À luz do Evangelho Dominical

O evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum é uma passagem de Lucas (18,1-8). O texto valoriza a fé e a perseverança na oração. O padre Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, mostra que a cidade, e não o Templo ou a sinagoga, é o cenário escolhido para a parábola de Jesus. Dois personagens representam a realidade daquele tempo e dos dias atuais: um juiz sem ética e sem moral, que não teme a Deus, e uma viúva, representação dos mais fracos. A mulher exige do magistrado um direito, mas o homem exerce seu ofício não por ser sensível à Justiça, um valor importantíssimo para os judeus e cristãos, mas para não ser importunado. E Jesus pergunta: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele?”. Quem grita por socorro, segundo o ensinamento do Senhor, será ouvido, mas sempre no tempo de Deus. Por isso Jesus recomenda firmemente a persistência na oração. O texto finaliza destacando o valor da fé na relação com o Pai. Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e saiba mais.

O encontro com a felicidade (Mt 5,1-12) (2ª parte)

Tal como já vimos, no trecho das bem-aventuranças, condensam-se os ensinamentos que Jesus dá a seus discípulos (Mt 5,1-12). Dessa forma, em cada dito, encontra-se muita riqueza de conteúdo. Por esse motivo, neste breve escrito, daremos continuidade à reflexão publicada em setembro. Entretanto aqui nos deteremos especificamente nos versículos 5 a 12. Quando refletimos a primeira bem-aventurança, vimos que não podemos conceder importâncias às coisas, mas sim a Deus e, portanto, às pessoas. O caminho da felicidade que Jesus nos propõe nos impele a levantar os olhos à “Montanha”, impele-nos a olhar, sem medo, o presente e assumir, com alegria, o compromisso com nossa casa comum. Nesse sentido, a terceira bem-aventurança, “Felizes os que choram, porque serão consolados” (v. 5), não deixa de nos surpreender. Pois ninguém espera pelo sofrimento, mas, com certeza, desejam que as relações o façam sentir-se feliz. Contudo reconhecemos que as relações humanas, quando sustentadas na ótica patriarcal, androcêntrica e mercantil, desumanizam-nos. O risco é acreditar que é “normal” ser forte, dominador e intolerante com os outros. Diante dessa realidade, Jesus nos diz “que felizes são os que choram…”, porque, ao não concordarem com essa forma cruel de entender as relações, sofrem. Mas a dor que se padece buscando outras formas de se relacionar conduz às profundezas da vida. E é tocando nossas profundezas que ressurgimos mais humanos. Dessa forma, essa bem-aventurança de felicidade podemos interpretá-la em nossa atualidade com o seguinte significado: que felizes os que choram diante da dolorosa realidade de exclusão, marginalização, violência, pobreza, injustiça e destruição da casa comum. Porque quem sente a dor do mundo não aceita sua degradação. Que felizes são eles porque não se conformam com os sistemas injustos, os devaneios mercantis e a crescente violência. Porém ousam denunciar e buscar alternativas de vida digna. A partir desse choro é que se encontra a alegria de Deus. Essa bem-aventurança descreve muito bem a Jesus, por isso quem quer ser seu discípulo terá de abraçar esse mesmo caminho de felicidade. As palavras não existem no vazio. Têm uma história inscrita nas experiências de quem as usa: “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (v. 6). Os evangelhos narram que Jesus ia de um lugar a outro, pregando a Boa-Nova. Nessas viagens, com certeza, experimentou a fome e a sede. Além do mais, na Palestina antiga, as condições geográficas e econômicas propiciavam estados de fome e sede extremas. Algo incompreensível nas sociedades atuais, sobretudo as de cunho ocidental. De modo que a fome dessa bem-aventurança não se pode compreender como aquela que se sacia comendo um petisco ou bebendo um refrigerante. Pois se trata daquela fome de quem, durante toda a sua vida, não comeu o suficiente para satisfazer-se. Essa bem-aventurança nos coloca, assim, diante da pergunta: qual é a intensidade real do desejo de justiça que nos anima? Até que ponto estamos dispostos a assumir o compromisso que a justiça demanda Entretanto nos cabe arriscar a diferença entre o conceito antigo e atual de justiça. No antigo Israel, a justiça concebia-se como sendo o valor mais elevado da vida. Sobre tal valor toda a vida se sustentava. Desse modo, a justiça era a base da paz e da benção. Na sociedade atual, porém, a justiça se resume em dar a cada parte o que as leis determinam. Notemos que essa bem-aventurança é exigente e radical, uma vez que não fala de desejar um pouco de justiça atual, mas de desejar a total justiça bíblica. A bem-aventurança em sequência, “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (v. 7), requer pouca explicação, pois suas palavras são já um grande ensino. Dessa forma, basta-nos dizer que a misericórdia é muito mais que sentir piedade do outro. Trata-se da capacidade de nos adentrar no outro, a tal ponto de podermos ver com seus olhos, pensar com sua mente e sentir com seu coração. Numa sociedade individualista, essa bem-aventurança é uma grande luz, pois nos desafia a sair da falsa bondade e do conforto para identificar-nos com o outro. Dessa forma, podemos interpretar essa bem-aventurança como “que feliz é a pessoa capaz de entrar nos outros e sentir com eles, pois sentirá o mesmo dos outros e de Deus!”. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (v. 8). Entendemos que ser puro de coração é aquele que não pratica o mal e cujas intenções são íntegras. Advirtamos que não se trata de viver numa falsa modéstia, mas de identificar-se com Deus e seu projeto. De tal modo, podemos ler essa bem-aventurança assim: “que feliz é a pessoa cujas motivações são completamente puras, porque ela verá a Deus!”. Em consonância está a seguinte bem-aventurança: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (v. 9). No hebraico, paz (shalom) significa tudo aquilo que contribui ao bem-estar integral do ser humano. Portanto essa bem-aventurança não é a aceitação passiva de qualquer situação; antes, é denúncia do mal e promoção da paz. A seguir, temos duas bem-aventuranças cujo tema é a perseguição por causa de Cristo: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, dizerem todo o mal contra vós por causa de mim” (vv. 10-11). Como se pode perceber, os seguidores de Jesus estão sempre em conflito com um mundo que rejeita sua mensagem (Jo 16,2-4.8-11.20.33;17,14-16). Jesus não oculta a conflitividade de quem assume o projeto do Reino, porém procura transmitir um modo de vida que produz alegria e prazer: “Alegrai-vos e regozija-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (v. 12). A dinâmica egocêntrica leva a acumular e possuir para, assim, resistir à insegurança da vida. Entretanto, o dom de Deus inspira e motiva a pessoa para que esta se assemelhe a Ele e apreenda a relacionar-se gratuita e generosamente, como Jesus o fez. Pois quem vive para os outros vive para Deus. Enfim, o

À luz do Evangelho Dominical

O evangelho deste domingo, retirado de Lucas (17,11-19), começa mostrando uma dolorosa realidade no tempo de Jesus e também hoje: o drama das pessoas excluídas, representadas pelos dez leprosos, número que indica grande quantidade. O trecho relata não somente a cura dos dez enfermos, mas a entrega dessas pessoas ao convívio social. Um dos fatos curiosos é que, dos dez resgatados pelo Senhor, apenas um retornou para agradecer. Esse homem era justamente um samaritano, um povo menosprezado. Retornar para agradecer é ato de fé, é conversão, um sinal da vitória da vida sobre a morte. O padre Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, explica que a passagem de Lucas também tem sentido litúrgico, como a celebração da vida e da Eucaristia: um encontro, um pedido de perdão, cantar e dar glória a Deus pela vida, retornar e agradecer: a Eucaristia. Com muita alegria, a Igreja no Brasil celebra também a canonização da Irmã Dulce; a partir de agora, a Santa Dulce dos Pobres. Veja um trecho do documentário “Mãos Carinhosas”, produzido pela Verbo Filmes. No vídeo, a própria santa conta um pouco de sua missão. Imperdível!

II Semana sem Fronteiras

De 30 de setembro a 5 de outubro, a Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo realizou a segunda edição da Semana sem Fronteiras. O tema foi “Descobrindo caminhos para um mundo de justiça e bem comum”. A proposta da Semana sem Fronteiras é reconhecer e unir em torno do carisma missionário as quatro escolas localizadas em diferentes Estados (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). O carisma nos ajuda a entender que nada deve nos separar e que construir pontes deve ser a nossa grande missão. Por esse motivo, as irmãs servas do Espírito Santo estão presentes em todos os continentes e em quase 50 países, para nos ajudar a entender que, para fazer o bem, não devemos impor limites e precisamos estar sempre “em saída”.  Na primeira edição, em 2017, a cada dia, olhamos para um continente e para suas peculiaridades. Neste ano, toda a comunidade educativa, em especial os alunos, foi convidada a voltar o olhar para cinco países, os quais puderam conhecer mais intensamente: Papua-Nova Guiné, Holanda, Indonésia, Etiópia e Venezuela. Realidades variadas em diferentes continentes que se apresentaram cheios de surpresa, curiosidades e peculiaridades. Os resultados de um trabalho feito, desde o início do ano, pelos alunos e professores foram vistos e compartilhados como abertura do Mês Missionário Extraordinário. Pesquisas, arte, criatividade, cultura, dedicação e missão: uma viagem além-fronteiras de descobertas surpreendentes e de aprendizado sobre a atuação das irmãs, bem como questões ambientais, sociais e culturais de cada país proposto. Agradecemos a todos pela segunda edição da Semana sem Fronteiras ter sido um sucesso! Confira os melhores momentos no álbum e, a seguir, conheça um pouco mais dos países: PAPUA NOVA-GUINÉ Ação das irmãs  Em 1899, um grupo formado por quatro irmãs missionárias servas do Espírito Santo foi a Papua-Nova Guiné, com o objetivo de escolarizar e introduzir trabalhos pastorais em paróquias. Atualmente, a missão concentra esforços nas áreas da saúde, educação e trabalhos sociais. As irmãs atuam no processo de evangelização das comunidades, auxiliam os doentes com HIV, além de apoiarem mulheres, jovens e crianças vítimas do tráfico humano.  Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=HcARaxj2B28. Ambiental  É o segundo maior país da Oceania. Apresenta clima equatorial e muitas florestas tropicais com grande biodiversidade. É constituído por várias ilhas, algumas estão sendo submersas devido à elevação das águas oceânicas ocasionada pelo aquecimento global.   Social  A maioria dos habitantes de Papua-Nova Guiné vive abaixo da linha de pobreza. A taxa de mortalidade infantil no país é de 49 para cada 1000 nascidos vivos. Os serviços de saneamento básico são precários e destinados a menos de 45% das residências. O índice de analfabetismo é de 45,8%.   Cultural  Culturalmente, é um dos lugares mais heterogêneos do planeta e com maior diversidade linguística do mundo. Apresenta cerca de 850 línguas diferentes. A religião aborígene é predominante, mas há outras, como o catolicismo e o protestantismo. HOLANDA Ação das irmãs A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada por Santo Arnaldo Janssen em 1889, em Steyl, Holanda, com o auxílio de Madre Maria Helena Stollenwerk e Madre Josefa Stenmanns, duas mulheres de fé que hoje são reconhecidas pela Igreja como bem-aventuradas. Ambiental Conhecido mundialmente por suas flores, vacas, moinhos e diques, o país se destaca por proteger a natureza, cuidar do meio ambiente e atender aos ditames ambientais. A fim de evitar atropelamentos, diversos “ecodutos” foram construídos em locais que têm estradas próximas a hábitats, para que animais atravessem com segurança. Para diminuir a quantidade significativa de emissão de gases causadores do efeito estufa, as bicicletas constituem o principal meio de transporte interno.    Social O sistema educacional holandês está entre os melhores do mundo. O governo mantém escolas públicas e financia instituições privadas. O sistema penitenciário é praticamente inexistente no país, graças aos índices baixíssimos de criminalidade.    Cultural  Os Países Baixos detêm a maior concentração mundial de museus por habitante. Lá pessoas com boa situação financeira dificilmente têm empregadas domésticas. Cada um cuida da própria casa, sendo de classe baixa até média alta. E, diferentemente do Brasil, não existem cachorros de rua na Holanda. ETIÓPIA Ação das irmãs As missionárias servas do Espírito Santo atuam em vários países do continente africano. Na Etiópia, estão desde 1994, quando foram para trabalhar nas áreas da saúde, educação e assistência social. A ação das irmãs nessa região está voltada para o acolhimento de crianças com trajetória de rua, para a catequese, para o desenvolvimento de programas de prevenção da aids e emancipação das mulheres, para o diálogo ecumênico entre católicos e ortodoxos, etc.    Ambiental O país tem algumas reservas conhecidas de metais preciosos e outros recursos naturais, como ouro, potássio, gás natural, cobre e platina. Além de todas essas riquezas, existe também um vasto potencial para a geração de energia hidrelétrica. No entanto o país sofre com secas periódicas e apresenta a mais alta temperatura média do planeta.   Social A Etiópia é o segundo país mais populoso do continente africano e um dos mais pobres e com problemas de abastecimento de comida do mundo. Apresenta economia centrada majoritariamente no setor primário, com destaque para a agricultura. Quase metade da população vive abaixo da linha da pobreza, o que se agrava com as elevadas desigualdades sociais e a falta de investimentos em infraestrutura, educação e saúde.    Cultural Protegida como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, a República Democrática Federal da Etiópia tem raízes africanas, muçulmanas, judaicas e cristãs. Para os etíopes, comer é um ato que deve ser realizado coletivamente. Existem noventa línguas faladas na Etiópia, mas a predominante é a amárica. Os outros idiomas falados no país são originados das línguas afro-asiáticas, dos ramos cuchítico ou semítico. VENEZUELA Ação das irmãs As irmãs missionárias servas do Espírito Santo não estão presentes fisicamente nesse país, contudo reconhecem a necessidade e o compromisso missionário com nossos irmãos venezuelanos diante das necessidades que esse povo vem enfrentando, acolhendo-os no Centro de Integração do Migrante (CIM), em São Paulo-SP.    Ambiental A Venezuela é um país conhecido

Em missão até os confins da terra

Sinto muita alegria em acompanhar a missão de minha congregação até “os confins da terra”. Essa é uma expressão forte que aparece nos Atos dos Apóstolos, quando Jesus ressuscitado se despede dos discípulos e se eleva ao céu: “Recebereis uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). Compreendo que essa palavra de Jesus se realiza na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, pois é na força do Espírito de Deus que somos enviadas aos lugares mais desafiadores e às situações humanas mais difíceis, para testemunhar o amor de Deus. Quando a Congregação foi fundada, nossas primeiras irmãs eram pessoas simples, mas de uma fé e coragem capaz de enfrentar qualquer obstáculo. Para se ter uma ideia, fomos fundadas em 1889, em Steyl, na Holanda, e, em 1895, foram enviadas as primeiras irmãs para a Argentina e, em 1897, para o Togo. Em 1899, já estávamos em Papua-Nova Guiné. Em seguida, fomos para os Estados Unidos (1901), Brasil (1902), China (1905) e Japão (1908). Em menos de 20 anos, alcançamos os cinco continentes. Essa expansão da presença missionária continuou e, até hoje, procuramos estar nos locais onde a vida se encontra mais ameaçada. Atualmente estamos em 50 países, buscando responder aos apelos da realidade do povo ao qual servimos. Em nossos encontros internacionais, temos o privilégio de ouvir a partilha de nossas irmãs de tantos lugares diferentes, com suas culturas e tradições. Viver a comunhão na diversidade é possível, e somos testemunhas disso. Em nossas comunidades, estamos cada vez mais misturadas: europeias, asiáticas, americanas e latino-americanas, africanas e até da Oceania. Nosso compromisso com a vida assume diferentes expressões em cada país e em cada continente. De modo geral, desenvolvemos serviços em quatro áreas principais: educação, saúde, socioassistencial e pastoral. Na educação, as irmãs trabalham, dependendo da realidade onde estão, em escolas próprias ou governamentais, da educação infantil ao ensino médio, e, em alguns locais, também em universidades. Na Ásia e na África, empenham-se muito na alfabetização de adultos e na educação das mulheres e meninas. Atendem também em creches, internatos, orfanatos, residências para estudantes e refeitórios. Na educação, ajudam a preparar pessoas para um futuro melhor. Também estamos muito presentes na saúde hospitalar, maternidades, clínicas, centros de reabilitação, centros de saúde natural e complementar, atendimento domiciliar para enfermos e idosos, clínicas itinerantes, lares para idosos, cuidados com portadores do HIV/aids, hansenianos e outros. O cuidado com a saúde é uma forma de entrar em diálogo com as pessoas de todas as religiões e culturas e ser sinal do amor e misericórdia de Deus. Na área assistencial, serviço social, defesa e promoção de direitos, há uma grande variedade de serviços que as irmãs prestam. Estes vão desde o cuidado pastoral até a luta pelos direitos humanos e combate à violência. Também há ações de justiça restaurativa, pastoral carcerária, contra o tráfico humano e em socorro às vítimas desse crime, trabalho com migrantes, refugiados, mulheres prostituídas, camponeses, povos indígenas, aborígenes e minorias étnicas. Além disso, existem outras frentes ligadas à justiça, paz e integridade da Criação, e na Vivat Internacional. Sempre está presente o cuidado com crianças, especialmente as que estão em situação de maior vulnerabilidade, a promoção da mulher, projetos de desenvolvimento social e de geração de renda para excluídos e marginalizados. Na pastoral, as irmãs no mundo inteiro atuam nas paróquias e comunidades de base, na catequese, apostolado bíblico, retiros de espiritualidade, formação de lideranças, pastoral da juventude, vocacional, apostolado familiar, meios de comunicação social, diálogo inter-religioso e outros. Agora que você já tem uma ideia do que fazemos, convido a fazer uma breve excursão pelo mundo e ver onde são os confins da terra em que estamos presentes como missionárias servas do Espírito Santo. África No continente africano, temos comunidades nos seguintes países: Angola, Botsuana, Etiópia, Gana, Togo, Benin, Zâmbia, Moçambique, África do Sul e Sudão do Sul. Neste último, por causa da guerra e do assassinato de uma de nossas irmãs, temos apenas irmãs em projetos intercongregacionais. Américas Além do Brasil, nossas irmãs estão na Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile, Equador, Cuba, México, Estados Unidos, Antígua e Barbuda, Jamaica, São Cristóvão e Névis. Ásia Estamos no Extremo Oriente: Índia, Indonésia, Timor Leste, Japão, Coreia, Filipinas e Taiwan. Atualmente, na Ásia, temos o maior número de vocações, embora os cristãos sejam minoria. Oceania Papua-Nova Guiné foi uma das primeiras missões das irmãs, mas estamos também na Austrália e em Fidji. Europa Além da Holanda, onde fica nossa Casa-Mãe, em Steyl, e várias outras comunidades, estamos também na Alemanha, Áustria, Inglaterra, Irlanda, Itália, Romênia, Moldávia, Suíça, Polônia, Rússia, Eslováquia, República Checa, Hungria, Espanha, Portugal, Ucrânia e Grécia, que é a última fundação e onde as irmãs se dedicam ao trabalho com migrantes e refugiados. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

À luz do Evangelho Dominical

Neste domingo, o Pe. Fábio Pires, missionário do Verbo Divino e especialista em Bíblia, apresenta-nos Jesus seguindo seu caminho missionário, ensinando os discípulos (Lc 17,5-10). Jesus fala do poder da fé. Mesmo que a fé seja tão pequena quanto um grão de mostarda, é suficiente para realizar “coisas profundas, extraordinárias e libertadoras”. Ter fé é entrar no domínio de Deus, numa atitude de disponibilidade no serviço gratuito. É estar a serviço do próprio Deus, a quem devemos tudo, nossa vida e tudo o que faz parte de nossa existência. Jesus conta a parábola de um servo que realiza o trabalho da casa e do campo, cumprindo o que deve fazer. Por isso o serviço a Deus e ao próximo não deve ser considerado fonte de mérito, mas sim a realização daquilo que somos chamados a ser. E você? Como está a sua fé? Ela já alcançou o tamanho da semente da mostarda? E como vai sua disposição para servir? Assista ao vídeo e medite o Evangelho. Jesus tem uma mensagem especial para você!

Abertura do Mês Missionário Extraordinário

No dia 1º de outubro, junto com toda a Igreja, demos início ao Mês Missionário Extraordinário. No Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, os alunos do Curso de Teologia para Leigos e as irmãs da comunidade fizeram uma breve, mas significativa celebração de abertura, a fim de marcar este importante período. As cinco turmas do curso se concentraram na entrada do Convento e, cantando, caminharam para a varanda do Centro Missionário. Eles levaram alguns símbolos: a bandeira com a frase “Batizados e enviados”, a Cruz Missionária, a Bíblia, o globo e a vela. Alunos e irmãs se distribuíram na varanda, enquanto membros da equipe do curso com as pessoas que levavam os símbolos ficaram no jardim, bem ao centro, de modo que todos podiam vê-los. Os padres Oswair Cavalheiro, coordenador da Comissão Missionária Diocesana de Santo Amaro (Comidi), e Francisco das Chagas, ambos da equipe de coordenação do curso, fizeram uma breve introdução sobre a importância do Mês Missionário. Eles lembraram Santa Terezinha e São Francisco Xavier, padroeiros das missões. Os presbíteros também convidaram todos a rezarem juntos a oração do Mês Missionário. A celebração foi uma surpresa para os alunos que, já na entrada, foram recepcionados na porta da capela com um banner sobre o Sínodo da Amazônia e um arranjo com os símbolos missionários. Após a oração, todos foram para suas respectivas salas, para dar continuidade às aulas de Bíblia, Mariologia, Sacramentos, Cristologia, Teologia Moral e Doutrina Social da Igreja. O curso está com aproximadamente 200 alunos. A primeira turma já está preparando a formatura, marcada para dezembro, após três anos de estudos nas terças-feiras à noite. Um dos alunos, Sérgio Mauro Antunes, disse que a celebração de abertura do Mês Missionário Extraordinário no Curso de Teologia motivou a responder ao pedido do Papa Francisco, de sempre seguirmos as palavras de Jesus: “Ide e fazei discípulos todos os povos”. Entusiasmado, Sérgio afirmou: “Devemos ser multiplicadores da palavra de Jesus, da Boa-Nova, espalhando e distribuindo sempre o seu amor. E a celebração antes da aula fez nos lembrar exatamente disso”.

Vem aí a Capela Missionária Virtual

Junto com o Mês Missionário Extraordinário, que começa no dia 1º de outubro, vamos lançar a Capela Missionária Virtual, um espaço de espiritualidade e oração, mas também de compromisso com a missão da Igreja no Brasil e no mundo. A criação da Capela Missionária é uma das ações das missionárias servas do Espírito Santo para responder ao apelo do Papa Francisco em despertar uma maior consciência da missão ad gentes “e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. De fato, nós, como missionárias, fazemos parte da missão ad gentes, isto é, da missão além-fronteiras, porque somos uma congregação intercultural e internacional, presente em cerca de 50 países nos cinco continentes. Nesse sentido, a capela missionária é uma forma de partilharmos nossa espiritualidade e carisma missionários e dar a conhecer significativas experiências de missão aqui no Brasil e em outros países. Mas o que vem a ser a Capela Missionária Virtual? Em primeiro lugar, um espaço de oração voltado para as grandes necessidades do mundo atual e das pessoas concretas em suas lutas e sonhos por uma vida melhor. Como é virtual, não importa onde você esteja. Poderá acessá-la pelo celular, computador ou tablet, visitar nossa capela e rezar conosco a partir de um coração missionário. A Capela Missionária vai oferecer vários tipos de oração, como a leitura orante do Evangelho do dia, a oração do terço missionário, as intenções missionárias para cada dia e outras baseadas em nossa espiritualidade e na vida da Igreja. Basta conectar-se conosco e abrir-se à ação do Espírito Santo. Além de poder rezar pelas situações que atingem a humanidade e por todos os que necessitam de preces, também será possível pedir orações e, simbolicamente, acender uma vela nas intenções desejadas. Cada pedido receberá as preces de nossas irmãs das comunidades do Convento Santíssima Trindade, Santana e outras. Nós levaremos os pedidos e intenções também para a celebração da missa e nossas orações comunitárias. Um dos objetivos da Capela Missionária é ser um espaço de missão on-line, com algumas irmãs disponíveis para dialogar e interagir com as pessoas que entrarem em contato. Nossa intenção é responder a todos, oferecendo apoio, consolo, ânimo e orientação espiritual aos que o desejarem. E, como o nome já diz, trata-se de um espaço de abertura para o mundo e de encontro do diferente, de conhecimento de outras realidades. Será um convite para alargar o coração até os confins do mundo e acolher nossos irmãos de outros povos, culturas e línguas. Na Capela Missionária haverá muitas formas de interagir, até mesmo de participar da missão e apoiar obras missionárias concretas, cada pessoa segundo suas possibilidades e apelos que sentir dentro de si. Em breve, estaremos no ar e convidaremos você para fazer parte dessa nova comunidade missionária. Vamos começar aos poucos, ampliando a cada dia os conteúdos e oportunidades para nos aprofundar na fé e nos comprometer com a missão. Contamos com você. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______

O encontro com a felicidade (Mt 5,1-12; Lc 6,20-23)

O relato das bem-aventuranças encontra sua versão em Mateus e Lucas. Estudiosos concordam que não se trata somente de um sermão, que Jesus tenha pregado em uma ocasião concreta. Antes, é o resumo dos ensinos que, em diversas oportunidades, Ele ministrara a seus discípulos. Portanto, no trecho das bem-aventuranças, encontra-se o essencial dos ensinamentos de Jesus. De tal modo, todo seguidor de Jesus precisar abraçá-las como programa de vida. Quando Jesus anuncia as bem-aventuranças, o que faz, na realidade, é descrever sua própria vida. Uma vida identificada com os desejos dos pobres, dos que carecem do indispensável para viver com dignidade. Por isso sua vida atraiu e atrai multidões. Nesse tratado, o surpreendente é Jesus colocando que o que nos faz mais felizes é aquilo que, ao “simples olhar”, parece nos fazer mais míseros. Pois a pobreza, o sofrimento, ter fome e sede de justiça, ser perseguido e insultado (Mt 5,1-12; Lc 6,20-23) é muito difícil de suportar. Onde está, então, a chave da felicidade nesse tratado Nesta breve reflexão, tentaremos responder a essa questão. Mas, antes de continuar, recomendamos a leitura do texto de Mateus (5,1-12), o qual será comentado a seguir. Notemos, logo na introdução, três importantes chaves de leitura: “Subiu à montanha e, sentando-se, começou a ensinar”; “E pôs-se a falar”; “Ensinava-lhes, dizendo”. No Antigo Testamento, a montanha evoca o lugar do encontro com Deus (Êx 19,3.10-18; 20,1-18). O gesto de sentar-se era comum aos rabinos quando ministravam seus ensinamentos. Nesse marco, a postura de Jesus para ensinar pode dizer da importância do caráter essencial de sua doutrina. “E pôs-se a falar”; a tradução mais exata é “abriu a boca”. Essa expressão, entre outros sentidos, significa abrir o coração. Abrindo seu coração, Jesus mostra os conteúdos mais íntimos àqueles que seriam seu braço direito no cumprimento da missão. “Ensinava-lhes, dizendo”. O verbo “ensinava” está no imperfeito e, portanto, descreve uma ação habitual, repetida de Jesus; entende-se que Jesus ensinava continuamente. Observemos que cada bem-aventurança tem a mesma forma: “Felizes os…”. Estudiosos concordam que, no grego, falta o elo que, em nossas traduções comuns, une cada ditado. Isso se deve a que Jesus as pronuncia em aramaico-hebraico. No Antigo Testamento, é comum encontrar uma expressão, em forma de interjeição, e que significa: “Que feliz é…!” (Sl 1,1). Essa é a mesma forma que Jesus usa nas bem-aventuranças: “Que feliz é o pobre de espírito…!”. É muito importante ressaltar essa forma, porque significa que as bem-aventuranças não são piedosas exclamações de esperança de um possível futuro, mas são de alegria e encanto por algo que já existe. São felicitações no agora, certamente alcançarão a plenitude na eternidade. Ao falar da felicidade, não podemos ignorar o desejo, pois nele se encontra a chave da felicidade. Aquele que cobiça e deseja aquilo que não pode alcançar na presente ordem das coisas, aos poucos, submerge-se na amargura, ressentimento e violência. Por outro lado, aquele que orienta suas vontades e desejos pelo bem da felicidade dos outros, esse é quem alcança a felicidade na presente ordem das coisas. De fato, é demonstrado que as pessoas que se preocupam com os demais, as pessoas que lutam para que, neste mundo, haja menos carências, menos injustiças, menos violências e mais paz, justiça e perdão são mais felizes. Pelo contrário, aqueles que se preocupam tão somente com elas mesmas se afundam no egoísmo e na infelicidade. Os desejos de Jesus se identificam sempre com os anseios dos pobres, dos doentes, dos excluídos… Por isso, multidões seguiam Jesus (Mt 4,23-24; 8,16-17; 9,35; Lc 4,18-21; 4,40-41; 6,17-19). Sem pretensões de “rebaixar” o projeto de Jesus para que cada um tome o que queira, o que buscamos é propor um apelo a subir ao monte, contemplar Jesus e escutar dele como viver nossas relações humanas. Pois, em nossa contemporaneidade, parece irreconciliável individualidade e compromisso social. A sociedade de consumo nos faz acreditar que satisfará tudo e todos, porém o que falaciosamente faz é identificar a felicidade com o estar saciado. Nessa dinâmica perniciosa, a saciedade é a prisão do desejo. Cabe aqui perguntar-se: qual é meu desejo? É interessante que se comece a falar da felicidade dizendo: “Que felizes são os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (v. 3). Devemos deixar claro que Jesus não elogia a pobreza material. Ele sempre esteve contra essa classe de pobreza que esmaga pessoas e povos. Jesus elogia os pobres no espírito, isto é, os que reconhecem sua condição humana limitada diante das exigências da vida e colocam em Deus toda sua confiança. O “pobre no espírito” é quem compreende que nenhuma coisa satisfará seu desejo mais profundo, mas somente Deus. E, portanto, faz a vontade de Deus, tornando-se, assim, feliz cidadão do Reino de Deus. “Felizes os mansos porque herdarão a terra” (v. 4). Em grego, a palavra praus é equivalente a “manso”, e era de um significado elevado na ética. Aristóteles explicou a virtude como o meio-termo entre dois extremos. A virtude da mansidão era então o meio-termo entre muita ira e pouca ira. Entende-se então que é feliz o cristão que, diante da agressão, dos insultos à sua pessoa, não reage com agressividade, porém, quando os outros são ofendidos, ele manifesta indignação. Outro significado para praus é “domesticado”. Quando o animal tinha sido treinado para obedecer ao dono, era tido como manso. Nesse marco, pode dizer-se que é feliz a pessoa que sabe dominar suas paixões e desejos, pois têm domínio sobre eles. A atual sociedade se arroga por “liberdade”, porém, muitas vezes, estamos prisioneiros de nossas paixões. É imperativo, portanto, sempre se perguntar: sou eu a governar minhas paixões e desejos ou são eles a me governar Chama-me a atenção como as redes sociais concorrem por ocupar o centro de nossa vida. Parece que conhecem nossos gostos e se interessam por nossos sentimentos e pensamentos. Como elas, há outros mecanismos que que buscam é exaltar nosso ego. Mas Deus nos quer felizes e nos convida a sê-lo: “Felizes os mansos…”. O texto das bem-aventuranças

Declaração de apoio ao Cimi

A Vivat Brasil, rede de congregações religiosas filiadas à Vivat International, fiel à sua missão de: • trabalhar com pessoas e grupos que vivem em qualquer tipo de pobreza e compartilhar seus esforços para a restauração e preservação do bem-estar, dignidade e liberdade; • promover os direitos humanos; promover o desenvolvimento sustentável, a compreensão e a harmonia entre povos, culturas, classes, religiões e crenças; esforçar-se pela criação de uma sociedade mundial e comunidades locais que incentivem a inclusão e participação de todos; • trabalhar pela sustentabilidade ecológica, a proteção da biodiversidade e a preservação da riqueza do planeta para as gerações futuras, Manifesta sua solidariedade aos povos indígenas que, na atual conjuntura do País, estão enfrentando perseguições e desrespeito de seus direitos, com o assassinato de vários de seus representantes; invasão de seus territórios por fazendeiros, grileiros, madeireiros, garimpeiros e hidronegócios, destruição de seu meio ambiente por agrotóxicos e incêndios criminosos, e extinção de políticas públicas favoráveis à preservação ambiental, demarcação de suas terras e órgãos de apoio e proteção. Da mesma forma, a Vivat Brasil apoia o Sínodo da Amazônia como um dos processos participativos em que a Igreja Católica mais se pôs à escuta dos povos indígenas e de seus clamores. Somente poderemos defender a vida, a Amazônia e todos os outros biomas por meio do protagonismo indígena e das comunidades e povos tradicionais, no respeito de sua autodeterminação e aprendendo seu estilo de vida e relação com a inteira Criação. Por isso fazemos nossas as denúncias apresentadas pela XXIII Assembleia-Geral do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, realizada de 9 a 13 de setembro de 2019, em Luziânia-GO, com o tema “Em defesa da Constituição, contra o roubo e devastação dos territórios indígenas”. Em âmbito internacional, busquemos também apoiar, como propõe o Cimi, as iniciativas que sancionam produtos brasileiros quando produzidos ilegalmente em terras indígenas e à base de práticas criminosas, como as queimadas, invasões, arrendamentos e grilagens. Portanto, como expressão de compromisso e apoio, solicitamos a todos os membros das congregações filiadas à Vivat International e à Vivat Brasil bem como a seus simpatizantes e apoiadores que divulguem em suas redes sociais e contatos esta Declaração de Apoio e o Documento Final da XXIII Assembleia do Cimi, que transcrevemos a seguir. Participam de Vivat International as seguintes Congregações: • Sociedade do Verbo Divino • Missionárias Servas do Espírito Santo • Congregação do Espírito Santo • Irmãs Missionárias do Espírito Santo • Missionários Combonianos • Missionárias Combonianas • Irmãzinhas da Assunção • Irmãs da Santa Cruz • Missionárias Scalabrinianas • Missionários Dehonianos • Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo • Oblatos de Maria Imaculada • Irmãs do Santo Rosário Veja, na íntegra, o Documento Final da XXIII Assembleia-Geral do Conselho Indigenista Missionário – Cimi.

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