O encontro que busca respostas (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23)

No começo dos evangelhos, encontramos João Batista como primeiro legitimador de Jesus (Jo 1,29-34; Mc 2,5), mas depois os relatos dão a entender que João não tem clareza sobre quem é o Nazareno e se interroga sobre ele: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro” (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23). Para nós, que nascemos na época recente, a pergunta de João pode até soar discordante, pois, na atualidade, basta acessar o Youtube e encontraremos abundantes vídeos sobre Jesus. Dessa forma, até quem nem frequenta a catequese mais básica postula-se a ser um conhecedor do Cristo. As muitas informações, no entanto, nem sempre nos aproximam do Jesus dos evangelhos. Às vezes, somente criam imaginários que ou tranquilizam as consciências diante dos problemas sociais ou justificam comportamentos contrários ao Evangelho. É doloroso ver como, em nome de Jesus, agride-se, despreza-se, lucra-se, até mesmo se cometem assassinatos. Diante dessa realidade, é necessário interrogar-nos, ler os acontecimentos mais além da superficialidade e da banalização que se impõe. É necessário contemplar por onde o mistério de amor e vida plena revela sua face. Nesse marco, propomos o relato de Mateus (11,2-6), o qual encontra seu paralelo em Lucas (7,18-23), almejando que traga luz à nossa vida. 2João, ouvindo falar, na prisão, a respeito das obras de Cristo, enviou-lhe alguns dos seus discípulos para lhe perguntarem: 3“És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro”. 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: 5os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem e os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho. 6E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. O texto consta de uma pergunta de João (v. 2) e de uma longa resposta de Jesus (vv. 4-6). A resposta se articula com precisão. Assim, no versículo 5, temos seis frases breves, os dois pares primeiros estão unidos por χαί (e) e se justapõem em forma assindética, os dois últimos começam por χαι. O versículo 6 também começa com χαι, sendo que a força recai sobre esta última frase, por ser de maior extensão. O relato está emoldurado em seu contexto e apresenta uma unidade geral, com exceção do versículo 6, pois o tom da frase (“E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”) parece não se encaixar bem na pergunta de João. Além do mais, a bem-aventurança parece estar dirigida a todos os seguidores e não apenas a João e a seus discípulos. Ora bem, se a bem-aventurança é parte da resposta de Jesus, podemos compreender que a pergunta sobre “o que há de vir” não pode satisfazer-se teoricamente. Nesse terreno, são necessárias as decisões pessoais a favor ou contra Jesus. E as curas “do tempo de salvação” devem ajudar a fazer a escolha. O relato diz que João estava na prisão. Imaginemos a situação desse homem acostumado a andar e respirar o ar livre do deserto (Lc 3,2-3; Mt 3,1), e agora está confinado numa diminuta cela, afogado pelas paredes. Nessa situação crítica do cativeiro, a dúvida, a perplexidade ou até a surpresa pode ter surgido no coração do Batista. Os estudiosos concordam que não se trata de uma dúvida sobre se Jesus é ou não o Messias. João duvida porque não vê Jesus desempenhar o papel de “reformador fogoso” que ele esperava que fosse. No capítulo 3,17 de Mateus e 3,12 de Lucas, João apresenta o Messias reformador. Jesus não responde à pergunta de João de forma direta, mas indiretamente remete ao tempo de salvação que profetas e reis quiseram ver. E ainda remete à própria experiência dos interrogadores: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, e os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o evangelho” (v. 5). Notemos que Jesus aponta os fatos, algo que João talvez não aguardasse como resposta. Quem sabe João esperasse que Jesus respondesse: “Os pecadores são destruídos. O juízo começou. A ira de Deus está em marcha!”. Nós também, diante da realidade de injustiça social, política e econômica, de gênero, da realidade de opressão, destruição da natureza, do extermínio de grupos étnicos minoritários, com certeza, gostaríamos de escutar que Deus virá como um trovão a destruir todos os males que nos afligem. Mas a resposta de Jesus foi: “Voltem e digam a João que chegou o amor de Deus”. Deus não age de forma intervencionista, desrespeitando a liberdade que nos deu. Ele age com o único fogo que é o do amor. E o amor nos abre à salvação de Deus e nos encoraja a viver e lutar por um mundo de amor, justiça e paz para todos. Nesse horizonte, compreende-se o fim da resposta de Jesus: “E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Trata-se da bem-aventurança que proclama ditoso quem se aproxima de Jesus sem ideias preconcebidas e sem preconceitos. Pois aquele poderá compreendê-lo como a personificação das bênçãos divinas anunciadas pelo profeta Isaías (61,1) e não como o reformador de fogo. Sejamos também nós parte dos bem-aventurados, levando a boa notícia do amor e da misericórdia de Jesus aos que ainda não o conhecem! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México e é missionária em Moçambique.

À Luz do Evangelho Dominical

Chegamos ao último domingo do Advento, um tempo de expectativa pelo encontro com o Senhor que veio, vem e virá. A Palavra de Deus na liturgia de hoje destaca o Evangelho de Mateus (1,18-25), que tem uma preocupação em confirmar a fé das comunidades, sobretudo as da Palestina e Síria. Reforça que Jesus é o verdadeiro Ungido que devia vir para resgatar o povo e anunciar um novo tempo. O missionário do Verbo Divino, Pe. Arlindo Dias, medita sobre como foi o anúncio do nascimento de Jesus na visão de Mateus. O texto começa destacando que a gravidez de Maria foi por obra do Espírito Santo e não de um homem. Aos olhos da sociedade da época e conforme a lei de Moisés, Maria merecia a pena de morte. Mas José, com sua grandeza e senso de justiça, decide salvar a vida da noiva e de Jesus. Em sonho, um anjo ajuda José, personagem de destaque em Mateus, a compreender o projeto de Deus. O Cristo recebe dois nomes: Jesus (Deus nos Salva) e Emanuel (Deus Conosco), mostrando que Deus não abandona seu povo. Os nomes cumprem e superam a esperança do povo. As figuras de Maria e José nos remetem aos pais e mãe que cobrem seus filhos com o manto do amor, mesmo em situações adversas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e veja mais.

Este é um texto que vai falar de Natal.

♫♪♫♪ Bato à porta antes de entrar, porque tudo o que for dito em relação a aproximar o Natal de sua essência em nada quer comprometer a fantasia que povoa nosso imaginário. ♫♪♫♪ Buscar a essência, sim. Perder a magia, jamais! Já que não tem chaminé! Toc… toc… toc… Posso entrar? Natal é uma festa de aniversário, do nascimento de Jesus Cristo que veio ser mensagem viva de paz e esperança para a humanidade. Para muitos, esse sentido cristão da fé segue intacto… Para outros tantos, nem tanta fé, mas permanece o sentido da celebração, do encontro, da família, da alegria, da partilha, da ceia, da troca de presentes, da magia do Bom Velhinho. De maneira geral, ainda permanecem valores cristãos que precisam ser ressignificados e revigorados. Uma pista é não perder no consumismo o sentido desse ritual natalino de partilha. Junto do presente do Papai Noel, deixe uma mensagem de paz. Para as pessoas queridas e que estão distantes, façam cartões natalinos em família e enviem sem ser de forma virtual. Se não puderem fazer cartões, comprem cartões artesanais. Na árvore de Natal, coloque recadinhos de otimismo para convidados poderem colher na noite de Natal. Pense em pessoas que, pelas circunstâncias da “vida como ela é”, tenham se afastado por tropeços ou desentendimentos, e convide-as para a ceia. Se não tiver ceia, faça um bolo especial, uma receita daquelas de família, e faça brindes na simplicidade do cotidiano. Presenteie e seja presença na vida de crianças e adolescentes que possam não ter tido sucesso escolar e tenham vivido cenas de desavenças. Seu presente deve ser símbolo de esperança na mudança que sempre vai acontecer onde houver amor e fraternidade. Valorize e compre direto do artesão. Se não tiver dinheiro, faça uma seleção de músicas e disponibilize-as em alguma mídia digital. Não se endivide e não faça do Papai Noel a centralidade do Natal. Para crianças, ainda são passageiros desse voo mágico num trenó, junto ao presente, deixe um bilhetinho para uma meta solidária para o próximo ano. Mapeie em sua cidade endereços que privilegiem a comercialização da produção de mulheres e jovens empreendedores. Presenteie arte. Presenteie presença. Se der, celebre sua fé em comunidade. Enfeite sua casa com produtos reciclados e alternativos. Reaproveite os enfeites do ano passado. Crie uma atmosfera especial de luminosidade para acolher, de forma especial, quem vem se juntar a você. Independentemente de sua confissão religiosa ou até mesmo de ter convicção de fé e espiritualidade, leia uma reflexão qualquer na noite de Natal. Se for passar a noite de Natal sozinho, por opção ou circunstância, dê a si uma declaração de amor, mesmo que silenciosa. Faça uma prece pela paz no mundo. Compre um presente feito à mão e faça um lindo embrulho para você abrir, em sintonia natalina. Para quem vai se reunir em família e entre amigos, faça dessa oportunidade de celebração um encontro que marque a vida de cada pessoa presente. Traga a lembrança de entes queridos que já se foram e seguem irmanados nesse momento de celebração natalina. Não entregue um presente sem uma mensagem escrita à mão e cheia de afeto. Não exagere nem na comida, nem na bebida, nem nos presentes. Cumpra as promessas de presentes que talvez possam ter ficado inadequadas a partir desta leitura e capriche na simplicidade essencial no Natal do ano que vem. Afinal, “não são coisas” o que mais importa nessa vida. FeLUZ Natal para todos! Maria José Brant (Deka) Assistente social, estudante de Antropologia Analista de Políticas Públicas no Programa Bolsa Família Mestre em Gestão Social Mosaicista nas horas vagas

Natal feliz sem estresse

De repente, saímos à rua e vemos os enfeites de Natal, e só então nos damos conta de que mais um ano se passou e já estamos com tudo atrasado para as festas de fim de ano. Passado o susto inicial, vêm reflexões como “mais um ano que termina, e não fiz um terço do que tinha me proposto”; “o Natal e as férias estão chegando, e não organizei nada; jurei que este ano seria diferente!”, e assim vai. Frustrações, ansiedades, expectativas se mesclam com lembranças, saudades e sentimentos de solidão para alguns. Tudo isso é sinônimo de estresse. Importantíssimo lembrar que só podemos mudar efetivamente o que depende de nós. E, para isso, precisamos mudar paradigmas. Assuma, por exemplo, que aquela prima que sempre diz que ajudará você a preparar a festa e sempre se atrapalha não mudará, então pare de esperar pela ajuda dela e assuma o que apenas depende de você fazer. Assuma também que o dia somente tem 24 horas e que você tem limites de ação. Aprenda a delegar coisas e, se não fizerem, não se fez e pronto. Simplifique sua vida. De nada adianta fazermos tudo o que cremos que deve ser feito e chegarmos exaustos ao Natal. A palavra crise vem do grego krisis, que significa julgar, selecionar. Então avalie e selecione o que você tem como prioridade e o que pode fazer sem se exaurir. Santo Agostinho já recomendava as reflexões diárias como método de autoaprimoramento e evolução da consciência, então vamos lá. Sem a consciência da necessidade da mudança de atitudes e paradigmas, nada muda. Em Programação Neurolinguística (PNL), dizemos que “loucura é fazermos sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes”. Fomos criados numa sociedade que nos cobra acertarmos sempre, fazermos tudo sempre perfeito, sermos sempre vencedores, e a realidade da vida não é essa; somos apenas seres humanos com possibilidades e limites. A cada vez que um leão sai para caçar, sete vezes volta com fome. A vida é assim, e precisamos encarar as realidades. Observe a si mesmo e verifique o que lhe traz conforto e desconforto. Use isso como referência de autorrespeito. Não é egoísmo, é autorrespeito. O dinheiro está curto? Então não comprarei presentes e já avisarei a todos. Estou muito cansado, cansada? Então não farei aquele peru que preparo todos os anos e todos adoram, vamos comprar pronto, por exemplo. Simplifique, faça essa experiência. Você vai se surpreender com os resultados. Deixemos então falsas expectativas de lado, sejamos realistas e selecionemos o que é possível e prioritário. Também em PNL aprendemos que o cérebro se organiza melhor quando fazemos planos por escrito. Não é lista no celular, é escrever mesmo, num papel, e se dando prazos. Como “até dia tal, estarei com tais coisas resolvidas e, para isso, preciso priorizar isso e aquilo”. Outra coisa que ajuda muito no gerenciamento do estresse, em qualquer época, é o ato de prestarmos atenção em nós, em cada momento, intencionalmente, especialmente observarmos nossa respiração. Essa simples e eficaz técnica faz parte do repertório de atitudes orientais para a saúde, que são as chamadas práticas meditativas. Há milênios que a sabedoria oriental tem muitas práticas para a saúde e que, apenas há poucas décadas, o Ocidente vem olhando e aproveitando. Você pode parar para fazer essa observação de sua respiração regularmente, todos os dias, durante cinco a dez minutos, sempre no mesmo horário, de preferência; por exemplo, ao acordar ou antes de dormir, ou no intervalo do almoço, e então simplesmente observar a respiração, o ar que entra e que sai e, muito importante, observar as sensações que vêm enquanto você observa a respiração. Quando os pensamentos vierem, deixe que passem como nuvens levadas pelo vento e volte a prestar atenção na respiração, apenas isso. Fique nessa prática enquanto estiver confortável ou pelo tempo que você tiver disponível, também em qualquer momento do dia em que você estiver muito ansioso, irritado, estressado, como na enorme fila do supermercado. Você pode se desligar do entorno e simplesmente, por um ou dois minutos, observar sua respiração com atenção. Essas pequenas pausas ao longo do dia acalmarão sua mente e melhorar todo o funcionamento cerebral. Assim você ficará mais produtivo, produtiva. Experiente e verá. Quando puder, faça também planos para o ano que virá, faça isso por escrito, olhando um calendário, escrevendo o que quer, como agirá para chegar lá, ou seja, quais estratégias usará, quais recursos já tem para alcançar a meta, quais lhe faltam e que prazos terá. Isso também aliviará o estresse que surge ao pensar no novo ano que está chegando. Se, nesta época, você se sente nostálgico, solitário, então é hora de se engajar em uma obra filantrópica e levar seu carinho e atenção aos que precisam mais que você, exercendo assim o mais puro espírito cristão. E por falar em espírito cristão, lembremo-nos sempre da finalidade essencial do Natal, que é o nascimento do Cristo. Pense: como posso, nesta época, sintonizar minha alma com o Cristo? Que práticas espirituais diárias podem ser feitas para cultivar o espírito cristão diariamente até a chegada do Natal? Cinira A. PalottaBióloga, pós-graduada em Cuidados Integrativos (Departamento de Neurologia da Unifesp), professora de Ioga, mestra em PNL e terapeuta em florais de Bach.

Ensino Religioso nas escolas

Em 2015, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou a ser elaborada a partir da análise e da reflexão dos documentos curriculares já existentes. Sua ideia é de apresentar o que se deve aprender nas escolas brasileiras da educação infantil ao ensino médio, garantindo o direito à aprendizagem dos estudantes, de uma formação democrática, inclusiva e integral. Finalidade do Ensino Religioso Uma das grandes novidades apresentadas na BNCC está nas competências que ela oferece e, de forma especial, para o Ensino Religioso. Das competências propostas pela Base Nacional Curricular para o Ensino Religioso, ideias como conhecer diferenças, respeitar manifestações religiosas, diretos humanos e cultura de paz constituem conceitos-chave para serem ensinados, bem como a educação socioemocional que, além de permear todas as áreas, está também muito presente aqui. O objetivo é oferecer aos estudantes conteúdos que fundamentam a perspectiva religiosa do ser humano, despertando para o desenvolvimento da espiritualidade e para um maior compromisso com a construção de um mundo melhor, como lembra a orientação das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo. Para que isso se torne prática, a formação dos educadores é o caminho. Isso se dá com estudo, leituras, reflexões e participação em simpósios e congressos. Espírito ecumênico e inter-religioso Um grupo de educadores da Rede de Educação marcou presença no X Congresso Nacional de Ensino Religioso (Conere), na PUC Paraná, em Curitiba, entre os dias 18 e 20 de novembro. Além dos temas referentes ao Ensino Religioso, Ciências da Religião e Teologias, o encontro, que reuniu pessoas de diferentes denominações religiosas, provocou os participantes a pensar os desafios do mundo contemporâneo, apresentando perspectivas práticas para a vida cotidiana diante de um mundo que muda a cada instante. Em relação à Casa Comum, uma das reflexões que mais chamaram a atenção foi proferida pelo pastor Werner Fucks. De forma profunda e lúcida, além de levar questões urgentes para repensar um estilo de vida sustentável, salientou o quanto temos de aprender com a natureza sobre sua capacidade de regeneração. Dialogar e ouvir diferentes visões de mundo, que foram das cosmologias religiosas às agnósticas, em clima de harmonia e respeito, foi outra característica marcante do encontro, em sintonia com o conceito de “religare” que nos irmana. Assim, os participantes das escolas da Rede das Irmãs Servas do Espírito Santo retornam para suas realidades ressignificados e comprometidos em multiplicar o conhecimento adquirido, além de levarem a responsabilidade de promover uma educação em que tolerância e respeito andem de mãos dadas. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS. _______

Bibliodrama: uma experiência de vida 

Durante o ano de 2019, o grupo de coordenadores missionários da Rede de Educação, de missionários leigos de Deus Uno e Trino e das irmãs missionárias servas do Espírito Santo se reuniu no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, para o Curso de Bibliodrama. A formação foi ministrada por irmão Paolo de Lucca, SVD; irmã Maria de Fátima Marques, SSpS; irmã Heloíse Matos, SSpS; e Agostinho Travençolo Júnior, coordenador missionário. O encontro de encerramento foi no fim de semana, entre 29 de novembro e 1º de dezembro. A temática envolveu sonho e missão que perpassam o encontro com a Palavra. Foram dias de crescimento pessoal, vivência em grupo e aprofundamento da fé. A cada encontro, tive a oportunidade de trazer a Bíblia para a centralidade de minha vida, de maneira única, diferente de todas as outras, levada por minhas intuições, emoções, revelando que Deus comunica-se comigo e que o Espírito está em ação, pela escuta, pela transformação. Nem sempre, nos encontros de bibliodrama, foi possível nomear as emoções, mas foi possível vivenciá-las e promover um encontro comigo mesma e com o outro. Tive, em muitos momentos, oportunidade de escutar, ouvir com atenção, ser ouvida, perguntar, responder, compreender a dor do outro que, muitas vezes, era a minha também e não a percebia… Pela dança, um dos elementos do bibliodrama, tive a chance de vivenciar maior interação com o grupo e de deixar pulsar no coração sentimentos vividos na experiência da Palavra. Neste último encontro, fizemos a experiência do bibliodrama completo: estruturação do texto, leituras, esculturas, gestos, “bibliolog”, entrevistas, entre outros. Estes me fizeram crer que é bom olhar para dentro de mim e contar minha história, relembrar meu caminho, percebendo que Jesus me fala também por meio de outras pessoas. Um fim de semana rico de novas experiências que contribuíram para minha própria história e para minha prática como educadora. Um curso que me fez ressignificar o valor das pequenas coisas: sentar-me à mesa com a família, escutar com paciência meus filhos, alunos, amigos, viver intensamente cada momento, descobrir o que há de especial em cada pessoa sem me prender a aparências e rótulos, perdoar para ter a capacidade de amar intensamente e agradecer sempre. _ “Se eu quiser falar com Deus tenho que me aventurar Eu tenho que subir aos céus Sem cordas pra segurar tenho que dizer adeus dar as costas, caminhar“ (Gilberto Gil, “Se eu quiser falar com Deus”) Luciana Marzullo Araujo, coordenadora da Pastoral Missionária no Colégio Stella Matutina, pedagoga e cientista das religiões. ________

Reeducação dos homens diminui violência contra a mulher

Projeto Construindo Novos Valores: uma perspectiva de promover a equidade de gênero. A violência doméstica e familiar contra as mulheres apresenta um grande entrave para a conquista da equidade de gênero e exige a formulação de políticas públicas específicas para a sua prevenção e combate. Com a promulgação da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), em 2006, o debate sobre serviços de atendimento a homens autores de violência tem atraído cada vez mais visibilidade. Apesar de escassos no Brasil, esses serviços, denominados como “centros de educação e de reabilitação” ou “programas de recuperação e reeducação” nos artigos 35 e 45 da Lei, são consolidados em vários países como um complemento às iniciativas voltadas às mulheres. Esses espaços devem proporcionar o engajamento da população masculina na promoção da equidade de gênero e nas ações pelo fim da violência praticada por homens contra as mulheres. A importância de criar espaços de atendimento para homens autores de violência contra mulheres está na possibilidade de proporcionar ao sujeito a chance de reconhecer suas dificuldades e criar instrumentos para lidar com elas. “Eu não sei o que acontece, mas, quando ela fala alto comigo, eu perco a noção; quando vejo, já bati. Eu gosto dela, gosto muito”, ouvimos de um autor de violência. Ao ser questionado sobre o porquê dessa agressividade ao ouvir uma fala em um tom mais alto, após alguns minutos pensando, respondeu: “Acho que é porque, quando eu era pequeno, meu pai chegava bêbado em casa, ele gritava e batia na gente”, referindo-se aos irmãos e à mãe. A Lei Maria da Penha significou uma conquista e tem se traduzido em avanço no acesso aos direitos específicos das mulheres. A partir da norma, os crimes de violência contra a mulher começaram a ser mais visíveis, passando a ser combatidos e punidos. Porém uma lei por si só não transforma uma realidade. Ela precisa ser acompanhada de uma ampla mudança de paradigmas, de desconstrução de velhos valores e a elaboração de novas formas educacionais e culturais. Em uma sociedade que tem como prioridade o capital, todos os sujeitos se tornam vítimas constantes das diversas formas de violência, reproduzidas nas relações sociais. O Projeto Construindo Novos Valores foi criado, em 2014, para buscar compreender e apresentar ferramentas para combater a violência de gênero, especificamente a ocorrida no espaço doméstico, local e resultado de relações de poderes, onde as vítimas, em sua maioria, são esposas e filhas dos autores da agressão. A iniciativa é voltada para homens que se encontram em conflitos familiares causados por violência doméstica contra as mulheres. A partir de um processo de responsabilização, reflexão e reeducação, mediante atendimentos gratuitos, discutimos assuntos voltados à masculinidade, gênero, relações marido-mulher, o sentimento de posse, o perdão e o autoperdão. O objetivo é orientar o homem a rever e transformar os próprios valores, trabalhar a agressividade e a adotar um estilo de vida mais equilibrado. Os atendimentos individuais e em grupo são realizados por uma equipe composta por quatro psicólogos e três assistentes sociais. São realizados em espaço cedido generosamente pela Fundação Julita, localizado a Rua Nova do Tuparoquera, 249 – Jardim São Luís, em São Paulo-SP. Às segundas-feiras, das 19h às 21h, há os grupos psicossociais; às terças-feiras, das 18h às 21h, o acolhimento; e, às quartas-feiras, das 18h às 21h, atendimentos individuais. Os serviços são ofertados aos homens em conflitos familiares que chegam encaminhados pelo Judiciário e serviços de garantia de direitos do território, assim como aqueles que buscam o projeto de forma espontânea. Para além dos atendimentos diretos, o Projeto Construindo Novos Valores trabalha a prevenção da violência e a promoção da cultura de paz por meio da oficina “Ninguém mete a colher”, junto ao Fórum Social Sul, a Rede de Saúde e a Rede de Educação. Trabalhar com os homens é fazer política pública de enfrentamento à violência contra a mulher. Venha fazer parte conosco, associe-se ao Instituto Novos Valores. Rosita da Cruz Assistente social Especialista em Políticas Públicas Fundadora e presidente do Instituto Novos Valores cnv.inova@gmail.com (11) 95123-7672

Curso de Teologia celebra primeira formatura

A primeira turma de Formação Teológica e Missionária para Leigos recebeu o certificado de conclusão após três anos de estudos. O grupo de 70 formandos com seus familiares e amigos, alunos, professores e membros da equipe expressaram muita alegria e gratidão por todo o processo vivenciado, especialmente a convivência, os conhecimentos adquiridos e o compromisso com a missão. A formanda Joselene Maria Rosa Marinho participa da Pastoral da Saúde, é ministra extraordinária da comunhão eucarística e membro do Apostolado da Oração. Para ela, o curso ajudou a aprofundar o amor incondicional do Pai, que precisa ser partilhado com os “irmãos deste mundo”. “As disciplinas foram excelentes porque abriram nossa mente para um conhecimento maior da Palavra de Deus”, acrescenta. “O curso, para mim, foi um oásis, aprendizagem, conhecimento, crescimento, foi um desamarrar de ideias”, afirmou Márcia Bozza Gomez. Formada em Filosofia, sempre atuou na educação e pretende empregar os novos conhecimentos em sua ação pastoral na paróquia, nas visitas que realiza há dez anos na Santa Casa de Santo Amaro, no trabalho de meditação com os funcionários no Regional Sul e também na Pastoral da Escuta, que, segundo ela, é o mais difícil. Carlos Eduardo Guenka coordena, junto com a esposa, a Pastoral Familiar da Diocese de Santo Amaro e trabalha em conexão com várias outras pastorais. Para ele, o curso lhe abriu os olhos para várias questões, além da oportunidade de conhecer mais a fé e “sair da posição de espectador para a de entender melhor a Teologia que alinha fé e razão”. Ele está confiante que o curso vai ajuda-los na formação espiritual das famílias, especialmente as divididas ou em segunda união, além dos noivos. “O conhecimento do curso, com certeza, nos fará multiplicadores de temas importantes para o cristão”, completa. A criação do curso é fruto da parceria da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo com a Diocese de Santo Amaro, em São Paulo-SP. Em 2016, apresentaram ao bispo a proposta de um trabalho conjunto visando à formação missionária de leigos e leigas no espaço do Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, localizado na Diocese. Segundo a Ir. Ana Elídia C. Neves, uma das idealizadoras e membro da equipe de coordenação, o bispo de Santo Amaro, Dom José Negri, acolheu a proposta das irmãs e indicou o Pe. Francisco das Chagas para representar a Diocese na viabilização do projeto. Padre Oswair Cavalheiro, coordenador do Comidi (Comissão Missionária Diocesana), logo aderiu e, com a participação de um grupo muito dedicado de leigos e leigas, formaram uma equipe para pensar e organizar o curso. Percebendo a necessidade de um curso de Teologia para os agentes de pastoral, a equipe de voluntários se reuniu inúmeras vezes para planejar a formação, que teve início em março de 2017. Padre Oswair comenta que foi a oração, a reflexão e a busca da vontade de Deus que fortaleceram a equipe para assumir tal desafio. Padre Chagas acrescenta que outro elemento fundamental foi o relacionamento fraterno e a amizade que se construiu no grupo. Os professores foram escolhidos em vista da qualidade do conteúdo e de uma comunicação acessível às pessoas que vinham das paróquias, com diferentes níveis de escolaridade. O bom acolhimento, desde o início, estava entre os objetivos do curso e se manifestou na presença da equipe, no lanche, no ambiente e no carinho com que todos os alunos sempre foram recebidos. O curso começou com duas salas, e o número de inscrições superou a expectativa dos organizadores. Atualmente ocupa cinco salas, com um total aproximado de 200 alunos. Com a formatura, já estão abertas as inscrições para duas novas turmas para março de 2020. As aulas são realizadas sempre às terças-feiras, das 19h30min às 21h30min. A partir do próximo ano, o Centro Missionário também oferecerá cursos mais curtos, de apenas um semestre, para a formação de catequistas, e outros, como Bíblia, como falar em público e sobre perdão e reconciliação. Para mais informações e inscrições clique abaixo.

Advento: tempo de atenção

Na liturgia dominical de 1º de dezembro, entramos no ciclo natalino, o memorial de uma das bases de nossa fé: o encontro, ou melhor, os encontros com o Senhor que vem até nós. Este período é aberto com o Tempo do Advento, indicando a alegre e amorosa expectativa pela vinda de Cristo. Em muitas comunidades, dá-se um grande destaque à Solenidade do Natal que se aproxima. Este tempo, contudo, é bem mais do que arrumar a casa para “recordar” o nascimento de Jesus. É uma oportunidade forte de repensar a vida, de preparar-nos com vigilância também para o encontro definitivo com o Senhor, que virá gloriosamente. É um chamado a refletir se estamos atentos às diversas vezes em que Jesus vem a nós nos eventos do cotidiano. A Palavra de Deus nos convida a pensar como será a chegada do “noivo” que surge na alta noite, do “patrão” que cobra resultados, do “rei” que prepara um lugar em sua casa, do “pastor” que separa as ovelhas dos cabritos, daquele que chega sem avisar, como um “ladrão”. Alegorias usadas pelo Evangelho para nos dizer que devemos sempre estar prevenidos para um compromisso que não tem hora marcada. Este é um momento precioso para avaliar como vivemos o lava-pés da Eucaristia. Demos de comer e de beber, acolhemos os “peregrinos”, vestimos os nus, visitamos os enfermos e os encarcerados? Ou apenas paramos para ouvi-lo piedosamente nas praças, sem transformar em prática essa escuta? Se nossa vida for pedida de volta pelo Senhor, como a devolveremos a ele? Esses são alguns dos questionamentos que nos interpelam sobre o encontro com o Cristo que veio, vem e virá. O roxo dos paramentos, a delicadeza dos adornos e a doce discrição dos instrumentos musicais são um convite à conversão, à volta ao caminho pavimentado e seguro que é o próprio Cristo. Os alertas de Isaías e de João precisam ecoar em nosso coração para fazê-lo reluzir mais que os ansiosos adornos ostentados na faminta e descartável “liturgia” do comércio. A luz do Senhor que vem sobre a terra deve resplandecer como em Maria, a Mãe sempre à disposição a servir o Reino e a louvar o Deus que eleva os humildes. A expectativa desta época não pode ser experimentada com o mesmo afobamento que a vida urbana nos impõe. Essa espera é alegre, corajosa e não nos permite cochilar. Que nós, a Igreja, possamos testemunhar, em palavras e ações, que estamos “doentes de amor” à espera do Amado, cuja boca é cheia de doçura e de quem tudo é encanto (cf. Ct 5,8.16). Sinal admirável No primeiro domingo do Advento, o Papa Francisco visitou Greccio, Itália, onde, em 1223, São Francisco de Assis apresentou o presépio pela primeira vez. Para demonstrar apoio à prática, seja na família, seja em locais públicos, o Pontífice publicou a Carta Apostólica Admirabile Signum (O Sinal Admirável). O desejo do Papa é que a mensagem ajude nas reflexões em preparação para o Natal. Como não poderia ser diferente quando se refere ao nascimento de Jesus, o texto é marcado pela espiritualidade que convoca ao olhar para Deus e para o ser humano. Como o Pobrezinho de Assis, o Papa se detém diante da tocante pobreza daquele rei que vem se fazer um de nós, sofrer nossas dores e alegrar-se conosco. Um Deus no meio do povo e não “acima de tudo”, como ainda insistem alguns. “Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas se faz presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência”, diz Francisco. O Bispo de Roma também recorda que a vinda do Senhor é primeiro para os pobres, na figura dos pastores. “Os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós”, diz o texto. O Filho de Deus também se encarna para todos os povos, representados pelos Magos, que partem de longe para chegar a Cristo: “À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-lo”. Veja, a seguir, o texto completo da Carta Apostólica Admirabile Signum. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.

Eis o tempo de conversão!

Instituições importantes emitem um grande sinal de alerta. É preciso converter-nos agora para garantir a vida do planeta. Há um mês, o Papa Francisco presidia a última sessão do Sínodo da Amazônia, na qual foi aprovado o documento final dessa grande reunião. No texto, a palavra que mais se destaca é “conversão”, tanto que o termo aparece nos títulos de todos os capítulos, indicando claramente que a humanidade precisa mudar de rumo. O alerta não vem apenas da Igreja, mas é o que também aponta o novo relatório lançado na terça-feira, 26 de novembro, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O clima é de urgência! De acordo com a ONU, se não houver uma diminuição da emissão de gases de efeito estufa de 7% ao ano entre 2020 e 2030, as temperaturas sofrerão um aumento de 3,2º C, o que acarretará impactos climáticos mais destrutivos. A conclusão do relatório mostra que, ainda que todas as metas do Acordo de Paris sejam implantadas, as temperaturas continuarão a subir. Para permanecer abaixo de 2º C ou 1,5º C (que é a meta do Acordo de Paris), os objetivos precisam ser cinco vezes mais ambiciosos na próxima década. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas diz que, se a temperatura for além de 1,5º C, as ondas de calor e as tempestades serão mais frequentes e intensas. Quando a Igreja afirma que temos uma Casa Comum, significa também sustentar que somos todos corresponsáveis por ela. O futuro desse grande lar, e consequentemente o nosso, depende da ação de cada ser humano. Que nesse Advento, tempo de conversão, possamos repensar nossos estilos de vida e nos comprometer com a vida do planeta. Ir. Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade

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