Abre tua mão para teu irmão

A Igreja Católica no Brasil celebra, ao longo de setembro, o Mês da Bíblia. A inspiração vem de São Jerônimo, um grande estudioso da Sagrada Escritura que se dedicou a traduzi-la em uma linguagem mais simples, para que as pessoas tivessem melhor entendimento. Sob essa motivação, desde setembro de 1976, iniciando pela Arquidiocese de Belo Horizonte e rapidamente se expandindo pelo Brasil, a Igreja elege um tema, sendo um livro bíblico para estudo e reflexão. Assim, a comunidade cristã é convidada a ir ao encontro profundo com a Palavra e, através dela, cultivar o relacionamento com Deus e com a comunidade. Neste ano de 2020, o livro do Deuteronômio foi o escolhido pela CNBB. O lema proposto é “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11). Segundo os biblistas Carlos Mesters e Francisco Orofino, o amor de Deus, a memória do povo, o serviço aos irmãos, a atitude de uma comunidade em saída, a vida comunitária, a libertação da opressão e a aliança de Deus com o povo são os grandes temas que se destacam nesse livro. Diante da realidade complexa em que vivemos, com tantos males que assolam o planeta e a humanidade, o livro de Deuteronômio nos convida à terra prometida, para viver uma vida nova. É o convite à terra da fartura, da solidariedade, da justiça, do cuidado mútuo, do dom de Deus. Em Deuteronômio, no entanto, fica claro que não é possível chegar lá sozinho. O caminho é coletivo, com passos concretos, sendo necessário abrir a mão para o irmão, acolhendo a vulnerabilidade humana com compaixão e misericórdia. Que a Palavra de Deus nos oriente e seja luz para nossos passos. Para mais informações sobre o Mês da Bíblia, sugerimos as seguintes fontes: Como se preparar para o Mês da Bíblia 2020? Mês da Bíblia – 2020Tema: O livro do Deuteronômio Lema: “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11)Por Carlos Mesters e Francisco Orofino
Tempo da Criação: rezar e cuidar da natureza

Desde 2015, o dia 1º de setembro está inscrito no calendário católico como o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A iniciativa partiu da Igreja Ortodoxa, que celebra esta data desde 1970, portanto há 50 anos, e foi assumida pelo Papa Francisco com o propósito de chamar toda a humanidade a uma conversão ecológica e criar relações sustentáveis e de cuidado com o mundo que nos rodeia. A iniciativa ajuda a proteger a Criação e fortalece a comunhão com nossos irmãos ortodoxos. No domingo, após a oração do Ângelus, o Papa se referiu à comemoração de 1º de setembro: “A partir desta data, até 4 de outubro, celebraremos, com nossos irmãos e irmãs cristãos de várias Igrejas e tradições, o ‘Jubileu da Terra’, para comemorar o estabelecimento, 50 anos atrás, do Dia Mundial da Terra”. Por intermédio da Secretaria das Missões de Roma, as missionárias servas do Espírito Santo foram incentivadas a celebrar este dia e promover atividades durante o “Tempo da Criação”, que abrange o período de 1º de setembro a 4 de outubro, com a festa de São Francisco de Assis, patrono da natureza. Entre as atividades sugeridas, estão um dia de oração pelo cuidado da criação, organização de seminários na web, reflexões e retiros sobre a Encíclica Laudato Si’, atuação sobre os objetivos do desenvolvimento sustentável, participação no Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, entre outras. Este “Tempo da Criação” de 2020 é uma forma de nos unir aos 2,2 bilhões de cristãos no mundo inteiro, como uma família global que se compromete e cuida de sua casa comum, o planeta Terra.Para ajudar a celebrar este dia e animar a oração pessoal e comunitária, trazemos um vídeo, a “Oração para o Tempo da Criação 2020” e ainda um poema que fala da presença do Espírito Santo na criação. Louvor ao Espírito SantoLúcia Caffer Neves Toda terra canta na mais forte vibração de amor.A natureza de horizonte a horizonteentoa um salmo eterno em teu louvor. Tu, que tudo animas, que dás sabor à vida,vem, vem habitar em nós. A criação se alegra e glorifica ao mais alto Ser,num coro imenso celebrando a vida,que sempre renasce em cada amanhecer. Tu, luz peregrina, que o mundo extasia,vem, vem habitar em nós. Toda a terra ama numa exuberante explosão de cor,desde a floresta que procura o rio,desde a abelinha quando busca a flor. Tu que te derramas em graças tantas,vem, vem habitar em nós. Toda a terra ama: homens e feras e animais das matas,aves e peixes, borboletas, flores, montes e vales,fontes e cascatas. Tu, força infinita que geras a vida,vem, vem habitar em nós. Toda a criatura exulta e vibra ao bafejo teu,para beber do manancial da graçatanta delícia que lhe vem do céu. Tu, presença viva, que o mundo renovas,vem, vem habitar em nós.
22º Domingo do Tempo Comum

Mt 16,21-27“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga!” O Evangelho de hoje, na verdade, é uma continuação do proclamado na Solenidade de São Pedro e São Paulo e, para que entendamos o texto mateano em sua integridade, torna-se necessário completar a leitura do Evangelho da solenidade com o texto de hoje. Pois ele mostra que, embora Pedro tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, ele os entendia de modo errado. Para Jesus, ser o Cristo significava assumir a missão do Servo de Javé, descrito pelo profeta Segundo Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42,1-9; 49,1-9a; 50,4-11; 52,13-53). Jesus deixa claro que ser o Cristo não significava triunfo nos termos deste mundo, mas o contrário: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias não era comum. Em geral, o povo esperava um messias triunfante e glorioso. Mateus nos mostra que Pedro partilhava essa visão errada, a ponto de tentar corrigir Jesus e de ganhar do Senhor uma correção dura: “Fique longe de mim, Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mc 8,33). Não basta usar os termos certos, temos de ter o conteúdo certo. A Bíblia nos conta que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, mas, na verdade, muitas vezes, nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, para que Ele não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus, não há meio-termo. O discípulo tem de andar nas pegadas de seu mestre: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lc 9,23). O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções dele vai nos colocar em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz não é aguentar qualquer sofrimento passivamente. Se fosse assim, a religião seria masoquismo! Carregar a cruz é viver as consequências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-lo não é tanto fazer o que Jesus fazia, mas o que Ele faria se estivesse aqui hoje. E como Ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos, “os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei” (a elite dominante em termos econômicos, religiosos e ideológicos), seus seguidores entrarão em conflito com os grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitando a religião a uma religião intimista e individualista, sem consequências sociais, políticas, econômicas ou ideológicas. A nossa resposta à pergunta “E você, quem diz que eu sou?” se dá não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós por nossa maneira de viver, por nossas opções concretas, por nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz consequências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho não foi assim e deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,24). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.Pe. Tomaz Hughes, SVD
O eu em (como) vocação

Quando se pergunta a uma criança “o que você vai ser quando ficar grande?”, em geral, ela responde aquilo que o pai ou a mãe faz, ou então aquilo que alguma pessoa significativa ou que ela admira faz. Conforme cresce, porém, vai se deparando com muitas outras possibilidades de escolha. E aí começa uma busca mais consciente por uma definição do que vai ser na vida. É o eu em (como) vocação que se põe perguntas. Na verdade, não se trata apenas de escolher uma profissão, é mais que isso, é descobrir para que se tem vocação. O que dá sentido à vida, o que inclui uma profissão, mas vai além desta. Para se ter uma profissão, basta aprender um ofício, preparar-se tecnicamente para ele ou pegar o emprego que aparece, e pronto! Levantar-se de manhã, tomar a condução, trabalhar oito, nove horas seguidas, depois voltar para casa e, no fim do mês, receber seu salário, e está resolvida a questão da profissão. Quanto à vocação, é algo mais complexo, porque ela diz respeito àquilo que dá sentido à vida e se liga ao bem que a pessoa faz aos outros ou à sociedade. Nem todos os que têm uma profissão definida têm uma vocação acertada. Que valor tem para os outros o exercício de sua profissão? Com que espírito ele trabalha? É necessário perceber um bem maior presente no exercício da profissão. É comum ouvir-se queixas de não se sentir realizado no que faz, mas como não há outra escolha profissional, o jeito é conformar-se. Na vocação, a questão é outra. Trata-se de descobrir o que dá sentido ao que se faz e ao porquê vive. É algo que ultrapassa os limites da profissão. Vivendo a vocação acertada, ela também dá sentido à profissão. Na profissão, depois de vários anos de trabalho, o sujeito se aposenta, deixa o exercício profissional. A vocação dura a vida inteira, só cessa com a morte, porque, na continuidade de sua vida, vê sentido naquilo que faz sem necessariamente ser de sua profissão. Em outras palavras, sente-se motivado por viver um sentido que lhe dá razão de viver. Por falta de discernimento, ocorrem muitos enganos. Às vezes, o jovem procura apenas pela profissão e, quando a tem, vê que não é nela que encontra sua vocação. Faltou-lhe perceber o detalhe que faz a diferença: se naquela profissão seu eu está em (como) vocação. Explicando melhor: a palavra vocação (vocare, do latim) quer dizer ser chamado. Cada um pode se perguntar: “sou chamado para que nesta vida? Qual a contribuição que eu, como pessoa, posso dar para o bem comum?”. Vocação implica ouvir (uma voz interior) e responder a ela. Pode-se somente a ouvir e não responder. Na perspectiva cristã, responder à vocação está ligado ao sentido que se dá à vida e o que se faz com ela. Em outras palavras, em que direção vive aquilo que escolheu e faz. Então, vocação e profissão podem andar de mãos dadas. Toda vocação implica um componente de transcendência. Isto é, encontrar um sentido fora de si, que vá além. A vocação dá à pessoa uma certeza interior de que aquilo que faz, mesmo profissionalmente, tem um sentido maior do que só lhe dar um salário no fim do mês. Mas tem consciência de que sua ação é construtora, é benéfica aos outros. Sua vocação então se reflete em seu empenho, em sua responsabilidade, em sua dedicação, em sua honestidade no que faz. O eu em vocação é aquele que vive e trabalha dedicado a uma profissão, mas, quando se aposenta desta, continua vivendo sua vocação, porque a vida não perdeu o sentido, mesmo quando cessa de ter um trabalho produtivo. Ninguém se realiza na profissão se não tiver um sentido de vocação. O eu em vocação passa pela profissão, mas não se esgota nela, porque tem uma dimensão que ultrapassa aquilo que suas mãos podem fazer. O eu em vocação tem a ver com aquilo que o coração pede e o lança para além de si mesmo. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Tecendo Relações de Solidariedade

A vida é feita de pessoas que, diariamente, tecem os sinuosos fios, dando sentido à existência humana. A sensibilidade que se traduz em ajuda é um dos sentidos que tornam o dom de viver ainda maior. Gente que se encontra e que, na convivência, vão descobrindo que a generosidade, a solidariedade e a alegria contagiante de fazer o bem às pessoas, por meio de gestos concretos e das mãos que se abrem, fazem toda a diferença e podem mudar tudo. Nesse sentido são os depoimentos de quem entendeu que educação se faz também de atitudes nobres. Por eles, partilhamos um pouquinho do projeto “Tecendo Relações de Solidariedade”, da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. “No início, nossa preocupação era com as necessidades emocionais, espirituais e sociais de toda a comunidade educativa e que nasce como resposta a uma preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte da Rede, e por entender a importância do cuidado emocional, do acolhimento e da espiritualidade que constitui a alma e a razão de ser de nosso carisma. O Projeto foi se desenvolvendo e tecendo diferentes maneiras de ouvir, sentir e cuidar. Esse precioso cuidado, que chegou aos alunos, educadores, familiares por meio de encontros virtuais e ‘webinares’, criou uma grande corrente de solidariedade, amizade e fraternidade. Pensando naqueles que mais precisam, surgiu uma necessidade de ajudar, de fazer mais pelo nosso próximo. Doações variadas, de forma especial, de cestas básicas, contribuíram com muitas famílias e comunidades atendidas pelas obras sociais ligadas à instituição. Estamos conectados e envolvidos diante de um olhar cuidadoso e fraterno.” Luciana Marzullo Araujo, coordenadora missionária do Colégio Stella Matutina – Juiz de Fora-MG ________________________________________________________ “O projeto tem como objetivo despertar, em nossa comunidade educativa (famílias e colaboradores), o olhar do cuidado àqueles que estão em dificuldades ou nelas foram colocados. Assim, para comemorar nosso centenário de uma maneira em que o nosso carisma e missão estivessem visíveis ,realizamos o ‘Drive-Thru Solidário’, em que as famílias e os colaboradores foram convidados a trazer doações de alimentos não perecíveis para a confecção de cestas básicas que serão distribuídas para as famílias dos alunos do Centro Educacional Madre Josefa, obra de nossa Rede e que atende famílias que vivem no Complexo do Alemão. O objetivo foi alcançado! Conseguimos recolher cerca de meia tonelada de alimentos. Agradecemos a todos os familiares e colaboradores que se empenharam na concretização desse projeto. Que essa parceria família-escola continue dando muitos frutos!” Alexandre Britto, coordenador missionário, Colégio Imaculado Coração de Maria – Rio de Janeiro-RJ ________________________________________________________ “A situação que vivemos, no contexto da pandemia, tem nos ensinado a ressignificar nossas relações, sejam elas com nosso corpo, com nossas responsabilidades, com o mundo em que vivemos e também com nosso semelhante. Poder ajudar as famílias do Centro do Imigrante, por meio do projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’, tem sido uma experiência incrível. Saber que, de alguma forma, um pequeno gesto solidário que está a meu alcance poderá significar um suspiro aliviado e provisão para os próximos dias de uma família é encontrar, dentro de toda a instabilidade do momento em que vivemos, sentido para a vida. É uma alegria caminhar com pessoas que assumem a responsabilidade de entender o papel da educação na intervenção social. O sentimento é de gratidão por conhecer tantas pessoas boas que têm se mobilizado, em um exercício de empatia, para cuidar e servir.” Beatriz Von Laspera Carelli, professora da educação infantil, Colégio Espírito Santo – São Paulo-SP ________________________________________________________ “Empatia, compaixão e solidariedade. Esses são alguns sentimentos que o projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’ me trouxe neste momento. Mostrou-me o que é ser uma verdadeira cristã e uma cidadã consciente. A pandemia fez com que muitas pessoas parassem e olhassem o próximo. Mas esse olhar vai além do enxergar; estamos sentindo. Um projeto tão lindo, com o qual fui surpreendida por tanto amor e preocupação de tanta gente! E fazer parte disso tudo é colocar em prática valores que não ficam só na teoria. Agradeço a meus colegas Agostinho, Beatriz e Kelly, que compartilham dos mesmos sentimentos e ideias! Gratidão sempre!” Luciana Basile Mendonça Lima, professora do ensino fundamental 1, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP ________________________________________________________ “O que dizer sobre projetos sociais? A gente vê muito por aí sobre trabalhos lindos que envolvem a generosidade e o amor das pessoas em ajudar o próximo ou aquele que nem conhece. Sempre achei lindo, mas nunca tive uma atitude eficaz para me envolver a fundo com esse tipo de ‘trabalho’/‘ação’. Contudo hoje tudo mudou. Acredito que essa pandemia veio nos ensinar muita coisa e nos ajudar a sermos seres humanos melhores, com um olhar mais humanizado e generoso para o outro. A palavra do momento é ‘empatia’, portanto vamos usá-la com todo o significado que ela tem. Fazer parte de um projeto social tem um gostinho diferente. Estou imensamente feliz em participar ativamente. Tem sido mágico, impactante e extremamente importante colaborar com esse tipo de ação, em especial, colaborar com o projeto ‘Tecendo Relações’. Se antes eu já tinha a preocupação em me tornar um ser humano melhor, um ser humano responsável e ajudar o próximo, hoje isso está inserido em minha rotina, enfim em minha vida. Conectar-me com as pessoas para ajudar outras pessoas, ir em busca de descontos, faz-me sentir viva, forte. Sim, eu posso ajudar! Sim, eu quero ajudar! Agradeço imensamente por fazer parte deste projeto lindo. Poder ajudar as pessoas me faz um bem enorme, um bem à alma… Muito obrigada!” Kelly Silva Brandão, coordenadora de Segmento da Ed. Infantil e 1º ano ________________________________________________________ São palavras como as que acabamos de ler que nos ajudam a entender, cada vez mais, que a partilha é um caminho urgente, possível e transformador. Motivar e participar de projetos como o “Tecendo Relações”, tendo a possibilidade de fazer o bem neste momento da história, nos faz felizes e ajuda a pensar sobre nossa missão aqui. Afinal, ajudar as pessoas a encontrar suporte nos momentos de necessidade nos ajuda a entender que estamos
MLDUT: missionários leigos assumem sua vocação

A Igreja no Brasil dedica todo o mês de agosto às vocações e destaca, a cada semana, uma vocação específica. Assim, no início do mês, celebramos o Dia do Padre e o chamado ao ministério ordenado (bispo, padre e diácono). Depois veio a Semana da Família, aprofundando a vocação ao matrimônio e, na sequência, a Semana da Vida Religiosa Consagrada. No quarto domingo, lembramos o Dia do Catequista e, nesta semana, ressaltamos a vocação laical. Em nossa congregação, desde sua origem, Santo Arnaldo Janssen, nosso fundador, sempre valorizou a participação dos leigos, tanto que promovia retiros espirituais para os leigos e leigas. Em nossa Casa-Mãe, em Steyl, as irmãs desocupavam seus quartos e iam dormir no sótão, para acolher as mulheres que vinham para os retiros. Ao longo dos anos, em torno das irmãs, foram surgindo grupos e associações laicais que buscavam vivenciar nossa espiritualidade e colaborar em nossa missão. Em 1921, surgiu a Liga Auxiliar do Espírito Santo e, em 1957, a Associação do Espírito Santo. Em 1978, essas duas organizações se fundiram, dando origem à Associação Missionária do Espírito Santo, a AMES, que se desenvolveu em diversos países, buscando unir espiritualidade e ação social. No Brasil, a AMES teve início em 1982, em Guarapuava-PR, e vários grupos foram se organizando. Entre as duas províncias das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), a Associação chegou a ter quase 4 mil membros. Depois da 1ª Assembleia Internacional da AMES, em 1990, os grupos no Brasil passaram a ser chamados Missionários Leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT). Atualmente se organizam em grupos que se encontram mensalmente para formação, oração e partilha de vida. Também contribuem com a missão, de acordo com suas possibilidades. Em nossa Província Stella Matutina, acompanho os grupos de MLDUT como orientadora espiritual. Visito periodicamente cada um dos grupos e apoio na formação e no aprofundamento de nossa espiritualidade. Também estou ao lado da equipe de coordenação, formada por representantes dos vários grupos. Neste período de pandemia, tivemos de cancelar as visitas, e cada grupo está dando continuidade mais por contatos via WhatsApp e, onde é possível, por reuniões on-line. Sempre entro em contato para conversar com as coordenadoras e ver como o grupo está caminhando. Fico impressionada como a pandemia, ao contrário do que se poderia supor, fez surgir um dinamismo completamente novo e outras formas de engajamento. Entre as missionárias leigas dos grupos, temos quem está aproveitando as redes sociais para promover a evangelização, a partir das pastorais paroquiais, outras organizando reuniões on-line, momentos orantes ou mesmo lives. Aqui trago o depoimento de Maria da Conceição Roberto Gonçalves, mais conhecida como Lia, uma das missionárias do grupo de Funilândia-MG. Ela conta como está vivendo este tempo de pandemia. Pela declaração dela, gostaria de homenagear a cada um e cada uma de nossos MLDUT, pelo testemunho de fé e doação no assumir a vocação laical. Valorização do essencial “Neste tempo de isolamento social, estou estudando o Novo Diretório da Catequese, participando de algumas missas na comunidade, quando nosso ministério de música é responsável pelo canto, assistindo às transmissões da missa da paróquia, de Aparecida, e limpando semanalmente a Igreja, com uma equipe. O seio familiar, graças a Deus, sempre foi bem unido. Partilhamos tudo. Apesar do isolamento social, marido e filhos estão trabalhando. Meu tempo está dividido com os cuidados com a família, orações, descanso, meditação, curso sobre “Crimes cibernéticos: os principais riscos e técnicas básicas de prevenção”, e aprendendo novas partituras musicais. Um olhar para o mundo: pelos impactos dessas mudanças, darão mais valor ao convívio familiar, na valorização do essencial, levando a que se repensem hábitos de consumo, a prática da solidariedade mais evidente, a perceber quais valores estamos colocando à frente de nossas vidas, o crescimento na confiança do amor providencial de Deus.” Irmã Heloise, Cláudia Matos, SSpS, membro do Conselho Provincial, pedagoga e psicóloga, faz parte da Dimensão Missionária das Escolas e é orientadora espiritual dos grupos de MLDUT.
21º Domingo do Tempo Comum

“E vocês, quem dizem que eu sou?”Mt 16,13-20 Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8,27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho. O trecho meditado neste domingo levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que significa ser discípulo dele? São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira de meu seguimento dele. O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. É inócua, pois não compromete quem responde. O “dizem que” compromete ninguém, pois expressa a opinião de outros. Por isso chovem respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas”. Mas Jesus não quer parar aqui, essa pergunta foi só uma introdução. Depois vem a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Agora não há muitas respostas, pois quem responde vai se comprometer: não será a opinião de outros, mas a pessoal. Essa opinião traz consequências práticas para a vida. Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias, o Filho de Deus vivo”. Aqui Mateus acrescenta os versículos 17 a 19, pois quer destacar o papel de Pedro (e, por conseguinte, dos líderes de sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que, nos evangelhos, somente aqui e no capítulo 18 é chamada de “Igreja”. “As chaves do Reino” não se referem ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos. O fundamento, o alicerce dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Mas continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?”. Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça. Por isso Jesus toma uma atitude aparentemente estranha: “Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias!”. Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fale a verdade sobre ele! Como é que espera angariar discípulos desse jeito? O assunto merece mais atenção. Realmente Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”. Pois cada um pode entender esse termo conforme os seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” (um termo hebraico; em grego, seria “cristo”, e significa “ungido”) para ele é ser o “Servo de Javé”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo. Não significa ser o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então. Em nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia a clarificar em que Jesus acreditamos. O Jesus sentimental, que existe para resolver os meus problemas, tão amado por setores da mídia, e também de grandes setores das Igrejas, ou o Jesus bíblico, o Servo de Javé, que veio para dar a vida em favor de todos? O Jesus da “teologia de prosperidade” ou o Jesus proclamado quase diariamente pelo Papa Francisco, o Jesus de Nazaré verdadeiro? Esse assunto virá à tona no Evangelho do próximo domingo. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Colégio Imaculado Coração de Maria celebra o centenário

O Colégio Imaculado Coração de Maria, situado no Bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, está celebrando seu centenário de fundação. Embora tenha planejado a festa há bastante tempo, por causa da pandemia, precisou mudar os planos. Devido ao distanciamento social, a festa terá um estilo completamente diferente, impensável há poucos meses. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, explica que a festa será virtual, utilizando os recursos de transmissão ao vivo pela internet. Para ela, celebrar os cem anos da instituição, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, significa renovar a esperança e manter a escola de portas abertas, ainda que virtualmente. “Significa manter o movimento e o dinamismo de uma escola viva”, afirma, baseando-se no lema da Rede de Educação: “Escola viva: vê, sente e cuida”. O colégio foi inaugurado oficialmente no dia 19 de março de 1920, mas, por causa de Nossa Senhora, a patrona da comunidade escolar, surgiu a tradição de celebrar sua festa em 22 de agosto. “Há 100 anos, o colégio faz história, formando crianças e jovens à luz dos valores evangélicos, comprometido com a transformação social”, conta Ir. Fátima. Ela recorda também os muitos desafios que o colégio teve de enfrentar. Com as reformas e ampliação dos ambientes, o Colégio Imaculado Coração de Maria conta atualmente com espaços modernos que atendem seus 900 alunos. Para marcar a celebração do centenário, no período da manhã de sábado, haverá um drive-thru, em que as famílias poderão passar pelo colégio e, sem sair do carro, os alunos poderão ver seus professores, matarem a saudade e receber um kit comemorativo pelo centenário. Além disso, poderão doar alimentos não perecíveis, que serão destinados às famílias atendidas pelo Centro Educacional Madre Josefa, no Complexo do Alemão. Às 19h30min, haverá uma apresentação-surpresa transmitida ao vivo pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. Neste vídeo você vai ver o depoimento de algumas pessoas que ajudam a construir a história do Coração de Maria: Como fazer para dar aulas no Coração de Maria? A seguir apresentamos o depoimento emocionado de Susete Parreira, atual diretora educacional do colégio. Um século de história! Nossa, é muito tempo! Embora eu não tenha muitos anos no Colégio Imaculado Coração de Maria, ele sempre esteve por perto, ou melhor, presente em meu caminho. Primeiramente, pela exuberância de seu prédio, que salta aos olhos de quem passa pela Rua Aristides Caire, e também por alimentar meu sonho de um dia vir a fazer parte do grupo de seus colaboradores, como professora. Trabalhei em outros colégios do entorno e, sempre que passava por sua porta, pensava em como fazer para dar aulas no famoso Coração de Maria do Méier. A vida dá muitas voltas, e hoje nossas histórias se cruzam. Não dou mais aulas de Geografia. Sou diretora, e digo isso com o coração transbordando de orgulho e felicidade! Minha eterna gratidão às irmãs missionárias servas do Espírito Santo, por acreditarem e confiarem a mim a administração da parte educacional de seu colégio. Farei minhas as palavras de toda uma comunidade que reconhece a importância desta instituição em suas vidas. São palavras de carinho, de afeto, de orgulho e de um imenso reconhecimento por tudo o que este colégio proporcionou a cada um deles. Hoje já são pais, avós e continuam trazendo os filhos, os netos, os sobrinhos. Várias gerações de uma mesma família cresceram e se formaram adultos nas salas de aula, nos bancos, nos corredores deste colégio que era a segunda casa deles, como até hoje o dizem. Estudar e trabalhar no Imaculado Coração de Maria é se dar a oportunidade de crescer como ser humano, de desenvolver-se como pessoa na generosidade e solidariedade pelo outro. Aqui se aprende o valor e a importância dos ensinamentos de Jesus Cristo: amar e respeitar o próximo, também a propagar a Palavra de Deus “em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”.Ao longo destes cem anos, muitas mudanças aconteceram. O mundo se transformou, mas a essência missionária deste espaço de ensino e formação não foi alterada. As irmãs exercem um papel importante em nosso dia a dia. Elas iluminam, com sua espiritualidade e afeto, nossa rotina escolar. Ajudam-nos na condução da educação e construção de pessoas melhores, mais humanas. E quando falamos nas irmãs, imediatamente nos lembramos da querida e inesquecível irmã Mansuetis Santanna, carinhosamente chamada por nós de irmã Mansu, com seus 92 anos de idade e ainda estudando alemão. Mas sabemos que há outras irmãs que também deixaram suas lembranças nas memórias de vários ex-alunos ao longo deste século de existência. Um tempo pleno de fé, vitórias, lágrimas, tristezas, de idas e vindas, gratidão e esperança de poder escrever mais cem anos de história no Bairro do Méier, destacando-se na Zona Norte da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. Parabéns pelos seus cem anos, Colégio Imaculado Coração de Maria! Centenário do Coração de Maria “Como é cheio de vida e de encanto,Um Colégio como este onde o amor…” E assim, partindo de um sonho de amor, em 1920, nasce o Colégio Imaculado Coração de Maria, que se torna o cenário de muitas histórias, com a nobre missão de educar crianças e jovens. A missão das queridas irmãs missionárias servas do Espírito Santo irradia, através dos tempos, os valores cristãos e éticos, a vivência da fé e a construção de uma sociedade justa e sustentável. Por sua tradição permeada de afeto, integridade e compromisso com a formação integral do ser humano, firma uma excelência acadêmica. Uma construção coletiva, desenhada por gerações, transformando o Coração de Maria em uma referência de passado, presente e futuro. O projeto educacional estruturado em sua trajetória vem, a cada dia, inovando-se diante das demandas que se apresentam no mundo, sem perder sua essência, sua identidade, seus fundamentos e princípios que fazem dela uma “Escola que vê, sente e cuida”, “Onde a educação está em todo lugar”. A idade mágica de cem anos de existência é
SSpS: 118 anos de presença missionária no Brasil

No dia 20 de agosto, as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) recordam a chegada das seis primeiras irmãs ao Brasil, em 1902. Naquela época, com apenas 13 anos de fundação, a jovem Congregação experimentava uma vitalidade missionária extraordinária. Fundada em Steyl, na Holanda, já havia enviado missionárias para Argentina (1895), Togo (1897), Papua-Nova Guiné (1899) e Estados Unidos (1891). A disposição de vir para o Brasil partiu do próprio fundador, Santo Arnaldo Janssen. Após muita oração e discernimento, ele decidiu pelo envio do grupo pioneiro. Madre Josefa era a Superiora-Geral e ajudou a preparar as irmãs. Eram elas as irmãs Walburgis, Laurência, Bonifácia, Crescência, Regina e Córdula. O objetivo principal das missionárias na América Latina era reavivar a fé nas famílias cristãs. No Brasil, havia também a grande necessidade de escolas. Por isso, as irmãs já vieram focadas em iniciar um colégio, a partir do qual poderiam estar em contato com muitas pessoas. É surpreendente a coragem das primeiras missionárias. Em janeiro de 1903, poucos meses após a chegada, ainda mal falando o português, deram início a uma escola que depois viria a se tornar o Colégio Stela Matutina, em Juiz de Fora-MG. Depois delas, outras irmãs foram chegando, não somente para as escolas, mas também para trabalhar em hospitais e nas pastorais. Muito rapidamente, espalharam-se pelo Brasil, assumindo diferentes frentes missionárias, especialmente em locais onde as necessidades eram maiores. Em 1963, quando decidiram estabelecer uma segunda província no Brasil, já somavam um total de 461 irmãs, entre missionárias vindas da Europa e irmãs brasileiras. Sempre atentas aos apelos do Espírito Santo, as missionárias SSpS acompanharam as grandes transformações pelas quais passou a Igreja, com o Concílio Vaticano II e as conferências de Medellín e Puebla. Foram ao encontro dos mais pobres nas periferias das grandes cidades e para o interior, nos locais onde a Igreja ainda não estava devidamente estabelecida. Desde então, marca presença também com populações indígenas. Atualmente, o número de missionárias SSpS no Brasil está em torno de 200, organizadas nas províncias Stela Matutina (Estados de São Paulo, Tocantins, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Divina Sabedoria (Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará, Amazonas e Roraima). Um aspecto marcante da Congregação, e que sempre esteve presente nestes 118 anos no Brasil, é a interculturalidade. No início, isso se dava pela presença de irmãs europeias e brasileiras. Atualmente, a variedade cultural está crescendo, com a chegada de irmãs de outros continentes, especialmente da Ásia. O compromisso com a vida e a busca de construir comunhão se fortalecem com as práticas cotidianas de “Justiça, Paz e Integridade da Criação”, conhecidas pela sigla Jupic, e que fazem parte do estilo de vida das missionárias. Concretamente, significa que as irmãs priorizam o cuidado com a ecologia, defendem os direitos humanos e os grupos menos favorecidos, assumem as principais causas sociais e promovem uma cultura de paz, fundamentadas nos valores do Evangelho. Os campos de missão são muito diversificados em cada uma das províncias. Mas, ao viverem o carisma missionário e a espiritualidade trinitária, seja qual for a obra social, educacional, pastoral ou da área da saúde, as irmãs sempre buscam vivenciar o lema de nossa congregação “Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”. Irmãs SSpS Brasil Norte em sua história…
Irmã Zilda Hornai: confiança em Deus e desafios em nossa cultura

A irmã Zilda Maria Cofitalan Hornai pertence à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo. Ela é natural do Timor Leste, um país insular, localizado na Ásia, que conquistou sua independência de Portugal no ano de 1975 e, em 2002, da Indonésia, com o fim da ocupação. Sua população é composta por vários grupos étnicos e fala cerca de dezesseis línguas. A primeira vez que irmã Zilda sentiu o chamado foi quando participava do grupo de coroinhas e assistiu ao filme sobre Santa Teresa de Calcutá. Ela ficou profundamente tocada. “Queria também me tornar uma freira para servir ao povo de Deus e, como as irmãs, ter uma vida muito simples”, narra. Um dia, ela encontrou uma missionária serva do Espírito Santo e expressou sua vontade de entrar numa congregação. “Nunca perdi de vista esse desejo até que terminei meus estudos e entrei. Tinha 19 anos”, conta Ir. Zilda. Ela passou quatro anos em formação religiosa antes de se tornar freira. Ao falar sobre os primeiros votos, seus olhos brilham e, com muita alegria, diz: “Deus me escolheu!”. Naquele dia, os pais, os parentes e os paroquianos foram para testemunhar sua consagração religiosa, realizada na paróquia. “Foi uma festa muito especial, com comidas deliciosas e danças, que foi até o sol se pôr”, lembra Ir. Zilda. Antes de entrar na congregação, Ir. Zilda achava que freira não precisava estudar, mas, durante seu estágio pastoral em uma escola das irmãs, percebeu que queria ser professora. Na formação, aprendeu sobre a Congregação, sua missão, carisma, internacionalidade e que as irmãs são enviadas para onde são mais necessárias. Só não imaginava que sairia do país para estudar e que viria para o Brasil, a fim de fazer faculdade e passar por uma experiência intercultural de seis anos. Para isso teria de deixar sua cultura, sua família, suas irmãs, sua comida e adaptar-se a uma nova vida. Chegando ao Brasil, sentiu muita saudade de seu país, porque tudo era diferente: a linguagem, a comida e as irmãs, muito mais idosas do que ela. Com o tempo, Ir. Zilda começou a gostar da vida no Brasil. “As irmãs são simpáticas e carinhosas, cuidando com muita atenção para que não me sentisse fora da comunidade”, conta. O que a ajudou foi lembrar-se sempre de São José Freinademetz. Enviado como missionário para a China, ele se tornou chinês com os chineses, a ponto de afirmar que queria ser chinês até mesmo no céu. “A vida dele se tornou uma inspiração para mim, pois me ensina a me adaptar, acolher e aceitar esta nova cultura”, afirma. A vida comunitária com irmãs de faixas etárias, nacionalidade, pensamentos, sentimentos e temperamentos diferentes não é fácil, mas ela explica que é possível: “Quando nos ajoelhamos diante de Deus, em oração, Ele nos dá força e paciência para nos entender umas com as outras e aceitar, com todo o coração, sem julgar e sem preconceito”. No dia 11 de agosto, Ir. Zilda renovou, pela quinta vez, seus votos religiosos, sendo a terceira vez aqui no Brasil. Relata que foi uma grande alegria ter uma Eucaristia presencial depois de meses de missa só pela televisão, por causa da pandemia. “Sinto-me privilegiada e grata por poder continuar o legado de nossa Congregação e de nossas irmãs. Cada vez que renovo meus votos, coloco-me à disposição como Nossa Senhora: ‘Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim segundo sua vontade’”, partilha. Sobre seus estudos na faculdade, Ir. Zilda confessa que, no início, estava com muito medo e nervosa, pois não conhecia ninguém, mas disse a si mesma que enfrentaria seu medo, conversando com os outros alunos. Aproximou-se dos demais, e o medo foi embora. Com o passar dos dias, começou a sentir-se confiante. Agora ela tem uma relação muito boa com os colegas e também com os professores. O Timor Leste tem dois idiomas oficiais, o português e o tétum. Embora as escolas ofereçam aulas de língua portuguesa, como esta não é a língua falada, os alunos, segundo Ir. Zilda, não levam a sério para aprendê-lo bem. Mas agora, cursando Pedagogia, ela tem de se esforçar e trabalhar muito para dominar o idioma e compreender a linguagem dos livros. Mas, com determinação, conseguiu passar em todos os semestres, sem falhar em nenhuma disciplina. Nas horas de descanso, a irmã pratica violão e toca nas orações e recreações da comunidade. Além disso, está sempre disposta a ajudar em tudo o que precisa. Para outras irmãs que chegam ao Brasil, Ir. Zilda é uma inspiração, pois percebem que elas também podem aprender, pois, como crê, “É Deus quem conduz nossa vida quando colocamos nossa confiança nele”.