Rede um Grito pela Vida: “Enfrentar o tráfico de pessoas é nosso compromisso”

A “Rede um Grito pela Vida” é um espaço de articulação, ação profética e solidária da vida religiosa consagrada do Brasil. É uma rede intercongregacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas e suas consequências que, sem dúvida, são desastrosas e impedem a vida e a dignidade de milhares de pessoas no mundo todo, especialmente no Brasil. Nosso país já está entre os que mais praticam esse “crime vergonhoso” que deve ser combatido por todos, como nos alerta o Papa Francisco. O tráfico de seres humanos fatura, por ano, mais de 150 bilhões de dólares em todo o mundo. Depois do tráfico de drogas, é o mais rentável. Por isso o desafio é grande e nos pede uma destemida resposta profética e missionária. Tecendo e formando esta rede, somos aproximadamente 350 religiosas e religiosos de diversas regionais e congregações. Ultimamente vêm se somando conosco 90 leigas e leigos comprometidos com essa desafiante situação. Como parte constitutiva da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional), a Rede atua de forma descentralizada e articulada com as organizações e iniciativas afins, nas diversas localidades, Estados e Municípios. Integra a Talitha Kum – Rede Internacional da Vida Religiosa Consagrada. As religiosas e os religiosos que integram a Rede, bem como as leigas e os leigos, atuam voluntariamente nas diversas regiões do País. Os membros estão articulados em 29 núcleos e 5 regionais, integrados com as organizações eclesiais e civis, fomentando, promovendo e, ou, participando de atividades e processos de prevenção, assistência e intervenção política, buscando instruir e instrumentalizar a sociedade, a fim de impedir o avanço desse mal que vem crescendo a cada ano. A “Rede um Grito pela Vida” nos permite ampliar alianças intercongregacionais em prol da vida ameaçada e ferida das pessoas traficadas e violentadas em seus direitos. Possibilita-nos ensaiar passos de encarnação em novos espaços sociais, políticos e teológicos. Com o lema “Enfrentar o tráfico de pessoas é nosso compromisso”, procuramos desenvolver um conjunto de atividades de: • sensibilização e informação com grupos de jovens, adolescentes, priorizando os que se encontram em situação de vulnerabilidade, lideranças comunitárias, agentes de pastoral e outros; • organização de grupos de reflexão e estudo, debates, aprofundando as causas e situações que o favorecem como questões de gênero, violência, modelo de desenvolvimento, grandes construções e projetos, grandes eventos, hedonismo midiático, desemprego, corrupção, impunidade e outros; • capacitação de multiplicadores e multiplicadoras, visando a ampliar a ação de enfrentamento ao tráfico de pessoas, principalmente para fins de exploração sexual; • participação e mobilização social e política de incidência na definição e efetivação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas. Sobre um pouco de nossa atuação como núcleo da “Rede um Grito pela Vida” na desafiante realidade de São Paulo, posso dizer que somos “uma gotinha no oceano”, mas, como diz a irmã Maria Inês, presidente e animadora da vida religiosa nacional, sem essa gotinha, a vida estaria mais ameaçada. Realizamos atividades de conscientização e prevenção em nossas realidades de missão: escolas, centros de acolhidas, grupos de reflexões nas paróquias, também a formação de professores e educadores, para que sejam multiplicadores de uma proposta educativa de prevenção e encaminhamentos de possíveis situações de vulnerabilidade em que muitas crianças se encontram, inclusive sofrendo abusos dentro de suas próprias casas. Para alimentar a mística da solidariedade e do cuidado com a vida à luz da Palavra de Deus, elaboramos celebrações mensais, enviando às comunidades para que, fortalecidas, fortalecidos pela oração, possamos ampliar nosso olhar confiante da presença de Deus em nossa missão, como nos confirma Êxodo (3,7-8); é o próprio Deus criador e defensor da vida que nos diz: “Estou vendo muito bem a aflição de meu povo… Ouvi seu clamor… Tomei conhecimento de seus sofrimentos… Desci para libertá-lo…”. Com certeza, o Senhor conta conosco, consagradas e consagrados, cristãos leigos e leigas, para combater essa chaga terrível do abuso e tráfico de seres humanos em nossa realidade concreta. O Papa Francisco, sem dúvida, é nosso grande aliado. Ele nos motiva incansavelmente a continuarmos com nosso compromisso. Incentiva todos os institutos de vida consagrada a apoiarem o compromisso de suas religiosas e seus religiosos na luta e prevenção desses males que não param de crescer. Concluo este artigo fazendo eco às palavras do Papa no Seminário da Rede, em Roma, em 2019. Numa mensagem às Congregações, ele diz: “Temos tantos problemas para resolver dentro, não podemos… Diga-lhes que o Papa disse que os problemas ‘internos’ são resolvidos saindo para a rua. Que entre ar fresco”. Irmã Cirley Covatti, religiosa da Congregação de Jesus, CJ, coordenadora do Centro de Espiritualidade Mary Ward, em Itapecerica da Serra-SP; atual referencial da “Rede um Grito pela Vida”, pela Regional de São Paulo.
Novo espaço de espiritualidade na internet

Há mais de um ano, estamos trabalhando num projeto de evangelização que se tornou um sonho para nós… Um sonho porque, ao contrário do que imaginávamos inicialmente, surgiram muitos obstáculos no caminho… Mas agora temos a alegria de anunciar que estamos prestes a alcançar nossa meta e será um presente para você que acompanha nossas publicações. Imagine um espaço na internet para vivenciar a espiritualidade, acompanhar a liturgia diária, rezar, aprofundar a fé e até mesmo encontrar uma comunidade para rezar com você e por você… Gostou? Então imagine que você sinta vontade de conversar com alguém, esclarecer dúvidas, partilhar algo que está em seu coração ou simplesmente receber orientação em seu caminho espiritual… Pense que você está indo para o trabalho e, no caminho, ouve pelo celular a leitura orante do Evangelho do dia… Ou reza o terço junto com as missionárias servas do Espírito Santo. Você também encontrará orações variadas, o santo do dia, testemunhos missionários, reflexões e vídeos que ajudarão a aprofundar a fé e o compromisso com o Reino de Deus. Tudo isso estará disponível, em breve, em nossa Capela Missionária virtual. Uma capela real no mundo virtual A Capela será um espaço de oração e de espiritualidade acessível a todas as pessoas que desejarem, em meio à correria e desafios da vida cotidiana. Será uma oportunidade de dedicar alguns momentos do dia para crescer na relação com Deus e se conectar com a humanidade, num espírito missionário. Antes de iniciar o projeto, pesquisamos na Internet e não encontramos nenhuma capela virtual católica que tivesse uma identidade explicitamente missionária. Por isso temos a alegria de lançar a primeira e queremos contar com seu apoio para nos ajudar a torná-la um espaço de oração não apenas virtual, mas real, que possa acompanhar você em seu dia a dia. A Capela Missionária é uma iniciativa das missionárias servas do Espírito Santo do Brasil, que inclui duas sedes provinciais, uma em São Paulo-SP, no Convento Santíssima Trindade, e outra em Ponta Grossa-PR, no Convento Espírito Santo, além das quase 30 comunidades de irmãs espalhadas de norte a sul do Brasil, oito escolas, uma faculdade, cinco centros educacionais, um hospital, um centro de fisioterapia e diversas obras sociais. Seguindo as pegadas de Santo Arnaldo Para mim, é realmente uma alegria poder seguir as pegadas de nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen, que, no século XIX, já utilizava o que havia de mais moderno em comunicação para a evangelização. Em seu tempo, existia apenas a imprensa e foi por meio dela que propagou a obra missionária de Steyl, através de revistas e almanaques que ofereciam formação religiosa, cultural e entretenimento às famílias. Tenho certeza de que, se Santo Arnaldo vivesse hoje, ele daria continuidade à obra missionária por intermédio das redes sociais, do rádio, da televisão e de todos os meios de comunicação disponíveis. Assim, o trabalho que fazemos por intermédio do blog, do Facebook, do site, do Twitter, Instagram e, em breve, também pela Capela Missionária está em profunda sintonia com nosso carisma missionário e contribui com o trabalho de evangelização da Igreja. Missão on-line Estamos trabalhando com muito carinho na Capela Missionária para, além de oferecer um espaço de oração e de vivência da espiritualidade, que ela seja também um ambiente de missão on-line. Por detrás da tecnologia, teremos quatro irmãs bem preparadas para interagir com as pessoas que frequentam o site da capela, oferecendo orientação espiritual. Também haverá duas orientadoras vocacionais à disposição. Além disso, todo pedido de oração será atendido pelas comunidades das irmãs dos nossos dois conventos, que rezarão nas intenções e necessidades encaminhadas pela Capela Missionária. Ofereceremos também a oportunidade para colaborar concretamente com a missão, por meio de nossas diversas obras sociais e missionárias. Muito em breve, será o lançamento da nossa Capela Missionária. Aguardem! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
17º Domingo Comum

“Vocês compreenderam tudo isso?”Mt 13,44-52 Hoje terminamos a leitura do capítulo 13 de Mateus, com as últimas três parábolas do Reino: a do tesouro escondido, a da pérola preciosa e a da rede lançada ao mar. Nas primeiras duas, podemos notar duas ênfases: uma sobre o grande valor do achado (simbolizando o Reino) e outra sobre a atitude de quem o acha. A parábola da rede no mar ecoa a mensagem da parábola do campo de trigo e joio, que fez parte do texto do domingo passado.| O contexto histórico do tesouro achado é o do Oriente Médio antigo, palco de tantas invasões e guerras. Era prática comum enterrar os valores diante da ameaça de uma invasão ou guerra. Só que, muitas vezes, o dono morria na violência, e o tesouro ficava escondido por muito tempo, até ser achado por acaso. Usando esse exemplo, Jesus nos ensina algo sobre o Reino e sobre a atitude do discípulo diante dele. O Reino de Deus é um valor tão incalculável que uma pessoa sensata daria tudo para possuí-lo. É importante notar que o texto enfatiza que, “cheio de alegria”, ele vende todos os seus bens para poder possuir o valor maior, que é o Reino. A vivência dos valores do Reino, do seguimento de Jesus, deve ser uma alegria e não um peso. Sem dúvida, é exigente, pois meias medidas não servem (ele vende tudo o que tem), mas o resultado é uma alegria enorme. Não a alegria superficial de um programa de Faustão ou Sílvio Santos, mas uma alegria que brota da profundeza de nosso ser, pois descobrimos a única coisa que não passa e que dá sentido a toda a nossa vida: o Reino de Deus. É pena que, com tanta frequência, conseguimos fazer do seguimento de Jesus um peso, uma chatice, um legalismo, que afasta de Deus em lugar de atrair para ele. É impressionante como se consegue fazer a Palavra de Deus algo tão chato e irrelevante! Mais uma vez, como na parábola do campo de trigo e joio, a última parábola ensina que o Reino, que subsiste na Igreja, congrega santos e pecadores (os bons e maus peixes). A separação final deve ser deixada para a justiça de Deus, enquanto, na vivência diária, devemos mostrar paciência e tolerância, mas sem indiferença ou comodismo. O último versículo talvez indique que o autor do Evangelho que denominamos Mateus era um escriba ou doutor da Lei, convertido ao discipulado de Jesus (é bom lembrar que os títulos tradicionais dados aos Evangelhos são somente atribuições. Nenhum evangelho identifica o seu autor, é e consenso entre os exegetas que o Evangelho de Mateus não tenha sido escrito pelo apóstolo daquele nome). Ele está bem enraizado nas “coisas antigas”, ou seja, no Antigo Testamento. Mas está aberto às coisas novas, ou seja, a nova interpretação da Lei que Jesus trouxe. Assim nos ensina algo valioso para o mundo de hoje, tão inconstante e sem raízes, de um lado, e com a tentação de fechamento no fundamentalismo e intolerância, do outro. Nem tudo o que é antigo é ultrapassado e nem tudo o que é novidade é bom. Igualmente, nem tudo que é antigo tem de ser preservado e nem toda a novidade deve ser rejeitada. É importante ter critérios, para que não percamos os valores, nem da sabedoria antiga, nem da busca de atualização para os dias de hoje. Quem tem ouvidos para ouvir ouça! Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
O idoso é fonte de inspiração e sabedoria

O Dia dos Avós foi criado em Portugal, graças à campanha de Dona Aninhas, uma avó de quatro netas e dois netos. Na década de 1980, ela acreditava que ninguém dava o valor merecido aos avós e decidiu se tornar uma missionária da causa. Para isso, visitou vários países, entre eles o Brasil, e sempre defendeu que ocorresse a comemoração do Dia dos Avós. A data escolhida, 26 de julho, tinha um forte motivo. É quando a Igreja Católica celebra São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus. As figuras de Santa Ana e São Joaquim dizem muito sobre o papel fundamental dos avós na estruturação de uma família, seja qual for o problema ou a felicidade que partilham. Além disso, a figura dos avós revela aos jovens seu próprio futuro, isto é, dá-lhes a imagem do que um dia serão. Isso pode fazê-los refletir sobre suas ações ao longo de suas vidas. O idoso é fonte de inspiração e de sabedoria, e deve ser reconhecido como tal. O dia dedicado aos avós é uma oportunidade para reflexão sobre o futuro que nos aguarda e sobre os caminhos traçados. Comemorar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, de trabalho, de honestidade, de fé, de firmeza, de amor e de reconhecer o valor da sabedoria adquirida no convívio com as pessoas e com a própria natureza. Ser avó e avô é sentir felicidade. É resumir nos netos seu mundo. Assim são os avós do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. Eles não se cansam de dar um amor doce e profundo, de estarem presentes no dia a dia de nossos alunos e voltando a experimentar a infância por meio deles, distribuindo esperança e revivendo todo o seu passado. Por isso o Colégio Imaculado Coração de Maria promove, com muito afeto, essa homenagem, e os alunos do integral, nas aulas de artesanato ou cozinha experimental, preparam a surpresa para essa figura tão amada no seio familiar. A cada ano, nós nos reinventamos para homenageá-los: um porta-chá, um pacote de biscoitos amanteigados feitos pelos netos, um livrinho compilado com várias receitas sugeridas pelas vovós… Enfim, adoçar e fazer com que nossos alunos percebam o valor de terem seus avós caminhando a seu lado. Desejamos a cada vovô e vovó o carinho de seus familiares e o amor espontâneo de seus netos, pois os avós são preciosidades. A eles nossos sinceros votos de felicidade. Avós e netos: a alegria de compartilhar Para ilustrar a relação de proximidade do Colégio Imaculado Coração de Maria, trazemos o vídeo da vovó Vilma Corrêa Zóchio, que partilha sua alegria de sentir-se parte da vida de seus netos e ser reconhecida pela escola. Cláudia Corrêa Zóchio, coordenadora do Integral do Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ.
Navio-hospital Papa Francisco reforça combate à pandemia na Amazônia

Há um ano, o navio-hospital Papa Francisco vem percorrendo o rio Amazonas, levando assistência médica às populações ribeirinhas. O equipamento juntou-se agora ao combate ao novo coronavírus na região, segundo informações publicadas pelo Vatican News. A população da Pan-Amazônia vem sofrendo com a pandemia, que atinge tanto áreas urbanas como as mais isoladas. Os indígenas e ribeirinhos são considerados um grupo de alto risco, sobretudo por causa da baixa imunidade e o abandono histórico por parte do Estado. A embarcação, que começou a navegar em agosto de 2019, tem 32 metros de comprimento e conta com 23 profissionais de saúde. Entre os serviços oferecidos estão sala de operações, laboratório de análise, farmácia, sala de vacinação, consultórios médicos, oftalmológicos e odontológicos, além de leitos hospitalares e salas para exames de raios X, mamografia, ecocardiograma e testes de estresse. Um acordo entre o Vaticano e o Estado do Pará tornou possível a construção do navio-hospital. Para a realizar o projeto, o governo paraense destinou indenizações pagas pelas empresas Shell e Basf, após um acidente ambiental que causou 60 vítimas e sérios danos. “Não poderíamos ficar de fora desta luta. Nós nos unimos, nos reorganizamos em nossos serviços para que, juntos, lutemos contra o covid-19”, explicou o frei Joel Sousa, membro da coordenação do navio, numa entrevista ao Vatican News. Ele conta que os profissionais do navio estão atendendo principalmente as pessoas que apresentam sintomas de gripe ou sinais leves do covid-19. “Os doentes podem consultar com o médico e também entregamos os medicamentos, em colaboração com a Secretaria de Saúde local”, relatou o religioso. __________ Milhares de indígenas estão infectados Indígenas de vários países da América Latina estão entre os mais vulneráveis à pandemia. A doença causada pelo covid-19 está matando membros de diversas comunidades nativas. Além de terem defesas imunológicas precárias contra doenças, os indígenas também são vítimas de negligências por parte do Estado, conforme já denunciado neste blog. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em meados de junho, pelo menos 20 mil indígenas estavam infectados na bacia do rio Amazonas. A área abrange Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname. “Esses grupos vivem tanto em aldeias isoladas, com acesso mínimo a serviços de saúde, como em cidades densamente povoadas, como Manaus, Iquitos (Peru) e Letícia (Colômbia)”, disse a diretora da OPAS, Clarissa Etienne. No dia 13 de julho, a América Latina se tornou a segunda região mais atingida pela pandemia no mundo, em número de vítimas fatais. A área está atrás somente da Europa. O número de mortos já alcançou 150 mil e mais de 3,7 milhões de infectados. Os índices podem ser bem maiores, pois há relatos de subnotificação em diversos países, inclusive no Brasil.
O amigo fiel

Hoje, Dia do Amigo, padre Expedito Lopes de Castro, membro da Pastoral Missionária do Colégio Stella Matutina e pároco da comunidade Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Juiz de Fora-MG, nos presenteia com uma linda mensagem sobre a amizade. Trata-se de uma oração intitulada “O amigo fiel”. Padre Expedito testemunha que “Deus é nosso amigo”. “Os amigos são uma grande influência na vida de cada pessoa” e “um bom amigo é uma bênção”, explica. Recordando o Livro do Eclesiástico (6,14), que diz “Amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro”, ele nos mostra, neste vídeo, o quanto a amizade de Deus nos dá força nos momentos difíceis de nossa vida. Quem não precisa de um amigo? Nestes tempos de distanciamento social, em que não podemos nos aproximar de tantas pessoas que amamos, que não podemos sentir o calor de seu abraço, a amizade é ainda mais crucial… Quem não precisa de um amigo, uma amiga para desafogar o que arde no coração ou pesa na alma? Quem não precisa de alguém para quem não é necessário se explicar, pois basta um olhar para se sentir acolhido, amado, compreendido? Quem não precisa de alguém com quem é possível se sentir sempre em casa? De alguém que não vai nos julgar ou condenar, nem mesmo quando erramos? Alguém que nos encoraja nas horas difíceis e nos ajuda a crescer quando “pisamos na bola”? Quem não precisa de alguém com quem sempre podemos contar? Que se alegra conosco quando estamos felizes e compartilha as lágrimas diante dos dramas da vida? Quem não precisa de alguém com quem podemos confiar sem medo e até mesmo dizer coisas que parecem sem sentido, mas que há momentos em que precisamos expressar, nem que for para colocar as ideias em ordem e entender o que se passa dentro de nós? Eu sei que você precisa e eu também preciso. Mas sei também que, por melhor que sejam nossos amigos e amigas, nenhum deles é perfeito. Um dia, não poderão atender a todas essas necessidades… Um dia, você ou eu também vamos falhar e decepcionar um amigo ou amiga… Ou, quem sabe, será você ou eu que se sentirá decepcionado ou magoado… O caminho da amizade, em certos momentos, tem desafios e é preciso encará-los. Às vezes, é preciso dar tempo ao tempo e permitir amadurecer dentro de nós o que impede viver a verdadeira amizade. Às vezes, é preciso esperar pelo tempo do outro, da outra. Não importa… A amizade também é feita de perdão. Mas seja quem for seu amigo ou sua amiga, por melhor que seja, jamais conseguirá satisfazer tudo o que está em seu coração. Porque somos humanos e limitados, mas nosso coração tem uma sede infinita…Então lembremos que temos um amigo com quem sempre podemos contar. Não importa o que aconteça em nossa vida, Ele estará sempre conosco, se o permitirmos. Ele não nos julga, não nos condena e sempre dá forças para recomeçarmos. Esse amigo é Jesus, e Ele nunca nos abandonará. Cultivemos nossas amizades, porque são verdadeiros tesouros! E reservemos tempo para nosso principal amigo, pois Ele vai nos ajudar a dar mais sabor à nossa vida e a encontrar o caminho da verdadeira amizade. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional, coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) e terapeuta floral.
16º Domingo Comum

“Os justos brilharão como sol”Mt 13,24-43 Esse texto continua o capítulo 13 de Mateus, no qual se proclamam as parábolas do Reino. Hoje lemos três parábolas que comparam o Reino de Deus a um campo de trigo, um grão de mostarda e o fermento na massa, quando se faz pão. Termina com uma explicação alegórica do sentido da parábola do trigo e do joio. Podemos entender essas parábolas todas como uma mensagem de esperança para a comunidade pequena mateana (e para nós, hoje). Uma leitura atenta delas deve nos reanimar para nossa caminhada e luta em favor do Reino, sem desânimo nem desesperança. Isso fica patente nas pequenas parábolas do grão de mostrada e do fermento na massa. A semente de mostarda é minúscula, mas, quando brota, forma um arbusto viçoso. Quando se faz pão, não se usa mais do que uma pequena porção de fermento, mas é o suficiente para levedar a massa toda. O efeito é desproporcional ao tamanho ou peso do grão e do fermento. Pois eles têm um dinamismo interno que dá resultados inesperados. Jesus aplica essas observações ao Reino de Deus. Seu crescimento depende de pessoas e coisas que aparentemente são insignificantes. Porém, onde existe uma real comunidade de discípulos, há um dinamismo interno que causa efeitos muito maiores do que sua força humana, pois é movido pela força do Espírito de Deus. Com certeza, no tempo da redação desse evangelho, a comunidade mateana estava sentindo-se fraca demais para enfrentar a polêmica e a luta com o judaísmo rabínico formativo. Diante das expulsões das sinagogas e das famílias, da rejeição dos discípulos por seus pares, e diante da ameaça de perseguição real, muitos devem ter desanimado, sentindo-se fracos demais para essa caminhada. Algo semelhante facilmente ocorre hoje. Diante do rolo compressor da globalização do mercado, do projeto neoliberal, muitos acham que nós não temos forças para resistir, pois somos fracos e insignificantes aos olhos dos donos do poder. Mas isso é julgar somente com critérios humanos. É fácil esquecer a ação do Espírito e que, para Deus, nada é impossível. Essas duas parábolas nos ensinam a valorizar o nosso grão de mostarda e a nossa medida de fermento, ou seja, as pequenas ações e gestos de solidariedade, que trazem o dinamismo do Espírito e podem alcançar resultados surpreendentes. Olhando as estatísticas da diminuição da mortalidade infantil no Brasil, diante das quais os governantes se ufanam, quem não sabe que, em grande parte, é resultado do trabalho humilde e perseverante dos membros da Pastoral da Criança, que, mesmo diante de décadas de descaso governamental com a saúde pública, fazem verdadeiros milagres em favor da vida? E poder-se-iam multiplicar os exemplos. Olhemos com os olhos de fé e de Deus e não com os olhos do mundo, que só valoriza a força do dinheiro, do poder e da dominação. Nesse contexto, pode-se ler a parábola do campo onde foi semeado joio (erva daninha) junto com o trigo. Os servos querem arrancar à força o joio, mas o patrão não permite, pois talvez faça mais mal do que bem. Aqui o campo é o mundo, a comunidade, a Igreja. Somos uma comunidade santa e pecadora, como reza a oração eucarística. Cada comunidade, cada pessoa é, ao mesmo tempo, trigo e joio. A parábola alerta contra dois perigos muitas vezes presentes nas Igrejas. Uma é a tendência do puritanismo, de formar uma comunidade de “santos” ou “eleitos”, intolerante com os pecadores e com as fraquezas humanas, criando uma religião rígida e fria, que esconde o rosto misericordioso de Deus. O outro perigo é o oposto: simplesmente ignorar o joio, e assim correr o perigo de que a erva daninha (os males e erros) sufoquem o trigo na comunidade. A parábola aconselha paciência e cautela, e assim quer evitar os dois entremos de “elitismo” e de laissez-faire, pois ambas as atitudes teriam como resultado a destruição da comunidade. O Reino é de Deus, e Ele não falha. Somos convidados a caminhar juntos na construção lenta, mas segura, desse Reino, apesar de sermos joio e trigo, confiantes no dinamismo do Espírito que faz com que nosso grão de mostarda e fermento na massa deem frutos muito além das expectativas humanas. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Somos a favor da vida!

Nós, missionárias servas do Espírito Santo, estamos acompanhando com muita preocupação tudo o que está acontecendo no Brasil e sofrendo com o número espantoso de mortes, especialmente entre os mais pobres e com mais dificuldade de acesso a tratamento. Estamos profundamente indignadas com a situação dos povos indígenas e quilombolas e queremos manifestar nosso apoio à Conferência dos Bispos do Brasil em sua Carta aberta ao Congresso Nacional, que publicamos aqui na íntegra. Publicamos também o artigo do Frei Betto, pois ele denuncia com dados e fatos, explicando de maneira muito clara o que está acontecendo em nosso país. Respeitamos a opinião de quem pensa diferente, mas o Evangelho exige de nós, como consagradas e missionárias, que nos coloquemos a favor da vida, pois esta é nossa missão. Carta da CNBB Queridos amigos e amigas: No Brasil ocorre um genocídio! No momento em que escrevo, 16/7, a Covid-19, surgida aqui em fevereiro deste ano, já matou 76 mil pessoas. Já são quase 2 milhões de infectados. Até domingo, 19/7, chegaremos a 80 mil vítimas fatais. É possível que agora, ao você ler este apelo dramático, já cheguem a 100 mil. Quando lembro que na guerra do Vietnã, ao longo de 20 anos, 58 mil vidas de militares usamericanos foram sacrificadas, tenho o alcance da gravidade do que ocorre em meu país. Esse horror causa indignação e revolta. E todos sabemos que medidas de precaução e restrição, adotadas em tantos outros países, poderiam ter evitado tamanha mortandade. Esse genocídio não resulta da indiferença do governo Bolsonaro. É intencional. Bolsonaro se compraz da morte alheia. Quando deputado federal, em entrevista à TV, em 1999, ele declarou: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil”. Ao votar a favor do impeachment da presidente Dilma, ofertou seu voto à memória do mais notório torturador do Exército, o coronel Brilhante Ustra. Por ser tão obcecado pela morte, uma de suas principais políticas de governo é a liberação do comércio de armas e munições. Questionado à porta do palácio presidencial se não se importava com as vítimas da pandemia, respondeu: “Não estou acreditando nesses números” (27/3, 92 mortes); “Todos nós iremos morrer um dia” (29/3, 136 mortes); “E daí? Quer que eu faça o quê?” (28/4, 5.017 mortes). Por que essa política necrófila? Desde o início ele declarou que o importante não era salvar vidas, e sim a economia. Daí sua recusa em decretar lockdown, acatar as orientações da OMS e importar respiradores e equipamentos de proteção individual. Foi preciso a Suprema Corte delegar essa responsabilidade a governadores e prefeitos. Bolsonaro sequer respeitou a autoridade de seus próprios ministros da Saúde. Desde fevereiro o Brasil teve dois, ambos demitidos por se recusarem a adotar a mesma atitude do presidente. Agora, à frente do ministério, está o general Pazuello, que nada entende de questão sanitária; tentou ocultar os dados sobre a evolução dos números de vítimas do coronavírus; empregou 38 militares em funções importantes do ministério, sem a requerida qualificação; e cancelou as entrevistas diárias pelas quais a população recebia orientação. Seria exaustivo enumerar aqui quantas medidas de liberação de recursos para socorro das vítimas e das famílias de baixa renda (mais de 100 milhões de brasileiros) jamais foram efetivadas. As razões da intencionalidade criminosa do governo Bolsonaro são evidentes. Deixar morrer os idosos, para economizar recursos da Previdência Social. Deixar morrer os portadores de doenças preexistentes, para economizar recursos do SUS, o sistema nacional de saúde. Deixar morrer os pobres, para economizar recursos do Bolsa Família e de outros programas sociais destinados aos 52,5 milhões de brasileiros que vivem na pobreza e aos 13,5 milhões que se encontram na extrema pobreza. (Dados do governo federal). Não satisfeito com tais medidas letais, agora o presidente vetou, no projeto de lei sancionado a 3/7, o trecho que obrigava o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, templos religiosos e instituições de ensino. Vetou também a imposição de multas para quem descumprir as regras e a obrigação do governo de distribuir máscaras para os mais pobres, principais vítimas da Covid-19, e aos presos (750 mil). Esses vetos, no entanto, não anulam legislações locais que já estabelecem a obrigatoriedade do uso de máscara. Em 8/7, Bolsonaro derrubou trechos da lei, aprovada pelo Senado, que obrigavam o governo a fornecer água potável e materiais de higiene e limpeza, instalação de internet e distribuição de cestas básicas, sementes e ferramentas agrícolas, para aldeias indígenas. Vetou também verba emergencial destinada à saúde indígena, bem como facilitar o acesso de indígenas e quilombolas ao auxílio emergencial de 600 reais (100 euros ou 120 dólares) por três meses. Vetou ainda a obrigação de o governo oferecer mais leitos hospitalares, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea a povos indígenas e quilombolas. Indígenas e quilombolas têm sido dizimados pela crescente devastação socioambiental, em especial na Amazônia. Por favor, divulguem ao máximo esse crime de lesa-humanidade. É preciso que as denúncias do que ocorre no Brasil cheguem à mídia de seu país, às redes digitais, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, e ao Tribunal Internacional de Haia, bem como aos bancos e empresas que abrigam investidores tão cobiçados pelo governo Bolsonaro. Muito antes de o jornal The Economist fazê-lo, nas redes digitais trato o presidente por BolsoNero – enquanto Roma arde em chamas, ele toca lira e faz propaganda da cloroquina, remédio sem nenhuma eficácia científica contra o novo coronavírus. Porém, seus fabricantes são aliados políticos do presidente… Agradeço seu solidário interesse em divulgar esta carta. Só a pressão vinda do exterior será capaz de deter o genocídio que assola o nosso querido e maravilhoso Brasil. Fraternalmente, Frei Betto Frei Betto é frade dominicano e escritor, assessor da FAO e de movimentos sociais.
Catequese familiar on-line

Uma das prioridades da Rede de Educação é, sem dúvida alguma, o cuidado para com a espiritualidade e a evangelização da comunidade escolar. Tal anseio motivou a equipe missionária a continuar as atividades em plena pandemia. Evidentemente, o meio utilizado é o virtual, por meio dos recursos tecnológicos educacionais disponível a docentes e discentes. À primeira vista, para quem acredita na força da interação pessoal para a transmissão da fé e que o testemunho é imprescindível para a evangelização, a exemplo das antigas comunidades cristãs, algumas objeções não seriam fáceis de superar. Uma catequese on-line teria efeito? O que pensariam os alunos? E os pais? De fato, a catequese tem sua origem nas primeiras comunidades cristãs. A palavra “catequese” significa explicação oral e sistemática dos mistérios da fé. Nesses pequenos grupos, a exemplo dos primeiros cristãos, os estudantes partilham suas vidas e celebram suas crenças e aspirações em comunhão com a Igreja. A preparação para a primeira Eucaristia tem como objetivo uma formação na fé, com impacto positivo para a vida da criança, da família e da sociedade. A catequese possibilita o amadurecimento e experiência da criança e do adolescente na fé. Além disso, há o grupo da Infância Missionária e da Perseverança, com o objetivo de manter o espaço de encontro para os que já receberam os sacramentos. Os grupos são estimulados a participar de projetos de voluntariado, inclusive em outras instituições. Logo após a interrupção das atividades presenciais, alguns alunos já entraram em contato por meio do Google Classroom, para saber se continuaríamos as atividades missionárias e de catequese. Com efeito, após um debate na própria equipe missionária do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, foi decidido implantar encontros quinzenais e uma experiência de espiritualidade para os grupos. A atividade foi aberta à participação das famílias, pois a Igreja afirma que a família é o berço da fé. Os pais são os primeiros catequistas. A escola abriu então a possibilidade de os pais ou responsáveis participarem junto com os filhos na caminhada da Igreja em família. Mesmo no período da quarentena, os grupos foram mantidos por meio dos recursos tecnológicos disponíveis aos alunos, especialmente o Google Suíte. Os encontros têm momentos dinâmicos, com metodologia ativa, com partes expositivas, momentos de partilha e escuta dos alunos, trechos de vídeos, confecções artísticas, momentos de oração, dramatização, leituras bíblicas, atividades dinâmicas que movimentam o corpo e muita música. Os comentários de gratidão tanto por parte dos alunos quanto dos familiares, que assistem e participam dos encontros na telinha, fizeram com que a equipe alterasse a frequência dos encontros, agora semanais. A frequência dos convidados é impecável, inclusive porque foi aberta a possibilidade de dois horários facultativos. Para um educador-missionário, não tem preço ver crianças e adultos com olhinhos brilhando e experimentando a aquela paz de Cristo que provém de encontros com o Transcendente. Dessa forma, famílias, estudantes e educadores aprimoram sua espiritualidade. Professor Marcos Melo é doutor em História da Filosofia pela Unicamp, mestre em Literatura pela USP e mestre em Teologia pela PUC-SP. No Colégio Espírito Santo, contribui na equipe missionária e leciona para os ensinos fundamental e médio.
Noviciado Panam em tempos de pandemia

Nas Américas, as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) estão presentes no Brasil, Argentina, México, Estados Unidos, Cuba, Bolívia, Chile, Paraguai, Equador, São Cristóvão e Névis, Jamaica e Antígua e Barbuda. Há vários anos, a formação das noviças do continente vem sendo realizada no Paraguai, com a colaboração das irmãs das 11 províncias e regiões, que é a forma como estão organizadas. No momento, são três noviças no primeiro ano e mais três do segundo ano em estágio missionário. São quatro brasileiras: Crislaine Mayra Lopes Pereira, Valdirene Pereira da Silva, Janice Santos de Santana e Patrícia Zeponi, uma do México, Tania López Silva, e outra da Argentina, Gilda Leguizamón. As formadoras são as irmãs Graciela Castro e Eva Tapia. As noviças do primeiro ano entraram no dia 9 de fevereiro. Elas receberam as Constituições SSpS e uma medalha para usar como sinal de pertencimento e compromisso de seguir a Cristo nessa etapa de formação. Assim descrevem a rotina delas: “Em um ambiente comunitário e fraterno, compartilhamos nossas experiências pessoais, culturais e espirituais, bem como a ajuda mútua no trabalho e estudo”. Além disso, elas se encontram com as comunidades vizinhas do postulantado e da Casa de Retiros, para participar da missa, comemorar os aniversários e as grandes festas da Igreja e da Congregação. Por causa da pandemia do novo coronavírus, as noviças não têm aulas fora, mas continuam normalmente com os estudos em casa e acompanham o que está acontecendo no mundo. “Como comunidade, seguimos as ordens sanitárias específicas e nos unimos à Igreja e às necessidades do mundo com nossas orações diárias e adoração ao Santíssimo. Participamos de celebrações eucarísticas diárias pelos meios de comunicação.” Elas também seguem as notícias e refletem como vivenciar a situação atual. Janice, que está no primeiro ano de noviciado, diz que está bem e aproveitando o tempo para rezar mais e estar mais presente na comunidade. Para ela, a pandemia não é só física, mas também espiritual. Experiência intercultural nas comunidades Durante o segundo ano de noviciado, as noviças são enviadas para um estágio de seis meses em comunidades SSpS, em diferentes realidades de missão. A experiência é em outro país, favorecendo a vivência da interculturalidade. Aqui trazemos um breve relato das experiências das duas noviças brasileiras. Crislaine está na pequena cidade de Governador Roca, em Missiones, Argentina. Segundo ela, um local bem organizado, mas onde se sente “a diferença entre poloneses e indígenas”, fruto “de uma história que não foi construída a partir da comunhão, mas por uma separação bem intensa”. Ela vive na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, dentro de um colégio, com outras cinco irmãs que se dedicam à educação, casa de acolhimento para idosos abandonados e pastoral indígena. Antes de iniciar a quarentena, ela foi com uma das irmãs ajudar nas escolas das comunidades aborígenes e sente não poder continuar por causa da pandemia. “Foi forte para mim e intenso perceber o quanto são marginalizados e excluídos pela mesma sociedade, e a luta que têm para conseguir seus direitos”, conta Crislaine. A noviça ficou com as crianças de primeira a terceira série e se sentiu muito tocada: “O brilho no olhar de cada uma delas é fascinante; a confiança que têm nos professores me faz sentir a presença amorosa de Deus que vem todos os dias ao nosso encontro”, diz. No colégio das irmãs, colaborou com uma turma da primeira série e também acompanhou como as irmãs partilham a espiritualidade com os professores, alunos e famílias. Mas, na Argentina, durante a pandemia, as irmãs estão fechadas em casa e ninguém sai à rua sem motivo, sob pena de prisão… Enquanto isso, Crislaine está ajudando no trabalho na casa dos idosos, na cozinha, na limpeza e “em tudo o que for necessário para atender melhor nossos avozinhos”, explica. “Para mim, está sendo um momento bem reflexivo poder estar com eles. São lindos! E o que mais querem é que alguém que os escute e esteja ao lado deles segurando seu braço”, afirma. Valdirene foi enviada para a cidade de Nova Esperança, Argentina Norte, numa pequena comunidade com três irmãs que atuam em diversas pastorais, principalmente na catequese familiar e com crianças, Infância e Adolescência Missionárias (IAM), pastoral familiar, formação bíblica, liturgia, trabalho social numa enfermaria e com Cáritas. Ela começou muito animada o trabalho pastoral, as visitas às comunidades pertencentes à Paróquia Nossa Senhora das Mercês e a conhecer as pessoas. Conta que “o povo é muito simples, gentil e acolhedor”. Pediram-lhe que acompanhasse as catequistas e as famílias da periferia. Veio então o tempo de quarentena, e ela, junto com as demais irmãs, tiveram de interromper as atividades e seguir as orientações do governo, ficando em casa. Mas isso não impediu que a comunidade encontrasse outras formas de serem missionárias. Valdirene conta que, na comunidade, as irmãs estão fazendo uma hora de adoração de segunda a sexta-feira para rezar pelas famílias e pelo mundo durante o tempo de pandemia. Criaram também grupos pelas redes sociais para enviar mensagens de ânimo e de evangelização, a liturgia diária e vídeos. “Para estarmos conectadas uns com os outros e para levar fé e esperança àqueles que mais necessitam”, explica a noviça. A pesar de a pandemia ter mudado seus planos e expectativas, Valdirene diz que “está sendo uma oportunidade para aprender e experimentar a interculturalidade”, uma característica tanto da comunidade onde está como também da Congregação. Ela conta que se sente desafiada a lidar “com o sentimento de impotência frente o covid-19 e a incerteza de quando tudo isso termina, porque ninguém está livre de contaminação”, e conclui afirmando que está fazendo seu processo de aceitação.