Traçar novos mapas de esperança: qual é o papel da educação diante das desigualdades

Escola e família precisam unir forças diante dos desafios da sociedade atual, marcada por desigualdades. Com base na Carta Apostólica do Papa Leão XIV, “Desenhando novos mapas de esperança”, a professora Erica da Silva Carneiro apresenta algumas direções que nos ajudam a encontrar possibilidade de respostas para a educação de nosso tempo. Confira o artigo.
Você é o exemplo que gostaria que seu filho seguisse?

Durante muito tempo, a autoridade dos pais era construída, em grande parte, pelo medo da punição. Hoje sabemos que o respeito verdadeiro nasce do diálogo, da presença, da coerência e do amor. Nunca foi tão necessário refletir sobre uma pergunta simples, mas profunda: qual é o exemplo que estamos oferecendo aos nossos filhos? Esse é o questionamento de Agostinho Travençolo Junior, educador e coordenador da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. Confira!
Papa Francisco: um chamado ao amor, à inclusão e à esperança

O Papa Francisco deixou uma marca profunda não apenas na Igreja Católica, mas também no universo da educação. Com uma linguagem acessível e um coração pastoral, Francisco ecoou um chamado universal a um novo modo de educar, centrado no ser humano, em sua totalidade. Veja o artigo de Agostinho Travençolo Junior, coordenador da Rede de Educação SSpS.
A contribuição do jornalismo educacional na vida escolar

O ambiente escolar é um universo de informações, práticas pedagógicas e saberes que não pode ficar restrito à sala de aula. Nesse cenário, o jornalista é um dos responsáveis por apurar os acontecimentos em um colégio, atribuindo significância ao que é produzido por estudantes e professores, além de contribuir na criação e implementação de variadas possibilidades comunicativas. Talvez ainda haja quem se surpreenda com a existência desse profissional em uma instituição de ensino. Para muitas pessoas, o lugar natural de um jornalista seria atuando em um jornal impresso, revista, rádio, televisão, podcast ou em um canal de notícias na internet. Porém, o jornalismo educacional tem a seu dispor um amplo campo de trabalho, que permite abordar o que acontece na vida escolar e os desafios que surgem na educação, dando voz aos protagonistas desse contexto: alunos, educadores, equipe pedagógica, direção, especialistas e as famílias dos estudantes. O papel do jornalista é apurar fatos, realidades sociais e informações de interesse público, divulgando aquilo que tem relevância na atualidade para conhecimento da sociedade. Esse conceito é válido tanto para quem produz notícias em qualquer veículo de comunicação no mundo quanto para quem atua dentro de uma escola. E aqui cabe ressaltar a diferença que está no modo como esse profissional lida com a informação, em comparação às demais formas de comunicação entre as pessoas. No artigo “Do jornalismo e da história à história do jornalismo”, o professor doutor Felipe Simão Ponte enfatiza: “Ao Jornalismo não é permitido inventar fatos sem que isso seja considerado um erro”. Depois, ele diz: “Enquanto a Comunicação está interessada em qualquer processo de conversa que acontece na sociedade (seja ela persuasiva, estética, ficcional) entendendo os sentidos decorrentes dela, o Jornalismo possui a especificidade de tratar algo que aconteceu e que precisa ser compreendido pelo público como algo que aconteceu”. Dessa maneira, o jornalista também cumpre a função social de perpetuar registros no tempo, tanto nos canais de comunicação do próprio colégio quanto na imprensa local. Afinal, o modo de produção da notícia confere credibilidade ao fato, permitindo que atividades que marcaram época ou situações que impactaram a comunidade escolar em determinado período possam ser revisitadas por gerações futuras. Em cada entrevista que faz, o jornalista não coleta apenas informações. Ele é um mediador entre os indivíduos, estabelecendo conexão entre os protagonistas da notícia e o público. Nesse processo, o jornalista valoriza as conquistas educacionais, científicas, culturais, artísticas e esportivas que acontecem na escola, abrindo oportunidades para que alunos e professores possam ser reconhecidos na comunidade escolar e na região onde o colégio está inserido. No caso das instituições de ensino das irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), os comunicadores ainda contam com a bênção de Santo Arnaldo Janssen, fundador da congregação. Afinal, na biografia dele, há uma passagem que revela a consciência de Arnaldo quanto à importância dos meios de comunicação social. Quatro meses após a inauguração da Casa Missionária de Steyl (Holanda), em 8 de setembro de 1875, ele abriu uma tipografia para impressão de revistas para atrair vocações e meios econômicos que contribuíssem para a animação missionária nos países de língua alemã. Seguindo esse espírito pioneiro de Santo Arnaldo Janssen, os comunicadores das escolas da Rede de Educação SSpS colocam seus dons no trabalho de produção e distribuição da informação, usando os formatos impressos, audiovisuais e digitais já conhecidos, ao mesmo passo que buscam experimentar novas possibilidades comunicativas que estejam alinhadas ao interesse do público. Marcos Vinícius Merker Jornalista no Colégio Espírito Santo, Canoas-RS.
A escola e a cultura de paz

A cultura de paz na escola é um conceito que tem ganhado cada vez mais importância nos dias atuais. Trata-se de um conjunto de valores, práticas e atitudes que visam a fomentar a convivência pacífica entre os indivíduos e a promoção da igualdade, da justiça e do respeito mútuo. Na escola, a cultura de paz se manifesta de diversas maneiras, como na promoção de atividades de cooperação entre os alunos, no incentivo à resolução, de forma pacífica, de conflitos e na valorização do diálogo como forma de comunicação. Uma das principais formas de cultivar a cultura de paz na escola é a educação para os valores. Isso significa que, além do ensino das disciplinas convencionais, a escola deve se empenhar em desenvolver nos alunos habilidades e atitudes que contribuam para a formação de cidadãos pacíficos e responsáveis. Essa educação pode ser promovida por meio de palestras, debates, jogos educativos, entre outras atividades que estimulem a reflexão sobre a importância da convivência harmoniosa. Nesse sentido, as escolas e centros educativos da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo vivenciaram, em abril, muitos momentos de atividades pela paz. De pés descalços, os alunos das escolas montaram um quebra-cabeça gigante para expressar o compromisso com a solidariedade, a cidadania e a empatia. Direcionar o olhar e as ações para a paz e para o outro, a fim de construir uma sociedade mais humana, torna-se o grande desejo que brota da sola dos pés e chega a nossos corações. Além disso, a cultura de paz na escola também depende do engajamento de toda a comunidade escolar, incluindo professores, funcionários e pais de alunos. Todos devem estar alinhados em relação aos valores que a escola deseja transmitir e trabalhar em conjunto para criar um ambiente de respeito e harmonia. Dessa forma, é possível transformar a escola em um espaço de convivência pacífica e de aprendizado para a vida toda, contribuindo para a formação de indivíduos mais conscientes e comprometidos com a construção de um mundo mais justo e solidário. Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS
“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”

O provérbio africano que diz que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” é bem conhecido. O que realmente, no entanto, pode se aplicar dessa afirmação em nosso contexto educacional? Faz parte do senso comum a afirmação de que a formação das crianças e jovens é extremamente importante para a sociedade e que, por isso, a educação deve ser valorizada. Porém as práticas escolares pedagógicas dentro dos “muros” da escola e a educação que “vem de casa”, ou seja, o que é compartilhado no ambiente familiar, bastam para o processo de formação integral de nossas crianças? Para responder a essas questões, precisamos entender as transformações pelas quais a sociedade passou e como ela se encontra, hoje, no século XXI. As exigências econômicas e de trabalho carecem, cada vez mais, da força de trabalho dos adultos das famílias, e, com isso, o envolvimento entre família, escola e comunidade se torna cada vez mais urgente. O ambiente da sala de aula já é, hoje, insuficiente para dar conta das demandas das crianças e adolescentes que já têm acesso ao mundo a partir de um clique. Educar no mundo contemporâneo é uma tarefa que deve ser abordada de modo amplo e irrestrito. O entendimento de maneira fragmentada do ser humano é ultrapassado, e a escola não pode ser apenas o espaço para ensinar os conteúdos pedagógicos. Dessa forma, entendemos e nos posicionamos, como escola viva, como espaço que, em parceria com a família e com a comunidade, favoreça experiências que contribuam com a forma como nossos alunos vão se posicionar no mundo. Assumir a responsabilidade de garantir às nossas crianças ambientes acolhedores, que permitam, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da autonomia e facilitem vínculos afetivos é imprescindível para formar indivíduos que sabem se colocar no mundo, conscientes de suas responsabilidades sociais. Para as crianças e adolescentes, é fundamental a convivência com seus pares e também com adultos, e a escola favorece esses relacionamentos. Além disso, é importante que a escola favoreça e estimule o contato e envolvimento social para além de seu espaço físico. Em nossas escolas, incentivamos momentos que possibilitam o contato de nossos alunos com pessoas diferentes de seu convívio familiar e escolar, tais como estudos do meio, palestras com profissionais de diferentes áreas para conversar sobre as relações de trabalho e diferentes carreiras a serem seguidas para os alunos do terceiro ano do ensino médio; trabalho da pastoral com a participação dos alunos em serviço às pessoas em situação de vulnerabilidade; entre tantas outras ações. Entendemos que expandir as trocas sociais e fornecer experiências como as citadas acima traz sentido para o provérbio que mencionamos no início deste texto e permite um olhar sensível para a educação e, principalmente, para os educandos. Sim, somos seres relacionais, e a alteridade nos é intrínseca. Portanto, hoje, mais do que nunca, é preciso de uma aldeia inteira para educarmos nossas crianças e fazemos isso em parceria: escola, família e comunidade. Beatriz Von Lasperg Careli é professora do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.
Ser estudante em meio a diversidade

O dia 11 de agosto, no Brasil, é considerado o Dia Nacional do Estudante. Foi a partir de 1927 que essa data passou a ser significativa por comemorar dois cursos implantados por D. Pedro II, cem anos antes. O que seria de um país se não tivesse estudantes? Ser estudante, naquela época, era para poucos. Hoje é uma forma de comemorar o direito e a importância da formação do cidadão. Nessa mesma data, dez anos depois, em 1937, foi criada a União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade que serve para proteger e garantir os direitos dos estudantes. Em 20 de novembro de 1959, a UNICEF promulgou a Declaração Universal dos Direitos da Criança, em que destaca a necessidade da Educação, independentemente da cor, da raça, do sexo, da religião, e os cuidados com sua capacidade intelectual (princípios V e VII). No Brasil, em 13 de julho de 1990, entrou em vigor a Lei nº 8.069, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cujo artigo 4º estabelece a prioridade à educação, além de outros direitos fundamentais. Em 2013, a Lei de nº 12.852, o Estatuto da Juventude, reforça os direitos e as condições necessárias para o estudante continuar seus estudos. Documentos que priorizam a educação. Ser estudante hoje, portanto, é uma conquista relevante para uma sociedade democrática, de direitos, para ambos os sexos, pois em épocas remotas, esse direito era somente para o sexo masculino. Em tempos normais, não é fácil estudar. Com a pandemia, esse ato tão valoroso ficou mais complicado para os estudantes de baixa renda. Antes, dependendo de onde moram, é preciso tomar uma condução ou andar muito a pé. Se tiverem um dinheirinho, comprarão um lanche; caso contrário, levam-no de casa. E quando não têm nada em casa, passam vontade. Há alguns privilegiados que os pais transportam de carro ou pagam para uma van pegar e levar, e têm dinheiro para gastar na cantina. Os jovens universitários têm de gastar muito com transporte ou combustível. Enfim, ser estudante em um país cheio de desigualdades é desafiador. Além das dificuldades pessoais e financeiras, há vários tipos de situação que os estudantes enfrentam, como o preconceito racial ou de gênero, ou social, entre outros. É preciso saber lidar com a diversidade de sotaques, de etnias, de estilos, de crenças e costumes. As diferenças somente enriquecem nossa cultura e nossa humanidade. A questão das cotas é uma das ações afirmativas que buscam reparar a desigualdade que ainda existe na educação brasileira, entre escolas públicas e privadas, urbanas e rurais. Ser estudante é aprender, é ser atento, é ser curioso, além de ser empático com os demais colegas. O que une todo estudante é o conhecimento. A educação autêntica tem como objetivo fazer todos se autoconhecerem e transformarem o mundo a seu redor, para percebermos que somos essencialmente iguais. Talvez por isso há grupos na sociedade que não investem na qualidade do ensino para todos, como se deveria, mas criam mecanismos meramente tecnicistas, sem a preocupação de uma educação realmente integrada do ser com o fazer. Assim, o desafio do estudante é ser perseverante, ser criativo, solidário, além de disciplinado. Ser estudante é ocupar seu espaço mental, social e profissional, demonstrando suas habilidades e capacidade de servir a sociedade e transformar o mundo para melhor, renovando ideias e desenvolvendo uma nova forma de se viver. Sejamos todos eternos aprendizes. Ser estudante é sempre aprofundar o que se sabe e buscar novos conhecimentos. Feliz Dia do Estudante! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia (USP), especialista em Ensino de Filosofia (UFSCar); graduada em Filosofia (UFJF), Pedagogia (Unitins) e Teologia pelo Mater Ecclesiae; filiada à ABA, APEOESP e SBPC; atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC; membro da Comissão de Prevenção e combate à tortura, pela ALESC; voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis-SC.
A educação precisa ser para todos

Acesso? Qualidade? Inclusão? Palavras muito ouvidas e, constantemente, discutidas em nosso convívio. Mas o que tem a educação a ver com isso? Tudo! Atualmente, há como não perceber as inúmeras cenas de mudanças na sociedade global? O campo educacional, particularmente, tem se articulado para garantir o direito à educação de qualidade, fundamental para promover a formação cidadã, o desenvolvimento social dos estudantes e assegurar a dignidade da pessoa humana, valorizando toda a sua diversidade. Quando falamos sobre acesso à educação, não podemos simplificar ao significado pontual da palavra: ingresso, caminho, ato de chegar ou de se aproximar ou usufruir de algo. Não é como ter uma credencial e ter acesso a algum lugar ou a alguma coisa simplesmente. A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (Lei n.º 9.394/1996) afirma que “é direito de todo ser humano o acesso à educação básica”, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual estabelece que “toda pessoa tem direito à educação”. Ter acesso à educação, portanto, é a capacidade de todas as pessoas de terem oportunidades iguais na educação, independentemente da sua classe social, raça, gênero, sexualidade, origem étnica ou deficiência física e mental. Apesar da evidência do direito educacional, entretanto, ainda há uma grande parte da população brasileira que não tem acesso ao ensino público. E, nesse momento, acrescentamos a palavra qualidade à palavra acesso. Há àqueles que, mesmo tendo acesso ao ensino, não adquirem conhecimentos considerados essenciais, seja por insuficientes investimentos na formação dos docentes ou pela quase inexistência de comprometimento dos governantes com essa causa. Desse modo, aquele que tem o acesso não usufrui da qualidade. Corroborando essas afirmações, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, voltado especificamente para educação, visa a assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, para todos. Conjuntamente ao acesso e à qualidade da educação, temos o desafio de adotarmos uma postura inclusiva nos processos educativos. Postura essa que pressupõe a igualdade de oportunidades e a valorização das diferenças humanas, contemplando, assim, as diversidades étnicas, sociais, culturais, intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero dos seres humanos. À vista disso, as práticas escolares não devem ser adaptadas para alguns alunos, e sim transformadas em um ensino diferente para todos. Um ensino que garanta todas e quaisquer condições de aprender, em que as necessidades específicas não sejam ignoradas, mas que os educadores saibam quando e como usar recursos especializados para assegurar que todos aprendam. A educação dentro desse contexto vai muito além de garantir que as crianças e os jovens estejam na escola. Tem a ver com o direito ao desenvolvimento pleno e integral deles, e é nesse ponto que se destaca uma educação de qualidade. É importante mostrar que estando dentro da escola, o aluno será ouvido, valorizado, visto como único e, principalmente, construtor do seu conhecimento, dentro de suas capacidades e necessidades. A escola deve proporcionar oportunidade de desenvolvimento intelectual a todos os alunos, respeitando o tempo de aprendizagem de cada um e o modo como aprendem. Combinar o princípio da igualdade de oportunidades com o princípio da diferença fundamentará os propósitos de uma educação de qualidade, em que todos possam ser vistos com suas particularidades e que elas devem ser consideradas como diversidade e não como problema. “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução” (Malala Yousafzai, 2013). Liliane Alves BarcellosPedagoga, psicopedagoga e professora do 1º ano do ensino fundamental no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
Educação: alavanca para o presente e para o futuro…

Desde a presença da Coroa Portuguesa, da Companhia de Jesus (religiosos jesuítas) e, muito antes, com a presença dos povos originários, a educação se faz presente na transmissão e na construção de conhecimentos no Brasil. Foram trajetórias de consensos e dissensos, mas com uma unanimidade: a educação é imprescindível. É alavanca para transformação social, para encontrar caminhos de cultura e de paz e para fortalecer o compromisso com a dignidade da vida. É elemento fundante, aquele ponto de apoio que faz mover até a Terra. Nutriente certeiro para promover relações de pertencimento, proximidade, justiça e paz, contribuindo para o desenvolvimento integral e para o cuidado com a Casa Comum. A educação tem muitas faces que dão conta da diversidade de seu alcance, seja em ambientes formais ou não. Para ilustrar, cito algumas: educação ambiental, educação pública, educação patrimonial, educação digital, educação a distância, educação financeira, educação tributária, educação profissional, educação urbanística, educação para o consumo, educação para inclusão, educação para diversidade, educação humanista, educação solidária, educação católica. Nossa esperança está depositada toda vez que nos encontramos numa relação educativa, que privilegia a formação para vida fraterna e para a cidadania. Apesar dos esforços de universalização, temos um gargalo no acesso inicial e ainda temos um funil quando se trata de garantir a permanência. Esse cenário da educação precisa ser revertido com oportunidades e ações assertivas, considerando especialmente as desigualdades territoriais, para garantir o acesso e a permanência, desde a mais tenra idade até quando a pessoa queira seguir estudando. Educação é “locus” da reflexão e do debate, e deve estar a serviço da comunidade, buscando caminhos criativos para os desafios de seu tempo e contribuindo para formar uma nova humanidade. Nas palavras do Papa Francisco, é necessário nos reunir em torno do desafio de educar, “reavivando o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão. Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla ‘aliança educativa’ para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”. É claro que, sozinha, a educação não transforma a sociedade. Que as palavras de Paulo Freire sigam nos inspirando: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
12 de março: o bibliotecário em tempos de educação remota

O Dia do Bibliotecário é celebrado em 12 de março, em homenagem ao nascimento do primeiro bibliotecário concursado do Brasil, Manuel Bastos Tigre (1882-1957). Mas essa profissão pouco conhecida surgiu há séculos, nos tempos remotos da civilização. E o que é que faz um bibliotecário? Bem, esses profissionais organizam, guardam, identificam os assuntos dos livros e dos documentos, traduzem para o sistema da biblioteca e, mais ainda, permitem que eles estejam acessíveis para todos os que possam se interessar. Legal, né?! Não é só na biblioteca que um bibliotecário trabalha, mas provavelmente esse é seu lugar preferido. Já faz um tempo que o mundo digital não é novidade, mas muitos ainda acreditam que as bibliotecas não acompanharam esse ritmo. Será? Bem, posso garantir que isso não é verdade. É só “dar um Google” para descobrir o tanto de bibliotecas digitais e virtuais que existem mundo afora. Sem falar nos inúmeros recursos digitais e on-line que as bibliotecas presenciais oferecem. No Brasil, por exemplo, temos o Domínio Público, http://www.dominiopublico.gov.br/ uma biblioteca virtual criada pelo Ministério da Educação que conta com mais de 180 mil títulos em diversas mídias, disponíveis para baixar gratuitamente. Já a ONU tem um projeto chamado Biblioteca Digital Mundial, https://www.wdl.org/pt/ que reúne documentos oficiais sobre a cultura de diversos países. Acesse e confira! Em tempos de pandemia Só que veio o novo coronavírus, e o digital e o on-line deixaram de ser exceção. Em muitos casos, viraram regra. Há um ano, espreitávamos o que nunca imaginamos viver: a maior pandemia dos nossos tempos. Deixamos nossas salas de aula e passamos a ocupar os cantos da casa. Nossos celulares e computadores ficaram cheios de atalhos e arquivos ocupando suas memórias. Os professores e colegas passaram a ser vizinhos de tela no Classroom, cada um ocupando, literalmente, seu próprio quadrado. Mas onde fica a biblioteca nessa história toda? É engano nosso pensar que a biblioteca está fechada atrás dos portões dos colégios. Tal qual nossa escola é viva, assim também são nossas bibliotecas. Atravessando muros de concreto e a distância, a biblioteca, em tempos de pandemia, tem nos aproximado no amor e na esperança de um breve e caloroso reencontro. Seja nas “aulas de biblioteca” on-line ou nos eventos remotos abrilhantados por um conto ou poema, o papel dos bibliotecários é presente e, às vezes, quase invisível, mas precioso na biblioteca escolar. O paraíso Desde os anos iniciais, os momentos de “contação” de histórias são repletos de encanto e auxiliam no processo de formação de nossos pequenos estudantes, promovendo a resiliência, ampliando o repertório sociocultural e desenvolvendo a comunicação, para a autonomia das crianças. Em cada ação, esses guardiões dos livros carregam a missão de incentivar o pensamento crítico, a imaginação e a curiosidade, ampliando o gosto pela leitura. Dentro desse ambiente aberto e imaginativo, promovido pelos contos, tudo é possível. Os livros, sejam eles digitais ou físicos, permitem-nos encontros preciosos, arrancam-nos suspiros de medo e curiosidade, transbordam-nos alegria e nos encantam profundamente. Aprendemos muito, nesse último ano, sobre o valor da vida. Percebemos que o que realmente importa, muitas vezes, esteve sempre conosco e não precisamos de muito mais para sermos felizes. O escritor argentino Jorge Luis Borges disse: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”. Parece que ele está certo, não é mesmo? Nem precisamos estar dentro delas para perceber o quanto as bibliotecas são nosso lugar de repouso e alento. Nunca foi um lugar só para aprender e estudar. Em nossas escolas, isso não é novidade. É só observarmos os olhares dos alunos para percebermos que a leitura é a receita que diminui qualquer distância. Teily Ane Teles de AssisBibliotecária escolar no Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-M