Transfiguração do Senhor

A liturgia católica celebra hoje a experiência de Jesus no Monte Tabor. Jesus havia convidado Pedro, João e Tiago para subirem ao monte com ele. Lá eles testemunharam a transfiguração de Jesus que, de repente, tornou-se luminoso. Junto com Jesus, apareceram Moisés e Elias, simbolizando a lei e os profetas, ou seja, todo o Antigo Testamento. A transfiguração de Jesus foi uma experiência extraordinária que reforçou a fé dos discípulos em Cristo, preparando-os para os acontecimentos dolorosos que teriam de enfrentar com a paixão e morte do Senhor. Ao se transfigurar, Jesus revelou sua realidade divina, tornando visível sua luz eterna. Nós também somos chamados a nos transfigurar. A transformar tudo o que em nós é egoísmo, falta de amor e solidariedade, e permitir que o amor misericordioso de Deus nos configure à imagem de Cristo. Isto é o que nos apresenta esta oração composta pela Ir. Ana Elídia Caffer Neves: TRANSFIGURA-ME, SENHOR! Transfigura-me, Senhor! Transfigura-me em ti. Transforma tudo que há em mim para melhor te servir. Transfigura meus olhos, Senhor! Faze-os olhar teu povo com compaixão e os que me fazem sofrer, com misericórdia e compreensão. Transfigura meu coração, Senhor! Faze-o sentir do jeito que Tu mesmo sentes. Faze-o amar com simplicidade e, sem medo, acolher e perdoar, sentir a dor e a alegria e em tudo te encontrar. Transfigura meus pensamentos, Senhor! Faze-os entrar em sintonia com os teus para perceberem para onde vão os teus desejos e o que farias se estivesses em meu lugar. Transfigura meus lábios, Senhor! Faze-os, como Tu, pronunciar palavras de verdade e de consolo, de vida e alegria. Mas também palavras de discernimento que desmascarem as forças da morte e deem novo ânimo para seguir o projeto do teu Reino. Transfigura-me toda, Senhor! Faze que o meu ser, identificado contigo, não tenha outro querer senão o teu. Faze-me amar os que tu amas, trilhar os teus caminhos e agir conforme as tuas obras. Transfigura-me toda, Senhor! Assim, os que se encontrarem comigo, esquecendo-se de mim, possam de ti se lembrar e louvar o Pai por teu amor. Amém. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS, é jornalista e membro da Equipe de Comunicação da Congregação. Participa também da Coordenação Nacional de Espiritualidade SSpS e SVD.
Vocação: Jesus nos chama a segui-lo

No Novo Testamento, a vocação se encontra plenamente revelada na pessoa de Jesus. Ele próprio viveu a experiência de Deus como Pai e identificou sua vida com a vontade de Deus. Jesus foi fiel à sua vocação, mas também ele teve de ir descobrindo aos poucos o que Deus queria dele. Os quatro evangelhos convergem na busca constante de Jesus pela vontade do Pai. “Eu faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (cf. Jo 8,38; 12,50). Jesus chamou outras pessoas a segui-lo na realização da mesma vocação. Por isso o chamado a acompanhar Jesus implica viver o discipulado, quer dizer, aprender com o Mestre a viver a mesma vida dele em vistas do amor, justiça e paz no mundo. O chamado “Vem e segue-me!” começa na beira do lago (Mc 1,16) e recomeça depois da ressurreição (Mt 28,18-20; Jo 21,4-17). Nas narrativas dos evangelhos, há uma variedade de chamados. Às vezes, é Jesus quem toma a iniciativa de chamar, outras vezes quem é chamado convida seu irmão, parente ou amigo. João Batista, depois de ter encontrado Jesus, indica “Eis o cordeiro de Deus”, e dois dos seus discípulos o seguem. Um deles é André, que encontra o próprio irmão e lhe apresenta Jesus como o Messias. No Evangelho de João (1,35-51), há uma sequência de pessoas que são apresentadas a Jesus e tomam a iniciativa para convidar outras. Jesus se dirige a cada uma com uma pergunta, um convite ou um presságio. A Pedro ele diz: “Tu te chamarás Cefas”. Jesus se volta e vê os dois discípulos de João seguindo-o e lhes pergunta: “Que procurais?”. Essa é uma pergunta profunda e mostra que o seguimento de Jesus não é uma aceitação passiva ou alheia ao ser humano. Pelo contrário, seguir Jesus sacia a sede mais profunda de todo homem e toda mulher. No encontro com a Samaritana, Jesus lhe diz: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: ‘Dá-me de beber’…” (Jo 4,10). A narrativa mostra que a iniciativa de chamar é de Jesus, mas o encontro dos seguidores com Jesus muitas vezes passa pela mediação humana. A resposta dos dois discípulos “Mestre onde moras/permaneces?” amplia a pergunta existencial de Jesus “Que procurais?”. No texto, há muitas figuras simbólicas, e a repetição de verbos (vir, ver, morar, permanecer), que mostram que Jesus, ao atender ao desejo mais profundo do ser humano, oferece a ele uma nova casa (comunidade eclesial), deixando-o participar de sua “permanência”. Os primeiros cristãos compreenderam sua vocação ao ponto de morrer para testemunhá-la. Ao longo dos séculos, muitas pessoas têm se perguntado pelo querer de Deus e, por isso, vivido plenamente sua vocação. Hoje a nossa busca continua e iria nos ajudar muito a nos perguntar: que estou procurando? O que significa para mim o convite de Jesus: “Venham e vejam!”? Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG. Para aprofundar mais: Se você quiser aprofundar, aqui vão dois livros sugeridos pela Ir. Juana: BEUTLER, Johannes. Evangelho Segundo São João. Tradução de Johan Konings. São Paulo: Loyola, 2015. p. 69-79. MESTER, Carlos. Vai! Eu estou contigo!: vocação e compromisso à luz da Palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2010. p. 9-11 e 129-141.
Vocação: o que Deus quer de mim?

Agosto é o Mês Vocacional desde 1981, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu incentivar e despertar a responsabilidade vocacional nas comunidades. Desde então, cada domingo do mês celebra a vocação em um estado concreto de vida. Assim, no primeiro domingo, recordam-se os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio; no terceiro, a vida consagrada; e, no quarto, a vocação dos leigos. Mas ainda há gente que pensa que a vocação é apenas para pessoas muito especiais e esquece que Deus chama cada um, cada uma de nós. Por isso, antes de conversar sobre a vocação em cada estado de vida, vamos conhecer a vocação na Bíblia. A Bíblia é cheia de histórias vocacionais, fruto da busca persistente de homens e mulheres que, ao longo dos anos, têm se perguntado: “O que Deus quer de mim? O que ele quer de nós?”. As respostas a essas perguntas se encontram no Antigo e no Novo Testamento, na vida de pessoas concretas, como Abraão, Agar, Jacó, Moisés, Miriam, Ana, Samuel, Davi, Elias, Amós, Jeremias, Jonas, Jó, Isabel, João Batista, José (esposo de Maria), Maria e os apóstolos. Essas pessoas são emblemáticas na história da salvação e deixam ver os traços característicos tanto do chamado como da resposta e missão que cada uma delas recebe. Cada narrativa nos faz deparar com a profundeza da pergunta: O que Deus quer de mim? O que Deus quer de nós? O espírito que inspirou a escrever sobre o fascínio da vocação continua vivo, agindo em nós para que vivenciemos a mesma experiência de Deus. Ainda que o chamado venha de Deus e a resposta seja da pessoa com uma missão a realizar, nenhuma vocação se repete. As narrativas de vocação na Bíblia convergem na afirmativa: Deus não tira a liberdade das pessoas. Na Bíblia, podemos perceber as lutas internas que as pessoas chamadas travam no seu interior. Nós também experimentamos esses conflitos internos, pois levamos dentro de nós a grande luta da transformação do mundo e da conversão pessoal ao projeto de amor de Deus. São Paulo assim expressa a densidade e a profundeza dessa realidade: “Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila, para que esse incomparável poder seja de Deus e não de nós” (2Cor 4,7). Esse é o mistério da vocação. E você, quais são as lutas que você traz no seu coração? Você também experimenta a grandeza do amor de Deus que se manifesta na fragilidade do seu próprio ser? Assim como os vocacionados da Bíblia, nós hoje também somos convidados a fazer uma jornada de busca interior e a descobrir o que Deus está pedindo de cada um de nós. Venha fazer conosco este caminho durante o mês de agosto e descubra um pouco mais sobre sua vocação e o que Deus está querendo. Aproveite para enviar suas perguntas e partilhar suas experiências. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG. Para aprofundar mais: Se você quiser aprofundar, aqui vão dois livros sugeridos pela Ir. Juana: BEUTLER, Johannes. Evangelho Segundo São João. Tradução de Johan Konings. São Paulo: Loyola, 2015. p. 69-79. MESTER, Carlos. Vai! Eu estou contigo!: vocação e compromisso à luz da Palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2010. p. 9-11 e 129-141.
Testemunho Missionário – Irmã Maurina

O testemunho missionário deste mês traz o depoimento de Ir. Maurina Rodrigues de Souza, missionária brasileira em Angola, na África. Irmã Maurina tem 35 anos de vida consagrada e dedicou a maior parte de sua vida aos pobres e aos doentes, tanto no Brasil, onde trabalhou nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Tocantins, como também em Angola. No vídeo, Ir. Maurina conta um pouco sobre sua atuação missionária no Brasil e como foi parar em Angola, respondendo ao chamado missionário de Deus em seu coração. Atualmente está em missão na Comunidade de Funda, onde as irmãs SSpS, com a ajuda de colaboradores leigos e leigas, cultivam plantas medicinais e preparam vários tipos de remédios naturais para cuidar da saúde da população. A produção dos remédios é um trabalho integrado com o Centro de Medicina Natural Xandala, em Luanda, capital de Angola, e que presta diversos serviços de saúde natural, entre os quais homeopatia, fitoterapia, tratamento com argila e vários outros. Assista ao vídeo e veja como Ir. Maurina tem ajudado a cuidar da vida e da saúde especialmente das pessoas mais necessitadas.
Bibliodrama abre novas perspectivas

As três semanas do Curso de Bibliodrama, que se encerrou no dia 21 de julho, abriu novas perspectivas para seus participantes, ensinando-lhes novas maneiras de se relacionar com a Palavra de Deus e de colocá-la em prática. Participaram 17 pessoas entre missionárias Servas do Espírito Santo, missionários do Verbo Divino e leigos e leigas ligados às nossas congregações. Todos saíram entusiasmados com as novas descobertas e com o desejo de partilhar com outras pessoas os ensinamentos recebidos. Para 2020 os e as participantes planejam realizar um retiro para retomar e aprofundar as vivências do Bibliodrama. Para isso contarão com a presença das Irmãs Maria Ilich e Lídia Kunze que foram as facilitadoras do curso. Também pretendem oferecer encontros de fim de semana, ou de alguns dias, com elementos de Bibliodrama nos locais e países onde atuam. Nos depoimentos dos participantes podemos sentir a diversidade cultural e a riqueza das experiências vivenciadas durante o Bibliodrama. Vamos conferir?
O lar das irmãs idosas

No Convento Santíssima Trindade, na capital paulista, há uma área especial para as irmãs de idade avançada. Depois de uma vida inteira dedicada à missão, as missionárias são acolhidas na Comunidade do Lar Santana, onde recebem os cuidados necessários para essa etapa da vida. Atualmente são 20 irmãs de 77 a 95 anos de idade. Irmã Monika Kopf é a coordenadora e cuida para que tenham um bom convívio e acompanhamento espiritual, como tempo de oração pessoal e comunitária, missa diária, retiro espiritual, entre outros. Para os cuidados diários de saúde, há uma equipe de duas enfermeiras e várias cuidadoras. Além disso, contam com fisioterapeutas, terapeuta ocupacional, nutricionista e uma médica geriatra para acompanhá-las em suas necessidades associadas à idade e garantir uma melhor qualidade de vida. As que têm possibilidades se ocupam com trabalhos manuais e ajudam-se mutuamente nas atividades cotidianas. Mesmo não podendo sair, elas continuam servindo a Deus com fidelidade e são missionárias até o último momento de suas vidas. Por suas orações e o terço, mesmo com a saúde debilitada, oferecem a Deus suas dificuldades como sacrifício para o bem das pessoas que também passam por sofrimentos. Assim, elas são colunas que sustentam a missão das irmãs e a vida da Igreja. Com amor e muito interesse, acompanham o que acontece na Congregação e no mundo. Nas missas e orações, estão sempre intercedendo pela paz no mundo, pelas situações em que vivem os pobres e pelos rumos do País e da Igreja. Voltar ao passado e preparar o futuro Irmã Mansuetis Santanna foi uma das últimas irmãs que chegaram à comunidade, há cerca de um mês. Com 90 anos, até bem pouco, estava muito ativa na comunidade do Rio de Janeiro, colaborando na catequese das crianças do Colégio Imaculado Coração de Maria. Para a religiosa, essa foi uma mudança muito difícil, uma vez que ela viveu muitos anos no Rio de Janeiro. Mas, com grande espírito de fé, a missionária fala sobre esse momento de sua vida: “Somos criados por Deus, e o suporte da vida é a graça, gratuidade do Pai. No tempo, as mudanças fazem parte da vida. Diz São Paulo: ‘Quando eu era criança, falava como criança…’ (1 Cor 13,11). Crescemos e tornamo-nos adultos, determinamo-nos com fé, e as mudanças surgem. No apogeu, vivenciamos bondade, desprendimento, tenacidade e alegrias visíveis pelo desejo de acolher e partilhar os dons recebidos. Sempre mudanças, mas, com Cristo, vive-se com Deus. Diz o profeta: ‘Porque eu, o Senhor, não mudo’ (Mal 3,6). Há um mês, cheguei ao Lar Santana, casa aconchegante de irmãs SSpS que se doam em oração, servindo a Igreja, e de leigas que ‘servem ao Senhor com alegria’. Aqui se vive o silêncio, a oração, a paz, a alegria e a beleza da vida, expressa na convivência com as pessoas que nos visitam. Novo caminho, esperança! Esperança com olhar retroativo e pleno de amor. Como ‘predicanda’, voltar ao abrigo que me acolheu jovem ainda e caminhar dizendo: ‘Cristo, ontem, hoje e sempre’ (Heb 13,8).”
Numa sociedade descartável, como ter uma amizade duradoura?

Já dizia o sociólogo Zygmunt Bauman: “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”. O estudioso polonês dedicou sua vida a estudar a condição humana, escreveu 50 livros e é considerado um dos pensadores mais importantes do século XX. Seu trabalho pode ser relembrado pelo termo “sociedade líquida”, que ele usou para descrever a sociedade de hoje. Sabemos que hoje as relações têm sido mais difíceis e menos duradoras, afinal, numa sociedade de consumo, estamos acostumados com tudo rápido e imediato. Quando alguém quer algo, é só ir à loja mais próxima e comprar; se quebrou, é só substituir. Pra que gastar tempo consertando algo que pode ser substituído facilmente? Esse pensamento tem refletido na ética, na política e nos valores humanos, causando uma crise nas relações interpessoais em nível global. Quando falamos de amizade, não tem sido muito diferente. Com o avanço das redes sociais, todo mundo tem milhares de “amigos” no Facebook e seguidores no Instagram, o que dá a falsa sensação de muitas amizades. Há muitos que não se importam em bloquear ou excluir alguém que disse ou postou algo de que não gostou. Um contato a menos certamente não fará diferença entre os 1.800 amigos que a pessoa tem no Facebook. Mas a questão não é sobre excluir alguém de sua vida ou não, mas a forma como as pessoas têm lidado com os conflitos nos relacionamentos. Brigas, discussões, desacordos todos teremos, ninguém concorda 100% com o outro, mas é importante que haja esforço de ambas as partes para entender o ponto de vista da outra pessoa. O segredo para uma amizade duradoura é ter respeito, empatia, saber ouvir, não guardar mágoas e entender e aceitar a individualidade do outro. Um estudo feito pelas psicólogas sociais Carolyn Weisz e Lisa F. Wood, da Universidade de Puget Sound, em Tacoma, Washington, concluiu que o apoio à nossa identidade social é fundamental para que nossas relações durem. Em outras palavras, procuramos amigos que entendam e validem a ideia que temos sobre nós mesmos e sobre o nosso papel na sociedade ou grupo do qual fazemos parte. Por exemplo, um cristão pode ter como melhor amigo alguém que não tenha religião, desde que esse amigo apoie sua identidade como cristão. Se quiser que sua amizade dure, respeite, coloque-se no lugar de seu amigo ou amiga e, principalmente, aceite-o do jeito que ele é.
Convento Santíssima Trindade completa 87 anos

Muitos que passam pela Avenida Vereador José Diniz, no Alto da Boa Vista, em São Paulo-SP, têm curiosidade de saber que construção é esta, de arquitetura diferente e rodeada de jardins, árvores e horta. Quem entra e sente a paz e tranquilidade do ambiente percebe que está num oásis dentro da agitada capital paulista. Um lugar para meditar, rezar, estudar, mas também para se preparar e ir em missão. Estamos falando do Convento Santíssima Trindade que, no dia 18 de julho, completa 87 anos de existência. Nessa data, em 1931, foi inaugurado com a celebração de sua primeira missa. Naquela época, as irmãs procuravam um local adequado para a formação das novas missionárias e que facilitasse o contato com as religiosas que já estavam espalhadas pelo Brasil. O prédio atual foi construído em 1938 e concluído em 1963, com a ala dedicada às irmãs idosas da Comunidade do Santana. Desde 1932, o Convento é também a Sede da Província Stella Matutina, de onde é feito todo o acompanhamento das comunidades, escolas e demais trabalhos missionários, com várias equipes de colaboradores. O Convento abriga as irmãs da Comunidade do Santana que, depois de muitos anos de dedicação à missão, ali recebem cuidados especiais de saúde. Na comunidade do Convento, estão as que trabalham no serviço administrativo da Província e também da casa. São 36 irmãs entre as duas comunidades. No Convento, também está localizado o Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, onde se realizam encontros, reuniões, cursos e seminários para os mais variados públicos, além de casamentos e retiros. Um dos principais eventos é o Curso de Formação Teológica e Missionária para Leigos, já no segundo ano de funcionamento, com quatro turmas e um total de 200 alunos que se reúnem todas as terças-feiras à noite. Eles se capacitam para o trabalho pastoral nas paróquias e comunidades da Diocese de Santo Amaro. Veja como era o Convento antigamente Conheça o Convento nos dias de hoje
Evangelizando pela música

A música, assim como outras manifestações culturais e artísticas, é capaz de despertar sentimentos e reviver lembranças. Ela traz um universo de significados, representações e percepções distintas. Esse tipo de arte aciona diversas áreas do cérebro humano, podendo ainda induzir atos, pensamentos e emoções, como ocorre com a música religiosa, romântica ou com uma mais agitada. Experimentos atestam que estudantes de música conseguem expressar melhor suas emoções e reconhecer, com mais sensibilidade, o estado emocional de outras pessoas, analisando, por exemplo, o tom de voz da pessoa que estiver falando. Essa habilidade ajuda a desenvolver melhor a capacidade de comunicação. A música também é um excelente meio para nos conectar com o sagrado e está presente em praticamente todas as expressões litúrgicas, como missas, orações, casamentos, etc., e nas mais variadas situações da vida, desde festas até funerais. Também na pastoral e na evangelização, a música ajuda a proclamar as boas-novas de Jesus e tocar o coração das pessoas. Seja qual for a situação, a música reflete com harmonia nossa fé e os sentimentos que queremos expressar. Exemplo disso é a vida de Santa Cecília, uma jovem romana dos primórdios do cristianismo e que tinha o dom de cantar as maravilhas de Deus em todas as situações de sua vida. Era cristã, filha de um senador romano da família dos Metelos, nobre, rica e influente. Desde pequena, fez voto de castidade para viver mais intensamente o amor a Deus e a Cristo. Dada em casamento contra a vontade, conseguiu convencer o noivo a respeitar seu voto, e este se converteu ao cristianismo e convidou também seu irmão, e distribuíram seus bens aos pobres. Cecília, com o coração cheio de gratidão, cantou, louvando a Deus por suas maravilhas. Mas o prefeito de Roma, quando soube das conversões, tentou obrigá-los a renunciar ao cristianismo, contudo se mantiveram fiéis até a morte. Cecília ainda converteu alguns de seus torturadores e, mesmo sofrendo o martírio, cantou a Deus, confiando-lhe a sua vida. Cecília é uma das santas mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, em sua tradicional festa, no dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e, desde o século XV, é celebrada como padroeira da música e do canto sacro. O cardeal brasileiro Dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. A música, portanto, é uma das expressões mais sublimes do espírito humano e nos ajuda a despertar o que temos de melhor dentro de nós. Ouça uma das músicas compostas em homenagem a Santa Cecília: https://www.youtube.com/watch?v=tDgk04cAPHg
Passos para Recordar… 150 anos do nascimento de Madre Theresia Messner

Em 9 de julho deste ano (2018), Madre Theresia Messner completaria 150 anos. E que melhor maneira de honrá-la em seu dia que refletir e rezar sobre sua vida em comunidade? Ela foi a sucessora de nossas madres co-fundadoras e um forte pilar para a Congregação, que estava em plena florescimento na época. Theresia Messner era uma mulher lutadora, humilde, generosa, simples, obediente, gentil, espiritual, companheira, boa professora e um grande exemplo para todas as irmãs da Congregação seguirem. Deus tinha grandes planos para ela! Desde a infância, nada havia sido fácil para ela. Sempre colocando Deus em primeiro lugar, ela ofereceu-lhe tudo e entregou sua vida ao Seu serviço. Sob a inspiração do Espírito Santo, Pe. Arnaldo guiou-a para se tornar a mulher que ela era. Ele tinha as coisas muito claras desde o começo. Mas…. Tudo no seu devido tempo! OS PRIMEIROS PASSOS Ela nasceu em 9 de julho de 1868 em Antholz, no sul do Tirol, filha de Leonardo Messner e Gertrud Egelsbacher. Eles pensaram que ela não iria viver e então ela foi batizada três vezes no mesmo dia de seu nascimento. Os Alpes erguem-se ao norte de Antholz e, após o degelo da primavera, os vales ficam cobertos de seixos e pedras. Quando ela tinha apenas três anos, a pequena Margaretha disse: “Um dia eu vou muito longe, muito longe”. Ela gostava de ir até as áreas solitárias das montanhas para rezar. Ela carregava com ela uma cruz e abençoava o mundo com ela. Quando tomou a decisão de se tornar uma religiosa, teve que passar por lutas e provações, um tempo ao qual ela se referiu como “de escuridão do espírito”. A causa das dificuldades interiores pode ser encontrada no medo que Margaretha sofreu em sua infância, por causa das violentas tempestades e tormentas que encheram todos os habitantes dos vales de terror. A voz interior, que ela reconheceu como a voz de Jesus, indicava que ela deveria se tornar uma irmã missionária. Isso certamente traria dificuldades, Ele disse a ela, mas não deveria ser causa de medo porque Ele lhe daria Sua força. Quando Arnaldo Janssen recebeu a carta de Margaretha pedindo admissão às Irmãs Missionárias, pareceu-lhe que esse era apenas o material do qual Deus esculpe seus santos. STEYL, TERRA DE MISSÃO Como tirolesa, Margaretha achou a pronúncia do alemão estranha, bem como algumas das tarefas que lhe foram dadas e a comida servida em Steyl. Em sua cela à noite, sentia saudades de casa. Mais tarde ela escreveu: “Eu chorava lágrimas amargas e depois dormia.” O desejo de salvar almas deu-lhe forças para superar todas as dificuldades. Ela foi admitida no noviciado com o nome de Irmã Theresia. Sofreu por se sentir marginalizada no trabalho manual, pois era difícil para ela tricotar e bordar, pois tinha pouco talento para isso. Costumava consertar meias na sala de costura. Buscava refúgio na oração. E usou essas oportunidades para superar sua própria vontade e seu orgulho. O Espírito Santo foi seu professor e a enriqueceu com seus dons. Ele a levou a um relacionamento íntimo e confiante com Jesus. Ela se juntou ao grupo das primeiras doze Servas do Espírito Santo, que fizeram seus primeiros votos por 7 anos em 12 de maio de 1894. SERVIÇO DE LIDERANÇA Mestra das Noviças e das Probanistas Pouco depois de fazer seus primeiros votos, o Fundador chamou-a ao parlatório para conversar com ela. Ir. Theresia foi com grande expectativa, confiante de que iria receber nomeação para uma missão estrangeira. Mas, uma vez mais ela experimentou um profundo desapontamento e humilhação. Pe. Arnaldo perguntou qual era o seu traqbalho e ela respondeu: “Cerzir meias”. Ele respondeu: “Bem, então continue a cerzir meias.” Mas alguns meses depois ele a chamou novamente, desta vez para pedir-lhe que se tornasse Mestra de Noviças. Ela foi a primeira Mestra de Noviças oficial da Congregação. Tinha 26 anos. Ensinou simplicidade, humildade e obediência. Pe. Arnaldo reconheceu as qualidades de liderança em Ir. Theresia. Ela possuía uma espiritualidade saudável, critérios claros e a prudência necessária para esse tipo de trabalho. Em 1900, ele a nomeou assistente para a Madre Josepha, bem como Mestra de Noviças. No dia 8 de setembro de 1901, as nove primeiras Irmãs, entre elas Madre Josefa e Ir. Theresia, fizeram os votos perpétuos. Em 1902, ela também recebeu a responsabilidade pela preparação das Irmãs para os votos perpétuos. Quando Madre Josefa ficou seriamente doente entre 1902 e 1903, toda a responsabilidade caiu sobre Ir. Theresia. Madre Geral Madre Josefa morreu em 1903 e Pe. Arnaldo nomeou Ir. Theresia como a nova Superiora Geral. Ela tinha 35 anos e, com esta nomeação, assumiu uma tarefa importante juntamente com uma cruz pesada. Havia 205 irmãs professas, 63 noviças e 44 postulantes. Ao ser nomeada Superiora Geral, ela estava mais consciente da responsabilidade do que do título e da dignidade de seu cargo. Em uma carta circular a todas as irmãs, escreveu: “Assumo esta grande responsabilidade com humildade, mas também com confiança em Deus”. NA ESCOLA DA CRUZ Em quase todos os estágios de sua vida religiosa, várias doenças, dores e impedimentos a afligiam. Ela sofria com o clima úmido da região da Baixa Renânia: resfriados, bronquite, angina… Quando ela era Mestra de Noviças, teve um problema com o joelho. Então surgiu uma infecção óssea na perna esquerda. O problema piorou e o médico recomendou cirurgia. Em 1906, sua perna esquerda foi amputada até o joelho. Ela recebeu uma pesada prótese de madeira feita na sapataria de Steyl. Em 1913, enquanto visitava as Filipinas, fez uma cirurgia de mama. Então, em 1916, ela passou por outra operação. Segundo o médico, sem a cirurgia ela teria morrido dentro de 2 a 3 meses por causa de sua anemia total e do tumor interno. Sua saúde frágil influenciou seu bem-estar físico. Ela nunca recuperou seu antigo vigor. Mas a mulher interior permaneceu forte e ela amadureceu durante este período doloroso. Pe. Arnaldo conhecia e apreciava cada vez mais o templo de seu espírito, sua