“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira”

“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.” Esse sábio provérbio africano nos mostra o quanto é trabalhoso, importante e promissor educar uma criança. Se pensarmos sobre ele no contexto da pandemia da covid-19, tempo em que as famílias não puderam contar, ou puderam-no de forma restrita, com o apoio das instituições e da família extensa na educação das crianças, encontraremos crianças apresentando grande risco de não atingirem seu pleno potencial. O que fazer diante desse cenário? Em 2000, o economista norte-americano James Heckman conquistou o Prêmio Nobel de Economia, ao criar métodos científicos que avaliavam a eficácia dos programas sociais dedicados à primeira infância. O economista mostrou que as consequências desses investimentos (ou da falta deles) estão relacionadas ao futuro de uma sociedade, interferindo em taxas de criminalidade, gravidez na adolescência, evasão no ensino médio e níveis de produtividade no mercado de trabalho. Desde o início do século, pedagogos, médicos e cientistas, como Maria Montessori e Emmi Pikler, entre outros, vêm mostrando à humanidade o quanto os primeiros anos de vida são decisivos para o sucesso de uma vida inteira. A criança nasce com um incrível potencial para o desenvolvimento, precisando apenas de um ambiente seguro, de afeto, de cuidado e de estímulos para que conquiste a plenitude de seu potencial. Hoje, a tecnologia e o avanço das neurociências nos permitem comprovar que esse é um período de intenso desenvolvimento cerebral, no qual se estabelecem as bases da saúde, do bem-estar e da produtividade. Já dizia Maria Montessori, “Se houver para a humanidade uma esperança de salvação e de ajuda, esta ajuda só pode vir da criança, porque é nela que se constrói o homem”. Há alguns anos, percebe-se uma crescente valorização da educação da criança pequena. Aos poucos, indivíduos, governantes e instituições estão compreendendo que educar a criança não é só cuidar e brincar sem intencionalidade, e percebendo a importância da educação nessa faixa etária. O documentário O começo da vida, produção brasileira de 2016, divulgou amplamente, nos quatro cantos do planeta, a causa da primeira infância, sendo a principal ferramenta de uma campanha global da UNICEF. O filme nos convida a refletir: estamos cuidando bem dos primeiros anos de vida, que definem tanto o presente quanto o futuro da humanidade? Nesse contexto é que entra a pandemia causada pelo novo coronavírus, trazendo o fechamento das escolas por longo período, o distanciamento físico, o trabalho remoto para alguns, a necessidade de permanecer trabalhando presencialmente para outros ou a falta de trabalho para muitos. A ausência de ações que visem a minimizar os prejuízos deste momento terá consequências, a longo prazo, no capital humano futuro, para todas as camadas sociais, mas principalmente para aqueles que vivem em situação de pobreza e dependem ainda mais dos cuidados e estímulos fornecidos pelas instituições, e têm pouco ou nenhum acesso às ferramentas virtuais de aprendizagem, que, apesar de não serem as ideais, são as possíveis. É papel da família e de cuidadores proteger as crianças do estresse gerado pelo distanciamento social, pela falta de convivência com os pares e também promover desenvolvimento, saúde e bem-estar. Para isso, é preciso que as famílias sejam apoiadas, que haja iniciativas estatais e sociais para que quem cuida das crianças seja cuidado e possa desempenhar seu papel com um mínimo de segurança e a maior tranquilidade possível. Principalmente nestes tempos de incerteza, turbulência e sofrimento, para que não percamos a esperança no futuro, vale lembrar Milton Nascimento, em Coração de estudante: “Há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”. Ana Amélia Rigotto FernandesProfessora, pedagoga e psicopedagoga, é diretora educacional do Colégio Sagrado Coração de Jesus, da Rede Missionárias Servas do Espírito Santo, em Belo Horizonte-MG.

Educação gera vida

Quando pensamos em Educação, muitas vezes, nos vem à memória a imagem das tradicionais salas de aulas, dos conteúdos acadêmicos que são difundidos no espaço escolar, dos mestres detentores do saber. No entanto, atualmente, precisamos fazer uma releitura dessas imagens e entender que tudo mudou. As tradicionais salas de aula tornaram-se espaços dinâmicos de aprendizagem; o professor, mediador dos conhecimentos; e o aluno, protagonista de suas ações. Não que tenhamos criado algo novo, pois inovar não significa fazer o que nunca foi feito, mas ressignificamos o espaço escolar, a fim de torná-lo cada vez mais significativo, mesmo que, para isso, tenhamos de enfrentar muitos desafios. Contudo, diante desse novo cenário de possibilidades, não podemos deixar de priorizar e consolidar, pela práxis educativa, uma formação integral que considere as diversas dimensões do ser humano: física, emocional cognitiva, social e espiritual, e promovendo, como nos dizia Paulo Freire, uma educação transformadora e libertadora, pois não basta apenas dominar conteúdos e técnicas, é necessário ter autonomia e ser cognitivamente capaz de inserir-se socialmente. E, para que tudo isso seja consolidado, é preciso ter muito cuidado, não só no sentido de cautela, mas no de zelo. Formar uma pessoa, em todas as suas dimensões, exige competência, sabedoria e sensibilidade, pois lidamos com vidas e temos a missão de ver, sentir, acolher e cuidar. Educar é ter esperança no futuro, mesmo diante de um presente tão incerto, para semear com sabedoria e colher com paciência, pois são as vidas que agora estão sendo cuidadas que cuidarão de nós, do mundo e dos seres que nele habitam. Muitos afirmam que a arte de educar é, ao mesmo tempo, a mais difícil e bela de todas. O ato de educar é o prolongamento do ato de gerar. Ao educarmos, geramos vidas, pois promovemos o crescimento intelectual e o amadurecimento. A educação transforma e forma, não só durante nove meses, mas durante toda a existência. Ela gera vida plena e em abundância. Assim como uma mãe que traz seu filho no ventre e o acolhe, como seu bem mais precioso, doando um pouco de si, e aprendendo com aquela experiência, educar também é um ato de amor, benevolência e comunhão. Quem educa, também, deixa um pouco de si no outro e leva um pouco do outro para si. E, diante dessa responsabilidade, precisamos pensar em educação, não em seu sentido restrito, mas naquele mais amplo, que ultrapasse as paredes da sala de aula, os conhecimentos, as competências cognitivas e aufira as competências pessoais, a inteligência socioemocional e forme pessoas de bem que olhem não só para si, mas para o outro, para os mais necessitados, para aqueles que precisam, para os animais, vegetais, para o meio ambiente e estejam a serviço da vida. Só assim teremos pessoas capazes de aprender a aprender sempre, de enfrentar os desafios impostos, de buscar soluções adequadas e eficazes para problemas que nunca pensamos enfrentar. Só pessoas preparadas emocionalmente conseguem combater, da melhor maneira, os desafios sociais, econômicos e pessoais, que surgem diariamente, e viver, da melhor forma, uma vida que se transforma e é transformada, da noite para o dia. No momento atual, diante da pandemia do covid-19, estamos, verdadeiramente, tendo de nos reinventar. Estamos vivendo um cenário nunca antes vivido, muito menos esperado, que nos incita a novas aprendizagens. Precisamos reinventar a nossa forma de nos relacionar com o mundo, com o outro, de trabalhar, estudar e de estabelecer uma rotina. Estamos, mais do que tudo, aprendendo que necessitamos nos importar com o nosso semelhante, com o mundo e com detalhes que, diante de nossa correria do dia a dia, deixamos, aos poucos, de nos importar. Sairemos mais fortes dessa situação e com a certeza de que não estamos, ou ficamos, bem individualmente. Só estamos bem coletivamente, porque estamos juntos, somos parte do mundo e geradores de vida. Clarice Aparecida Monreal P. Cavalcante, pedagoga com especialização em orientação educacional e administração escolar, pós-graduada em Gestão Escolar e diretora educacional do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

O desafio de ser jovem

Com o passar do tempo, tudo se transforma. Com a juventude, não é diferente. O que era ser jovem 20 anos atrás não o é mais. Os jovens da Pós-Modernidade têm desejos, sonhos e buscam objetivos diferentes, reafirmam suas personalidades, ao mesmo tempo em que fazem parte de grupos, o que se torna paradoxal, mas fortalece a juventude. Os diferentes se atraem, unem-se em causas comuns, lutam por ideais, sem perderem de vista suas perspectivas individuais. Nada melhor do que perceber a juventude ouvindo os próprios jovens falarem. O que sai do coração se torna razão e evidencia uma geração que marca presença em um mundo, muitas vezes, incerto e mutável. Em um bate-papo, jovens de 15 e 16 anos, todos estudantes da 1ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, falam de seus desejos, angústias, carreira, escola, sonhos e amizades. Ser estudante, no século XXI, é viver desafios, conviver com o diferente, dedicar-se, lidar com cobranças, mas, ao mesmo tempo, também é prazeroso, segundo João Pedro Dourado, principalmente quando se “adquirem vários conhecimentos, se descobrem coisas novas com os professores e com os amigos, se dialoga sobre assuntos que, em casa, não é possível abordar”.  Outro desafio enfrentado pelos jovens é lidar com o tempo em uma sociedade marcada pela liquidez e tecnologia, em que tudo, rapidamente, torna-se passageiro e obsoleto. Será que temos de ter mais tempo para perder? Será que temos de aprender de forma tão rápida para passar no vestibular e conquistar uma carreira de sucesso? Quanto tempo temos mais? Diante dos olhos daqueles que respondem às perguntas, a juventude se esvai aceleradamente… O tempo também intensifica a cobrança que o jovem vivencia por ter de entrar em uma faculdade federal, ter de passar no ENEM. As tomadas de decisão devem ser muito rápidas. Essas cobranças, segundo eles, “vêm do próprio jovem, em primeiro lugar; em seguida, são externas, por parte da família, da escola e dos professores”, lembra o aluno Tiago Valentim Viana. Quem pensa que os jovens são desinteressados se engana. É fato que os interesses daqueles que nasceram entre os anos de 2003 e 2004 são bem diferentes dos que nasceram na década de 1980 ou mesmo 1990. Os jovens se engajam e se interessam por aquilo que tem aplicação, faz sentido e tem significado. “Quando se aprende o que pode ser usado, tudo se torna mais significativo”, diz Anna Laura Natario. É unânime entre eles que a geração atual tem muita empatia. “A maioria pensa no outro antes de fazer alguma coisa. Essa relação que a gente vai criando, conforme os anos vão se passando, é muito importante e faz muita diferença”, declara Isabella Menezes de Oliveira. Todos percebem que são privilegiados e valorizam o que conquistaram. Quando questionados a respeito dos sonhos, respondem que almejam um mundo em que o outro seja aceito, independentemente da cor, da cultura, da religião, do país de origem. “Todos somos seres humanos, há riqueza na diversidade”, afirma Mariana de Souza Ferreira. Passa ano, sai ano, vai juventude, vem juventude, as transformações chegam, mas há valores que permanecem. A amizade se perpetua, e os amigos se unem, dão conselhos, ajudam, criticam, caso seja preciso, mas sempre com a intenção de ajudar. Ser jovem, na atualidade, é desafiador. Ser jovem, na atualidade, é engrandecedor! Alunos que participaram do bate-papo: Anna Laura Van Der H. Natario, Aline Maria S. Bellangero, João Pedro Dourado F. de Maria, Isabella Menezes de Oliveira, Luiza Perestelo Cinzento, Marina Esteves Pelegrina, Mariana de Souza Ferreira, Tiago Valentim Viana.

Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus

Dia de comemorar e renovar nosso compromisso

Ser professor é ocupar um lugar muito nobre na sociedade, ainda que muitos não reconheçam a importância de seu papel e não o valorizem devidamente. Aqueles que se dedicam à missão de educar, algo que vai muito além da transmissão de conhecimentos, têm o privilégio de ser os artesãos de uma nova sociedade. Estamos em um momento crucial de nossa história e necessitamos que professores e professoras renovem seu compromisso com a educação, com seus alunos e com o nosso País. Diante da instabilidade social própria de uma mudança de época, testemunhamos o crescimento de muitos males em nossas cidades: violência, atitudes preconceituosas, casos de intolerância, homofobia, racismo e misoginia, entre tantos outros. Diante disso, como nos lembra o professor Leandro Karnal, os professores devem se comprometer com o Estado democrático (único que pode ajudar a manter e melhorar sempre a educação), formando as novas gerações para o exercício pleno da cidadania. Somos cônscios de que o desafio é grande, que essa luta é muito difícil, mas ela é tão necessária quanto urgente. “Educai as crianças e não será necessário punir os homens”, diz Pitágoras. Não temos dúvida de que a educação é o meio mais eficaz de construir uma sociedade segura, pacífica e mais humana. Assim, ao celebrar este dia, agradecemos a todos e todas que, com responsabilidade, têm assumido essa missão de formar homens e mulheres, oferecendo-lhes os instrumentos necessários para transformar o mundo. Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e membro da Diretoria da Redes – Rede de Solidariedade

Curso de Teologia retorna às aulas com novas turmas

O Curso de Formação Teológica e Missionária retornou às aulas no início de março, após um período de férias. O curso iniciado em 2017, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade e em parceria com a Diocese de Santo Amaro, abriu o novo semestre com cerca de 230 alunos divididos em 4 turmas. Antes de iniciar as aulas, no dia 27 de fevereiro, foi feita a celebração de abertura do curso para os alunos, professores e toda a equipe, dando as boas vindas a um novo período de aprendizagem sobre a Teologia Cristã e a Vida Missionária. Durante a missa foi apresentada a Campanha da Fraternidade de 2018 cujo tema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), incentiva a cultura da não violência.  Também foi feita a apresentação dos professores com suas respectivas matérias, os objetivos do curso e seu regulamento. Os alunos novos terão aulas de Introdução à Teologia e Introdução à Bíblia, enquanto que os alunos que iniciaram no ano passado vão estudar Eclesiologia e História da Igreja. O curso conta com uma equipe de professores com dois padres, uma religiosa e um leigo e ainda uma equipe de voluntários que cuida da coordenação, secretaria e finanças do curso. Com aulas semanais, todas as terças-feiras, das 19h30 às 21h30, o curso dá oportunidade a leigos e leigas que querem aprofundar sua fé e melhorar sua colaboração nas pastorais de sua igreja ou comunidade. Veja as fotos da Abertura do Curso:          

Reeducação para homens violentos? Conheça o Projeto Construindo Novos Valores

Mês passado, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, falamos neste post sobre como a independência financeira feminina contribui para a saída das mulheres do quadro de violência doméstica. Hoje, no Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, dedicamos um tempo para abordar outra face desta violência: a dos agressores. Por que homens batem em mulheres? Para entender melhor sobre este assunto, pesquisamos os principais motivos que fazem com que os homens cometam uma agressão e os resultados foram bem curiosos. Existe um status que se chama pole position, e mexe diretamente com o ego da pessoa. Este sentimento faz com que a pessoa se sinta mais vantajosa perante a sociedade. Quando acontece alguma situação em que o homem se sente inferiorizado pela mulher, ele pode vir a querer retomar esse status, inclusive com força física. Um outro fator comum foi a banalização da violência, provocada pela vivência destas pessoas em locais onde a violência é comum e diária. Pessoas que estão expostas todos os dias à violência, acabam achando comum e repetem o comportamento. Em média, 60% dos homens agressivos vivenciaram violência doméstica na infância. Outros fatores incluem: não saber lidar com a frustração, rejeição, afronta e uso de substâncias psicoativas (drogas). Independente de qualquer que seja o motivo que leva a uma discussão ou desacordo, defendemos que nenhuma situação deve ser tratada com violência, afinal, ninguém gosta de apanhar não é mesmo? A reeducação como caminho Entre os especialistas, é consenso que o caminho para a mudança dos comportamentos agressivos dos homens está na reeducação. Tem circulado um vídeo na internet onde escolas em Nairobi, no Quênia, tem dado aos alunos Aulas de Consentimento para meninos e autodefesa para meninas. Este ensino faz parte do programa da Fundação No Means No WorldWide (“Não Significa Não, Mundo Afora”, em tradução livre) e ajudou a reduzir a violência em 50% logo no início do projeto. Como o governo não dá conta de atender a todos que precisam, algumas ONGs iniciaram projetos para ajudar na causa, como a Casa Sofia, que fica no Jardim Ângela na Zona Sul de São Paulo.No Brasil, para atingir os homens adultos, a Lei Maria da Penha, no artigo 35, prevê a existência de centros para educar e reabilitar agressores. Porém são pouquíssimas as vagas disponibilizadas pela rede pública e elas não podem ser ocupadas por estupradores nem homicidas. A Casa Sofia possui o Projeto Construindo Novos Valores, desenvolvido pela assistente social Rosita Cruz, que oferece um trabalho exclusivo para homens que cometem ou cometeram violência contras as mulheres. Os encontros individuais e em grupo acontecem semanalmente. “O Projeto Construindo Novos Valores é um espaço de escuta, reflexão e responsabilização para homens autores de violência doméstica. Ele têm por objetivo sensibilizar a Sociedade e, em específico, os homens autores de violência contra a mulher, sobre as implicações da desigualdade de gênero e as possibilidades de mudança de comportamento.  Também são discutidos temas como ‘o lugar do homem na sociedade’, ‘a construção dos papéis de gênero’, ‘a violência em geral e contra as mulheres’. Os trabalhos com os homens são realizados por meio da metodologia de grupos reflexivos de gênero onde cada participante é tratado como responsável da violência contra a mulher. São utilizados os temas: gênero; relações de gênero; Direitos Fundamentais; masculinidade; direitos sexuais e reprodutivos; dinâmicas de grupo; noções de relações família e de casal e noções de psicopatologia” – explica Rosita Cruz, responsável pelo projeto. Que mudanças o trabalho traz para os homens? Segundo Rosita Cruz, existe uma conscientização pessoal e uma melhora significativa no comportamento dos agressores atendidos. Após algumas sessões, é notável uma melhora na qualidade das relações familiares e sociais e uma maior sensibilização da família para a resolução de conflito familiar. Os encontros fazem com que os agressores vejam que ninguém nasce violento, e que é possível controlar seu comportamento quando ele se esforça para isso. Saiba mais: Para mais informações da Casa Sofia e do projeto, ligue para (11) 5831-3053 / 5831 5387 (escritório) / 0800 770 3053 ou envie um e-mail para casasofia@santosmartires.org.br. Baixe aqui apostila “Vamos falar sobre masculinidade?”  

Centro de Integração do Migrante oferece cursos gratuitos de alfabetização

Você sabia que o Brasil é o 8˚ país com mais analfabetos no mundo? Dos 700 milhões de adultos que não sabem nem ler e nem escrever, cerca de 14 milhões estão aqui no Brasil. De acordo com dados da Unesco – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, 8% dos adultos do Brasil são analfabetos e 40% não terminaram o ensino fundamental ou o ensino médio. Além dos brasileiros nativos, há também os imigrantes, que chegaram aqui sem saber o idioma, em busca de sustento e qualidade de vida e, acabaram somando a esta estatística. Apesar de parecer muito mais, o Brasil possui uma população baixa de imigrantes, são apenas de 700 mil estrangeiros numa população de mais 200 milhões, isto equivale a 0,3% da população total. A política brasileira para o acesso de imigrantes à escola pública é tida como avançada. Adultos e crianças teoricamente podem se matricular sem grandes exigências de documentação. Mas a prática difere da teoria. Irmã Malgarete Scapinelli, que trabalha com imigrantes explica: “apesar da facilidade do governo, muitos imigrantes não conseguem vagas ou, aos que já são formados pelo país nativo, não querem refazer o ensino fundamental e médio só para aprenderem a língua. É nesta lacuna que se insere o nosso trabalho”. Para ajudar com a demanda, as Missionárias Servas do Espírito Santo oferecem em seu Centro de Integração do Migrante, cursos de alfabetização da língua portuguesa e inglesa para adultos. Além do curso de língua portuguesa e inglesa, temos aulas de informática e de Excel. Para se inscrever nos cursos ligue para 11 2362-0196/ 97058-9130 ou vá no Centro de Integração do Migrante – Rua Coimbra, 459 – Brás – São Paulo. Qualquer dúvida envie um e-mail para centrodeintegracaodomigrante@ssps.org.br Além de aprender você terá contato com pessoas de diferentes nacionalidades. Mais que um aprendizado, será uma experiência!

Comunidade celebra 115 anos do Colégio Stella Matutina em evento especial

Uma noite de comemoração e aprendizado. Foi assim o aniversário de 115 anos do Colégio Stella Matutina, festejado no dia 17/10 no próprio colégio. A ocasião, que  reuniu em torno de 300 pessoas entre pais, funcionários e membros da comunidade juiz-forana, abriu também espaço para as novidades do colégio e para o conhecimento. O evento contou com a apresentação do plano de investimentos do colégio e com palestra do professor de Empreendedorismo, Economista e Mestre em Administração Ronan Braga. O professor Ronan, que discorreu sobre a atualidade e as formas de educar, ressaltou também a importância dos conceitos de empreendedorismo e educação financeira para crianças e jovens, tema que já faz parte do dia a dia dos alunos (veja aqui). Mas o destaque ficou mesmo por conta da participação à comunidade sobre a modernização do colégio. Na ocasião, os presentes puderam conhecer as melhorias estruturais, pedagógicas e tecnológicas que já estão em curso no colégio, como as novas salas, o ambiente de aprendizado colaborativo, a aquisição de 40 computadores chrome books e os óculos de realidade virtual. Em entrevista, as diretoras do colégio, Lílian Sedlmayer, responsável pela parte pedagógica, e Raquel Fiuza, gestora administrativa, contaram um pouco sobre o que significa o marco dos 115 anos para a história do colégio: O que este marco dos 115 anos de existência representa para o colégio?  Representa a certeza de que somos um dos colégios mais tradicionais e queridos de Juiz de Fora e que estamos evoluindo, preparando os nossos alunos para o futuro. Estamos atentas à missão educacional, intensificando os investimentos na área pedagógica, na infraestrutura e em tecnologia educacional para continuarmos servindo à nova geração de alunos com maior qualidade acadêmica, conforto, segurança e acolhimento. E para a diretoria? Para a Diretoria do colégio representa um grande desafio com muita responsabilidade, para continuarmos agregando os valores cristãos, o carisma missionário, a tecnologia e a tradição com excelência. É uma alegria fazer parte desta família. Quais foram as principais conquistas do colégio nesses 115 anos? A principal conquista é ter a certeza que os objetivos das Missionárias Servas do Espirito Santo junto à educação estão sendo cumpridos. Quais são as propostas para os próximos anos do Colégio Stella Matutina? A criação de mais espaços interativos com uso contínuo da tecnologia, a aplicação de metodologias ativas de ensino e o estímulo para que o aluno assuma o seu papel de protagonista no processo de ensino-aprendizagem estão no norte das nossas propostas para os próximos anos. Veja as fotos do evento (Crédito: Ely Márcio)

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