Festas juninas “cada um na sua casa”

Neste período de pandemia, estamos fazendo a experiência de, a cada dia, nos reinventar e, com criatividade, buscar novos caminhos para tudo o que é importante em nossas vidas. Assim, vivenciamos diferentes experiências de festas juninas virtuais e presenciais, sempre respeitando o cuidado com cada pessoa. Aqui compartilhamos algumas dessas experiências. Arraial virtual com os alunos e famílias O mês de junho tradicionalmente traz aquele clima de festa no ar. E não dá para negar que a festa junina é uma celebração muito esperada. Todos amam participar dessa festividade e, é claro, vestido a caráter, também comer guloseimas e dançar a quadrilha. Mas como foi essa experiência no último mês? Claro que não poderia ter sido diferente! No período de 15 a 26 de junho, a comunidade educativa do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ, realizou seu 1º Arraial Virtual. Participaram os alunos da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental e suas respectivas famílias. A ideia foi promover um momento de leveza e descontração em suas casas, e aproximar a família da escola. Proporcionar a alegria em plena quarentena!O clima foi de pura descontração! As casas dos alunos foram decoradas com enfeites juninos, e as comidas típicas não faltaram. Crianças e adultos participaram das atividades propostas pelos professores, tais como a gincana, a corrida da colher e a dança da laranja. Tudo elaborado com muita música e diversão! Finalizamos a festa com o esperado e tradicional quadrilhão, além de uma mensagem em formato de vídeo, resgatando as muitas festas juninas realizadas no Colégio Imaculado Coração de Maria. Concluímos com a certeza de que, no próximo ano, estaremos mais uma vez reunidos para celebrar as festividades dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Magda Nascimento, coordenadora pedagógica do ensino fundamental I. Dança da quadrilha com distanciamento social No Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, tradicionalmente é feita uma festa junina com a participação das irmãs e de todos os colaboradores e colaboradoras, com suas respectivas famílias. É uma data muito esperada e preparada com muito empenho e alegria. Este ano, precisou ser diferente, mas nem o vírus impediu a festa. As irmãs fizeram uma recreação comunitária, com gincana, sorteios, brincadeiras, comidas típicas, música em diversas línguas e danças. Não poderia faltar a quadrilha, mas como dançar quadrilha e manter o distanciamento social? Para tudo há solução. Veja no vídeo a nova modalidade de dança de quadrilha! Os colaboradores que trabalham no Convento também tiveram seu dia de festa e se divertiram muito com as brincadeiras, bingo e sorteios. Também dançaram a quadrilha, mantendo a distância. O importante é que todos se divertiram e aproveitaram a descontração para aliviar a tensão do momento atual. Vídeo juntou quem estava longe e fez a festa A equipe das educadoras do Centro Educacional Madre Theresia Messner, também na capital paulista, não pôde reunir as crianças para a festa que fazem todos os anos, mas nem por isso deixaram de celebrar. Cada uma em sua casa e também as irmãs que trabalham na creche gravaram uma cena e, tudo junto, mostrou a alegria de celebrar os santos juninos. Assista ao vídeo e sinta o clima.
ECA: compromisso juvenil – 30 anos em defesa do futuro do Brasil!

Ágatha, Jenifer, Kauã, Miguel, Letícia, Luane e todas as crianças e adolescentes assassinados no Brasil, presentes! Suas vidas clamam por justiça social. Ainda temos crianças inocentes sendo assassinadas, crianças e adolescentes sendo explorados, crianças sem creche, adolescentes fora da escola, muitos abandonados e sendo discriminados… Até quando nossa sociedade permitirá tamanha insanidade? Neste ano de 2020, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 30 anos, sob a Lei 8.069, promulgada em 13 de julho de 1990. Seu objetivo é garantir a proteção integral da criança e do adolescente, aplicando medidas e expedindo encaminhamentos para o Poder Judiciário, sempre que for necessário. É o marco regulatório dos direitos humanos de nossos cidadãos mirins. Em seus 277 artigos, o ECA estabelece medidas de proteção contra o trabalho infantil e várias tipificações de crimes, bem como autorização para viajar, adotar, prever, desde o nascimento até a fase adulta, como sujeitos de direitos. Esse direito é estendido a todos, sem distinção de classe social, de diferentes etnias, de origem, de sexo ou de crença, como garantia de alimentação, educação, segurança a um grupo de atores ainda em formação moral e social. Diante disso, é atribuída ao Estado, à família e à sociedade o compromisso infantojuvenil como prioridade absoluta, de forma democrática. A criação de instituições, como os conselhos municipais de direitos e os conselhos tutelares, com representantes da sociedade civil, tornou-se importante para a execução de proteção e prevenção de meninos e meninas indefesas. Porém, infelizmente, ainda temos muito a alcançar quanto aos direitos de crianças e adolescentes. Além da falta de vagas em creches e escolas, é necessária a inclusão social. Durante a pandemia, constatou-se, em relação a crianças e adolescentes que estão matriculados nas escolas, quantos não possuem computador nem acesso à internet, mesmo com os professores dedicando-se ao trabalho remoto, direto de suas casas. Se antes do isolamento social havia falta de professores auxiliares para a educação especial (que atendem autistas e demais estudantes com necessidades especiais), esse agravante passou a ser um tormento para os responsáveis, pois a atenção precisa de tempo integral. Como fazer se muitos precisam trabalhar ou não têm o conhecimento para lidar com a situação? Outros desafios que ainda a sociedade civil e o Estado não cumpriram como seu dever: como socializar e reeducar os adolescentes em abrigo socioeducativos sem os discriminar? Promover tratamentos adequados para sua recuperação, seja ela psíquica ou química? Muitos são explorados por adultos mal-intencionados, sabendo da carência afetiva e material desses pequenos atores sociais vulneráveis nos interiores do Brasil ou que vivem pelas ruas sem um aconchego familiar. O que dizer, então, de crianças e adolescentes assassinados por balas perdidas ou por pais desequilibrados psicologicamente, ou pela indiferença social? Há muito ainda o que se fazer neste aniversário de 30 anos de ECA. Que possamos não somente divulgar os direitos das crianças e dos adolescentes, mas também cobrar os deveres e as responsabilidades tanto das famílias quanto dos representantes eleitos nos conselhos municipais e conselhos tutelares perante o Poder Público. Preservar o futuro da nação é buscar educar as crianças e os adolescentes com consciência de seus direitos e deveres de cidadão, para promover uma sociedade democrática justa e igualitária. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, professora de Filosofia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC; membro da Comissão de Prevenção à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis.
Empatia, compaixão e cuidado na Rede de Educação SSpS

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo está promovendo uma série de atividades on-line como parte do projeto “Tecendo Relações”. O próximo webinar ao vivo é nesta quinta-feira, 9 de julho, às 19h, com o tema “Caminhos para viver bem: empatia, compaixão e cuidado!”. A convidada é a Monja Coen, reconhecida como autoridade na abordagem de práticas vivenciais baseadas na sabedoria, na compaixão e na empatia. A webinar será transmitida no endereço https://www.youtube.com/channel/UCJkRvCAyci2WxskppPEidEQ. O tema faz parte da proposta do projeto “Tecendo Relações” que, de acordo com a diretora-presidente da Rede de Educação, Ir. Maria de Fátima Marques, “Nasceu das reflexões realizadas em rede e da preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte de nossa missão educativa, como o samaritano que viu, sentiu e se compadeceu”. Dessa forma, o projeto está alinhado com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e busca cuidar do emocional da comunidade educativa, incluindo alunos, educadores, familiares e interessados em aprofundar assuntos que possam ser iluminadores, especialmente durante este período de pandemia. A primeira webinar foi com a psicóloga Aline Souki, que desenvolveu o tema “Gerindo as emoções durante o isolamento social”. O encontro está disponível no Youtube, pelo link https://www.youtube.com/watch?v=rce0Rflu7io. Diante da necessidade de cuidar do emocional e das relações humanas, a Monja Coen vai dialogar e apontar caminhos do bem-viver, tendo a empatia, a compaixão e o cuidado como práticas possíveis e que fazem parte dos valores que iluminam a ação pedagógica das escolas da Rede de Educação SSpS e que ganharam reforço por causa do tema transversal deste ano, que é “Escola viva: vê, sente e cuida”. Coen é uma monja zen budista brasileira de ascendência portuguesa e missionária oficial da tradição Soto Shu, com sede no Japão. Ela vem ajudando muitas pessoas a pensar e a dar à vida um novo significado, com base na espiritualidade, motor que move cada ser humano.“Refletir sobre esses temas se torna necessário e oportuno para que saiamos ainda melhores deste momento de distanciamento social”, afirma Patrícia Campos, assessora de comunicação da Rede de Educação. Ela acredita que, “diante de tantas tribulações, parar um pouco, serenar o coração e ouvir se torna essencial”. O webinar está aberto também ao público em geral. Será uma oportunidade de refletir a partir de uma perspectiva inter-religiosa que certamente ajuda a abrir horizontes para uma compreensão mais ampla da realidade atual e da universalidade do ser humano.
Estou me guardando para (quando) a pandemia passar…

Vivemos tempos desafiantes. Nunca antes vi nem vivi nada parecido. De tudo, somado o assustador, o patético, o impactante, o alentador, o dolorido, o que acalma, o que assombra, misturado ao que virá, restam muitas emoções. Um certo mal-estar que insiste em zumbir o dia todo, aliado a momentos de encantamento pela simplicidade das coisas cotidianas. Aos que não podem estar em casa por suas ocupações essenciais, meus agradecimentos. Aos que não podem ficar em casa porque a vida urge e as desigualdades se agigantam, nossa solidariedade e compromisso de não desistir de mudar as coisas como elas estão. Aos que podem ficar em casa, um alento e a certeza de que estamos fazendo a coisa certa, mesmo nesse ambiente de tantas incertezas. Certo é que nada será como antes, e vem aí um “novo normal” que nenhum de nós sabe ao certo o que será. Certo é, também, que há coisas que são perenes e permanentes. Mais especificamente, digo das coisas vividas e desejadas. É com esse arsenal particular e subjetivo que vamos nos superar e fazer planos pra (quando) a pandemia passar. Digo da memória viva dos nossos afetos, digo da memória crítica para reinventar o que foi vivido até aqui. Não é nem o caso de escolher muita coisa para mudar. É deixar agigantar-se o que há de bom em nós… Que nossa generosidade nos surpreenda com atos concretos e solidários. Que aqueles abraços não dados fiquem na ponta dos dedos, prestes a encontrar outros braços abertos. Que nossa fé e espiritualidade nos guie para o campo fértil da crença fortuita e gratuita. Que o volume do som quase estoure os tímpanos com sua música preferida. Que a natureza siga nos inspirando em cada flor que nasce, em cada rebento. Que o perdão encontre o caminho e construa pontes. Que sejamos presença mesmo na distância. Que a gente seja criativa para se fazer presente mesmo na distância. Que nossa indignação nunca se apague. Que se agigante o que há de bom em nós… Só assim a impaciência, a desesperança, o desencantamento, a angústia e aquele mal-estar vão ganhando proporções de um componente paradoxal e essencial, e que não nos imobiliza. Estou me guardando para (quando) a pandemia passar… Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
14º Domingo Comum

“Eu te louvo, ó Pai, … porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” Mt 11,25-30 Os três primeiros versículos desse texto não têm uma vinculação muito estreita com o contexto em que Mateus os coloca (Lucas situa o ditado num outro contexto), e por isso “estas coisas” não se refere ao que veio antes no capítulo (a condenação de Corozaim e Betsaida), mas aos “mistérios do Reino”, que são revelados aos pequenos e humildes (nesse contexto, os discípulos), e escondidos aos que se acham autossuficientes na sua sabedoria e estudo: os fariseus e doutores da Lei (Mt 13,11). Essa oração de louvor de Jesus brota de sua própria experiência na missão. Enquanto sua pessoa, ensinamento e projeto de vida são rejeitados pela elite política, econômica e religiosa da época, os pobres e massacrados pelo sistema o acolhem. A autossuficiência da elite impede que ela possa reconhecer a verdade de Jesus. Os pobres, com a sua espiritualidade do Servo de Javé, conseguem, em grande parte, acolhê-lo, mesmo sem compreender inteiramente a profundeza de sua identidade. O texto tem ecos da literatura sapiencial e apocalíptica. Dos Sapienciais, podemos ver reflexos de Provérbios (8), onde a Sabedoria é personificada; Eclesiástico (51,1-12,13-30); e Sabedoria (6-8). Mas também nos faz lembrar textos apocalípticos, como Daniel, em que os sábios são incapazes de decifrar o sentido do sonho de Nabucodonosor (Dn 2,3-13), enquanto o humilde Daniel, confiando na revelação divina, louva a Deus por lhe ter dado a sabedoria (Dn 2,23) e revela que se trata do Reino fundado pelo próprio Deus (Dn 2,44). No tempo de Jesus, os sábios também não conseguem decifrar os mistérios do Reino de Deus, um dom que é dado aos humildes. Em Mateus, os pequenos são os discípulos (Mt 10,42) a quem são revelados o mistério do Reino dos Céus (Mt 13,11). Os versículos 26 a 28 são importantes, pois afirmam o relacionamento único entre Jesus e o seu “Abbá”, Pai. Aqui, a comunidade mateana expressa sua fé em Jesus como Filho Absoluto do Pai Absoluto. É uma das três passagens, em Mateus, nas quais Jesus expressa, de uma maneira indireta, ter uma relação única com Deus, seu Pai. As outras são Mt 21,37 e 24,36. A imagem do “jugo” era bastante conhecida já no Antigo Testamento (Jr 2,20; Jr 5,5; Os 10,11). No judaísmo do tempo de Jesus, era usada como imagem da Lei de Deus, escrita e oral (Eclo 6,24-30; 51,26s). O termo não tinha necessariamente uma conotação de peso ou opressão quando usado assim. O nosso texto usa a imagem corrente para contrastar a interpretação farisaica da Lei, que oprimia o povo com exigências casuísticas e conceitos que excluíam muitos, com a interpretação de Jesus, que não rejeita a Lei, mas lhe devolve o seu sentido original: uma garantia de manter vivo na comunidade o projeto libertador de Javé. O problema não estava na Lei, mas em sua interpretação. Para os doutores, as práticas externas eram tão exigentes que ofuscavam o rosto misericordioso de Deus, tornando a vivência religiosa um pesadelo para muitos. A interpretação de Jesus não é “light”; é exigente, pois exige uma vivência de fraternidade, uma luta pela solidariedade e libertação e a rejeição de todo egoísmo e individualismo. No fundo, é mais exigente do que a dos fariseus, pois não se esgota em práticas externas, mas em um processo infinito de doação de si. Mas Ele garante que esse projeto de vida, por tão exigente que seja, trará a alegria do Reino de Deus. Esses últimos versículos nos levam a rever nossa pregação, nossa interpretação da Lei de Deus, nossa prática pastoral. Pois, ao longo da história, muitas vezes, a pregação nas Igrejas e na catequese tem sido uma série de legalismos moralizantes, reduzindo o cristianismo a uma prática externa de normas. Não poucas vezes, colocando fardos pesados sobre os menos fortes, sem que fosse oferecida a eles qualquer ajuda para carregá-los. Frequentemente, o seguimento de Jesus se reduzia ao cumprimento de leis, ou à vivência de uma moral ou ética, sem a revelação do Deus misericordioso e compassivo, o Deus de vida. Jesus nos mostra que, embora a religião exija leis e moral, fundamentalmente é uma mística, uma experiência do amor de Deus que nos convida a assumir o seu jugo como resposta, um jugo que não mata, mas que liberta, que não esconde o rosto de Deus, mas que traz a alegria do Reino. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Pandemia escancara vulnerabilidade de povos indígenas

A pandemia do covid-19 está desvelando uma série de problemas muito além da saúde e da economia. No Brasil, o vírus veio para confirmar a frágil proteção de algumas populações, entre elas os indígenas. A situação é preocupante. Até o fim de junho, o número de mortes por 100 mil entre os povos indígenas foi 150% mais alto do que a média brasileira. Os dados foram divulgados pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Segundo entidades como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), foram registrados mais de 4 mil casos e quase 400 mortes, contados em ambientes indígena e urbano. A taxa de letalidade também é alarmante. Entre os indígenas, é de 6,8%, enquanto a média brasileira é de 5% e, na Região Norte, de 4,5%. Segundo Nara Baré, coordenadora-geral da COIAB, a quantidade de vítimas é bem maior. “Devido ao número alto de subnotificações da doença, e a própria omissão do Estado em não acompanhar os casos dos indígenas em contexto urbano, esses números, na verdade, estão muito abaixo do real”. O socorro a esses brasileiros e brasileiras precisa ser específico, mas não é isso que vem ocorrendo. Apesar do esforço de agentes de saúde, as ações não têm sido suficientes. “Estamos vendo que não têm prioridade em dar proteção contra o coronavírus nos territórios indígenas. Temos uma vida diferenciada, uma vida cultural diferenciada”, diz Mário Nicácio, do povo Wapichana e vice-coordenador da COIAB. Violação de direitos Nos últimos anos, as violações de direitos indígenas vêm crescendo, segundo o Cimi. No contexto de pandemia, a invasão de territórios é um agravante e pode dizimar comunidades inteiras. De acordo a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), os povos originários são mais vulneráveis a viroses, como a do covid-19. O órgão relata que as doenças respiratórias são a principal causa de mortalidade infantil entre esses brasileiros. A entrada de estranhos pode causar um genocídio. O líder indígena Dinamam Tuxá, vice-presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), em entrevista ao site Amazônia Real, afirma que o Estado não está preparado para lidar com a especificidade dos povos indígenas. “Não há plano de contingenciamento. O gabinete de crise do governo [federal] estava recusando a entrada dos povos indígena nessa discussão. Hoje está sendo cumprida essa medida de entrada no gabinete, através do Fórum de Presidentes do Condisi [Conselho Distrital de Saúde Indígena], por causa da recomendação do MPF”, denuncia Dinamam. Ele também conta que recorrer à Justiça tem sido a saída para que os povos consigam o mínimo de atenção. O líder também critica a postura das autoridades estaduais e municipais, de apresentarem um “bloqueio histórico à presença indígena” e de negarem apoio logístico às aldeias, deixando de fornecer insumos, equipamentos de proteção e mesmo ajuda no bloqueio sanitário das aldeias. Para Dinamam, o resultado será o extermínio. Ação no STF para impedir genocídio Na terça-feira, 30 de junho, foi protocolada uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que o governo tome medidas emergenciais para proteger da pandemia os povos indígenas, sobretudo os isolados. A petição é assinada pela APIB e um conjunto de partidos políticos. Um relatório do Instituto Socioambiental (ISA) anexado ao pedido expõe o aumento das invasões em terras indígenas durante a pandemia. Garimpeiros, grileiros e desmatadores representam um grande risco para as comunidades. A ação solicita que o governo instale barreiras sanitárias nas 31 áreas com povos indígenas isolados e de recente contato. Também pede o atendimento de todos os indígenas pela Sesai e a execução urgente de um plano de enfrentamento à covid-19 em terras indígenas. Esse plano deve ser idealizado pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos, com auxílio da Fundação Oswaldo Cruz, Associação Brasileira de Saúde Coletiva e representantes dos povos e conselhos distritais de saúde indígena. Além disso, o governo deve criar uma sala de situação que dê suporte às decisões durante a crise e conte com a participação de indígenas. Com informações de Agência Brasil, Amazônia Real, Cimi e Dom Total.
Criada Conferência Eclesial da Amazônia

Na segunda-feira, 29 de junho, a Igreja ganhou a Conferência Eclesial da Amazônia. O anúncio foi feito após dois dias de deliberações a distância, devido à pandemia do covid-19. O comunicado foi assinado por Dom Miguel Cabrejos Vidarte, presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano), e pelo cardeal Cláudio Hummes, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e eleito presidente da nova conferência. O novo órgão eclesial responde, como afirma a mensagem, à proposta dos padres sinodais, no Documento Final (DF) do Sínodo da Amazônia (realizado de 6 a 27 de outubro de 2019), pedindo um rosto amazônico da Igreja e a continuação da busca de novos caminhos para a missão evangelizadora (cf. DF 115). A necessidade foi reforçada pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia. A Conferência Eclesial Amazônica vai fomentar iniciativas de evangelização na área que abrange nove países da América Latina. A ideia é que o organismo aumente o intercâmbio e mobilidade de missão entre religiosos, leigos e padres dentro da mesma região, independentemente de cada país. “Nestes tempos difíceis e excepcionais para a humanidade, quando a pandemia do coronavírus afeta fortemente a região Pan-Amazônica, e as realidades de violência, exclusão e morte contra o bioma e os povos que o habitam clamam por uma conversão integral urgente e iminente, a Conferência Eclesial da Amazônia quer ser uma boa notícia e uma resposta oportuna aos gritos dos pobres e da irmã mãe Terra”, diz o texto. A nova Conferência Eclesial será formada por um bispo de cada país da Pan-Amazônia, com exceção do Brasil, que terá dois. Também farão parte representantes da Cáritas da América Latina e do Caribe, da Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR) e da Repam, além de três representantes dos povos originários. Por ser um órgão oficial da Igreja, também será composto por autoridades vaticanas, como o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, do prefeito da Congregação dos Bispos, do prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e o subsecretário do Dicastério para o Serviço Integral de Desenvolvimento Humano. Veja a íntegra do comunicado no link abaixo: Com informações da CNBB e Vatican News.
Coronavírus: uma oportunidade

Estamos sob os impactos que o coronavírus trouxe. O mal atingiu todo mundo e o mundo todo. Ninguém, com o mínimo de sanidade, desejou que esse vírus aparecesse. Contudo a realidade está aí, e todos estamos envolvidos nesta tragédia, por um lado, mas também em grandes oportunidades, por outro. Ninguém ignora o mal que o vírus causou e está causando, mas ele nos obrigou a revermos muitas coisas em nossa vida. Descobrimos o quanto somos criativos para nos livrar de alguns efeitos deletérios que ele causou. Vejam-se, por exemplo, quantos gestos de solidariedade ocorreram. Quantas formas novas de comunicação e entreajuda! O vírus obrigou os governos a repensarem muito de suas políticas e projetos. Em nível de educação, com os alunos em casa, fazendo suas lições e descobrindo suas próprias capacidades, antes ignoradas ou pouco usadas. Deu oportunidade para cada um encontrar maneiras novas para preencher seu tempo. Em nível de convivência familiar, quantas vivências novas os pais fizeram estando com os filhos! Quantas renúncias tivemos de fazer e, apesar disso, continuamos vivos! Muitas coisas supérfluas, das quais antes não se abria mão, agora se vive sem elas, numa boa, como se diz. Em nível de relacionamentos, quantos jeitos novos de se comunicar e uma nova percepção da importância dos outros em nossa vida! Todos aprendemos que somos dependentes uns dos outros. Sentimos falta das pessoas mais próximas, com as quais ficamos temporariamente sem encontrar pessoalmente, mas nem por isso deixaram de participar e ser importantes para nós. O vírus nos obrigou a olhar para os rumos que a vida estava seguindo! Todos estamos fazendo uma experiência inédita; ninguém havia passado por isso. Todos sofremos com as ausências de tantas coisas que antes faziam parte de nosso cotidiano. Sair à hora que se quisesse, sem preocupação de se ter uma máscara em mãos; de ir ao supermercado sem ninguém à porta orientando as entradas; de comprar nas lojas sem observar distanciamentos. De ir às igrejas e participar das celebrações. Quantas pessoas estão com saudades desses encontros da fé celebrada na comunidade cristã! Tudo isso nos diz que estamos num tempo diferente, não somos mais livres para fazer como antes. Agora somos obrigados a obedecer a condutas novas. O vírus virou o mundo de ponta-cabeça! Quer queiramos ou não, ele afetou o modo de viver de muitas maneiras. No aspecto econômico, tivemos de repensar como gastar o dinheiro. Aliás, quanta luta e desespero de muita gente para sobreviver, para conseguir os benefícios oferecidos pelo governo! Apesar do drama humano vivido por tantos, ficamos surpresos e indignados com a maldade de muitos que se aproveitam para enganar, roubar, fazer falcatruas para se beneficiar em cima do sofrimento alheio. Tivemos notícias de gente usando de artimanhas para se aproveitar do alheio, falsificando documentos, desviando recursos, superfaturando compras de respiradores, medicamentos, obras de emergência. O vírus está revelando as duas faces humanas. Uma da solidariedade e do compromisso com a vida e com a dor e sofrimento das pessoas; a outra, da maldade, que explora e aumenta o sofrimento sobretudo dos mais carentes. Eis uma oportunidade de as pessoas mostrarem se têm ou não caráter, se são do bem ou do mal, se são ou não humanas! Ninguém vai sair dessa experiência igual ao que era antes. Todos fomos afetados por ela. Depois que ela passar, vamos medir melhor as consequências as quais agora ainda não sabemos avaliar. A grande maioria espera que o mundo seja diferente. Para melhor ou pior? Ainda não sabemos, tomara que seja para melhor! Aliás, esse desejo está presente naqueles que já se convenceram de que vão ser diferentes, porque aprenderam, com a experiência, aquilo que é essencial à vida e aquilo que é relativo. Nesse sentido o vírus nos trouxe uma oportunidade de viver de um modo diferente, mais solidário e mais humano. Pensando bem, então, apesar do mal que o coronavírus provocou, trouxe também algum bem. Às vezes, é preciso que a morte nos ameace para aprendermos a cuidar melhor da vida! É preciso que alguém morra para se dar o valor que a vida tem. A “morte e ressurreição” continuam indicando o “caminho” e as opções que cada um pode escolher. Ninguém sai neutro desta pandemia. Se assim é, então aproveitemos a oportunidade de novos aprendizados, permitindo que a vida continue com um sentido mais profundo nos novos horizontes que estão se abrindo. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Solenidade de São Pedro e São Paulo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”

Neste domingo, a Igreja celebra a solenidade de dois grandes apóstolos, Pedro e Paulo: este, grande evangelizador dos pagãos ou gentios; aquele, de seu próprio povo. Como evangelho do dia, escolheu-se a história do caminho de Cesareia de Filipe (Mt 16,13-19). O relato mais antigo está no Evangelho de Marcos (8,27-38), o qual se tornou o pivô de todo o Evangelho. A estrutura de Mateus é diferente, mas o relato tem a mesma finalidade, ou seja, ajudar os ouvintes e leitores a clarificarem quem é Jesus e o que significa ser discípulo ou discípula dele. A pedagogia do relato é interessante. Primeiro, Jesus faz uma pergunta bastante inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Assim, vem muita resposta, pois responder a essa pergunta não compromete, pois é o “dizem que”. Mas a segunda pergunta traz a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Agora não vêm muitas respostas, pois quem responde em nome pessoal, e não dos outros, compromete-se. Somente Pedro se arrisca e proclama a verdade sobre Jesus: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Aparentemente Pedro acertou, e realmente, em Mateus, Jesus confirma a verdade do que proclamou. Afirmou que foi por meio de uma revelação do Pai que Pedro fez sua profissão de fé. Mas, para que entendamos bem o trecho, é necessário que continuemos a leitura, pelo menos, até o versículo 25. Pois o assunto é mais complicado do que possa parecer. Após afirmar, pois, que Pedro tinha falado a verdade, Jesus logo explica o que significa ser o Messias (ou, em grego, o Cristo). Não era ser glorioso, triunfante e poderoso, conforme os critérios deste mundo. Muito pelo contrário: era ser fiel à sua vocação como Servo de Javé, era ser preso, torturado e assassinado, era dar a vida em favor de muitos. Jesus confirmou que ele era o Messias, mas não da maneira que Pedro esperava e queria. Ele, conforme as expectativas do povo de seu tempo, queria um Messias forte e dominador, não um que pudesse ir, e levar seus seguidores também, até a Cruz! Por isso Pedro reluta com Jesus, pedindo que nada disso acontecesse. Como recompensa, ganha uma das frases mais duras da Bíblia: “Afaste-se de mim, Satanás, você é uma pedra de tropeço para mim, pois não pensa as coisas de Deus, mas dos homens!” (v. 23). Pedro, cuja proclamação de fé mereceu ser chamada a pedra fundamental da Igreja (v. 18), é agora chamado de Satanás (o Tentador por excelência) e “pedra de tropeço” para Jesus. Pedro usava o título certo, mas tinha a compreensão errada! Usando os nossos termos de hoje, de uma forma um tanto anacrônica, podemos dizer que ele tinha ortodoxia, mas não ortopraxis. Assim, Jesus usa o equívoco de Pedro para explicar o que significa ser seguidor dele: “Se alguém quer me seguir, renuncie a se mesmo, tome sua cruz, e siga-me” (v. 24). Ter fé em Jesus não é, em primeiro lugar, um exercício intelectual ou teológico, mas uma prática, o seguimento dele, na construção de seu projeto, até as últimas consequências. Hoje, enquanto celebramos os nossos dois grandes missionários, a pergunta de Jesus ressoa forte (a segunda pergunta). Para nós, quem é Jesus? Não para o Catecismo, não para o Papa ou o bispo, mas para cada de nós, pessoalmente. No fundo, a resposta se dá não com palavras, mas pela maneira em que vivemos e nos comprometemos com o projeto de Jesus; Ele que veio para que todos tivessem a vida e a vida plenamente (Jo 10,10). Cuidemos para que não caiamos na tentação do equívoco de Pedro, a de usar termos corretos, mas com a compreensão errada. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Covid-19: socorro aos mais vulneráveis é luz em meio à tragédia

A pandemia causada pelo covid-19 aterroriza o mundo inteiro. As vítimas são contadas em centenas de milhares. A economia de muitos países sofre fortes golpes, e as relações sociais estão sendo transformadas como nunca. Não foi poupada nem a própria religião, com suas teologias, dogmas, métodos. Vai demorar muito tempo para que todas as lições advindas do fenômeno sejam assimiladas por esta e as futuras gerações. A doença deixou às claras ou mesmo acentuou muitos problemas sociais, ambientais, científicos, econômicos, espirituais que já existiam e, por ignorância ou má-fé, eram omitidos. No início, pensava-se que o vírus seria “democrático”. Todos corriam o mesmo risco de serem contaminados e de se tornarem vítimas. Aos poucos, contudo, as estatísticas mostram que as populações mais pobres, os excluídos, as minorias são os mais vulneráveis. Sem acesso pleno a políticas públicas de saúde, moradia, emprego, educação, alargam o subnotificado índice de atingidos. Entre os mais frágeis está o povo em situação de rua. Muitos sequer foram informados da gravidade da pandemia, como se queixou um homem que dormia sob uma marquise, em Belo Horizonte-MG. Ele reclamou que agentes de segurança chegaram e deram ordem para que ele e os companheiros não se aglomerassem, porém não lhes disseram o motivo. “Não sei o que fazer”, protestou. Nem tudo, porém, são trevas neste cenário de caos. Várias iniciativas de apoio à população mais vulnerável se destacam. Algumas já o fazem há muito tempo, outras surgiram como resposta aos danos causados pelo covid-19. Conheça três desses projetos. Rede Rua Em São Paulo-SP, a Rede Rua participa da ação “S.O.S. povo da rua contra o covid-19”, que envolve outras organizações. Numa das atividades, realizada no início de junho, foram distribuídos às famílias da região do Brás 46 cestas básicas, kits de higiene, máscaras e sabonetes. Os atendidos foram os que se encontram em situação de rua ou em ocupações. A equipe da Rede Rua acompanhou cada caso e redirecionou os alimentos aos que têm espaço para cozinha. A prioridade foi dada a mulheres chefes de família, desempregados e pessoas que ainda não tiveram acesso ao benefício emergencial, precariamente concedido pelo governo federal. A iniciativa não se reduziu apenas à entrega de donativos. Os agentes também deram dicas de como se proteger do covid-19 e organizaram atividades de recreação. A rua também é memória Na segunda-feira, 22, a ação de apoio foi com as pessoas que vivem debaixo do Viaduto Governador Roberto Abreu Sodré. No local, há uma comunidade de coletores de materiais recicláveis. Apesar de contribuírem para o desenvolvimento econômico e sustentável da maior metrópole da América do Sul, não são reconhecidos como trabalhadores. Não têm direitos e lutam cotidianamente pela sobrevivência. Eles receberam dos agentes 11 cestas de alimentos e produtos de limpeza. O viaduto em si já diz muito sobre a realidade da população pobre e injustiçada. A via é batizada com o nome de um dos políticos eleitos indiretamente à época da ditatura civil-militar (1964-1985). “Pode parecer bobagem, mas nomes de ruas e monumentos carregam uma carga de preconceito e desumanidade, a rua também é monumento, a rua também é memória”, diz uma nota do movimento. “A dor mais profunda da pessoa de rua é ter o olhar furtivo, evitado, não ser visto. Penso que o primeiro passo é este: dar visibilidade, dizer que são importantes”, afirma a irmã Maria Inês, missionária serva do Espírito Santo e membro da diretoria da Rede Rua. Alta demanda faz Inova pedir socorro Também em São Paulo, o Instituto Novos Valores (Inova) é especializado em atender famílias em situação de vulnerabilidade social e em conflitos. A obra existe há dois anos e está localizada na Vila Nova das Belezas, na Região do Campo Limpo, extremo sul da capital paulista. Normalmente, o Inova acompanha 300 famílias cadastradas, as quais recebem cestas básicas, material de limpeza e higiene pessoal. O socorro, contudo, começa a ser insuficiente para atender a uma demanda cada vez maior. Rosita da Cruz, que é assistente social e presidente da entidade, afirma que mais de 500 famílias foram socorridas entre os dias 26 e 29 de maio, em parceria com a organização não governamental Banco de Alimentos. Rosita assinou um comunicado, pedindo doações de cestas básicas e de outros itens de que as famílias necessitam. Ela relata que, até o dia 23 de junho, não houve resposta, nem mesmo do Poder Público. A diretora afirma que toda contribuição é bem-vinda. “Não vamos permitir que nenhuma família fique sem o alimento de cada dia”, convoca. No fim desta reportagem, veja como doar. Canto da Rua Emergencial Em Belo Horizonte, foi organizado o Canto da Rua Emergencial, um conjunto de ações de garantia e defesa dos direitos da população em situação de rua e dos catadores de materiais recicláveis. A iniciativa, prevista para durar dois meses, foi inaugurada em 13 de junho. Atende pessoas da capital mineira e de outros municípios da região metropolitana. Segundo dados do CadÚnico, em fevereiro deste ano, a capital mineira tinha 9.060 pessoas vivendo nas ruas. Já se sabe que, como ocorre na maior parte do Brasil, esse número tem aumentado rapidamente. Além de não terem onde se abrigar, essas pessoas são vítimas de várias violações de direitos, entre elas o pouco acesso a políticas públicas. O Canto da Rua Emergencial é uma parceria da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte e do Instituto Unibanco. O projeto envolve também outras entidades dos setores público e privado, como Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Vicariato para a Ação Social, Política e Ambiental, Movimento Nacional da População de Rua, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Faculdade Arnaldo, Arcelor Mittal, Fiat Automóveis, Localiza, Transforma BH, Inaper e Colégio Santo Antônio. Cada uma, à sua maneira, busca fazer sua parte para dar suporte aos socorridos. Entre as ações está a articulação de um espaço, organizado na histórica e emblemática Serraria Souza Pinto, localizada no Centro da capital, onde os destinatários são acolhidos. No lugar, há serviços de escuta, alimentação, higiene pessoal e encaminhamentos diversos, como saúde