Um santo que enxergava longe

Arnaldo Janssen nasceu em 15 de janeiro de 1837, em Goch, Alemanha, numa família profundamente religiosa. Foi ordenado padre em 15 de agosto de 1861 e dedicou-se ao ensino de Ciências e Matemática. Por sua piedade e devoção ao Sagrado Coração de Jesus, foi nomeado diretor diocesano do Apostolado da Oração. Apesar da perseguição religiosa, Arnaldo inaugurou, em 8 de setembro de 1875, em Steyl, Holanda, a primeira casa missionária da Congregação do Verbo Divino. Sentindo a necessidade da presença da mulher na missão, especialmente junto às famílias, deu início à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS) no dia 8 de dezembro de 1889. Em 1896, completou sua obra missionária, com a fundação do ramo contemplativo, a Congregação das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP). Pela adoração permanente do Santíssimo, intercede pela Igreja e pelas outras duas congregações missionárias. Santo Arnaldo faleceu em 15 de janeiro de 1909. Sua total entrega à vontade de Deus foi abençoada pelo crescimento contínuo das comunidades por ele fundadas. No dia 5 de outubro de 2003, o Papa São João Paulo II o canonizou. O Sagrado Coração de Jesus Para Santo Arnaldo, o coração era o centro da espiritualidade. No coração de Jesus, o amor incondicional de Deus Pai foi revelado e, na força do Espírito Santo, Jesus anunciou esse amor às pessoas, convidando-as a participar do Reino de Deus. O pensamento da morada da Trindade no Coração de Jesus moldou toda a vida de Arnaldo Janssen, sua orientação para a missão, seu desejo de glorificar a Deus Uno e Trino, de seguir Jesus e colaborar com o anúncio do Evangelho para “Que todos os povos cheguem a conhecer o Pai amoroso e sua infinita misericórdia e possam, desde já, partilhar na comunidade da Trindade”, como costumava dizer. Como jovem padre, Arnaldo percorria toda sua diocese para propagar o Apostolado da Oração. Para ele, conformar a própria vida de acordo com o projeto de Cristo, “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10), era a melhor devoção ao Coração de Jesus. Com Santo Arnaldo, aprendemos que tão importante quanto a veneração do Divino Coração de Jesus é tornar nosso coração semelhante ao do Senhor, seguindo Cristo no pensar, no agir, na oração, no amor ao Pai e no amor à humanidade. Por isso, Arnaldo sempre rezava: “Viva o Coração de Jesus nos corações de todas as pessoas!”. À frente de seu tempo Além de fundar as três congregações, Arnaldo Janssen foi um homem de visão muito à frente de sua época. Ele deixou inúmeras contribuições por meio de seu intenso apostolado, uso da imprensa e serviço à Igreja como um todo. Entre as principais contribuições de Santo Arnaldo, podemos destacar a formação da consciência missionária entre os católicos alemães de seu tempo, a divulgação da importância do ecumenismo, a promoção do apostolado leigo, do apostolado da imprensa católica, o pioneirismo no movimento de retiros espirituais, o incentivo ao estudo da Antropologia, a aceitação de vocações dos países de missão, a abertura à internacionalidade, dando um caráter plurinacional às comunidades missionárias. Padre Arnaldo, muitas vezes, foi criticado por seu gênio. Alguns o consideravam um louco, pois, numa época em que as casas religiosas estavam sendo fechadas em consequência da perseguição religiosa promovida pelo Kulturkampf (revolução cultural), na época de Bismarck, ele propunha a fundação de uma obra missionária. Arnaldo Janssen é exemplo de alguém que, ao longo dos anos, por uma vida intensa de oração e dedicação missionária, deixou-se transformar, somando sua força de vontade, perseverança e profundo senso de responsabilidade a serviço da vontade de Deus. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Cura para o corpo e para a alma

Para o padre, não havia diferença se as pessoas, na missa que celebrava, dedicada aos enfermos, necessitavam ou não de cura para si ou para alguém próximo. Ele convidou todos os enfermos ali presentes para receberem a unção. Você iria? Eu fui. Eu e todos os que participavam daquela ceia. Fui porque precisava de cura, cura para a alma, tão desejosa de esperança, por tantas perdas e desencontros nos caminhos da vida, mas, acima de tudo, pela esperança e renovação que ali encontraria. Fui porque ali estava Jesus, anunciado pelo profeta Isaías e confirmado por Ele próprio: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e me enviou…” (Is 42,7; Lc 4,18). A unção dos enfermos, antigamente nomeada extrema unção, era recebida no perigo de morte. Hoje é sacramento da vida. A nova expressão é mais suave e alivia o sofrimento, a dor de uma enfermidade, traz paz diante de uma cirurgia ou alívio para a dor e inquietações da alma. Já vi pessoas que, por terem recebido o sacramento da unção, fortaleceram-se diante de uma enfermidade ou acalmaram seus corações desesperançados de viver. Um sinal sagrado que fortalece a esperança, a fé e a coragem de enfrentar os desafios do cotidiano da vida de quem o recebe. Esse é o novo olhar do sacramento da unção. Há relatos comprovados cientificamente de pessoas que, por meio da oração, tiveram melhoras muito significativas em suas enfermidades, junto aos devidos cuidados médicos, e obtiveram a cura, diferentemente de outros que não aceitaram a intercessão da oração em seus períodos de tratamento. Inclusive, há uma disciplina de “Medicina e Espiritualidade” em algumas faculdades de Medicina, que traz essa reflexão aos novos profissionais da área. São Tiago já nos abriu esse caminho em sua carta: “Alguém entre vós está enfermo? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tg 5,14). Se você se viu em algum pedacinho dessa reflexão ou lembrou-se de alguém, não deixe essa graça passar! Vá em busca do sacramento da unção dos enfermos. Seja presença de vida para si mesmo ou para alguém que necessite dessa bênção. Seja instrumento de cura para quem precisa ter de volta a esperança de viver. Nanci Queiroz, missionária leiga de Deus Uno e Trino

Você sabe quais as principais conclusões sobre o Sínodo para Amazônia?

O Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, realizado em outubro, no Vaticano, teve como tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O encontro ganhou muita repercussão não apenas nos países que compõem a região. Conforme o desejo do Papa Francisco, houve liberdade para o diálogo, e as decisões poderão ter reflexos em outros lugares. A Igreja reza “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra”. Caminhos novos para a Igreja seguir, abrindo portas, construindo pontes e anunciando a novidade do Cristo Vivo “ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8) para todos, especialmente para os que vivem nas periferias, os migrantes, os invisíveis, os sofridos e esquecidos. No dia 21 de novembro, no Colégio Santa Teresa de Jesus, na Tijuca, Rio de Janeiro-RJ, o cardeal Dom Cláudio Hummes, relator-geral do Sínodo, apresentou algumas conclusões. Vejamos: Sobre os indígenas Foi extraordinária a grande presença de povos indígenas a caráter na Basílica de São Pedro. Ninguém jamais tinha visto aquilo dentro da Basílica; certamente indígenas, sim, mas não a caráter. Muitos na Cúria colocaram interrogações: o que estava acontecendo? Viram algo que a Igreja na Europa não conhecia sobre a periferia do mundo (América do Sul, Brasil, Amazonas…), que não tinha importância e agora passou a ter. Agora somos iguais a vocês! Isso não foi fácil assimilar. Foi um choque muito grande, segundo o Dom Cláudio. A Cúria tinha uma ideia vaga. O Papa Francisco disse: vocês estão dizendo que estou sozinho? Olha só quanta gente comigo que vocês não conhecem! Tinham uma ideia vaga de que isso existia. Mandavam missionários e, cada vez menos, porque há cada vez menos padres. O pedido aprovado é que a Igreja seja uma aliada e defenda os povos indígenas. A Igreja tem de reconhecer que os povos nativos devem ser sujeitos, protagonistas de sua história, devem decidir seu futuro. Não são objeto de nossos projetos, por mais importantes que sejam e por mais dinheiro que se tenha para as ações. Isso é colonização, seja politicamente, seja religiosamente. É a pior coisa que se pode fazer. O neocolonialismo é uma tragédia, e isso ficou muito claro no Sínodo. Os indígenas querem acolher, estar juntos com a Igreja. “Vamos caminhar juntos. Que o Evangelho seja pregado, oferecido, mas não imposto. Que possamos, pelo diálogo, identificar de que forma podemos inculturar essa fé. Todos os missionários são bem-vindos, mas dentro de nossa mentalidade, de nossa história. Que cada um possa ir decidindo ser cristãos ou não, mas dentro de uma Igreja indígena.” Depois se falou muito sobre novos modelos de desenvolvimento. Os indígenas têm o direito de progredir, desenvolver-se. Não podemos obrigá-los a ficar ali, na fase que estão, como um museu, mas são eles que devem ter o direito de dizer o que é importante para seu desenvolvimento, o que constrói e destrói, incomoda e coloniza. Sobre ordenação de padres casados Exercer o vicariato apostólico, como se diz em países de língua espanhola. Saem e vão para as comunidades. Mas, de fato, deveriam viver e conviver ali, e isso não se dá por decreto, porque não se pode obrigar ninguém a fazer isso, não se consegue fazer. Você pode fazer grandes retiros, tentar converter, mas isso de fato não acontece. Há pouquíssimos padres que vivem com as comunidades indígenas, ribeirinhas, aquelas mais retiradas, mais isoladas. Nesse contexto, surge a demanda da ordenação de homens casados, gente da comunidade que vive ali e se compromete a permanecer ali. Somente poderiam exercer seu sacerdócio ficando na comunidade e não indo para outras dioceses depois de ordenados. Que a Igreja invista mais em diáconos permanentes indígenas e outros, e que tenham experiência fecunda como diáconos. Entre eles poderiam ser escolhidos os que tivessem condições de serem ordenados padres. Foi aprovado e está com o Papa para decidir se é possível ou não, mas foi pedido. Sobre a presença da mulher Houve uma participação grande das mulheres. Não foi o Sínodo para as mulheres, mas elas tiveram realmente uma presença muito grande, bonita e valente. Falaram o que queriam falar, e o Papa as ouvia. “Nós temos de escutar vocês, porque precisamos dar passos para frente”, disse Francisco. Isso foi muito bem acolhido. Muito preparadas, elas abriram o jogo porque sabiam que o Papa as apoiava, e elas se sentiam ainda mais à vontade para expor os pensamentos. Foi muito bonito! Todos agradecemos essa participação, porque ajudou dentro desse contexto e vai iluminar a Igreja mundo afora. Há necessidade de fazer com que cada vez mais passos sejam dados em relação às mulheres na Igreja. Segundo Dom Cláudio Hummes, o diaconato feminino não avançou, mas os estudos devem continuar, porque não há clareza ainda. O que foi aprovado é que houvesse ministérios instituídos, porque existem os ordenados e os instituídos, mas os instituídos também são estáveis, portanto dá uma estabilidade também litúrgica e eclesial dentro da comunidade. Cristina Maia, doutoranda em Educação, professora de Ensino Religioso, com estudos aprofundados em Teologia e Bibliodrama, membro da equipe nacional de espiritualidade SVD e SSpS.

Férias, e agora?

Estamos próximos do fim do ano e, com ele, aproxima-se um período muito importante para os pequenos. Na realidade, importante para pais e filhos, para a renovação familiar. Muitos de nós passamos muito tempo longe dos filhos, em razão do trabalho. Os filhos estudam em período integral, quer seja na creche ou no colégio, e, dessa forma, muitas vezes, perdemos descobertas que eles fazem, por não estarmos presentes. Falo isso também por conta dos pais que moram longe dos filhos, quer seja por motivo de trabalho ou por novas configurações familiares. No dia a dia, por mais que nos esforcemos, às vezes, sentimos que poderíamos ter feito mais e melhor, mas o cansaço (dos pais e dos filhos) acaba nos vencendo, e deixamos de estar ao lado daqueles que mais amamos. Quem de nós nunca chegou ao fim de um dia ou de um fim de semana e pensou: poderia ter feito mais por/com ele (ou eles). Quando conseguimos chegar ao fim do dia ou de semana sem essa sensação, nós nos sentimos muito bem, ao ver que tivemos êxito em não cumprir com um dever, mas em estar presente na vida dos pequenos. Nesse sentido, as férias vêm para nos ajudar a melhorar nosso tempo com nossos filhos. Mesmo que não possamos estar todo o período a seu lado, o tempo que conseguirmos dedicar a eles deve ser único e exclusivo. Digo isso por minha própria experiência. Sou pai de três belezuras e me incluo em uma nova configuração familiar. Conciliar atividades entre eles (11 meses, 5 anos e 11 anos) requer criatividade, paciência e administração de pequenas “crises” de ciúmes que, pela idade, é natural. O mais importante é mostrar para os pequenos que as férias são um momento de aprendizagem e conhecimento. Não como na escola, onde muitas vezes ficamos sentados recebendo informação (dependendo do modelo escolar que experimentamos), mas um conhecimento ativo. Conhecendo a si mesmo, seus limites, conhecendo os irmãos, os pais, e os pais conhecendo os filhos. Estabelecendo novas relações ou renovando-as. As experiências vividas nas férias em família vão ficar registradas para sempre em nossas memórias e vão nos acompanhar e nos ajudar ao longo de toda a nossa trajetória. Por isso a importância de serem muito bem vividas. Quando falamos em férias bem vividas, para muitos, vem a questão financeira, e aí é que pode ser o fim de uma grande experiência. Mas cuidado! Se você pensa que ótimas férias são sinônimo de “gastação”, você pode estar indo pelo caminho errado. Claro que viajar para fora, conhecer novas culturas e outras coisas mais é muito importante e bem divertido, mas de que adianta fazer isso se a troca de afeto e cumplicidade não acontecer? Quando criança, nunca viajei com meus pais, mas me lembro de cada passeio pela cidade, brincadeiras inventadas pelo papai. Muitas vezes, a mamãe “brigava”, dizendo que ele era mais criança do que nós… Uma ida à pracinha, à praia, ao museu e outras tantas coisas que podemos fazer, se bem pensada e com a dose certa de amor, vale mais que tudo. Lembro-me de, muitas vezes, ficarmos sem energia em casa e passarmos bons momentos nos divertindo com as “sandices” inventadas pelo papai. Sombras com a luz da vela, “uma música com a palavra” e “fingir” que a luz chegou, para ver a reação dos outros moradores… Rendiam bons momentos de gargalhada. Na hora de dormir, o melhor era ouvir as histórias dos tempos de criança do papai e da mamãe, e contar para eles o que tinha sido a melhor coisa do dia… Dentro de minha realidade e possibilidade, tento fazer com meus pequenos um pouco do que tive de meus pais, mas o melhor, aprendi com meus filhos e busco pôr em prática, mesmo ainda que de maneira sutil. Vou tentando aproveitar esse período das férias com mais interação e diversão do que cumprir um cronograma rígido. Dar mais qualidade ao tempo dividido com eles do que quantidade de coisas a serem feitas! Lembremos que, ao sair de férias, devemos procurar fazer coisas que normalmente não fazemos, esquecer o relógio (claro que do pequenino isso ainda não é possível), deixar as coisas acontecerem a seu tempo. Nada é tempo perdido se estamos juntos e em família! Alexandre Pinho Britto, bacharel em Teologia e licenciado em Filosofia, coordenador da Pastoral do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ.

2020: tempo de multiplicar talentos

Um homem muito rico se viu, de repente, preocupado com o aumento do desmatamento e do aquecimento global, o que o levou a refletir: “Como posso contribuir para que a natureza seja preservada e as gerações vindouras possam viver em um mundo melhor?”. E movido por esse questionamento, decidiu comprar terras e reflorestar. Sua missão não era fácil e exigia dedicação, cuidado e paciência, porém, sabendo das grandes dificuldades enfrentadas em todo o planeta, resolveu partir em busca de mais terras, na intenção de reflorestar um maior número de espaços possível. Assim, o homem resolveu convidar algumas pessoas de sua comunidade para ajudar na missão de plantar e cuidar das sementes que ele havia preparado. Esse convite foi feito de forma bem criteriosa, considerando as habilidades de cada um deles. Para o primeiro vizinho ele entregou sementes de flores coloridas, que dariam cor, perfume e alegria para o mundo. Para o segundo ele entregou sementes de árvores frutíferas, que seriam fonte de alimento para os que por ali passassem. Para o terceiro ele entregou sementes de árvores frondosas, que serviriam de abrigo em dias de sol e muito calor. Assim que entregou as sementes, o homem pediu a cada um que cuidasse muito bem delas e que se esforçasse para que elas não morressem. O primeiro vizinho tratou logo de convidar a família para ajudar na tarefa de plantar, adubar e cuidar das sementes. O segundo vizinho chamou a família e alguns amigos para, juntos, plantarem as sementes e cuidarem delas. Como eram muitos, foi possível dividir tarefas e cuidar das sementes com mais dedicação. O terceiro vizinho pensou: “E se as sementes morrerem? E se não chover? E se o sol estiver muito quente e acabar por queimar as sementes?”. E foi pensando assim que ele decidiu guardar as sementes para plantá-las depois. O tempo passou, e o dono das terras voltou. Ao chegar, cheio de expectativas, pois confiava em seus vizinhos, ele foi ver como estavam as terras. As sementes de flores coloridas haviam germinado, perfumando e colorindo todo o terreno. As árvores frutíferas, apesar de ainda não darem frutos, já mostravam os brotos nascendo. Porém ele sentiu falta das árvores que dariam sombra. Por isso procurou pelo terceiro vizinho e perguntou: “Onde estão as árvores que darão sombra às pessoas?”. O vizinho respondeu: “Senhor, eu tive medo. Medo de que não chovesse, medo de que o sol queimasse as sementes, enfim, medo de as sementes não brotarem. Por isso escolhi guardá-las para um momento oportuno”. O Senhor, perplexo, disse: “O nosso terreno está florido, perfumado e, em pouco tempo, dará frutos. Porém, por você ter se deixado vencer pelo medo e pela insegurança, faltará para muitos a sombra. Devolva-me as sementes, que as entregarei aos outros vizinhos, para que possam plantá-las o quanto antes. Quanto a você, busque encarar e vencer seus medos. Eles existem em todos nós, porém servem como um alerta. Não podem nos paralisar. Seus colegas corriam os mesmos riscos e, mesmo assim, acreditaram, plantaram, cuidaram, e hoje temos flores e frutos. Na vida, somos como os vizinhos do senhor que queria reflorestar o planeta. Somos convidados a contribuir com nossos dons, transformando-os em talentos, para fazer do planeta um lugar colorido, perfumado e bom de se viver. Por isso, neste início do ano de 2020, convido você a refletir acerca de seus talentos, de maneira a se comprometer em desenvolvê-los e colocá-los a serviço de sua própria realização e do bem comum. As perguntas a seguir são, na verdade, o primeiro passo para que você possa refletir acerca de seu propósito para o ano que se inicia. Por isso responda com sinceridade e, com base no que você disser, estabeleça metas e estratégias para sua vida: ● Com qual dos personagens dessa história você se identifica? ● Quais talentos você reconhece em si mesmo? ● De que maneira você pode aprimorar seus talentos para se sentir mais realizado e feliz? ● Nossos talentos são dádivas divinas. Nós os recebemos por graça e é gratificante quando podemos compartilhá-los com as pessoas. De que maneira seus talentos podem contribuir para a felicidade e o bem comum? ● Ao fim do ano de 2020, você se sentirá feliz e realizado se seu talento… Para refletir: “O talento ou acaso não escolhem, para manifestar-se, nem dias nem lugares.” José Saramago. Simone Fortunato Nunes Professora, assistente social, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.

“Disponibilidade e alegria de servir”: conheça a Comunidade Sagrado Coração de Jesus

A Comunidade Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, reúne missionárias servas do Espírito Santo que desenvolvem ações bem diversificadas, conforme explica a irmã Heloíse Mattos. Justamente pela variedade, há um cuidado das irmãs de sempre trocarem experiências e estarem em comunhão. No vídeo, as religiosas partilham um pouco de seu trabalho missionário com os enfermos, com os evangelizadores leigos, com as crianças. Todas têm consciência de que, dentro ou fora da comunidade, cada uma ajuda a contribuir para o anúncio de Jesus, a Boa Notícia. “O povo ainda confia em nosso trabalho, em nossa oração”, conta a Ir. Ana Maria de Souza. A produção traz ainda o testemunho da irmã Arnhild Lahrkamp, falecida em 27 de junho de 2019, e que dedicou 64 anos de sua vida missionária ao cuidado com os enfermos na Santa Casa de Misericórdia, na capital mineira. “A disponibilidade e a alegria de servir, penso que são as características desta comunidade”, resume Ir. Heloíse. Assista ao vídeo e veja mais.

Começar de novo… todo dia!

Estar vivo já seria motivo suficiente para que cada um de nós interrompesse esta leitura que agora se inicia e se transportasse para uma atitude de gratidão e encanto pelo dom da vida. Você pode experimentar esse encantamento aí, agora, passando a ler, de forma vagarosa e pausada, estas palavras, ficando alguns segundos em silêncio, observando-se e observando o mundo à sua volta. … Mas, se depois desse respiro, você ainda quiser continuar esta leitura, convido você para um striptease, um abrasileirado “estripitize”. Para deixar o ano de 2020 nascer, fecundar, brotar e nutrir nossos sonhos, será preciso nos despir. Na humildade de quem sabe que ninguém é perfeito e tampouco sabe todas as coisas, o convite é para que consigamos fazer um giro de desprendimento de amarras, medos, prepotências, arrogâncias e “viseiras” que insistem em nos habitar. Pontos de vista não nascem com as pessoas… Criam-se, formam-se, educam-se, socializam-se, propagam-se e ativam-se. Para fazer esse exercício de nudez, não será necessário tirar a roupa, como num clássico “estripitize”, basta um pequeno exercício cotidiano. Vamos enxergar o mundo, livre de “pré-conceitos” e plenos de abertura para com o outro e para com o desconhecido. É assim que a gente se renova, é assim que a gente deve receber esse novo ano, é assim que a gente deve nascer cada dia deste ano que se inicia. É ano novo todo dia. Todo dia, temos uma nova chance de nos desnudar, de seguir, de repensar, de ajustar a rota, de buscar novas alternativas, de perdoar, de acolher, de viver nossa deliciosa imperfeição e incompletude. Estarmos no mundo que é atravessado de conexões complexas, muitas vezes imperceptíveis, que exige de cada um de nós uma abertura para aquilo que não vivemos diretamente, que nem conhecemos, que nos é estranho e longínquo. Temos em nós uma pertença universal, uma pertença espiritual, humana, planetária que deve nos implicar no comprometimento essencial, criando campos de intercessão e empatia, despindo-nos do que não importa: a cor da pele importa quando ela representa a nossa diversidade; a crença religiosa importa, pois nos diz da multiplicidade de caminhos de fé e espiritualidade o país de origem importa, porque nos dá a dimensão étnica; a orientação sexual importa quando reafirma que qualquer maneira de amor vale a pena; a desigualdade social importa quando nos alerta para o combate à injustiça social; a inclusão social importa quando nos comprometemos a ajudar a escancarar as portas e promover oportunidades; a diversidade cultural importa, porque nos coloca diante da magnitude da humanidade; a ética importa, porque nos transporta para um mundo de possibilidades; … Que 2020 nos encontre leves e desnudos para novas conquistas e aprendizados. Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Metas para que 2020 seja mais feliz

Quantos desafios enfrentamos em 2019! Não foi um ano fácil de se viver, mas como tudo passa, o ano está chegando ao fim e, com ele, a promessa de um tempo melhor no novo ano que está chegando. Mas será que 2020 vai ser um ano melhor? É claro que nem tudo está em nossas mãos, e, muitas vezes, os governantes tomam decisões sem levar em conta os reais interesses da população. Mas, apesar de todos os cenários que se delineiam à nossa frente, 2020 será o que cada pessoa fizer dele. Então depende de nós! Avaliar e aprender Para viver bem o ano que começa, que tal começar com uma avaliação? Não vou avaliar os outros, mas sim a minha vida, o que foi bom e o que deixou a desejar. Quais foram as metas que consegui alcançar? O que me trouxe alegria e realização? Como foi minha convivência com a família, amigos e pessoas próximas? Em que me tornei uma pessoa melhor? Houve alguma falha ou fracasso? Que aprendizado isso me trouxe? Consegui crescer e melhorar com base em meus erros? Certamente você terá muitas outras perguntas… Pode acrescentá-las. Se puder, responda-lhes por escrito. Escrever ajuda a ordenar os pensamentos e a transformá-los em realidade. Tome tempo para pensar e escreva quais foram os momentos mais importantes que você viveu neste ano que termina. O que você aprendeu com eles? O que você faria diferente? Agradecer por tudo Diante de tantas experiências boas ou não, vamos agradecer. Vamos dar graças a Deus por tudo! Pelas pessoas que passaram por nossa vida… Por todas as graças recebidas… Pelas dificuldades superadas e também aquelas com as quais ainda lutamos… Tudo tem seu propósito e faz parte de minha vida para me ensinar algo… Portanto agradeço a Deus e me abro para aquilo que Ele quer me mostrar. Descobrir o que quero E agora? O que virá pela frente? Que desejo construir em 2020? Quais são minhas metas? Tenho sonhos, planos, desejos? Anoto no papel e, se ainda não tenho planos, começo a esboçá-los. Para colocar-me a caminho, preciso saber aonde quero ir. Uma grande realização começa com o primeiro passo. Talvez você tenha grandes metas, como casar, terminar os estudos, arrumar um novo emprego, comprar sua casa… Comece a planejar. Para chegar lá, o que você precisa fazer? Buscar o essencial Mas há coisas muito simples que são essenciais para uma vida feliz. Por isso, ao iniciar o novo ano, é importante se perguntar: o que realmente me traz alegria e felicidade? Certamente não são as coisas que eu tenho ou gostaria de ter… A saúde, por exemplo, é fonte de alegria e bem-estar. O amor, a amizade e o bom relacionamento com as pessoas dão sabor à vida. A fé em Deus traz esperança, coragem e sentido a nosso dia a dia… Aqui poderia acrescentar muitos outros elementos, como o contato com a natureza, o amor e o cuidado com o próximo, a busca do bem comum… Tomar decisões Tudo isso depende de atitudes e de escolhas. Se quero ter boa saúde, não são remédios que preciso tomar, mas decisões sobre meu estilo de vida, tipo de alimentação, qualidade de sono, equilíbrio emocional, etc. Então que devo mudar em 2020 para que minha saúde seja melhor? O que vou comer ou deixar de comer? Que exercícios vou fazer? O mesmo se aplica a outras áreas. Para me relacionar bem com as outras pessoas, preciso rever minhas atitudes. Estou bem comigo mesma? Tenho verdadeiro interesse pelo bem das outras pessoas? Estou disposta a contribuir para que a vida delas seja melhor? Tenho tempo para me dedicar a elas? Sei respeitar e aceitar o jeito de ser de cada um? Sou tolerante e sei conviver com as diferenças? Cultivar a espiritualidade Há muitos outros aspectos que ajudam a me tornar uma pessoa melhor, mas acredito que cultivar a espiritualidade é a chave para todos eles. O que entendo por espiritualidade? Para mim é um modo de viver que me ajuda a estar em contato com a dimensão mais profunda de meu ser e me abre para uma relação de amizade com Deus e de comunhão com a criação e com as outras pessoas. O cultivo da espiritualidade, a meu ver, está relacionado à vivência coerente dos valores humanos e cristãos. Que valores são esses? O amor e o respeito por todos os seres, a fé em Deus, a honestidade, a ética, a responsabilidade, o cuidado com a vida, o compromisso com o bem comum, apenas para citar alguns deles. Nos Evangelhos, encontramos os valores que nos ajudam a crescer numa vida espiritual. A oração e a meditação nos colocam em contato com Deus, fonte de toda vida espiritual. Quanto mais nos encontramos com Deus, mais Ele nos impulsiona a amar e servir o próximo, cuidar da natureza e buscar o bem de todos. A prova que de fato estamos num caminho verdadeiramente espiritual é nosso compromisso com um mundo melhor para todos, especialmente os mais pequenos e pobres. Sem isso, nossa oração pode ser alienação. Assim, que 2020 seja, de fato, um ano muito feliz para você e para todos nós. Desejo-lhe saúde, paz, amor, alegria, fé em Deus e compromisso com a vida! Então, boas escolhas e decisões acertadas, pois o ano fará germinar apenas as sementes que nós plantarmos. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

À Luz do Evangelho Dominical

Continuamos a celebrar as alegrias do Natal. Na oitava desta importantíssima solenidade, festejamos a Sagrada Família, que acolheu Jesus e é referência de muitas outras famílias, em todos os tempos. Segundo o Evangelho de Mateus (2,13-15.19-23), José assume a missão de defender o pequeno Jesus da ação do Império, que queria eliminar o Salvador. Um anjo é que ajuda José a defender a própria família. Segundo o padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, o personagem aparece outras duas vezes em Mateus: no anúncio do nascimento de Jesus e na ressurreição do Senhor. Para salvar o Menino, José é obrigado a levar Jesus e Maria para o Egito. A Terra Prometida torna-se agora o lugar da escravidão. O Egito, outrora país das correntes, passa a ser o lugar do refúgio. O evento tem uma impressionante relação com a passagem da libertação do antigo povo, liderado por Moisés. Como acolhemos quem busca refúgio? Essa é uma das questões que hoje nos são propostas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e saiba mais.

Nasce para nós o “Filho do Amor”!

O “Filho do Amor”, esse foi o modo que Santo Arnaldo Janssen encontrou para falar do Menino Jesus que, “vestido com as roupagens de nossa carne”, tornou-se “nosso irmão”. Assim a humanidade conheceu de perto o amor, tocou o amor e deixou-se tocar por ele. Vestir-se com a roupagem de nossa carne significa ser humano, na mais profunda experiência do ser! Na pessoa dos mais necessitados, dos que lutam diariamente por seus direitos, daqueles cujas vozes se calaram… Mas também na carne da gente que zela pela justiça e pelo amor, que vai aonde se perdeu a esperança, aonde se necessita de sua palavra, de seu alimento, de sua força para viver. Jesus criança, o Filho do Amor, que transforma nosso coração no Natal, é o mesmo Jesus que, durante sua vida, mostrou, nos milagres que realizou, o valor de nossa fé. É o mesmo Jesus que se sentiu tocar por tantos que precisavam de cura para suas dores. Hoje somos nós, não somos? Somos os cegos quando não enxergamos quem está ao nosso lado. Somos os paralíticos quando não saímos de nós mesmos em favor do outro. Somos a samaritana em busca da água viva. Somos os discípulos de Emaús, ao percebermos que Jesus é quem está diante de nós. Acreditar que Jesus é o Cristo, permitir que Ele nasça ou renasça em nossas vidas é ser testemunho vivo do grande mistério de amor na casa que habitamos. Agora, pare um pouquinho sua leitura e olhe para o presépio… Deixe que essa imagem venha a seu pensamento neste tempo de Natal. Permita que esse Amor toque seu coração. Vamos, juntos, caminhar no seguimento de Jesus, em tudo o que Ele aqui deixou. Vamos, juntos, transformar nossa Casa Comum! E, com Santo Arnaldo Janssen, exaltemos Jesus em seu poema de Natal: Com os anjos gostaria de cantar Na profundidade da noite, em todo lugar E levar a mensagem da criança Que no estábulo espera por nós. Quero acordar os que dormem, Que nunca viram a luz do sol, Convidar os de coração oprimido, Que nunca conheceram a alegria do Natal. A todos, a todos quero dizer Onde encontrarão seu Salvador. Nanci Queiroz, missionária leiga de Deus Uno e Trino, Rio de Janeiro-RJ. ________ Rehbein, Franziska C., SSpS. Fascinado pelo mistério, Arnaldo Janssen: homem de oração. Steyler Verlag, 2004.

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