Festejos populares em tempos de pandemia nas escolas

Mesmo em meio à pandemia e às necessidades de isolamento e manutenção de protocolos, as escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo não pouparam esforços para realizar as tradicionais festas juninas. Seja de modo virtual ou presencial, com obediência a rígidos protocolos, não deixaram de oferecer a crianças e jovens essas vivências tão importantes da cultura popular brasileira. A prática dos festejos populares juninos está alinhada à competência três da BNCC, a Base Nacional Comum Curricular: “Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural”. Mas, qual é a importância dessa competência? Por que participar e conhecer as manifestações culturais e locais se faz tão necessário? Em tempos pandêmicos, nos quais a angústia e a incerteza predominam, qual a importância de se manter esses festejos, mesmo que de forma reinventada e auxiliada pelas tecnologias da informação e da comunicação? Primeiramente, vamos relembrar as origens dos festejos juninos, que vêm de festas pagãs das antigas civilizações, ligadas aos ciclos da natureza, às estações do ano, sobretudo nos períodos de plantio e de colheita. No século XVI, as festas “joaninas” foram trazidas pelos portugueses durante o período de colonização, em referência a São João. Com o correr dos anos, passaram a ser chamadas de festas juninas, por ocorrerem durante o mês de junho. É tradição em todo o País, principalmente no Nordeste. Atualmente, são consideradas festividades mais populares que religiosas, associadas a símbolos típicos de zonas rurais. Buscando explicação em estudiosos que pesquisaram a cultura, a educação e o desenvolvimento, podemos extrair alguns importantes significados para o trabalho com a diversidade cultural e sua vivência no ambiente escolar. Pierre Bordieu (citado por SILVA, s.d.) afirma que “a cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última […] uma não pode ser pensada sem a outra”, portanto atividades que tragam não somente a cultura erudita para dentro da escola, mas a multiculturalidade presente em nossa sociedade revelam o potencial de uma educação mais democrática e inclusiva. Reuvem Feuerstein, professor e psicólogo israelense, influenciado por Vygotsky, que criou a teoria da experiência da aprendizagem mediada, afirmava que o ser humano é dotado de estruturas mentais que lhe garantem a capacidade de aprender, porém a falta da apropriação de sua própria cultura (privação cultural) afetará negativamente suas capacidades cognitivas. Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano, tem realizado encontros virtuais nos quais ressalta o papel da arte e da cultura como antídoto aos danos emocionais gerados pela pandemia, as restrições e perdas impostas por ela. Nasci e cresci em um bairro pequeno de Belo Horizonte, com características de cidade de interior. Minha infância e adolescência foram marcadas por quermesses e festas de rua, incluindo as juninas, às quais tínhamos acesso com muita liberdade e segurança. Hoje, nossas crianças e jovens quase não têm acesso a esses eventos e manifestações populares fora da escola. A cidade já não oferece tantas oportunidades. Acentua-se o papel da escola como agente de mediação cultural, valorizando a enorme diversidade presente em nosso País, humanizando e formando cidadãos preparados para viver em sociedade e serem agentes de transformação, que contribuem para uma cultura de paz, respeito e valorização da diversidade. Ana Amélia Rigotto FernandesDiretora educacional do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG. ReferênciasSILVA, Jididias Rodrigues da. A importância da cultura no processo de aprendizagem. Brasil Escola, São Paulo, s.d. Disponível em: Brasil Escola. Acesso em: 4 jul. 2021. SOUZA, Natalício de. A mediação da aprendizagem segundo Reuven Feuerstein. Revista Brasileira de Educação Básica, Belo Horizonte, v. 4, n. 14, 2009. Disponível em: Revista Brasileira de Educação Básica. Acesso em: 4 jul. 2021. VEIGA, Edison. Festa junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e ‘caipira’ no Brasil. BBC News Brasil, 18 jun. 2021. Disponível em: BBC News. Acesso em: 4 jul. 2021.

Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

“E vocês, quem dizem que eu sou?”(Mateus 16,13-20) O texto é a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (8,27-35) coloca como pivô de todo o seu Evangelho. O trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que é ser discípulo, discípula dele? São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira de meu seguimento dele. Depois de Jesus interrogar duas vezes os discípulos, o texto de Mateus acrescenta os versículos 17 a 19, pois quer destacar o papel de Pedro (e, por conseguinte, dos líderes de sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que, nos Evangelhos, somente aqui e no capítulo 18, é chamada de “Igreja”. “As chaves do Reino” não se referem aqui ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos. O fundamento, o alicerce, a pedra fundamental dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “quem é Jesus?” e “o que significa segui-lo?”, pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça. Por isso, Jesus toma uma atitude aparentemente estranha: “Ele ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias!”. Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fale a verdade sobre ele! Como é que ele espera atrair discípulos desse jeito? O assunto merece mais atenção.Realmente Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”. Pois cada um pode entender esse termo conforme os seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias”, para ele, é ser o “Servo do Senhor”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas e econômicas, enfim, com a classe dominante de seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então. Pedro teve de aprender essa exigência do discipulado, de uma maneira lenta e dolorosa, passando até pela negação de Jesus na noite de sua prisão. Aprendeu tão bem que chegou a dar a sua vida como mártir, também morrendo, conforme a tradição, em uma cruz, no Circo de Nero, em Roma, onde atualmente se localiza a Basílica que traz o seu nome. Aprendeu, a duras penas, ser discípulo de verdade e cumprir a missão que recebeu de Jesus na Última Ceia: “Eu rezei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando tiver voltado para mim, fortaleça os seus irmãos”(Lucas 22,32). Aqui temos o essencial do ministério petrino, continuado no Papa: confirmar e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. A Igreja sempre deve zelar que acréscimos históricos, mais adequados a monarcas do que a discípulos, não escondam essa missão essencial. Hoje, de maneira especial, devemos rezar por nosso querido Papa Francisco, que continua essa missão petrina, testemunhando à Igreja e ao mundo a misericórdia de Deus, e a missão da Igreja de ser também uma Igreja Serva, seguindo o exemplo do Mestre. Por isso, como o próprio Senhor, ele enfrenta grave oposição dentro e fora da comunidade eclesial, quando desafia todos a seguirem o exemplo de Jesus e doarem a vida em favor de um mundo fraterno e justo. Os detentores do “poder-dominação” nunca aceitam uma visão do “poder-serviço” que Jesus pregou e que o Papa Francisco encarna. Paulo, que, durante os seus primeiros anos da vida adulta, perseguia os discípulos, também teve a graça da conversão, chegando a afirmar que não queria saber nada a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado (1 Coríntios 1,2). Ele também pagou com a vida essa decisão pelo discipulado. Em nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus light, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para que clarifiquemos em que Jesus acreditamos. O Jesus quebra-galho, que existe para resolver os meus problemas pessoais, tão propagado por setores da mídia e por diversos movimentos e pregadores, ou o Jesus bíblico, o Servo do Senhor, que veio para dar a vida em favor de todos? Como sucessor de Pedro, o Papa Francisco nos demonstra, em palavras e gestos, que seguir Jesus exige opções reais em favor dos que mais sofrem. Que a celebração de hoje não seja de um triunfalismo sectário anacrônico, mas de uma renovação do nosso compromisso como discípulos-missionários de Jesus de Nazaré, ao exemplo de Pedro e Paulo. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

III Missão sem Fronteiras: “Daqui só se leva o amor”

Nos dias 25 e 26 de junho, realizamos a terceira edição do projeto Missão sem Fronteiras. Com o tema “Missão sem fronteiras, diversidade e respeito”, o encontro ocorreu por meio da plataforma Zoom e contou com membros dos colégios da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. O evento reuniu cerca de cem participantes, incluindo, jovens, educadores, coordenadores, diretores dos colégios, educadores e as irmãs missionárias do Brasil e da Argentina. O Colégio Stella Matutina, de Juiz de Fora-MG, foi a escola anfitriã desta edição. A abertura foi marcada pela calorosa acolhida da provincial, irmã Maria Percila Vieira, da irmã Maria de Fátima Marques, da equipe gestora do Colégio Stella Matutina e dos coordenadores da Pastoral Missionária. Foi destacada a experiência dos projetos sociais que os colégios realizam com o protagonismo dos alunos. Sob o olhar amoroso de Santo Arnaldo Janssen e da espiritualidade trinitária, a diversidade em harmonia perpassou os momentos de oração e toda a dinâmica do encontro. A professora Virna Braga apresentou uma reflexão sobre “A pobreza na pandemia”, alertando que vivemos numa sociedade estruturalmente desigual, com o crescimento do preconceito e da vulnerabilidade social. A professora Karla Priscilla conduziu uma conversa interativa com o tema “Intolerância em tempos de pandemia nas redes sociais”. O voluntário Bruno, de Juiz de Fora, coroou o momento com o seu testemunho de vida, partilhando sobre o trabalho que realiza com o grupo “Anjos da Rua”. Na conclusão, os desafios foram lançados. Os jovens foram convocados a fazerem a diferença, a ajudar os mais necessitados, a espalharem empatia e solidariedade, com um olhar sem julgamento. Em espírito de gratidão, alguns dos “missionários sem fronteiras” partilham conosco suas impressões do evento. Confira a seguir! “Vou lembrar e levar para a vida toda” Sempre falam que é impossível voltar no tempo, mas eu posso dizer, com toda a certeza, que eu consegui. Poder participar novamente da Missão sem Fronteiras foi uma das melhores coisas que me aconteceram nos últimos tempos. Poder relembrar todas as memórias lá do primeiro encontro, aqui em São Paulo, no Colégio Espírito Santo, e também poder criar tantas outras lembranças. Fiquei muito feliz ao ver que, neste encontro, participaram pessoas que estiveram comigo em 2017 e que compartilharam do mesmo sentimento na época, e agora um sentimento de nostalgia. Em 2021, a missão foi um pouco diferente dos demais anos, de uma forma on-line e com a presença de outras pessoas e escolas, incluindo de fora do Brasil. É isso que é o mais legal desse evento, poder compartilhar histórias, momentos e, no futuro, lembranças, com pessoas que você jamais pensaria que poderia conhecer. Em todas as dinâmicas, conversas nessa missão, você se sentia tão presente no momento, aproveitando cada segundo, que, às vezes, você nem sentia que cada um estava em sua casa. Para mim, este é o intuito do Missão, nos permitir fazer conexões com pessoas de uma forma única, por isso “sem fronteiras”. Agradeço aos professores que me fizeram o convite para participar. E, podem ter certeza, de que esses foram momentos que vou lembrar e levar para a vida toda. Felipe Ingenleuf Joubeir, ex-aluno do Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP “Encorajar e ser encorajado” Missão é um propósito que recebemos assim que ocupamos um lugar no mundo. Para nós, cristãos, esse propósito se torna uma prática que vivenciamos no cotidiano, propagando nossa fé e testemunhando o exemplo de amor deixado por Jesus. Ser missionário então se torna cada vez mais urgente como ideal de vida. O projeto Missão sem Fronteiras é uma oportunidade de experimentar e exercitar nossos sentidos em favor do próximo e de nós mesmos. Encorajar e ser encorajado a participar da comunhão entre realidades distintas e diversas é uma das ações presentes nessa iniciativa. Como educadora missionária, sinto uma gratidão enorme por ter sido convidada e sentir-me escolhida para fazer parte desse grupo que atendeu ao chamado maior em prol da vida humana. Como disse Jesus: “Muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos”. Que possamos realizar muitas e muitas edições da Missão sem Fronteiras com a sensibilidade e o desejo de viver em um mundo mais fraterno e mais humano. Flávia Gino Rodrigues, professora, Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG “Fazer o bem” Participar da Missão sem Fronteiras representa um elo significativo ao fortalecer o vínculo e a interação entre os jovens e educadores das escolas que compõem a Rede de Educação. Momentos únicos e valiosos de espiritualidade, reflexão e aprendizado. Foram dois dias de experiência, nos quais o que prevaleceu foi o fazer o bem. Mesmo que de forma remota, estávamos conectados e envolvidos, aprendendo, compartilhando e ensinando. Valores que ficarão para sempre em nossos corações. Roberta Pimentel Aouila, professora de Língua Portuguesa, Colégio Stella Matutina “Súmula da esperança” Fui convidada a participar da III Missão sem Fronteiras, para propor uma reflexão em um momento de espiritualidade. Desde o convite até o primeiro dia de encontro, meu encantamento crescia a cada vez que eu conhecia mais desse incrível projeto. Todas as emoções prévias se desnudam em um sentimento singular, plena admiração diante da grandiosidade do gesto daqueles mais de cem participantes. A espiritualidade esteve presente desde o momento em que a sala foi aberta, e certamente está, ainda agora, nos corações e nas mentes de todos os envolvidos. Ver os jovens dispostos a partilhar e construir um futuro “unidos na diversidade e no respeito” representou, para mim, a súmula da esperança. Teily Ane Teles de Assis, bibliotecária, Colégio Stella Matutina “Momento de união, respeito e amor” Como foi a Missão sem Fronteiras? Fica até difícil colocar em palavras… Foi um momento de união, respeito e amor. Conheci pessoas incríveis, dei risadas, rezei, sorri; até cantar eu cantei. Reforçou ainda mais o quanto temos de ser gratos por tudo e que devemos sempre buscar o lado bom das coisas. Foi presencial? Não. Mas justamente por ser on-line que conseguimos juntar mais de cem pessoas. Conheci gente até da Argentina! Foi legal demais! Vivemos o verdadeiro significado da

Oração dos tempos utópicos

Ó, Senhor, não permita que eu perca a fé na humanidade.Que meus dons estejam a serviço do bem comum.A Casa Comum, ainda que passageira, seja sustento para a vida de todos.Que cada amanhecer seja pleno de cuidado comigo e com os outros.Que um novo tempo se inaugure todo dia, renovando a face da terra.Nossas mãos sejam expressão inarredável na defesa da dignidade da vida humana.Que sejamos capazes de nos colocar em missão, a serviço da vida.O otimismo, a fé e a esperança não nos deixe cegos diante da dor alheia.A vida em comunidade fortaleça a unidade na diversidade.A beleza e a força da biodiversidade sejam nossa inspiração.Que eu não deseje consumir mais do que o suficiente.Que a forma de produzir não esgote os recursos naturais.Somos UM e, assim sendo, tudo está interligado.Ó, Senhor, que eu tenha a humildade de entender que a vida precisa ser boa para todos.Os problemas socioambientais nos impulsionem a encontrar soluções criativas e sustentáveis.Que o insustentável não permaneça nem seja vitorioso.Que a fé e a ciência nunca desistam uma da outra.Ó Deus, renove nossas forças.Que a justiça reine! Amém! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

O ser humano e o planeta: desequilíbrio ambiental causado por instabilidade mental

Nosso planeta está sofrendo alterações climáticas, e isso é inegável. Quais seriam, porém, as causas que levaram a esse desequilíbrio ambiental? Qual o papel dos seres humanos nesses efeitos? O que acontecerá daqui a alguns anos se tudo continuar desse jeito? Será que isso é reversível? Nesta entrevista com o biólogo e escritor Felipe André Ponce de León da Costa, tais questões serão discutidas. As perguntas foram elaboradas por alunos do Colégio Stella Matutina, de Juiz de Fora-MG, escola da Rede de Educação Missionária Servas do Espírito Santo. É preciso reconhecer que é necessário um mínimo de cuidado com o meio ambiente para não prejudicar a vida do ser humano e também a de outras criaturas. Muitas vezes, não se percebe, mas já estamos sofrendo com a alteração natural de nosso planeta. Felipe vai esclarecer algumas dúvidas, apresentar exemplos, descrever os efeitos do aquecimento global e qual a relação deste com o efeito estufa, e em que a poluição atmosférica poderá influenciar tanto na saúde do ser humano quanto no nosso planeta. __________________________________________ Quais as evidências do aquecimento global?Algumas das evidências mais óbvias e diretas provêm das séries históricas. Em alguns países, como Japão e Inglaterra, há séries históricas com mais de 150 anos de duração. E a tendência em todas elas é a mesma: a temperatura média anual está a subir, notadamente nos anos mais recentes. As mudanças climáticas podem potencializar o efeito da poluição atmosférica sobre a saúde?Sim. Mesmo porque a própria poluição atmosférica tende a crescer com o aumento da temperatura. Aproveito e deixo aqui uma sugestão de leitura: Biologia & mudanças climáticas no Brasil (Editora RiMa, 2008), organizado por Marcos S. Buckeridge. Ver, por exemplo, o capítulo Os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde humana, de Paulo Saldiva. É um texto curto e algo genérico, mas pode servir como uma introdução ao assunto. Outra referência que posso indicar é Aquecimento global (Editora FGV, 1992), organizado por Jeremy Leggett. Ver o capítulo Implicações para a saúde, de Andrew Haines. Também é um texto curto. Em tempo: o trabalho de Haines é citado por Saldiva. Mudanças climáticas e ambientais já causam danos à saúde da população?Sim. E acho que a pandemia em curso é um exemplo dramático do que isso significa. O aquecimento global pode causar eventos climáticos extremos?Já está causando. Secas mais prolongadas, por exemplo, devem se tornar cada vez mais comuns. Isso porque, mesmo que a pluviosidade anual que cai em uma dada região permaneça inalterada, as chuvas devem se concentrar em intervalos ainda menores. O que também significa que as chuvas vão se tornar mais intensas. Como a mudança climática pode afetar a natureza daqui a alguns anos?Elas já estão afetando. E tais efeitos têm sido detectados há vários anos. Por exemplo, mudanças de comportamento de plantas e animais, redução na área de distribuição de muitas espécies, derretimentos de geleiras e diminuição das áreas ocupadas pelo chamado gelo eterno. É realmente possível que, daqui a muitos anos, algumas cidades litorâneas fiquem completamente submersas por conta de derretimento de geleiras?Sim. Mas eu não diria daqui a muitos anos. É importante observar o seguinte: o nível do mar, a exemplo de outros parâmetros (por exemplo, pH dos oceanos), é algo que pode e está a ser monitorado. Outra coisa: estamos aqui a falar no derretimento (já em curso!) das geleiras que se encontram sobre terras emersas, pois o derretimento dos blocos de gelo que já estão dentro do mar não provocaria qualquer elevação. Quais são as maiores companhias poluidoras do mundo?A lista não é pequena. No âmbito das mudanças climáticas, porém, eu elencaria três ramos da indústria: termoelétricas, petroleiras e fábricas de cimento, além das fazendas de gado, sobretudo o bovino. Qual é a contribuição do Brasil nas emissões de gases de efeito estufa?Tradicionalmente, o Brasil é mais um escoadouro do que um emissor de gases-estufa. Entre os fatores que contribuem para isso, estão a extensa cobertura vegetal (florestas removem CO2 da atmosfera) e o modo como o País produz eletricidade (predominam hidrelétricas). Nos últimos anos, porém, a situação piorou muito, pois tanto os índices de desflorestamento como o uso de eletricidade suja (termoelétricas) subiram. Um comentário adicional e paralelo: destruir é sempre muito mais fácil do que construir; assim como errar é muito mais fácil do que acertar. O governo federal não dá provas de que vá construir alguma coisa. Sabemos que a camada de ozônio está sendo deteriorada rapidamente. Além de contribuir para o aquecimento global, quais outros impactos podem ocorrer e, ou, serem agravados com essa degradação constante?O surgimento de um buraco (a rigor, um estreitamento) na camada de ozônio é particularmente preocupante porque sinalizaria para a perda de um filtro planetário contra a entrada de radiação ultravioleta, que é ionizante. A adoção de medidas simples, como suspender o uso industrial dos chamados CFC, anos atrás, teria conseguido refrear o problema. Detalhes podem ser lidos no livro Bilhões e bilhões (Companhia das Letras, 1998), de Carl Sagan. A tecnologia pode ser usada para reverter ou diminuir esse processo?As artes práticas (tecnologia) estão sempre a inventar novidades. E as mudanças climáticas são uma motivação e tanto. Algumas soluções mirabolantes já foram e continuarão a ser apresentadas. Todavia, de um ponto de vista exclusivamente científico, a questão é relativamente simples: precisamos tão somente cortar os níveis de emissão dos chamados gases-estufa (por exemplo: CO2 e CH4). Como? Há mais de uma possibilidade. Eis dois exemplos de medidas efetivas: diminuir a queima de combustíveis fósseis (como o carvão mineral e o petróleo) e reduzir o tamanho dos rebanhos animais (bovinos e caprinos, por exemplo). Há um ponto em que a situação será irreversível?Sim. E, ao que parece, já teríamos ultrapassado um deles, de sorte que o aquecimento não é mais apenas uma possibilidade futura, mas sim uma realidade presente. Cedo ou tarde, todos nós experimentaremos os efeitos das mudanças ora em curso. O que se discute agora, em escala planetária, é a intensidade da freada que devemos ou podemos aplicar, de modo a minimizar a

13º Domingo do Tempo Comum

“Menina, levanta-te!”Marcos 5,21-43 O Evangelho deste 13º Domingo do Tempo Comum faz parte de uma sequência de narrativas de Marcos, iniciada com a passagem da tempestade acalmada (Marcos 4,35-41), depois com a libertação do “Possesso de Gerasa” (5,1-20), encerrando-se com dois episódios: a cura da hemorroíssa e o “reerguimento” da filha de Jairo (5,21-43), estes focados pela liturgia deste domingo. Nessa sequência, dá-se destaque à importância da fé, ao resgate da dignidade humana, à vitória da vida. A passagem começa com o clássico “Jesus passou, numa barca, para a outra margem”. Ainda na praia, Jairo, chefe da sinagoga, cai aos pés do Senhor e implora socorro para a filhinha, que “estava nas últimas”. Jesus sai do meio da multidão, esta certamente também carregada de súplicas, e se dirige à casa da menina. A narrativa é interrompida, deixando em suspense o desfecho do socorro à jovem. De súbito, passa-se a descrever o drama da mulher que sofria de hemorragia (vers. 25 a 34). Para a maioria dos exegetas esse excerto parece ser de outra fonte, pois o estilo textual é um pouco diferente do costumeiro em Marcos. Mas é admirável a ligação entre os dois eventos. Fazia doze anos que a mulher sofria com um sangramento. Isso a tornava “impura”, conforme as leis do tempo. Devido à doença, ela não podia participar dos ofícios religiosos e era impedida de ter relações sexuais, não lhe permitindo, assim, ficar grávida. Ademais, a “impureza” a afastava da vida comunitária, visto que não poderia tocar ninguém nem ser tocada, pois “contaminaria” outra pessoa. Mesmo financeiramente, ela estava arruinada, pois havia gastado em vão suas economias com os médicos.Como é costumeiro nos Evangelhos, as curas realizadas por Jesus ultrapassam em muito o aspecto físico. O Senhor devolve ao ser humano não apenas a saúde, mas a dignidade, eliminando o que marginaliza. Um ponto curioso: tanto a mulher quanto Jesus transgridem as leis. Ela se aproxima dele, no meio da multidão, e lhe toca o manto. Ele se deixa tocar e busca, inclusive, saber quem lhe tinha “roubado” um pouco da força. Não à toa, a mulher, embora já curada, apresenta-se “cheia de medo e tremendo”, pois poderia ser punida se fosse aplicada a lei. A frase de Jesus, “Filha a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença” (vers. 34) tem profundo significado. Cristo, como em outras vezes, devolve à Lei o verdadeiro sentido: o amor. E mais: o verbo sesoken pode ser traduzido como “curou” ou “salvou”. O termo aparece mais adiante, também em Marcos (10,46-52), no fim passagem da cura do cego Bartimeu, quando o Senhor diz o mesmo: “Vai, tua fé te salvou”. No versículo 35, volta-se à cena da filha de Jairo. A narrativa retoma no pior contexto possível. Alguém da casa chega e informa que a menina havia morrido. Jesus, contudo, reforça a importância de se ter fé. Aqui reaparece o número doze, desta vez como a idade da adolescente. Tanto a menina quanto a hemorroíssa estavam à sombra da morte. A primeira, por morrer no início de sua maturação como mulher, não podendo se casar; a segunda, por doze anos ser socialmente excluída, devido à enfermidade. Nenhuma delas poderia gerar vida, o que era uma “maldição” para o costume daquele tempo. Jesus é o Senhor da Vida, por isso Ele toma a menina pela mão e a convoca a levantar-se. O verbo egeirein (“levantar-se”) é muito usado no Novo Testamento para expressar a ressurreição de Cristo. No versículo 42, usa-se a palavra anestē, a mesma empregada para designar a ressurreição. Sempre é bom reforçar: os Evangelhos não são livros de reportagem, mas fontes de catequese a ecoar os ensinamentos e a missão de Jesus. Neste caso, poderíamos dizer que os dois episódios são uma catequese pascal, mostrando a vitória da vida sobre a morte. A súplica de Jairo em favor da filhinha, “que ela sare (seja salva) e viva”, resume o projeto do Filho de Deus. Ele nos ergue, tirando-nos de diversas formas de morte. Nos passos de Cristo, tenhamos uma fé robusta, que cura, salva, resgata para a vida os mais necessitados e excluídos. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.

III Missão sem Fronteiras reúne escolas da Rede de Educação SSpS

Estamos nos aproximando da III Missão sem Fronteiras, iniciativa promovida pela Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). Neste ano, a missão ocorrerá remotamente, nos dias 25 e 26 de junho. O colégio anfitrião será o Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG. O tema desta edição é “Unidos na diversidade e no respeito”. O projeto reúne alunos e educadores das escolas da Rede. O objetivo é fortalecer o protagonismo juvenil como agente de transformação e esperança diante de muitas realidades sociais que ficaram ainda mais expostas pela pandemia. Rogelia Aparecida de Rezende, professora de Ensino Religioso no Colégio Stella Matutina, conta que, neste ano, o Missão sem Fronteiras terá também a participação de jovens da Província Brasil Sul e da Argentina. “Isso nos alegra e vai alargando nossos círculos de relações”, diz. Ainda que esta edição seja realizada de forma diferente, a prof.ª Rogelia afirma que o desejo de fazer o bem é o mesmo. As escolas da Rede estão envolvidas e preparando momentos valiosos. Ela relata que os alunos estão ansiosos para vivenciar dois dias de muita partilha e aprendizado. “Preparem-se, pois estaremos juntos e conectados. Viveremos momentos únicos e que ficarão guardados na memória e no coração”, partilha. A primeira edição, em 2017, foi realizada no Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP. A segunda, em 2019, foi no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG. Para ver a programação e saber mais sobre o III Missão sem Fronteiras, clique aqui e acesse ? Rogelia Aparecida de Rezende, professora de Ensino Religioso no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.

Centro de Integração do Migrante socorre famílias atingidas pela pandemia

O mundo enfrenta atualmente uma crise de proporções sem precedentes. A pandemia de covid-19 e as ações tomadas para controlar sua disseminação tiveram profundos impactos socioeconômicos nas sociedades. Nenhum país foi poupado, e, sem surpresa, as populações mais pobres estão entre as mais afetadas. A pandemia veio num tempo em que a fome vem aumentando. Por quatro anos consecutivos, a situação se agrava principalmente devido a conflitos, mudanças climáticas e crises econômicas. Ao mesmo tempo, o deslocamento forçado atingiu o índice mais alto. As irmãs da Comunidade de Santo Arnaldo dirigem o Centro de Integração do Migrante (CIM). O espaço localiza-se no Brás, região comercial de São Paulo capital, onde vivem migrantes de vários países da América do Sul e Central, África e Ásia. A covid-19 é potencialmente catastrófica para milhões que já vivem por um fio. É um golpe para milhões de pessoas que só podem comer se ganharem um salário. Neste tempo de pandemia, é difícil pôr comida na mesa quando não se tem trabalho. Mesmo numa época em que o apoio humanitário está cada vez mais difícil, existem pessoas generosas que se apresentam para ajudar os necessitados. Alunos, professores e funcionários do Colégio Espírito Santo, em São Paulo, por exemplo, doam mensalmente 40 cestas básicas ao CIM. Em abril, a entidade também recebeu 700 cestas básicas da empresa Clearsale. “Ficamos muito felizes por receber essa ajuda, para que pudéssemos doar a muitos migrantes e também a pessoas que vivem nas comunidades”, disse a irmã Malgarete Scapinelli Conte, missionária serva do Espírito Santo. As irmãs Malgarete e Zilda Maria Cofitalan Hornai, e os voluntários organizaram uma lista de cada grupo de migrantes e também das comunidades. Conforme os dias anunciados, eles vão ao CIM e recebem os alimentos. “Muitas pessoas que vieram receber cestas básicas ficaram muito felizes, e algumas tinham lágrimas nos olhos e estavam muito agradecidas por poderem fornecer comida para suas famílias”, relata a Ir. Malgarete. Veja o vídeo com a entrega das cestas básicas. Como ajudar Para fazer doações de alimentos e saber como colaborar com o CIM, entre em contato pelo número (11) 97058-9130, via WhatsApp. A obra social fica na Rua Vinte e Um de Abril, 1000 – Brás, São Paulo-SP.

12º Domingo do Tempo Comum

“Quem é este homem?”Marcos 4,35-41 Esse texto está situado na primeira parte do Evangelho, na qual Marcos procura demonstrar que as autoridades religiosas da época, os próprios parentes de Jesus e seus discípulos não o compreendiam, apesar de verem suas obras e milagres (Marcos 1,19-8,21). Toda essa primeira parte do Evangelho prepara o chão para a pergunta fundamental do Evangelho: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Por isso a história hoje relatada leva os discípulos a se perguntarem: “Quem é este homem?”. A história do evento no mar de Galileia retrata simbolicamente a situação da comunidade marcana, pelo ano 70, quando o Evangelho foi escrito. A comunidade está vacilando na fé, assolada por dúvidas e até perseguições. Diante do cansaço da caminhada, muitos se refugiaram na busca de uma religião de milagres, sem o esforço de seguir Jesus até a Cruz. Por isso Marcos insiste que os milagres não são suficientes para conhecer Jesus, pois as autoridades, os familiares e os discípulos os presenciaram e, mesmo assim, não chegaram a entender nem a pessoa nem a proposta do Senhor. O barco no lago, assolado pelos ventos e ondas, representa a comunidade dos discípulos, prestes a afundar-se por causa das dificuldades da caminhada. Jesus dorme no barco e parece não se preocupar com o perigo. Assim, para a comunidade marcana, parecia que Jesus não estava ligado aos seus sofrimentos e, como consequência, vacilavam na sua fé. Mas Jesus acalmou o mar e ainda questionou a pouca fé dos Doze: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (versículo 3). Assim Marcos quis mostrar aos leitores de seu tempo que Jesus estava com eles nas dificuldades e que sua falta de fé estava causando grande parte das dificuldades que estavam enfrentando. Hoje, em muitos lugares, a Igreja parece como a igreja marcana ou ainda como o barco no mar. Diante das desistências, do secularismo, da diminuição de sua influência, para muitos, a Igreja está se afundando. Em lugar de assumir o doloroso seguimento de Cristo até a Cruz, muitos se refugiam em uma religiosidade de milagres, assim fugindo da penosa tarefa de construir o Reino de Deus entre nós. Até diante da pessoa e da mensagem do Papa Francisco, muitos simpatizam com ele como pessoa, mas permanecem surdos a seus apelos em favor de um seguimento autêntico do Salvador. Marcos vem corrigir essa ideologia triunfalista de suas comunidades e nos convida a aprofundar a nossa fé, a clarear para nós mesmos e para o mundo “quem é este homem”, e a segui-lo no dia a dia. Pois Jesus não está alheio às nossas dificuldades. Pelo contrário, Ele está no meio de nós. Só que não nos livra da tarefa de nos engajarmos na luta pelo Reino, mesmo que as ondas e os ventos estejam contrários. Ter fé nele não é somente acreditar que Ele exista e seja Filho de Deus, mas tomar nossa cruz e segui-lo, na certeza de que Ele não nos abandonará. Ressoa para nós hoje a pergunta de dois mil anos atrás: “Por que são tão medrosos? Ainda não têm fé?”. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

A vida em poemas

Nestes tempos de distanciamento social e de muitos desafios, a poesia pode ser um respiro e um suspiro. Foi pensando nisso que alunos e professores, orientados pela professora Cristiane Imperador, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, partilharam com os leitores e leitoras do blog SSpS suas composições. Procure um bom lugar e se delicie! Museu Tento não ser pessimista,Não viver como museuE sempre buscar o bem atual? Bem, digo buscar você,Mesmo sabendo o não recíproco,Me sinto bem ao seu lado.Meus problemas vão do raloE voltam ao ringue contra mim. A vida é muito curta,Eu sei disso,Mas sua rápida passagemNão me trouxe compreensão,Apenas indagação. Tento os orgulhar,Mostrar que a chama está acesa,Mas o extintor do julgamentoApaga apenas as labaredas,E o resto do corpo fica queimado. Água fria do mar,Acalme o meu viver,Me traga a compreensão que necessitoSeja Iemanjá de meu problemaE me leve para o fundo da água, onde posso esfriar. A vida se tornou complicada,Ainda mais com o desconhecimentoDo seu sentido subjetivo intrínseco.Será o tal sopro do Criador?Ou vislumbres de abandono e dor? Eu quero amar,Quero sonhar e estar bem,Não me permito. Permissão que eu mesmo tireiAo ver, em meus olhos,A doce e azeda decepçãoDe sentir que tudo foi em vão,Perdendo-se em oscilação. Um tipo de vazio,Que eu espero que passe.Como areia no SaaraQue, carregada pelo vento,Compõe a beleza natural. Será minha beleza naturalO ó de todo mal,Com a sinceridade de anjoE a teia animalesca sentimental,Que dita minha existência arenosa?As coisas passam,O passado não volta,Mas estava no futuroQuando lembrei ansiosoDe amar e viver o presente. O museu onde as coisas passam. Mateus Marum (aluno da 3ª série do ensino médio) Ciclo da vida Este é o ciclo da vidaNascemosCrescemosMorremosNão temos como fugir dissoTemos que aproveitar o tempo que temosTemos que fazer coisas que vão ficar nas nossas memóriasEsse é o ciclo da vidaE não tem como fugir. Ana Julia Fonseca Van Utterbeeck (aluna da 1ª série do ensino médio) Sob outro ângulo Fim!De repente, meu mundo virou.Mergulhei sob minha terraE andei sobre meu oceano.Tudo estava confuso!Tudo estava trocado! Porém, observando este universo,Refleti e compreendi!Cuidei de tudo aquilo que me faltavaValorizar até então.Vi o novo diferente no antigo. Descobri que o novoNem sempre é tão ruim,Que a realidade é cheia de incertezas…Mas tudo bem!Sempre há um lado positivo eNegativo nas mudanças…. Sim, era o fim… De minhas velhas certezas,Uma página virada num livro.Surge então, em minha vida, aOportunidade de criar um novo capítulo,Um novo começo! Anne Caroline Gonçalves Martins (aluna da 1ª série do ensino médio) Perdão Paixão, algo que confunde nossa mente Nos faz perder a noção que existimosTrazendo sensações diferentes sucessivamenteNós discutimosPorém, nosso amor supera qualquer barreiraEm meus braços, senti seu corpoEm meu nariz, seu cheiro doceNa minha boca, seus lábios leves como uma penaSeu calor traz calmaSeu amor traz alegriaNão queria ter erradoMeus pensamentos me dominaramMeus erros não permitiram que eu ficasse caladoMas imploro pelo seu perdãoVocê soltou minha mãoAssustada, correu de meu coraçãoPerdão é algo que não conseguiria ouvir de vocêMas eu me ajoelho sobre meus errosE peço lhe desculpasNão me deixe sumir de seus pensamentos Leandro Morales (aluno da 1ª série do ensino médio) A mulher Mulher,você é incrível!Você gera e traz uma vida ao mundo,mas não lhe damos o devido valor. Mulher é um ser sensível:emociona-se,apaixona-se,ama, sente, chora…Há acontecimentos que a machucam,não porque são frágeis, mas porque sentem.Você não é obrigada a nada! Mães, profissionais, esposas, adolescentes, meninas, amigas… Eu sou mulher.Sei que devemos lutar pela nossa felicidadee que, se nossa luta incomoda,estamos no caminho certo Mulher,você é extraordináriasó precisa conquistar o seu lugar e mostrar o seu valor.Nossa voz é mudança!Merecemos o nosso destaquee está na hora de descobrirem,que somos iguais. Kimberly Lopes Galvão César (aluna da 1ª série do ensino médio) Um sopro Um momento feliz passarápido, assim como a vida.Pessoas se vão como umsopro de ar que sai pelaboca de uma criança ao assopraras velinhas de seu bolo. Curto e rápido, não é possívelnem ver, assim como você, quede um dia para o outro partiu. Por uma causa tão inesperada,você se foi.Tão pequenina te perdi,ficamos todos desolados. Doeu muito, mas o que ficoué a saudade. Os momentos bons,as memórias… Mas logo vem o presente,que vai passar como um sopro, e tudo irácomeçar novamente, sempre iniciandoe acabando, como o ciclo da vida.Um sopro. Manuela Fernandes Carreño (aluna da 1ª série do ensino médio) Morte Antes de dormir,Sonhadores criam histórias impossíveisDe amores irreaisE com finais felizes. Hipócritas e falsos.Eu crio começosE meiosFelizes. No final, há uma deliciosa tragédia,A qual me atormenta,A qual não queria ter pensado,A qual ficou em meus mais profundos pensamentos. Ela se transformou em medoUm profundo medo.Que, agora, sei que deveria ter feito como os hipócritasE mentido para mim mesmaO fim da doce história é a morte. Louise Cavalcante (aluna da 1ª série do ensino médio) Pandemia + Cientistas: cuidado e proteção Neste momento de pandemia,não tivemos muita alegria.Mas os cientistas não podiam desanimar,pois tinham pouco tempo para a cura encontrar. A cura seria uma vacina capaz de imunizar,mas tiveram pouco tempo para fabricar.As vacinas aos poucos estão chegando,e a população mais velha está tomando. Devemos ter esperança,pois um mundo melhor há para vir.Agradecemos aos cientistas trabalhadores,que lutaram para o mundo todo voltar a sorrir. Vitória Pedriali Dias (aluna do 5º ano do ensino fundamental) Vacina sim! Para todos terem proteção,é preciso esforço e dedicação.E, para termos um raio de esperança,é preciso muita confiança. E, para uma vacina chegar,é preciso um cientista trabalhar.São mais de sete bilhões de pessoas neste mundão,e cada médico tem amor no coração. E toda vacina éfeita por um cientista.Então, não saia de casa.E, se for sair, use máscara! Pedro Vergatti Hulgado Silva (aluno do 5º ano do ensino fundamental) Fim E lá se vai o tempoEscorrendo por meus dedos geladosSe desfazendo em pensamentos amarguradosMisturando-se com todos meus lamentos O relógio já não está girandoOs ponteiros estão perdidosMinutos e horas não fazem mais sentidoÉ a sensação horrível da vida acabando Os batimentos se cessamO calor caiO brilho se vaiE as janelas se fecham Juras de

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