Confraternização de final de ano

Oração, alegria e muito entrosamento marcaram a confraternização de Natal no Convento Santíssima Trindade. Irmãs e colaboradores (as) refletiram sobre o sentido do Natal, partilharam a refeição e se divertiram com bingo e brincadeiras. Reflexão sobre o sentido da celebração do Natal Irmãs e colaboradores (as) partilham a refeição Alegria e descontração durante bingo e sorteios

Família: a instituição por excelência

Quem nunca pediu algum tipo de ajuda a um parente? Todo brasileiro sabe que, nas horas mais difíceis, a família sempre dá aquele famoso jeitinho. Não nos referimos aqui apenas às famílias nucleares, obviamente, mas também às que não seguem o modelo tradicional. De acordo com as pesquisadoras Clarice Peixoto e Gleice M. Luz (professora e doutoranda da UERJ, respectivamente), a família desempenha um papel muito importante no Brasil, uma vez que as políticas sociais de apoio não são universais e as existentes são bastante precárias. Situações como o desemprego, salários baixos, divórcio, viuvez, aposentadoria reduzida e renda baixa são comuns em nosso país e são fatores que afetam todo o grupo familiar. Por essa razão, tem aumentado a prática de coabitação, na qual, normalmente, pais passam a morar com filhos ou filhos retornam à casa paterna. A coabitação é um sinal claro da solidariedade familiar, tão típica no caso brasileiro. Nas famílias em que diferentes gerações passam a dividir o mesmo teto, são feitos rearranjos para possibilitar a convivência: há partilha do espaço físico, compartilhamento da renda, cuidado das crianças, ajuda mútua nos trabalhos domésticos, transporte comum, entre tantos outros ajustes. No entanto a coabitação também afeta os papéis familiares, cria tensões e gera certa sobrecarga para alguns membros da família. Como menciona Peixoto e Luz, é comum que as mulheres, especialmente as idosas, encarreguem-se de cuidar dos membros dependentes: crianças, velhos e doentes. Outra realidade que vem se tornando mais recorrente é a de aposentados continuarem trabalhando para ajudar os filhos que passam por dificuldades financeiras. Apesar disso, devido à ausência do Estado, como apontamos no início deste pequeno artigo, a família tem sido a grande instituição que possibilita a vida cotidiana de milhares de brasileiros. E, sem essa atitude de reciprocidade e solidariedade entre os parentes, a subsistência seria, em muitos casos, impossível. Isso revela uma riqueza própria do nosso povo, mas também mostra a omissão do Estado, que deveria garantir o bem-estar da sociedade. Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e Diretora Presidente da Redes – Rede de Solidariedade

A promessa se cumpriu (Lc 2,1-14)

O Messias, há tanto tempo prometido ao povo de Israel, chegou da forma mais surpreendente. Ele não veio como um guerreiro investido de poder, mas se fez presente na fragilidade de um recém-nascido. Ninguém esperava que o Salvador viesse dessa maneira. Os elementos sublinhados nas narrativas do nascimento do Messias têm forte sentido teológico, por exemplo, a cidade de Belém, a manjedoura e os pastores. E devem ser lidos à luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nesse marco é compreensível que o evangelista Lucas, na sua narrativa do nascimento de Jesus, cite várias vezes Belém. Pois Belém era a cidade de Davi, o povo judeu esperara, entre tantas provações, a vinda de um novo Messias, descendente de Davi. O nascimento do Salvador se desencadeia justo aí, na periferia, no ambiente dos pobres, pleno das esperanças do AT (cf. Lc 1-2). Não é por acaso que o Papa Francisco tem insistido muito para que saiamos às periferias territoriais e existenciais. Isso não significa que Deus limite sua ação, mas ele tem especial preferência com os que mais sofrem sob o jugo da opressão e vem em seu auxílio. Mas Deus também conta conosco. Outro dado interessante é que não havia lugar para José e Maria nas hospedarias, sendo que Maria, em seu estado avançado de gravidez, deveria ter sido acolhida em alguma casa. O fato de o evangelista sublinhar que não tinham lugar para eles pode estar entrevendo já a sombra da cruz. Logo, a imagem da manjedoura vem reforçar a acolhida ou rejeição que Jesus teria por parte das pessoas. Em um mundo onde se busca todo tipo de honras, fama e domínio de outros seres humanos e da natureza, é quase inaceitável pensar em Deus despido do poder. Por isso se torna compreensível que nem todos acolham o Messias, Menino, nascido pobre. Pois vê-lo deitado numa manjedoura necessariamente contradiz as nossas expectativas de poder, fama e domínio. Diante desse Messias, é preciso muita humildade e sinceridade para contemplar sua presença misteriosa e salvadora. O Anjo disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria que o será para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11). Os pastores ficaram maravilhados, surpresos e até assombrados. As palavras do Anjo os comovem profundamente, pois ele lhes anuncia a Boa Notícia, da tão esperada chegada do Messias Salvador. Como os pastores, abramos nosso coração à Boa Notícia e deixemos que Deus, na pessoa de seu Filho Jesus, sacie nossos anseios mais profundos e nos humanize! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.

Ir. Nelly recebe homenagem

No dia 11 de novembro de 2018, Ir. Nelly Boonen recebeu uma Homenagem do Núcleo de Justiça Restaurativa da Prefeitura de São Vicente-SP, ao lado da Kay Pranis, Minnesota, EUA. Desde 2010, Kay vem anualmente para o Brasil para dar formações de Justiça Restaurativa. Ir. Nelly partilha o discurso que fez na ocasião, em que conta parte de sua história e de sua luta pela superação das consequências da violência e pela implantação da justiça restaurativa. “Entre matar ou morrer, prefiro morrer.” Agradeço por reconhecerem o valor dos processos formativos que oferecemos. Estendo essa homenagem ao Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo (CDHEP) no qual estamos empenhados para transformar os princípios de Justiça Restaurativa em ações. Ações na vida privada e na vida púbica, ações que fortaleçam relações comunitárias justas e que instaurem direitos. O que fazemos no CDHEP, obviamente, não está desconectado daquilo que sou, de onde venho. Vou voltar um pouco na minha história, como filha de imigrantes holandeses que foram para Luxemburgo. Eram agricultores sem-terra, pobres, com 6 filhos. Sessenta anos atrás, meus pais faziam parte de um movimento de agricultores, que não eram proprietários de terra. E não eram da esquerda, simplesmente lutavam pela sobrevivência. Conheço a vergonha de, a cada ano, ter que entregar um tipo de atestado de pobreza na escola. Conheço a raiva de ser tratada como diferente, como imigrante, cidadã de segunda categoria, excluída de possibilidades que os iguais tinham. Ao mesmo tempo, ficava tentando entender, ainda criança, os porquês dessa diferença, pois me achava tão igual a todos os outros. Com 18 anos fazia parte de um grupo de jovens cristãos politizados. Participava de demonstrações contra a corrida armamentista entre União Soviética e Estados Unidos, contra as armas nucleares, contra a obrigatoriedade do serviço militar. Um dia fomos visitar o cemitério de soldados americanos. Lá estão fincadas mais de 5.000 cruzes. Cinco mil vidas ceifadas pela guerra. Eu fiquei muito abalada diante desse cenário forte. Um pouco depois, cruzamos a rua. Fomos ao cemitério dos soldados alemães. São quase 11.000 túmulos de jovens, alguns com apenas 16 anos. Percebi-me invadida por um desespero interior. A nitidez da violência, da inutilidade da guerra, das oposições levadas às últimas consequências, da espiral da violência ascendente… Naquele lugar, fiz uma promessa interior: “Entre matar ou morrer, prefiro morrer. E que Deus me dê a força para deixar que isso aconteça.” Décadas depois, essa promessa ou esse dilema volta a ser atual. Não que eu queira morrer. Mas, a partir dos valores da Justiça Restaurativa, entendo que esse “morrer” tem a ver com acolher a própria vulnerabilidade e imperfeição. Tem a ver com o estar em contato com a própria violência, para não ter que “matar o outro”, por medo de sua violência. Ao longo dos anos, fui aprendendo uma possibilidade de resistir, a partir de minha vulnerabilidade e de minha capacidade de ser violenta. Fui compreendendo: é exatamente, minha vulnerabilidade que me capacita para me conectar com a vulnerabilidade, a insuficiência, a imperfeição, a violência do outro. Portanto, reconhecendo minha própria violência e imperfeição, não preciso matar o outro pela sua imperfeição. Essa escolha, ou rota, pede um esforço diário de transformação. Diariamente, eu tenho que tomar decisões para não entrar na espiral da violência, ou para sair dela. Às vezes, continuo, conscientemente ou inconscientemente, a reprodução da violência. A liberdade que vem do perdão Contudo, quando sou capaz de reconhecer esses movimentos do cérebro reptiliano, que só sabe atacar, fugir ou fingir, me resta uma saída: Posso me perdoar, posso presentear-me com o dom do perdão, com o perdão a mim mesma. Imaginem, vocês, como ficaria minha vida se não conseguisse perdoar-me uma falha, um gesto, uma traição, um erro, uma violência. Minha vida seria uma prisão. “Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria limitada a um único ato do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das consequências desse ato” (Hannah Arendt). É evidente que eu preciso perdoar-me, e ciente de vulnerabilidade, eu sou convidada a perdoar outros. Assim procuramos juntos uma forma de cuidar da dor, do dano que minha falta provocou na relação com o outro e na convivência em sociedade. Agora, imaginem, vocês, o que significa essa prisão interior para as mais de 730 mil pessoas iguais a mim, que estão nos presídios. Muitos deles estão lá sem condenação; outros estão lá condenados por um só ato. Faz seis anos que, algumas duplas treinadas pelo CDHEP, estão trabalhando em diversos presídios em diferentes cidades do Brasil. Dão formação em Fundamentos de Justiça Restaurativa, incorporando oficinas ESPERE da Fundación para la Reconciliación da Colômbia. Esse trabalho me confirma a importância do perdão – e do autoperdão – que significa aprender a aceitar a própria vulnerabilidade, que nos faz também escolher respostas equivocadas. Nesse momento, o perdão é a possibilidade de libertar-me do passado: tratando-se de minhas próprias ações e das ações que outros atribuíram a mim. Desarmar o coração e a sociedade Portanto, o perdão é uma possibilidade de desarmar o coração e desarmar a sociedade. Nesse sentido, aproveito para parabenizar a Câmara de Vereadores de São Vicente que incluiu como Princípios da Justiça Restaurativa a interdependência, o perdão como manifestação – e perdão como necessidade; digo eu, exatamente pela interdependência… Para continuar vivendo em comunidade, em sociedade, precisamos nos perdoar mutuamente, nos libertar do peso de atos passados que pesam sobre nós. Parabenizo ainda a Câmara de Vereadores por incluir nos Princípios da Justiça Restaurativa, a abolição de medida meramente punitivas e penalizantes. É um princípio ousado, corajoso, nestes tempos, quando muitas vozes bradam por armas, diminuição de maioridade penal e aumento de penas. Somente estando em paz com minha vulnerabilidade, estarei disponível para acolher a vulnerabilidade do outro. Somente acolhendo minha dor, poderei acolher a dor do outro, sem ter que matá-lo. Mas, morrendo cada dia um pouco à minha onipotência e minha violência. Ir. Petronella Maria Boonen (Nelly) é co-fundadora da

A genealogia de Jesus Cristo, Filho de Deus (Mt 1,1-18)

O Messias da justiça e da misericórdia vem derrubar padrões de exclusão e de injustiça. Ele também nos apresenta um caminho novo, em que a prática do amor e da misericórdia aproxima o reinado de Deus. Na introdução ao Evangelho, a genealogia (Mt 1,1-17) apresenta nomes concretos de cinco mulheres. Por meio dessas pessoas, o autor nos conduz à origem, identidade e missão do Messias dos excluídos.Mas quem são essas mulheres que aparecem junto com Maria na genealogia? Será que estão aí por acaso ou propositalmente? Busquemos as possíveis respostas no mesmo texto: “Genealogia de Jesus – Livro da origem de Jesus Cristo filho de Davi filho de Abraão” (versículo 1). A seguir, os versículos 2 a 16 apresentam uma lista de 42 nomes, dentre os quais 5 são de mulheres, algo incomum na cultura dos antigos judeus. Por isso os versículos 3, 5 e 6 são uma importante chave de leitura do texto. É neles que se estabelece uma relação de sentido. Pois, no meio de destacadas figuras de patriarcas, reis e sacerdotes do povo de Israel, o evangelista insere os nomes de mulheres estrangeiras. Assim, temos Jesus inscrito numa genealogia abrangente de distintos varões da história de Israel (Abraão, Isaac, Jacó, Davi…), reafirmando com isso sua origem judaica, sua identidade e missão. E, ao mesmo tempo, entre essas personalidades destacadas, citam-se mulheres pouco conhecidas que, aliás, fizeram parte dos grupos mais marginalizados (Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias). Nesse sentido, podemos concluir que seus nomes não estão por acaso no texto; pelo contrário, essas mulheres aparecem com o sentido expresso de apontar a Jesus como o Messias da justiça e da misericórdia, o Messias dos excluídos. Outro detalhe interessante nessa genealogia é o destacado nome de Maria. A mulher era considerada secundária na dinâmica de gerar a vida. A citação do nome de Maria em consonância com o verbo gerar (Maria é quem gera a vida e José é o esposo) rompe com aquela estrutura patriarcal (androcêntrica). Nessa genealogia, Maria se torna sujeito, serva do Senhor, e não mais servidora submissa de um sistema injusto. Numa sociedade que marginaliza e exclui até em nome de Deus, o texto da genealogia de Jesus Cristo é convite ousado contra o sistema inumano. É urgente que, com Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias e Maria, recuperemos nossa origem e identidade em Jesus, para abrirmos espaços de justiça, igualdade, amor e misericórdia. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.

CIM comemora 3 anos de acolhida aos migrantes

O Centro de Integração do Migrante (CIM) festejou três anos de serviços. Houve uma grande festa e a entrega de diplomas aos 78 alunos que concluíram os cursos de Informática, Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Culinária. A confraternização, realizada no dia 16, reuniu alunos, professores, voluntários e amigos, além das missionárias servas do Espírito Santo que levam adiante o trabalho do CIM, no bairro do Brás, em São Paulo. Neste artigo, Thales Speroni nos ajuda a refletir o que é ser migrante e o que temos em comum com todos os que estão longe de casa e do país. Vale a pena ler! Somos todos migrantes Para comemorar estes três anos do CIM, lugar de refúgio e amor, eu queria lembrar uma frase que se escuta frequentemente: “Todos somos migrantes”. Cabe perguntar: o que isso significa? Não seria eu, nascido neste país, no território deste Estado, um nacional, um local? Alguém poderia dizer: você é migrante porque algum parente seu veio de outro país. Mas isso basta? Pois bem, eu queria dizer que todos somos migrantes, e isso inclui todos mesmo, porque o mundo é um lugar estranho, um lugar de risco, de perigos, de maldade. Todos somos estrangeiros, porque o que temos dentro (a possibilidade de cuidar, de proteger e de fazer o bem) não é deste mundo: é de fora e de dentro, do que foi e do que pode ser.  O que temos dentro nos faz migrantes, pois nos faz iguais ao sermos estranhos a um mundo em que a vitória da justiça não é garantida. O que temos dentro é estranho, não porque é raro, mas porque não é algo que existe de forma automática. O mundo não é um lugar que incentiva o cuidado do próximo, pelo contrário. O trabalho (ou a falta dele), as fronteiras, os preconceitos nos dividem e nos fazem sentir excluídos. Nós nos esquecemos de que, ao fim e ao cabo, somos todos estrangeiros, pois carregamos com a gente um mundo que ainda não existe, mas que pode existir. Basta acreditar e lutar para isso. Admitir que somos migrantes significa negar as falsas divisões entre as pessoas e assumir o compromisso, rotineiro, diário e permanente, de ajudar, apoiar e cuidar do outro, seja quem ele for, venha de onde ele vier. Ser migrante não se trata de uma bandeira, de um país, de um passaporte. Trata-se de fazer desse lugar, que pode ser qualquer lugar, o nosso. As fronteiras entre os países, mas também entre os credos, as cores de pele, os gêneros, que não foram colocadas por nós, dificultam essa tarefa. Faz a gente facilmente esquecer que, ao sermos todos migrantes, não existe “eles” e “nós”.  O Centro de Integração do Migrante é um lugar de acolhida e hospitalidade, de segurança e de troca, um lugar também de aprendizado e amor. Um convite permanente para que entrem todos os migrantes (ou seja, todos nós). O centro leva a sério a mensagem de que somos todos migrantes, porque ele é um lugar em que o “nós” está acima do “eu”, um lugar em que a ajuda ao outro é sempre uma ajuda a si mesmo, porque como migrantes que somos, “o outro sou eu e eu sou o outro”. O centro representa um compromisso de vida, das irmãs, dos voluntários e dos colaboradores, mas também daqueles que passaram por aqui. Representa um compromisso que fica marcado na pele, de multiplicar, de fazer o cuidado recebido chegar àqueles que ainda não o recebem. No ano em que eu estive perto do Centro, eu me senti marcado por esse significado e, mesmo não estando mais por perto, eu sempre vou levar comigo esse compromisso e essa mensagem.  Thales Speroni, doutorando em Sociologia, é do Rio Grande do Sul e trabalhou durante três meses como voluntário no Centro de Integração dos Migrantes. _____________________________________________________________________________________________ Principais momentos da confraternização do CIM

A missão transforma

Fazer parte da história de 129 anos da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo como missionário leigo de Deus Uno e Trino é compartilhar do carisma missionário e da espiritualidade trinitária. Nesta edição, quatro testemunhos nos enchem de esperança em um mundo marcado pela solidão e pelo abandono. Vem você também dar um sentido novo à sua vida! Nanci Queiroz, MLDUT, RJ _____________________________________________________________________________________________ “Diante da oportunidade de férias do trabalho em dezembro, conversei com a irmã Heloíse, SSpS, e disse-lhe que gostaria de dedicar uma semana para ajudar em alguma coisa. Ela respondeu: ‘Que alegria! Venha ajudar na missão!’ Foram dias de vivência, partilha e oração em comunidade com as irmãs que moram no Colégio Espírito Santo, no bairro do Tatuapé, em São Paulo: irmã Heloíse, irmã Terezinha, irmã Edísia e irmã Rosália. Dias dedicados a ajudar no Centro de Integração do Migrante, no Brás, na capital paulista. A foto, que chamei de ‘abraços da América Latina’, mostra algumas das dezenas de crianças atendidas que esperam dias melhores. O entusiasmo das irmãs Malgarete, Maria Inês e Gislaine atendendo, orientando, conversando, cuidando, cozinhando, morando ao lado dessas pessoas que vêm em busca de oportunidades e encontram no Centro de Integração do Migrante mais, muito mais do que cursos de Inglês, Espanhol, Português, Informática, Culinária, Manutenção de Computadores, encontram uma família, acolhida, apoio e esperança. Para celebrar a certificação dos concluintes dos cursos e os três anos do Centro de Integração do Migrante, cantamos parabéns em português, espanhol, inglês, guarani, francês e aimará. Tudo com direito a bolo e salgadinhos feitos pelas alunas do curso de Culinária. Dias dedicados a participar do encontro das missionárias leigas de Deus Uno e Trino em Campo Belo, Minas Gerais: Leida, Florípes, Eva, Cleuza, Teresinha, Aparecida, Dora, Luciane, Anita, Faraildes, Domires, Lisia, Isabel, Cleria… Tantas Marias atualizando o “sim” a Jesus; tantas Marias em saída, anunciando e apoiando! Visita à Creche Madre Theresia, no bairro de São Mateus, Zona Leste de São Paulo, que atende dezenas de crianças carentes. Tem uma equipe de professores dedicados, comprometidos e conscientes das necessidades e dificuldades das crianças atendidas e da importância do trabalho desenvolvido para mudar a realidade de vida pelo acesso à educação.  A Maria Cristina que volta para o Rio de Janeiro leva no coração uma fé renovada e a alegria de saber que eu só sou com o outro de perto ou de longe, da família ou do trabalho, da escola ou do clube.” Maria Cristina Queiroz Maia, MLDUT, RJ _____________________________________________________________________________________________ “Eu me sinto muito feliz por ter sido escolhida para fazer parte do grupo das MLDUT, com as irmãs missionárias servas do Espírito Santo. Tenho aprendido muito com elas, principalmente a me doar mais. É o que elas fazem o tempo todo!” Luciane de Pádua, MLDUT, Campo Belo-MG _____________________________________________________________________________________________ “Sinto-me muito feliz fazendo parte do grupo de missionários leigos. Sempre dediquei minha vida à missão, no cuidado com minha família e orientação dos meus filhos. Os encontros que participo me fazem viver cada dia mais o amor de Deus e o SIM de Maria. Quero parabenizar as irmãs da Congregação por sua missão no mundo, um exemplo de fé e de esperança.” Ana Maria do Amaral Queiroz, MLDUT, RJ_____________________________________________________________________________________________ “É com muita alegria e gratidão a Deus que celebro e parabenizo as irmãs por seus 129 anos de dedicação à missão. Para mim, é uma honra fazer parte desta história. Há 27 anos, cheguei como aluna do Colégio Nossa Senhora da Piedade e depois me tornei professora. Quanto aprendizado, para nunca ser esquecido! E hoje, com muito orgulho, sigo em minha missão e sou professora do Colégio Imaculado Coração de Maria!” Valéria Maciel, MLDUT, RJ

Super-heróis para além da imaginação e fantasia

Meninos vestidos com os adereços do Superman, Batman ou Homem-Aranha; festas de aniversários com a decoração dos super-heróis americanos; brinquedos e acessórios com os motivos desses agentes poderosos do imaginário infantil… Essas são situações que se tornaram muito comum no Brasil. A chegada desses heróis ao país é datada, e o sucesso destes supõe uma construção histórica. Cabe-nos perguntar o que está por trás dos personagens poderosos. Que consequências eles trazem para nossa cultura? Para quem foi criança até a década de 1960, quando a tevê ainda era uma raridade e a maior parte da população vivia no campo, a infância teve outro sabor. As brincadeiras eram muito mais coletivas. A oralidade era a base para a transmissão das tradições, dos mitos, das lendas e das histórias que povoavam o imaginário das pessoas. Todo esse caldo cultural que era transmitido de geração em geração tinha elementos dos povos indígenas, africanos e portugueses, ou seja, das culturas raízes que formaram o nosso Brasil. No entanto muita coisa mudou a partir da década de 1960. Com o êxodo rural, a popularização da televisão e, posteriormente, de outros eletrônicos, o tempo e o interesse pela tradição oral perdeu espaço para as histórias em quadrinhos e, depois, para os desenhos animados. É aí que os super-heróis americanos começaram a entrar em cena, suplantando os heróis das histórias nacionais. Filósofos como Loeb e Morris afirmam que os heróis têm certo poder sobre nós, uma vez que eles nos apresentam algo a aspirar na vida. Estudos deixam claro que, durante todas as fases do desenvolvimento psicológico, esses personagens têm uma ação no inconsciente dos indivíduos. Randazzo diz que o herói masculino, “com sua ênfase sobre a independência, força e coragem, dominou a psique e a sensibilidade das culturas europeias”. O mesmo pode ser dito sobre as outras culturas patriarcais no Ocidente. Por outro lado, a figura do herói também é fruto de determinada conjuntura histórica e revela muito do sistema social, ou seja, os heróis não vieram apenas com a missão do entretenimento. Eles têm um reflexo no imaginário da sociedade, na sua cultura e na economia. Sabemos que esse processo é irreversível, mas é importante que sejamos críticos e conscientes em relação àquilo que oferecemos às novas gerações. É nossa responsabilidade preservar e valorizar nossa herança cultural recebida dos povos indígenas, dos portugueses e dos africanos. Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e Diretora Presidente da Redes – Rede de Solidariedade

Votos perpétuos da irmã Lucilene

O que leva uma jovem a entregar, por toda sua vida, sua caminhada a Deus e à missão? Em tempos de compromissos provisórios, é difícil entender por que fazer votos perpétuos. De fato, isso é um dom de Deus que é possível para quem tem fé e responde ao chamado da vocação. E foi isso que fez a irmã Lucilene Ferreira Soares no domingo, 9 de dezembro: consagrou sua vida a Deus para sempre na Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo. Lucilene, 34 anos, é paulista do Município deEmbu das Artes-SP. Conheceu as missionárias, fez o acompanhamento vocacional e decidiu entrar na Congregação. Sua formação foi toda intercultural. O aspirantado e parte do pré-noviciado foi em São Paulo. Concluiu o pré-noviciado na Argentina e fez o noviciado no Paraguai. Após os primeiros votos, em fevereiro de 2012, Ir. Lucilene trabalhou com os migrantes no bairro do Brás, em São Paulo, e iniciou o estudo de Teologia. Três anos depois, foi enviada em missão para Gana, na África. Irmã Lucilene enfrentou muitos desafios, desde aprender a língua e a cultura como também enfrentar a situação das comunidades da zona rural ao norte de Gana. Por causa da precariedade da saúde, educação e saneamento básico, as missionárias tinham de fazer de tudo. Muitas vezes, ela se sentiu impotente por não poder ajudar mais. “Mesmo com todas essas dificuldades, foi uma missão linda, com um povo muito acolhedor, onde me senti muito amada e experimentei a forte presença de Deus”, conta Lucilene. Retornando ao Brasil no fim do ano passado, Ir. Lucilene passou as férias com a família e, neste ano, foi para o Chile preparar-se para o compromisso definitivo, que são os votos perpétuos. “Para mim, fazer os votos perpétuos é fruto de uma grande graça, que é minha vocação”, explica. A vocação é a força e a paixão que a impulsiona a doar a vida e seus talentos numa entrega diária e a “viver em profunda relação de comunhão com tantas pessoas no mundo inteiro”, acrescenta a missionária. Acompanhe no vídeo a celebração dos votos perpétuos da Ir. Lucilene. Comunidade realiza tríduo para preparar a festa A celebração dos votos perpétuos da Ir. Lucilene foi preparada durante vários meses por sua comunidade de origem, a Paróquia São José e Santo Eduardo, no Embu das Artes. Uns dias antes da profissão perpétua, as irmãs SSpS de diversos lugares, junto com membros da comunidade local, visitaram os doentes e as famílias e participaram da celebração do tríduo. Foi uma semana de muita animação vocacional e missionária. A missa dos votos foi solene e animada pelos cantos e pela emoção dos familiares e amigos da missionária. Depois da missa e dos cumprimentos, todos se reuniram no salão paroquial e se confraternizaram com bolo, refrigerante e salgadinhos.

Festa jubilar das irmãs SSpS

A festa da Imaculada Conceição de Maria, em 8 de dezembro, além de ser aniversário de fundação da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, é também festa de jubileu de consagração religiosa. Neste ano, celebramos 70, 65, 60, 50 e 25 anos de consagração de várias irmãs. O Convento Santíssima Trindade enfeitou-se para receber os familiares e amigos das irmãs jubilares e para a missa em ação de graças. Além de renovar os votos religiosos, as jubilares também receberam uma bênção especial por tantos anos de dedicação a Deus e ao próximo. Missa do jubileu Na capela do convento, ressoaram os acordes animados pela equipe de cantores da Paróquia São Marcos. As irmãs jubilares entraram felizes em procissão, junto com os celebrantes. Padre Lucas Herkt, SVD, presidiu a missa, e a coordenadora provincial, a Ir. Maria Percila Vieira, junto com as irmãs do Conselho Provincial, apresentaram cada uma das jubilares e as agradeceram por todo o bem que realizaram na missão. Foi uma celebração rica em simbolismo, na qual, pela renovação dos votos de pobreza, obediência e castidade, as irmãs reafirmaram seu compromisso. Conheça as irmãs jubilares Nesse vídeo, você vai conhecer quem são as irmãs jubilares. Algumas já bem debilitadas pela idade, outras em pleno vigor da missão. Duas não puderam estar presentes, como foi o caso da Ir. Martina, que está na Espanha, cuidando de sua mãe idosa e enferma, e da Ir. Ester, que, por motivos de saúde, não pôde viajar. Outras duas jubilares não puderam esperar pela festa e foram celebrar no céu, junto com Deus. A primeira foi a Ir. Gertrudine Lorenz, que comemoraria 75 anos de consagração religiosa e faleceu no dia 13 de junho, aos 98 anos de idade. A segunda foi a Ir. Veramaria Ribeiro, de 92 anos, que faleceu em 31 de julho e completaria 65 anos de vida religiosa. Dança em ação de graças Depois que as irmãs jubilares renovaram a consagração religiosa junto com todas as missionárias servas do Espírito Santo que estavam presentes, foi o momento de ação de graças. Mas como agradecer a vida e a dedicação de quem doou 70, 65, 60, 50 ou 25 anos de serviço missionário? As palavras não dão conta de expressar tamanha gratidão! Por isso as jubilares preferiram se expressar de forma simbólica. Irmã Lusia Sakunab, que nasceu no Timor, Indonésia, representando as jubilares, fez uma oração, por intermédio da dança, expressando profunda gratidão a Deus. Assista ao vídeo e também agradeça a Deus por tudo o que Ele realiza de bom em sua vida. Irmã Lusia é a mais jovem entre as jubilares, e fez seus primeiros votos em 1993, celebrando jubileu de prata. Veio como missionária ao Brasil em agosto de 2002 e trabalhou vários anos nos Estados do Tocantins e de São Paulo. Estudou Administração e faz parte da Equipe de Coordenação da Província. Atualmente trabalha no Centro Educacional Madre Theresia, na periferia de São Paulo-SP, e participa da Equipe de Animação Vocacional. Confraternização Faz parte da festa encontrar-se com as pessoas queridas e celebrar, partilhando a comida. Assim, depois da missa, foi a confraternização. Foram servidos muitos salgadinhos e doces preparados em mutirão pela equipe de colaboradoras do Convento Santíssima Trindade e pelas as irmãs. Foram dias de trabalho, mas o resultado foi de encher os olhos e dar água na boca!

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