entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro próximos, em Dubai (Emirados Árabes Unidos). O texto enfatiza três aspectos: acelerar a transição energética; praticar a justiça climática e o compromisso financeiro, sobretudo com as nações mais pobres; e colocar a natureza, as pessoas, as vidas e os meios de subsistência no centro da ação climática. A Vivat Brasil é uma extensão da Vivat Internacional, organização com assento no Conselho Econômico-Social da ONU, e envolve dez congregações religiosas, entre elas a das Missionárias Servas do Espírito Santo e a do Verbo Divino, além de leigos, leigas e grupos parceiros. Eis a carta.
Alimentar a fé no “Deus do medo” é uma blasfêmia

Veja a reflexão bíblica elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o Evangelho deste 33º Domingo do Tempo Comum, narrado em Mateus 25,14-30.
Boletim Congregacional – Outubro e Novembro de 2023 – Nº 202
Valores que transformam nossas relações interpessoais

O ser humano é um ser social e, desde que começou a se agrupar e a viver em sociedade, começou a criar laços em comunidade, no exercício e convivência das relações interpessoais. As relações entre os seres humanos se diferenciam dos outros animais justamente pela capacidade de se relacionarem com o outro. O ser humano é complexo. Somos diferentes uns dos outros, com vontades próprias, forma de pensar diferenciada, e essas diferenças, muitas vezes, geram conflitos, mas que, de uma maneira ou de outra, estão presentes em nossos relacionamentos e fazem parte de nosso crescimento. Para um bom relacionamento interpessoal, é necessário que tenhamos uma boa inteligência emocional, que envolve conhecer-se a si e ao outro. Talvez não nos demos conta do quão importante é a convivência com o outro. A pandemia nos fez perceber a necessidade que temos do contato, da troca, da relação com os outros, família, amigos, todas as pessoas que fazem parte de nosso convívio. Como aprender a desenvolver relações interpessoais num tempo em que não podíamos sair de casa, devido às restrições da covid-19? A pandemia e o isolamento social pelos quais passamos nos últimos dois anos trouxeram-nos a oportunidade de conhecer-nos e, talvez, de sermos melhores. Tivemos tempo para pensar e agir em prol do fortalecimento das relações interpessoais, especialmente na família. O autoconhecimento é a peça-chave, pois nossas emoções são complexas, e a convivência dentro de casa por um longo período trouxe desentendimentos que tiveram de ser trabalhados. As relações interpessoais interferem nos ambientes nos quais estamos interagindo. Por exemplo, nas empresas, essas relações se evidenciam entre os colaboradores. Num ambiente harmonioso, os efeitos surgirão pelos resultados apresentados, contribuindo para a competitividade da empresa ante as concorrentes. Promover cursos, palestras, atividades em conjunto são algumas das formas capazes de promover a integração entre todos. Os fatores que influenciam nossas relações interpessoais são a habilidade do diálogo (falar/ouvir) e a aproximação (transpor medos/bloqueios). É possível construir relações saudáveis por meio do diálogo, mas é necessário, antes, escutar, compreender, sem fazer julgamentos precipitados. Jesus Cristo, quando esteve neste mundo, foi nosso grande exemplo, tanto pela forma de pensar como em seu agir, estabelecendo, assim, relações interpessoais saudáveis. Em vários momentos, com atitudes e seu exemplo, demonstrou que podemos, sim, transformar nossas relações interpessoais. O Evangelho de João (Jo 4) nos relata a história da mulher samaritana que, junto ao Poço de Jacó, ouve Jesus a lhe pedir água para beber. Na época, havia uma rivalidade muito grande entre judeus e samaritanos, além do mais, as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Jesus quebra esse paradigma. Pelo diálogo, percebeu o que se passava no coração daquela mulher samaritana. Ele sabia que ela precisava conversar com alguém, ser ouvida, não ser julgada. Ele pede água à mulher samaritana. Ela tem um choque! Jesus rompe as barreiras de relacionamento. A mulher samaritana aprendeu, pelo diálogo e encontro com Jesus, que as relações podem ser transformadas. São muitos os exemplos nos Evangelhos, dos quais aprendemos como podemos nos relacionar entre nós. Em nossos dias, na escola, os professores podem aprender e seguir o exemplo do Mestre Jesus ao olharmos para nossos alunos, nossos colegas, coordenadores, direção, todas as pessoas que estão ao nosso redor. Os alunos podem exercitar a habilidade das relações interpessoais no ambiente escolar e familiar. A escola poderá tornar um vasto campo de aprendizado, não somente de conteúdos e habilidades, mas do conhecer-se a si mesmo, conforme se interage com o outro, ao conhecer o outro, aprender a conviver em harmonia, aprender a resolver conflitos, compreender o diferente, o que será o alicerce para todas as relações interpessoais. Jociane Pereira Professora no Colégio e na Faculdade Santana, em Ponta Grossa-PR, licenciada em Música, bacharela em Direito, Pedagogia e Sociologia, acadêmica no curso de Psicologia.
Sobre o caos e a esperança

O futuro parece ter chegado de modo menos ordenado do que esperávamos. Em nosso cotidiano, encontramos mais angústia e ansiedade do que gostaríamos. Discutir questões ambientais em tal cenário não deixa muito espaço para poesia. Então, como encontrar respostas? Veja o artigo da professora Marli Everling!
Encantos da natureza

A cada nova primavera, recanta-se o hino à vida, que nos convida a desfrutá-la como dom da natureza dado pelo Criador. Pena que tudo isso parece ter seus dias contados. As previsões das primaveras futuras não são tão alvissareiras. Se quisermos ainda “primaveras primaveris”, urge assumirmos nossas responsabilidades individuais e coletivas. Veja a reflexão do Pe. Deolino Pedro Baldissera.
O azeite que alimenta a luz é nossa essência

O azeite que alimenta a luz é nossa essência “As jovens previdentes levaram vasilhas de azeite junto com as lamparinas” (Mt 25,4) Os textos evangélicos destes últimos domingos do ano litúrgico nos convidam a velar, a estar mobilizados, numa atitude de expectativa diante do Deus que sempre está vindo ao nosso encontro. Ele não nos espera no final do caminho para nos submeter a um juízo. Não, Deus está em nós todos os instantes de nossa vida, para que possamos levá-la à plenitude, ou seja, para salvar-nos n’Ele. É preciso estar alerta, porque o tempo passa. Se estamos distraídos e adormecidos, é preciso despertar, porque do contrário perderemos a oportunidade de “entrar na festa de casamento”. Neste domingo, a parábola de Jesus nos convida a não ficarmos sem azeite em nossas humildes lamparinas, para que nossa presença cristificada brilhe como luz potente nos momentos oportunos. É o momento de nos perguntar sobre qual fundamento está assentada nossa esperança (espera ativa). Nas esperas, muitas vezes, nos esquecemos de manter a chama acesa. A parábola das dez virgens nos chama atenção para isso. Talvez porque passamos a vida esperando passivamente, sem saber o que ou quem, e não desfrutamos dos encontros que a mesma vida nos proporciona. Muitas vezes vivemos condicionados pelo anseio de algo que está à frente, de um futuro que sonhamos e que, às vezes, quando chega, não corresponde às nossas expectativas. Nestas esperas indefinidas e estéreis vamos desperdiçando o azeite das lamparinas, vamos nos gastando a nós mesmos na superficialidade e na falta de compromissos. Lida em seu sentido literal, a parábola deste domingo parece cair numa contradição, já que as jovens “sensatas” aparecem como egoístas, quando se negam a partilhar seu azeite com as do outro grupo. Mas toda parábola busca ser provocativa, e não podemos nos limitar a uma leitura literalista da mesma. Trata-se de identificar o objetivo que ela indica. E, neste caso, parece claro que ela procura destacar outra questão: a importância decisiva de ter acesso às reservas de “azeite”, como reserva de “vida” diante da vinda surpreendente do “noivo”. No relato, o azeite é aquilo que alimenta a lamparina, ou seja, que torna possível a luz. Com isso, o eixo da parábola nos remete a esta questão: que é que possibilita, mantém e alimenta a luz em nossas vidas? Qual é o azeite que faz arder a nossa lamparina existencial? Toda pessoa possui reserva abundante de azeite em seu interior, como algo próprio dela e é, portanto, intransferível: é o dom da existência, a vida em seu sentido mais profundo. O azeite não é algo que se possa dar e receber, que é oferecido a partir de fora, como uma coisa objetiva que um homem ou mulher pudessem dispor de si mesmos; o azeite é vida profunda, a mesma vida humana que o homem e a mulher devem cultivar, sendo eles mesmos. Homens e mulheres são “azeite” que ilumina enquanto se consome, fazendo-se luz diante de Deus e dos outros. Este é o distintivo mais precioso do ser humano, sua essência original: o bom azeite que ilumina. Em nossa identidade profunda, “somos luz”, afirmação que o evangelista Mateus põe na boca de Jesus: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). No entanto, com frequência, desconhecemos essa realidade, desconectados dela e, como consequência, permanecemos na obscuridade da ignorância essencial, com a confusão e o sofrimento que isso traz. Nessas condições, faz-se vital esta questão: qual é o “azeite” que alimenta nossa luz e nos permite viver em conexão com ela? A resposta só pode ser esta: a compreensão experiencial daquilo que somos. Para começar, a pessoa interessada pode verificar isso por si mesma a partir de um questionamento elementar: que é o que lhe traz serenidade, paz, plenitude, amor, vitalidade, criatividade…? De onde brota tudo isso e que se mantém mesmo em circunstâncias adversas? Ou, pode-se também fazer o mesmo questionamento sob outro ângulo: o que é que o altera, o fecha, o faz sofrer, o desconecta da vida…? Em resumo: tudo se concentra no fato de vivermos ou não conectados ao que realmente somos. Essa compreensão experiencial é luz; sua carência é obscuridade. O passo seguinte surge por si mesmo: como fazermos a provisão de “azeite”? Conectar-nos continuamente, de maneira consciente, com aquilo que somos, com aquilo que está mais além do corpo, da mente, do psiquismo, do ego… Nas dimensões mais profundas de nosso ser continuam existindo lugares onde a luz permanece brilhando e nos quais o azeite transborda. São esses lugares invisíveis que só percebemos quando vivemos a partir do coração. Tais lugares invisíveis coincidem com as dimensões sadias que nos habitam: sentimentos elevados, desejos nobres, pensamentos oblativos… São sadias porque a sensatez de seu candil vai nos indicando o valor das coisas pequenas que passam quase desapercebidas. São realidades pequenas (como o grão de mostarda, uma medida de fermento ou uma moeda perdida), mas carregadas de eternidade. Quando habitamos estes lugares, o tempo se faz mais denso e palpável, a sensibilidade se torna mais refinada, a visão se amplia e um sentimento de profunda gratidão nos invade. Não estamos nas montanhas inacessíveis ou nos desertos impossíveis; estamos no cotidiano luminoso que não percebemos devidos às pressas estressantes ou pelo esquecimento de buscar o perfeito que não existe. É questão de sensatez de vida. “Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca de bens materiais, de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E então irradiaremos. Seremos como um Sol” (L. Boff). No fundo, todos somos as dez jovens da parábola; todos vamos fazendo um caminho de aprendizagem para o amor. Mas, é preciso retomar a questão central: quem sou eu diante de Deus que vem, que está conduzindo minha vida? Tenho azeite o suficiente, sou portador da luz de Deus? Esta é a esperança que Jesus alimentava: Ele queria constituir um povo de pessoas luminosas, uma cidade de pessoas transformadas em luz. Assim
Os caminhos de Deus são surpreendentes

Os caminhos de Deus nos surpreendem. Nosso pequeno Miguel, de 3 aninhos, está frequentando o Centro Educacional Infantil Madre Josefa, das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), em Canoas-RS. Para nós, irmãs da Divina Providência, é um fato de grande relevância, assim como para as SSpS. Tudo muito curioso quando lançamos o olhar para os fatos históricos e os trazemos para o presente. Bate, então, a curiosa sensação que suscita perguntas, mexe com a fé e nos conduz a uma certeza de que Deus nos surpreende constantemente, pois acreditamos que é Ele que conduz a história e faz história conosco. Vamos ao fato. Em 1878, com a perseguição do Kulturkampf, aproximadamente 9.000 religiosas e religiosos foram expulsos da Alemanha. Com as irmãs da Divina Providência, não foi diferente. Também foram para o exílio, na Holanda, onde, bem acolhidas, iniciaram um novo período de crescimento e expansão missionária. Em 1882, algumas das irmãs da Divina Providência trabalhavam na cozinha da Casa Missionária de Steyl, na Holanda. Nesse seminário, viviam, entre outros padres, o padre Arnaldo Janssen (fundador dos Missionários do Verbo Divino) que, com a colaboração de várias pessoas, aspirava a fundar uma congregação missionária. Esse fato chegou ao conhecimento do público e atraiu a atenção de algumas jovens mulheres interessadas em associar-se ao projeto missionário de longo alcance. Foi assim que Maria Helena Stollenwerk (Madre Maria), Hendrina Stenmanns (Madre Josefa) e outras jovens aspirantes foram acolhidas no seminário de Steyl. As irmãs da Divina Providência, naquele momento, receberam a incumbência de ajudar no processo formativo da nova congregação das irmãs missionárias servas do Espírito Santo. As irmãs da Divina Providência trabalhavam na cozinha e a essas jovens competia o trabalho na limpeza. O processo formativo se deu ao longo de sete anos, no citado seminário, conciliando sempre a limpeza e a formação para vida religiosa missionária. Trabalho árduo que exigia diariamente iniciar, ainda de madrugada, as atividades. Mulheres fortes, corajosas, sensíveis aos apelos de Deus, deixaram-se conduzir por caminhos tão adversos para os nossos dias. O sonho foi se concretizando, e ambas as congregações foram se desenvolvendo na missão. Expandiram-se pelo mundo. De Steyl, Holanda, para o Brasil, Bairro Fátima, em Canoas-RS. Já completados 140 anos, a vida continua sendo marcada por estas duas congregações (Verbo Divino e Missionárias Servas do Espírito Santo) que não se cansam de testemunhar o amor de Deus Uno e Trino no serviço que vêm prestando. A missão de ambas as congregações deu muitos frutos, e elas continuam incansáveis e renovadamente no processo do seguimento fiel ao projeto do Reino de Deus. Hoje, no Bairro Fátima, podemos contar com a missão da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, que tem um centro educacional, cujo nome é Madre Josefa, e com uma comunidade da Congregação das Irmãs da Divina Providência, que criou e mantém uma instituição: a Rede Divina Providência de Ação Social e Cidadania (Redipasc), entidade beneficente e de assistência social, cuja missão é promover o cuidado da vida, proteção social, o exercício da cidadania e a inclusão cidadã. Entre os trabalhos, presta o serviço de proteção especial em quatro casas lares. Cada uma tem capacidade de atender até dez crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, que têm medidas de proteção concedidas pelo Juizado da Infância e Juventude, razão pela qual estão no acolhimento institucional. Coincidência ou caminhos de Deus, em 2021, o pequeno Miguel, de 3 anos, acolhido na Casa Lar administrada pelas irmãs da Divina Providência, foi recebido, em 2 de outubro, dia dos Santos Anjos, no Centro Educacional Madre Josefa, das irmãs missionárias servas do Espírito Santo. Para nós, irmãs responsáveis pela instituição, esse encontro não é uma simples coincidência, e sim o marco de uma história que merece ser lembrada e relida para compreendermos como são surpreendentes os caminhos percorridos ao longo desta abençoada trajetória, com a ação e a graça de Deus. Irmã Lucila Mai, Divina Providência Mestra em Psicopedagogia e membro da Equipe da Coordenação Provincial, atualmente Presidente da Rede Divina Providência de Ação Social de Cidadania (Redipasc–RS).
Querido planeta e as mudanças climáticas…

O cuidado com a Casa Comum é uma das direções propostas pelo XV Capítulo-Geral da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Inspirada nesse desafio, a irmã Aurélia Príhodová, que atua na Diocese de Roraima, reflete sobre as mudanças climáticas. Para ela, é necessário alargar a compreensão da crise climática e não a naturalizar. Veja o artigo!
Desafios da juventude na Era Digital: ansiedade, desinformação e autenticidade

A crescente dependência da tecnologia entre os jovens tem gerado desafios marcantes nos últimos anos. Os alunos Gabriel Noya Soares e Guilherme Mendonça Allemand, do Colégio Imaculado Coração de Maria, do Rio de Janeiro, chamam a atenção para o problema. Confira!