O encontro que me fez permanecer (Jo 1,35-42)

“No dia seguinte, João se achava lá de novo, com seus discípulos. Ao ver Jesus, que passava, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus’” (vv. 35-36). João Batista é uma figura-chave nas comunidades do Novo Testamento, por isso seu testemunho, ao chamar Jesus de “Cordeiro de Deus”, é de suma importância. Esse título evoca a memória do Êxodo. Naquela noite da primeira Páscoa, os israelitas aspergiram as portas de suas casas com o sangue do cordeiro imolado, em sinal de libertação (cf. Ex 12,13-14). Mais tarde, os profetas Isaías e Jeremias usaram a imagem do cordeiro como alguém que redimiria o povo por meio de seus sofrimentos e sacrifício, aceitos com humildade e amor (cf. Jr 11,19; Is 53,7). Assim, evocando o Êxodo e, em sintonia com esses profetas, João apresenta Jesus a seus discípulos; de alguma forma, expressando: “Eis aqui que chegou o novo Cordeiro Pascal, Ele vem para libertar o povo”. João soube reconhecer em Jesus o Cordeiro-Messias e imediatamente lhe cedeu o lugar que lhe correspondia (cf. Jo 1,20-28), colocando-se em segundo lugar. Na atual sociedade, ocupar o primeiro lugar, o lugar divino, tornou-se a finalidade da vida. Os sistemas ideológicos, aberta ou sutilmente, conduzem-nos a competir pelo sucesso, riqueza, segurança, poder. Mas, na realidade, acontece que o objeto desejado constantemente muda e foge de nossas mãos. No entanto, essa forma de nos comportar tem trazido efeitos desastrosos para a humanidade e a natureza. Diante dessa realidade, o testemunho do Batista é imperativo. Ele nos recorda que o caminho da humanização está em seguir Jesus, o Cordeiro de Deus. Portanto é urgente sair da ilusão de que a finalidade de nossa vida é sermos os primeiros. “Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, vendo que o seguiam, disse-lhes: ‘Que procurais’. Disseram-lhe: ‘Rabi, onde moras’” (vv. 37-38). André é um dos dois discípulos que, animados por João, foram em busca de Jesus. Logo ele apresenta Jesus como o “Messias” a seu próprio irmão. Seguindo a narrativa, temos uma sequência de repetições: as pessoas que encontram Jesus o apresentam a outras, e assim sucessivamente. Entretanto, analisando todos os detalhes, perceberemos que, em todos os casos, a iniciativa do chamado é divina. Quando o ser humano começa a desejar estar com Deus, o Senhor mesmo sai a seu encontro (cf. Lc 15,20). Jesus voltou-se e os viu. O verbo “voltar” indica que foi Jesus o agente da ação. Ainda o sentido da palavra completa-se pelo verbo “ver”. O verbo “ver”, nos evangelhos sinóticos, está atrelado ao relato da vocação (cf. Mc 1,16.19;2.14; Mt 4,18-19.21; Lc 5,2.27). “Que procurais” é a pergunta mais fundamental para todas as pessoas que desejam se encontrar com Cristo. Pois, sendo honestos, há pessoas que vão atrás de Jesus procurando segurança, conforto, riqueza, prestígio, sucesso. Nesse marco, não há seguimento, apenas antitestemunhos (cf. Mt 6,21-23). André e o outro discípulo não buscavam satisfazer uma simples curiosidade, mas queriam saciar sua sede mais profunda: “Mestre, onde moras”. Eles queriam entrar na morada de Jesus e permanecer com ele. Jesus os percebe e responde-lhes não com uma informação, mas com um convite: “Vinde e vede”. O encontro com Jesus, quando nasce da busca sincera, leva à saciação da mais própria nostalgia do ser humano. “Então eles foram e viram onde morava, e permaneceram com ele, aquele dia. Era a hora décima” (v. 39). O movimento narrativo se desloca do morarpermanecer de Jesus ao permanecer dos discípulos. Agora estes participam da experiência da comunidade cristã de João. André e o outro discípulo vivenciaram o encontro com Jesus de uma forma tão profunda que nunca esqueceram. “Era por volta da hora décima” quando aconteceu o ponto de virada decisivo na vida deles. Logo, a vida nova não se contém, ela cresce como uma avalanche, envolvendo cada vez mais pessoas, pois a alegria de encontrar o Senhor é tal que desborda a outros: “Encontramos o Cristo”. Temos aqui mais um título de Jesus, por meio do qual as pessoas que vão sendo chamadas professam sua fé em Jesus. E nós, também queremos experimentar, na comunidade de Jesus e com Jesus, a saciação de nossa mais profunda nostalgia? “Ele o conduziu a Jesus. Olhando-o, disse-lhe Jesus: ‘Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas’” (v. 42). André leva Simão a Jesus. O Senhor o olha. A palavra usada para exprimir esse olhar é emblepein e descreve um olhar profundo, um olhar que pode ler dentro do coração. Jesus o olha, diz a ele seu nome, “Simão”, e logo lhe dá outro (em aramaico, Cefas; em grego, Pedro, ambos significam rocha). No Antigo Testamento, uma mudança de nome selava uma nova relação da pessoa com Deus (cf. Gn 17,5; 32,28). O evangelista revela, porém, a novidade que traz Jesus com a mudança do nome. Jesus olhou a Pedro e viu não somente um pescador da Galileia, mas alguém cheio de possibilidades de se converter em rocha. Rocha que abrigasse as pessoas, independentemente da etnia, religião, gênero ou condição. Alegremo-nos, pois Jesus não só nos vê como somos, mas sim como podemos chegar a ser. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.
À Luz do Evangelho Dominical

Neste trecho do Evangelho (Lc 12,49-53), Jesus fala de fogo, divisão e transformação. O projeto do Reino de Deus consome seu coração e todas as suas energias. É uma verdadeira paixão! Um fogo que arde em seu coração e quer levar a transformação ao mundo. Mas transformar a realidade traz conflitos. O projeto de Jesus, o Reino de Deus, supõe mudanças, e estas geram resistências. O importante é entender que, muitas vezes, o amor encontra barreiras e divisões, mas quem é movido por uma verdadeira paixão pelo Reino de Deus é capaz de superar os desafios e ir em frente. Confira a bela mensagem que a biblista Gisele Canário, do Centro Bíblico Verbo, apresenta e como ela fala do fogo que arde no coração de Jesus. Deixe-se contagiar por sua paixão pelo Pai e por seus irmãos. Só quem é tocado por Jesus consegue transformar a realidade a seu redor.
Papo Vocacional – Animação Vocacional

No Papo Vocacional de hoje, o especialista em juventude, Carlos Eduardo Cardozo, explica qual é a meta da Animação Vocacional. Ao contrário do que muitos imaginam, o objetivo não é levar rapazes para o seminário, nem moças para o convento. A Animação Vocacional é um serviço à juventude que ajuda aos e às jovens que se dispõem a um processo de descoberta vocacional a encontrarem o caminho que Deus está propondo no seguimento de Jesus Cristo. A vida religiosa consagrada é um dos caminhos possíveis. Mas o mais importante de tudo é encontrar um lugar onde cada um possa ser feliz de acordo com o plano de Deus. Assista ao vídeo e descubra o que é o acompanhamento vocacional. Se você tiver interesse em conhecer mais, entre em contato conosco.
Presença na Marcha das Margaridas

Nos dias 13 e 14 de agosto, cinco missionárias servas do Espírito Santo, representando a Povíncia Stela Matutina – Brasil Norte, participaram da Marcha das Margaridas. A manifestação reuniu em Brasília milhares de mulheres de todo o País, trabalhadoras rurais, das florestas e das águas. Neste ano, o lema da marcha foi “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”. A Marcha das Margaridas ocorre a cada quatro anos, desde o ano 2000, inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, líder sindical assassinada em agosto de 1983, em Alagoa Grande-PB, por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Este ano é a sexta edição da Marcha, considerada a maior ação de mulheres da América Latina. É realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), com suas 27 federações e mais de 4 mil sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Brasil. Além da parceria de diversas organizações sociais e movimentos de mulheres, participam representações de 26 países de todos os continentes. Com o apoio também das mulheres indígenas, no dia 14 de agosto, a Marcha saiu em direção à Esplanada dos Ministérios e encerrou-se próximo ao Congresso Nacional. Estiveram presentes mais de 100 mil mulheres, levando suas reivindicações, como desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. As “margaridas” marcharam por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexissismo; por previdência e assistência social pública, universal e solidária; por saúde pública em defesa do SUS; pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e aceso aos bens comuns; por respeito, igualdade e garantia de direitos; por democracia e fortalecimento da participação política das mulheres; por educação não sexista e antirracista, e pelo direito à educação no campo, entre muitos outros gritos, inclusive contra o feminicídio.. Participação das missionárias As irmãs que atuam diretamente no Centro de Integração do Migrante (CIM), Malgarete Scapinelli Conte, Lucilene Soares e Nadir Vieira Pereira, foram a Brasília dar seu apoio. Também a Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação SSpS, e Ir. Maria Aparecida Ribeiro, do Conselho do Instituto Trinitas, foram representando toda a Província. “Como missionárias servas do Espírito Santo, somos chamadas a estar presentes nas lutas dos povos e, como Centro de Integração do Migrante, também iremos para apoiar esta luta que deve ser de todas nós”, explica irmã Malgarete. Ela ainda acentua a importância de as mulheres camponesas levarem suas reivindicações à capital federal, pois “são elas que produzem comida sem veneno para a população”, afirma. “Temos uma potência agroambiental graças a milhões de margaridas que produzem alimentos saudáveis para as cidades, garantindo a soberania alimentar e a preservação das sementes crioulas, dos ecossistemas e da biodiversidade”, acrescenta. O apoio das missionárias não foi apenas pela presença, mas também contribuindo para que outras mulheres de diversos Estados brasileiros também pudessem participar. Mobilização nas escolas A Marcha das Margaridas também foi trabalhada nas escolas da Rede de Educação SSpS. No Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, a marcha foi recriada simbolicamente com alunos, professores e funcionários. Eles marcharam pelos corredores, em apoio às mulheres do campo e da cidade, por suas vidas e seus direitos. Foram homenageadas nove mulheres que tiveram destaque na história feminista do Brasil ontem e hoje: Margarida Maria Alves, Maria da Penha Maia Fernandes, Marta Vieira da Silva, Irmã Dulce, Nísia Floresta Brasileira Augusta, Nise Magalhães da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Marielle Francisco da Silva e Laudelina de Campos Melo. Algumas imagens da Marcha das Margaridas
O desafio de ser jovem

Com o passar do tempo, tudo se transforma. Com a juventude, não é diferente. O que era ser jovem 20 anos atrás não o é mais. Os jovens da Pós-Modernidade têm desejos, sonhos e buscam objetivos diferentes, reafirmam suas personalidades, ao mesmo tempo em que fazem parte de grupos, o que se torna paradoxal, mas fortalece a juventude. Os diferentes se atraem, unem-se em causas comuns, lutam por ideais, sem perderem de vista suas perspectivas individuais. Nada melhor do que perceber a juventude ouvindo os próprios jovens falarem. O que sai do coração se torna razão e evidencia uma geração que marca presença em um mundo, muitas vezes, incerto e mutável. Em um bate-papo, jovens de 15 e 16 anos, todos estudantes da 1ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, falam de seus desejos, angústias, carreira, escola, sonhos e amizades. Ser estudante, no século XXI, é viver desafios, conviver com o diferente, dedicar-se, lidar com cobranças, mas, ao mesmo tempo, também é prazeroso, segundo João Pedro Dourado, principalmente quando se “adquirem vários conhecimentos, se descobrem coisas novas com os professores e com os amigos, se dialoga sobre assuntos que, em casa, não é possível abordar”. Outro desafio enfrentado pelos jovens é lidar com o tempo em uma sociedade marcada pela liquidez e tecnologia, em que tudo, rapidamente, torna-se passageiro e obsoleto. Será que temos de ter mais tempo para perder? Será que temos de aprender de forma tão rápida para passar no vestibular e conquistar uma carreira de sucesso? Quanto tempo temos mais? Diante dos olhos daqueles que respondem às perguntas, a juventude se esvai aceleradamente… O tempo também intensifica a cobrança que o jovem vivencia por ter de entrar em uma faculdade federal, ter de passar no ENEM. As tomadas de decisão devem ser muito rápidas. Essas cobranças, segundo eles, “vêm do próprio jovem, em primeiro lugar; em seguida, são externas, por parte da família, da escola e dos professores”, lembra o aluno Tiago Valentim Viana. Quem pensa que os jovens são desinteressados se engana. É fato que os interesses daqueles que nasceram entre os anos de 2003 e 2004 são bem diferentes dos que nasceram na década de 1980 ou mesmo 1990. Os jovens se engajam e se interessam por aquilo que tem aplicação, faz sentido e tem significado. “Quando se aprende o que pode ser usado, tudo se torna mais significativo”, diz Anna Laura Natario. É unânime entre eles que a geração atual tem muita empatia. “A maioria pensa no outro antes de fazer alguma coisa. Essa relação que a gente vai criando, conforme os anos vão se passando, é muito importante e faz muita diferença”, declara Isabella Menezes de Oliveira. Todos percebem que são privilegiados e valorizam o que conquistaram. Quando questionados a respeito dos sonhos, respondem que almejam um mundo em que o outro seja aceito, independentemente da cor, da cultura, da religião, do país de origem. “Todos somos seres humanos, há riqueza na diversidade”, afirma Mariana de Souza Ferreira. Passa ano, sai ano, vai juventude, vem juventude, as transformações chegam, mas há valores que permanecem. A amizade se perpetua, e os amigos se unem, dão conselhos, ajudam, criticam, caso seja preciso, mas sempre com a intenção de ajudar. Ser jovem, na atualidade, é desafiador. Ser jovem, na atualidade, é engrandecedor! Alunos que participaram do bate-papo: Anna Laura Van Der H. Natario, Aline Maria S. Bellangero, João Pedro Dourado F. de Maria, Isabella Menezes de Oliveira, Luiza Perestelo Cinzento, Marina Esteves Pelegrina, Mariana de Souza Ferreira, Tiago Valentim Viana.
À Luz do Evangelho Dominical

No Evangelho deste domingo (Lc 12,32-48), Jesus nos adverte que onde está nosso tesouro aí está também nosso coração. Se nosso tesouro são as coisas de Deus, então nossa vida estará direcionada para Deus. Mas se colocamos nossa vida em função do dinheiro, não estamos ajuntando tesouros no céu. Assista ao vídeo e descubra o que Jesus pensava a respeito do dinheiro e como podemos nos tornar verdadeiramente ricos para Deus.
Em defesa dos povos indígenas

Os povos indígenas no Brasil continuam vivendo um tempo de trevas e riscos à sua integridade. São vidas ameaçadas e impedidas de viver dignamente em seu habitat. Estão sendo impedidos de sonhar uma “terra sem males”, como um grito que vem da floresta. Como se diz em tupi-guarani, “Ñande Rekoha” (Terra, nossa morada). O Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revela que a vida dos povos indígenas está sendo ameaçada, com o aumento de 54% do desmatamento em janeiro deste ano, comparando-se com janeiro de 2018. Segundo o Greenpeace, em 2018, mais de 1 bilhão de árvores foram perdidas. Esse foi o maior desmatamento dos últimos dez anos! Os cientistas afirmam que estamos muito perto de atingir um ponto que não será mais possível reverter os impactos dessa destruição (1). Por isso, os guardiões da floresta são ameaçados, criminalizados e sofrem graves tipos de violência. Aumentaram as invasões nas terras indígenas e áreas de proteção ambiental. Se não mudarmos essa realidade, como vamos nos justificar com as futuras gerações? O Estado brasileiro deve cumprir seu dever de proteger a Amazônia e todos os seus povos. Infelizmente, a violência na Amazônia brasileira está aumentando, pois, somente em 2015, foram registradas 137 mortes indígenas. A violência atual é o conflito entre indígenas e garimpeiros que reclamam direito sobre as mesmas terras. O governo Bolsonaro favorece a exploração e especulação de áreas indígenas, não fazendo a fiscalização e demarcação de seus territórios (2). O agronegócio na Amazônia avança, com grilagem de terras públicas, monocultura da soja transgênica e agrotóxicos que afetam as populações. E pior, o Ministério da Agricultura autorizou o uso de mais de 200 novos agrotóxicos, somando mais de 500 liberados no Brasil. Estão morrendo os peixes, animais e até as abelhas. As bases de fiscalização não funcionam, permitindo a invasão de fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e mineradoras. Essa situação atual da política do governo Bolsonaro repercute negativamente em nível internacional. Exemplo dessa política é o assassinato da liderança Wajãpi, no Estado do Amapá. Segundo a professora da UFRGS, Magali Mendes de Menezes, esse crime não é um fato isolado, mas uma brutal violência contra a vida, pois “a colonização não terminou e segue derramando sangue”. Se o governo federal não intervier nesses conflitos entre os grupos indígenas e as dos garimpeiros, a violência vai aumentar. Os índios afirmam estarem lá há séculos, enquanto os mineradores alegam que são terras desabitadas. As organizações indígenas e não indígenas somam forças para buscar uma solução pacífica para os intensos conflitos na Amazônia. Segundo Nurit Bensusan, no primeiro trimestre deste ano, a Amazônia e o cerrado perderam mais de 80 mil campos de futebol de vegetação nativa. Desse total, estima-se que 90% sejam na ilegalidade. A estrutura de fiscalização e regulação da área ambiental do País foi desmontada. Agendas ligadas à gestão ambiental de território indígena e as unidades de conservação são ameaçadas de extinção ou redução, segundo o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. “Quero explorar a região Amazônica em parceria com os Estados Unidos”, disse o presidente Bolsonaro. São quatro grandes frentes de exploração: a dos recursos madeireiros, que vem sendo feita desordenadamente; a mineração, que causa grandes impactos ao meio ambiente, tendo de 100 mil a 800 mil garimpeiros; as atividades agropecuárias, que fortalecem o agronegócio; e a exploração dos produtos não madeireiros e com potencial cosmético (3). Assim, segundo o INPA (Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental), é insustentável a agenda ambiental do presidente, pois viola a Constituição e o acordo de Paris. Nesse sentido, mais de 600 cientistas europeus e duas organizações indígenas brasileiras pediram à União Europeia que vinculasse o acordo a salvaguardas socioambientais. E 340 organizações da sociedade civil organizada pediram suspensão das negociações, pois afeta o meio ambiente e os direitos humanos. A liderança indígena Ailton Krenak se despede de nós e do Sol, que também começa a partir. “Te mum tepó itxá, kren nabã tepó erehé” (“Ó, Sol, você já tá indo? Eu abaixo a minha cabeça para você”) (4). Esse conceito define o que significa um povo indígena. Ouvir o grito da “Mãe Terra”. Por isso, faz-se necessária uma mobilização nacional e internacional em defesa dos defensores dos direitos humanos. É um tempo de buscar a luz do sol e nos enchermos de energia para a marca da resistência, sendo protagonistas na luta permanente em defesa da vida na Terra. A Vivat Internacional soma-se às entidades e movimentos sociais, juntamente com as igrejas, na denúncia de assassinatos de lideranças indígenas e de violações dos direitos humanos, assim como a invasão de seus territórios. Também nos unimos na construção de uma agenda comum de proposições em defesa da Constituição e dos direitos humanos. Não podemos recuar no avanço conquistado da dignidade da pessoa humana em todas as dimensões. Pe. José Boeing, SVD Coordenador da equipe executiva da Vivat Brasil. Desde 1991, atua na Amazônia como religioso missionário do Verbo Divino. Como advogado da CPT e pastorais sociais, sempre atuou junto com várias entidades em apoio aos defensores dos direitos humanos e do meio ambiente. ______ [1] https://www.greenpeace.org/brasil/participe/sem-floresta-sem-vida/povos-indigenas/ [2] https://pt.mongabay.com/2017/03/guerra-recursos-garimpeiros-brasileiros-voltam-povos-indigenas/ [3] Nurit Bensusan, do (ISA) Instituto Socioambiental, no artigo “A arquitetura da destruição”. https://diplomatique.org.br/edicao/edicao-144/ [4] Aílton Krenak. https://expresso.sapo.pt/internacional/2018-10-19-Somos-indios-resistimos-ha-500-anos.-Fico-preocupado-e-se-os-brancos-vao-resistir
Papo Vocacional – Vocação à vida consagrada

A vida religiosa consagrada é uma vocação de entrega total a Deus a serviço de seu povo. Por isso as irmãs religiosas deixam sua família e entram numa congregação religiosa para viver mais intensamente seu compromisso. No Papo Vocacional de hoje, Dom Manoel Ferreira dos Santos Junior, bispo da Diocese de Registro-SP, fala sobre a vocação à vida consagrada e explica, com clareza, o sentido dos votos de pobreza, obediência e castidade. Ele conta que os votos religiosos é um caminho de amor e de liberdade para poder se dedicar, com todo o ser, às outras pessoas, especialmente as que mais necessitam. E você, conhece alguma irmã ou irmão religioso?
Perseguição de cristãos acontece ainda hoje

Em nosso País e na América Latina, temos muitos mártires que foram assassinados por defenderem os direitos dos pobres e excluídos ou por abraçarem causas sociais, como consequência de seu compromisso de fé e valores humanos. Entre os cristãos assassinados aqui no Brasil, temos o operário Santo Dias da Silva, a sindicalista Margarida Maria Alves, a religiosa Ir. Dorothy Stang, o padre Josimo Tavares e tantos outros que perderam a vida por defender a justiça e o direito dos mais vulneráveis. Mas, além desse tipo de perseguição que atinge lideranças, ativistas e pessoas que se tornam conhecidas por suas lutas, há uma às vezes disfarçada, outras vezes escancarada que atinge cidadãos comuns, famílias e comunidades inteiras em diversos países do mundo. A perseguição se apresenta de diferentes formas. Vai desde o preconceito e a perda de direitos políticos e sociais, como emprego, direito à educação e outros públicos, até prisão e assassinato. Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos Em solidariedade aos cristãos que sofrem perseguição, a fundação pontifícia “Ajuda à Igreja que Sofre” (ACN) criou o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos. Em 2019 a data é comemorada em 4 de agosto. Com o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a ACN está realizando uma campanha que inclui cartazes, orações e o vídeo a que você vai assistir a seguir. O Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos é uma resposta ao que aconteceu na noite de 6 de agosto de 2014, quando milhares de cristãos fugiram do norte do Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. A região concentrava 25% dos cristãos do país e algumas minorias muçulmanas ameaçadas. A fuga ocorreu à noite, com milhares de pessoas caminhando pelas estradas em direção às cidades curdas de Erbil e Dohuk. “Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram de suas casas sem nada, somente com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles, havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas, precisando de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar”, declarou na ocasião o patriarca Louis Raphael Sako, chefe da Igreja Católica Caldeia. Assim que recebeu as primeiras informações, na manhã do dia 7 de agosto daquele ano, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer materialmente e espiritualmente os perseguidos e refugiados. Desde então, a Fundação Pontifícia já realizou mais de 2 mil projetos no Oriente Médio, direcionando esforços para alimento, abrigo e educação dos refugiados. Segundo a ACN, o ano de 2019 é um dos mais sangrentos para os cristãos. No Domingo de Páscoa, o Santuário de Santo Antônio, no Sri Lanka (foto), foi alvo de um dos ataques que tiraram a vida de mais de 200 pessoas. Reze conosco esta oração em favor dos cristãos perseguidos Senhor Jesus Cristo, Vós nos ensinastes a rezar ao Pai em vosso nome e nos assegurastes que tudo o que pedíssemos nós receberíamos. Por isso, nós nos dirigimos a vós com total confiança, pedindo-lhe a graça e a força de perseverar nesta tempestade, para alcançar a paz e a segurança, antes que seja tarde demais. Esta é a nossa oração e, embora pareça impossível para nós, confiamos a vós a nossa sobrevivência e nosso futuro. Ajude-nos, Pai, em nome de seu Filho crucificado e ressuscitado, Jesus, para continuarmos a trabalhar juntos; para sermos livres, responsáveis e amorosos; para encontrarmos a vossa vontade e fazê-la com alegria, zelo e coragem. Em Caná, a Mãe de Jesus foi a primeira a notar que não havia vinho. Pela intercessão de Maria, pedimos-lhe, Pai, para mudar a nossa situação – como vosso Filho transformou a água em vinho – da morte para a vida. Amém. † Patriarca Caldeu Louis Raphael Sako
À luz do Evangelho dominical

No Evangelho deste domingo (Lc 12, 13-21), Jesus apresenta a história de um homem rico que teve uma colheita extraordinária e não sabia o que fazer com todos os seus bens. Paralelo a isso, a biblista Gisele Canário, do Centro Bíblico Verbo, apresenta a realidade de carência que viviam os pobres naquela época e também ainda hoje. Mas o rico não tinha a menor preocupação com eles e com ninguém, pensava somente em si mesmo e como aproveitar a abundância de suas riquezas. Jesus confronta o personagem em relação ao que aconteceria, pois ele morreria. Para quem ficaria tudo o que tinha? Qual o sentido das posses e riquezas diante da morte? Qual é a verdadeira riqueza e que dá sentido à vida? Confira, assistindo ao vídeo.