Motivos para agradecer

O vídeo recorda algumas das muitas práticas motivadas, no ano de 2018, pela Dimensão Missionária nos colégios Stella Matutina, Sagrado Coração de Jesus, Imaculado Coração de Maria e Espírito Santo. Cada ação, cada gesto, cada momento vivido e cada ato profético vem para nos lembrar de que o Evangelho se concretiza em nossas escolas por meio da prática do amor. Amor que abraça, que busca um mundo de paz, que reparte, que denuncia, que acredita e que se faz doação aos pequenos do Reino. Educar para os valores inspirados no Evangelho é o motivo e razão maior de nossa missão educativa. Nossa gratidão a todos os que doaram um pouco de si pela causa do outro e que inspiraram nossos alunos nessa grande missão.

O que é depressão?

A tarde, hoje, está ensolarada, e eu posso sentir o doce som da natureza… Em um banco da Praça Silva Romero, um casal de idosos me fez lembrar meus avós, em especial minha avó. Aos meus 6 anos, fizemos uma viagem para Fortaleza. No hotel em que nos hospedamos, havia recreação e, em uma das noites, o tema foi “canibalismo”. O medo e o desespero me fizeram ir ao chão, e minha avó saiu em disparada quando me ouviu chorar, pronta para me socorrer e acalentar-me em seus braços. A sensação de ser protegida era tamanha que não participei mais de nenhuma atividade. Eu queria apenas desfrutar da companhia e da proteção de minha avó, que era uma mulher firme, forte e rígida, mas, internamente, doce e terna. Hoje, busco em seus olhos a minha avó de outros tempos, mas somente encontro um vazio muito grande. Há dias em que ela não me reconhece. A nossa relação tornou-se distante e triste. É como se eu a tivesse perdido há muito tempo. O que restou de nosso relacionamento são as lembranças passadas, felizes, os dias perdidos que não voltam mais. Não sei ao certo o que é depressão. Se me pedissem que traduzisse em uma só palavra, eu diria que é um ladrão de vida humana, que nos transforma em nada menos do que seres de olhar distante, apáticos, sem afetividade ou vontade de viver. Algo que nos torna fracos, sem perspectivas, deixando apenas a lembrança de quem fomos um dia. Essa doença tirou minha avó, com vida, de mim. Sonho com o dia em que ela vai se despertar dessa doença, como se estivesse passando apenas por um pesadelo horrível, e que voltaremos a tê-la conosco, como antes, uma pessoa importante, meu anjo protetor, que fazia o melhor bolo de fubá que eu já comi em toda a minha vida. Por enquanto, ela sequer se lembra da receita. Isabela Victória de Siqueira Sereno, 9º ano B Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP Disponível em: <https://amenteemaravilhosa.com.br/cuidado-metaforas-explicar-a-depressao/>. Acesso em: 2 mar. 2018.

Luzes natalinas e devaneios

O aumento entre a oferta e a procura cresceu, a superprodução tem atingido altos níveis. Certamente o desemprego ou subemprego também tem aumentado, contudo esse fator não diminui o consumo. Basta ter um acontecimento importante para que as lojas se vistam de “maravilhosas” ofertas que atraem todo tipo de rendas. A Black Friday, por exemplo, movimenta milhões de pessoas em diversos países. As lojas reais estendem os horários; as virtuais em si funcionam 24 horas. Sobretudo em dezembro, começa uma carreira desenfreada pelas compras. As ofertas variam e seduzem com 50%, 60% e até 75%. O dado interessante é que o cliente se aproxima a conferir preços e é praticamente obrigado a comprar. A recusa ao gasto não é mais aceita. Os vendedores, para conservarem o emprego, promovem o devaneio: “Você não pode deixar de aproveitar essa grande oportunidade”, e ainda, “Suas compras poderão ser faturadas e parceladas de acordo as suas possibilidades”. E você, alguma vez, já se perguntou se o que comprou, seja na Black Friday ou outro tempo, era-lhe realmente necessário ou indispensável? Caso contrário, o prazeroso das ofertas pode virar um fardo desnecessário à sua vida. Além disso, caberia se perguntar: o preço da mercadoria dias antes da Black Friday não teria sido mais baixo que neste dia de oferta? Neste universo consumista, somos desafiados à maior reflexão. Por isso é importante se deter a pensar: o que estou consumindo? Isso aplicado não somente ao material, mas ao todo. Pois corremos o risco de sermos consumidos pelo que consumimos. O atual sistema do mercado não tem interesse nas nossas escolhas, necessidades reais ou deliberações. Ele se interessa na quantidade obtida pelo lucro. Dessa forma, as vestes Black Friday, Santa Claus, entre outras, veladamente exercem a função de tirar nossa capacidade de decidir, escolher, questionar, etc. Por isso exerçamos nossa autonomia, indo contra o devaneio do mercado. E assumamos o desafio de outros modos de viver. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.  

O estereótipo feminino na literatura e nas artes

Ao longo da história da humanidade, a mulher e o homem tinham papéis distintos. Geralmente os padrões impostos pela sociedade associavam a figura feminina ao sexo frágil, totalmente dependente da figura masculina. Muitos movimentos sociais lutaram e ainda lutam pela igualdade entre os gêneros, o que é muito difícil, já que os preconceitos e estereótipos estão difundidos na sociedade, às vezes de forma inconsciente, inclusive nas artes e na literatura. Os estereótipos estão presentes até mesmo em livros e contos voltados ao público infantil. As princesas, sempre bonitas, meigas, frágeis, submissas e totalmente dependentes dos homens, são representadas em grandes clássicos da literatura infantil, como no conto da Branca de Neve, dos irmãos Grimm. Nesse conto, é ressaltada a questão de beleza de acordo com padrões, e é claramente visto que os anões representam a figura masculina, que sempre salva a garota indefesa. No campo das artes, as mulheres eram figurantes. Mas as modelos não poderiam ser qualquer mulher, e sim aquela que atendia aos padrões de beleza da época, o que é uma forma de exclusão e formação de estereótipos. Além disso, as mulheres não tinham acesso à educação e à escrita, podendo ser somente donas de casa e responsáveis pela criação dos filhos. A igualdade de gêneros e a desconstrução de estereótipos são processos lentos e trabalhosos, sendo enfrentados até nos dias atuais. Conclui-se que tanto homens quanto mulheres devem ter uma educação que não reforce preconceitos, que haja uma maior e mais aberta discussão sobre o assunto, ainda considerado um tabu, e que os estereótipos não se tornem tradicionais na vida das garotas, que estas possam escolher quem querem ser e o que querem fazer. Cecília Azalim de Oliveira é aluna do 1º ano do Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-MG.

Encerramento do Ano Litúrgico dedicado ao Laicato. Ser Sal e Luz é missão de todos nós!

Ao encerrar-se o ano litúrgico dedicado ao laicato, vemos o quanto foi enriquecedor confirmar a presença do leigo como “sal da terra e luz do mundo”. Presente no mundo inteiro, o leigo, comprometido com a missão de Jesus, utiliza as ferramentas que tem, em seu dia a dia, na sua família, no seu trabalho e na sua comunidade, com empenho e generosidade, na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A primeira organização leiga filiada à Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo foi estabelecida em Steyl (Holanda), no ano de 1921, chamada Liga Auxiliar do Espírito Santo. O propósito inicial era a devoção ao Espírito Santo e o apoio financeiro ao trabalho missionário das irmãs. Atualmente denominada AMES (Associação Missionária do Espírito Santo), presente em várias partes do mundo, traz em si uma dimensão missionária renovada, em que o leigo é aquele que, na simplicidade de seu coração solidário, sai de si para que o outro viva com mais dignidade. Cada grupo, com estrutura e atividades próprias, de acordo com as demandas em suas comunidades, realiza seus encontros de formação e ações missionárias. No Brasil, a Província Brasil Norte teve seu primeiro grupo de missionários leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT) em 1996. Seus membros compartilham do carisma missionário e da espiritualidade trinitária das irmãs, na vivência dos valores cristãos e no testemunho vivo de Deus Uno e Trino. Ser missionário leigo é contribuir com a Igreja e o com o mundo, dando continuidade à missão de Jesus. É comprometer-se com a dignidade do outro. É ser presença de vida e esperança no mundo, muitas vezes tão contraditório ao amor. É fazer a diferença com a sua própria vida. (Fonte: Jornal SSpSWW NewsLetter. Casa Generalizia. Nº 161. Setembro 2018) Nanci Queiroz MLDUT-RJ Coordenadora missionária Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ _________________________________________________________________________________________________ “Ser MLDUT é ser presença! É testemunhar sua fé e seus valores por suas ações, acolhimento, trabalho e sua conduta, que ensinam mais que palavras, não deixando passar nenhuma oportunidade de mostrar-se imagem e semelhança de Deus Uno e Trino, fazendo-se um na ‘comum-união’ com os que estão à sua volta e, mais que um, quando, ao unir suas forças aos outros, juntos vencerem desafios e se alegrarem com as conquistas diárias, louvando e glorificando a Deus, Senhor da Vida!” Carla Bonfin de Carvalho MLDUT-RJ Vice-diretora no Colégio Notre Dame, RJ-Recreio _________________________________________________________________________________________________ “Sou filha das comunidades eclesiais de base (CEB). Isso implica ser gerada em tempos de crítica e de resistência ao modelo capitalista, além de luta pela construção de uma sociedade inclusiva, tolerante e, principalmente, cristã. Há mais ou menos 30 anos, eu sonhava com uma sociedade mais justa e digna para todos. Sonhava, não. Sonho! O ideal cristão permanece vivo dentro de mim. Acredito na possibilidade de construirmos uma sociedade na qual todos sejam respeitados e tenham ‘vida em abundância’. Sinto que sou privilegiada. Manter a chama cristã acessa numa sociedade em que impera o individualismo, a desigualdade, a intolerância e o preconceito é sinal de que sou protegida e amparada por Aquele que, muito antes de nós, acreditou nesse sonho: o Cristo.” Simone Fortunato Nunes Coordenadora missionária Colégio Sagrado Coração de Jesus, BH ________________________________________________________________________________________________ Grupo do RJ na missa de encerramento do Ano do Laicato

Fim da violência contra mulheres: uma responsabilidade de todos!

No Fantástico apresentado no dia 18 de novembro, ficamos chocados com as imagens e relatos da atriz Cristiane Machado. Por vários meses, Cristiane sofreu sérias agressões físicas e psicológicas de seu marido e, finalmente, decidiu denunciá-lo e tornar público seu caso, a fim de encorajar outras mulheres que sofrem violência a fazerem o mesmo. Infelizmente, o caso da atriz não é um fato isolado. A violência contra as mulheres e meninas continua sendo uma das violações mais comuns dos direitos humanos em todo o mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada três mulheres é vítima de violência física ou sexual em algum momento da vida. No Brasil, uma sociedade marcada por relações patriarcais e hierárquicas, difundimos, ao longo dos anos, a crença comum de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. O silêncio de familiares, vizinhos e amigos das vítimas contribui para a perpetuação de agressões e até mesmo casos de feminicídio. Eliminar todas as formas de violências contra as mulheres é uma das formas mais eficazes para uma sociedade sadia. Por isso convocamos homens e mulheres a, neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, assumirem o compromisso de proteger e promover os direitos humanos de todas as mulheres e meninas. Além de ajudar na libertação das vítimas de violência, temos a responsabilidade de criar uma nova cultura que preze a equidade de gênero. Ninguém está isento desse dever! Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e membro da Diretoria da Redes – Rede de Solidariedade

Fé, cidadania e compromisso social

Para assumir, com esperança e compromisso, os desafios do momento atual, as missionárias servas do Espírito Santo da Província Brasil Norte aprofundaram o tema “Fé, cidadania e compromisso social” durante a Assembleia Anual, realizada de 15 a 17 de novembro. A ideia foi reforçar a proposta de “ser presença profética onde a vida está ameaçada”. O educador Antônio Boeing conduziu a reflexão e mostrou que a cidadania é um tema muito urgente, especialmente no contexto pós-eleitoral, em que o fundamentalismo tende a crescer. Esse cenário traz riscos a todos aqueles que têm uma maneira diferenciada de viver a fé ou expressar sua cultura. O compromisso social é uma consequência da cidadania e surge da paixão pelo ser humano. Mas, para que isso ocorra de fato, é preciso ir além da tendência atual em que as pessoas se fecham no individualismo, chegando até mesmo ao narcisismo, com a prepotência de querer impor o próprio projeto sem considerar o que é essencial ao povo brasileiro. O desafio para quem se compromete com um projeto social de nação é como envolver e encantar as outras pessoas, especialmente os jovens. E aí vem a pergunta: quais são as narrativas que passamos aos outros? Elas apresentam os valores essenciais que dão sentido à vida? São capazes de encantar e gerar compromisso? O compromisso social abarca as diferenças e cria espaços de vida para cada ser humano, onde seus direitos são respeitados. Isso é fundamental para o exercício da cidadania, mas também é um compromisso de fé, pois seguir os passos de Jesus é assumir o seu projeto de vida em plenitude para todos (Cf. Jo 10,10), com especial atenção aos pobres, doentes e excluídos. Assista, no vídeo, à síntese da palestra com o educador Antônio Boeing. Visite o nosso site ssps.org.br e veja mais informações sobre a Assembleia das Missionárias Servas do Espírito Santo da Província Brasil Norte.

No presente em que vivemos, a vida é uma guerra

Você luta Luta para ter voz Luta pelo que é direito Luta por até o que já devia ser lei Cai Desiste Volta Pela sua força Pela sua vontade Vontade que alcança os céus e volta Levanta Insiste Porque ficar quieto É a pior coisa que existe. João Marcelo é aluno do 1º ano do Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-MG.

A espiritualidade cristã

O cerne da espiritualidade cristã visa à vida plena, por isso contempla a alegria, o deleite e a fruição da vida. Nesse viés, comporta exigências éticas que brotam do projeto de vida de Jesus: o Reino de Deus. Entretanto, para melhor compreender o que é a espiritualidade cristã, devemos falar dos perigos que a cercam e que, muitas das vezes, a distorcem. O termo espiritualidade tem sido relacionado com espírito e, para muitos, espírito é oposto à matéria. Essa concepção criou uma dicotomia entre espiritualidade e felicidade humana. Com o passar do tempo, o termo espiritualidade foi sendo identificado com o oposto à corporeidade, inclusive à sexualidade, criando-se um desprezo pelo sensível e o corporal. Isso acarretou uma ruptura entre o divino e o humano, chegando-se a acreditar que, para adentrar-se no caminho espiritual, seria preciso renunciar ao essencial de si mesmo. O que o ser humano quer é ser feliz, realizar seus anseios mais profundos. Por isso uma espiritualidade que sufoque esse ser humano necessariamente fracassará. O escritor Juan Antonio Estrada define a espiritualidade cristã como “a vida guiada pelo espírito de Cristo”. Dessa perspectiva, a espiritualidade envolve toda a vida da pessoa (sua individualidade, suas relações sociais e públicas, sua condição de cristão e de cidadão). Portanto, o ponto de partida da espiritualidade cristã encontra-se onde começa o seguimento de Jesus. Mas seguir Jesus não é seguir normas, ideias abstratas ou um programa determinado. Seguir Jesus é andar nos passos de uma pessoa e segui-la sem condição (cf. Mt 8,18-22; Lc 9,57-62), e em plena liberdade. Trata-se de estar disponíveis à causa do Reino de Deus. E o Reino de Deus é um projeto de vida, de humanização e de felicidade para todos, especialmente para os que mais sofrem. Evidentemente, a espiritualidade cristã tem uma estrutura sacramental e, portanto, é celebrativa e comunitária. Por isso, enquanto não tenhamos clareza do que realmente é a espiritualidade, corremos o risco de viver numa constante contradição de sermos buscadores de “perfeição espiritual” e, ao mesmo tempo, agressores da obra de Deus, a vida humana. Os Evangelhos mostram que Jesus deixou-se conduzir pelo Espírito de Deus, para aliviar o sofrimento humano e devolver a dignidade aos caídos… (cf. Lc 4,16-21; Mt 4,23-25). Deixar-nos conduzir pelo Espírito do Senhor, sermos espirituais é preocupar-nos não somente com normas religiosas ou ascese, mas sim com a vida inteira das pessoas. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.

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