É tempo de celebrar

Estamos chegando ao fim deste ano tão desafiador. Desde o início da pandemia, sabíamos que não seria fácil enfrentar este momento inédito e global. Em março, entramos em crise. Não exclusiva de nosso país, de nossa cidade ou de nossa escola. Uma crise vivida em todo o mundo, sem distinção de classe social ou etnia. O mundo literalmente parou. Mais de 1,5 milhão de pessoas perderam suas vidas. Só no Brasil, já foram mais de 180 mil. Foi preciso adaptar-se, seguir novas regras e afastar-se dos que amamos como medida de cuidado. Foi difícil… E continua difícil, afinal somos todos humanos e permanecemos com medo e inseguros com o que ainda vem pela frente. Estamos completando nove meses em que nossas escolas estão fechadas, que nossos pátios estão silenciosos, as salas de aula vazias. Compartilhamos com nossos educadores e alunos a dor da saudade e da ausência. Para chegarmos até aqui, foi preciso nos unir e caminhar juntos. A tecnologia foi imprescindível nesse processo. No momento de maior complexidade, que foi a suspensão das aulas presenciais, tivemos a tranquilidade de saber que os colégios de nossa Rede de Educação contam, há mais de quatro anos, com uma plataforma digital educacional, que já estava em pleno funcionamento e inserida na rotina dos educadores e estudantes. Assim, seguimos firmes em nosso compromisso de garantir a educação de qualidade a nossos alunos, mesmo que de forma remota. E, para isso, a união entre nossos educadores foi fundamental. Não teríamos chegado até aqui sem o apoio de cada um que ressignificou a forma de ensinar com tanta dedicação e carinho. Estejam certos de nossa gratidão a cada de um de vocês. Em breve, teremos um novo ano pela frente, que ainda não saberemos como será… Contudo podemos lembrar São Paulo na Carta aos Tessalonicenses, que nos convida a dar “graças em todas as circunstâncias, porque essa é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo”. Por esse motivo, queremos celebrar. Celebrar o nascimento de Jesus Menino. Celebrar a vida. Celebrar 2020. Celebrar a esperança junto de nossos educadores no dia 18 de dezembro, às 20h, pelo canal da Rede de Educação. Ainda é tempo de reflexão, de esperança e de cuidado. Vamos exercer a solidariedade e empatia com o próximo! Um Natal feliz e abençoado, com orações por dias melhores. Irmã Maria de Fátima Marques, SSpS, diretora presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.
Coroa do Advento: símbolo da casa, símbolo doméstico

Desde sua origem, a coroa de Advento tem um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do santo Natal, suscitar a oração em comum em família, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. Compreendendo o símbolo Para compreender a coroa do Advento, precisamos mergulhar no mistério dos símbolos. Esse mistério é silencioso e despretensioso, sem muito interesse de convencer nem de impor-se racionalmente. O símbolo sempre vem e faz parte de nossa vida. Sem símbolos, sem gratuidade, sem beleza, a vida fica cinza, opaca e tristemente dura, pragmática, implacável e insuportável. Qual o sentido de cada vela do Advento? No tempo em que não havia energia elétrica nas casas, quando se fazia noite, e a escuridão impedia muitos afazeres, acender uma luz era uma coisa muito importante, até mesmo religiosa. Esta reflexão sobre o Advento serve para responder a uma pergunta: qual o sentido de cada vela do Advento? Essa pergunta fica muito difícil de responder, pois as palavras não dão conta de algo tão complexo e que fala de experiências. Símbolo é uma relação; como comer uma refeição preparada pela mãe. Não se explica. Apenas se come e se enche o coração do amor maternal. Poderia dizer ainda daquele abraço na hora do pranto. Agarra-se a outra pessoa, apertando forte, sem explicações, permitindo que apenas o corpo fale. Acender uma vela, de domingo a domingo, nas quatro semanas que precedem o Natal, perfaz um ciclo de espera. Tem a ver com aguardar alguém desejado, no meio da noite. Esse alguém pode ser aquele que vem iluminar a escuridão mais profunda da vida, como um noivo amado que nos aquece com o seu amor, ou um Senhor zeloso nos deixa guarnecidos para produzir luz, ou ainda Aquele que incendeia nossa lâmpada, pois o símbolo nos escapa da compreensão racional, é experiência… É preciso entrar no jogo do acendimento, esvaziar-nos das perguntas, não impor respostas nem arriscar explicações. Abrace a experiência sem buscar “os porquês”. Contemple o silêncio, arrisque-se. A coroa do Advento é originalmente um símbolo da casa, um símbolo doméstico. Quando for preparar uma coroa do Advento em sua casa, curta a experiência de colher plantinhas verdes de seu quintal. Ordená-las entre as quatro velas, que você poderá colocar numa vasilha circular (um vaso ou prato), onde se possa manter as plantinhas úmidas e viçosas; evite colocar plantas de plástico. Se necessário, renove as plantinhas. Além da coroa como tal, com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral, laços vermelhos substituem as velas, indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas, em formas e lugares diferentes, em geral, junto ao ambão. A cada domingo do Advento, acende-se uma vela. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas. Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde sua origem, ela tem um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. A coroa de Advento e elementos O círculoA coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o Sol em seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos, esse sol é símbolo de Cristo. Desde a Antiguidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Os ramos verdesOs ramos verdes que enfeitam o círculo costumam ser de abeto ou de pínus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte. Para nós, no Brasil, esse elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, visto que celebramos o Natal no início do verão. Por isso a tendência de substituir-se o verde por outros elementos ornamentais do círculo: suculentas, outras ramagens e folhas verdes, frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo. Para ornar a coroa, usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo de sua vitória sobre a morte, pela sua entrega por amor. As velas As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento. O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas. Originariamente, as velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento. O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus, e o rosa como sinal de alegria pelo nascimento próximo de Jesus, usada no 3º Domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos). Mas existem também outras tradições acerca das cores das velas, podendo-se usar velas brancas, vermelhas, ou até mesmo uma de cada cor (branca, verde, vermelha e roxa ou rosa). Conclusão Nessa perspectiva, podemos ver, nas quatro velas, as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva em seu Filho encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: • o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;• o tempo dos patriarcas;• o tempo dos reis;• o tempo dos profetas. Pré-visualizar em nova aba Aos domingos, antes das refeições, acenda as velas progressivamente, uma a cada domingo, cante um refrão (“A nós descei” ou “Ó luz do Senhor”, ou “Indo e vindo, treva e luz, tudo é graça Deus nos conduz”, ou ainda “Nossos olhos ganharão nova luz, com a tua presença, Jesus”), peça a Deus luz para sua vida, para sua casa e para sua família. ReferênciaBECKHÄUSER, Frei Alberto. Coroa de Advento: história, simbolismo e celebrações. Petrópolis: Vozes,
3º Domingo do Advento

“Aplainai o caminho do Senhor”Jo 1,6-8.19-28 Novamente a figura central do Evangelho deste domingo do Advento é o Precursor, João Batista. Desta vez, em um texto tirado do Evangelho do Discípulo Amado, o Batista é apresentado como testemunha de Jesus. Ele assume a identidade de quem veio gritar “Aplainai o caminho do Senhor”, usando uma frase tirada de Isaías (40,3). No texto de Isaías, essa frase é usada para preparar o Novo Êxodo, a volta dos exilados do cativeiro na Babilônia, no início do chamado “Livro da Consolação de Israel” (Is 40-55). A mensagem de João Batista também prepara o povo para um evento de grande alegria: a vinda do Messias, Jesus de Nazaré! Nesse texto, já no primeiro capítulo do Evangelho de João, entram em cena os que serão mais tarde os adversários de Jesus: as autoridades dos judeus. Embora, às vezes, no Quarto Evangelho, o termo “os judeus” designe o povo de Israel em geral (Jo 3,25; 4,9.22, etc.), aqui, como na maioria das vezes, o termo significa os representantes de um mundo que não compreende e, eventualmente, hostiliza a Jesus. Nesse sentido, ele caracteriza especialmente as autoridades religioso-políticas do judaísmo da época: os sacerdotes, fariseus e escribas. Atrás do texto, também dá para entrever a tensão que existia dentro da comunidade do Discípulo Amado entre os seguidores de João Batista e os de Jesus. Por isso a insistência no texto em informar que João “não era o Cristo”, mas testemunha do fato de que Jesus era o enviado de Deus. No mais, o Evangelho retoma a mensagem do domingo passado (Mc 1,1-8), um convite para que todos nós preparemos o caminho do Senhor. “Aplainai o caminho do Senhor” significa facilitar a sua chegada entre nós, tirando de nossa vida tudo que possa impedir um encontro real com Jesus. No nível individual, aqui há um convite para uma conversão pessoal, que é um processo contínuo na vida de todos nós. Mas também há o desafio para que nos empenhemos na luta contra tudo o que possa diminuir a vida humana, tudo o que causa sofrimento a nossos irmãos e irmãs. Pois o pecado que existe no mundo não é somente pessoal, mas também social, muito mais do que a soma dos erros individuais. O pecado social se manifesta nas estruturas sociais injustas e opressoras, que tiram de tanta gente a dignidade dos filhos de Deus. A voz do Precursor, como a de Isaías, quinhentos anos antes dele, nos desafia para que nossa conversão pessoal também se manifeste no esforço para a construção de um mundo mais digno, justo, humano e fraterno, o mundo que Jesus veio estabelecer. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
Vidas preciosas: uma homenagem às vítimas da pandemia

O ano de 2020 ficará marcado na história devido ao inesquecível surto do novo coronavírus. Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morreram em meio à pandemia, tanto pela doença conhecida como covid-19 quanto por outras enfermidades. Cada vida tem valor e é importante para o mundo. Um ato memorial justifica e honra o significado de uma vida única e bela. Neste dia, lembramos e homenageamos as vítimas da pandemia. O físico pode ter acabado, mas o vínculo permanece. Um memorial é momento de celebrar uma pessoa e o sentimento que por ela mantemos. É dizer adeus a um antigo relacionamento, relembrar uma vida bem vivida e mantê-la acesa por meio de lembranças, histórias, por dizer o nome da pessoa querida. A morte tem o poder de apenas tirar o físico, mas a vida permanece para sempre na partilha das histórias de nossos amados. Sim, temos a capacidade de manter vivos nossos entes queridos, por nossas memórias e nossa voz, e esse é, de fato, um poder incrível. “Deixem suas vidas permanecerem em nossas memórias e nossa dor em uma música.” Quando uma pessoa perde alguém querido, é comum realizar um funeral para celebrar sua vida. Mas, com o coronavírus se espalhando rapidamente, apenas os ligados a serviços fúnebres, enquanto trabalham silenciosamente nos bastidores, testemunham o tamanho da crise, chocados com o número de corpos deixados para trás. Funerais alheios a tradições e familiares e amigos privados de participar dos ritos de despedida tornam mais difícil a superação do luto. Lembro-me de quando minha avó morreu. Eu olhava para o rosto dela e tentava memorizar cada detalhe, sabendo que seria a última vez antes de ela ser sepultada. Na pandemia, a obrigação do distanciamento não tem dado a oportunidade de estar ao lado dos moribundos ou de cumprirem-se os ritos fúnebres. Sempre que vou de férias, uma coisa que gosto de fazer é folhear as páginas dos álbuns de fotos. Desejo conhecer as fotografias adicionadas durante minha ausência, então me sento com minha mãe para ouvir a história das novas imagens ou das recuperadas. Embora hoje tiremos milhares de fotos e as salvemos em nossos celulares, computadores, elas não podem ser comparadas às dos álbuns. Nas últimas férias, quando pude visitar minha família, exerci minha atividade favorita de folhear aquelas páginas. Encontrei a foto de minha infância. Fiquei muito surpresa ao me ver como uma criança pequena, em um vestido marrom estampado com flores brancas, e meu pai me segurando… A foto contava a história do “tempo”. Para uma criança, o tempo é eterno, mas agora, como adulta, interpreto como passado. Meu sentimento principal quando olhei aquelas fotos foi de tristeza: meu pai falecido… O tempo passa, o momento passa ao clique do obturador. Mas essas imagens são uma fonte de memórias ligadas à tristeza. Ao testemunhar a morte de um querido, você percebe que o tempo não é eterno e nossos amados também partem. “Dias e noites passam, também a vida como as árvores testemunham as estações da vida.” “Para tudo há uma ocasião e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou” (Eclesiastes 3,1-2). Quando alguém morre, somos forçados a refletir sobre o significado da vida e da morte. Somos obrigados a reconhecer e aceitar a realidade da finitude. Ao enfrentar esse fato, muitas vezes, restam as perguntas: “Por que eles morreram?”, “Por que isso está acontecendo comigo?”. A verdade é que todo mundo morre. Um rito fúnebre pode nos ajudar a lembrar que morrer é inevitável, ao mesmo tempo em que nos encoraja a viver nossas vidas com zelo e paixão, porque ninguém vive para sempre e não nos foi prometido outro dia. Reconhecer a morte e a necessidade de viver uma vida plena oferece esperança para os vivos. Assista ao vídeo em homenagem às vítimas da pandemia. Ir.Elizabeth Rani, é missionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parteda Equipe de Comunicação da Província.
Direitos humanos, um compromisso social

Você já parou para pensar por que existe “certidão de nascimento”, “carteira de trabalho” ou contrato em cartório? Que há muitos brasileiros que sonham em ter uma moradia digna com escritura e registro de imóvel? Quando trabalhadores e trabalhadoras puderam reivindicar condições e melhoria de trabalho? Que todos têm direitos à educação e à segurança? Que tortura é crime? Da Antiguidade até meados do século XX, esses direitos não existiam para homens comuns e muito menos para as mulheres, que eram vistas como sem alma! Eles foram conquistados durante muitos séculos, quando pensadores clássicos da Grécia Antiga, por volta do século V a.C., começaram a dar sinais de humanidade para a política da época, surgindo, assim, a “democracia”, isto é, “o poder do povo”. No entanto, o conceito de “povo” como coletividade que vivemos hoje apareceu na França, no século XVIII. De lá para cá, novas conquistas. Além do direito político, surgem os direitos civis e os sociais. A cidadania passa a ser exercida por milhares de indivíduos, conforme a garantia das liberdades individuais de ir e vir, de eleger seus representantes, de organizar-se em partidos, da construção de uma vida digna, como acesso à educação, à saúde, à cultura, ao lazer e à moradia, vai aumentando a qualidade de vida. Infelizmente, em muitos lugares do planeta, nem todas as pessoas gozam desses direitos, por causa das desigualdades sociais, das injustiças, das guerras, resumindo, do poder. Para combater as barbaridades que aconteciam no mundo, surgiu, após a Segunda Guerra Mundial, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Há 72 anos, a ONU busca cumprir os 30 artigos da Declaração, com o objetivo de proporcionar o diálogo e impedir conflitos entre os países, devido a questões econômicas, políticas ou culturais. Garantir a vida, a liberdade e o reconhecimento à pluralidade, o respeito mútuo em detrimento a privilégios de grupos particulares, como determina o artigo 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em ralação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Mas, por que ainda, no Brasil, há tantas famílias morando debaixo de viadutos? Homens e mulheres analfabetos? Trabalhadores sendo explorados? Jovens que nunca assistiram a uma peça de teatro? Prisioneiros ou religiosos sendo torturados? Milhões de pessoas passando fome? A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser um compromisso social, em que tráfico de pessoas, discriminação, preconceito, torturas, violências devem ser erradicadas de nossa sociedade bem como de outros países. A maioria dos brasileiros desconhece, ainda, os artigos da Declaração, o que, infelizmente, mantém muitas injustiças e violações quanto aos direitos de crianças e idosos, por exemplo. Procuremos conhecer cada um dos artigos e denunciar quando não são cumpridos por autoridades ou cidadãos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi feita para todos “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”, conforme o artigo 2º. Ela foi contemplada nos artigos da Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Estatuto do Idoso bem como no Código Civil em vigor. Cabe a cada um ter a consciência de fazer valer esse compromisso social. Maria Terezinha Corrêa Mestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis-SC.
O agronegócio é compatível com a ecologia integral?: compartilhando uma história vivida

“O avião que joga o veneno faz a curva bem ali, em cima da cerca da nossa terra.” Foi o que ouvi de Wagner, jovem liderança do povo Krahô-Kanela, quando cheguei à aldeia, no Tocantins, pouco antes da pandemia. Ele estava falando do vizinho plantador de soja, e seu povo queria conversar sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Passarinhos que não se ouvem mais; peixes que aparecem mortos, boiando no rio; pessoas queixando de dor de cabeça ou de irritação nos olhos e na pele… Ao falar sobre isso, estes indígenas nos mostram consequências do modelo produtivo do agronegócio para a saúde do ambiente e das pessoas. Ao mesmo tempo, testemunham a ecologia integral a que nos convida o Papa Francisco, ao mostrar, em seu cuidado com os seres não humanos, que sua cosmovisão vai muito além do antropocentrismo. Os Krahô-Kanela, assim como várias outras etnias e também ribeirinhos, quilombolas e camponeses, há muito tempo, vivem nesta linda e generosa região de florestas alagadas. Saberes e fazeres ancestrais, transmitidos às novas gerações no dia a dia, conformam modos de vida singulares, em estreita relação de respeito e afeto com o ecossistema, onde buscam o peixe, as frutas, as ervas, a palha, a água e o contato com seus encantados. Há algumas décadas, o agronegócio se instalou nestas terras férteis e ricas em água da bacia do rio Formoso, no Sudoeste do Tocantins, assim como em outras regiões do Estado, onde já ocupa cerca de um milhão de hectares para produzir soja e exportá-la para a China (para alimentar os animais confinados que provavelmente participaram do desequilíbrio que originou a pandemia de covid-19). Enquanto isso, diminui a área plantada com mandioca, por exemplo, que é comida de verdade. Enquanto isso, vários povos e comunidades tradicionais, descendentes dos povos originários desta terra, aguardam há anos a demarcação de um pedaço de terra onde possam viver de seu jeito. Modelo químico-dependente Injustiça hídrica é o que fazem os empresários do agronegócio quando constroem barragens no rio e capturam essas águas para canais que vão dar direto em seus monocultivos. À montante, essas barragens geram inundação nas plantações do povo do lugar e até mesmo nos terreiros das aldeias. À jusante, principalmente quando não é tempo de chuva, o leito do rio pode ser usado como estrada, de tão seco, como nos mostrou em fotos a equipe do Regional Goiás-Tocantins do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Os peixes não conseguem fazer a piracema, a mata ciliar vai secando, e todos os seres que precisam da água do rio ficam sem ela. Não seriam as águas um bem comum? Além de hidrointensivo, o modelo produtivo do agronegócio é químico-dependente. Sim, porque, para obter a tal produtividade de que tanto se orgulha, extraindo mais de uma safra por ano, espalha sobre a terra toneladas de fertilizantes químicos, os quais contêm vários metais pesados, tóxicos para a biota e para os seres humanos, e que acabam sendo carreados pelas chuvas para o leito dos rios, contaminando também as águas e atingindo outros territórios. A partir do nitrogênio, geram ainda gases nitrosos que têm efeito estufa e contribuem para o aquecimento global. Depende ainda dos agrotóxicos, já que, ao desmatar extensas áreas, destroem a biodiversidade da qual depende o equilíbrio entre as espécies, através de complexas e delicadas relações ecológicas. Gera, desse modo, o que chama de “pragas” (bactérias, fungos, insetos, ervas). E… dá-lhe veneno! No caso da soja, os estudos mostram que são cerca de 17,7 litros de veneno por hectare. Fazendo a conta, no ano de 2019, foram lançados 19.257.600 litros de veneno nos 1.088.000 hectares de soja plantados no Estado do Tocantins, inclusive na aldeia onde mora Wagner. Responsável por mais de 50% dos venenos usados no Brasil, e especialmente nos monocultivos de soja, é o glifosato (nome técnico do Round-up), produzido pela Monsanto, um herbicida que o povo costuma chamar de “mata-mato”. Além de matar ervas “daninhas”, veja do que ele é capaz: alterar as células reprodutoras e causar más-formações congênitas (defeitos ao nascer); interferir nos hormônios do organismo e levar a infertilidade, abortos, puberdade precoce; e se isso fosse pouco, causar câncer, como estabeleceu a Organização Mundial da Saúde ainda em 2015. E, apesar disso, o governo brasileiro, influenciado pelo poder político (e econômico) dos ruralistas, segue autorizando o uso do glifosato no Brasil. Ecocídio e genocídio Vamos então juntar as peças: tiram a terra dos povos e comunidades tradicionais para produzir commodities, apropriam-se e contaminam as águas que sustentam os ecossistemas e suas vidas, e ainda jogam veneno (às vezes, de avião) sobre seus lugares de vida. Em nome do quê? Do progresso, do desenvolvimento, da balança comercial? Ou esse é um discurso para dourar o lucro de grandes corporações econômicas? Essas vidas não importam? Isso não é racismo? Convido vocês a refletir: esse quadro de ecocídio e genocídio não se restringe ao sudoeste do Tocantins; repete-se, em suas linhas gerais, em todo o cerrado e também em outros biomas, porque o agronegócio está no centro do atual modelo de desenvolvimento, junto com a mineração. Chega a todos nós, através dos alimentos contaminados, das águas contaminadas, das mudanças climáticas, e do comprometimento do futuro da humanidade no Planeta Terra. Como podemos afirmar e dar concretude a nosso compromisso com a vida? Raquel Rigotto é professora Titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduada em Medicina e mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Sociologia pela UFC e pós-doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental.
2º Domingo do Advento

“Começo do Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”Mc 1,1-8 O Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser escrito, provavelmente pelo ano 70, na Síria ou em Roma. Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero literário, hoje tão conhecido, chamado “evangelho”, o que literalmente significa “boa-nova” ou “boa notícia”. Porém, no primeiro versículo de sua obra, quando ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não diz sobre o gênero literário, mas à própria Boa-Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o Messias, o Filho de Deus”. Pois o escrito é somente uma das maneiras viáveis para comunicar a experiência dessa boa notícia, tanto que Paulo, que nunca leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,), pôde falar aos Gálatas do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso devemos sempre levar em conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida dele. Eles são a “boa notícia” de Jesus. Dessa forma, a pergunta que devemos ter em mente ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou não?”, mas “onde está a boa notícia de Jesus neste texto?”. Como parte de nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e a mensagem de um dos grandes personagens do Advento: João Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do profeta Malaquias (3,20), Isaías (40,3) e Êx (23,20), Marcos enfatiza o papel de João como Precursor, aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do profetismo”, Elias. Assim, João é a última voz profética da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa-Nova na pessoa e atividade de Jesus de Nazaré. O batismo de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra de que não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal sem que passemos pelo processo de arrependimento, conversão e experiência da gratuidade de Deus no perdão dos pecados. Mas a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão, que denota a dignidade, como num cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem, pois tirar as sandálias era serviço de um escravo. Jesus é o mais importante, pois, com a vinda dele, inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquela época, por muitas pessoas e grupos (como os essênios), somente para o fim dos tempos. A voz de João ressoa de novo hoje, nos primeiros anos do novo milênio, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade, Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando suas veredas. A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos para que os males, individuais ou sociais, sejam tirados, para que o Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha, vazia de sentido. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
A consciência, a caridade e a missão

Se se opuser à paz a guerra, aquela se tem, portanto, distanciado de qualquer cidadão brasileiro por conta desta. Algo distante, considerando o fato de que sua precedência já se perdeu em qualquer memória de cidadão vivo, pois não há guerra por aqui há anos. Se se opuser à paz a violência, aquela se tem apenas pelo espectro da televisão higienizada no conforto dos lares da classe média. Infelizmente distante e, algumas vezes, politicamente incorreta. Se se opuser à paz a “a-pro-atividade” em favor de uma sociedade mais humanizada, talvez se possa discorrer sobre os casos de pessoas comuns e conformadas com o mundo que as cerca. Muitas pessoas aceitaram bem o distanciamento proporcionado pela televisão, ainda que uma lágrima preguiçosa escorra de quem anda sentado no sofá de sua sala climatizada, regozijando seu biscoito recheado. A televisão e suas campanhas encapsulam, cercam e não permitem que a sociedade, nos altos condomínios urbanos, se infecte e se afete das mazelas sociais que, lá de cima, são miradas em distância e com pouco comprometimento. Isso porque há quem crê que a pseudoconsciência de seus compromissos humanitários se encerra com um “obrigada!” da telefonista plantonista dos call-centers de doações. Será que a paz se revela apenas na facilidade de um telefonema para doação aos carentes, motivado por essa mesma televisão que vende o conforto das consciências coletivas? Será que o vidro da janela da sala do apartamento marca o limite entre a minha afetação e a dor do outro, a necessidade do outro, a linguagem do outro, o outro? Por que a caridade deve ser asséptica? Para aqueles que não entendem os vários efeitos de sentido de missão, resta o costumeiro conformismo. Não há como abandonar a caridade, tampouco não se envolver. Não há de se permitir que a televisão reconcilie as ambições que se tenham de justiça na sociedade contemporânea, virtualizando qualquer ação assertiva a favor dos mais necessitados. Veja um caso. Dobri Dobrev tem mais de noventa anos. É búlgaro. Perdeu a audição durante a guerra. Vive em uma modestíssima casa nos arredores de Sófia. Modesta, mas sem a depauperação que os intelectuais sociólogos de favela brasileira chamam de miserável. Ostenta uma grande barba e um certo carisma não ameaçador. Vive da mendicância pelas ruas da capital e uma bolsa-família de oitenta euros. Com seu pulôver grande e religiosidade extrema, arrecadou da “generosidade” búlgara mais de quarenta mil euros em esmolas. Essa pequena fortuna, Dobri doou em sua totalidade, sem pestanejar, à caridade. Quarenta mil euros ao orfanato cuidado pela Igreja que frequenta, num gesto de humildade e desprendimento. Em um gesto de paz. Se se opuser à paz o peso social da consciência, aquela palavra deve ser substituída por Dobri Dobrev e por tudo o que ele representa. Desprendimento, crença e ação em prol do outro. Como na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade”. Não é por nada que as irmãs desta Congregação têm a missão no nome. Não é semântica. É linguagem, é ação, é a palavra que se faz verbo e é um verbo que se faz ação: missionárias. A palavra é nossa primeira missão. Nas escolas da Rede, talvez este seja o maior problema enfrentado pela comunidade escolar: não poder ir até os locais dos enfermos, dos idosos, das crianças. A reclusão necessária à saúde também criou um vazio enorme, uma falta. A falta do outro na caridade da afetação. A pandemia amordaçou as mãos de todos nós. Amordaçou, porque era na linguagem do toque que conhecíamos a nós mesmos; vivificamos nossa identidade. Todos fazem parte de tudo. Esteja onde estiver. Todos fazem parte de um todo. Não há paz onde não há consciência. Não há consciência onde só há letargia. Tony Labanca Professor do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-
Irmãs em preparação para votos perpétuos conhecem missão no Brasil

Cinco irmãs em preparação para os votos perpétuos (probanistas) na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo aprenderam mais sobre os diversos campos de missão das SSpS na Província Brasil Norte. Elas também participaram de encontros formativos e conheceram outras religiosas da congregação. As visitas foram realizadas em novembro, mas o trabalho de preparação durou nove meses. Em março, elas já haviam visitado a missão das SSpS na Província Brasil Sul, em Ponta Grossa-PR. Ao longo de toda a atividade, as cinco irmãs, cada qual de uma nacionalidade, foram acompanhadas pelas irmãs Nilva Moro, formadora, e Ir. Rosil Ferreira Bueno. As probanistas contam como foram a experiência e a formação intercultural. Assista também ao vídeo, no fim da reportagem. Aprendizados “Aprofundar na experiência de oração, experiência de Deus. Foram os momentos de oração, deserto e o grande retiro de trinta dias que me ajudaram a renovar minha vida espiritual. Também tivemos aulas que nos ajudaram a integrar na área humana e pessoal, na espiritualidade e na vida comunitária, que foi tanto no conteúdo como na prática, nos momentos comunitários, avaliações e momentos de crescimento comunitário.” (Irmã Marcela Margarita Robles Vasquez, 30, México) “Despertou e me fez me apaixonar ainda mais por nossa missão. Também aprofundar os sonhos de nosso fundador e de nossas cofundadoras.” (Irmã Salud Osornio Garcia, 43, Estados Unidos) “A vida comunitária. Para mim, foi uma experiência que enriquece a vida intercultural, ajuda a aprender sobre a cultura das outras irmãs.” (Irmã Natália de Carvalho, 32, Timor Leste) “Para mim, se tornou mais claro e concreto meu caminho como missionária serva do Espírito Santo, seguindo Jesus. Confirmou que é isso que eu quero. Fui descobrindo através dos conteúdos, da vida de oração, sobre quem estou seguindo e a nossa missão.” (Irmã Mitilene Chihombo Chivanja, 34, Angola) “As celebrações culturais. Fizemos a proposta de celebrar a independência de cada país de onde vieram nossas irmãs. Por exemplo, celebramos a Independência do Brasil, e cada irmã teve a oportunidade de contar sobre a cultura de seu país, culinária, danças típicas, tradições, roupas, etc.” (Irmã Roselene Ventura de Oliveira, 32, Brasil) Dificuldades “Eu era a única que chegou quase na hora. Vim de um ambiente totalmente diferente, do México, e encontrei um programa cheio de muitas atividades que eu não tinha conhecimento. Depois fui me adaptando à nova realidade.” (Ir. Salud, sobre os primeiros três meses de integração.) “O idioma, no início, foi difícil. Embora sejam parecidos com espanhol, não é tão fácil se expressar em outra língua. Também as atividades, ritmos, comida, trabalhos, tudo foi muito diferente. Foi um desafio fazer algo novo, mas me enriqueceu. Por causa da pandemia, não tínhamos uma pastoral, mas aprendemos a fazer coisas simples, como bordado, costura. No início, foi desafiante, mas depois me adaptei.” (Ir. Marcela) Convivência “O que me deu mais prazer foram os momentos de recreação que tivemos, nos quais cada uma podia se expressar de uma outra forma, e as comemorações dos aniversários.” (Ir. Mitilene) “A possibilidade de fazer uma caminhada com um grupo, ter um grupo para compartilhar, escutar outras experiências. Isso me marcou muito, porque, antes, eu estava mais sozinha na formação.” (Ir. Rosilene) Experiências para a vida “Saber lidar com o diferente.” (Ir. Mitilene) “Estar aberta às novas realidades, tanto na vida comunitária como na missão.” (Ir. Marcela) “O valor da partilha e da acolhida do ser, da pessoa de cada um.” (Ir. Rosilene) “Estou levando a vida partilhada com minhas coirmãs. Elas me ensinaram as riquezas de suas vidas como também as dificuldades e que, juntas, podemos ir mais longe.” (Ir. Salud) Visita à Província Brasil Norte “Para mim, está sendo uma experiência de acolhida, de pertença à nossa Congregação e de conhecer as irmãs desta Província e também o lugar onde estão.” (Ir. Marcela) “Para mim, uma experiência de partilha, no sentido de conteúdos, mas também da vivência ou convivência com as irmãs.” (Ir. Mitilene) “Ajudou a estar em sintonia com nossas irmãs, sobretudo que têm a mesma missão que eu, e conhecer a realidade onde elas estão vivendo.” (Ir. Salud) “Pra mim, foi comunhão com as irmãs da Província e também conhecer a missão das irmãs.” (Ir. Natália) “Vir até aqui foi difícil. Primeiro, queríamos conhecer Aparecida. Era um desejo forte do grupo. Então expressaram o desejo. Havia a previsão de ter encontros on-line com as irmãs Maria Percila Vieira e Ana Elídia Caffer Neves. Não queria voltar para meu país sem conhecer as irmãs e ir ao Santuário de Aparecida. Conversamos com a irmã Nilva Moro. Começamos a rezar, porque não havia nada certo. Depois deu certo e foi uma bênção.” (Ir. Marcela) Assista ao vídeo com os depoimentos das irmãs.
Aids: problema não pode ser esquecido

A pandemia do novo coronavírus está em destaque desde o fim de 2019. Outros problemas graves, no entanto, não podem ser deixados de lado. Um deles é a aids, sigla inglesa para “síndrome da imunodeficiência adquirida”. Em 1º de dezembro, comemora-se o Dia Mundial de Luta contra a Aids. As estatísticas continuam assustadoras. Segundo a Unaids Brasil, entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), no ano passado, houve 1,7 milhão de novas infecções. Até o fim de 2019, aproximadamente 38 milhões de pessoas em todo o mundo viviam com o HIV, mas o aceso à terapia antirretroviral abrangia bem menos pessoas: cerca de 25,4 milhões (dados de junho de 2019). Nos últimos anos, as pesquisas têm avançado muito. Já há casos de cura comprovada pelos cientistas, o que era algo impensável até há pouco tempo. A medicação está mais eficiente e menos agressiva. Algumas chagas, contudo, continuam a latejar, como políticas públicas deficientes em vários países, descuido na prevenção, abandono e até o famigerado negacionismo, que começa a surgir também em relação à aids. Talvez o preconceito seja a dor mais forte, presente desde os primeiros registros de casos, no início da década de 1980. Não somente as pessoas mais vulneráveis e os infectados pelo vírus HIV são estigmatizadas. Além das dificuldades comuns de quem tem de cuidar de um ente querido, as famílias dos enfermos também são obrigadas a conviver com a discriminação. Seres humanos preciosos Os números são importantes, mas frieza deles, como em outras pandemias, esconde histórias de seres humanos preciosos. Em 26 de setembro de 1994, um ano após ser diagnosticada com o HIV, falecia Leda Grecco Duarte Oliveira. Ela tinha três filhos e trabalhava como instrumentadora cirúrgica no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo-SP. Quem conta um pouco sobre Leda é Neyde Grecco, a mãe, e o filho, Gabriel Grecco. Pessoa linda “Meu nome é Neyde Grecco, tenho 86 anos. Há 26, perdi minha única filha para essa terrível doença. O céu ganhou uma pessoa linda por dentro e por fora. Leda era uma pessoa muito boa, caridosa, trabalhadora. Ela era instrumentadora cirúrgica no Hospital Sírio Libanês, local onde ficou por diversas vezes, aos cuidados do dr. Davi Uip, referência no tratamento da aids. Na época, quando foi diagnosticada a doença, o tratamento era muito agressivo, e não havia muita resposta positiva. A recuperação era impossível, e a morte era quase rápida. Havia muitos efeitos colaterais dos remédios. Minha filha ficou cega de um dos olhos. Foi assim se debilitando até o momento final, sendo atendida no momento da morte, recebendo sangue. Mas foi tudo em vão. O dr. Davi deu uma previsão de sobrevida negativa e calculou que a evolução do tratamento para essa doença levaria mais de dez anos. Leda tinha 42 anos quando nos deixou. Até hoje eu curto meus 3 netos e meus 5 bisnetos.” Desprezo com o restante da família “Meu nome é Gabriel Grecco. Perdi minha mãe quando eu tinha 14 anos. De quando ficamos sabendo da doença até o dia em que ela nos deixou, foi coisa de um ano; muito rápido. Foi um ano muito difícil, pois ver a evolução da doença foi triste, fora que tinha muito preconceito naquela época. Eu mesmo sentia desprezo de alguns vizinhos com o restante da minha família. Eu rezava para aparecer um tratamento eficaz o quanto antes ou que Deus a levasse, para ela não sofrer mais. Só quem estava do lado viu o quanto foi difícil e doloroso tudo isso. Sempre vou lembrar dela como uma guerreia, uma supermãe, carinhosa, educada, inteligente e aventureira, que vivia como ninguém. Viajávamos muito, moramos em muitos lugares legais, na cidade, na montanha, nas praias. Dos meus amigos, todos os que tiverem a oportunidade de conhecê-la sabem do que estou falando.” Para saber mais Unaids Brasil Ministério da Saúde Grupo de Incentivo à Vida (GIV)