Projeto “Troca de Saberes”: mulheres se fortalecem na convivência fraterna

A pandemia de covid-19 (hoje mais denominada “sindemia”, devido à interação e impacto em todas as áreas da sociedade, segundo a Fiocruz) exigiu novas ações missionárias, principalmente em apoio às mulheres e homens “invisíveis” aos olhos da dinâmica capitalista. Após identificar esse cenário no entorno da comunidade, as irmãs servas do Espírito Santo (SSpS) da comunidade Cohab Adventista, em São Paulo-SP, propuseram uma ação de acolhimento às mulheres no período pós-pandemia. A ideia foi imediatamente acolhida pelo casal Joana Félix e José Martin, que se colocaram à disposição para partilhar seus conhecimentos humanos, pedagógicos e artísticos. Assim nasceu o Projeto Troca de Saberes. Irmã Martina conta que o projeto é desenvolvido há mais de um ano, e o objetivo é “conviver, acolher, aprender a fazer em conjunto as coisas, celebrar, rezar, sorrir, dançar e construir relações, além das atividades práticas”. O projeto acolhe desempregadas, aposentadas, educadoras populares, estudantes. Alguns homens também foram recebidos. Segundo Joana, pedagoga e educadora popular, algumas ações foram amadurecendo até chegar ao que fazem no momento. “Em 2022, começamos a fazer toucas de crochê. Quem não sabia, aprendia. Confeccionamos muitas toucas, que foram doadas para pessoas em situação de rua. Foi um trabalho muito bonito e participativo”, relata. A iniciativa não tem por objetivo confeccionar e vender artesanato, mas faz parte em meio ao convívio alegre, de cuidado e fraterno das mulheres, o que fortalece a troca de saberes. “Ganhamos de apoiadores anônimos o material necessário. Emprestamos algumas máquinas de costura. Hoje, o trabalho flui muito bem. Quem sabe costurar, bodar, fazer vagonite e biquinhos no pano de prato ensina às outras. Novos artesanatos estão programados: mantas, bolsas, mandalas, fuxicos, tapetes, uso de retalhos”, conta Joana. O resultado da primeira oficina foi apresentado no dia 1º de maio de 2022, no espaço da Associação Povo em Ação Olímpio da Silva Matos. A presidenta, Edna Matos, reconhece que o Troca de Saberesresgata o Clube de Mães das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). “Ao mesmo tempo em que as mulheres partilham a vida difícil e aprendem artesanatos, também despertam e reivindicam os direitos de políticas públicas”, explica. O Troca de Saberesé aberto a todos, sem se preocupar com gênero, idade, opção religiosa e formação. Algumas mulheres são acompanhadas por José Martin, que procura desenvolver habilidades de concentração e coordenação motora em um grupo de participantes, com pintura de mandalas para confecção de bolsas ecológicas de algodão cru. Um trabalho feito a muitas mãos, com excelentes resultados. Desde que as SSpS perceberam que as consequências da covid-19 deixaram pessoas desanimadas, com baixa autoestima, com crises familiares, foram impulsionadas a querer ajudar na recuperação da força, da fé e da esperança da população local. Objetivo confirmado pelas participantes. “Sou evangélica, casada, com dois filhos. Sou voluntária e me sinto maravilhosa, acolhida por todas. Eu adoro dar aula de bordado. Estou aqui desde 2022” (Elisabete Alves dos Santos). “Participo há dois meses. Toda terça-feira, é uma verdadeira terapia. Amo, sou acolhida; são minhas irmãs. Estamos aqui para aprender e ensinar. Estou aprendendo fuxico e fechando mantas, com a ajuda de outras mulheres” (Luciana Maria da Silva). “Fui para a inscrição de moradia na Associação Povo em Ação e aí fiquei sabendo do Troca de Saberes. Conheci e gostei. Agora que me aposentei, estou aqui aprendendo crochê, além de estar estudando. Eu amo este espaço” (Maria José da Conceição). “Fui para a inscrição de moradia na Associação Povo em Ação e aí fiquei sabendo do Troca de Saberes. Conheci e gostei. Agora que me aposentei, estou aqui aprendendo crochê, além de estar estudando. Eu amo este espaço” (Maria José da Conceição). O Projeto Troca de Saberes define um cronograma de produção dos artesanatos que não interfere nos momentos de diálogo, escuta ativa, meditação, oração, dança e partilha de lanche no fim dos encontros. Miriam Bernadete de SouzaLeiga missionária
Ascensão: quando “subir” significa “descer”

“Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20) Na dinâmica do Tempo Litúrgico, após uma longa e criativa caminhada com Jesus, a liturgia nos faz “desaparecer em Deus”, como o Cristo da Ascensão “desapareceu em Deus”. “Depois de sua paixão, Jesus mostrou-se vivo a eles, com numerosas provas; apareceu-lhes por um período de quarenta dias, falando do Reino de Deus” (At 1,3). Tivemos, portanto, 40 dias que nos prepararam para acolher a nova maneira de presença de Jesus, depois que, segundo nos diz o evangelho, Ele “ascendeu” ao céu. O número 40 aparece com frequência na Bíblia, sempre relacionado com tempos de experiências vitais profundas, cruciais, fundantes. Algumas vezes, tempo de caminho incansável, outras vezes, tempo de espera paciente, mas sempre tempos de busca, preparação, escuta e crescimento pessoal ou comunitário. Falamos, então, de tempo (40 dias) e espaço (a ascensão ao céu). Tempo e espaço que, de modo claramente pedagógico, são utilizados pelo evangelho como meios de preparação para que possamos amadurecer o nosso processo no seguimento de Jesus Cristo. Por tudo isso, é importante que estejamos atentos às últimas palavras que Jesus nos diz no evangelho de hoje: “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Fica claro que Jesus, ao “subir”, coloca seus seguidores em movimento. “Por que ficais aqui, parados?”, dirá o livro dos Atos. Portanto, não percamos tempo; já tivemos o tempo suficiente, 40 dias. Já não há desculpas. O Senhor não só nos preparou para esse momento, mas promete continuar ao nosso lado, atuar junto a nós e confirmar a nossa missão de sermos presenças inspiradas e criativas no mundo. Não fiquemos parados! Mateus culmina seu evangelho relatando a despedida de Jesus. Aqui não aparece nenhuma “subida”; o que há é a promessa de uma permanente presença de Jesus. Mais que uma “subida”, há um “permanecer”, um estar todos os dias, uma contínua solidariedade. Não há ausência de Jesus, mas um novo modo de presença, a “d’Aquele que não tinha deixado o Pai ao descer à terra nem tinha abandonado os seus discípulos ao subir ao céu” (S. Leão Magno). Por meio do Espírito se realiza este novo modo de presença. O Espírito faz com que Jesus Cristo, que se foi, venha agora e sempre de um modo novo. O Espírito não é uma compensação pela ausência de Jesus, mas o modo como Ele se faz presente. Graças ao Espírito, continua a atividade salvífica d’Ele; graças ao Espírito, as palavras de Jesus se fazem novas, atuais, presentes. Os Onze discípulos retornam à Galileia; são onze, porque um se perdeu, símbolo do perigo que correrá cada discípulo e cada comunidade. Eles voltam ao lugar onde tinham experimentado a sedução do primeiro chamado: “Segui-me e farei de vós pescadores do humano”. Tinham seguido Jesus com entusiasmo, embora lhes tenha custado muito entendê-lo e, sobretudo no final, o quão difícil foi superar o trauma de sua morte na Cruz e reconhecer no Crucificado a plenitude da Vida. Jesus lhes indica com toda precisão qual deve ser a missão deles. Não é propriamente “ensinar uma doutrina”, não é só “anunciar o Ressuscitado”. Sem dúvida, os discípulos de Jesus deverão cuidar diversos aspectos: “dar testemunho do Ressuscitado”, “proclamar o Evangelho”, “implantar comunidades”…, mas tudo está finalmente orientado a um objetivo: “fazer discípulos de Jesus”. A festa da Ascensão nos recorda que Jesus não “subiu” fisicamente ao céu. A Ascensão do Senhor é outra coisa; se “subiu” é porque primeiro “desceu”. Porque se “humanizou”, fazendo-se servidor, foi “exaltado por Deus” (Fl 2,9). “Quem se humilha, será exaltado” (Mt 23,12). Só a partir desta atitude é possível compreender a recomendação que Jesus faz a seus seguidores(as): aquele(a) que quer ser o primeiro, que seja o(a) servidor(a) de todos. Subir, elevar-se, estar acima dos outros, triunfar, conquistar o primeiro lugar… são expressões que se revelam sempre tentadoras. “Subir” é a aspiração de todo ser humano no terreno político, laboral, financeiro, esportivo, relacional… Assim funciona a nossa sociedade competitiva. Mas, “entre vós não deve ser assim”, nos diz Jesus. Quando buscamos as “subidas”, nossas obras serão de morte (ódio, competição, divisão, indiferença…) e as obras de vida serão esvaziadas; é preciso viver a “mística da descida”, ou seja, acolher o estrangeiro, atender ao enfermo, defender o maltratado, perdoar quem nos ofende… Se entrarmos no “fluxo de descida” de Jesus, nossas obras serão de vida. Agora, Jesus nos convoca de novo à Galileia, à montanha das bem-aventuranças, para nos confiar outra missão, muito mais exigente: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos”. Não temos de voltar à Jerusalém, o centro do poder político e religioso, que havia crucificado o Mestre. O horizonte é agora universal: “todos os povos”, sem nenhuma discriminação. Encontraremos raças diferentes, línguas desconhecidas, culturas surpreendentes. Não teremos de mudá-las, mas iluminá-las com a verdade e a originalidade do modo de ser e viver de Jesus. Diremos só uma palavra essencial: “amem-se”. Amem-se com a riqueza de suas próprias tradições, com a originalidade de seus próprios costumes e ritos. Amem-se e conheçam Aquele que nos amou primeiro, que entregou sua vida por amor. Não translademos a outros povos nossa cultura, não imponhamos nossos costumes e nossas leis; não preguemos outra lei a não ser o mandamento do amor, pois muitos a praticam em diferentes formas, iluminados pelo mesmo Espírito que não se deixa prender por uma instituição ou religião. E batizemos “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”: inundemos o mundo do amor da Trindade santa, comunidade de amor que nos faz partícipes de sua vida divina. Esta é a nossa missão: fazer “seguidores” de Jesus para que conheçam sua mensagem, sintonizem-se com seu projeto, aprendam a viver como Ele e prolonguem hoje a presença d’Ele no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus e o ensinamento a observar tudo o que Ele ordenou, são vias para aprender a ser seus discípulos.
“Eu, o outro e o nós”: professoras da educação infantil partilham experiência

Eu sou assim… Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), esse campo contempla o autoconhecimento, a construção de relações, a criação de vínculos sociais, o sentimento de pertencimento e de coletividade, além da diversidade cultural e o respeito às diferentes formas de pensar e de agir do outro. Desse modo, quanto mais cedo a criança participa de dinâmicas de vivências em diferentes contextos sociais (a escola é um deles), sua compreensão de mundo avança e sua autoestima se desenvolve. É na escola que ocorre o primeiro contato com a socialização, onde as crianças começam a trocar experiências, desenvolver a empatia e a ter o primeiro contato com as regras de convivência estabelecida em grupo. O papel do professor é estimular, mediar e orientar essa boa relação. O desenvolvimento socioemocional da criança tem sido muito estimulado no contexto escolar. É muito importante entender como o aluno da educação infantil pensa e age na hora da resolução de conflitos. A observação e a compreensão do professor ou mediador são muito importantes nessa faixa etária. É importante ressaltar que, como em todo processo, a construção de habilidades socioemocionais avança um pouco a cada dia e a cada situação, uma vez que a criança buscará agir sempre na tentativa de satisfazer os próprios desejos. Assim, é imprescindível o diálogo constante como ferramenta para a mediação de conflitos e desentendimentos entre as crianças. O uso de recursos variados, como histórias, música, caixa surpresa, jogos e brincadeiras no dia a dia escolar, permite muitas coisas: movimentar as partes do corpo para se expressar; explorar sons do próprio corpo e do ambiente; reconhecer quando é chamado pelo nome e reconhecer o nome dos outros; explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais, além das abordagens cognitivas, a criação de espaços de reflexão em que é possível ceder um pouco de nosso lugar para o outro. Diante disso, proporcionamos uma atividade coletiva, na qual as crianças ouviram músicas com comandos de identificar, com gestos e movimentos, partes do corpo. Em seguida, puderam se observar no espelho, perceber no outro suas semelhanças e diferenças. Numa roda na quadra, cada um sentou-se em frente a um círculo desenhado com giz no chão e fizeram seu autorretrato. Com essa atividade, a criança teve a oportunidade de se reconhecer como pessoa, descobrir o próprio corpo, suas capacidades de movimento e interação. Atividades assim são essenciais para o desenvolvimento infantil, além de serem muito divertidas, pelas quais as crianças demonstram interesse, entusiasmo, alegria e muita imaginação. É brincando que se aprende! Veja algumas fotos! Da esquerda para a direita: Elba Soares, Danielle Araujo, Mariana Amorim, Renata Gomes e Camila Parreira, professoras do maternal I e II no Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ.
Terciato 2023 leva membros da Família Arnaldina aos lugares de origem

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD) participam, em Nemi (arredores de Roma, Itália) e Steyl (Holanda), do Curso de Terciato 2023. O evento tem como objetivo favorecer aos participantes um tempo especial para aprofundamento da vida religiosa missionária, experienciar a riqueza da vida comunitária intercultural e ajudar a criar abertura para os desafios no processo de transformação e renovação. O curso tem como cenário os lugares importantes na origem da família espiritual fundada por Santo Arnaldo Janssen. A proposta é favorecer às missionárias e aos missionários a conexão com suas raízes. Para irmã Zoleide Adriana Renosto, SSpS, o Curso de Terciato está sendo um momento enriquecedor, de graça, bênçãos e renovação, por ser um tempo de estudo e oportunidades. “O que estudamos em livros e que as irmãs nos contaram, hoje, estou aqui, vivendo interiormente essa graça de estar onde teve início nossa Congregação, por meio do sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria e Josefa. Momento único, especial.” Irmã Zoleide se diz agradecida à direção provincial Brasil-Sul por poder fazer a experiência, junto à Família Arnaldina, nos locais de origem dos fundadores, onde toda a história das congregações teve início. “É uma experiência muito boa de convivência, como família, numa caminhada de fé, renovação espiritual, humana, da missão. É um momento de muita emoção interior, de muita fé. Estar em Oies, onde nasceu São José Freinademetz, foi um momento muito marcante para mim. Toda a cidade fala de São José, tudo é dedicado a ele, é um grande missionário. A experiência me alimentou para buscar nele inspiração para ser uma boa serva do Espírito Santo na missão que Deus me confia”, declara. Para a Ir. Nely, é uma possibilidade de conivência muito intensa e tensa entre irmãos e irmãs, com base na mesma espiritualidade e carisma e, ao mesmo tempo, de muitas culturas diferentes. “Foi quase que um laboratório que, às vezes, evidenciou nossas próprias limitações e nos mostrou lugares que nos convidam a crescer e compreensões que convocam a alargar nossas possibilidades de convivência e nossa compreensão de missão”, relata. O curso, diz Ir. Nely, “foi uma oportunidade de aprofundar os lugares onde nossas congregações começaram e ver a compreensão da geração fundadora, irmãos e irmãs, com o elã que se lançaram e com uma meta absolutamente definida, que é preparar uma vida missionária e enviar pessoas em missão. Encanta-me muito a certeza com a qual eles fizeram isso, o que será uma inspiração para novas iniciativas na minha vida religiosa”. “Este foi o melhor presente que pude ganhar nos meus 25 anos de vida consagrada. Eu me sinto tão feliz que não tenho palavras para agradecer”, confessa Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeiro. “O Terciário oferece momentos fortes de vida comunitária e oportunidades de partilhas em grupo das alegrias e dificuldades encontradas na missão”, completa. Também, segundo ela, é um tempo para aprofundamento teórico, bíblico, dos documentos da Igreja, missionário, da história da Congregação e da vida dos fundadores. “Pude pisar onde pisaram os fundadores, um lugar abençoado. Estamos terminando o lindo retiro personalizado, e estou fazendo uma experiência maravilhosa.” Para a Ir. Juliana de Andrade, a convivência entre as congregações, a partilha da missão, o orar juntos, retomar o carisma desde suas origens são experiências que fortalecem e enriquecem a missão. “Abre o desejo e a possibilidade de maior cooperação em nossos trabalhos e na busca de respostas aos desafios atuais”, explica. “O Terciário” – explica Ir. Juliana – “significou um aprofundamento de nossas raízes, de minha identidade como SSpS, assim como abriu novos horizontes, me dando um novo gás para o dia a dia da missão. Só tenho a agradecer à Província e à Congregação por tão bela oportunidade.” Perfil dos participantes Participam do Terciato conjunto 33 pessoas de 17 nacionalidades, entre missionários do Verbo Divino e missionárias Servas do Espírito Santo. Têm a faixa etária entre 42 e 64 anos, com o mínimo de dez anos de votos perpétuos. Missionárias Servas do Espírito Santo A Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi fundada, em 8 de dezembro de 1889, por Santo Arnaldo Janssen e com a indispensável colaboração das Bem-aventuradas Maria Helena Stollenwerk (Madre Maria) e Hendrina Stenmanns (Madre Josefa), e outras jovens aspirantes. A missão no Brasil iniciou-se em Juiz de Fora-MG, em 20 de agosto de 1902. Hoje elas marcam presença missionária em 11 Estados. Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
Juiz de Fora: Centro Educacional Madre Maria Helena em novo espaço

Na quarta-feira, 9 de maio, foi inaugurado o novo espaço do Centro Educacional Madre Maria Helena, em Juiz de Fora-MG. Na ocasião, Juliana Íris da Silva Rodrigues, mãe da aluna Helena da Silva Rodrigues, da educação infantil, dirigiu à comunidade uma mensagem. Veja o texto a seguir: O livro dos Provérbios (22,6) diz: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e, mesmo com o passar dos anos, não se desviará deles”. E existe um ditado africano que diz que é necessária uma aldeia para educar uma criança. Partindo desses dois pontos, nos fica muito claro que o Centro Educacional Maria Helena é o caminho que nos leva a ter objetivos concretos e palpáveis no que diz respeito à educação de nossos filhos. Temos o privilégio de contar com uma instituição que carrega os mesmos valores e princípios que os nossos. Uma instituição que acolhe nossos filhos todos os dias pela manhã, com carinho, respeito e responsabilidade. Obrigada! Por isso, somos gratos pela confiança nunca quebrada. Pela segurança nunca interrompida. Uma instituição que está em constante busca de ofertar uma educação de qualidade e integrar a família em todas as atividades desenvolvidas na escola. Perfeitos? Não, eles não são. Mas que bom! Porque, assim, temos a certeza de que estes profissionais vão continuar em uma incessante busca de qualificação, o que os torna profissionais melhores, ofertando aos nossos filhos excelência dentro do que os compete. Em cada demanda colocada a elas, nos é dada uma resposta com eficácia. Em cada apresentação, festividades que elas organizam, ficamos surpresos e alegres com tamanho cuidado, dedicação e empenho ali colocados, para que seja um sucesso. E é! Esta fase de nossos filhos nunca voltará, por isso ficamos muito felizes e gratos por terem começado suas jornadas escolares em um lugar tão especial, por cada momento estar sendo eternizado em nossos corações. Para concluir, cito o evangelho de Marcos 9,36-37: “E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: ‘Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou’”. Que grande graça de Deus é a instituição educacional que, seguindo os ensinamentos de Cristo, recebe nossos pequenos como quem recebe o próprio Jesus Cristo. Educar é um dom único, transmitir conhecimentos intelectuais e morais é um desafio, e o Centro Educacional Maria Helena vem cumprindo esse dom de forma brilhante. Em cada atividade desenvolvida, nossos filhos crescem no amor, no respeito e nos principais valores éticos e morais os quais poderíamos lhes dar a conhecer. A família sempre presente, pois é a base de tudo. Em nome de todos os pais, agradecemos imensamente por cada união, cada palavra e cuidado. E desejamos que todas as conquistas e realizações sejam contínuas e que Deus abençoe a todos! Nosso carinho e admiração às irmãs missionárias servas do Espírito Santo que, no dia 9 de maio, inauguraram a nova sede do Centro Educacional Maria Helena. Obra assistencial que atende crianças carentes na cidade de Juiz de Fora. O cuidado, o zelo com que preparam cada detalhe: o ambiente, a equipe educacional, a formação humana e cristã, o ambiente, a alimentação, nos mostra que missão é servir, fazer o bem às pessoas em todas as oportunidades e, acima de tudo, missão é amar. #somosmelhoresjuntos
Viver na verdade do Espírito de Jesus

“… e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade” (Jo 14,16-17a) Jesus está se despedindo de seus discípulos; Ele os vê tristes e abatidos, pois logo não o terão presente entre eles. Quem poderá preencher este vazio da ausência? Até agora, foi Jesus quem cuidou deles, defendendo-os dos escribas e fariseus, sustentando-os na fé frágil e vacilante deles, ajudando-os a descobrir a verdade de Deus e iniciando-os em seu projeto humanizador. Nesta conversação Jesus não só verbaliza o que pensa, senão que também expressa o que sente. O grau de autorrevelação e transparência aumenta. Esta longa conversa é uma oportunidade única para os discípulos conhecerem mais profundamente o Mestre; ao mesmo tempo lhes é dada a chance de se conectarem com o significado nem sempre consciente daquilo que Jesus quer dizer. A conversação deixa, então, transparecer as convicções, os sonhos, os sentimentos… de Jesus. “As palavras me escondem sem cuidado” (Manoel de Barros). Nesta maneira de conversar, Jesus se manifesta tal e como é, verbalizando aspectos de si mesmo muito íntimos e pessoais. A experiência do “nós” revela um significado especial de comunhão e entrega. Jesus lhes fala apaixonadamente do seu Espírito; não os quer deixar órfãos. Ele mesmo pedirá ao Pai que não os abandone, que lhe dê “outro defensor” para que “esteja sempre com eles”. Jesus o chama “Espírito da verdade”. Que se esconde nestas palavras de Jesus? Para o quarto evangelho, o Espírito é “outro Paráclito” porque aquelas comunidades do final do século I tem claro que o “primeiro Paráclito” é o próprio Jesus. O termo grego “Parakletos”, que se costuma traduzir como “Defensor”, significa literalmente “aquele que está ao lado”, para defender, apoiar, consolar, sustentar… Por esse motivo, alguém já insinuou que a tradução mais de acordo seria tanto de “advogado defensor” como de “assistente social”. Uma coisa é muito clara para o evangelista João. O mundo não vai poder “ver” nem “conhecer” a verdade que se esconde em Jesus. Para muitos, Jesus terá passado por este mundo como se nada tivesse acontecido; não deixará rastro algum em suas vidas. Para conhecer Jesus é preciso ter olhos novos. Só aqueles que o amam poderão experimentar que Ele está vivo, faz viver e chama ao seguimento. “Conhecimento interno para mais amá-lo e segui-lo” (S. Inácio). Este “Espírito da verdade” não deve ser confundido com doutrina, dogmas… Não se encontra nos livros dos teólogos nem nos documentos do magistério da Igreja. Segundo a promessa de Jesus, “o Espírito permanece junto de nós e está dentro de nós”. Nós o escutamos em nosso interior e resplandece na vida de quem segue os passos de Jesus de maneira humilde, confiada e fiel. É o “Espírito da verdade” que desperta em nós os sentimentos mais elevados, os desejos mais nobres, os recursos inspiradores… Ele tem a capacidade de fazer sintonizar nosso coração com os sentimentos do coração do próprio Jesus. Talvez seja esta a conversão que mais precisamos hoje como seguidores(as): passar de uma adesão verbal, rotineira e pouco real a Jesus para a experiência de viver enraizados em seu “Espírito da verdade”. Afinal, somos seguidores de uma Pessoa e não de uma religião ou doutrina. Este “Espírito da verdade” não nos converte em “proprietários” da verdade; não vem para que imponhamos a outros nossa fé nem para que controlemos sua ortodoxia. Vem para não nos deixar órfãos de Jesus, e nos convida a abrir-nos à sua verdade, escutando, acolhendo e vivendo seu Evangelho. Este “Espírito da verdade” também não nos faz “guardiães” da verdade, mas testemunhas. Nossa missão não é disputar, combater nem derrotar adversários, mas viver a verdade do Evangelho e “amar a Jesus guardando seus mandamentos”. O “Espírito da verdade” é Aquele que nos desvela como verdadeiros; Ele nos sintoniza com a “verdade de Jesus” e faz emergir nossa verdadeira identidade de pessoas originais, únicas, sagradas… Quem se deixa conduzir pelo “Espírito da verdade” torna-se testemunho da verdade contra todo tipo de calúnias, mentiras, intolerâncias, fanatismos. É extremamente incoerente quem afirma se deixar conduzir pelo Espírito e atua como canal transmissor de “fake news”, julgamentos preconceituosos… A “verdade” se expressa assim como “testemunho” de vida interior. Temos ao nosso lado o Grande Testemunho de Deus, que é Jesus. Podemos ser e somos testemunhas de Deus uns para com os outros. O Deus de Jesus está presente no mais profundo de nosso ser, identificado com nossa essência. Sendo Amor em nós não pode admitir intermediários. Isto não é útil para nenhum poder ou instituição. Mas esse é o Deus de Jesus. Esse é o Deus que, sendo Espírito, tem como único objetivo conduzir-nos à plenitude da verdade, a sermos verdade, verdadeiros, autênticos. E aqui “Verdade”, ao contrário do que muitas vezes pensamos, não é conhecimento, mas Vida. Enquanto haja Espírito há alento e enquanto haja alento há vida. O Espírito é o alento, a respiração do mundo. O Espírito enche a face da terra, penetra até o mais íntimo dos nossos corações. O Santo Espírito da verdade nos faz respirar, viver, sonhar, amar, criar… O Espírito, no aperto nos dá largueza, na enfermidade nos convida a crer na cura, no caos nos torna criadores. O Espírito nos foi enviado para que seja o Alento do mundo; Ele é como rios de água viva para que haja vida e vida em abundância; como labaredas de fogo, para que a energia se multiplique e tudo funcione. “Creio no Espírito Santo, Senhor e doador de vida!” Essa confissão de fé não é uma mera fórmula teológica. É o testemunho de uma experiência permanente, histórica. Sem o “Espírito de Vida” a trama da história se revela inquietante e deprimente. Sob o olhar do Espírito o diagnóstico é decididamente positivo. Quando nos deixamos acender com as chamas do Espírito, quando nos deixamos arejar pelo vento impetuoso do Espírito, ou refrescar pelos rios de água viva, experimentamos, em nós e nos demais, um florescimento inusitado de carismas, de dons, que tornam possível o impossível; confiamos mais
Paz e Guerras: O Dilema da Convivência Humana

Em dezembro de 2017, a Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou 16 de maio como o Dia Internacional da Convivência em Paz. A UNESCO ressalta que a cultura de paz elimina todas as formas de discriminação e intolerância, permitindo assim o desenvolvimento dos seres humanos de acordo com suas habilidades e capacidades. Não há dúvidas de que a paz é um dos sentimentos mais desejados pelos seres humanos. Paradoxalmente, seu estabelecimento nas relações humanas e institucionais ainda é um desafio colossal que enfrentamos. No início de 2022, todas as nações acompanharam apreensivas a entrada das forças armadas russas no território ucraniano. Diariamente, nos noticiários, vemos o que o interesse por regiões estratégicas e as disputas de poder têm ocasionado nas vidas de milhares de pessoas de ambas as nacionalidades. Outros conflitos paralelos, com consequências equiparáveis às populações locais, mas sem destaque nas lentes da grande mídia, ocorrem em vários pontos do globo, principalmente nos países mais empobrecidos. No Brasil, no mesmo ano em que a ONU declarou o Dia Internacional da Convivência em Paz, as estatísticas mostravam que, a cada 23 minutos, um jovem negro era assassinado. Outro dado alarmante vem da Fundação Oswaldo Cruz. O Mapa de Conflitos Ambientais, elaborado por ela, mostra que o Brasil contabiliza 615 conflitos ambientais em 12 anos. Essas realidades, entre inúmeras outras, tanto no nível macrossocial quanto no micro, desafiam-nos constantemente na construção da cultura da paz. Imersos na sociedade pós-moderna, com uma lógica cada vez mais competitiva e individualista, muitas vezes, passamos do sentimento da impotência à indiferença, naturalizando os fatos. O que fazer diante desses fatos? Hannah Arendt, filósofa que viveu em meio aos horrores do nazismo, deixa-nos uma lição importante. Para ela, a conciliação das diferenças, capaz de garantir uma boa convivência humana, evitando os conflitos, é possível pela ação comunicativa. Isso pressupõe um diálogo enraizado na ética e no respeito ao outro, evitando qualquer forma de mentira e manipulação. Quando o espaço do debate e do respeito é ameaçado, surgem a violência e a guerra, afirma Arendt. Esse pensamento de Hannah Arendt é fonte de inspiração para nossas relações humanas, em todos os espaços. A paz é uma construção, e todos temos responsabilidade nessa empreitada. Isso significa que, mais do que um desejo abstrato, a paz pressupõe uma ação consciente, um esforço pessoal e coletivo. Cabe-nos, portanto, perguntar: estou disposta(o) a dialogar com o diferente em busca do bem comum ou prefiro o uso da força (do autoritarismo) para impor minhas vontades e satisfazer a meus interesses? Enfim, como minhas atitudes estão impactando o mundo: estou alimentando a cultura da paz ou os conflitos e guerras? Como percebemos, a paz está ao alcance de todos. Que tenhamos a ousadia de sempre optar por ela! Irmã Stela Martins, SSpS, graduanda no curso de Ciências Sociais.
O aumento das desigualdades no universo da saúde pública

Quem procura atendimento médico em uma unidade básica de saúde (UBS), conhecida como “posto de saúde”, passa por muitos percalços até chegar à consulta. Geralmente, a fila é grande ou falta o profissional especializado para determinada enfermidade. E quando este existe, levam-se semanas ou meses para chegar o dia do agendamento, o que obriga algumas pessoas a buscarem hospitais particulares. Dependendo da gravidade, a pessoa vai a óbito. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado para atender todos da população brasileira, tendo em vista que é um direito estabelecido pela Constituição Federal de 1988, conforme o Capítulo II – Dos Direitos Sociais – Art. 6º: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Desde 1994, houve uma estruturação da saúde da família, com equipes multidisciplinares atuando nas UBS e outros atendimentos específicos para a população em geral, como o Disque Saúde, o combate à dengue. A partir de 1998, agentes de saúde passaram a visitar os domicílios, e o Ministério da Saúde começou a fazer campanha de conscientização em relação à prevenção. Em 1999, foi criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para fiscalização de medicamentos e alimentos, após denúncias e verificação de casos de produtos vencidos e causadores de problemas sérios na saúde do povo. Na mesma época, surgiram os medicamentos genéricos, com o intuito de baixar o custo. A bioética, que tem preocupação com a saúde pública, passou a alertar sobre certas indústrias alimentícias e farmacêuticas, para proteção e diminuição dos danos à saúde. A partir de 2001, a Lei 10.216/01 passou a amparar pessoas com doenças mentais. Em 2002, esse direito ampliou-se para as pessoas com deficiências, para o atendimento a indígenas e para a redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Em 2003, foi criado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, conhecido como SAMU. Muitas campanhas em prol da saúde têm sido feitas como política nacional, por exemplo, sobre o uso abusivo do álcool (2007), a saúde do homem (2009), estudos para a produção de células-troncos, enfrentamento a diversas doenças crônicas não transmissíveis, a regularização do Cartão Nacional de Saúde (2011). Embora muitos avanços ocorreram na área da saúde, pelo Ministério da Saúde, infelizmente, muita verba foi desviada e outras políticas públicas deixaram de contemplar prioridades para a população. Como vimos durante a pandemia, respiradores, kits necessários para os profissionais da saúde e até vacina foram superfaturados por empresas mercenárias. As vacinas têm sido grandes aliadas para salvar muitas vidas. A saúde pública tem combatido a diversidade de vírus e suas mutações graças aos cientistas da área epidemiológica e de infecção, que estão constantemente em busca de novas fórmulas para deter os micro-organismos nocivos ao ser humano. E para a camada da população que tem plano de saúde? Com promessas de resolverem o problema de falta de atendimento nos postos públicos, muitas pessoas fazem plano de saúde, pelos quais pagam uma quantia por mês para terem o direito de serem atendidas com mais rapidez. Todavia os planos buscam cobrar, além das mensalidades, cada exame que tiver de ser feito. As mensalidades aumentam conforme a idade do cliente, o que tem levado muitos a abandonarem o sistema privado e serem atendidos pelo SUS. Essa realidade tem aumentado mais ainda o problema das filas e a demora no agendamento para as especialidades médicas. O que fazer, então? Como diz a Constituição Federal de 1988, a saúde é para todos os brasileiros, por isso é necessário que todos os postos de saúde tenham mais médicos e enfermeiros. Daí o Programa Mais Médicos, idealizado pelo Ministério da Saúde. O Ministério da Educação deveria incentivar que, no início da carreira, os novos médicos e médicas atendessem as populações menos favorecidas. Infelizmente, encontramos consultórios particulares cobrando 400 ou 500 reais por uns minutos de orientação ou pedidos de exames que, também, serão cobrados à parte. A população brasileira anda muito doente, pois não tem uma alimentação adequada, muitos já têm a idade avançada, sem falar nas localidades distantes, nas quais não chega profissional especializado, por causa da falta de condições para atendimento. Muitos lugares no Brasil carecem de qualquer assistência médica, ficando por conta das benzedeiras locais o paliativo de cura. Cuidemos do corpo e da saúde mental diante de tanta desigualdade e falta de cuidado com a população. Temos esperança de que dias melhores virão, mas, para isso, exige-se união de todos em cobrar dos representantes do povo e da Nação (deputados, senadores, vereadores) melhorias no quesito saúde pública. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC, Sintran e membro da APROFFIB. Atualmente, é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura (ALESC) e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis e, recentemente, da Associação de Voluntários de Combate ao Câncer (AVCC), de Jales-SP.
Caminho-Verdade-Vida: três fomes que nos humanizam

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6) A conversação de Jesus com os discípulos no evangelho deste domingo faz parte do chamado “discurso de despedida”, antes de sua morte. Quando ela acontece, o clima entre os discípulos era de máxima tensão e de espera incerta do desenlace. No final da última Ceia começam a intuir que Jesus já não estará muito tempo com eles. A saída precipitada de Judas, o anúncio de que Pedro o negará em breve, as palavras de Jesus falando de sua próxima partida deixaram a todos desconcertados e abatidos. O que vai acontecer com eles? Jesus capta a tristeza e a perturbação deles. Seu coração se comove. Esquecendo-se de si mesmo e daquilo que o espera, Jesus procura animá-los: “Que não se perturbe vosso coração; crede em Deus e crede também em mim”. E, no curso dessa conversação, Jesus faz esta confissão: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai, senão por mim”. Não devem nunca esquecer isso. É nesse contexto de despedida que Jesus se atreve a dizer “eu sou”, mas não um eu isolado em si (um eu sem Deus, um eu sem os outros), mas um eu aberto ao Pai (um eu-caminho) e dirigido a todos que queiram acolhê-lo (um eu-expansivo, que se faz verdade e vida para todos). O “eu” de Jesus se faz caminho, um caminho para o Pai, um caminho no qual a verdade se revela e a vida se abre. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Estamos diante da afirmação mais densa referida à identidade e à essência de Jesus. Não se conhece na história das religiões uma afirmação tão audaz. Jesus se oferece como o caminho que podemos percorrer para entrar no mistério de um Deus Pai. Ele nos faz descobrir o segredo último da existência. Ele pode nos comunicar a vida plena que todo coração humano aspira. O conceito de “caminho” supõe um destino, o Pai. O conceito de “verdade” pressupõe um conteúdo, o mesmo Jesus. Dos três termos, o único absoluto é “Vida”. Porque possui a Vida, Jesus é verdade e é caminho. Hoje reina, em quase todos os ambientes, a confusão, a dispersão, o medo. Há muitos que buscam um caminho para sobreviver: os imigrantes, os refugiados, os famintos, os que não têm um horizonte de sentido… Outros, em meio a uma solidão de um mundo hiperconectado, sentem a desorientação da multiplicidade de mensagens portadoras de mentiras e “fake news”. Outros ainda esvaziam suas vidas investindo no poder, na vaidade, no acúmulo de riquezas… e acabam caindo na maior frustração e vazio interior. “Eu sou o caminho.” O problema de muitos não é que vivem extraviados ou perdidos. Simplesmente vivem sem direção, envolvidos numa espécie de labirinto: andando e girando por mil caminhos que, a partir de fora, não os levam a lugar nenhum. E o que pode fazer um homem ou uma mulher quando se encontra sem caminho? A quem dirigir-se? Onde acudir? Se se aproxima de Jesus, o que encontrará não é uma religião, mas um caminho. Às vezes, avançará com fé; outras vezes, encontrará dificuldades; poderá até retroceder, mas está no caminho certo que conduz ao Pai. Esta é a promessa de Jesus. Jesus não diz “eu sou o templo, o edifício, a plataforma, o porto”. Diz “eu sou o caminho”. É como dizer: “eu sou a maneira de andar, de dirigir-se ao horizonte, de navegar”. Ele não é um ser-refúgio entre nuvens, mas que “se faz caminho ao andar”, vive inserido na realidade do dia a dia, presente nos sonhos, nos problemas e desafios dos seus seguidores. “Eu sou a verdade.” Estas palavras soam como convite escandaloso aos ouvidos pós-modernos. Nem tudo se reduz à razão. A teoria científica não contém toda a verdade. O mistério último da realidade não se deixa prender pelas análises mais sofisticadas. O ser humano é chamado a viver diante do mistério último da realidade. “Verdade” que não se reduz a teorias, a dogmas, doutrinas…, mas transparência da nossa essência, do nosso ser verdadeiro. Jesus não diz: “eu tenho a verdade”, mas “eu sou a verdade”, “sou verdadeiro”, coerente com o seu modo de ser e viver. “Eu sou a vida.” Jesus pode transformar nossa vida. Não como o mestre distante que deixou um legado de sabedoria admirável à humanidade, mas como alguém vivo que, a partir do mais profundo de nosso ser, nos infunde um germe de vida nova. Esta ação de Jesus em nós acontece quase sempre de forma discreta e silenciosa. O seguidor d’Ele só intui uma presença imperceptível. Às vezes, no entanto, nos invade a certeza, a alegria transbordante, a confiança total: Deus existe, nos ama, tudo é possível, inclusive a vida eterna. Nunca entenderemos a fé cristã se não acolhemos Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida. Caminho, Verdade e Vida: três grandes “fomes humanizadoras”; elas apontam para o sentido da nossa existência; expressam as três grandes buscas do ser humano. Três dimensões que nos fazem mais humanos. Não são necessidades periféricas, imediatas. Jesus se apresenta como resposta a estas buscas. O ser humano é ser de travessia: é peregrino por natureza, busca um horizonte, desloca-se em direção a uma plenitude. Jesus se faz o centro deste Caminho. Ali onde alguém faz o caminho como Jesus fez (peregrino entre os mais pobres e excluídos) está deixando transparecer em sua vida o rosto do Pai. Por isso, quem o vê, quem vive como Ele (em amor aberto à vida) vê o Pai da vida. Trata-se de “ver a Jesus” (esta é a experiência pascal), de vernos caminhando com Ele, assumindo Sua verdade, vivendo na dinâmica de Sua vida. Nós somos a verdade, em um nós aberto, como Jesus, aberto a todos os que vão e vem, de um modo especial os mais pobres, os excluídos de todos os sistemas de “verdade” do mundo. Somos “verdade” na medida que somos verdadeiros, transparentes, sem segundas intenções… O ser humano
Espiritualidade da Geração Fundante: Madre Maria

Helena Stollenwerk, enquanto cuidava do rebanho de ovelhas, da família, nos campos de, lia Revistas Missionárias, que foram despertando nela a Vocação Missionária, com o desejo de ser enviada às missões. Desde muito jovem, fazia parte da Obra da Santa Infância, hoje chamada de Infância Missionária. Foi coordenadora de um grupo da Obra da Santa Infância. O seu grupo se empenhava fazendo muitos sacrifícios para enviar os valores, afim de ajudar na evangelização das crianças na China. Tomava conhecimento sobre as crianças abandonadas, sem batismo e sem educação, através das revistas missionárias que lia, enquanto pastoreava. Seu desejo forte era, sem dúvida, ir para como missionária para China e ajudar os sacerdotes, no batismo e iniciação cristã e educação das crianças. Seu entusiasmo pela salvação das crianças, foi a motivação inspiradora de sua vocação missionária. Na vila onde morava Helena, depois Madre Maria, assistia aos pobres, cuidava dos doentes, rezava pelos moribundos. Desenvolveu atitudes de mansidão, de compaixão, desde pequena, porque teve que cuidar dos seus três irmãos surdos-mudos, atitudes que a ajudaram, ainda mais, na busca da vontade de Deus. Por esse motivo, foi a procura de uma congregação, na qual pudesse ser enviada à China. Ao tomar conhecimento da fundação da Casa Missionária para formação de missionários, pelo Padre Arnaldo. Foi ao seu encontro e se ofereceu para trabalhar como empregada na Casa Missionária. Foi lhe oferecida a oportunidade, desafio que aceitou com muita decisão, embora contrariasse seus pais. Outras jovens se uniram a ela na busca pelo ideal missionário. Helena (Madre Maria) foi a primeira formadora e superiora do pequeno grupo de jovens, na nova congregação. Não foi fácil, perceber que os anos iam passando e seu sonho ia ficando para traz. As primeiras Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, foram enviadas, e ela continuava na espera confiante, a sua vez. Muitas vezes, sentiu-se triste, frustrada, mas na oração encontrava forças para compreender que seu lugar de missão era preparar outras irmãs para serem enviadas. Mais tarde, o seu sonho missionário pelas missões foi se desvaindo, pois, Pe. Arnaldo Janssen pediu a Madre Maria, para que passasse ao ramo contemplativo, a recém fundada Congregação Missionárias Servas do Espírito Santo das Irmãs da Adoração Perpetua (MSSpSAP). Este, sem dúvida, foi o desafio muito difícil, talvez o mais difícil, porém o seu grande amor pela Eucaristia, a ajudou a aceitar o pedido do fundador e, depois, de muita oração, diálogo e discernimento, deu o passo, sem, contudo, poder realizar seu forte desejo de ir, pessoalmente, para as missões da China. Madre Maria morreu muito jovem, com apenas 48 anos de idade. O que a guiou e nutriu, em toda sua vida, foi sua união com o Senhor Jesus na Eucaristia e sua entrega total a Ele, no cumprimento da Vontade de Deus Pai. Madre Maria é, ainda hoje, uma grande inspiração para as mulheres missionárias/consagradas, também, para mim. Em anos passados, iniciei a Infância Missionária na Diocese de Ponta Grossa, motivada por Maria Helena, que participava com muito amor desse movimento. Nos lugares por onde andei, sempre iniciei grupos da IAM e me empenhei em formar Agentes para acompanhar esses grupos de crianças e adolescentes. Tenho a firme convicção de que a Criança Missionária, evangeliza as crianças, a família, e, também, adultos. Oração à Bem-Aventurada Madre Maria Ó Deus Trindade, são muitos os clamores dos pobres e as situações de miséria e violência que destroem a beleza da vida dos teus filhos e filhas. Porém, maior é Teu amor e infinita a tua misericórdia. Só Teu Espírito, presente na humanidade é capaz de quebrar o egoísmo, o orgulho e recriar a fraternidade universal, gerando vida. Foi Teu amor, Senhor, que inspirou a bem-aventurada Madre Maria a abraçar o ideal missionário de colocar-se a serviço do Teu Reino, dando inicio à Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Amém. Fonte de Consulta – FIDELIDADE NA CAMINHADA, nº 93 NA Coleção Munsterschwartzach Kleinschriften- Publicado pelos Monges da Abadia Minsterschwartzach – 1995. Publicação conjunta das MSSpS Norte e sul – 1996. – A NOSSA HISTÓRIA CONTINUA: Junho – Julho de 2014. I. Ágada Brand – Apostilas diversas. Irmã Matilde Sacardo, Missionária Serva do Espírito SantoEspecialista em Espiritualidade