Rede de Educação SSpS presente em congressos da ANEC e do Sinepe/RS

A educação é um dos campos de atuação das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS). Por isso, a presença de dirigentes e de representantes da Rede de Educação SSpS em eventos da área sinaliza o interesse genuíno em acompanhar os mais variados debates e reflexões relacionados ao processo de ensino-aprendizagem. Recentemente, dois eventos educacionais serviram como ponto de encontro para conhecer novas práticas pedagógicas e para partilhar experiências: o 17º Congresso do Ensino Privado, promovido pelo Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Estado do Rio Grande do Sul), e o VI Congresso Nacional de Educação Católica, realizado pela ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil). Tendências para incrementar o trabalho Entre os dias 19 e 21 de julho, o 17º Congresso do Ensino Privado proporcionou aos participantes o contato com as principais tendências da educação. O Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre-RS, recebeu cerca de 1.500 educadores e gestores provenientes de 74 Municípios e 194 instituições, incluindo lideranças e especialistas de outros oito Estados. Da rede de Educação SSpS estavam representados os colégios Espírito Santo (Canoas-RS) e Sant’Ana (Ponta Grossa-PR). Ao longo dos três dias, os especialistas falaram sobre funcionamento cognitivo, experiências memoráveis, didática assimétrica, relações socioemocionais, cultura do pensamento e os frutos do processo pedagógico. Ideias que vão se multiplicar e incrementar o trabalho nas instituições de ensino por, no mínimo, mais dois anos, quando um novo encontro deve ser promovido. “O que me impressionou foi ouvir diversos professores dizendo que precisam estudar esses assuntos, porque somente após o estudo e o domínio deles é que poderão fazer um trabalho melhor”, observou o presidente do Sinepe/RS, Oswaldo Dalpiaz. Fazendo valer o tema “Essência e Saberes da Educação”, os participantes ganharam como brinde um aromatizante composto por óleo de bambu e produzido pela equipe do sindicato. Experiências transformadoras que tecem o futuro Mais de 2 mil educadores de todo o Brasil estiveram reunidos no Centro de Convenções de Salvador-BA, entre os dias 29 de junho e 1º de julho, para o VI Congresso Nacional de Educação Católica. Ao todo, foram 40 palestras, com 10 conferências e mesas-redondas, 13 salas temáticas e 23 eventos paralelos na ExpoANEC, tendo como tema central “Transformar o presente, tecer o futuro: pactos e compromissos”. Pela Rede de Educação SSpS, participaram representantes dos colégios das duas províncias (Brasil Norte e Brasil Sul). O evento promoveu a partilha de vários temas comuns a todos os congressistas. A primeira conferência foi sobre a “Educação planetária para a construção da pedagogia da paz”. “Foram muitas as contribuições dos palestrantes do congresso e, em quase todas as falas, estavam presentes os apelos do Papa Francisco. Nessa perspectiva, fomos instigados a tecer futuro, com as mãos e com o coração, como tecelões da sensibilidade, da dedicação e do amor para educar nossas crianças, adolescentes e jovens, para o desejo de serem protagonistas em seu meio, em sua realidade”, comenta a irmã Eva de Lourdes Bueno, do Colégio Espírito Santo (Canoas-RS). Irmã Eva também pôde partilhar seu testemunho inspirador sobre a Plataforma de Ação Laudato si’ no “Espaço Aquário”, local criado como ponto de encontro para troca de ideias, experiências e projetos. Ela ressaltou que a plataforma tem desafiado as comunidades religiosas a repensarem suas formas de pensar e agir: “Com uma abordagem focada na espiritualidade, a Plataforma de Ação Laudato si’ incentiva a incorporação de valores como amorosidade, compaixão e cuidado em relação à casa comum”. Com apoio da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a plataforma proporciona o compartilhamento e dá destaque a projetos de sustentabilidade desenvolvidos em diferentes regiões do País, promovendo a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis. Em uma das salas temáticas, espaços com reflexões sobre temas específicos e em grupos menores, o cuidado com a casa comum também foi o foco da abordagem de Aleluia Heringer e Virginia Abouid em “Ecologia integral na prática: uma metodologia para implantação de ecopedagogia”. Elas explanaram sobre o uso consciente de papel, plástico, água, energia e alimentação. “Enfim nos fizeram refletir como muitas vezes falamos, mas nossa prática, na maioria das vezes, está longe da teoria”, ponderou Maria Aparecida Ribeira, participante da Rede de Educação SSpS Brasil Norte. Consenso entre as religiosas SSpS que participaram do congresso, a apresentação da vida e da obra de Santa Dulce dos Pobres (Irmã Dulce) foi a atividade mais emocionante de toda a programação. “Esse momento foi muito forte, pois foi a sobrinha da Irmã Dulce quem partilhou sua experiência. Ela mostrou todas as obras sociais fundadas para os mais pobres e vulneráveis, a maioria na área da educação”, disse Maria Aparecida. Ela destacou ainda a presença de três pessoas criadas nos orfanatos fundados por Irmã Dulce e que hoje trabalham nessas obras sociais: “Esses ‘filhos’ da Irmã Dulce deram seu testemunho da alegria e gratidão por serem quem são hoje graças a tudo o que receberam no tempo em que estiveram no orfanato”. A possibilidade de saber mais sobre a caminhada da educação no presente, abrangendo diferentes setores do processo educativo, para projetar o futuro alargou horizontes e contribuiu para fomentar o trabalho em rede. “Tive oportunidade de aprender e reaprender tantas coisas, renovar e recriar, projetar e buscar novas alternativas, procurando deixar nosso mundo melhor, mais humano e humanizador. Oportunidade de reavivar o sonho de relações interpessoais humanizadoras, da concretização da Laudato si’, das práticas restaurativas como ferramentas da prevenção dos conflitos e da cultura da paz. Perceber, uma vez mais, na Era Digital em que vivemos, a importância de uma ecologia integral, do desenvolvimento de competências socioemocionais e da educação psicossocial para uma formação integral, de uma gestão empreendedora e a liderança como a arte de cuidar uns dos outros”, resume irmã Ilca Maria Hendges sobre o que vivenciou ao longo dos três dias do congresso. Para saber mais:https://sinepe-rs.org.br/noticias/educadores-voltam-do-17o-congresso-do-ensino-privado-satisfeitos-e-com-dever-de-casa https://anec.org.br/noticias/salvador-recebeu-o-vi-congresso-nacional-de-educacao-catolica-com-mais-de-2-mil-pessoas/ https://crbnacional.org.br/a-plataforma-de-acao-laudato-si-promove-sustentabilidade-durante-o-vi-congresso-de-educacao-catolica/
Traços, sons, cores e formas na vivência da espiritualidade com a criança

Quando as crianças experimentam a espiritualidade na infância, isso ajuda a desenvolver a mente, as emoções e os relacionamentos delas. A espiritualidade pode ser sentida de muitas maneiras, por meio de coisas como sons, cores e formas. Este texto fala sobre como esses elementos são importantes para as crianças experimentarem a espiritualidade e como isso pode ajudá-las a se sentirem conectadas a algo maior. Os traços, ou seja, as linhas que compõem uma imagem, podem despertar a curiosidade e a imaginação da criança, proporcionando uma maneira tangível de se conectar com o mundo espiritual. Desenhos, símbolos e representações visuais de conceitos espirituais podem ajudar a criança a compreender e internalizar essas ideias abstratas. Por exemplo, mandalas, que são desenhos circulares utilizados em algumas tradições espirituais, podem auxiliar a criança a desenvolver um senso de equilíbrio e harmonia. Os timbres têm um efeito profundo na experiência humana, e vivenciar a espiritualidade com uma criança não é diferente. Música, canto, mantras e rituais sonoros podem criar um ambiente propício à introspecção e à conexão espiritual. As canções, por exemplo, podem transmitir valores e ensinamentos, além de gerar um sentimento de pertencimento a uma comunidade. Além disso, a criança pode se expressar musicalmente, criando timbres que refletem sua própria experiência e compreensão de espiritualidade. As cores têm um impacto poderoso em nossas emoções e percepções. Na vivência com crianças, elas podem ser usadas para representar conceitos e estimular a criatividade. Diferentes tradições atribuem significados simbólicos a cores específicas, como azul para serenidade e confiança, e amarelo para alegria e energia. Ao explorar esses significados, a criança pode desenvolver uma compreensão mais profunda de sua própria espiritualidade e expressá-la por suas escolhas de cores. As formas e traços têm papel importante na vivência espiritual com crianças. A geometria sagrada, que usa formas como círculo, triângulo e quadrado, está presente em várias tradições espirituais. As crianças podem explorar essas formas para entender padrões universais e a ordem cósmica, e expressar sua espiritualidade criando mandalas, formas geométricas complexas que representem a totalidade e a conexão com o divino. A experiência da espiritualidade na infância é valiosa para o desenvolvimento pleno da criança. Sons, cores, formas e traços têm um papel importante nessa vivência, permitindo explorar, de maneiras palpáveis, o mundo e suas diversas espiritualidades. Ao proporcionar experiências sensoriais e simbólicas, despertam a imaginação, a criatividade e a conexão com algo maior. É crucial que pais, educadores e cuidadores reconheçam sua importância e criem um ambiente acolhedor e estimulante para a expressão espiritual da criança. Lucas Fortunato CarneiroProfessor e coordenador da Dimensão Missionária no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
No “chão da vida” está escondido nosso verdadeiro tesouro

“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo…; é também como um comprador de pérolas preciosas” (Mt 13,44-45) As parábolas têm sua força na luz da proposta e não na agressividade do contraste. São implicativas, têm valor universal, não precisam de um passo prévio de preparação intelectual para poderem ser compreendidas. São entendidas porque são transparentes, pequenas, sem contornos sofisticados. As parábolas nos evangelhos despertam o dinamismo da fé para acolher a novidade do Reino apresentada por Jesus. É na mesma fé que elas adquirem força para serem propostas, compartilhadas e presenteadas. As parábolas são parte essencial dos métodos terapêuticos de Jesus. Ele cura por meio de histórias, cura usando palavras que abrem o coração dos ouvintes para a própria verdade e para uma relação mais sadia com o Pai. Com seus relatos, Jesus desperta e extrai o melhor e mais nobre presente no interior de cada um; quem o escuta sente um novo movimento que o faz sair de si e abrir-se às surpresas da vida. Por isso, as parábolas apresentam uma linguagem simples, comum, próxima. Para quem as escuta ou as lê, é preciso alargar seus espaços interiores numa atitude de atenção acolhedora, de encontro, de deixar-se envolver e provocar por elas, sem ter que forçar o texto ou uma interpretação. As parábolas apresentam-se sempre como relatos abertos, provocando diferentes reações, despertando e ampliando a vida. Podemos, então, dizer que as parábolas contadas por Jesus são “arriscadas”. Não pertencem à literatura de consumo; ampliam a vida e a comprometem; pronunciá-las ou assumi-las como estilo de vida dá medo… Colocam-nos no fluxo do divino e precisamente por isso tem um atrativo muito especial: são incontestáveis. As parábolas do tesouro escondido ou da pérola procurada, presentes em diferentes tradições sapienciais, constitui um convite a encontrar ou descobrir aquilo que, mesmo sem saber, desejamos: o que realmente somos. Elas contêm várias indicações valiosas: o tesouro e a pérola estão aí, o tempo todo; trata-se simplesmente de descobri-los. Não são algo separado de nós, nem algo do qual carecemos, mas justamente aquilo que somos. Quando os encontramos ou descobrimos, tudo o mais começa a ser visto como algo secundário; e essa descoberta se traduz em alegria perene. Todo ser humano anseia por esse tesouro e essa pérola. De fato, é essa aspiração que nos move, nos faz iniciar a busca e percorrer diferentes caminhos, atraídos sempre por seu aroma de plenitude. No entanto, nessa busca pode acontecer de tudo: nos distraímos e terminamos enredados; nos conformamos com pequenas “guloseimas” ou nos entretemos com “brinquedos”, esquecendo o tesouro real; calamos a voz do desejo profundo, abafando-nos com múltiplos ruídos; dizemos a nós mesmos que a aspiração profunda é inventada e que é necessário ser “práticos” e não acreditar em “contos” ilusórios… E, mesmo no melhor dos casos, quando a busca se apoia numa forte determinação, não é fácil superar a armadilha que nos incita a buscar o tesouro ou a pérola em “algo” fora, longe ou no futuro. Há em todos nós o “bom odor” da plenitude. Mas, nossa mente, identificada com nosso ego separado, nos faz crer que a plenitude se encontra fora e aí começamos a correria que não conduz a nenhum lugar. As parábolas deste domingo nos recordam esta inspiradora verdade: nós, em nossa verdadeira identidade, somos já o que estamos buscando. Não é preciso correr para fora, porque onde temos de chegar é no nosso eu mais profundo, na nossa essência, onde somos nós mesmos. Basta pacificar a mente e, se tivermos paciência e perseverança nisso, o silêncio nos mostrará o tesouro que desde sempre aspiramos. Quando isto acontece, a busca será concluída: descobrimos o que sempre fomos e que nos permanecia oculto. Só podemos encontrar o tesouro e a pérola dentro de nós se descermos ao chão de nossa vida, ou mergulharmos nas profundezas de nossa interioridade. É normal que nós nos surpreendamos frente a frente com um “eu” desconhecido, temido ou reprimido há muito tempo. O caminho para o nosso tesouro passa pelo diálogo com os nossos instintos, com nossas paixões, com nossos problemas e fragilidades, nossas angústias e nossas feridas, com tudo quanto grita dentro de nós e consome nossa energia. A espiritualidade cristã nos mostra que exatamente em nossas feridas nós descobrimos o tesouro do nosso verdadeiro “eu” escondido no fundo de nosso coração. “Lá onde nós fomos feridos, onde nos quebramos, aí nós também nos abrimos para Deus” (H. Nouwen). Se algo nos deixa claro nas parábolas deste domingo é que a renúncia ou desprendimento evangélico não é um meio para ter acesso ao Reino, mas consequência de tê-lo encontrado. É o tesouro e a pérola que exigem e possibilitam a renúncia, uma vez encontrado. Não o inverso. É muito curiosa esta íntima relação evangélica entre a alegria e a perda. Uma alegria que nos mobiliza… e nos despoja. “A alegria é o primeiro efeito do amor e, portanto, da entrega… Pelo contrário, a tristeza é um vício causado pelo desordenado amor de si mesmo, que não é um vício especial, mas a raiz geral de todos eles”(S. Tomás de Aquino). A partir daqui se entende muito bem a ligação direta entre alegria e entrega total, pois “cada um tanto se aproveitará em todas as coisas espirituais quanto sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Sempre e quando seja um sair que nos adentra em nós mesmos, nos desaloja para poder viver “em casa”. Talvez nos ajude a recuperar o sentido da abnegação e o “custo” (vendeu tudo) como condição necessária para uma vida evangélica. É o duplo movimento do “empobrecer-nos para sermos ricos” (2Cor 8,9), para que o tesouro que nos habita seja o centro de nossa vida e não o ego inflado e estéril. E isso porque se trata de descentrar-nos, de esvaziar o ego e converter o “eu” em um receptáculo cada vez mais disponível para que Deus possa irromper e manifestar-se através dos nossos melhores recursos. Enfim, podemos proclamar esta certeza: o tesouro
Amizade: cultivando laços de vida

Cada pessoa que “vem ao mundo” chega de mãos vazias. Cada passo do desenvolvimento humano saudável só é possível diante da mediação de um outro que cuida e orienta rumo à maturidade. Todavia, mesmo depois de crescidos, ainda se fazem necessários a presença, o olhar, o sorriso de alguém que se anima a compartilhar seus caminhos. Hoje vivemos em uma sociedade hedonista e individualista, que leva as pessoas a crerem que podem viver sozinhas suas vidas, desprovidas de vínculos profundos, que são, muitas vezes, substituídos por coisas, carreiras, dinheiro, aparência e diversão. Existe uma lógica capitalista para a qual as relações se tornaram relativas, efêmeras, funcionais, descartáveis e, consequentemente, assustadoras. Todavia, a construção de um ser humano autossuficiente, sem necessidades básicas, como aceitação, amor, reconhecimento… é ilusão. Tal ilusão tem contribuído com o fechamento e o isolamento de muitas pessoas, que, a longo prazo, veem-se sozinhas, desprovidas de vínculos, depressivas, lutando por encontrar um sentido para sua existência. Distantes da vida social, elas abandonam aspectos importantes para sua própria psique, como a interação, a conexão com o mundo exterior e sua alteridade, a necessidade de pertença, de dar e receber amor, de cuidar e ser cuidado, os vínculos de amizade. Abrir mão de vincular-se com outras pessoas, de compartilhar emoções e experiências de vida rouba do indivíduo recursos que não podem ser comprados, como o entusiasmo, a alegria, a empolgação, a partilha, o propósito que vai para além de si mesmo e a possibilidade de sentir-se importante para alguém. Como resgatar ou preservar nossa alegria e entusiasmo diante das demandas diárias, do isolamento e falta de sentido? Cultivando e construindo laços, vinculando-se, ou seja, buscando amigos que compartilhem com gratuidade sua vida, suas emoções e seus desafios, companheiros na busca de sentido e de respostas às grandes perguntas da vida, que se sintam felizes de ter você por perto. A amizade verdadeira constrói redes de conexões espontâneas e gratuitas, capazes de oferecer afeto e trocas profundas de experiências e emoções. Amigos verdadeiros são como chuva para o campo em tempos de seca, ele acolhe sem julgamento, recebe com alegria e partilha com gratidão, estar em sua presença, muitas vezes, é suficiente para aplacar a angústia e eliminar sentimentos de desamparo. Ao mesmo tempo, um bom amigo também desafia, convida a pessoa ao crescimento e oferece importantes feedbacks em tempos de dúvida ou diante de conflitos diários, podendo ser duro e obstinado em suas opiniões, mas uma amizade profunda tem a capacidade de despertar a consciência e ajudar a pessoa a repensar seus caminhos e aprofundar escolhas. Empatia é uma das mais belas características da amizade. A capacidade de conectar-se com a dor e acolher a vulnerabilidade do outro, sem julgamento e com profunda aceitação, exige liberdade interior e amor, mas é, em si, a essência de uma amizade madura, de laços que promovem a vida. Portanto, escolha bem seus amigos e cultive suas amizades. Mais que diversão e descanso, bons amigos contribuem com nossa saúde emocional. Tenha coragem de oferecer um pouco de seu tempo, de sua escuta a outras pessoas e construa laços cheios de significado. Cultive a gratidão e a empatia com aqueles que partilham de seu dia a dia. Irmã Juliana de Andrade, SSpS
Como envelhecer com saúde

“Debaixo dos caracóis dos seus cabelos /Uma história pra contar de um mundo tão distante /Debaixo dos caracóis dos seus cabelos /Um soluço e a vontade de ficar mais um instante…”(Erasmo Carlos e Roberto Carlos) Saudades? O tempo está passando, os filhos vão crescendo, os amigos vão se distanciando, lembranças dos lugares da infância e da juventude voltam à memória. Após anos trabalhando, o corpo não é mais o mesmo. O cansaço vai chegando… Aposentar ou não? Eis a questão. O que está acontecendo? Pode ser o tempo do envelhecer chegando. Estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicados em 2023, revelam que existem mais de 33 milhões de pessoas idosas no Brasil. A pesquisa também mostra que, com o avanço da medicina, aumentou o número de pessoas de idade acima de 60 anos. Envelhecer (sênior) não é cair na melancolia nem procurar clínica de estética para tirar rugas (risos). Cuidar-se bem é o segredo da longevidade! Fazer o check-up anual para que a saúde fique em dia. Tomar as vacinas nos prazos certos, alimentar-se de modo saudável. Praticar atividade física é necessário. Ler faz bem para a mente, mexe com a imaginação e, ou, enriquece o conhecimento adquirido ao longo dos anos. Para que trabalhar tanto? Para pagar a faculdade daquela filha, daquele filho que mais tarde sairá de casa e nem terá tempo para visitar você? Sem falar naqueles pais que, quando chegam a uma idade, passam o nome do imóvel (doam) para os filhos e depois sentem o desagradável sentimento da ingratidão quando são abandonados por eles. Ou vira babá de netos? Muitas pessoas idosas, por causa da frustração, têm praticado o suicídio, infelizmente. Então, como envelhecer com saúde e dignidade? As dicas são: manter a interação social, aprender coisas novas e praticar atividades físicas. Estimular a cognição afasta depressão e demências. Como diz a canção: “As luzes e o colorido que você vê agora / Nas ruas por onde anda, na casa onde mora / Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente / Você só deseja agora voltar pra sua gente”. Sobre a interação social, participe de eventos sociais, culturais e religiosos, não pare de encontrar com os amigos, visite algum conhecido ou doente, trabalhe como voluntário em alguma instituição, conheça lugares novos, faça parte de algum grupo, seja de estudo ou de excursão, pratique uma religião. O importante é não se sentir só, pois os pais falecem, filhos crescem e se vão pelo mundo, ter amigos de bocha ou de chá, de baralho ou de bazar, você não verá o tempo passar. Outra dica é aprender sempre coisas novas. Faça cursos de idiomas, toque um instrumento, dance, cante, aprenda informática, escreva um poema, um artigo, um livro. Cora Carolina começou a escrever seus poemas quando tinha 70 anos. Isso significa que nunca é tarde para começar. Gosta de jardinagem? Aproveite e procure cultivar plantas, flores, crie um jardim. Há vários cursos na internet. Faça palavras-cruzadas, caça-palavras. Aprenda sobre primeiros socorros. Tudo que for bom para estimular a mente é importante. A terceira dica é praticar atividades físicas. Caminhada, natação, Pilates, musculação, aeróbica, hidroginástica, alongamento, subir e descer escadas; enfim, movimente-se! Não deixe os joelhos e as pernas ficarem sem circulação; procure sempre uma atividade adequada à sua saúde. Para isso, é necessário primeiramente uma avaliação médica. Há os alpinistas, os ciclistas, os surfistas, os que gostam de trilhas. Não permita que a ostopenia ou a artrose atrofie a vontade de recuperar os movimentos. Se for cadeirante, não desanime. Uma orientação fisioterapêutica faz muito bem. O importante é não ficar parado, parada. Ah! Não se esqueça de ler o Estatuto do Idoso e demais leis, pois somos sujeitos de direitos. Que todos sejam respeitados, colocando-nos no lugar do outro. Afinal, todos um dia vão envelhecer. Maria Terezinha CorrêaMestranda em Filosofia e mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, filiada à ABA, à Apeoesp, à SBPC, à Aproffib e Sintram; membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura (ALESC), voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
Festas juninas valorizam a cultura na Rede de Educação SSpS Brasil

Já faz tempo que as tradicionais “festas juninas” escolares não estão restritas ao mês de junho. Em vários colégios de todo o Brasil, a festividade também tem sido realizada em julho, marcando o encerramento das atividades do primeiro semestre. Independentemente de quando ocorrem os festejos, o variado repertório cultural do País tem sido valorizado junto aos estudantes da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). Meu Cordel Sagrado No caso do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, a festa junina teve como tema “Meu Cordel Sagrado”. Para ilustrar a comemoração, os alunos foram convidados a produzir cordéis e outros gêneros textuais com o tema da cultura nordestina. “A literatura de cordel recebeu o título de patrimônio cultural imaterial brasileiro em 2018, no entanto, ao contrário do que as pessoas pensam, o gênero não nasceu no Brasil. O estilo já existia no período dos povos greco-romanos, fenícios, cartagineses e saxões. Chegou a Portugal e Espanha por volta do século XVI. No Brasil, veio com os colonizadores, instalando-se na Bahia, mais precisamente em Salvador, à época, a capital brasileira”, explica a professora de Literatura Cintia Valéria Melo Combat Barbosa. Inspirada em uma fala da cordelista paraibana Izabel Nascimento, que afirma que o cordel é uma ferramenta de transformação social, a professora desafiou os alunos do 9º ano a criarem o gênero lambe-lambe e exporem traços da linguagem nordestina em cartazes. “O trabalho ficou fantástico, foi possível ler frases autorais, trechos de músicas e poemas, e conhecer a variedade linguística, em uma arte que tem como objetivos a intervenção e a reflexão”, relembra Cintia. Danças e comidas típicas No Colégio Santos Anjos, em Porto União-SC, a festa junina é um dos eventos mais esperados não somente pela comunidade escolar, mas também por moradores do próprio Município e da vizinha União da Vitória. “Todo mundo reserva a data desta que é uma das nossas festividades mais tradicionais, para ver as danças e saborear as comidas típicas que são famosas aqui em nossa região”, conta a professora de Educação Física Uná Mariana Manfredini de Campos, destacando os principais atrativos da programação. As coreografias do ensino fundamental II e do ensino médio são criadas pelos próprios estudantes, amparados em pesquisa, muita criatividade e consenso entre os colegas, para definir a música, os movimentos e os trajes que comporão a dança. “É algo que demanda bastante energia e que os alunos gostam bastante de participar. Tudo é feito nas aulas de Educação Física, por ser um conteúdo de dança, que está na grade curricular. O nosso terceirão faz um espetáculo à parte, com uma coreografia de dez minutos”, comenta Uná. Já as turmas da educação infantil e do ensino fundamental I contam com o auxílio das professoras para a organização das danças. A gastronomia típica também é garantia de público nos festejos. “Nosso pastel e cachorro-quente são bastante famosos. O pessoal não se importa com o frio, e todos vão ao colégio. A gente viu o envolvimento de professores, funcionários, alunos e suas famílias. Todos participaram e se divertiram bastante”, garante Uná. O porquê das festas juninas A comunidade escolar do Colégio Sant’Ana, em Ponta Grossa-PR, também celebra as festas juninas com comidas típicas, chapéus de palha e todo o colorido característico nas vestimentas e na decoração. E é de lá que vêm algumas explicações sobre os motivos de essa festividade ser realizada tradicionalmente em junho. Segundo o professor Antonio César Burnat, as festas juninas descendem, em linha direta, da devoção à deusa Juno, dos romanos, identificada como Hera pelos gregos. “O quarto mês do calendário era dedicado à deusa pagã Juno e, no solstício de verão, eram comuns muitas comemorações em sua homenagem. As celebrações para Juno eram marcantes, não importando que a deusa se desdobrasse em outra tantas. Dizem as pesquisas que nossas festas juninas apresentam os mesmos elementos característicos das comemorações motivadas por Juno: fogueiras, batatas e as alcachofras queimadas, flores recolhidas ao primeiro raio de sol e consultas ao oráculo”, diz o professor. Antonio observa, porém, que a colonização portuguesa e a devoção cristã católica passaram a exaltar as festas populares, valorizando os produtos locais e estabelecendo ligações entre os festejos e os santos católicos lembrados em junho: “Começou por São João Batista (24 de junho). Mais tarde, foram elevados ao culto junino São Pedro e São Paulo (29 de junho). E, depois, as comemorações juninas a Santo Antônio (13 de junho)”. Ele explica que, para diferenciar cada um desses santos, ficou estabelecido um formato próprio de fogueira. Para São João Batista, a fogueira é em formato cilíndrico; São Pedro tem o formato triangular; e Santo Antônio ganhou o formato quadrangular. “Vivam nossos santos católicos, vivam as comemorações juninas, viva a alegria do povo que luta, trabalha e se alegra, vivendo sua religiosidade e sua fé de forma pura e singela e, assim, abençoadas pelos santos que doaram sua vida pelo amor a Jesus e ao Evangelho”, vibra o professor. Marcos Vinícius MerkerJornalista no Colégio Espírito Santo de Canoas-RS, membro da Equipe de Comunicação das SSpS Brasil.
A paciência que nos faz criativos

“Deixai crescer um e outro até a colheita!” (Mt 13,29) A impressão que temos é que a paciência deixou de ser a virtude de nosso tempo; parece estar ameaçada de extinção. Aumenta a ansiedade que não espera, a angústia de não ter ainda o que se busca e a inquietude que parece não ter fim. Vivemos o tempo do imediatismo, da instantaneidade e da urgência. A pressa é a marca do nosso ritmo de vida, e, por isso, nossas ações, decisões e a construção de nós mesmos são tão efêmeras e sem raízes. O impaciente se afoga em sua instabilidade, atropela tudo e rompe a harmonia, a beleza e a relação com os outros. No entanto, a paciência é a atitude que faz vir à tona um conjunto de qualidades que nos fazem crescer como pessoas: saber esperar o ritmo das coisas e pessoas, tolerar o novo e diferente, aprender a conviver com aquilo que nos é próprio e respeitar o dos demais, firmeza na adversidade, levar adiante nossas próprias convicções, deixar-nos tocar pela crítica construtiva, olhar a realidade com uma visão mais ampla, crer naquilo que podemos chegar a ser, guardar no coração aquilo que ainda não está resolvido, não atropelar as pretensões dos outros, entrar em harmonia com a natureza, sonhar com uma realidade nova, trabalhar e confiar, respeitar o tempo de maturação das pessoas… A paciência não é um controle absoluto de tudo, senão impedir que a urgência das coisas nos arraste para o turbilhão de pressas que nos impede respirar, pensar, decidir e agir com criatividade. Em hebraico, a expressão “ser paciente”, significa “ter grandes narinas”.Isso quer dizer: respirar profundamente. De fato, ser paciente é ter uma respiração larga, uma respiração profunda. Observemos a maneira como respiramos, quando estamos impacientes; a respiração se torna curta quando estamos ansiosos. Ativar em nós a paciência é entrar no fluxo do ritmo tranquilo da respiração. Ser paciente é voltar sobre nossos próprios pés, enraizar-nos, aterrissar, estar aí, não nos deixar arrastar pela emoção. Após ter expirado profundamente, alguém é capaz de escutar o outro, é capaz de ser paciente. A paciência é tecida na espera, mas também é uma virtude que se ativa no esforço constante, muitas vezes rotineiro e pouco heroico. A paciência abre a possibilidade do novo futuro, mantém acesa a busca e movimenta valores como a perseverança, o discernimento, a confiança, a resistência, a contemplação… Segundo o evangelho deste domingo, o mistério escondido numa semente e as potencialidades presentes no ser humano merecem de todos nós o sagrado respeito pelo ritmo de crescimento, suscitando em nós uma atitude de admiração e encantamento. A sementeira já foi realizada com êxito, as forças de Deus continuam agindo, mesmo ocultas e desenvolvendo-se de uma forma silenciosa. Ainda não chegou a colheita, mas, com certeza ela virá. Enquanto isso, convém esperar pacientes e tranquilos e confiar na ação providente de Deus. O ativismo, a pressa e a inquietação não nos farão atingir os objetivos que almejamos; não são as pessoas que realizam o Reino de Deus por suas forças; o Reino chega pela força de Deus e vai crescendo silenciosamente, “por si só”, sem que se perceba a sua expansão. As três pequenas e inspiradas parábolas deste domingo nos falam de espera paciente, de respeito aos ritmos e processos, de confiança no dinamismo da vida… Jesus, em diferentes intervenções, faz referência a todo o processo agrícola, desde o plantio da semente até a colheita dos frutos. Semear, cuidar do crescimento, colher… tem seu ritmo próprio, o ritmo da natureza. As três parábolas têm uma mensagem comum. Nas três, o Reino de Deus se compara com algo pequeno e, ao mesmo tempo, carregado de vida, que cresce e se manifesta pouco a pouco, a partir de dentro, sem ruídos nem aparências. Não se impõe como uma superestrutura na qual vivemos ou temos, mas que perpassa e transforma tudo, como uma força silenciosa, mas potente, que vem da natureza, não de nós mesmos. Infelizmente, estamos perdendo o ritmo da natureza e queremos que tudo aconteça com a mesma rapidez quando nos comunicamos através dos meios eletrônicos. Temos “entranhas de impaciência”. Desistimos facilmente diante da falta de frutos ou as más ervas que crescem no campo da vida; queremos que as coisas sejam como imaginamos que devem ser; queremos plantar hoje e encher os celeiros amanhã. É preciso voltar a aprender com a mãe natureza. Um olhar repousado e paciente supõe capacidade contemplativa e vida interior, aprender a diminuir a velocidade de nossas vidas, ações e pensamentos, e preparar-nos para a serenidade e para a espera criativa. “A idolatria começa com um gesto de impaciência” (Onaknin). Na parábola do trigo e joio, a impaciência dos empregados leva-os a querer ter o controle do campo, onde fora semeada boa semente. A paciência, pelo contrário, está na entranha mesma da Vontade de Deus, que quer que cada coisa se desenvolva em liberdade, com seu tempo e seu espaço, sem que ninguém se sinta ameaçado. A paciência é mão estendida para Deus e para o outro, enquanto a impaciência é um punho que ameaça e arrebata. O “apressado” coloca-se em estado de revolta contra o que ainda está inacabado, sufocando seu amadurecer e impedindo o ritmo normal de desenvolvimento. A “pressa” tende a mostrar-se raivosa e impor-se, cega, à realidade. Prisioneiro de suas limitações, o impaciente julga absurda toda demora e mostra-se incapaz de ter interesse por tudo o que o cerca. Impaciente e irado, caracteriza-se pela intolerância que é destruidora. A paciência, por sua vez, nos dispõe a olhar ao nosso redor e sermos surpreendidos por tanta beleza; ela nos possibilita aguardar e deixar-nos “tocar” por algo surpreendente. Cada um de nós recebeu milhões de boas sementes ao longo de nossa vida. Também nos foram oferecidos todos os nutrientes que precisamos para crescer em meio às más ervas, misturadas em nossa realidade interior. Será que somos conscientes de que germinar e dar frutos, fermentar e mudar nosso ambiente é um processo lento que requer
Construir relações de amizade na família

“Em toda ocasião, ama o amigo…” (Provérbios 17,17) O objetivo mais importante na construção das relações familiares é o cultivo da amizade. Trata-se de levar os filhos a compreenderem o que vem a ser a amizade e a distinguir os amigos autênticos, dos falsos, principalmente neste momento de avanço de novas tecnologias, da era das redes sociais, das amizades virtuais. O cultivo da amizade está em aprender a querer bem outras pessoas e, ao mesmo tempo, aprender a conviver com e na família. Essa capacidade de bons relacionamentos vai se desenvolvendo de modo natural na família conforme se aprende que esse é espaço de amor e escola das virtudes da convivência. A amizade no ambiente familiar costuma ser decisiva para o desenvolvimento humano-afetivo, primeiro do comportamento social e dos hábitos de amizade para com outras pessoas. As primeiras experiências sociais, na família, ajudam a desenvolver atitudes de abertura para com os outros e hábitos de convivência harmoniosa, facilitam a socialização e ajudam, fortemente, os filhos a serem ativos, extrovertidos, independentes e curiosos. Vemos, portanto, que uma família é formada não somente pela relação de sangue, mas sim pelos laços de amor, carinho e amizade que se pode estabelecer entre eles. Pois as relações que se constroem entre pais, filhos, irmãos, irmãs, no ambiente familiar, serão pautadas na confiança e, mais ainda, estabelecidas por meio do diálogo, do encontro, do toque, do abraço, das demonstrações de afeto, da troca de experiências, fortalecidas na oração em família. Essa aprendizagem ocorre de forma natural, mútua e espontânea. Percebemos, cada dia mais, a importância de se desenvolver relações saudáveis entre pais, filhos e irmãos, que, consequentemente, vão aparecendo como valor essencial no ambiente familiar. Por isso, é importante a preocupação dos pais em desenvolver relações de verdadeira amizade com seus filhos, de tornarem-se amigos e, com isso, despertar a admiração entre ambos. Precisamos de pais que despertem encantamento em seus filhos e, assim, consigam estabelecer relações de respeito e deixar uma marca profunda e para sempre em seus filhos. A presença em momentos importantes, o acompanhamento no cotidiano escolar, os passeios, as brincadeiras são todas atitudes que nutrem a amizade na família e que são parte das tarefas diárias dos pais, ídolos de seus filhos. É com e na família que aprendemos que a amizade é um vínculo compartilhado em que existe comunicação, ação, sentimentos e interesses. Os amigos de verdade perdoam e, também, ensinam a sermos amigos melhores. A família é o berço do amor, da compreensão, do afeto, é o lugar onde as pessoas devem encontrar apoio, lições e aprendizados, porém, acima de tudo, com a preocupação de construir relações saudáveis e de convivência harmônica no espaço familiar, onde todos se sintam bem com todos. Os nossos melhores amigos devem estar dentro de nossa casa. Nossos amigos mais achegados deveriam ser os membros da nossa própria família. Judith LibanioGraduada em Ciências Contábeis pela UEPG, graduada em Teologia pela PUC, enfermeira especializada em Saúde Pública, agente da Pastoral Familiar Paroquial e na Arquidiocese de Londrina, ministra extraordinária da sagrada comunhão eucarística.
Um tesouro chamado amizade

A amizade é como um abrigo seguro em meio às tempestades da vida. Encontrar alguém em quem confiar plenamente e que entenda a importância da presença, independentemente das circunstâncias, é verdadeiramente valioso. Os amigos são como pilares que sustentam nossa existência, oferecendo apoio emocional e encorajamento nos momentos mais delicados. Sua presença nos proporciona a sensação de que nunca estamos sozinhos nesta jornada chamada vida. A base fundamental da amizade é a confiança. Confiança que se constrói ao longo do tempo, com sinceridade, lealdade e compreensão mútua. Confidenciar nossos medos, alegrias e desafios a um amigo verdadeiro é libertador, pois sabemos que suas palavras serão cuidadosamente ponderadas e que nossos segredos serão guardados com zelo. A confiança mútua fortalece os laços de amizade e possibilita um ambiente de crescimento pessoal, em que podemos ser autênticos e genuínos. Quem tem bons amigos possui um tesouro inestimável que ilumina os dias, assim como o Sol que ilumina o mundo. As experiências compartilhadas com amigos são como raios de luz que aquecem nossos corações e nos enchem de alegria. Na companhia de amigos verdadeiros, as risadas são mais sonoras, as lágrimas são mais consoladas, e as conquistas, mais celebradas. A amizade floresce em momentos de conexão, nos quais as almas se encontram e os corações se entrelaçam, criando um vínculo duradouro que transcende as adversidades da vida. Assim como o bom tempo é capaz de transformar os dias mais cinzentos em dias prazerosos, a amizade traz um brilho especial à nossa existência. Ela nos ensina a valorizar a simplicidade dos gestos, a importância dos detalhes e a beleza das relações humanas. Uma amizade verdadeira é capaz de atravessar fronteiras e superar obstáculos, mostrando que a proximidade não está necessariamente ligada à distância física, mas sim à conexão de corações e mentes. Ter amigos é uma dádiva que devemos cultivar e proteger, pois eles enriquecem nossas vidas de maneira única e preciosa como nos diz a letra da canção do clipe a seguir. Gostou? Compartilhe e marque seus melhores amigos neste dia especial. Agostinho Travençolo JuniorEducador e assessor da Rede de Educação SSpS.
Agroecologia no centro do debate em Santarém

“Roda de conversa sobre homeopatia popular.” Esse é o tema do encontro promovido pela Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Meio Ambiente na Amazônia (ADHMA), realizado de 13 a 16 de julho, no Centro de Formação Emaús, localizado na Rodovia Curuaúna, em Santarém-PA. O evento reuniu cerca de cem pessoas, entre agricultores, comunitários e ribeirinhos que praticam a agroecologia e utilizam a homeopatia no solo, no cuidado com o meio ambiente e com os animais. “Tivemos representantes desde Altamira até a Cachoeira do Aruã”, afirma a coordenadora do Projeto Beth Bruno, a irmã Marialva Oliveira da Costa, SSpS, também integrante da comissão organizadora do encontro. O Projeto Beth Bruno foi criado em 2010, com a finalidade de capacitar lideranças comunitárias e agentes multiplicadores de saúde para que atuassem no cuidado de quem vive em comunidades, utilizando as práticas integrativas e complementares. Irmã Marinalva relata que, nos quatro dias, houve debates, troca de experiências acerca do uso da homeopatia na agroecologia. “Quando falamos de agroecologia, temos que pensar na totalidade. Não tem como fazer agroecologia sem pensar na ‘casa comum’ em que nós vivemos: com todos os seres vivos que nela habitam: terra, água, animais e as pessoas. A homeopatia tem essa visão do todo”, explica. O encontro contou com a participação de diversas entidades ligadas a movimentos sociais, entre elas a Associação Brasileira de Homeopatia Popular (ABHP), cuja missão é proporcionar aos agentes populares espaços de formação de educadores em saúde, com o objetivo de apoiar a troca do conhecimento técnico e do produzido no meio popular, para criar novas relações com a natureza, gerando mudanças na sociedade. Além dos debates e das trocas de experiências, os participantes também puderam apreciar apresentações culturais e celebrações religiosas. Lenne SantosDoutora em Jornalismo e Estudos Mediáticos pela Universidade Fernando Pessoa (UFP), jornalista da Universidade Federal do Oeste do Pará (Santarém), colaboradora no Projeto Beth Bruno.