Catequese e Missão

“Aquele que se permite discernir a vocação conhece o rosto misericordioso do Pai.” (Papa Francisco) Todo catequista é um vocacionado, chamado a revelar o rosto misericordioso do Pai. Ao assumir a missão catequética, nós nos comprometemos a caminhar lado a lado, colocando-nos à disposição dos que querem conhecer Jesus mais de perto e assumir o protagonismo de viver o Reino aqui, hoje. Muitos são os motivos que nos levam a buscar uma aproximação a Jesus, alguns, inclusive, equivocados. O papel do catequista é, nesse momento, apresentar os reais motivos pelos quais devemos buscar essa aproximação. Jesus nos interpela acerca de nossa ação e nos dá indicativos de que nossas atitudes são o que realmente interessam a Deus. Ao partilhar pães e peixes, oferece alimento ao corpo, mas, ao afirmar ser o pão da vida, alimenta nosso espírito. O catequista é chamado para ser um representante do ideal de alimento espiritual ao outro. “Vem e segue-me!” Responder sim a esse convite é comprometer-se, assumir-se como ponte, um elo entre o humano e o Divino, permitindo, assim, o diálogo essencial para a vida plena. Que o Senhor da Messe continue derramando bênçãos e capacitando novos vocacionados catequistas para a nobre missão que lhes é confiada, de continuar plantando sementes. Celio Andrade é catequista e professor do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte.
Vocação: chamado de Deus à vida plena

A pessoa humana é um ser criado no amor e para o AMOR. Chamados por Deus à existência, carregamos em nós o sopro divino (cf. Gn 2,7). Cada ser humano é, em primeiro lugar, chamado à vida, a ser e “acontecer” no AMOR, já que cresce e se desenvolve de forma única e irrepetível. Conforme amadurecemos, nossa fé também vai criando raízes e começamos a fazer perguntas sobre o sentido de nossa vida, sobre o que estamos fazendo neste mundo, por que e para que Deus nos criou. Questionamentos dos quais muitas vezes sentimos medo, por temer realmente escutar a vontade de Deus para a nossa existência. Hoje, vivemos em uma sociedade em que temos muitos ideais de felicidade baseados no ter e no poder, que vão contra os valores evangélicos e podem nos confundir, levando-nos a escolher caminhos que, a longo prazo, trazem-nos sofrimento e nos levam à autodestruição. A vocação que vem de Deus, porém, vai sempre nos levar a escolher caminhos que nos conduzem a viver em plenitude. Em seu Filho, Jesus, Deus nos chama ao amor, portanto vocação é amar… e o amor é a fonte mais profunda da alegria. Não devemos, assim, temer a vontade de Deus, pois ela vai nos conduzir sempre à felicidade, seja no matrimônio, na vida religiosa consagrada ou na vivência do sacerdócio. No campo das vocações, muitas são as alternativas: Deus é criativo e generoso, e Ele sabe onde é o seu lugar. Não tenha medo de escutar a sua voz e, se a ouvir, tenha coragem de dar os passos necessários para responder a seu chamado. Caso ainda não tenha pensado sobre sua vocação, comece a perguntar a Deus onde Ele quer você e busque, no seu coração, conhecer aquilo que dá mais sentido à sua existência. Como Ele nos chama por amor, nossa resposta deverá sempre ser por amor e, assim, nosso caminho poderá não ser fácil, mas será pleno de sentido e de alegria. Coragem… Deus chama você, e o mundo precisa de sua resposta. A messe é grande, e poucos os operários.
Participação de leigos enriquece a espiritualidade

Encontro Nacional de Espiritualidade, em Curitiba-PR, definiu eixos de ação para os próximos anos. Neste Ano Nacional do Laicato, as equipes de espiritualidade das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e dos missionários verbitas (SVD) abriram seu Encontro Nacional à participação de leigos e leigas. Para consolidar o compromisso de caminhar juntos, pela primeira vez, uma leiga foi eleita para integrar a Equipe de Coordenação Nacional de Espiritualidade. Inspirados pelo tema “’O amor de Cristo nos impele’ (2Cor 5,14): enraizados na Palavra, comprometidos com a sua missão”, 17 participantes, entre missionárias SSpS, missionários SVD e alguns representantes leigos de ambas as congregações, reuniram-se em Curitiba de 13 a 16 de agosto. O Encontro Nacional de Espiritualidade da Família Arnaldina é realizado a cada dois anos. O objetivo é animar e aprofundar a vivência da espiritualidade trinitária e missionária própria das congregações fundadas por Santo Arnaldo Janssen e ajudar na articulação das equipes em cada uma das províncias e Região. As dinâmicas e reflexões do Pe. Ronaldo Lobo ajudaram a aprofundar o tema. A Equipe de Coordenação Nacional e cada uma das equipes provinciais e da Região Amazônica partilharam os passos que estão sendo dados, mostrando muito empenho, mas também desafios a serem enfrentados. Para dar continuidade à caminhada das equipes de espiritualidade, os participantes definiram três eixos de ação para os próximos anos: 1) animar e fortalecer as equipes existentes e a criar equipes onde elas ainda não existem; 2) elaborar estratégias de comunicação para a divulgar e partilhar a espiritualidade, dentro e fora das províncias; e 3) iniciar e desenvolver um processo colaborativo com a participação de leigos e leigas nas equipes de espiritualidade. A nova equipe de coordenação eleita ficou bem representada: o Ir. Paolo de Lucca, SVD-BRC; a Ir. Nilva Moro, SSpS-BRS, o Pe. Mateus Lau Nurak, SVD-BRS; e Cristina Maia, missionária leiga de Deus Uno e Trino, da província SSpS-BRN. A equipe, além de animar as províncias e Região, preparará o próximo encontro, marcado para agosto de 2020, na Região Amazônica. Enraizados no carisma trinitário Para Cristina Maia, missionária leiga de Deus Uno e Trino, “O Encontro Nacional de Espiritualidade foi um momento intenso de reflexão sobre as linhas de ação, os apelos da caminhada missionária, o fortalecimento do diálogo constante da Família Arnaldina, a necessidade e a busca permanente da espiritualidade na vida missionária, a participação dos leigos e leigas, o centro de formação e espiritualidade, e o enraizamento no carisma”. Cristina afirma que foi muito significativo, como missionária leiga, ter participado ao lado das irmãs servas do Espírito Santo e dos missionários do Verbo Divino, analisando pessoal e comunitariamente a situação das províncias e Região para “dar os próximos passos, cada vez mais enraizados e enraizadas no carisma trinitário”.
Dia da Vida Consagrada

Hoje é o dia dedicado a todas as pessoas que ouviram o chamado de Deus para consagrarem suas vidas a Ele. É o dia dos religiosos, homens e mulheres que se apaixonaram por Deus e pelo seu Reino. Consagrados e consagradas deixam tudo por causa de um tesouro maior, que é o próprio Jesus. Vivem os votos de pobreza evangélica, obediência apostólica e castidade consagrada para, livres de tudo o que aprisiona o ser humano, entregarem suas vidas a Deus, servindo aos mais necessitados do amor de Deus. Há muitas formas de viver a consagração. Há quem se dedica inteiramente à oração na vida contemplativa e quem vai às favelas, às ruas, aos assentamentos, às situações de fronteiras para cuidar dos que não têm quem o faça. Consagrados e consagradas, vidas entregues a Deus pelo bem do próximo. Parabéns pelo seu dia! Oração de uma consagrada Eis-me aqui, Senhor! Um dia, quando ainda era bem jovem, chamaste-me para seguir os teus caminhos. Acendeste uma paixão dentro de mim, e eu sabia que não haveria retorno. Sabia que a minha vida estava eternamente selada com a tua. E meu coração se alegrou. Os anos se passaram, muitas ilusões se desfizeram e muitas coisas ficaram pelo caminho… Mas a força do teu chamado continua tão viva como se fosse hoje. Teu amor sempre fiel me acompanha dia após dia. E, a cada dia, de novo, busco pela tua voz que sussurra em meu coração… E como é difícil, Senhor, suportar o teu silêncio. Mas, quando me falas, é como se flores desabrochassem dentro de mim aos raios do sol. Tu, Senhor, és a razão do meu existir. É por tua causa que enfrento os desafios e as dificuldades na confiança que até mesmo um simples sorriso pode fazer toda a diferença na vida das pessoas que colocas em meu caminho. É por tua causa, Senhor, que não desisto. Que continuo teimosa, nadando contra a corrente, buscando o sentido escondido por trás de todas as aparências. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS, é jornalista e membro da Equipe de Comunicação da Congregação. Participa também da Coordenação Nacional de Espiritualidade SSpS e SVD.
“Qual é a sua fonte?”

Este foi o tema escolhido para o Encontro de Educadores 2018 do Colégio Espírito Santo, do bairro do Tatuapé, em São Paulo-SP. Eles se reuniram no dia 4 de agosto, na Chácara Santa Maria, administrada pela Cáritas de São Paulo. Foi um dia para aprofundar a espiritualidade. E você, já descobriu qual é a sua fonte? Onde você mata a sua sede de beleza, de bondade, de Deus? O que dá sustento à sua vida? Vale a pena refletir sobre isso com base na passagem da mulher samaritana, narrada no Evangelho de São João (Jo 4, 1-29). Foi isso que os educadores e educadoras fizeram. Iluminados pela história da samaritana, por meio de dinâmicas, partilha, vivências e oração, o grupo refletiu sobre a arte do encontro diante das dificuldades que o mundo moderno nos impõe. Nos dias de hoje, que significa se encontrar, encontrar as pessoas e encontrar Deus? A construção de um terrário foi o gesto concreto realizado pelo grupo para lembrar o dia agradável e profundo. A ação também sublinhou a necessidade do cuidado com a nossa espiritualidade. Veja as fotos dos melhores momentos.
A vocação da família

Estamos no Mês Vocacional, e hoje vamos refletir sobre a vocação da família. Como assim? A vocação da família? Isso mesmo! A vocação da família, pois é uma vocação que tem sua origem em Deus. O plano de Deus é que toda pessoa participe de sua vida, por isso a criou à sua imagem e semelhança. Para realizar essa vocação, o ser humano deve se conformar a Jesus, o Filho de Deus. A família está presente no projeto de Deus para a humanidade, narrado nos textos bíblicos. Neles a vocação da família está inserida numa caminhada marcada por situações de contradição, pela busca de felicidade, pela presença da dor e da morte, pelo trabalho que sustenta, pela ternura das relações entre pais e filhos, e pela entrada de Deus na história, por meio de uma família humana. Nos diversos contextos, a sociedade muda, e as famílias participam dessa mudança também em seus modos de viver e pensar. Portanto, hoje, as famílias nem sempre correspondem a um único modelo. Contudo a vocação da família é uma só e pode ser mais bem compreendida por meio da afirmação que o Papa Francisco faz na exortação Amoris Laetitia: “O Deus Trindade é comunhão de amor; e a família, o seu reflexo vivente” (cf. n.º 11). O que você faz para que sua família seja imagem do amor de Deus Trino? O capítulo 3 dessa exortação insiste na vocação da família como mistério que só se pode compreender à luz do amor infinito de Deus Pai manifestado em Jesus Cristo (cf. n.º 58). O matrimônio é uma vocação para viver o amor conjugal como sinal do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso a decisão de casar-se e formar uma família deve ser fruto de um discernimento (cf. n.º 72). A família tem de ser experiência de serviço, hospitalidade, acolhimento e vivência da justiça e da fé, pois Jesus Cristo confiou às famílias a própria missão. E você, já se perguntou qual é a missão de sua família dentro da Igreja e da sociedade? Irmã Juana Ortega, SSpS
Juventude e a busca de sentido

Ser jovem hoje é ver um mundo de desafios à sua frente e enfrentá-los sem ter medo das consequências. Ser jovem é viver a vida como se cada dia fosse o último, é correr de casa para não precisar mais dos cuidados dos pais, mas, no fim, pedir um abrigo. Ser jovem é querer ser livre, mas não se desprender das pessoas. Ser jovem é dizer não entender o amor e, mesmo assim, amar a todos. Ser jovem é sofrer um constante vaivém de um mundo cheio de incertezas. É ter um desafio diário que vai além de fazer escolhas certas ou erradas. Jovem não é aquele que tem menos de 18 anos; jovem é aquele que, independentemente das dificuldades, busca sempre evoluir e alcançar a maturidade, mas sem perder o prazer de viver. Ser jovem é querer estar com todo o mundo quando está sozinho, mas querer ficar sozinho quando está com todo o mundo. Ser jovem é encarar as ruas e corredores como se fossem passarelas. Ser jovem é querer ter todo o mundo a seus pés só para se sentir especial. É confundir os efes de fama e facilidade com o efe de felicidade. É amar e querer ser amado, só pra contrariar. Os jovens são aqueles que entram de cabeça nas embarcações e ficam à deriva deste mundo muito louco. Ser jovem é estar em terra firme, mas sempre se sentir em uma areia movediça. Os jovens são aquelas pessoas que vivem buscando o sentido da vida para, aí sim, descobrirem o que querem. A juventude se separa quando diz respeito a opiniões, vontades e pensamentos, mas se une num só objetivo: ser feliz. Os jovens são aqueles que, quando criam asas para voar, esquecem a portinha do coração aberta e, a partir daí, cometem os maiores erros e acertos que podemos cometer. E, pelo fato de deixar o coração vulnerável, os jovens encontram as pessoas que mudam suas vidas e, finalmente, descobrem que o sentido da vida se resume a uma palavra: amor. E, quando ele descobre o amor, ele se sente realizado e, finalmente, alcança a maturidade, e deixa de ser apenas um jovem. Ser jovem é lutar pela independência, é sujar o uniforme, mas jogar limpo. É se ver como uma pessoa, mas ser visto como um objeto. É ser uma página em branco que será preenchida por histórias e lembranças, e ter o desafio de saber a hora certa de se colocar uma vírgula ou um ponto final. Ser jovem, hoje em dia, é olhar no espelho mais limpo do mundo e não conseguir se enxergar. É sofrer crises existenciais, é ter medo de estar sozinho, é olhar para aquela pessoa de seu lado e, mesmo que ela não seja a pessoa certa, sentir-se seguro. É saber que seus amigos e sua família são seus verdadeiros portos seguros e que, onde quer que esteja, terá um lugar para onde voltar, do qual talvez não devesse nem ter saído. Vinicius Miranda Perdigão Bello Estudante do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG
Evangelização na internet

Nossa Congregação, em nível internacional, trabalha intensamente para que a comunicação, de maneira especial as mídias sociais, seja articulada como um serviço essencial de nossa ação missionária e evangelizadora. Em outubro próximo, teremos o 1º Seminário Internacional de Comunicadoras SSpS, em Roma, com a participação das coordenadoras de comunicação das cerca de 50 províncias e regiões SSpS em todo o mundo. O objetivo do seminário será aprofundar a comunicação como serviço missionário, definir políticas de comunicação para toda a Congregação e articular um trabalho em rede, a partir da organização de departamentos de comunicação em cada uma das províncias e regiões. Também no Brasil, estamos trabalhando intensamente para que nossas mídias sociais possam chegar a todas as pessoas que estão envolvidas em nossa missão. Também queremos chegar a quem busca conteúdos na internet que reflitam uma espiritualidade e valores cristãos que ajudem a ser presença transformadora no mundo de hoje. Para isso, estamos iniciando uma campanha de divulgação para ampliar o número de pessoas que visitam nosso blog, sites, Facebook, Twitter, Instagram e nosso canal no Youtube, entre outros. Essa campanha foi lançada durante o VI Encontro da Redes, que aprofundou o tema “O impacto das mídias sociais na missão”. A proposta é divulgar como acessar nossas mídias sociais, para que as pessoas que estão em contato conosco possam receber nossas notícias e se beneficiar com os conteúdos que publicamos. Também estamos ampliando nossa equipe de redatores e pessoas que contribuem com artigos e notícias. Isso dará maior dinamismo e variedade de assuntos às nossas publicações. Vale a pena verificar, acompanhando nossos conteúdos na internet.
Redes realiza VI encontro anual

“O impacto das mídias sociais na missão” foi o tema do VI Encontro da Redes – Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo, realizado neste fim de semana, 4 e 5 de agosto, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Participaram 35 irmãs de São Paulo, Tocantins, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O encontro da Redes ocorre anualmente e é uma oportunidade para as missionárias discutirem temas relevantes para a missão. Elas também acompanham os projetos e outros trabalhos que a entidade promove, tais como o Centro de Integração do Migrante, no Brás, o apoio à missão indígena no Tocantins e vários outros projetos nos quais as irmãs participam. O impacto das mídias sociais na missão Com a assessoria de John Jefferson Silva, consultor de comunicação e coordenador leigo da Pastoral da Comunicação para o Sub-Regional SP2 da CNBB, as irmãs refletiram sobre o papel das redes sociais e como usá-las de maneira adequada para a comunicação pessoal e também para a missão. As mídias sociais, como Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, entre várias outras, têm uma influência muito grande na vida das pessoas. Por isso é importante entender esse fenômeno e saber dialogar com quem faz parte dessas redes. Também é necessário publicar conteúdos que ajudem a refletir e a propor alternativas baseadas nos valores do Evangelho. Em pequenos grupos, as irmãs discutiram como melhorar o uso das mídias sociais a serviço da missão, apontando a necessidade de ampliar a divulgação das mídias existentes e trabalhar mais em rede. Alertaram também para a necessidade do uso responsável das redes sociais, os riscos da internet e a necessidade de senso crítico diante de informações que nem sempre são verdadeiras.
Brasileiros na contramão da democracia: a conversão é urgente

Querido leitor, veja o quanto você se identifica com as seguintes afirmações: “os deputados e senadores não me representam”, “os políticos são todos ladrões”, “a democracia é o melhor regime político, mas os partidos são desnecessários”. Uma pesquisa realizada, em 2014, pelo cientista político José Álvaro Moisés, professor na Universidade de São Paulo, revela que 95% dos entrevistados não se sentem representados pelos partidos políticos, 92% afirmam que os políticos são todos ladrões e 45% falam que a democracia pode funcionar sem partidos políticos. Estaria sua opinião em consonância com a maioria dos entrevistados? O que diagnosticamos aqui é uma forte crise de representação, e um de seus sintomas principais é a falta de confiança nos líderes políticos. A desconfiança nos representantes tem um efeito muito prático tanto na ação de candidatos quanto de eleitores. Em relação aos candidatos, surgem aqueles que buscam se desvencilhar da figura do político, preferindo, por exemplo, apresentarem-se com a imagem de um gestor ou um outsider. Quanto aos eleitores, nota-se um crescente número de votos brancos, nulos e abstenções. Um exemplo disso, foi a eleição realizada para governador, no último dia 24 de junho, no estado do Tocantins, após Marcelo Miranda ter sido afastado do cargo. Houve pelo menos 51,83% de votos brancos, nulos e abstenções. Com esses poucos dados, temos um sinal de alerta de que nossa jovem democracia percorre um trajeto perigoso. Autores clássicos dizem que o problema é uma questão cultural, uns chegam a atribuir nossas mazelas à colonização portuguesa. Outros dizem que nossos problemas estão no funcionamento das instituições democráticas. Certamente há verdades nessas teorias. Identificar as causas dos percalços que passamos não é suficiente. Tampouco podemos abandonar esse barco chamado democracia. Converter o seu leme para um novo rumo creio ser a decisão mais acertada. Devemos tomar consciência de que não existe um regime político democrático que não tenha partidos políticos, instituições de representação como o Congresso e o Senado ou sem a participação popular. A democracia, apesar de suas presentes limitações, foi uma conquista que custou o sangue de muitos inocentes, e cabe a nós aperfeiçoar esse regime e não empobrecê-lo. O voto branco ou nulo é uma opção que a própria democracia nos oferece, mas está longe de ser uma alternativa que ajude a resolver a crise de representação em que vivemos. Ao contrário, essa prática pode favorecer a chegada de figuras autoritárias ou indesejáveis ao poder. Dia 15 de agosto, às 19h, termina o prazo para os partidos políticos e as coligações formadas registrarem seus candidatos que disputarão as eleições de outubro. Saberemos quem concorrerá aos cargos de presidente, senadores, deputados e governadores. Buscar informações sobre essas pessoas, o que elas já têm feito concretamente para o bem comum e o projeto que elas têm para a sociedade é fundamental para um voto consciente. Democracia é o governo do povo, e isso quer dizer que somos todos responsáveis pela construção da sociedade que almejamos. Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e membro da Diretoria da Redes – Rede de Solidariedade