No domingo, 15 de junho, a Igreja celebrou a Solenidade da Santíssima Trindade. Essa é uma data móvel no calendário litúrgico, marcando a retomada do Tempo Comum, interrompido pelo ciclo da Páscoa (Quaresma e Tempo Pascal). 

O dogma do Deus Uno e Trino (Pai, Filho e Espírito Santo) é central na herança espiritual de Santo Arnaldo Janssen (1837-1909). As famílias religiosas fundadas por ele (Congregação do Verbo Divino, Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e Congregação das Irmãs Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua) e os grupos e movimentos posteriores inspirados em sua proposta missionária receberam esse legado.

Santo Arnaldo, nascido na Alemanha, viveu numa região marcada, anos a fio, por intensas reflexões teológicas. Algumas, mais tarde, influenciariam as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965). O reforço na chamada espiritualidade trinitária foi uma delas. 

 

A Trindade como fonte de missão e comunhão

 

Para Santo Arnaldo Janssen, a Trindade não era apenas um dogma teológico, mas a fonte de toda a missão. Ele via os esforços missionários como uma forma de participar da vida e do amor do Deus Uno e Trino. O lema das congregações instituídas por ele, “O Deus Uno e Trino viva em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”, reflete esse desejo profundo de que o amor e a unidade da Trindade sejam conhecidos e vivenciados em todo o mundo.

 

Devoção ao Verbo Divino (Jesus Cristo) e ao Espírito Santo

 

A espiritualidade de Santo Arnaldo é caracterizada por uma profunda devoção ao Verbo Divino (Jesus Cristo) e ao Espírito Santo. Isso se pode ver no nome das próprias congregações religiosas e das associações e movimentos posteriores da Família Arnaldina.

O Verbo Divino: a Congregação do Verbo Divino (SVD), fundada em 1875, leva o nome do Verbo Encarnado, Jesus Cristo. Os verbitas, como são chamados seus membros, buscam viver e proclamar a Palavra de Deus, seguindo os passos de Jesus e levando a mensagem do Evangelho a todas as pessoas. A Eucaristia, como presença real de Jesus, é também um pilar fundamental da espiritualidade Arnaldina, vista como o “trono do Deus Uno e Trino”.

O Espírito Santo: Santo Arnaldo tinha uma veneração especial pelo Espírito Santo, considerando-o o guia discreto, porém poderoso, da obra missionária da Igreja. As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e as servas do Espírito Santo da adoração perpétua (SSpSAP) são consagradas particularmente ao Espírito Santo. 

As SSpS, cuja congregação foi fundada em 1889, dedicam-se à missão ativa, guiadas pelo Espírito. Já as SSpSAP, desde 1896, cuidam da adoração perpétua, orando e intercedendo pelo trabalho missionário da Igreja e pela propagação da devoção ao Espírito Santo. Para Santo Arnaldo Janssen, o Espírito Santo é o “Pai do Amor” e a fonte da unidade e da compaixão.

 

Implicações na vida e missão

 

A espiritualidade trinitária não é uma teoria, mas ilumina efetivamente a prática das congregações fundadas por Santo Arnaldo Janssen. Entre muitos outros exemplos, é possível ver:

 

 

Para a Família Arnaldina, portanto, a Santíssima Trindade não é somente um conceito doutrinário, mas o coração de sua espiritualidade e a força motriz de sua missão. É o modelo de comunhão e a fonte de amor que impulsiona seus membros a viverem e proclamarem o Evangelho a toda criatura, no mundo inteiro.

 

Alessandro Faleiro Marques

Membro da Equipe de Comunicação SSpS Brasil, diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte.

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