Solidariedade aos povos tradicionais

Para os indígenas, a terra não é apenas um meio de subsistência, mas é um elemento que envolve todo o sentido de suas vidas. Na relação com a natureza, conectam-se com sua identidade mais profunda, na qual o mundo material (imanente) está integrado ao transcendente. Assim, para esses povos tradicionais, o território onde habitam é um espaço sagrado no qual guardam a memória de seus antepassados, fazem seus ritos ao divino e mantém suas tradições… Coisas que a política neoliberal que cultua o capitalismo na forma do agronegócio não consegue reconhecer. Todos nós estamos acompanhando as políticas do novo governo do Brasil. O setor econômico, sob a responsabilidade de Paulo Guedes, é a menina dos olhos da administração atual. O que nem todos estão sabendo, porque não interessa aos principais meios de comunicação, é que, em nome do crescimento econômico, pessoas estão sendo mortas, elementos de nossa cultura destruídos e a natureza devastada. De acordo com Dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), “Aumentaram as invasões a territórios indígenas de norte a sul do Brasil, de leste a oeste, do Caburaí ao Chuí, bem como um discurso que promove a iminência de genocídio dos povos indígenas, sobretudo os povos isolados, que são ameaçados na sua integridade física”. Não podemos ser indiferentes ao sofrimento desses povos e aos ataques aos direitos constitucionalmente garantidos a eles. Sejamos solidários aos indígenas, pessoas que há 518 anos vêm resistindo a tantas violências e injustiças, e a quem devemos voltar nosso olhar para aprender uma relação mais respeitosa com a mãe terra. Por Ir. Stela Maris Martins, SSpS Presidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC-Rio
Por mais justiça e menos violência

Protestar de forma pacífica é um direito garantido no artigo 5º da Constituição brasileira. E é assim que membros do Movimento Passe Livre estavam agindo no dia 16 de janeiro último. Os manifestantes se reuniram com o objetivo de contestar o aumento das passagens do metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) anunciado pelo governador João Doria (PSDB) e em vigor desde o dia 13 deste mês. Vale ressaltar que o aumento de R$ 4,00 para R$ 4,30 equivale ao dobro da inflação registrada em 2018 e está acima do aumento do salário mínimo. Enquanto os manifestantes ainda estavam planejando o percurso que iriam seguir, foram covardemente surpreendidos por uma ação truculenta da polícia. O fotógrafo da Ponte Jornalismo, Daniel Arroyo, foi ferido por um tiro de borracha no joelho direito. Também Willian Vieira, colaborador da Mídia Ninja, foi ferido nas pernas por disparos. Bombas de efeito moral e gás de pimenta também foram usados pelos policiais. Nesse início de governo, percebemos vários elementos de uma política que opta pela força e imposição do medo, sob o pretexto de estabelecer a ordem. Sabemos que as coisas não são bem assim. Uma sociedade de paz só é possível por meio do diálogo e da justiça. O foco deveria estar voltado para o combate à desigualdade e não no ataque àqueles que, com audácia, procuram viver, até as últimas consequências, os princípios da verdadeira política. Aos homens e mulheres que, com sua presença no mundo, buscam uma sociedade melhor a nossa solidariedade! Por: Irmã Stela Maris Martins Presidente da Redes – Rede de Solidariedade e graduanda em Ciências Sociais pela PUC-Rio
O leigo e a Campanha da Fraternidade

Todos participamos, de alguma forma, das políticas públicas, seja como funcionários, seja como usuários dos serviços públicos. Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2019, com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”, do profeta Isaías (1,27), vem trazer ao cidadão brasileiro a participação em ações que construam as políticas públicas nas quais prevaleça o direito e a justiça para todos. Para os leigos cristãos, sobretudo os missionários leigos, comprometidos com o Evangelho, a CF 2019 tem um sentido ainda mais expressivo: o de ser presença viva e atuante em um espaço que é público, cujos usuários são os que compõem a maior parte da população, a qual precisa assumir o protagonismo das mudanças sociais. Nessa ação transformadora, com o objetivo de colaborar para que os direitos humanos sejam respeitados e colocados em prática no espaço público, o leigo vem dar continuidade às ações que se firmaram no Ano Nacional do Laicato e que tiveram uma repercussão bastante construtiva. São passos que vão conscientizar e orientar o cidadão em seus direitos, compartilhar os desafios por uma sociedade justa e solidária, além de intervir, de forma construtiva, em todos os setores da sociedade: primeiro setor (público), segundo setor (privado), bem como no terceiro setor (sem fins lucrativos). A colaboração do leigo vem sendo intensificada na criação de espaços para debates e esclarecimentos sobre os direitos humanos, o que é de grande valor para todos os cidadãos e servidores públicos que nem sempre contam com esse espaço em seu ambiente de trabalho. Mas o cristão leigo tem os caminhos para promover a cultura do encontro e do diálogo, na qual o direito, a justiça e a solidariedade são debatidos com ética e cidadania. São encontros em paróquias, estabelecimentos de ensino, condomínios, comunidades e redes sociais. Reflexões iluminadas pelas ações de Jesus, tão vivas, necessárias e esperadas nos dias de hoje, que superem conflitos, que desfaçam preconceitos e, acima de tudo, que valorizem a vida, a justiça e a paz. Maria Cristina Maia e Nanci Queiroz
A busca pela justiça

Você sabia que buscar a justiça faz parte da vivência da espiritualidade cristã? Não só faz parte como é algo essencial. A espiritualidade autêntica busca coerência entre o que se acredita e aquilo que se vive. Não dá para seguir Jesus Cristo sem praticar a justiça, pois esta é um dos principais valores do Evangelho. Tanto que, para as missionárias servas do Espírito Santo, a busca da justiça faz parte do próprio estilo de vida das irmãs. Temos consciência de que “justiça, paz e integridade da criação não são meramente algo que fazemos, mas estão no próprio coração de nossa vocação religioso-missionária” (Direções do 14º Capítulo-Geral SSpS). Não basta trabalhar em direitos humanos e questões sociais, mas toda a nossa vida deve estar impregnada das atitudes de Jesus e do Evangelho. No tempo de nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen, o conceito de justiça social era pouco conhecido, embora se experimentassem de perto as consequências da Revolução Industrial e a exploração que sofriam os operários. Nos escritos de Arnaldo Janssen, há uma busca explícita pela justiça, especialmente no que se refere a “relações justas” com Deus, com a criação e entre as pessoas. Na revista “Cidade de Deus”, por ele fundada, escreveu sobre os objetivos da publicação: “Que chegue a ser uma fiel lutadora pela verdade e pela justiça, e conserve, em muitos corações, o amor pela santa religião e pelo grande Criador de todos os corações”. O lema “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas” mostra o cerne de sua busca, que é a relação de comunhão com Deus e entre as pessoas. Só é possível haver comunhão se há justiça, e esta se constrói pela maneira correta de se relacionar consigo mesmo, com as pessoas, com os acontecimentos, com a criação e com Deus. Nas cartas de Arnaldo Janssen, de José Freinademetz e das primeiras madres SSpS, sempre aparecem observações sobre a maneira correta de se relacionar, incentivando o respeito, o amor mútuo e o evitar as injustiças. Quanto à justiça para com os pobres, Arnaldo introduziu entre os seminaristas o costume de visitar os pobres em suas casas e recebê-los no seminário, dando-lhes comida e acompanhando-os em suas necessidades. Madre Josefa, antes de ir para Steyl, pertencia à Ordem Terceira Franciscana e era considerada benfeitora de sua vila, por ajudar os pobres e atender doentes e idosos. Essa mesma atitude ela levou para a Congregação. Assim, praticar a justiça é uma atitude espiritual com consequências práticas. Significa não ser conivente com a exploração dos mais pobres e desfavorecidos. Significa abraçar as grandes causas dos direitos humanos e da ecologia, mas também assumir uma posição a favor do que é justo e correto nas situações pequenas do dia a dia. E você, como pratica a justiça? Irmã Ana Elídia Caffer Neves é jornalista, pós-graduada em Formação Holística pela Unipaz e membro da Equipe de Comunicação SSpS.
Encontro decisivo (Jo 4,3-38)

O Quarto Evangelho nos apresenta encontros significativos de Jesus com algumas mulheres, destacando-as como protagonistas exemplares. Por exemplo, a Mãe de Jesus, Marta, Maria Madalena e a Samaritana. Neste breve escrito, nós nos deteremos especificamente no episódio do encontro de Jesus com a Samaritana (a figura da mulher samaritana pode estar se referindo a uma pessoa específica ou a uma comunidade). Entretanto o que se deve observar nesse episódio é a função que desempenha a Samaritana na construção da teologia da comunhão do Quarto Evangelho. Os samaritanos tinham uma longa história de rejeição por parte dos judeus, os quais os consideravam inimigos. Depois da queda da Samaria, no ano 722 a.C., os assírios deportaram parte da população e, em seu lugar, trouxeram pessoas de cinco países diferentes. Com o passar do tempo, esses povos foram se misturando com eles. Isso valeu aos samaritanos a conotação de “impuros”. O autor inicia a narrativa do encontro de Jesus com a Samaritana, insistindo que era preciso que Jesus passasse pela Samaria para ir à Galileia. É interessante apreciar cada detalhe, simbolismo, expressões e mudança de cenas dessa narrativa, pois esses elementos não são casuais, mas desempenham o papel de nos conduzir à mensagem principal. Era preciso passar pela Samaria…, chegou então a Sicar… Aí estava a fonte de Jacó… Chegou uma mulher da Samaria para tirar água, e Jesus lhe disse: “Dê-me de beber”. A mulher samaritana lhe disse: “Como é que você, sendo judeu, pede de beber a mim, que sou mulher samaritana”. Jesus lhe disse: “Se você conhecesse o dom de Deus e soubesse quem lhe está dizendo ‘Dê-me de beber’, você é que lhe pediria. E ele daria água viva para você”… Vão adorar o Pai em espírito e verdade (cf. Jo 4,3-38). As mudanças de cena entre Samaria e Galileia se reforçam com o contínuo movimento cidade-poço. Nas dinâmicas de resolução de conflitos, exige-se um contínuo movimento de ambas as partes para sair de si, sair do lugar, para poder abrir-se ao diálogo. Trata-se de ir ao encontro do outro, despido do orgulho, do preconceito e do ódio. No Antigo Testamento, a expressão “fonte” faz alusão a Iahweh. Ele é a fonte de água viva (Jr 17,12-13). Ao Jesus se apresentar à samaritana com aquele que pode dar “Água Viva”, está se apresentando como o Filho, o enviado do Pai e, junto ao Pai, Ele envia o Espírito Santo (Água Viva). Nesse encontro, a Samaritana se coloca como modelo do discípulo: escuta, demonstra conhecimento, assimilação e disposição para o anúncio. E, a partir de seu testemunho, os samaritanos são levados à fé em Jesus. O encontro entre ambos, Jesus e a Samaritana, é decisivo para restabelecer o diálogo, fonte de conversão e comunhão. Na atualidade, vivemos a volta ao conservadorismo e autoritarismo, portanto toda diferença vira ameaça. As sociedades se dividem entre “nós” e os “outros”, ou seja, os “inimigos”, os “impuros”. Diante dessa realidade, torna-se “preciso passar pela Samaria” e promover a cultura do encontro. Jesus foi ao encontro dos que eram mais marginalizados, excluídos e condenados pelas leis do puro e impuro. Aliás, em diálogo com a mulher samaritana, Ele nos abre o olhar ao “novo lugar de culto”. Vão adorar o Pai em espírito e verdade. Dessa forma, Jesus derruba todo fundamento à exclusão, ao ódio e ao preconceito e nos oferece a possibilidade da Água Viva que conduz à vida eterna. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG. Referência CENTRO BÍBLICO VERBO. Permanecei no meu amor para dar muitos frutos: entendendo o Evangelho de João. São Paulo: Paulus, 2015.
A Ideologia do Movimento Escola sem Partido

Os defensores da “escola sem partido” (ESP) partem de uma premissa inquestionável. A de que a doutrinação em sala é um coisa ruim. Verdade. Também é verdade que, num universo de 2 milhões de professores, existem maus profissionais (aliás, isso é verdade para qualquer ocupação). E pronto. Isso é tudo que o movimento tem. O resto é só fragilidade. O ESP tem falhado em questões básicas. Falta uma definição clara do que se entende por doutrinação. Faltam evidências concretas de que se trata de um problema disseminado. Faltam indicações de seu tamanho e de seus efeitos. Precisa de tudo isso? Sim. Quem quer ser levado a sério tem de tratar seus argumentos com seriedade. No caso da Educação, significa fazer pesquisas para entender melhor até questões que parecem ter uma resposta muito evidente. Vou dar um exemplo: se eu perguntar “será que a escola influencia a Educação de um aluno?”, a resposta óbvia de um educador será “claro que sim!”. Mas mesmo essa pergunta simples merece muita pesquisa. A influência da escola é maior ou menor do que a familiar, o entorno social, o nível econômico? Com a doutrinação, deveria acontecer a mesma coisa. Mas, até o momento, não há qualquer investigação que nos permita entender o suposto problema. Seria o mínimo. Para que a questão tenha importância de fato, precisaríamos de várias pesquisas, comprovações independentes, um campo de estudo e de debate sobre o tema. Aí está a questão. O ESP não tem intenção nem de pesquisar nem de discutir. Colocando os professores como adversários e optando pela agressividade no discurso, a destruição de Paulo Freire, alimenta ódios. As poucas reuniões com opositores terminam em confusão. Não é debate, é briga, e isso interessa ao ESP. O “fla-flu” gera memes nas redes sociais, demonização e vitimização de ambos os lados. O movimento segue sob os holofotes, e a luz saturada impede que se vejam suas enormes fragilidades. Se estivessem de fato interessados em resolver o problema da alegada doutrinação, poderiam tomar outro caminho: o do diálogo pedagógico, aberto aos pontos de vista contrários, a examinar causas e consequências e, acima de tudo, a procurar uma solução conjunta. Quem quer entender dialoga. Quem quer impor grita! Para o ESP, o poder dos docentes sobre os alunos é imenso. A ideia é de que o estudante estaria “submetido à autoridade do professor” e que educadores doutrinadores seriam “abusadores de crianças e adolescentes”. A imagem de jovens passivos não encontra paralelo com a realidade das escolas brasileiras. Eles são questionadores e não aceitam facilmente o que se diz. Exemplo desse protagonismo é a recente onda de ocupações, lideradas por estudantes, de escolas públicas de ensino médio. Ao conceber crianças e jovens manipuláveis, o ESP se inspira em modelos teóricos ultrapassados há pelo menos 50 anos. Desde a década de 1960, pesquisas mostram que as pessoas, mesmo as mais jovens, escutam uma mensagem e refletem sobre o significado dela. Podem aceitá-la ou não após cruzarem o que ouvem, com influência da família, de outros professores, de amigos, da mídia, na Igreja e em outros grupos sociais dos quais participam. Outro equívoco é atribuir uma força imensa à escola na formação do pensamento das pessoas. Estudos indicam que, na sociedade atual, a escola perdeu força diante de outros grupos e instituições. As pessoas se formam em cursos livres, debates abertos, igrejas, empresas, movimentos sociais. As visões de mundo divulgadas por essas entidades podem ser diferentes, contraditórias e até concorrentes. Aliás, quem nunca se viu soterrado com um mundo de informações contraditórias, sem saber o que pensar sobre um assunto? O ESP se refere aos educadores brasileiros como um “exército organizado de militantes travestidos”, amparado na pesquisa de 2008, encomendada pela revista Veja ao Instituto CNT/Sensus. Na sondagem, 78% dos professores disseram que a principal função da escola é “formar cidadãos”. Para o ESP, isso equivale a “apenas e tão somente martelar ideias de esquerda na cabeça dos estudantes”. Tal definição não se enquadra nos múltiplos significados dos termos formação e cidadania. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), por exemplo, dizem que cidadania deve ser compreendida como “participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais”. Sua adoção no dia a dia se exprime em “atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito”. Isso se aplica tanto a um militante quanto a um diretor de uma grande empresa. Até o momento, as medições sobre filiação a partidos políticos não confirmam a tese do ESP. O IBGE realizou dois levantamentos sobre o tema. Ambos são bem antigos, de 1988 e 1996. Na primeira, 10% dos professores da educação básica disseram ser filiados a partidos. Era um índice superior à média brasileira (4%), mas, ainda assim, muito distante de ser um exército. A julgar pela pulverização partidária, também é improvável que os professores estejam concentrados numa única legenda. Felizmente as vozes contrárias às propostas do ESP são numerosas entre educadores, intelectuais, jornalistas, parlamentares, ativistas de movimentos sociais, cidadãos e cidadãs identificados com valores democráticos, com os direitos das populações discriminadas historicamente, com o papel central da escola na formação de sujeitos críticos, com o princípio da igualdade, da cidadania. Irmã Luciana Rzepka, SSpS – Professora universitária, educadora, teóloga, bióloga, palestrante, pós-graduada em Ciências da Religião, mestranda em Teologia Bíblica.
Violência: passado, presente e futuro

Derivada do latim, a palavra violência está associada ao termo “violare”, que significa violação. Violência é usar a agressividade em excesso, de forma intencional, violando a integridade, podendo causar traumas, acidentes e até mesmo mortes. É preciso entender que existem, sim, caminhos que podem combater esses tipos de ações e que eles estão extremamente ligados ao cultivo da paz. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada há 70 anos por conta dos horrores da Segunda Guerra Mundial, objetivam a promoção de uma vida digna, com direitos e liberdades fundamentais a todo ser humano. Contudo, mesmo depois de muito tempo instituída, não garantiu os direitos fundamentais para uma boa vida, uma vez que, atualmente, ainda existem países comparados a situações de guerra. O Brasil, uma das nações que têm suas condições de vida comparadas às de locais em conflito, tem sua população, muitas vezes, horrorizada e com medo de executar ações simples do dia a dia, como sair para buscar o pão na padaria. Gil Vicente condenou muitos pecados no clássico “Auto da Barca do Inferno”. Corrupção, mentira e falsidade foram “valores” que embarcaram para o inferno no século XVI e, consequentemente, já deveriam ser só mais uma “lembrança”. Mesmo com o passar do tempo, a sociedade não foi capaz de evoluir diante da violação da integridade, da mesma maneira em que progrediu em outros aspectos. Com base nessas informações, após muitos atos históricos extremamente violentos, foram criados muitos acordos, tratados e até mesmo instituições com o propósito de estabelecer a paz. Na virada do milênio, foi elaborado o “Manifesto em Defesa da Paz – 2000”, que contou com a colaboração de personalidades como Dalai Lama e Nelson Mandela, que colocaram no papel vários modos de acabar com atitudes violentas, visando a um mundo mais pacífico. Portanto é necessário que a mídia, o governo e até a população incentivem o respeito, a generosidade e a defesa da liberdade e da diversidade, para que a sociedade pare de pensar que “violência se acaba com violência”. Segundo Mahatma Gandhi, “Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho”. Dessa maneira, crianças e jovens poderão crescer num mundo menos violento e mais solidário, acreditando sempre num futuro melhor. Lara Munhoz Mathias é aluna do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.
O encontro entre o amor e a etiqueta (Lc 7,36-50)

O encontro de Jesus com mulheres pontua seu caminho entre o anúncio da paixão, morte e ressurreição. A seguir, vamos refletir a aproximação de Jesus com “uma pecadora”, como é denominada pelo evangelista Lucas. O episódio deve ser lido em paralelo com o encontro com “Simão, o Fariseu”. Pois ambos ocorrem na casa deste. O primeiro dado que recebemos é que Jesus foi convidado por um fariseu para comer com ele (v. 36). Tratava-se de um convite formulado e, portanto, formal, mas não privado. Nessa recepção, com certeza, houve outros convidados. O costume, nesse caso, era deixar abertas as portas da casa. Isso possibilitava o aceso aos comensais. Dessa forma, a irrupção da mulher na casa era possível, embora não fosse “normal”. O autor apresenta-nos a justificativa do surgimento da mulher: o alabastro com perfume que ela trazia e com o qual ungiu os pés de Jesus. O interessante desse encontro é que ela não falava com palavras, mas com a linguagem corporal. Em outras palavras, podemos dizer que se colocava toda ela em movimento e ia ao encontro e acolhimento de Jesus. A mulher não se limitava pela etiqueta e formalidade, pelo contrário, descobriu seu cabelo e, com ele, secou os pés de Jesus (lembremos que, naquele tempo, descobrir os cabelos diante de desconhecidos era motivo de desonra para as mulheres). Diante do Amor, o amor sentiu-se livre e quebrou condicionamentos. O choro dessa mulher fala-nos da mais profunda expressão de seu ser. E suas lágrimas substituem a água da acolhida formal que lhe faltou a Simão. Imaginemos o desconforto e a indignação que a presença e o agir dessa “intrusa” causou ao anfitrião. Pois o deixou exposto, na sua rigidez e subordinação aos ritualismos do puro e impuro. Quando pessoas, grupos e sociedades tornam costumes e ritos normas e formalidades a ser cumpridas, o encontro e a acolhida das pessoas podem se diluir, deixando-os rígidos e endurecidos como Simão, o Fariseu. Logo, a presença de alguém que veja além e que atue de forma diferente (a mulher pecadora) necessariamente questionará e fará com que sejam revisados certos padrões de vida. Por isso, podemos ler, no pano de fundo do encontro de Jesus com Simão, a rejeição à grande novidade de Jesus, pois o Cristo apresentou uma nova forma de ser. Ele acolheu, tocou, aproximou os que a etiqueta religiosa rejeitava. As pessoas que enfrentam, dia após dia, o drama da fome, da rejeição, da doença esperam ansiosas a visita de Deus. A figura da mulher mostra isso. Nela podemos ver essas multidões famintas, doentes, marginalizadas, as quais Jesus toca e liberta. O fato de Jesus se deixar tocar pelos “pecadores”, aqueles que outros excluem, rompe formalismos frios e desumanos, mostrando-nos que Deus não recusa as pessoas. Deus nos ama e aceita, com alegria, nossa mais profunda expressão de amor. Tenhamos a coragem dessa mulher, que, perdoada, acolheu o Amor com amor. E com ela levemos o alabastro com perfume às pessoas carentes de Deus e necessitadas de inclusão, amor e perdão. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG. Referência MENDONÇA, José Tolentino. A construção de Jesus: a dinâmica narrativa de Lucas. São Paulo: Paulinas, 2018.
Para começar bem o novo ano

Cada novo ano traz consigo sonhos, esperanças e muitos desafios, especialmente em tempos de crise, como é o cenário sócio, político e econômico que enfrentamos no Brasil. Apesar disso, é possível iniciar 2019 com alegria, esperança e fé num futuro melhor? Enfrentar a vida com realismo não significa ser pessimista, mas descobrir novas oportunidades e caminhos, usando a criatividade para transformar medos em experiências de superação e dificuldades em trampolim para o crescimento. Aqui vão algumas dicas para acolher o novo ano com muita fé e esperança, e assim, alcançar as metas que desejamos, transformando nossa vida, nossa família e tudo o que nos rodeia em oportunidade para ser feliz e viver melhor. 1 – Decidir ser feliz. Sou responsável pela minha vida e as outras pessoas e os acontecimentos não tem poder para impedir que eu seja feliz. O segredo é, diante de cada situação, decidir o que realmente quero e transformar os limões azedos em deliciosa limonada. 2 – Ter metas claras. Se quero chegar a algum lugar, preciso saber para onde vou. Quais são os meus planos para este novo ano? Que sonhos desejo realizar? Que dificuldades quero superar? Fazer uma lista dos meus objetivos ajuda a clarear as metas e a eliminar as que não são viáveis. 3 – Dar os passos necessários. Cada meta requer ações concretas que necessito fazer de maneira organizada. Daí a importância de administrar o tempo e ser fiel às decisões que tomei. Cuidar primeiro do que é mais importante, sem deixar para depois aquilo que é urgente e necessário. Ninguém é feliz sozinho, por isso preciso das outras pessoas para que 2019 seja bom. Aqui vão algumas perguntas para checar se este é o caminho: • Estou bem comigo mesmo? Sou fiel aos meus sonhos? Cultivo a liberdade interior e uma vida saudável? • Como está minha vida familiar? Dou tempo para estar com as pessoas que amo? Expresso o quanto são importantes para mim? Valorizo o que elas têm de bom? • Como está meu círculo de amizades? Meus amigos compartilham dos mesmos valores e ideais? Eles me ajudam a ser uma pessoa melhor? Cultivo a amizade e o bem querer? • Qual a contribuição que dou para a sociedade? Exerço a cidadania? Sinto-me responsável pelo mundo ao meu redor? Cuido da natureza? Respeito as pessoas e colaboro com a justiça e a paz? • Como me relaciono com Deus? Sinto-me uma pessoa amada e chamada para realizar uma missão neste mundo? Participo de uma comunidade de fé? Sou solidário com as pessoas que sofrem? • Como está minha vida familiar? Dou tempo para estar com as pessoas que amo? Expresso o quanto são importantes para mim? Valorizo o que elas têm de bom? • Como está meu círculo de amizades? Meus amigos compartilham dos mesmos valores e ideais? Eles me ajudam a ser uma pessoa melhor? Cultivo a amizade e o bem querer? • Qual a contribuição que dou para a sociedade? Exerço a cidadania? Sinto-me responsável pelo mundo ao meu redor? Cuido da natureza? Respeito as pessoas e colaboro com a justiça e a paz? • Como me relaciono com Deus? Sinto-me uma pessoa amada e chamada para realizar uma missão neste mundo? Participo de uma comunidade de fé? Sou solidário com as pessoas que sofrem? Então, mãos à obra para que 2019 seja um ano muito abençoado para todos nós! Ir. Ana Elídia Caffer Neves é jornalista, pós graduada em formação holística pela Unipaz e membro da Equipe de Comunicação SSpS.
Testemunho Missionário – Maria Cristina Maia

O testemunho missionário deste mês traz o depoimento de Maria Cristina Maia, missionária leiga de Deus Uno e Trino.