Vocação é caminho de amor e serviço

A Igreja Católica dedica o mês de agosto às vocações, especialmente às de especial consagração, como é o caso das irmãs, padres, diáconos e leigas e leigos consagrados. Também lembra a vocação de catequistas, pais e de todas as pessoas que se dedicam com amor ao serviço do próximo. Viver a vocação é responder ao chamado de Deus, que convida cada pessoa, com amor, respeito e carinho, a colocar seus dons a serviço dos outros, contribuindo para a vida da comunidade e o progresso da humanidade. O chamado de Deus se manifesta dentro de cada pessoa como convite, desejo, necessidade e até mesmo como forte apelo para dar o que tem de melhor em razão de um bem maior. Por isso, provoca alegria e profunda realização. Responder ao chamado de Deus traz verdadeira felicidade ao sair de si para acolher, ajudar, amar, colaborar e servir às outras pessoas. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas escutaram e responderam ao chamado de Deus e ofereceram suas vidas para que crianças, jovens, enfermos, mulheres, idosos e pessoas nas mais variadas situações pudessem ter uma vida melhor, mais conscientes do amor de Deus por elas. Deus continua chamando Hoje, Deus continua chamando em todas as línguas, países e culturas. Inclusive entre as pessoas que vivem muito perto de nós e, quem sabe, dentro de nossa própria família. Você certamente também está sendo chamado, chamada para uma missão feita especialmente para você. Já parou para pensar? Irma Nadir Vieira Pereira, por exemplo, vivia tranquila em sua família e comunidade quando Deus a chamou para algo mais. Então, ainda bem jovem, começou a ajudar a comunidade a se organizar, a fazer as celebrações… Depois sentiu o impacto das injustiças sobre o seu povo, na comunidade remanescente de quilombo, em Nhunguara, Município de Eldorado-SP, e viu que era necessário lutar pelo direito à terra. Assim, seu coração foi se alargando e se abrindo ao chamado de Deus que a convidava à missão muito mais além de sua pequena comunidade. Irmã Nadir respondeu sim e entrou para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo e se consagrou como irmã missionária. Como o chamado de Deus é dinâmico, Ir. Nadir continuou atenta ao seu coração, escutou o apelo dos irmãos na África e deu mais um passo. Foi para Moçambique servir à missão. O tempo foi passando, e ela completou 25 anos de consagração religiosa e retornou à sua comunidade para celebrar. Hoje, Ir. Nadir, de volta ao Brasil, dedica-se à missão com os migrantes em São Paulo-SP e continua a dizer sim ao chamado de Deus para amar e servir a todas as pessoas que o Senhor coloca em seu caminho. O vídeo a seguir é da celebração de ação de graças pelo jubileu de 25 anos de vida consagrada de Ir. Nadir e é pura expressão de alegria, tanto dela como de sua família de sangue, da família religiosa e de sua comunidade de origem. Viver a vocação, portanto, é fonte de bênçãos que se multiplicam, trazendo o Reino de Deus no agora de nosso tempo. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Comunidade de Nhunguara celebra jubileu de irmã Nadir

Irmã Nadir Vieira Pereira é de Nhunguara, uma comunidade remanescente de quilombo, no Município de Eldorado-SP, perto da Caverna do Diabo. Uma região muito bonita do Vale do Ribeira, onde a natureza ainda está bastante preservada. Lá mora sua família há muitas gerações. Neste ano, Ir. Nadir completa 25 anos de consagração religiosa como missionária serva do Espírito Santo, dos quais nove esteve em missão em Moçambique, África, e por vários meses colaborando na formação das jovens no Paraguai. Agora a religiosa está de volta ao Brasil, dedicando-se ao Centro de Integração do Migrante (CIM), no bairro do Brás, em São Paulo-SP. Com a perda da mãe, três anos atrás, Ir. Nadir ficou em dúvida se celebraria o jubileu em sua comunidade de origem. Mas suas seis irmãs e o irmão caçula, quando souberam, não tiveram dúvida: queriam fazer a festa dos 25 anos com a família reunida e toda a comunidade. Então começaram os preparativos. Tríduo missionário Uns dias antes do dia do jubileu de prata, uma equipe de seis irmãs missionárias servas do Espírito Santo e dez missionários verbitas foram a Nhunguara e, juntamente com Ir. Nadir e sua família, visitaram as famílias e doentes, cobrindo todas as comunidades da região. A equipe missionária chegou na terça-feira, dia 23. Irmã Ashrita Soreng, missionária da Índia há sete anos no Brasil, ficou muito tocada com os dias de missão: “Lembrei-me muito da terra onde nasci, a natureza, o rio correndo próximo à casa… A família nos acolheu com muita união, abertura e felicidade, como se fosse nossa família!”. Também para as irmãs Joyti Canare, Juliana Andrade, Yustina Giri, Teresita Luján e Marli Moreira, a missão foi um tempo de convivência como Família Arnaldina. Elas contam que visitaram as famílias e partilharam sobre a missão de Ir. Nadir em Moçambique. Também as celebrações do tríduo foram muito significativas. Irmã Yustina diz que aprendeu muito com a família e a comunidade, “Especialmente a fé, a simplicidade e a cultura que sabe acolher as pessoas”, completa. Entre os seminaristas do Verbo Divino, o estudante de Teologia Ilidio Ipalana, de Angola, conta: “Foi um prazer conhecer esta região, em especial, a família da Ir. Nadir e este povo, que é muito alegre e acolhedor”. Ele relata que participaram das celebrações, visitaram e rezaram com os doentes e as famílias, inclusive as mais afastadas. A celebração jubilar no sábado, 27 de julho, foi presidida pelo bispo diocesano de Registro, Dom Manoel Santos, e mais três padres. A coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, apresentou as irmãs e falou sobre o carisma da Congregação. Na homilia, o bispo falou sobre a beleza da vocação à vida consagrada e sua importância para a Igreja. Uma família muito unida A família de Ir. Nadir se empenhou para que tudo corresse bem e preparou almoço para todos os convidados. Uma de suas irmãs, Nair Aparecida Vieira Torres, 49 anos e mãe de cinco filhos, conta que a família é muito unida e vive o que os pais ensinaram. “Além de irmãs, somos amigas e companheiras, sempre juntas, rindo, conversando, uma dando força à outra”, explica. Para Nazaré Vieira Pereira, a caçula das irmãs, de 39 anos, “A semana de missão foi maravilhosa. Saímos e depois voltamos contando aonde foi, como foi… Conversava, cantava, dançava… A comunidade ganhou vida nova, renovação!”. Os irmãos contam que eram oito filhos, mas Antônio, o mais velho, faleceu. Hoje são sete: Natália, Nadir, Nair, Neuza, Neide, Nazaré e João Júnior. O jubileu foi o primeiro evento que eles realizaram depois da morte do irmão e da mãe, o que se tornou ainda mais significativo para eles. A comunidade de Nhunguara, contam, sempre foi da família Vieira, incluindo seus tios e primos. Anos atrás, por causa de um projeto de construção de barragem que inundaria suas terras, tiveram de se unir para defender o direito de permanecer na região e conseguiram. A luta os fortaleceu e, hoje, são cerca de 200 famílias espalhadas na área, sendo que a comunidade católica à qual pertence a família da Ir. Nadir é formada por 12 famílias. Uma vocação especial “Ter uma irmã religiosa missionária significa muito para a família”, explica Nair, lembrando a escolha vocacional de Ir. Nadir e como ela ajudou a formar a comunidade de Nhunguara, “fazendo a homilia e ajudando a cantar”. Ir para a missão “foi a escolha dela e todos nós apoiamos, desde o pai, a mãe e nós irmãos”, narra a irmã de Nadir. “Com o empenho dela, conseguimos educar nossos filhos, pois a gente sempre diz que temos uma ‘irmã’ na família e precisamos seguir o exemplo dela”. E completa: “Para nós, é muito gratificante!”. ___ Principais momentos da celebração Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacionale coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

O encontro entre a casa e o sicômoro

No relato ( Lc 19,1-10) do encontro entre a casa e o sicômoro (espécie de figueira), nós nos deparamos com uma unidade bem estruturada. Sua introdução encontra-se na unidade anterior (o cego na entrada de Jericó). Ambos os relatos trazem a palavra “ver” como chave para o discipulado. Nos dois textos, também nos deparamos com dois homens tidos como pecadores, no entanto possibilitados por Jesus para a salvação. A trama inicia-se com as ações de Zaqueu, seguidas pelo diálogo com Jesus. Logo Zaqueu toma uma decisão, pois a salvação se torna ação em bem do Reino. E Jesus conclui, relatando sua missão: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (v. 10). A salvação de Deus irrompe sem que ninguém possa controlá-la: “E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe de publicanos. Por ele ser de baixa estatura, procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia, por causa da multidão. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que passava por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: ‘Foi hospedar-se na casa de um pecador!’. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres…’” (v. 1-8). Zaqueu é símbolo da marginalização, pois, pelo fato de ser chefe de publicanos, é tido como “pecador”. Mas, depois de vivenciar a salvação de Deus, torna-se modelo de identificação, sobretudo para os ricos. Cabe destacar que, na obra lucana, avalia-se a riqueza de acordo com o motivo que se tem. Assim, egoísmo, cobiça e avareza são reprovados. Mas se a riqueza for partilhada com as pessoas necessitadas, é considerada boa (cf. Lc 12,33-34; 16,19-31; 18,18-23; At 2,44-46; 4,32-37). No pano de fundo, o autor mostra-nos que a riqueza, em si mesma, embora possa sê-lo, não é o obstáculo para encontrar-se com Jesus e nem impede a salvação. Nos tempos atuais, ainda ficam resquícios do pensamento que justificava a dominação imperial. Exemplo disso são os discursos maçantes dirigidos sobretudo para manter uma ordem social injusta. Nessa dinâmica perniciosa, faz-se acreditar que estão certos o egoísmo, a cobiça e a avareza; logo a partilha dos bens fica designada apenas a alguns. A inversão dos valores tem levado sociedades a mergulhar no absoluto egoísmo. Os resultados estão se mostrando nas barbáries cometidas contra o ser humano e todo o planeta. Diante dessa realidade, a Palavra salvadora de Deus nos impele a tomar posturas evangélicas de justiça e partilha, como Zaqueu o fez. Sobre esse tema, ainda há muito a ser dito. A nós, porém, é interessante nos advertir de interpretações reducionistas da Palavra de Deus, pois não podemos seguir sustentando a ideia de que Deus quer pessoas resignadas ao sofrimento, à pobreza e à violência, à espera de, um dia, alcançar recompensa no céu. E, por outro lado, justificar o egoísmo, a cobiça, em detrimento da vida. No encontro com Zaqueu, Jesus ratifica, mais uma vez, que a salvação de Deus começa já nesta vida: “Jesus levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’”. O olhar e a palavra jazem atrelados e são imperativos para colocar-nos em movimento rumo à nossa casa. Portanto, para melhor compreender o encontro que muda a vida de Zaqueu e mudará a nossa, se o permitirmos, cabe-nos observar algumas expressões-chave do texto: “é preciso”, “pressa”, “descer”, “aprimorar”, “hoje”, “ficar”, “receber”, “alegria”. Na Bíblia, essas palavras referem-se especificamente ao plano salvífico de Deus, que deve ser cumprido e, de fato, já está se realizando no decorrer da história. A expressão “ficar” denota duração, isso significa que Zaqueu experimenta a salvação não como um ato isolado, mas como algo que permanece sempre. A partir de então, Zaqueu, como justo, relaciona-se com Deus e com os outros. É interessante notar o contraste entre o rótulo com o qual Zaqueu é chamado (“Foi hospedar-se na casa de um pecador!”) e seu nome, pois Zaqueu significa “o que é puro”, “o que é inocente”. Jesus se dirige a ele designando-o como filho de Abraão. Quer dizer que o reconduz à condição de eleito de Deus que até então lhe estava negada. “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão” (v. 9b). Observemos que a palavra “hoje” está unida duas vezes à palavra casa, e casa remete à família ou geração. Compreende-se então que a salvação é experimentada também pela família e geração de Zaqueu, ou seja, os filhos de Abraão. A alegria de Zaqueu, ao sentir-se perdoado e acolhido por Jesus, é tal que reage tomando a firme decisão de partilhar seus bens e fazer justiça: “Senhor, eis que dou a metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei a alguém, irei restituir-lhe o quádruplo” (v 8). O amor misericordioso de Deus faz Zaqueu enxergar, e também a cada um que se sinta verdadeiramente amado, a real necessidade dos pobres e como poder ajudar. Entre o sicômoro e a casa, encontramo-nos com a superação da ideia de que o pecador é alguém rejeitado por Deus. Isso gerou e segue gerando uma reviravolta nos corações, pois verdadeiramente a graça de Deus não tem limites: “Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e colabora na Animação Vocacional.

O pão nosso de cada dia

No Evangelho deste domingo (Lc 11,1-13), Jesus nos ensina a rezar a oração do Pai-Nosso. É uma prece que rezamos desde quando éramos crianças, mas que talvez ainda não conseguimos alcançar todo o seu significado e profundidade. Neste vídeo, Ir. Nelly Boonen aprofunda a oração do Pai-Nosso e o que significa chamar Deus de Pai, como Jesus o fazia. Trata-se de uma relação cheia ternura, respeito e carinho que nos aproxima de um Deus amoroso que dá sentido e plenitude à nossa vida. Implica, contudo, vivenciar as atitudes de confiança do ser filho, filha em relação a Deus e, ao mesmo tempo, ser irmão e irmã das outras pessoas. Rezar o Pai-Nosso expressa nossos desejos mais profundos que vão além de nossas necessidades de cada dia, que confiamos receber do Pai. Desejamos o Reino de Deus que nos trará todo o bem. Mas há uma exigência: o perdão. No Pai-Nosso, o perdão que recebemos é consequência do perdão que oferecemos. Há um compromisso e uma reciprocidade que nos torna responsáveis no construir relações de acordo com o projeto do Reino dos Céus. Que Deus Pai nos ajude a mergulhar em seu mistério de amor e perdão.

Avós: presente na vida dos netos

Celebrar o Dia dos Avós é também refletir e reconhecer o papel que exercem na vida das famílias e da sociedade como um todo. Já se foi o tempo em que os avós eram retratados como velhinhos sentados numa cadeira de balanço. Hoje são muito mais ativos e independentes que no passado e, para muitas famílias, representam a única fonte regular de entrada de renda, devido ao desemprego e ao trabalho informal. Isso se dá devido ao aumento da expectativa de vida que, de 1980 até 2018, subiu de 65,7 para 79,4 anos para as mulheres e de 59,6 para 72,5 anos para os homens. Também a qualidade de vida dos idosos melhorou graças a exercícios físicos e ao avanço da medicina. Se, de um lado, as pessoas vivem mais, por outro, os jovens estão demorando mais para sair da casa dos pais. Isso aumenta o número de idosos que sustentam os filhos e ajudam os netos, não apenas dando presentes, mas se tornando cada vez mais presentes em suas vidas e, em muitos casos, até suprindo a ausência dos pais e garantindo-lhes o sustento. Para confirmar essa realidade, trazemos a história de duas avós que assumiram os netos por diferentes motivos, mas lhes deram a presença de mãe, cuidando, acompanhando e suprindo todas as suas necessidades. _ “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe.” Neyde Mosca Grecco, 87 anos, mora no bairro do Brooklin, em São Paulo-SP, e é bisavó e mãe ao mesmo tempo. Teve uma única filha, que faleceu com 42 anos, deixando três filhos na idade de 15, 13 e 9 anos. Então assumiu os netos e cuidou deles em todos os sentidos. “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe”, conta com satisfação. Os netos cresceram e também tiveram filhos e, sempre que necessitam, apelam à avó para ajudar a cuidar das crianças, o que ela faz com muita alegria. Com uma saúde invejável para sua idade, Neyde dirige, leva as crianças à escola, ensina a lição de casa, dá almoço e tudo o que for necessário. São cinco bisnetos, mas, para uma das crianças, Neyde precisou ser pai e mãe. Quando uma das netas se tornou dependente química e engravidou sem as mínimas condições de cuidar da filha, ela não teve dúvida e assumiu a menina até os 8 anos de idade, quando esta foi morar com a tia. “Cuidar dos netos e bisnetos não é um sacrifício, mas uma missão”, declara Neyde. Ela conta que cuidou de sua mãe, do pai e da sogra. Também tomou conta do marido, que ficou dependente três anos antes de falecer. Atualmente, “continuando a missão que Deus mandou para mim”, segundo suas palavras, está dando atenção à empregada doente, que trabalhou com ela durante 44 anos e a ajudou no cuidado de toda a família. __ “Eles não me largam e eu também não largo.” Outro exemplo de avó-mãe é Maria Virgem das Dores de Melo Farias, de 68 anos e que mora no bairro da Cohab Adventista, na periferia de São Paulo-SP. Maria tem três filhos e sete netos, dos quais cuida de quatro desde quando nasceram. “Não queria assim, mas o amor é mais do que tudo”, conta. A primeira neta que assumiu está agora com 11 anos. A menina a chama de mãe e o avô, de pai. Maria conta que seu filho e a mulher já tinham uma criança e estavam em condições muito difíceis, sem a mínima estrutura para cuidar da recém-nascida. Eles somente não ficaram na rua porque o pai pagava o aluguel deles. Depois os dois se separaram, e a menina continuou com os avós. Os outros três netos, de 10, 9 e 4 anos são de sua filha que é mãe solteira e vive com ela, mas não assume as crianças. Maria relata que sofreu muito com a filha sem juízo, que ia às baladas, engravidava e não sabia quem era o pai. A idosa e o marido tiveram de cuidar de tudo, desde levar à escola, dar roupa, comida e tudo mais. “Eu me sinto avó-mãe… É muita responsabilidade, porque aqui é tudo comigo e meu marido”, desabafa. Maria adora as crianças e está feliz com os netos. “Eles não me largam, e eu também não largo”, diz abraçando as crianças. Sobre o que acha da avó, a neta mais velha responde: “Ótima avó, ótima mãe; cuida e dá tudo de bom”, depois acrescentou: “O coração vai ter que aguentar!”. Com apenas 11 anos, ela entende a situação e sabe que ela e seus primos-irmãos necessitam da avó como mãe que eles realmente têm e, apesar da idade, a avó vai precisar aguentar firme. __ Direitos, carinho e respeito Embora o ideal seja que os pais cuidem de seus filhos e os avós possam gozar de uma vida mais tranquila e sem tantas responsabilidades, as situações da vida muitas vezes levam a uma inversão de papéis. Ainda mais em situações de crise como a atual, a colaboração das pessoas idosas na manutenção do orçamento familiar, especialmente entre as famílias de baixa renda, com frequência é o que salva a família da desestruturação. Seja em qualquer situação, os e as avós merecem todo o carinho e respeito pelo que são, por tudo o que se doaram e continuam se doando, por sua presença que ajuda a unir a família e a enfrentar os desafios, partilhando sua sabedoria e experiência de vida. Merecem nossa gratidão, mas também precisam de nossa atenção e cuidado. No Brasil, o número de idosos vem aumentando, o que demanda políticas públicas que levem em consideração suas necessidades e garantam seus direitos. Com a reforma da Previdência, por mais que seja considerada necessária, haverá uma redução do valor real das aposentadorias, o que influirá negativamente na qualidade de vida dos idosos e no empobrecimento das famílias, especialmente nas pequenas cidades, onde são os idosos que movimentam a economia local. Irmã Ana Elídia

Congresso Verbita: leigos e leigas comprometidos na missão

Foram dois anos de preparação junto aos leigos das paróquias do Verbo Divino para realizar, de 8 a 11 de julho, no Distrito de Santa Isabel, Município de Domingos Martins-ES, o III Congresso Verbita da Subzona Brasil. Com o tema “Leigos e leigas comprometidos na missão”, o encontro contou com 235 participantes, sendo 119 leigos, 87 padres, 6 irmãos, 20 seminaristas e 3 irmãs. Do número total de participantes, 51% foram de leigos. Destes, 65% de mulheres. Conforme apontado no Documento 105 da CNBB, a Igreja reconhece que ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, a exemplo de Maria, a primeira leiga cristã. O congresso é realizado desde 2010. O objetivo é enfatizar o propósito de, junto com os leigos e leigas, formar uma única família na missão. A expectativa é marcar os 125 anos de presença verbita no Brasil, a serem celebrados em 2020. A programação dos quatro dias foi intensa. Houve momentos de oração, celebrações, partilhas nas oficinas (Animação Missionária, Animação Vocacional, Bíblia, Comunicação, Jupic, Leigos e Leigas Associados e Espiritualidade), mesa-redonda, apontando e questionando os rumos da SVD no Brasil, análise de conjuntura, Vivat, momento cultural e saída para as comunidades. Três questões foram debatidas nas oficinas e partilhadas em plenário: “De que maneira vemos a participação eficaz do leigo na comunidade?”, “Que perspectivas temos para o futuro?”, “Como podemos nos organizar para que isso aconteça?”. A memória dos congressos da Subzona Brasil foi apresentada pelo padre verbita Marcelo Catani, que analisou, entre outros, os seguintes pontos: • 1995: Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, testemunhá-lo-ei diante do meu Pai (Mt 10,32). • 2005: Desafiados pelo diálogo profético do Verbo Encarnado e um despertar para novas realidades, tendo como diferencial estar entre os excluídos. • 2010: Congresso de Pastoral Paroquial Verbita. As paróquias são redes de comunidades eclesiais de missão, de Palavra e caridade. • 2015: Romaria à Basílica Nacional, em Aparecida-SP: 120 anos evangelizando o Brasil, colocando os últimos em primeiro lugar, recordando a história, protagonismo dos leigos na missão, família à luz da Palavra e perspectivas futuras. O padre Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral dos verbitas, refletiu sobre os rumos que os missionários do Verbo Divino devem tomar no Brasil, com base no amor transformador do Verbo Encarnado, na voz profética do Papa Francisco, nos gráficos apresentados com projeções quantitativas de padres e irmãos até 2030. Em seguida, partilhou os aspectos centrais do Capítulo-Geral ocorrido no ano passado, em Nemi, Itália: • o leigo como parceiro na missão nos 85 países onde os verbitas estão presentes; • a experiência de amor e espiritualidade trinitária (chamado à vida, encarnação, redenção, renovação, comunhão, envio e missão); • comunidade de vida e missão (intenção e cuidado na formação das comunidades, envio, permanência e retorno de missionários, planejamento e programação); • enraizados na Palavra (o nosso nome é a nossa missão, a Palavra no centro da vida, agir através da Palavra – diálogo); • discernimento (para Santo Arnaldo, o discernimento não era uma opção, mas uma necessidade vital para permitir entrar na Palavra e cumprir a vontade de Deus; olhar além dos nossos limites, nosso trabalho não é suficiente); • comprometidos com a missão (estilo de vida simples: financeiro, estruturas, relações, planejamentos); • testemunhas da renovação e transformação (construção de um projeto missionário, comprometidos com a opção fundamental de Jesus, redimensionamento e redistribuição de recursos, capacitando todos os agentes); • 1895-2020 (alcançar um consenso e construir um pacto. Processo de escuta: o que Deus quer de nós? Estamos dispostos a perguntar? Estamos dispostos a ouvir?); • processo de colaboração (leigos e leigas parceiros na missão, corresponsabilidade e formação). O professor João Guilherme Porto, diretor da Faculdade Arnaldo Janssen, apresentou provocações sobre a atual conjuntura, marcada pela evolução tecnológica, percepção acelerada do tempo, realidades em mudança permanente, violência e abismo social naturalizados, profundas e estruturais mudanças sociais. A missão do cristão é estar no mundo, porque nossa casa é onde Deus nos coloca, conforme dizia Santo Arnaldo. O Hino do Laicato Verbita, composto pelo Pe. Cirineu Kuhn, ainda ecoa nas mentes e corações, e traduz essa interculturalidade e presença do leigo na missão desde a geração fundante: “Somos a Igreja viva Nosso rosto você pode ver Somos leigos e leigas verbitas E esta é a nossa maneira de ser!” “Há dois anos, estamos trabalhando nas paróquias do Verbo Divino com os leigos e criando uma preparação na qual damos a conhecer a espiritualidade Arnaldina. Coincidiu com o nosso Capítulo-Geral em Nemi, Roma, Itália, em 2018, quando um dos temas tratados foi sobre ‘o laicato verbita nos 85 países onde estamos trabalhando’. Sentimos a importância da presença que nos marca pela convivência internacional, um estar com o povo e trazer a palavra de Deus com os mais necessitados”, afirmou o irmão Paolo Delucca. Padre Matheus Nurak destaca pontos importantes. “Contamos com a honrosa presença do Superior-Geral, Pe. Paulus Budi Kleden, e Pe. Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral. O congresso demonstrou a ressignificação e fortalecimento da participação e do companheirismo dos leigos e leigas na missão verbita, o que não se trata apenas como uma necessidade do tempo atual, mas sim como fundamento que nos marcou desde o início da Congregação.” Maria Cristina MaiaAlém de professora universitária, mestre em Sistemas de Gestão e doutoranda em Educação, é missionária leiga de Deus Uno e Trino e membro da Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS/SVD.

Sabedoria indígena em terras amazônicas 

Em preparação ao Sínodo da Amazônia, que será realizado em outubro, estamos publicando uma série de artigos que nos ajudam a conhecer um pouco da realidade pan-amazônica e compreender a importância do sínodo para a Igreja Católica, os povos amazônicos e a sociedade em geral. O documento preparatório “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e uma ecologia integral” está organizado em três partes, seguindo o método “ver, julgar (discernir) e agir”. Já apresentamos uma síntese sobre a primeira parte do ver (https://blog.ssps.org.br/diversidade-cultural-e-ambiental-da-pan-amazonia) e, agora, publicamos sucintamente a segunda parte, que fala sobre a história eclesial, direito dos povos e sua sabedoria. Memória histórica  A presença humana na Pan-Amazônia tem mais de 10 mil anos, quando o território passou a ser habitado por diferentes povos, incluindo as principais civilizações pré-colombianas. Com o processo de ocupação colonial de Portugal e da Espanha, a partir de 1500 d.C., estes povos sofreram “um agigantado processo de dominações”, cheio de “contradições e dilacerações”, conforme reconhece o Documento de Puebla (DP 6). O próprio documento preparatório do Sínodo afirma: “Lamentavelmente, ainda hoje, existem restos do projeto colonizador que criou manifestações de inferiorização e demonização das culturas indígenas”. A consequência disso é o enfraquecimento das estruturas sociais indígenas e o desprezo de seus saberes e de sua expressão. Os 400 anos de missão e evangelização passaram pelas contradições da mentalidade colonizadora e, apesar dos cerca de 200 anos de independência dos países da Pan-Amazônia, “processos semelhantes continuam se alastrando sobre o território e seus habitantes, hoje vítimas de um novo colonialismo feroz com máscara de progresso”. Essa realidade levou o Papa Francisco a afirmar, em Puerto Maldonado, que, “provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como estão agora”. Direito dos povos Em visita a Puerto Maldonado, o Papa Francisco falou que a Amazônia é vista como despensa de recursos naturais, sem levar em conta seus habitantes. As relações harmoniosas entre o Deus Criador, os seres humanos e a natureza foram quebradas pelas consequências nocivas do neoextrativismo de recursos como petróleo, gás, madeira e ouro, e pelos megaprojetos, como hidrelétricas, eixos viários e monoculturas agroindustriais. Francisco denunciou o modelo de desenvolvimento anônimo, obcecado pelo consumismo que transforma o “planeta num lixão”. Os novos colonialismos ideológicos, em nome do progresso, destroem as identidades culturais indígenas, portadoras de sabedoria ancestral de relação harmoniosa com a natureza. Além disso, segundo o Papa, há também políticas perversas de conservação da natureza que não levam em conta seus habitantes, que também têm direito ao desenvolvimento social e cultural.  O direito ao território dos povos indígenas, campesinos e outros setores populares ainda gira em torno da falta de regularização de terras e de reconhecimento de suas propriedades ancestrais e coletivas, sem articular a dimensão cultural e a cosmovisão dessas comunidades. Para a Igreja, “Proteger os povos indígenas e seus territórios é uma exigência ética fundamental e um compromisso básico dos direitos humanos”, o que está de acordo com o enfoque da “ecologia integral” da encíclica Laudato Si’ (cf. LS, cap IV). Espiritualidade e sabedoria    Na região amazônica, os povos indígenas buscam a sabedoria do bem viver, o que significa estar em comunhão com as outras pessoas, com o mundo, os seres em seu entorno e com o Criador, o que somente será alcançado “quando se realizar o projeto comunitário em defesa da vida, do mundo e de todos os seres vivos”. Dentro da grande diversidade cultural e religiosa, as comunidades são chamadas a se unir em defesa da vida e cuidar da Casa Comum. As famílias, como instituição social, têm dado uma grande contribuição para manter vivas as culturas. Mas há também a presença de algumas seitas motivadas por outros interesses que nem sempre favorecem uma ecologia integral.

Amizade é deixar-se cativar

A amizade é uma das joias mais preciosas que adquirimos no decorrer de nossa vida. Encontrar um amigo não é tarefa fácil. Exige muito. Precisa de cuidados. Demanda atenção. Quem já leu o famoso livro do francês Antoine de Saint-Exupéry encontra, de maneira única, essa realidade no diálogo entre a Raposa e o Pequeno Príncipe.  “— Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”? — É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “criar laços”… — Criar laços? — Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…” E em tempos de frágeis relações, num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo. Por esse motivo, no dia em que somos convidados a pensar na importância da amizade e nos nossos amigos, os alunos da Rede de Educação nos ajudam a entender seu real significado.  Para Ana Clara Loredo Miranda, do 9º ano B do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, amizade é “ter alguém em que você possa confiar e que te apoie nos bons e nos maus momentos”. Sua opinião é compartilhada pelos seus colegas de classe Caio Goulart e Lucas do Amaral Rosa. Para Caio, “é ter alguém que te acompanhe em qualquer situação que você estiver”. Lucas acrescenta que “amizade é uma conexão entre duas pessoas, em que se precisa de confiança e querer o bem do outro”.  Em São Paulo-SP, os alunos do 9º ano A e B do Colégio Espírito Santo também confirmam o valor da confiança na amizade. Thiago Gonçalves Correia Petri diz que amizade é “ter alguém do seu lado, em que você possa confiar e que vai te ajudar quando necessário”. Já Luiz Felipe Ricobom de Sousa acrescenta que é “compartilhar todos os momentos da vida, é ter confiança, respeito e parceria, é apoiar, é discordar, é estar ao lado, ajudar e, principalmente, dividir sentimentos, alegria, tristeza e saudade…”  Também os alunos do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, partilharam o que pensam sobre amizade. Para Antônio Vitor Maluf, da 1ª série A, amizade significa “ter empatia com a pessoa, gostar dela e principalmente confiar nela. Sem confiança não se constrói uma amizade, pois ela é fundamental e faz com que você se abra e conte toda a sua vida, sem se preocupar em ser julgado e nas consequências que isso pode trazer”. Victor Abreu, da 2ª série B, diz que “amizade é quando temos alguém em que podemos confiar, não só nos momentos fáceis da vida, mas, principalmente, nos difíceis, pois são nestes que vemos quais são as verdadeiras amizades. É alguém com quem podemos ser nós mesmos sem medo de sermos julgados. É amar e ser amado na mesma intensidade por essa pessoa”.  Mariana Beirigo de Castro, da 1ª série, confirma que a “amizade é quando você tem uma pessoa para todos os momentos e sabe que ela vai estar sempre lá. Que entende cada momento seu e que sempre fala a verdade”. E complementa: “É a confiança e o amor depositado em outra pessoa”.  E para você? O que é uma verdadeira amizade? Venha dividir conosco, deixando seus comentários pelo Facebook e em nosso blog. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.

Da interioridade à hospitalidade

Neste domingo, o Evangelho apresenta duas mulheres que recebem Jesus em sua própria casa: Marta e Maria. As duas queriam acolher Jesus da melhor maneira possível. Marta arrumando a casa e preparando a comida; Maria sentando-se aos pés de Jesus e escutando-o. No vídeo, Ir. Nelly Boonen comenta o sentido da hospitalidade e da interioridade, mostrando o valor de ambas e trazendo o tema para nossa realidade cotidiana. Jesus adverte Marta por ela se preocupar com tantas coisas, quando só uma realmente é importante. E nós? Com quantas coisas nos preocupamos… Vivemos ou no passado ou no futuro e não conseguimos nos fazer presentes para acolher quem chega. Só vivendo o momento presente podemos nos encontrar de verdade com a outra pessoa. Em meio a tantas preocupações da vida atual, como abrir a porta da interioridade para estar em casa dentro de nós mesmos? Acolhendo a solidão e o silêncio interior, nós nos capacitamos para acolher de fato as outras pessoas, vivendo a hospitalidade.

Como é a vida de uma irmã SSpS?

Para você que tem curiosidade em saber como é a vida das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a Ir. Juliana de Andrade vai contar como é. Neste vídeo, ela fala dos pontos principais da vida missionária: a partilha na comunidade, a oração e intimidade com Deus, e o serviço missionário em diferentes lugares e situações. Aqui você vai ter um resumo bem curtinho do que é a Congregação e como as irmãs vivem sua vocação. Mas se você quiser saber mais, é só entrar em contato conosco e teremos grande alegria em responder às suas perguntas por meio desta série Papo Vocacional. Deixe seus comentários e, se gostou, compartilhe com seus amigos. Aqui vai o regulamento para a publicação dos vídeos: O assunto do vídeo deve ser vocacional. A gravação deve ser feita com o celular na posição horizontal. A duração da gravação deve ter tempo mínimo de dois minutos e máximo de três minutos. Na introdução do vídeo, você deve dizer seu nome e de onde você é. Também pode dizer sua idade e o que você faz. Em seguida, poderá contar o que você quiser sobre suas dúvidas e descobertas vocacionais. Ao nos enviar o vídeo, você estará, de antemão, autorizando a publicação. Serão publicados apenas os vídeos que estiverem de acordo com a proposta e apresentarem boa qualidade de imagem e de som. Os vídeos deverão ser enviados para o link https://drive.google.com/drive/folders/1swzkJJBuDCM-hh__Lrwt_V5VSHSVkHcs?usp=sharing Avisar que enviou pelo e-mail mkt.sede@ssps.org.br

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Mais informações sobre: Política de Privacidade