Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz

“Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”Lc 2,16-21 Embora, em Lucas, haja certa confusão sobre as referências cronológicas nas narrativas da infância de Jesus (Quirino não foi governador no tempo de Herodes e não se têm informações extrabíblicas sobre um recenseamento feito por Augusto), a finalidade do autor é situar o nascimento do Salvador firmemente dentro da história humana, especialmente a história humana dos pobres e excluídos. Jesus nasce filho de viajantes, forçados a sair de casa pelo poder opressor do Império, pois a finalidade de um recenseamento é alistar todos para a cobrança de impostos. Assim, o Messias nasce em condições sub-humanas e indignas; como nascem e se criam milhões de crianças, todos os anos, em nossa sociedade atual. Como não há lugar para eles na “hospedaria” (um tipo de albergue para viajantes, onde os animais ficavam no pátio; no primeiro andar, existia a cozinha comunitária; e, no segundo, dormitórios, algo ainda comum em certas regiões do Oriente hoje), Maria dá à luz em uma gruta ou estrebaria e deita Jesus em uma manjedoura. Logo, Lucas introduz mais personagens tirados das fileiras dos excluídos da religião e sociedade de então: os pastores. No tempo de Jesus, são considerados como delinquentes, dispostos sempre ao roubo e à pilhagem, por isso não merecem confiança alguma nem podem testemunhar em juízo. É importante notar que, em Lucas, são pessoas pertencentes a duas categorias proibidas de dar testemunho em juízo (pastores e mulheres) que Deus escolhe para testemunhar os dois eventos mais importantes da história: o nascimento e a ressurreição do Salvador. O Natal se torna festa de inclusão dos que a religião oficial e a sociedade dominante excluem (enquanto a maioria da classe abastada de nossa sociedade atual celebra o Natal exatamente nos templos de consumo de hoje, os shoppings, onde pessoas pobres são excluídas do banquete de poucos). Assim é tão bom escutar (e assimilar) as palavras do Papa Francisco sobre o sentido natalino. Facilmente, até nós, pessoas bem integradas nas Igrejas, assimilamos, como por osmose, a mentalidade consumista e materialista, e, muitas vezes, sem que notemos. Que contradição!É importante refletir como Lucas nos apresenta a pessoa de Maria nesse texto. Enquanto todos os que ouviam os pastores “assombravam-se” (v. 18), “Maria, porém, conservava isso e meditava tudo em seu íntimo” (v. 19). Dois textos do Antigo Testamento usam o mesmo verbo grego (synetèrein): Gn 37,11 e Dn 4,28, para descrever a perplexidade íntima de uma pessoa que procura entender o significado profundo de um fato. Assim, Lucas enfatiza que Maria não capta de imediato todo o sentido daquilo que ouve, mas medita as palavras, contemplando-as, para descobrir seu significado. Maria cresce na fé, acolhendo e discernindo o sentido profundo dos acontecimentos; torna-se peregrina na fé, modelo para todos nós, convidando-nos a nos mergulhar nos relatos evangélicos, contemplando os mistérios da vida de Jesus e o que eles podem significar para nós hoje. A festa de hoje, também Dia Mundial da Paz, nos faz lembrar a mensagem dos anjos: “Glória a Deus no alto, e na terra paz aos homens que ele ama” (v. 14). Aqui Lucas cria um binômio: dois elementos conjugados, ou seja, uma maneira de dar glória a Deus no alto é a criação da paz entre as pessoas aqui na terra. Atrás do termo “paz”, há um cabedal de reflexão teológica vindo do Antigo Testamento. O nosso termo “paz” capta somente uma parte do que significava a palavra hebraica shalom, que não se limita a uma mera ausência de violência física, mas inclui a realização de tudo que Deus deseja para os seus filhos e filhas. Portanto o texto natalino nos convida e desafia para que demos glória a Deus por meio de nosso esforço em criar um mundo de shalom, onde todos possam “ter a vida e a vida em abundância!” (Jo 10,10). Como o conceito bíblico de shalom foge a nossos conceitos ocidentais, anexo novamente uma excelente reflexão sobre o termo, feita por Frei Ildo Perondi, OFMCap, de Londrina-PR (repetindo o que mandei ano passado). Shalom para todos, todas! Shalom! Quando eu estava em Roma, escrevendo a minha tese, devia fazer uma análise do termo hebraico “Shalom”. Não estava contente com as explicações dadas pelos dicionários, que, em geral, traduziam o termo por “Paz”. Por isso fui procurar um rabino hebreu, que muito carinhosamente me recebeu. ― Falar de Shalom é algo muito importante… – disse-me ele. Talvez seja um dos termos hebraicos mais carregados de sentido e força que temos em nossa língua. É certo que traduzir simplesmente por “Paz” empobrece muito o sentido da palavra original. Enquanto ele falava, calmamente, pegou um copo e tomando uma jarra de água, foi colocando no copo muito devagar, deixando soar o borbulhar da água. O copo foi enchendo, e quando mais chegava perto da borda, ele ia cuidadosamente derramando ainda água… ― Veja bem, não cabe mais nada. Nem uma gota de água neste copo. Se eu colocar mais, vai derramar, vai transbordar. É quando tudo está completo, é a plenitude. Está me entendendo? Balancei a cabeça em sentido negativo, olhando para o copo cheio, de tal modo que não coubesse mais nada. ― O Shalom é isso, irmão meu. É o máximo que pode caber. Quando eu desejo um Shalom a alguém, eu desejo todo o bem, tudo de bom, tanto bem que mais do que isso é impossível desejar. Sinal da quitação, quando não existe nada mais a pagar. Está entendendo? ― Sim, agora entendi o que é o Shalom! ― Não ainda, irmão meu. Para entender bem o sentido do Shalom, é preciso receber o Shalom; é preciso ter o Shalom… Posso ver em você perturbações, conflitos internos… Para você ter o Shalom, é preciso que você tenha a harmonia interna, que você equilibre dentro de você as forças, que se sinta bem, que você esteja em harmonia consigo mesmo, que esteja em paz… ― Agora entendi… ― Ainda não… Você não está sozinho neste mundo. Você

Solenidade da Epifania do Senhor

“Ajoelharam-se diante dele e o adoraram”Mt 2,1-12 Hoje, no Brasil, celebramos uma das grandes solenidades do Ciclo de Natal, a Manifestação do Senhor (Epifania, em grego, cuja data tradicionalmente era 6 de janeiro). Nela comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado não somente ao seu próprio povo, mas a todos, representados pelos magos do Oriente. Embora a solenidade tenha muita popularidade folclórica, ela celebra uma grande verdade da fé, que a salvação em Jesus é para todos os povos, sem distinção de raça, cor ou tradição religiosa. Retomando a grande intuição do profeta Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus. O texto de hoje é altamente simbólico. Usa uma técnica da literatura judaica chamada midrash, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las. Assim, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento. Por exemplo: • Vêm os magos (nem três, nem reis no texto bíblico!) buscando o Rei dos Judeus. Esses personagens lembram os magos que enfrentaram e foram derrotados por Moisés (Êx 7,11.22; 8,3.14-15; 9,11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por Ele. Os magos, no relato antigo, contestaram Moisés, mas, no relato mateano, vêm adorar Jesus, pois, para Mateus, Ele é o Novo Moisés e maior do que Moisés. • A estrela é sinal da vinda do Messias, prevista na profecia de Balaão (a “Estrela de Jacó” de Nm 24,17). • O menino nasce em Belém, segundo a profecia de Miqueias (Mq 5,1). • Os presentes lembram as profecias de Segundo Isaías e os Salmos sobre os estrangeiros que iriam a Jerusalém, levando presentes para Deus (Is 49,23; 60,5; Sl 72,10-11). • Herodes é o novo Faraó, que também massacra os filhos do povo de Deus (Êx 1,8.16). O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do acontecido. Os que deveriam reconhecer o Messias (pois são versados nas Escrituras) ficam alarmados, pois, para eles, opressores do povo por meio da religião e da política, Jesus e sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do Oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus e entregam-lhe presentes, sinais da partilha que será característica do Reino que Jesus veio pregar. Hoje em dia, verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e de seu Evangelho. Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico, com shows e cantos, como se vê claramente nas festas natalinas, quando até bancos, que desfrutam de lucros astronômicos e imorais, esteios que são do sistema neoliberal, que cria pobreza em toda parte, promovem apresentações sentimentais de Natal, usando os mesmos pobres que eles ajudam a criar! De forma alguma, esse tipo de celebração questiona a nossa sociedade e seus valores. Para outros, o menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todas as pessoas de boa vontade devem se unir, seja qual for sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer. Jesus não precisa de presentes, mas sim de nosso esforço na vivência do Reino de Deus. Não caiamos em celebração vazia das histórias do Ciclo Natalino, reduzindo seu sentido a algo somente sentimental e folclórico. Na prática, temos de optar, ou para uma vivência religiosa vazia, como a de Herodes e dos sumos sacerdotes, ou pela mensagem libertadora e salvadora do Menino de Belém, que convoca todos, representados pelos magos, para a construção de um mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

2021: “esperança” é a palavra

O ano que chega reforça o significado de “esperança”. Nunca fomos tão necessitados dessa que, juntamente com a fé e a caridade, é uma das virtudes cristãs. Irmãs e irmãos dos mais variados contextos de nossa missão partilham os votos de um feliz 2021. Que a luz tenha vez sempre! Veja! ________________________________________ Bênçãos de Deus Trindade Vivemos em 2020 um ano desafiador. Que 2021 venha dissipar as trevas de nosso coração, enchendo-o de esperança e de paz! Desejamos um ano repleto das bênçãos de Deus Trindade! Carla Bonfin de CarvalhoMissionária leiga de Deus Uno e TrinoRio de Janeiro-RJ ________________________________________ Defesa da vida Que 2021 seja um ano abençoado, que nos permita aumentar a nossa consciência de que tudo o que se move é sagrado e pede de nós compaixão e colaboração no cuidado e na defesa da vida. Irmã Helena Suzana Christo, SSpS ________________________________________ Pensar no novo ano é fazer uma reflexão sobre o que termina. Fizemos escolhas que, em certa normalidade de tempos atrás, nem pensaríamos fazer. Vivemos de uma forma diferente, mas temos a certeza de que não faltou intensidade diante do desafio do novo. Cabeça erguida, que o caminho é subida e o destino é o céu, e cada sonho vale muito. Que também possamos deixar pedacinhos de nós pelos caminhos e que, também em 2021, eles possam ser partes de histórias da comunidade de uma escola viva que vê, sente e cuida. E assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de “nós”. Marcos Eduardo Melo dos SantosProfessor de Ensino Religioso do Colégio Espírito SantoSão Paulo-SP ________________________________________ Deixar o mundo melhor do que o encontramos O que desejo para 2021 é que tenhamos coragem para nos enfrentarmos, encontrarmos Deus dentro de nós mesmos e, servindo aos outros, servir a ele. Que cada um de nós possa contribuir para deixar o mundo melhor do que o encontramos, cuidando dos relacionamentos e amando o próximo como a nós mesmos. Paulo Flávio Queiroz GomesProfessor de Biologia no Colégio Sagrado Coração de JesusBelo Horizonte-MG ________________________________________ 2021 será melhor O ano de 2021 será melhor, porque 2020 foi de desafios, de aprendizados, de um reinventar-se. O ano novo será melhor porque, em 2020, exercitamos mais a solidariedade, a escuta, o amor e a doação. Irmã Eva Bueno, SSpSProvíncia Brasil-Sul ________________________________________ Partilhar o amor Que, em 2021, a luz de Cristo nos ilumine para receber, com fé e confiança, o Deus Menino. Ele se encarna para nos ensinar a viver a solidariedade, a partilhar o amor de Jesus que transcende nossa humanidade, para encontrar com o Cristo que há em cada ser humano, a perdoar e viver a alegria de renascer em Cristo, com paz. Que o amor de Cristo encha nosso coração com a luz do novo tempo que se aproxima! Que 2021 seja repleto de esperança, saúde, alegria, amor e paz! Feliz 2021! Valdirene Pereira SilvaNoviça SSpS ________________________________________ Que seja um ano transformador Fechamos 2020, e uma coisa é certa: tivemos de desacelerar, em todos os sentidos. Aprendemos muitas coisas, mas talvez a principal delas foi descobrir que sozinhos não somos nada nem ninguém. Ao desacelerar, tivemos tempo para prestar mais atenção ao outro e a nós mesmos. Aprendemos a identificar e a lidar com nossas próprias emoções e a ter um olhar mais generoso em relação a si próprio e ao próximo. E para 2021? O que podemos esperar? É tempo de transformação, tempo de construir novos caminhos e de fortalecer ainda mais nossa fé. Sem dúvidas, é tempo de acreditar que dias, meses, anos melhores virão por aí. É tempo de traçar novas metas e renovar as esperanças. Que 2021 seja um ano transformador! Luciana Marzullo AraujoCoordenadora missionária do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ 2021: nova oportunidade O ano de 2020 nos trouxe uma inesperada tempestade. Ninguém estava preparado para enfrentar semelhante pandemia (covid-19). O medo diante da proximidade da doença e da morte gerou muitas reações. Mas certamente também foi como um frear a velocidade com a qual todos estávamos indo. Estamos alvorecendo o ano de 2021. Convido a alegrar-nos! A crise é global, mas também pessoal e comunitária, entretanto não deixa de ser uma oportunidade para a real solidariedade, a fraternidade sincera, o amor concreto, o respeito a todos, independentemente de raça, credo, gênero ou opção sexual; o cuidado com os mais vulneráveis, entre eles a Terra. Cada um de nós pode tornar 2021 um ano verdadeiramente novo. E, por que não, um ano cheio de paz, bondade e harmonia. São estes os meus votos para que 2021 seja bem melhor! Irmã Juana Ortega Torres, SSpSMissionária em Moçambique ________________________________________ Um milagre em cada recomeço Minha expectativa é de que 2021 seja ano de paz saúde, harmonia e muita fé… Que tenhamos sabedoria para lidar com todos os momentos que hão de vir! Existe um milagre em cada recomeço. Rose SantosColaboradora da missão no Convento Santíssima TrindadeSão Paulo-SP ________________________________________ Tempo de serenidade O que falar do ano de 2020, agora que chegou ao fim? Foi um ano para agradecer! O mais diferente em muitas e muitas décadas. Por mais crítico que tenha sido, ele nos apresentou oportunidades únicas nesta nossa passagem pela vida. O ano que, sem compaixão, tirou-nos do automático. Paciência… Resiliência. Fez com que olhássemos para os mais velhos, nos fez conjugar ainda mais o verbo cuidar. Vem aí 2021! Já está invadindo nossas casas, e temos de ter em mente que não podemos nos deixar levar pela angústia, pela ansiedade, pelo medo e pelas incertezas. A palavra de ordem, agora, é serenidade. Que 2021 venha com esperança de um novo tempo! Roberta Pimentel AouilaProfessora de Língua Portuguesa do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ Aprendizado para toda a vida Virão! Um novo ano, novas formas de ser e agir, novo jeito de ser gente no mundo! Caminhamos, tropeçamos, levantamos e seguimos adiante, cada pessoa a seu modo. Vivemos um processo de cuidado mútuo, um aprendizado para toda a vida. Perdas, despedidas, ganhos, novas oportunidades, alegrias, esperanças e

Vá, 2020

Vá, 2020! Vá e leve com você a dor e o luto dos que ficaram, sentindo a morte de entes queridos e amados… Mas deixe a saudade e nos encha de memórias! Vá, 2020! Leve a insensatez de governantes no poder, mas deixe nossa esperança na boa política! Vá, 2020! Leve o silêncio das escolas vazias, mas deixe as novas possibilidades potentes de aprendizado! Vá, 2020! Leve nossa falta de fé, mas nos deixe plenos de espírito e espiritualidade! Vá, 2020! Leve os dramas vividos em cada família, mas deixe as novas formas de experienciar afetos e conexões! Vá, 2020! Leve o desemprego, mas deixe nossa capacidade de não desistir, jamais! Vá, 2020! Leve as palavras mal ditas, mas deixe um arsenal de motivos para refazer elos desfeitos! Vá, 2020! Leve o peso de relações tóxicas, mas nos deixe acreditando na leveza da humanidade! Vá, 2020! Leve a fome e o racismo… Vá, 2020! Leve os abraços não dados, mas deixe nosso olhar impregnado de acolhida e afeto! Vá, 2020! Leve a correria, mas deixe nossa atitude e compromisso de desacelerar a vida do planeta! Vá, 2020! Leve a solidão de tantos lares e pessoas, mas deixe-nos atentos para sermos presença na vida de tantas pessoas a nosso novo redor! Vá, 2020! Leve as “balas perdidas”, mas deixe nossa indignação e sede por justiça! Vá, 2020! Leve o adoecimento, mas deixe a incansável energia dos profissionais da saúde a nos curar! Vá, 2020! Leve o distanciamento social, mas deixe as novas formas de sermos uns pelos outros! Vá, 2020! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Festa da Sagrada Família

“Ele crescia cheio de sabedoria, e o favor de Deus estava com ele”Lc 2,22-40 O Evangelho na Festa da Sagrada Família é tirado dos primeiros capítulos de Lucas. Mais uma vez, encontramos um tema muito importante: o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança. Durante o Advento, Lucas fazia um paralelo entre Isabel, Zacarias e João Batista, e Maria, José e Jesus. No texto de hoje, os justos da Antiga Aliança são representados pelas figuras de Simeão e Ana, profeta e profetiza. Outros dois temas de Lucas também se destacam nesse relato: o Espírito Santo e a opção pelos pobres. Lucas destaca que os pais de Jesus foram ao Templo, conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para oferecer o sacrifício (dois pombinhos). Na Lei, esse sacrifício era permitido aos pobres. Mais uma vez, continuando a lição da manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus aos pobres. Deixa bem claro que Maria, José e Jesus eram contados entre eles; como, aliás, era toda a população de Nazaré de então! Simeão e Ana representam, em quase os mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salvação de Deus, o grupo conhecido no Antigo Testamento como os anawim, ou “pobres de Javé”. É de notar-se que, em seu canto, Simeão proclama que ele pode “ir em paz”, simbolizando que as esperanças dos justos da Antiga Aliança agora serão realizadas em Jesus. Como na Visitação, a idosa Isabel, símbolo também dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com Jesus; agora Simeão e Ana recebem, com a mesma alegria, a novidade da Nova Aliança, concretizada em Jesus. Mais uma vez, Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum em seus escritos (cf. 4,25-28; 4,31-39; 7,1-17; 7,36-50; 23,55-24,35; At 16,13-34). Assim, Lucas insiste que homem e mulher se colocam juntos diante de Deus. São iguais em dignidade e graça, recebem os mesmos dons e têm as mesmas responsabilidades. Como já fez em 2,19 e fará de novo em 2,50, Lucas frisa que os pais não entendem plenamente ainda o alcance do mistério de Jesus. O versículo 33 insiste que “O pai e a mãe do menino estavam admirados do que se dizia dele”. Mais uma vez, apresentando-nos José e, especialmente, Maria como modelos de fé. Apesar de qualquer revelação que eles tivessem, também precisaram caminhar na escuridão da fé, descobrindo, passo a passo, o que significava ser discípulo de Jesus. Jesus “crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria, e o favor de Deus estava com ele”. Mas esse crescimento foi gradual, como com todos nós, e sua família tinha um papel importantíssimo em seu crescimento. Se, como adulto, ele podia nos dar a imagem de Deus como o amoroso Pai, tema tão caro a Lucas, era porque também aprendeu isso pela experiência do pai adotivo, José. Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era porque aprendeu isso desde o berço, junto com os pais. Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era porque assim se aprendia no ambiente familiar. Em um mundo como o nosso, que desvaloriza a vida familiar, o texto de hoje deve nos animar e desafiar, para que, como Maria e José, na claridade e na escuridão da caminhada, criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde nossos jovens possam aprender, como por osmose, a importância do amor nutrido em uma fé viva, na contramão da nossa sociedade consumista e materialista, que vê na família unida uma ameaça a seus contravalores. Ninguém ignora que hoje a família tradicional enfrenta enormes dificuldades. Diante dos problemas, respostas fáceis não servem. Nem sempre é óbvio o caminho a seguir. Novas dificuldades e novas perguntas exigem um novo olhar da parte da Igreja. Há poucos anos, presenciamos algo, infelizmente, quase inédito na Igreja: um Sínodo sobre a família, em que todos os participantes eram convidados pelo Papa a expressar, abertamente e sem medo, suas opiniões. Como a Igreja precisava disso! Houve divergências, obviamente, pois nem tudo é claro. Há quem prefira ignorar a realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam, muitas vezes, muito sofrimento no seio das famílias e refugiar-se em chavões legalistas em lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situações. O Espírito Santo vai iluminar a Igreja e as famílias se realmente buscarmos juntos as maneiras evangélicas a responder aos novos desafios. Rezemos pelas famílias, pelas que estão bem firmes e pelas desestruturadas, e rezemos pelo Papa Francisco, para que tenha força e saúde para continuar sua grande missão como representante de Jesus compassivo e misericordioso em nossos tempos. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Nossa mensagem de Natal

Neste ano, a celebração do Natal está muito diferente das anteriores. Revela-se um contexto que nos conduz a uma comemoração mais silenciosa, restrita a círculos familiares, sob a exigência da distância social. Assista ao vídeo e veja nossa mensagem! blog.ssps.org.br

O tesouro da liturgia doméstica no Natal

A pandemia não trouxe apenas dor, luto, lágrimas. Estamos sendo obrigados a rever várias atitudes, inclusive dentro da prática religiosa. Assim, eu gostaria de deter-me um pouco nesse aspecto. Antes de entrar no tema do Natal, acho bom partilhar algumas considerações. Nestes meses, foram revelados, escancarados alguns problemas que quase sempre existiram, mas andavam meio disfarçados pela correria do cotidiano. Sem querer esgotar a lista, destaco aqui o clericalismo (não apenas de clérigos, diga-se!); o desconhecimento da amplitude litúrgica de nossa Igreja (até hoje, muitos pensam a liturgia apenas como a missa); e o “assistir” passivamente aos ritos, seja pela tevê, seja pelas redes sociais; em resumo, aflorou-se a ignorância ou a omissão quanto às bases existentes desde o início da Igreja e restabelecidas, com louvor, pelo Concílio Vaticano II. Os perigos reais da famigerada covid-19 obrigaram comunidades de fé a terem de respeitar o isolamento, afetando gravemente a vida eclesial. Um dos lados positivos dessa história é a Igreja ter tirado a poeira que escondia um tesouro: as liturgias domésticas. Até pelos séculos IV, V, os seguidores de Jesus se reuniam na chamada domus ecclesiae para celebrarem os sacramentos, serem instruídos, organizarem a caridade e consolarem-se. Muitos de nossos ritos atuais são herança desse tempo. O cristianismo, contudo, passou a ser “religião oficial”, e isso levou os cultos para ambientes públicos, cheios de pompa. A liturgia doméstica valoriza o sacerdócio comum dos batizados. Essas celebrações, devem estar em comunhão com a Igreja, mas não se atrelam a certos protocolos dos ofícios comunitários. O despojamento, a brevidade e, claro, o ar familiar dão o tom. Por isso não é recomendável transferir mecanicamente para o lar o modelo da igreja paroquial. Em tempo: é importante sublinhar que esse formato é “outra liturgia” e não se opõe jamais à comunitária. Ambas podem (e precisam) conviver, mesmo depois da pandemia. Para a liturgia doméstica do Natal O Natal é oportunidade para uma tocante celebração na domus ecclesiae deste início de Terceiro Milênio. Há inúmeras propostas elaboradas por especialistas, quase todas maravilhosas! Vale reforçar: como é uma autêntica liturgia, o presidente é Cristo! Ele está presente, de forma real, na Palavra proclamada e na reunião dos batizados. Ouso sugerir alguns encaminhamentos. Evitarei aqui dar os textos prontos, pois cada Igreja-lar tem sua autonomia para dirigir ao Senhor as próprias orações. Nunca é demais recordar que o povo de Deus, em Cristo, é sacerdote, profeta e rei, e, pelo Espírito Santo, sabe como fazer (cf. Romanos 8,26-27). No que couberem, as orientações são válidas também para quem, devido ao isolamento, tem de celebrar sozinho ou para inúmeros outros contextos, como junto ao leito de um enfermo, por exemplo. Jesus veio para todos! O ambiente Escolha um lugar significativo para sua família. Pode ser em torno do presépio, da mesa das refeições cotidianas, na sala de estar, na varanda, no quintal… Evite ornatos alheios ao espírito cristão, próprio dessa solenidade. Considere como alienígenas figuras do Papai Noel, neve artificial, renas, trenós, duendes e outros penduricalhos. Jesus é o centro! A luz é um elemento significativo do Natal, por isso, se for oportuno, haja pelo menos uma vela. Ela pode ser acessa no início da celebração, na proclamação do Evangelho ou em outro ponto do rito. A Bíblia é outro sinal a estar presente desde o início da oração. Afinal, Cristo é a Palavra que se fez ser humano e veio viver conosco (cf. João 1,14). Em outros contextos, faça as devidas adaptações. Os ministérios Escolha com antecedência alguém para presidir o momento. É recomendável que a leitura bíblica seja proclamada por quem tem mais aptidão para leitura. Também seria muito significativo a pessoa mais idosa conceder a bênção final. Há outros ministérios que podem ser exercidos, como o de música. Como é uma liturgia, repito, haja o devido esmero: a preparação do espaço, o contato prévio com as leituras, o ensaio dos cânticos. Informalidade não significa falta de capricho. As crianças É muitíssimo louvável o envolvimento das crianças. Que tal, após a proclamação do Evangelho, uma delas colocar a imagem do Menino Jesus sobre a manjedoura? Em seguida, as outras podem depositar flores no presépio. O importante é elas se sentirem acolhidas. Essa é uma das heranças não corroídas pela traça (cf. Mateus 6,19-20). Com certeza, levarão por toda a vida uma doce recordação desse dia sagrado e, queira Deus, sigam o exemplo. As leituras Recomendo vivamente que as leituras acompanhem as da liturgia solene. Isso demonstra comunhão com toda a Igreja e ajuda a manter o foco na vinda de Jesus. Jesus está presente também no Pão da Palavra, por isso é uma hora especial. Podem-se proclamar todas as leituras ou apenas algumas delas, porém não se deve deixar de lado o Evangelho. A seguir, as indicações: Para quem celebra na tarde do dia 24 de dezembro: Isaías (62,1-5); Salmo 88/89; Atos dos Apóstolos (13,16-17.22-25); * Evangelho de Mateus (1,18-25). Para a celebração da noite de 24 de dezembro: Isaías (9,1-6); Salmo 95/96; Tito (2,11-14); * Evangelho de Lucas (2,1-14). Para quem celebra na madrugada do dia 25 de dezembro: Isaías (62,11-12); Salmo 96/97; Tito (3,4-7); * Evangelho de Lucas (2,15-20). Para a celebração nas outras horas de 25 de dezembro: Isaías (52,7-10); Salmo 97/98; Hebreus (1,1-6); * Evangelho de João (1,1-18 ou 1,1-5.9-14). Preces Com a família reunida, é salutar dirigir a Deus louvores, pedidos e agradecimentos; interceder por outros familiares, pelos sofredores, pelos vizinhos, pelos falecidos, pelo mundo. Recomendo que as preces sejam breves e bem objetivas. Depois todos rezam juntos o Pai-Nosso. Caso haja membros de diferentes denominações cristãs, pode-se recitar a versão ecumênica. Bênção à mesa Um gesto sacratíssimo é bendizer a Deus por Ele nos nutrir com o Pão da Palavra, da Eucaristia e com o alimento a sustentar-nos o corpo. Seria muito oportuno que todos, juntos, abençoassem a reunião em torno da mesa, um prenúncio do alegre banquete na Casa do Pai e anunciado por Jesus. Outra possibilidade é o membro mais idoso ou quem preparou a ceia

Natal da Casa Comum

Enfim, chegamos ao fim do ano de 2020. Para muitas pessoas, este é um período em que as reflexões sobre as próprias atitudes, desejos e planos passam a fazer parte dos pensamentos. Entretanto vivemos um período bastante atípico, pois tais reflexões permeiam os pensamentos de muitos de nós há meses. Muitas famílias precisaram se reestruturar. Muitos profissionais precisaram se reinventar. Muitos trabalhadores descobriram novas habilidades. Perdemos muitas vidas, não somente causadas por uma nova doença, mas também pela ganância de algumas pessoas, destruindo parte de nossa Casa Comum, em busca de riqueza material. Algumas pessoas perderam a esperança. Entretanto, em meio a tantas novidades, desafios, dor e medo, tem sido possível resgatarmos partes simples, mas fundamentais para a vida em qualidade de todos os seres. Tivemos, como nunca, a oportunidade de refletir, por um tempo maior, a respeito do que realmente importa. Para você, o que realmente importa? Como resposta a essa pergunta, em um momento entre alguns educadores do Colégio Espírito Santo, no qual partilhávamos reflexões e memórias de trabalhos já realizados neste período em anos anteriores, concluímos que, para nós, o que realmente importa é o amor. Amor às pessoas, à natureza, à vida. Neste ano, fizemos uso da tecnologia em situações que nunca havíamos imaginado. E, por que não a utilizar para dividir amor e bons desejos? Afinal, quando compartilhamos amor e emanamos energias positivas, não devemos escolher quem receberá, apenas nos permitimos sentir e contagiamos o outro com os bons sentimentos. Assim, para dividirmos os bons pensamentos, neste Natal, criamos, junto com nossos alunos da educação infantil, 1º e 2º anos do ensino fundamental, um livro virtual no qual cada criança registrou, por meio de desenhos, palavras, frases ou cartinhas, qual o significado do Natal para cada um e quais desejos nossas crianças querem compartilhar com todas as pessoas do mundo. A princípio, esse material será enviado a todas as famílias do Colégio Espírito Santo e todos os alunos de nossos centros educacionais. Mas a ideia (e nosso desejo) é que o amor registrado em cada página alcance e afete o maior número de pessoas possível e, assim, conseguiremos, juntos, celebrar o Natal, a vida e o cuidado em nossa Casa Comum. É com muito carinho que dividimos com você os dois volumes deste livro virtual. Para isso, basta acessar os links a seguir. Sinta-se abraçado, também, neste Natal! Clique na imagem. Nathalia Fernandes Soares Hino é coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

4º Domingo do Advento

“Faça-se em mim segundo a tua palavra”Lc 1,26-38 Maria de Nazaré é a terceira figura importante nas leituras do Tempo do Advento. O texto de hoje é riquíssimo e mereceria um tratamento muito mais pormenorizado. É essencial para entendermos a figura de Maria tal como apresentada nas Escrituras. No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe àquela feita a Zacarias (Lc 1,5-22). Naquele relato, é feita a um sacerdote, idoso, no Templo. No texto de hoje, a uma moça, jovem, no dia a dia de um lugarejo, Nazaré. O sacerdote não acredita e fica mudo, simbolizando que os ritos do Templo não têm mais nada a dizer. Maria acredita e é proclamada “bendita entre as mulheres” (1,42). Infelizmente, muitas vezes, este trecho é interpretado de maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão. Ideologicamente, foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja, deveriam ficar passivas e sem expressão. Tal interpretação distorce totalmente o que Lucas quer nos dizer. Maria, embora não entenda plenamente (Lc 1,29; 2,19; 2,50ss), aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser protagonista da realização desse plano divino. A frase “faça-se em mim” não deve ser interpretada de uma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de quem quer ser colaboradora na realização da visão que Deus tem para o mundo. Não se refere somente ao fato de engravidar (isso seria muito pouco), mas à grande visão de Deus para os seus filhos e filhas. Um pouco adiante Lucas vai mostrar o alcance dessa frase, quando, na boca de Maria, ele coloca o grande canto de libertação, que é o Magnificat. Não é possível entender a profundidade da frase de Maria, na Anunciação, sem ler também o Magnificat (1,46-55). O que Maria quer quando ela pede que seja feita nela a vontade de Deus? Ela quer a realização da viravolta no mundo, que é o advento do Reino de Deus, quando Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (1,51-53). Em um mundo onde a realidade é a prepotência e a violência dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres, muitas vezes, estão na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da concretização do Reino. Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no Natal deve comprometer-se, de uma maneira concreta, na construção de um mundo novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje, em tantos lugares, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

CIM celebra o Dia Internacional do Migrante e apresenta novidades

Em 18 de dezembro, o Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado em São Paulo-SP, celebra o quinto aniversário e o Dia Internacional do Migrante. A data foi proclamada em 4 de dezembro de 2000, com a Resolução 55/93 da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), diante do aumento do fluxo migratório no mundo. Há dez anos, em 18 de dezembro de 1990, a Assembleia adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migratórios e de suas Famílias. Celebrar significa, antes de tudo, uma oportunidade para reconhecermos a contribuição das(os) migrantes ao bem-estar, à economia, à cultura, à religiosidade trazidos de tantas nações. É promover o respeito a seus direitos humanos e à cidadania universal de que são detentores como cidadãos membros da família humana. O CIM tem como propósito acolher e integrar as(os) migrantes na capital paulista. O centro oferece um espaço físico no bairro do Brás como uma alternativa de devolver a dignidade e a autoestima, muitas vezes deixadas para trás forçadamente. Para o CIM, nestes cinco anos de existência, o mais significativo é lembrar a acolhida, com o testemunho das(os) migrantes de encontrar um lar, uma casa, uma família. A escuta, a orientação, a capacitação, os acompanhamentos marcaram a vida desde as crianças até os mais idosos, pessoas vindas de países vizinhos ou dos mais distantes, com culturas riquíssimas e religiões diversas. O CIM aprende todo dia com essas riquezas. Muitos são os momentos oferecidos pelo CIM para integrar nacionalidades: momentos de convivência, intercâmbio, delícias gastronômicas, música, dança. As crianças, sempre uma alegria à parte, foram as mais beneficiadas com muitas atividades socioculturais e lúdicas, integrando diferentes países como Congo, Chile, Brasil, Bolívia, Peru, Paraguai. Especialmente neste tempo tão difícil por que estamos passando, de distanciamento físico, a partilha e a solidariedade chegaram a mais de 1200 famílias. Nossa especial gratidão a cada pessoa, a cada migrante e a cada instituição que fez sua doação generosa e solidária. O ano de 2021 nos espera com desafios ainda maiores, mas temos certeza de que poderemos retornar nossas atividades com as crianças, adolescentes, jovens, homens, mulheres tão sedentas de amor, respeito e conhecimento. Não param a saudade e os pedidos para o retorno dos cursos de português, inglês, espanhol, manutenção de computadores, empreendedorismos, bolos e salgados. A orientação segura sobre como obter documentos, acessar serviços públicos, o apoio psicológico, as rodas de conversa com as mulheres, enfim, o atendimento diário, a escuta ativa, o papo informal de quem confia batem todo dia à nossa porta. Teremos novidades. Uma delas é a formação de um grupo de mulheres; o reaproveitamento de retalhos, produzindo peças de artesanato; um espaço para uma enfermeira e orientação sobre saúde; alternativas de saúde, por meio da ioga, conhecimento do corpo e exercícios de relaxamento. No CIM, as necessidades e desafios se transformam em disposição e criatividade. A motivação em servir a irmã, o irmão migrante está sempre, graças a Deus, nos rodeando. Avante! Assista o depoimento da Ir. Malgarete falando sobre a história do CIM Irmã Malgarete Scapinelli Conte, SSpS

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