Conheça o “Dia sem Sapatos”, promovido pela Rede de Educação SSpS

As unidades da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo promoveram o “Dia sem Sapatos”. O projeto foi uma forma de festejar uma das principais datas da Congregação, a Solenidade de Pentecostes; em 2023, celebrada em 28 de maio. Várias ações foram realizadas com base no simples gesto de “descalçar-se”. A Rede preparou um boletim, mostrando como foi a iniciativa. Veja! [dflip id=”10596″ ][/dflip]

Eucaristia: enfeitar as ruas também com nosso testemunho

A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida também como Corpus Christi, é celebrada com muito carinho pelos cristãos mundo afora. Data móvel, normalmente ocorre na primeira quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, ou, dependendo do costume, no domingo seguinte. Essa liturgia foi instituída pelo Papa Urbano IV, em 8 de setembro de 1264. O objetivo era valorizar e celebrar a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados, uma verdade de fé cultivada com esmero desde o início da Igreja. Devido à importância do tema, o próprio Urbano IV encarregou o grande Santo Tomás de Aquino de elaborar os textos que até hoje são recitados ou cantados na festa. Nesse contexto celebrativo, é importante ampliar a reflexão sobre a Eucaristia, expandindo o tema para além da devoção às espécies consagradas (o que não é pouco). É uma oportunidade de redescobrirmos esse sacramento como ceia pascal, ou seja, sinal instituído por Jesus para marcar a passagem da morte para vida, das trevas para as luzes. É um valiosíssimo bendizer a Deus, ofertar-se ao Pai, partir o pão, acolher e curar. A famigerada pandemia, entre muitas coisas, escancarou uma falha enorme na catequese do povo e mesmo na formação do clero. Infelizmente, constatou-se certa redução da Eucaristia à presença real no pão e no vinho, esquecendo-se do aspecto pascal. Apenas para citar dois “exemplos”, o drive-thru de comunhão e a mal interpretada “comunhão espiritual” (compreendida, sem o devido questionamento, como a vista pela mídia) demonstraram um olhar restrito do que Jesus desejou em favor de seu povo. A ceia eucarística é o sentar-se à mesa, partilhando com o próximo e com, por e no Senhor as conquistas e os desafios da vida. É a hora de alimentar-se das palavras do Mestre (nas quais Ele também está presente de forma real), do pão que dá vida e do vinho que enche de alegria, agradecendo a Deus pelo triunfo da misericórdia, da graça e da justiça. A sagrada refeição é a fonte e o ápice do lava-pés, sinal de serviço. Nunca é demais recordar que tanto o trigo quanto a uva que deram origem às espécies sagradas, frutos da bênção de Deus e do trabalho humano, precisaram ser moídos, esmagados para se tornarem Eucaristia. No serviço, na doação, Deus quis estar entre nós. Corpus Christi nos questiona se o divino dom do qual comungamos nos transforma em Eucaristia em nossa casa, no trabalho, na Igreja, na escola, na política, no trânsito… Caso contrário, nós nos “alimentamos” sem nos “nutrir”. Novamente, temos uma preciosa chance de recuperar um lugar mais amplo desse alicerce que sustenta nossa fé, nossa caminhada de seguidores de Jesus, o Mestre da partilha do pão. Ao viver a Eucaristia, podemos adornar ruas com os tapetes coloridos (admirável gesto, diga-se) e com nosso testemunho, o ano inteiro. Que Jesus nos inspire e siga nos acolhendo no generoso banquete da Palavra, do Pão e do Vinho. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.

Corpus Christi: “Eu sou o pão descido do céu”

“Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna…” (Jo 6,54) Com a afirmação “eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus manifesta o sentido de sua Encarnação. Ele não usa como sinal o legado poderoso, os atributos régios, os resplendores, as armas, os tronos, as vestes nobres: usa como sinal o pão, ou seja, vida que se desfaz em favor dos outros. Vida expansiva para que outros vivam. Jesus compreendeu-se a si mesmo no pão, ou seja, ser para os outros alimento e alegria. Grãos e espigas moídos para alimentar. Jesus é reconhecido no pãoque “desce” e desaparece nos outros, dissolvendo-se no mais íntimo de cada um, despertando alento, dando calor, força e sentido a partir de dentro. Jesus Cristo, ao fazer-se pão, acolheu tudo quanto é humano e desta maneira tudo redimiu. Em sua humanidade, Ele alimentou e saciou nossas carências mais profundas; ao mesmo tempo, ativou e despertou outras grandes “fomes”: comunhão, compaixão, solidariedade… Assim, no gesto do partir e repartir o pão se condensou todo o caminho de Jesus: vida que se doou para aliviar todo “sofrimento humano” (curas), para proporcionar a “refeição partilhada” (ceias e multiplicação dos pães) e para ativar “novas relações humanas” (sermão da montanha). Celebrar o “Corpus Christi” é atualizar estas três preocupações centrais da vida de Jesus. Aqui se conecta a essência de Sua vida na vida dos seus(suas) seguidores(as). “Descer” e “subir”, portanto, são imagens para descrever o processo de transformação realizado por Jesus no interior de cada um de nós. Não podemos “subir” se não estivermos dispostos a “descer” com Ele ao nosso “húmus”, às nossas sombras, à condição terrena, ao inconsciente, à nossa fraqueza humana. Assim como na Encarnação o Verbo “desce” e se faz visível através das fendas e feridas da humanidade, Ele continua “descendo” e se fazendo “pão” nas profundezas de nosso ser, integrando e pacificando tudo. “Assim novamente encarnado” (EE 109), nos diz S. Inácio. A Encarnação, portanto, não é um evento ou um ato isolado da história; a Encarnação é atitude eterna de Deus. Ele “é” Encarnação contínua, desde toda eternidade. Esta é a verdade, a revelação emocionante, a grande novidade do evangelho, que recolhe o que há de mais profundo da mensagem e da vida de Jesus: para dar alimento é preciso fazer-se alimento. Jesus não só ensina e dá o alimento, mas Ele mesmo “desce” e se converte em alimento. Esta é a sua novidade “teológica”, sua novidade humana, a verdade mais profunda da Eucaristia: compartilhando o pão de Jesus (em memória de sua Encarnação, de sua vida e de sua morte), seus discípulos descobrem que Jesus mesmo é alimento e que eles devem se fazer alimento uns para os outros. Jesus, ao se “humanizar”, se faz “pão”, humanidade convertida em alimento para os outros. A Vida Eterna não se revela num gesto de pura interioridade, mas no encontro e comunhão de uns com outros… Quem crê nos demais, quem compartilha com eles a vida tem a vida eterna, porque entra no fluxo do “Pão Eterno” que se manifestou na Encarnação. Nesse contexto é preciso dizer que o verdadeiro alimento é a vida mesma do ser humano: Jesus se fez alimento para os outros, saciou a fome de justiça e amor. Ele é o alimento que gera vida nova no mundo, vida oferecida e compartilhada. Um alimento “subversivo” porque subverte a tradicional “ordem” das coisas. “Eu sou o pão da vida.” Antes de partir o pão, Jesus parte-se a si mesmo, faz-se alimento. Toda sua vida foi entrega, desde sua Encarnação. Sua vida inteira dá significado ao partir, compartilhar e repartir o pão da vida. Porque Jesus é “pão descido do céu” e porque compartilhamos sua vida, também nós podemos e devemos “descer” e sermos comunhão de vida. Neste sentido, todos somos “pão no Pão”. Cada ser humano é “pão vivo, descido do céu” para outro ser humano; cada homem, cada mulher é revelação de Deus, pão de vida eterna para os outros. Por viver neste nível, por entregar-se e compartilhar a vida neste plano, os homens e mulheres “não morrem”, tem vida eterna. E é isso que, no nível mais profundo, somos todos. Todos somos Vida, todos somos “pão de vida”. Somos pão quando alimentamos o outro na esperança, no perdão, na acolhida, na compaixão, no compromisso… Sim, podemos multiplicar o pão da festa, da alegria, o pão da justiça, o pão da ajuda fraterna… Quanto pão para ser dividido! “Tornar-nos pão” significa “descer” à nossa própria condição humana para expandi-la em atitudes de serviço, partilha, solidariedade… Jesus, ao se encarnar, quis resgatar a vida humana, fazendo-se gente, sentimento, fome, alimento…, na realidade humana. Seu caminho? A vida a partir da mesa, do pão e da festa da partilha. Uma das chaves de compreensão da pessoa de Jesus é a relação d’Ele com a “mesa do pão”, pois Ele passou de mesa em mesa, até se deixar fazer pão na grande mesa da Ceia Pascal. Em todos os encontros de Jesus com os excluídos do Reino, Ele sempre os incluiu em suas refeições. Se para nós, a mesa já era bendita, sagrada…, depois da Encarnação e da Vida de Jesus, ela se tornou mais ainda um lugar de encontro no sacramento do pão partilhado. Desde então, cada vez que dela nos aproximamos, o “Verbo feito carne” continua sua ação salvífica, recriando cada vez mais a vida em expansão. De fato, depois do Verbo fazer-se “carne” e “pão”, a mesa eucarística tornou-se lugar de transformação, de evolução humana e cósmica, o lugar de comunhão por excelência com o Criador. Na pregação de Jesus e, mais tarde, na experiência das primeiras comunidades, deu-se um salto qualitativo: do pão se passou ao pão vivo; da água aos rios de água viva que emanam nas entranhas; do vinho ao sangue que é expressão da vida. Jesus pediu “ir mais além” daquilo que os cinco sentidos podem captar, para abrir-nos ao mistério da vida partilhada e entregue. Simbolicamente,

Impactos do desmatamento da Amazônia nas chuvas e no clima do Brasil e do mundo

Abordar sobre os impactos do desmatamento da Amazônia não é uma tarefa fácil. É um tema que deve ser analisado com muita atenção, pois, nos últimos 20 anos, tivemos um aumento considerável desse processo de devastação do bioma. Os responsáveis e as forças que conduzem essa prática variam entre partes diferentes da região e ao longo dos tempos. Pode-se resumir, em geral, que são os grandes e médios fazendeiros, mas os pequenos agricultores também têm papel de destaque nesses processos. Se analisarmos desde o fim do século XIX, pode-se identificar alguns elementos que ajudam a entender as ocupações do território da Amazônia, como a grande influência da exploração e a produção da borracha no mercado internacional no passado, atualmente o grande número de áreas de extração ilegal de minérios. A Floresta Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e se encontra situada em vários países sul-americanos. Tem grande papel no que se refere à regulação do clima, no ciclo das chuvas da América do Sul e de algumas outras partes do planeta. Quando ela sofre com o desmatamento, ela perde sua capacidade de atrair umidade e reciclar a água da chuva, além de redução no processo hidrológico. Isso torna o clima mais seco e quente, afetando a economia, a geração de energia hidrelétrica e a biodiversidade. Alguns modelos sugerem que, até o ano de 2060, as temperaturas da região terão um aumento de 2 ºC a 3 ºC, sendo a floresta responsável por levar chuvas para outras regiões do Brasil através dos rios voadores (cursos d’água atmosféricos que carregam a umidade gerada na floresta e depois viram chuva). Se tivermos a manutenção do processo de desmatamento, as consequências serão alarmantes, como a diminuição das chuvas e períodos de seca maiores nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Nessa análise, precisamos indicar mais um dado agravante. A NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Americana), em suas previsões no mês de maio de 2023, indicou 90% de chance de ocorrer o fenômeno climático chamado El Niño (aquecimento do Oceano Pacífico) no segundo semestre deste ano, podendo intensificar a temporada de incêndios, com perspectivas devastadoras. A ocorrência do desmatamento contínuo da Floresta Amazônica nos últimos anos e o aquecimento global evidenciam que a floresta deixou de absorver para emitir dióxido de carbono (CO2), influenciando diretamente no clima do planeta. Assim, o desmatamento da Amazônia não afeta somente a biodiversidade da região, e sim o clima global, aumentando a emissão de gases do efeito estufa e auxiliando na perda da biodiversidade. Precisamos de medidas práticas e efetivas para zerar o desmatamento da Amazônia, como o aumento da fiscalização ambiental, a criação de mais unidades de conservação, demarcação de terras indígenas, entre tantas medidas que se fazem necessárias. Como falamos no início, o tema é complexo, contudo precisamos dialogar com a sociedade, buscando soluções emergenciais. Michael Nascimento CostaDocente titular das disciplinas de Geografia e História no Colégio Espírito Santo, em Canoas-RS.

“Se tu vês a caridade, vês a Trindade” (Santo Agostinho)

“Deus amou tanto o mundo…” (Jo 3,16) Com a festa da Santíssima Trindade, chegamos ao cume do tempo litúrgico pascal. A revelação nos diz que nosso Deus não é solidão, mas comunhão de Pessoas: Pai-Filho-Espírito Santo. A Trindade não é um problema numérico (três em um), mas um mistério de amor, de salvação e de vida. Deus-Trindade é, portanto, a relacionalidade por excelência; total relacionalidade de cada uma das pessoas divinas com respeito às outras, de tal forma que se implicam e incluem reciprocamente sempre e em cada momento, sem que uma seja a outra. Deus só existe como ser em relação. A grande novidade cristã é que a divindade só existe comunicada, partilhada. Deus é relação. Deus é só relação. Deus é só amor. “No princípio está a relação” (G. Bachelard). Deus é essencialmente relação; e essa relação, “num belo dia”, transbordando de vida, transbordando de gratuidade, pôde abrir-se a nós para nos fazer existir, concedendo-nos o ser e convidando-nos a entrar no fluxo dessa mesma relação trinitária. Jesus não pregou sobre a Trindade, mas abriu o caminho que conduz ao Pai e enviou seu Espírito. A partir de sua própria experiência de Deus, Jesus convida seus seguidores a se relacionarem de maneira confiada com Deus Pai, a seguirem fielmente seus passos de Filho de Deus encarnado e a se deixarem guiar e alentar pelo Espírito Santo. Ele os ensina, assim, a se abrirem ao mistério santo de Deus. Também os primeiros cristãos não elaboraram argumentos sobre a Trindade (nem Pedro, nem Paulo, nem os evangelhos, nem mesmo os chamados Padres apostólicos), mas todos falaram sem cessar do Pai, do Filho Jesus e do Espírito Santo. Só no final do séc. II e princípio do séc. III alguns teólogos audazes começaram a falar da Trindade e descobriram que esse nome era mais cômodo para referir-se, ao mesmo tempo, ao Pai, a Jesus e ao Espírito, de maneira que começaram a empregá-la com certa frequência. A Trindade não é um dogma separado da Bíblia ou da Igreja; no centro da Bíblia e da vida cristã se encontra o mistério de Deus-Pai, que conhecemos por Jesus e compartilhamos pelo Espírito Santo, em sua união e diferenças. Esses Três, que são Um, em amor e vida, constituem o que, com palavra imperfeita, mas talvez imprescindível, chamamos Trindade, para confessar por ela que o Deus dos homens é dinamismo de vida e impulso de amor na mesma história dos homens. Entendida assim, a Trindade constitui, com a Encarnação, o centro do mistério cristão: por ela sentimos e sabemos que Deus é fonte inesgotável e comunhão criadora de amor que anima e sustenta a história dos homens. Conta-se que, certa vez, um homem provocou S. Agostinho dizendo que não podia ver a Trindade. Este lhe respondeu: “Tu vês a Trindade quando vês a caridade” (De Trinitate VIII, 8,2). Esta resposta, tão fulgurante como esclarecedora, nos situa no coração do mistério de Amor que presidiu a Criação, centrou-se na Encarnação e alcançará sua plenitude na Ressurreição. A partir desse Amor vivemos a fé e a comunhão trinitária como a expressão mais adequada da vida única, radiante, irradiadora, do Pai, do Filho e do Espírito Santo que, contemplando-se um ao outro, se revelam como fonte e origem de tudo o que existe. A criação inteira procede das entranhas amorosas das Três Pessoas divinas; não só isso, a Criação é também morada da Trindade; em tudo encontramos “marcas” da ação trinitária e, de maneira especial, onde a caridade é vivida. Assim, à luz da afirmação de S. Agostinho, podemos sentir e “ver” a Presença da Trindade lá onde o amor se expande e se externaliza na prática da caridade. Esta é a nossa credencial como seguidor(a) de Jesus: a vivência do amor, desse amor que contempla a vida e sente o pulsar da Trindade na beleza da criação e na dignidade de cada ser humano. Portanto, o mistério da Trindade não é uma verdade a ser pensada, mas uma presença a ser vivida; presença que perpassa tudo e se faz visível em toda realidade; presença que ultrapassa tudo o que pensamos e refletimos sobre ela. Só quem tem olhos contemplativos vê as “marcas” da presença do Deus Uno e Trino em tudo e em todos. É da essência da Trindade ser “amor em movimento”; por isso, onde há amor e caridade, aí está a Trindade; e só corações solidários são capazes de entrar no fluxo desse amor e adorar o Deus trinitário. Sabemos que “caridade” provém de “cháris” = Graça. Caridade é Graça em ação, é amor incondicional, é dom gratuito, é favor concedido a alguém, é generosidade radical. A caridade é a visibilização da ação trinitária. O ser humano entra no movimento amoroso da Trindade quando sai de si e se revela presença solidária juntos aos mais necessitados; ali ele deixa transparecer o rosto amoroso da Trindade. Aqui está a grandeza do ser humano, criado à imagem e semelhança do Deus Trindade. E é fácil intuir isso: sempre que sentimos o dinamismo de amar e ser amados, sempre que sabemos acolher e buscamos ser acolhidos, quando compartilhamos uma amizade que nos faz crescer, quando sabemos dar e receber vida…, estamos saboreando o “amor trinitário” de Deus. Esse amor que brota em nós tem n’Ele sua fonte. Por isso, quem vive o amor a partir da Trindade aprende a amar a quem não lhe pode corresponder, sabe doar sem esperar recompensa, é capaz de compadecer-se dos mais pobres e excluídos, pode entregar sua vida para construir um mundo mais amável e digno de Deus. Nesse sentido, o melhor caminho para aproximar-nos do mistério da Trindade não são os tratados teológicos que falam dela, mas as experiências amorosas que compartilhamos na vida. Só encontramos e “vemos” a Trindade com o coração. Quem é incapaz de dar e receber amor, quem não sabe compartilhar nem dialogar, quem só escuta a si mesmo, quem resiste relacionar-se com os outros, quem só busca seu próprio interesse, quem só deseja o

SSpS recebem Moção de Aplausos por Projeto “Escola da Inteligência”

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) receberam, no último dia 25 de maio, a Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Porto União-SC. O reconhecimento foi motivado pela implantação do Projeto “Escola da Inteligência” no Colégio Santos Anjos. A moção foi uma indicação do vereador Vanderlei Werle, em exercício no Poder Legislativo até abril deste ano. O presidente da Casa, o vereador Neilor Grabovski, entregou o certificado à irmã Ilária Matte, diretora da escola. “Esta Moção significou uma benção, uma alegria enorme por sermos reconhecidas por nossos trabalhos e missão ao longo dos 106 anos, na pessoa da Ir. Ilária Matte, atual diretora. Como rezam as nossas Constituições de 1891, ‘a alegria de uma irmã seja a alegria de todas, e regozijem-se as irmãs se podem proporcionar alegria a uma outra irmã’”, afirma a vice-diretora, Ir. Gerci Lopes dos Santos. “A Congregação se orgulha de Ir. Ilária pelos serviços prestados, pela dedicação e empenho em levar a educação em frente, com tanto brilho e competência, prezando pelos valores humanos, cristãos, tecnológicos e científicos, contribuindo para que estes jovens se tornem cidadãos honrados, respeitados, missionários e capazes de transformar o mundo”, disse a Ir. Ilca Maria Hendges, superiora provincial do Sul. Além das SSpS, participaram da cerimônia pais de alunos; a secretária municipal de Educação, Aldair Wengerkiewicz Muncinelli; o bispo da Diocese de Caçador, Dom Cleocir Bonetti; e o pároco da Paróquia Nossa Senhora das Vitórias, Pe. Valmor José de Deus. “A vida é feita de surpresas e, dentro delas, os reconhecimentos e gestos, atitudes de gratidão e de reconhecimento. Esta Menção de Aplausos para a Ir. Ilária foi merecida, justa. Para mim, este momento foi uma experiência forte, sinodal, de um caminhar juntos, pois se encontravam ali o Poder Público e a vida religiosa. As sementes lançadas com dedicação, amor, um dia, a seu tempo, florescerão e os frutos virão”, declarou Ir. Ilca. Sobre o Programa Escola da Inteligência O Programa Escola da Inteligência tem como fundamento a “teoria da inteligência multifocal”, de autoria do psiquiatra e pesquisador Augusto Cury, com o apoio de outras teorias, como a das “inteligências múltiplas”, de Howard Gardner, e a “sociointeracionista”, de Lev Vygotsky. Fundada em 2010, busca desenvolver as habilidades emocionais e de consciência social de jovens estudantes, com o auxílio de materiais audiovisuais, impressos e digitais, bem como a formação de professores e apoio para as famílias. A iniciativa está alinhada às mais atuais descobertas nas áreas de desenvolvimento aprendizagem e da educação socioemocional, tais com as dos campos da neurociência e da neuroeducação. A Ir. Gerci conta que o Programa Escola da Inteligência, realizado no Colégio Santos Anjos desde 2022, requer um espaço adequado para sua viabilização. “Cada turma desenvolve um subtema, como o 6º ano, que trabalha mentes brilhantes e emoções saudáveis; o 7º, ‘Os códigos da inteligência’; o 8º ano, ‘O eu no comando da mente’; e o 9º, ‘O ser humano sem fronteira’, ou seja, a formação de líderes”, explica Ir. Gerci. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021. ______________________________

CEMJ celebra os 20 anos de fundação

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ) celebra, em 2023, os 20 anos de fundação. A obra é fruto do sonho das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) de estarem ao lado dos moradores do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ. O ponto alto das comemorações foi a missa, realizada no dia 19 de maio, na Paróquia São Tiago de Inhaúma, próxima da creche. Toda a comunidade educativa esteve presente, relembrando os desafios superados para levar educação de qualidade e alimentação digna aos mais necessitados. Também participaram da liturgia ex-colaboradores, ex-alunos e membros da equipe gestora do Rio de Janeiro, nas pessoas da diretora Susete Maria Parreira e Sandra Demétrio. Com muita alegria, as famílias receberam as irmãs Maria Aparecida Ribeiro, Theodora Illi, Teresita Sotello e a fundadora Ir. Irmilde. Bem antes da inauguração do CEMJ, em 29 de maio de 2003, Ir. Irmilde já realizava obras sociais no Alemão, comunidade que ela conhece bem. Em janeiro, a obra abriu a contagem regressiva para a grande festa. Além das mensagens partilhadas pelas redes sociais, promoveu atividades especiais com as famílias. Para muitos, o CEMJ vai além de sua função educativa, tornando-se uma extensão das ações missionárias, em seu movimento de escuta e solidariedade.

Santa Ruah: o sopro que gera vida

“… soprou sobre eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo’” (Jo 20,22) Pentecostes é hoje; é sempre! Não foi só naquele distante dia em que um grupo de discípulos e discípulas assustados(as) se sentiram fortes, encorajados(as), movidos(as) por um impulso tal que os levou a romper os espaços fechados e viver o movimento de “saída”. Pentecostes acontece em cada um de nós; não é pomba nem chama ardente e, talvez, não nos lança ao meio da multidão dando gritos. E, no entanto, o Espírito de Deus continua descendo sobre nós, envolvendo-nos em silêncio, seduzindo-nos sem imposições, sussurrando-nos palavras de amor infinito e ensinando-nos a olhar o mundo e a vida com novos olhos. Somos casa do Espírito! O relato do evangelho deste domingo nos oferece outra perspectiva do encontro do Ressuscitado com seus discípulos: seus olhos viram as feridas, mas seu coração experimentou que Jesus está vivo. E esta experiência os encheu de alegria. O Espírito os capacitou a ter um novo olhar, muito mais profundo. O Espírito do Ressuscitado é o gerador de novos equilíbrios, rompedor de todos os medos; por isso, Ele se revela sempre desconcertante, surpreendente, interpelante. Mas é assim que o Espírito Santo nos abre a uma nova sabedoria, a um novo entendimento, a uma nova gestualidade, a uma nova vida. O Espírito é o sopro que vivifica, anima, restaura e congrega. Somos “filhos(as) do Vento”. O vento impetuoso em Pentecostes faz com que todos nos sintamos cheios de novo alento, de novo sopro de vida. Em outras palavras, sentimo-nos “animados” (= com alma, espírito). Nosso tempo pede que sejamos homens e mulheres do Vento, que ajudam o mundo a respirar e sentir a vida palpitar; que buscam, na terra, viver o sonho do Reino; que alimentam as chamas da esperança nos corações sonhadores; que se reconhecem humildes ante a misericórdia e o infinito de Deus; que acreditam na força dos pequenos e dos gestos simples; que vibram com as conquistas justas e que se compadecem da miséria do humano; que cuidam de tudo e de todos com ternura e carinho. O vendaval em Pentecostes varreu o medo e a desconfiança. Todos se encheram de uma força e de um dinamismo jamais experimentado, que fez mover pessoas, corações e mentes. Sentiram-se como que envolvidos pelo Espírito, que os permitiu falar uma linguagem que todos entendiam. Tal experiência provoca um movimento que rompe fronteiras e barreiras. Assim, o Espírito faz superar o fundamentalismo, a hipocrisia e a apatia. Não há nada de mágico; simplesmente, as pessoas se deixam mover pelo Espírito, que habita o universo e os corações, e se deixam levar pelo sopro divino. Para captar o sentido profundo da presença e ação do Espírito, em nós e na criação, é preciso retornar à expressão hebraica “Ruah”, muito mais densa de sentido e essência. Foi o que fez o Ressuscitado ao “soprar sua Ruah” sobre os discípulos medrosos e fechados. Já no relato do Gênesis, encontramos o primeiro alento divino que deu vida ao barro inerte. Com linguagem atual, podemos dizer que a Ruah nos faz a “respiração boca a boca”, nos devolve o fôlego quando sentimos que a vida nos escapa, quando estamos desalentados, angustiados… A “Ruah” é dinamismo, vida, relação, comunhão divina. É alento, vento, água. É unguento, é consolo, é companhia. “Ruah” é invenção, é fonte de criatividade, de autêntica novidade. É fonte de novas possibilidades no mundo, energia inaugural de novas auroras. É a energia materna de Deus que aquece o coração da Criação, e que tudo sustenta. Detalhemos as características da “Ruah” do Ressuscitado: – Ruah é a ação (ou a presença) de Deus que vitaliza o ser do mundo e, de uma forma peculiar, a história da humanidade. É a expansão de amor do Deus que, ao atuar sem cessar, faz com que a vida nasça e que os seres humanos entrem no mesmo fluxo desse amor. – Ruah é a profundidade mesma de vida dos seres humanos no mundo. Ela sustenta o cosmos e a história, e se explicita em cada um de forma constante, ilimitada, sempre forte. – Ruah é força de esperança, de maneira que ultrapassa as atuais condições da vida. Encontramo-nos em Deus e abertos ao futuro; nossa verdadeira identidade não se apoia naquilo que agora somos, mas, antes, no mistério vitalizante do Espírito divino. – A Santa Ruah não vem para ditar um catálogo de normas, mas para revelar o sentido profundo da nossa vida. Abundante, generosa, sem cor, sem restrições ou fronteiras, assim é o seu dom. Portanto, celebrar Pentecostes não consiste só em recordar uma experiência de dois mil anos atrás; é tomar consciência que nossa vida – pessoal e comunitária – pode mudar com a mesma intensidade que mudou a vida daquele grupo de homens e mulheres, que estavam cheios de temor. Que nos move na celebração de Pentecostes? Olhemos em nosso interior tudo aquilo que é obstáculo para crescer como discípulo(a). Coloquemos nomes: medos, pré-juízos, petrificação, rotina, superficialidade, indiferença, ódio, maldade… Estes obstáculos são como travas que nos impedem caminhar como discípulos(as). É a Ruah que nos purifica a fundo, estabelecendo o “cosmos” em meio ao nosso “caos” interior; é Ela que deixa a descoberto as vivências não integradas, as experiências não pacificadas, as feridas não cicatrizadas… Existem partes de nós mesmos, talvez alguns dos nossos membros, que estão fechados ao próprio movimento da vida, que estão fechados ao Sopro do Vivente. Cada um de nós, de modo bem particular e pessoal, tem um espaço de abertura e um espaço de fechamento. Qual deles prevalece? A missão da “Ruah” não é ajudar a nos “livrar” daquilo que imaginamos que torna sombria nossa existência e nos atemoriza (feridas, rejeições, ressentimentos…), senão que sua ação nos conduz, suavemente, a abraçar tudo e tudo recolher para que não se perca nem um só dos fragmentos da vida e, assim, com imensa gratidão, poder saciar-nos de seus dons. Sua presença não se limita à exterioridade, mas é como a água que penetra na terra

Por que a Solenidade de Pentecostes é tão importante para a Igreja

Sejamos nós os Apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo e, juntos, vivenciemos o amor de Deus derramado sobre nós. Esse amor denomina-se Espírito Santo. Amor de Deus em nós e um convite para que continuemos aquilo que se iniciou logo após o Pentecostes: a missão da Igreja. Um convite a levar essa experiência extraordinária que vive e está presente na Igreja e a acompanha no decurso dos séculos, fazendo-a ser viva e atuante no mundo. O Espírito Santo tem papel essencial na vida da Igreja, pois aqui inicia o papel missionário dela. O Espírito é a alma da Igreja, pois vemos em todas as ações realizadas por ela a ação e a força do Espírito, o qual assiste e guia cada iniciativa desenvolvida por ela. O Espírito Santo é o elo da Trindade, em que o Pai gera o Filho na força do Espírito Santo, por isso são modelos de comunidade. Jesus escolhe a festa da colheita dos judeus para enviar o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre Maria. Faz-se uma analogia com livro de Êxodo (23,14). A passagem destaca que se ofereciam as primícias dos frutos a Deus, assim, a Igreja que nasce na força do Espírito deve anunciar a todos as maravilhas de Deus em favor das pessoas. O ponto de partida de nossa ação missionária pós-Pentecostes é o amor. O Espírito nos lembra que, sem o amor na base, tudo é vão. Ele é o “motor” de nossa vida espiritual, alimentando nossa memória, e nos leva à recordação do amor de Deus, seu olhar pousado sobre nós. Podemos comprovar esse amor nas linhas do Catecismo da Igreja Católica (n. 684) nas quais se afirma: o “Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo”. Que possamos receber a força e a graça vinda de Deus a nós pela Festa de Pentecostes e trilhar os passos para chegarmos à alegria de Deus e vê-lo face a face. Para isso, exige-se de nós abertura total ao plano de Deus, que é receber e reconhecer a ação divina pelos dons derramados sobre cada um de nós e que nos torna filhos de Deus. Como filhos, temos nossas obrigações de falar de Deus às pessoas, promover carismas em toda a Igreja. Que a Festa de Pentecostes desperte em nós o ardor missionário de ser Igreja, de acolher o outro e transmitir o amor de Deus a cada pessoa. Que “arda” nosso coração assim como aconteceu no dia de Pentecostes, levemos a mensagem de Deus a todas as pessoas e sempre possamos contar com o Espírito prometido. Maria, a primeira missionária, esteja a nosso lado, inspirando-nos, intercedendo e, acima de tudo, sendo modelo de acolhimento do amor de Deus. Viva o Espírito Santo em nossos corações! Antonio César BurnatProfessor no Colégio Sant’Ana, Ponta Grossa-PR.

Os desafios da área ambiental no pós-devastação

Abordar o tema biodiversidade em 2023 passa necessariamente por um olhar retrospectivo sobre o cenário de terra arrasada, resultante das políticas ambientais promovidas nos últimos anos. Entre 2017 e 2021, período emblemático para o agravamento da metabolização da natureza em favor da economia, fui estudante do curso de especialização “Conservação da Natureza e Educação Ambiental”. Sou oriunda do campo do Design, que, em sua dimensão mais mercadológica e industrial, participa da instrumentalização da relação de exploração da Terra. Após 30 anos de convivência com a área, mais do que as leituras ou das notícias que saltavam dos jornais, a desesperança de meus jovens colegas biólogos, educadores ambientais e engenheiros florestais foi o fator sensibilizador para o contínuo desmonte das políticas ambientais. Se, em 2023, a refundação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a criação do Ministério dos Povos Indígenas sinaliza uma mudança de rota do atual governo em relação às questões ambientais, há muito a ser reconstruído, e com urgência. Em 17 de abril último, o podcast “O Assunto”, apresentado por Julia Duailibi abordou, em seu episódio 943, o tema “A reconstrução da área ambiental no pós-devastação”. Participaram do programa Daniela Chiaretti, repórter especial de meio ambiente para o jornal “Valor Econômico”, e o professor Ricardo Abramovay, autor dos livros “Por uma economia do conhecimento da natureza” e “Infraestrutura para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Daniela analisou as dificuldades enfrentadas pela ministra Marina Silva, como o combate do desmatamento da Amazônia, este entrelaçado com o crime organizado, que, entre outros mecanismos, estende-se desde o contrabando de madeira até o tráfico de pessoas e drogas. A repórter também destacou a importância da recomposição e da capacitação de equipes de fiscalização de órgãos como o Ibama para lidar com o crime organizado. Por fim, apontou progressões como o Fundo Amazônia e ações conduzidas para interromper o garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami. O valor do Fundo Amazônia, de acordo com a jornalista, está em atuar como freio para o desmatamento e articular ações de sustentabilidade para outros projetos Abramovay abordou a riqueza potencial da Amazônia e destacou a importância de sua extração e uso sustentável. Seu olhar é sistêmico e considera a importância de uma “agenda pós-desmatamento” ou uma “agenda verde”. O professor destaca o Ministério Indígena como uma ação socioambiental, o Fundo Amazônia como um eixo estratégico de sustentabilidade econômica da floresta, a assistência técnica aos produtores rurais como tática mais adequada de aproveitamento dos produtos da floresta, e o investimento em fontes sustentáveis de geração de renda nos espaços urbanos como estratégia de contribuição para a preservação da floresta. Tudo isso requer uma mudança de cultura. A educação para a preservação da biodiversidade assume importância fundamental para uma nova mentalidade e para considerar que a floresta se constitui em bônus e não em ônus. Isso passa por educar para a economia da sociobiodiversidade, da regeneração da floresta, do aproveitamento dos produtos oriundos da floresta e da valorização dos conhecimentos das populações quilombolas e indígenas. Referência O ASSUNTO #942. A reconstrução da área ambiental no pós-devastação. Disponível em https://open.spotify.com/episode/2NAWbpTsgYD1wUHhh4cpkp e https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2023/04/17/o-assunto-942-a-reconstrucao-da-area-ambiental-no-pos-devastacao.ghtml. Marli Teresinha EverlingProfessora dos cursos de Graduação e Pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville (Univille); coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica; colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental (caranguejo.org.br); colaboradora do blog SSpS Brasil para temas ambientais; colaboradora das redes sociais do design para temas ambientais (Instagram @designuniville).

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