Música: a arte que transforma

“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem que vir antes.” (Rubem Alves) No dia 22 de novembro, celebramos o Dia da Música, dos Músicos e também o Dia de Santa Cecília, conhecida como a padroeira dos músicos. Por isso aproveitamos a data para conversarmos sobre o efeito transformador da música na vida da criança. A música é a mais completa das artes, e sua linguagem vem sendo apontada, por especialistas de todo o mundo, como uma das áreas do conhecimento mais importantes a serem estudadas no desenvolvimento da criança. Segundo o psicopedagogo, arte-educador e mestre em educação João Beauclair, “A música não é só uma questão de interferência na educação da criança, é uma necessidade, que deve ter espaço consagrado e rotineiro, por possibilitar a melhoria da sensibilidade, beneficiar os processos de aquisição da leitura e da escrita, e auxiliar na melhoria da capacidade de memorização e de raciocínio”. Musicalizar uma criança é despertá-la para esse universo rico que a música é capaz de proporcionar. Por meio das cantigas de ninar, de roda, brinquedos e histórias cantadas, exploração dos sons do ambiente e de instrumentos da bandinha rítmica, estimulamos habilidades como a socialização, afetividade, concentração, coordenação motora, desenvolvimento da fala e vocabulário pelo canto, memória, acuidade auditiva, pela qual ela aprende a apreciar os diversos sons que estão à sua volta, criatividade, raciocínio lógico, entre tantas outras mais específicas. Quando colocamos a criança em contato com diferentes gêneros musicais, despertamos nela emoções diversas que podem ir da gargalhada às lágrimas. Também percebemos variações em sua expressividade corporal, como movimentos delicados e até mesmo mais brutos. Essa exposição a diversos estilos musicais, além de promover contato com outras culturas, é uma excelente forma de estimular seu campo cerebral. Como afirmou Teca Alencar de Brito, educadora musical, doutora e mestra em Comunicação e Semiótica, “A educação musical não deve visar à formação de possíveis músicos do amanhã, mas sim à formação integral das crianças de hoje”. Por isso devemos trabalhar com a música de uma forma que esta influencie no desenvolvimento global das crianças, fazendo com que elas se interessem por música, pelos vários gêneros musicais, pelas diferentes culturas. O objetivo é formar crianças autônomas e críticas mediante a influência do trabalho musical realizado com elas. A música é uma arte completa, não necessariamente para formar músicos, mas por ser capaz de transformar crianças em seres humanos melhores, mais felizes, sensíveis, mais confiantes em si, além de proporcionar um enriquecimento cultural imenso! E viva a Música! Anna Paula Bruno Behrend, professora de Música do Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ. _________
Participação e solidariedade marcam assembleia

Todos os anos, as missionárias servas do Espírito Santo se reúnem em assembleia para aprofundar o ser missionário, partilhar e avaliar como estão vivendo a missão e crescer no benquerer e na comunhão. Neste ano, de 14 a 17 de novembro, elas se reuniram no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, com essa finalidade. Encontraram-se as irmãs das comunidades do Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, num total de 59 participantes presenciais. As que não podiam viajar se uniram às outras pela oração. A Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) perpassou todas as atividades e serviu de inspiração para as principais decisões da assembleia. O primeiro dia foi dedicado à formação, convivência e aprofundamento do texto bíblico. Marcou a jornada a celebração eucarística presidida pelo padre Lucas Herkt, missionário do Verbo Divino. Para enriquecer a reflexão do Evangelho, as irmãs Maria de Fátima Marques e Heloise Matos, com o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, utilizaram dinâmicas de bibliodrama. Uma das irmãs representou o homem da parábola, agredido por bandidos. Todas foram convidadas a fazer a experiência de estar no lugar do sacerdote que viu o sofredor e não fez nada, do levita, que também passou adiante, e do samaritano que cuidou do homem ferido. Depois, em grupos, refletiram sobre a atitude do personagem escolhido, confrontando com a própria vida. Depois, no ato penitencial, cada grupo apresentou seu pedido de perdão. À tarde, foi a liturgia eucarística. Em grupos, as irmãs prepararam as ofertas, refletindo sobre o amor que leva à solidariedade. Cada grupo esculpiu ou desenhou na areia o que queria ofertar e depois partilhou com a assembleia. Padre Lucas deu prosseguimento com o rito eucarístico. Tudo está interligado No momento da ação de graças, a assembleia expressou sua busca por alargar o círculo da comunhão com Deus, com a criação, com os marginalizados e excluídos, com os outros povos e culturas, e também entre as próprias irmãs. Para isso cantaram a música “Tudo está interligado”, composta pelo Pe. Cireneu Kuhn, inspirada na encíclica Laudato Si’. Com fitas coloridas, vivenciaram a união entre todas. Nos três dias seguintes, a assembleia seguiu a metodologia do “ver, julgar e agir”. Para o “ver”, foram apresentados os relatórios das entidades religiosa, educacional e social: Instituto Trinitas, SEB e Redes. Também as equipes de Espiritualidade, Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, Animação Vocacional, Comunicação e Centro Missionário partilharam o que estão fazendo. Migrantes e indígenas Um destaque foi a participação de alguns leigos e leigas que fazem parte da missão. O Centro de Integração dos Migrantes relatou a abrangência do trabalho realizado e a necessidade de um espaço maior e mais adequado para o acolhimento das crianças. As irmãs que trabalham com o povo xerente, no Tocantins, expuseram os desafios que enfrentam. Também cada uma das comunidades partilhou como está vivendo a comunhão, suas atividades missionárias e perspectivas de futuro. Para o julgar, as irmãs se reuniram em grupos. Com base no estudo que fizeram nas comunidades, sobre justiça socioambiental e Psicologia na vida religiosa, destacaram a importância do cuidado com o meio ambiente, a solidariedade com os pobres e a busca de políticas públicas que respeitem a dignidade humana. Refletiram ainda sobre as atitudes que ajudam a crescer na comunhão, como o perdão, a justiça, a liberdade, o amor, o relacionamento, o desapego e a gratidão. Outro tema foi o discernimento comunitário em preparação à eleição da delegada que participará, junto com a coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, do 15º Capítulo-Geral da Congregação, marcado para o próximo ano, na Holanda. Irmã Maria de Fátima Marques foi eleita a delegada. Irmã Maria Percila Vieira avalia: “Crescemos na comunhão entre nós, no benquerer, no respeito e, como somos de diferentes países, também na interculturalidade. Experimentamos que é possível conviver e respeitar o diferente”. Destacou que procuram fazer a diferença nos locais onde estão e viver seu ser missionário hoje, na realidade de Brasil. “Crescemos na solidariedade e estamos mais abertas aos excluídos e descartados pela sociedade. Junto com outras congregações, apoiando os grupos que precisam mais”, afirma Ir. Maria Percila. Segundo a coordenadora, ficou bem clara na assembleia a solidariedade com projetos concretos, especialmente com os migrantes e com os indígenas. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) ________
“Estive preso, e fostes me visitar” (Mt 25,36)

Irmã Helena Suzana Christo optou pela missão com os encarcerados. Desde 2014, dá cursos de “Fundamentos de Perdão e Justiça Restaurativa” para os presos, em parceria com a Pastoral Carcerária e o Centro de Direitos Humanos de Campo Limpo, o Cedhep. Nos últimos anos, a formação está sendo oferecida no presídio de Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo-SP. “O curso exige muita disponibilidade, sem preocupação com resultados”, conta Ir. Helena, convencida de que vale a pena. “São seres humanos que precisam ser ouvidos e enxergados”, explica. Como missionária serva do Espírito Santo, ela se sente gratificada. “Nossa missão é estar com as pessoas mais excluídas, e esse é um grupo totalmente esquecido e desprezado pela sociedade”, justifica. Neste semestre, ela e a missionária leiga Miriam Bernadete de Souza já deram dois cursos de 40 horas. A formação, segundo Ir. Helena, é uma boa didática de recuperação. Cada vez, são 20 homens que participam, a maioria jovem. O conteúdo sobre perdão e justiça restaurativa ajuda a trabalhar o que aconteceu com eles, tanto como vítimas de uma sociedade excludente, mas também como agressores. “Muitos afirmam que, se tivessem feito o curso antes, teriam evitado alguns erros”, comenta ela. As dinâmicas dão oportunidade de se verem, trabalharem os sentimentos, adquirirem autoconhecimento e tomarem consciência para assumir o que fizeram. Eles mesmos dizem que a Justiça, do jeito que é, não o favorece, mas o curso ajuda, especialmente em relação ao perdão. Quando conseguem perdoar, algo se transforma dentro deles e, com isso, conseguem ir se trabalhando. “Se a justiça punitiva realmente resolvesse o problema, não teria tanta gente que volta ao presídio”, desabafa Ir. Helena. Ela está convencida de que o sistema carcerário como está estruturado não favorece a recuperação nem a reinserção na sociedade. A justiça restaurativa, por outro lado, dá oportunidade para o agressor se responsabilizar pelo que fez e, junto com a pessoa que sofreu o dano e a própria comunidade, buscar uma forma de reparar o mal que cometeu. Quando os presos entendem a diferença entre a justiça punitiva e a restaurativa, surge uma nova perspectiva para eles. Prova disso é que não perdem o curso e participam com gosto. Irmã Helena conta que sempre há uma fila de espera e, se houvesse mais gente para dar a formação, mais presos poderiam ser atendidos. Nova possibilidade A missionária leiga Miriam teve seu irmão assassinado e diz que até hoje ninguém sabe bem o motivo do crime. Apesar disso, sente-se feliz em participar da Pastoral Carcerária e estar junto com os presos. Ela afirma que, quando vai ao presídio, nem pensa nisso, porque, para quem matou seu irmão, “faltava Deus no coração, faltava uma formação melhor, um acolhimento da sociedade…”. Ela partilha sua experiência: “Para mim, o trabalho no presídio é uma experiência espiritual, de viver o Evangelho com aqueles que estão à margem da sociedade. Fico imaginando Jesus Cristo entrando naquele lugar. Como ele se relacionaria com todos aqueles 1600 homens que vivem ali? O desemprego, o racismo, a droga, o tráfico são fatores causadores dessa situação. Não vejo quem está lá dentro como responsável total; a sociedade tem uma grande parcela de contribuição para levar essas pessoas para lá. Quando trabalhamos o perdão, o autoperdão, a reconciliação, a revisão de vida, é muito importante para eles se verem diante de sua realidade, de sua fragilidade e descobrirem uma nova possibilidade. Eles se sensibilizam e acreditam que há uma chance de mudança. Pelo lado do Evangelho, vejo que precisaria haver mais agentes de pastoral com esse povo. A maioria dos cristãos consideram aquelas pessoas violentas, perigosas e não querem nem chegar perto. O Evangelho não prega isso. Se Jesus estivesse aqui, tenho certeza de que muitas cadeias já não existiriam mais. Sinto-me feliz em doar a minha vida, principalmente dentro do presídio, porque é um caminho para mostrar que existe outra possibilidade, não só o crime. Para mim, é mais que um trabalho social, é um trabalho evangélico, que me realiza e me torna uma pessoa mais útil para a sociedade e para a Igreja.” E o que dizem os presos? Aqui relatamos alguns breves depoimentos, sem dizer os nomes: “Queria que todos os juízes enxergassem dessa forma que o curso passou e que, em vez de pegar uma pessoa e abandonar atrás das grades, pudesse usar dessa técnica da justiça restaurativa. Se tivessem feito isso comigo e com outras pessoas, creio que teriam salvado muitas pessoas de ter voltado um dia para este lugar.” “Comecei a enxergar que a vida é bonita e que, me perdoando, como aprendi, consigo agora levar uma vida em paz, com harmonia. Quero reconstruir minha vida quando eu sair.” “Hoje, aos 43 anos, enxergo as coisas muito diferente. O curso me mostrou o que a vida não ensina. Só depois de muito errar é que se aprende a importância de ser bom e de fazer o bem.” Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Gentileza: crianças enviam cartas para idosos

Consideradas um dos meios de comunicação mais antigos do mundo, as cartas perduraram como principal veículo de informações a distância por muitos séculos. Entretanto, a chegada do telefone, em 1870, provocou mudanças na cultura da escrita de cartas, mesmo que continuassem a contribuir para que as pessoas se comunicassem e expressassem seus sentimentos, desejos, projetos e desabafos. No entanto, no século XXI, com a internet e a divulgação das redes sociais, o que era escrito em folhas de papel passou a ser digitalizado em telas dos smartphones, tablets e computadores, e as pessoas que viveram grande parte de suas vidas fora da Era Digital e hoje moram em lares de idosos viram-se, muitas vezes, impedidas de escrever e receber cartas, aumentando, por exemplo, a solidão e sensação de abandono. Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte-MG, em parceria com o Movimento Gentileza, lançou, no dia 22 de outubro, o projeto “Cartas para você”. O objetivo é promover um intercâmbio geracional entre crianças, jovens e idosos, além de permitir o desenvolvimento de um elo afetivo por meio de cartas manuscritas. O Colégio Sagrado Coração foi convidado a participar da iniciativa, representando as escolas privadas de Belo Horizonte. Assim, 413 crianças e adolescentes dedicaram um tempo para escrever uma carta para uma idosa ou idoso, compartilhando histórias, sentimentos e sonhos. As mensagens, por sua vez, foram entregues pelos correios, reacendendo nos idosos residentes em 28 lares da capital mineira as memórias dos tempos em que as cartas eram esperadas ansiosamente, pois traziam notícias de pessoas amadas e que viviam longe. Cerimônia de lançamento Os alunos Maria Luiza Vanucci Ferreira, Rafaela Andrade Alves, Nicole Cunha Ribeiro e João Freire Villela participaram da cerimônia de lançamento do projeto, no salão nobre da Prefeitura. “Abro meu coração quando escrevo uma carta”, revelou a aluna Maria Luiza, em depoimento ao Jornal Estado de Minas. Em paralelo a esse depoimento, recordarmos um dos pensamentos de Madre Josefa, uma das fundadoras da Congregação da Missionárias Servas do Espírito Santo que norteia a filosofia dos colégios: “Nossa missão é abrir os corações ao amor”. Com isso, esperamos que as cartas levem ânimo, alegria e carinho aos corações dos idosos e idosas dos 28 lares, como os residentes do Lar Nossa Senhora da Saúde. Assim nos escreveu a assistente social Juliana Moreira: “Recebemos as cartas aqui no lar, e os idosos adoraram. Ficaram muito felizes e interessados ao abrir a carta e poder ter contato com essas crianças maravilhosas do Colégio Coração de Jesus, do 6º ano”. Escrever uma carta é um gesto significativo de gentileza, mas existem muitos outros. Nossos alunos fizeram a parte deles. Agora é sua vez de também espalhar gentileza, cumprindo o que Madre Josefa nos deixou como legado: “Abrir os corações ao amor”! Simone Fortunato NunesCoordenadora da Pastoral Missionáriado Colégio Sagrado Coração de Jesus ________ Assista ao vídeo publicado pelo Jornal Minas:
Mês Missionário Extraordinário: desafio agora é manter viva a chama

Dioceses, paróquias, congregações e outras comunidades católicas de todo o mundo continuam a apurar os frutos do Mês Missionário Extraordinário, celebrado em outubro deste ano, depois de convocação do Papa Francisco. A proposta foi recordar os cem anos da Carta Apostólica “Maximum illud”, publicada pelo Papa Bento XV, que tratava da atividade desenvolvida pelos missionários no mundo, e reforçar o dever que todo cristão tem de anunciar Cristo. Com o tema central “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo e missão no mundo”, o Mês Extraordinário Missionário não se tratou de uma mera estratégia de propaganda. A intenção era de incentivar que cada batizado pudesse primeiramente experimentar um novo e apaixonado encontro com Jesus, para só então transmitir a Boa-Nova aos outros. Ações foram desenvolvidas em todos os continentes. Em alguns lugares, no Brasil e no exterior, falou-se em “Ano Extraordinário Missionário”, pois as reflexões e atividades ocorreram ao longo de meses. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) ainda faz um balanço das ações, mas Dom Odelir José Magri, presidente da Comissão Episcopal para a Animação Missionária e Cooperação Intereclesial, adianta que a iniciativa foi bem-sucedida. Para ele, o Mês Missionário foi abraçado pelas dioceses, paróquias e comunidades do País e ajudou a aumentar a consciência missionária na Igreja. Em saída Falou-se, mais do que nunca, em “Igreja em saída”. A expressão foi usada pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”, publicada em 2013, mesmo ano em que assumiu a cadeira de Pedro. Diferentemente do que logo se possa pensar, a expressão vai muito além do ir de porta em porta realizando atividades pastorais. Cada batizado é representante legítimo da Igreja, parte de seu corpo. Por isso, agir como Jesus, seja em qualquer lugar, é um importante modo de evangelizar, de ser Igreja. Pais e mães de família, trabalhadores, jovens, mulheres, idosos e mesmo as crianças podem anunciar Cristo por onde passam, tanto em palavras, quanto e principalmente em atitudes. As ações organizadas de evangelização, contudo, têm papel importante. Ao longo do Mês Missionário Extraordinário, diversos grupos visitaram famílias, comunidades carentes, hospitais, escolas, presídios e até empresas para conhecer as diferentes realidades e levar a mensagem cristã. O mesmo ocorreu nas comunidades animadas pelas missionárias servas do Espírito Santo e por outros ramos da Família Arnaldina. A preocupação agora, segundo Dom Odelir, é manter vivo o fogo aceso no Mês Missionário. Discípulo com os discípulos Na homilia proferida na missa pelo Dia das Missões, em 20 de outubro, o Papa Francisco recordou o mandado de Jesus de fazer discípulos. “Mas, atenção! Discípulos dele, não nossos. A Igreja só anuncia bem se viver como discípula. E o discípulo segue dia a dia o Mestre e partilha com os outros a alegria do discipulado”, advertiu. O Santo Padre também disse que fazer discípulos não é conquistar, obrigar, fazer prosélitos. Para ele, deve-se colocar ao mesmo nível, discípulo com os discípulos, oferecendo amorosamente o amor recebido de Deus. “Esta é a missão: oferecer ar puro, de alta quota, a quem vive imerso na poluição do mundo; levar à terra aquela paz que nos enche de alegria, sempre que encontramos Jesus no monte, na oração; mostrar, com a vida e mesmo com palavras, que Deus ama a todos e não se cansa jamais de ninguém”, declarou Francisco. O Santo Padre, recordando a “Evangelii gaudium”, também pediu coragem aos fiéis: “Vá com amor ao encontro de todos, porque a sua vida é uma missão preciosa: não é um peso a suportar, mas um dom a oferecer. Coragem! Sem medo, vamos ao encontro de todos!”. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.
Jornada Mundial dos Pobres

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19) é a inspiração bíblica para a III Jornada Mundial dos Pobres, que se realizará de 10 a 17 de novembro deste ano. Mas o que é essa jornada e o que ela pretende? O Papa Francisco, após o encerramento do Ano da Misericórdia, em 2016, teve a inspiração de convocar a Jornada Mundial dos Pobres para incentivar as comunidades cristãs e as pessoas de boa vontade a levarem esperança e conforto aos mais necessitados. A jornada é um convite à solidariedade humana e a ações concretas. Na mensagem divulgada pelo Papa, ele afirma que “A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos”. Apesar de todos os avanços tecnológicos que permitem a superação da escassez e a produção de alimentos suficientes para que ninguém passe fome, a pobreza ainda atinge inúmeras pessoas em grande parte de nosso país, pois a riqueza está concentrada em uma quantidade cada vez menor de pessoas. Aumento da pobreza no Brasil De acordo com os dados do Cadastro Único do Ministério da Cidadania, a pobreza extrema no Brasil aumentou e já atinge 13,2 milhões de pessoas. Nos últimos sete anos, mais de 500 mil pessoas entraram em situação de miséria. O Nordeste tem os piores índices, especialmente Piauí, Maranhão e Paraíba. Do ano passado para cá, a extrema pobreza vem aumentando em torno de 10,5% em Roraima e no Rio de Janeiro. No Distrito Federal, o total de famílias inscritas no Cadastro Único, até junho de 2019, era de 158.280, entre as quais 71.091 com renda familiar per capita de até R$ 89,00 por mês. O Brasil já tinha saído do Mapa da Fome em 2014, mas se a situação não melhorar, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) poderá incluí-lo novamente entre os países em que mais de 5% da população consome menos calorias do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2017, a pobreza no Brasil passou de 25,7% para 26,5% da população. O número dos extremamente pobres, aqueles que vivem com menos de R$ 140,00 mensais, saltou, no período, de 6,6% para 7,4% dos brasileiros. O que fazer diante disso? Quando a vida está ameaçada, é necessário buscar providências concretas, como dar comida a quem tem fome e ajudar a satisfazer as necessidades básicas, que garantam a sobrevivência. Isso é essencial, mas não o suficiente. Precisamos buscar caminhos para que as pessoas possam viver dignamente. Aí vem o papel das políticas públicas que, de acordo com o texto-base da Campanha da Fraternidade 2019, “São ações discutidas, aprovadas e programadas para que todos os cidadãos possam ter uma vida digna, além de serem soluções específicas para as necessidades e problemas da sociedade. É a ação do Estado que busca garantir a segurança, a ordem, o bem-estar, a dignidade por meio de ações baseadas no direito e na justiça”. O governo, de modo geral, não consegue atender às necessidades da população em extrema pobreza e nem sempre tem políticas públicas adequadas. Por isso inúmeras organizações não governamentais (ONG) e instituições religiosas buscam dar atendimento aos mais pobres. As missionárias servas do Espírito Santo, nos países onde atuamos e, de modo bem concreto, no Brasil, desenvolvemos diferentes projetos na linha da superação da pobreza, entre eles a manutenção de creches em bairros pobres, para que as mães possam trabalhar. Mas também atuamos em nível sistêmico em organizações como a Vivat Internacional e, recentemente, a Vivat Brasil, que tem como uma de suas metas a superação da pobreza. Mas cada pessoa pode fazer a sua parte e encontrar formas concretas de ajudar os pobres: “dando o peixe” quando a fome aperta e “ensinando a pescar”, para que a fome não volte. Combater as causas estruturais que geram a pobreza é o melhor caminho para que todos tenham uma vida digna. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______
Presença missionária em Papua-Nova Guiné

Papua-Nova Guiné, país da Oceania, é um mundo desconhecido para a maioria dos brasileiros, mas foi um dos primeiros campos de missão das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS). Elas estão lá desde 1899. Com uma cultura riquíssima, o país tem três idiomas oficiais e mais de 800 línguas indígenas locais, para se ter uma ideia da variedade de grupos nativos. A população enfrenta problemas sociais, como pobreza, violência, mortalidade infantil, falta de acesso à educação, entre outros. Por isso, além do trabalho pastoral e de anúncio do Evangelho que as irmãs realizam, elas também atuam nas áreas em que há maior necessidade, como escolas, hospitais, maternidades, clínicas itinerantes, atendimento a pessoas com HIV/Aids, promoção da mulher, projetos de desenvolvimento social e de formação nas aldeias. A presença das irmãs em Papua-Nova Guiné motivou os alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, a produzirem uma peça de teatro sobre a realidade daquele país e encená-la durante a II Semana Sem Fronteiras, realizada no início de outubro. Dada a qualidade do trabalho, os alunos foram convidados para se apresentarem no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, para o encerramento do Mês Missionário Extraordinário. Encerramento do Mês Missionário No dia do aniversário de nascimento de Santo Arnaldo Janssen, 5 de novembro, o Centro Missionário promoveu um evento para encerrar o Mês Missionário Extraordinário. Estiveram presentes os alunos do Curso de Formação Teológica e Missionária, as irmãs da Comunidade do Convento Santíssima Trindade e Santana, e o grupo de alunos do Colégio Espírito Santo, acompanhados dos professores, para assistir ao teatro sobre Papua-Nova Guiné. A peça, toda montada pelos alunos, apresentou uma jovem que, ao chegar em casa, liga a televisão e assiste a diferentes gêneros de programação, todos sobre Papua-Nova Guiné. Os alunos encenam os programas, mostram danças típicas e incluem documentários, entrevistas e até o depoimento em vídeo de uma missionária brasileira, Ir. Lourdes Hummes, que trabalhou 18 anos naquele país. Depois de uma hora de apresentação, uma terra até então longínqua e desconhecida passou a fazer parte do coração dos que assistiram à peça. Souberam do drama que as mulheres enfrentam, uma vez que, por causa da cultura machista, são vítimas constantes de violência doméstica, estupro e outros crimes. Somente há poucos anos, o país adotou uma legislação que as protege, mas mudanças culturais são lentas, e os homens continuam violentos. Mas o público também viu a beleza de sua natureza, de suas danças e de seus povos. É um país exótico, cheio de mistérios e com muitos desafios. Os 120 anos de presença missionária naquele país certamente estão contribuindo para que as pessoas tenham melhor qualidade de vida, educação, saúde e a oportunidade de conhecer os valores do Evangelho. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _______
O encontro que me enviou em missão (Mateus 28,1-10)

O Sínodo da Amazônia tem despertado grande interesse nos cristãos e na sociedade em geral. A cada dia, assistimos a inúmeros comentários e reflexões sobre a busca, a partir da Amazônia, de novos caminhos para a Igreja. O grito dos pobres, dos indígenas, da natureza e das mulheres marcou pautas de debate no Sínodo. Além disso, o tema da possível ordenação de diaconisas repercutiu no mundo com vozes a favor e encontra. Não nos cabe analisar aqui esse tema, basta-nos apenas refletir o trecho de Mateus 28,1-10, buscando compreender, à luz da Palavra, a grande confiança que Jesus teve nas mulheres que o seguiam e o seguem. Confiança que, no dia de sua ressurreição, ele mesmo confirmou: Ide anunciar a meus irmãos… 1Após o sábado, no início do primeiro dia da semana, Maria de Mágdala e a outra Maria foram ver o sepulcro. 2E eis que produziu um grande terremoto: o Anjo do Senhor desceu do céu, veio rolar a pedra e sentou-se em cima. 3Seu aspecto era de relâmpago, e sua veste, branca como a neve. 4Com o medo que tiveram dele, os guardas ficaram estarrecidos e como mortos. 5Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: “Não tenham medo! Sei que vocês procuram Jesus, que foi crucificado. 6Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito”. 7Depois, “Ide depressa dizer a seus discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos’. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. É o que tenho a vos dizer”. 8Deixando às pressas o sepulcro, com medo e grande alegria, elas correram para levar a notícia a seus discípulos. 9E eis que Jesus veio a seu encontro e lhes disse: “Alegrai-vos”. Elas se aproximaram dele e abraçaram-lhe os pés, e, prostrando-se, o adoraram. 10Então Jesus lhes disse: “Não temais. Ide anunciar a meus irmãos que eles devem ir à Galileia. Lá é que eles me verão”. Depois da narrativa da morte de Jesus, segue-se o relato da ressurreição. Lembremos que Jesus foi julgado e condenado à morte acusado de crime de blasfêmia (Mt 26,65). Isso ocorreu durante o governo de Herodes (Mt 27,2.14) e quando Caifás era o sumo sacerdote de Jerusalém (Mt 26,3). Era uma sexta-feira quando Jesus foi crucificado. É, portanto, significativo que os relatos da ressurreição comecem com o shabbat. Isso é um aviso de que o grande acontecimento da ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana. No pano de fundo das narrativas, há uma chamada de atenção aos leitores para “algo novo” que está acontecendo. E dele as Marias foram as primeiras testemunhas. Elas tinham ido ao sepulcro, segundo o evangelista Marcos, com o objetivo de embalsamar o corpo (Mc 16,1). Ora bem, mesmo que Mateus refira-se somente a duas mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, como as primeiras a inteirar-se da alegria da ressurreição (v. 1), é obvio que elas estariam junto com outras (cf. Mc 15,40; Mt 27,55; Lc 23,49). Tratava-se daquelas que tinham seguido Jesus desde a Galileia, tinham-no acompanhado em sua paixão e crucifixão, e estado presentes quando o puseram no sepulcro (Mc 15,47; Mt 27,61; Lc 23,55). E, desta vez, recebiam a alegre surpresa: Jesus estava vivo! Embora parecesse muito belo para ser verdade, era verdade! Depois dessa bela experiência, coube a essas mulheres reunir de novo os discípulos e levar a eles a Boa Notícia da ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-8; Jo 20,11-17). O relato mateano está ornado de imagens: “grande terremoto”, “um anjo com aspecto como de relâmpago” e “vestes brancas como a neve”. São imagens que simbolicamente revelam o sentido escondido dos acontecimentos. Trata-se duma linguagem apocalíptica, própria dessa época. Com certeza, quer-se destacar e assegurar a veracidade da grande descoberta: o sepulcro estava vazio. Jesus havia ressuscitado! Estudiosos concordam que o “grande terremoto” pode estar rememorando o acontecido na sexta-feira. Porém, agora, em vez de avisar a morte de Jesus, mostrava a completude de sua missão. Notemos que esse terremoto era de maior proporção que o da crucificação, pois, por meio dele, era comunicada a nós a vitória divina, a prova da nova vida e a confirmação das promessas (Mt 17,9.22; Mc 8,31; 9,31; Lc 9,22). Além disso, o Anjo vindo do céu surgiu pela primeira vez fazendo uso de um poder assustador, vindo do Senhor. Em outras passagens, os anjos aparecem somente como mensageiros da Palavra de Deus (Lc 1,12.19.26; Mt 1,20; 2,13), mas sem usar do poder. O anjo tinha a aparência de um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Isso remete à cena da transfiguração no monte (Mt 17,1-2; Mc 9,2-3; Lc 9,28-29). O anjo falou às mulheres usando dois imperativos: Não tenham medo! Falem! As mulheres que tinham chegado ao sepulcro se deparavam com duas barreiras: a grande pedra que fechava o túmulo e os guardas que tinham sido colocados pelas autoridades para resguardar o lugar. Mas, em vez de lutar contra as barreiras, ficaram perplexas: a pedra fora removida, os guardas ficaram como mortos, e o Anjo, radiante de luz, explicou-lhes a razão. O caminho estava livre, mas Jesus não estava lá, porque havia ressuscitado. As discípulas não tinham entendido que era necessário que tudo aquilo acontecesse para que a promessa de ressuscitar dos mortos se cumprisse. O Anjo as convidou a olhar o sepulcro, para que seu coração se acalmasse e pudessem logo contar aos outros discípulos: Falem! A promessa de ir diante deles à Galileia logo iria cumprir-se. As Marias, com medo e grande alegria, puseram-se a caminho. Tratava-se do medo de quem não estava ainda preparado para ver que aquele que morrera na cruz vivia! Pois bem, indo avisar aos discípulos, encontraram-se com Cristo. Ele as saudou: “Alegrai-vos”. As mulheres corresponderam à saudação, prostrando-se e adorando-o. O fato de adorar é sinal do reconhecimento de que Jesus é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”. Cristo repete às mulheres o que o Anjo lhes tinha dito, mas, no diálogo, existe uma mudança importante: em vez de os chamar de meus “discípulos”, Ele os chamou
Sínodo: missionário verbita defende uma Igreja como rosto amazônico
Neste domingo, 27 de outubro, concluiu-se um dos mais importantes eventos do pontificado do Papa Francisco, no que se refere à América Latina. O Sínodo da Amazônia reuniu no Vaticano centenas de pessoas, entre eles representantes de povos nativos dos nove países que compõem a Pan-Amazônia, missionários e missionárias leigos e consagrados, padres e diáconos, e especialistas de diversas áreas. Entre os convidados estava o padre José Boeing, missionário verbita que trabalha no Pará. Ele representou o superior-geral da Congregação, o Pe. Paulus Budi Kleden. Paranaense, o padre atua na Paróquia São José Operário, em Trairão-PA, e há 29 anos luta pelos direitos dos povos da floresta. Em entrevistas ao Vatican News, o religioso da Família Arnaldina apresenta suas impressões e expectativas quanto ao Sínodo. Igreja feminina Padre Boeing salienta que há um esforço grande para que os leigos sejam sujeitos da missão. “Faltam missionários, mas estamos aqui defendendo uma Igreja ministerial; quer dizer, não queremos somente consultar os leigos, mas que eles tenham o poder de decisão”, defende. Ele relata, por exemplo, que 70% das comunidades cristãs são guiadas por mulheres, sejam religiosas, sejam leigas. Por isso acha justo que o papel delas seja discutido mais profundamente no encontro. Justiça eficiente Também destacou a luta em favor dos direitos humanos. Ele denuncia que o Brasil propaga aos outros países uma criminalização dos movimentos sociais. “As pessoas que lutam são taxadas como inimigas do progresso, do capitalismo, portanto são perseguidos em suas comunidades, sejam líderes sindicais, das associações, inclusive da Igreja”, relata. O missionário defende que a Igreja também incentive que o Estado, por meio do Judiciário, possa julgar efetivamente os crimes. “Nós temos uma impunidade na Amazônia. Não existe boletim de ocorrência, não tem processo. Por isso é fácil eliminar o outro, com interesses econômicos, políticos, sociais”, afirma. E continua: “Que não possamos nos calar diante dessa situação. Que nós sejamos solidários com quem está sendo ameaçado. A Igreja deve, sim, se posicionar e exigir que o Estado assegure o direito das pessoas”. O próprio verbita, advogado e mestre em Direito, já recebeu ameaças de morte. Ele mantém o projeto “Agentes Comunitários de Justiça e Paz”, de incentivo à justiça restaurativa, para ele mais eficiente que a punitiva. Diálogo “Lá já estava o Espírito de Deus”, por isso o Pe. Boeing afirma que os evangelizadores precisam ter uma cuidadosa atitude de escuta, para compreenderem as culturas que eles encontram na Amazônia. “Por que não, na liturgia, falar de um rito amazônico? Respeitando, assim, as culturas e as tradições que lá existem”, propõe. O religioso conta que os verbitas atuam na Região Amazônica desde 1980, com o compromisso de ser uma Igreja inculturada a serviço do povo. “O que a Congregação defende está sendo discutido aqui: diálogo intercongregacional, diálogo inter-religioso, com as culturas, defesa dos territórios, dos povos”, diz ao jornalista Silvonei José Protz, de quem o missionário foi colega no Seminário de Ponta Grossa-PR. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.
Movimentos lembram os 40 anos da morte do operário católico Santo Dias

Movimentos eclesiais e sociais recordam, nesta quarta-feira, 30 de outubro, os 40 anos do assassinato do sindicalista católico Santo Dias da Silva. O operário é uma das figuras brasileiras mais emblemáticas na luta pelos direitos humanos e por melhores condições a trabalhadores e pessoas pobres. Ele foi morto aos 37 anos, ao tomar um tiro pelas costas, disparado por um policial militar durante uma manifestação pacífica, na porta de uma fábrica localizada na Zona Sul da capital paulista. A irmã Cecília Hansen, missionária serva do Espírito Santo, conheceu de perto o jovem sindicalista. Ela atua no Comitê Santo Dias, que mantém vivas as lutas defendidas pelo militante e a memória do operário. A religiosa conta que, além do engajamento sindical como metalúrgico, Santo Dias tinha uma intensa atuação cristã. “Já em sua terra natal (Terra Roxa, interior de São Paulo), participou da Legião de Maria, Congregação Mariana e das lutas dos trabalhadores rurais”, relata. A irmã acrescenta que o sempre alegre Santo também foi ministro extraordinário da comunhão e frequentemente visitava os enfermos na periferia de São Paulo. “Em sua fé, sempre se mostrou inabalável, mesmo diante das grandes dificuldades. Seu compromisso com os trabalhadores vem de suas convicções da vivência do Evangelho na vida”, testemunha a missionária. Ao lado da esposa, Ana Maria do Carmo, Santo Dias participou do Movimento Custo de Vida. Em plena ditadura militar, na década de 70, contestava o aumento dos gastos das famílias. Uma das iniciativas mais célebres foi um abaixo-assinado firmado por 1,3 milhão de pessoas, pedindo ao presidente da República a redução dos preços de produtos básicos. A apresentação do documento reuniu cerca de 20 mil pessoas na Praça da Sé, no Centro de São Paulo. Santo também participou ativamente da Pastoral Operária, surgida das reflexões das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). A morte de Santo Dias causou grande comoção à época, conta Ir. Cecília. O cortejo fúnebre reuniu uma multidão em frente à Catedral da Sé, transformando-se numa grande manifestação contra as forças que oprimiam o povo. Imediatamente após o assassinato do sindicalista, foi criado o Comitê Santo Dias. A primeira ação do Comitê foi acompanhar de perto o julgamento do assassino. As sessões no Tribunal foram seguidas pela população. Irmã Cecília relata que, na primeira instância, o autor foi condenado, contudo, mesmo com a clareza de todas as evidências, o policial foi absolvido na segunda. “Criou uma descrença e desconfiança na Justiça. Mostrou que o poder está acima da Justiça. Fiquei indignada!”, lamenta Ir. Cecília. Parques, praças, pontes, escolas e projetos sociais no Brasil e no exterior ganharam o nome do sindicalista católico. Desde 1998, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo concede o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, e a Arquidiocese de São Paulo criou o Centro Santo Dias de Direitos Humanos, que visa a defender a causa de pessoas de diversas comunidades. Programação Para lembrar os 40 anos do assassinato de Santo Dias, uma intensa programação foi organizada em várias partes do Brasil. Em São Paulo-SP, o Comitê promove a Semana Santo Dias 2019. Veja os principais eventos da programação: 30 de outubro (quarta-feira), 14h Ato em frente à antiga fábrica Sylvania e celebração no Cemitério Campo Grande: Rua Quararibeia, altura do nº 200. 2 de novembro (sábado) 24ª Caminhada pela Vida e pela Paz – saída de pontos diferentes até o Cemitério São Luiz. Às 8h, encontro na Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. Encontro no CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular): Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180. 3 de novembro (domingo), 8h Missa dos Mártires – Paróquia Santos Mártires: Rua Luís Baldinato, 9. 9 de novembro (sábado) ,10h Roda de Conversa – EMEI Santo Dias da Silva: Praça Michel Mattar, s/nº. 23 de novembro (sábado), 10h Lançamento da 2ª edição do livro “Santo Dias: quando o passado se transforma se em História” – Instituto Cultural de Trabalhadores/as da Zona Sul: Rua Antônio Foster, 100 – Vila Socorro. Outras informações sobre a vida e o legado de Santo Dias, além do programa completo das homenagens em São Paulo estão disponíveis no endereço https://cmpmboicp.wixsite.com/santo-dias Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.