Relatório da ONU aponta ação humana no problema do aquecimento global e traz alerta vermelho

Nas últimas décadas, a comunidade científica já previa o aumento de eventos climáticos extremos, como fortes alagamentos, tempestades, furacões e tornados, secas prolongadas e grandes ondas de calor extremo. Por muitos anos, ainda se acreditava que a questão do aquecimento global poderia se tratar de um fenômeno cíclico e natural, ainda que fosse agravado pela ação humana. Contudo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado em 9 de agosto, afirma serem inquestionáveis os impactos provocados pelo ser humano nas mudanças climáticas na Terra e não há alternativa senão a redução dos gases que provocam o aumento do efeito estufa e, consequentemente, o aquecimento da atmosfera, dos oceanos e do solo. O IPCC é um órgão da ONU, criado em 1988, para investigar a ciência em torno das mudanças climáticas. O grupo analisa e sintetiza publicações e documentos, e repassa para os governos informações científicas que possam embasar políticas sobre o aquecimento global. Com quase mil páginas de extensão, o último relatório do IPCC foi elaborado com a participação de 234 especialistas de mais de 60 países. O documento tem como base revisões e avaliações científicas de mais de 14 mil artigos e estudos já publicados. Desde 1998, já foram realizados cinco grandes relatórios que revisaram estudos científicos sobre o clima e alertaram o mundo sobre a crise climática. Esta, contudo, é a primeira vez que o relatório quantifica a responsabilidade das ações humanas no aumento da temperatura no planeta. A conclusão do último documento faz soar os alarmes sobre as energias fósseis que “destroem o planeta”, e pode ser considerado um “alerta vermelho”. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. O estudo divulgado adverte que a atividade humana está mudando o clima do planeta de maneira improcedente e que, em alguns casos, essas mudanças já provocam problemas irreversíveis, como aumento contínuo do nível do mar. “Os alarmes de emergência estão soando, e a evidência é irrefutável”, disse Guterres, assim que o relatório foi liberado. O secretário-geral também relatou que o teto estabelecido no Acordo de Paris, que limita o aumento médio das temperaturas globais em até 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, está “perigosamente próximo”. O relatório aponta que a temperatura da superfície global aumentou em um ritmo mais acelerado desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos em pelo menos 2 mil anos. Afirma também que esse fato tem uma relação direta com o crescimento de problemas ambientais de ordem atmosférica. Os principais fatores humanos das mudanças climáticas são o aumento nas concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa e de aerossóis da queima de combustíveis fósseis não renováveis. Segundo o documento, para cada meio grau a mais na temperatura do planeta, serão provocados novos aumentos na intensidade e na frequência de extremos de calor e fortes precipitações, assim como das secas prolongadas em algumas regiões. As geleiras montanhosas e polares continuarão derretendo por décadas ou séculos. Mudanças nas águas oceânicas também estão descritas, como ondas de calor marítimo mais frequentes, acidificação das águas, redução dos níveis de oxigênio. Embora as projeções de aquecimento sejam claras no relatório e que muitos impactos não possam ser revertidos, o documento também deixa claro que a única forma de retroceder o aquecimento do planeta e suas possíveis consequências consiste na redução das emissões de gases de efeito estufa pela metade até 2030 e na eliminação total das emissões líquidas até a metade deste século, pelo uso de tecnologias limpas e, pelo plantio de árvores, a captura e absorção de carbono. Os cientistas esperam que o relatório pressione os governos a aplicarem as políticas necessárias. Especialistas do IPCC deixam claro que há possibilidade de um planeta melhor para todos se o mundo responder à crise com solidariedade e coragem. É preciso economias mais sustentáveis, inclusivas e verdes, com mais justiça social, eficiência no uso de recursos naturais, com consumo consciente, de baixo carbono, entre outras medidas que ajudem a valorizar o meio ambiente. Fernando Carlos MirandaProfessor de Geografia e Atualidades, coordenador pedagógico do ensino médio no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.

O centenário de Paulo Freire e o ato de ensinar

“Meu sonho de sociedade ultrapassa os limites do sonhar que aí estão.”(Paulo Freire) Você já imaginou um Brasil em que não houvesse analfabetos? Esse era um dos sonhos de Paulo Freire, nosso homenageado. Infelizmente, ainda existem 11 milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever. A maioria de analfabetos em nosso país é de idosos, a partir de 60 anos, representando 26%. Verificando-se os dados regionais, 37% deles estão na Região Nordeste e 25,50% no Norte, conforme o censo de 2010 do IBGE. Considerando que, em 1930, o Ministério da Educação e da Cultura implantou o Dia da Alfabetização, o ato de ensinar freiriano nos permite refletir nesse centenário a importância da filosofia de Paulo Freire para a Educação e a democracia. Quem nunca ouviu falar no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização)? Ou no Mova (Movimento de Alfabetização)? E no Método Paulo Freire, que revolucionou o jeito de alfabetizar de modo eficaz e consciente? O pernambucano Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, no Recife-PE. Ele é um dos principais mentores da Educação brasileira. Formou-se em Direito, mas sua vida foi dedicada ao magistério. A partir daí, passou a pensar em um método acessível aos brasileiros adultos que não tiveram oportunidade de se alfabetizarem. Em 1963, coordenou um programa que alfabetizou 300 pessoas em aproximadamente um mês. A partir daí, esteve à frente do Plano Nacional de Alfabetização, durante o governo de João Goulart. Com a ditadura militar, algumas de suas obras criaram polêmica, como o livro Pedagogia do oprimido, o que o obrigou ao exílio em outros países. Com a anistia, voltou para o Brasil e foi secretário municipal de Educação da cidade de São Paulo, entre 1989 e 1991. “Os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes”, denunciou. A filosofia de Paulo Freire contribuiu muito para pensar o ato de ensinar. A Educação, de tendência sociocrítica passou a ser uma exigência para a democracia brasileira. Defendia a Educação como conjunto de forças cujo alvo seria a liberdade individual e a transformação social. Privilegiava a iniciativa do educando, que acreditava experimentar um processo de aprendizado consciente. O educando construiria o conhecimento com base no contexto em que vivia, fundindo aprendizagem e experiência social, com o objetivo da liberdade. Para Freire, a importância do ato de ler começava pela leitura do mundo em que se vivia. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, dizia. Após uma conversa com os educandos sobre o que viviam, surgia a temática que se tornava o conteúdo do estudo do dia. Do ver, julgar e agir, surgia o Método Paulo Freire. Ensinar é um ato político. Ser professor é mediar, pesquisar, provocar, estimular a esperança em uma nova realidade social. Atualmente, é comum ouvir falar em EJA (educação de jovens e adultos), projetos criados para atender cidadãos acima de 15 anos e adultos que queiram ser alfabetizados e continuar seus estudos na educação básica. Como afirmava Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é esperar”. Que a Educação brasileira brilhe como Paulo Freire sempre a sonhou, valorizando a categoria dos professores da educação básica em geral e proporcionando melhorias a esse contexto. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da Diretoria da Aproffib.

Encontro de lideranças da Rede de Educação SSpS discute ações pós-pandemia

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto, foi promovido um encontro das lideranças da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. A reunião foi nas dependências do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, respeitando todos os protocolos sanitários em relação à covid-19. No evento, a diretoria dos colégios e demais lideranças da Rede tiveram a ocasião de visitar e conhecer uma escola referência em São Paulo, o Colégio Renascença, e debater temas relacionados à Educação de ponta, como sistemas de ensino bilíngue e espaço maker. Assim, vamos poder nos preparar ainda melhor para os desafios que teremos pela frente no pós-pandemia, tanto no aspecto educacional quanto no de gestão administrativa da Rede. Tivemos também foco no planejamento para o desenvolvimento de líderes, buscando processos e ferramentas para que as diretorias dos colégios e o time gestor da Rede possam aprimorar, ainda mais, sua capacidade de trabalhar com as dificuldades e oportunidades da área da Educação. Discutimos também temas como gestão financeira, tecnologia educacional, o novo ensino médio e o importante papel da dimensão missionária em nossas escolas. Assim, nesse encontro marcante, pudemos definir estratégias e ações que vão ajudar a assegurar um futuro sólido e promissor para a Rede de Educação SSpS. Assista ao vídeo com imagens do encontro. Robson Esteves é gestor administrativo da Rede de Educação SSpS.

Família Arnaldina: as fundações em datas marianas e a espiritualidade de Santo Arnaldo

A segunda metade do século XIX foi uma época turbulenta em toda a Europa: o auge do nacionalismo, colonialismo e imperialismo europeu, movimento operário, Revolução Industrial, novas descobertas, etc. Ao mesmo tempo, contudo, foi uma era de entusiasmo missionário. Naquele contexto de convulsão social, Santo Arnaldo Janssen reconheceu os sinais dos tempos e, por meio de sua obra missionária, buscou fazer a vontade de Deus. Ele foi um homem consciente das necessidades espirituais do povo de seu tempo. Mesmo que muitas pessoas abandonassem a fé católica, Santo Arnaldo Janssen queria plantar no coração do povo a semente da Palavra ou do Verbo Divino, fortalecer-lhe a fé e motivá-lo para a oração e a obra missionária. Também nessa época, as coisas eram difíceis na Alemanha. Bismarck havia declarado a Kulturkampf, que proibia as atividades missionárias no País. Porém o zelo missionário continuou ardendo no coração do Fundador e, com a ajuda de alguns bispos, Arnaldo inaugurou, em 8 de setembro de 1875, em Steyl, Holanda, a Casa Missionária ou o Centro de Formação e Missão. Essa data é considerada o dia da fundação da Congregação do Verbo Divino (SVD). Ele sempre dizia aos voluntários da Casa Missionária que o Senhor desafia nossa fé e nos incentiva a fazer algo novo para as missões. Para Arnaldo, assumir compromisso missionário era parte integrante da identidade verbita e despertava no coração dos novos missionários o mandamento do próprio Cristo, de ir e fazer discípulos entre todas as nações (cf. Mateus 28,19). Por isso, hoje, nossa Congregação está presente em mais de 70 países e ela tem caráter internacional e intercultural. Desde o começo, na Casa Missionária, entre os voluntários homens, havia também um grupo de mulheres que se dedicava ao serviço missionário da comunidade. Elas desejavam servir à evangelização como religiosas. Santo Arnaldo observou e reconheceu nelas a presença de um verdadeiro espírito missionário e aprendeu que a mulher tem um papel importante a desempenhar no anúncio do Reino de Deus. Assim, em 8 de dezembro de 1889, fundou a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS). E em 1896, também em 8 de dezembro, escolheu algumas irmãs para formar o ramo contemplativo, conhecido como Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP). Esta deve rezar, dia e noite, pela Igreja e pelas obras missionárias das duas congregações: SVD e SSpS, dedicadas ao serviço missionário ativo. É interessante observar que Santo Arnaldo Janssen escolheu a data de fundação das três congregações em dias de festas de Nossa Senhora. Certamente ele teve suas razões. Em 8 de setembro, celebramos a Festa da Natividade de Nossa Senhora; e, em 8 de dezembro, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. A família do Santo Arnaldo Janssen era sustentada por uma fé sólida e fidelidade ao Senhor. Geraldo Janssen, o pai do Fundador, mostrava grande amor pela missa dominical. A mãe, Ana Catarina, era uma mulher de oração contínua e também participava de todas as missas aos domingos. Sabemos que toda mãe, por graça de Deus, tem um pouco de Maria, que viveu por excelência o exercício da maternidade quando aceitou o convite do Pai a ser mãe do Filho de Deus, o Verbo Divino. E assim, a oração da família e, de maneira muito particular, a oração de sua mãe tiveram um profundo significado na vida de Santo Arnaldo Janssen. Ele recebeu da mãe uma boa educação na fé e, naquele ambiente familiar, mostrou grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Deus Uno e Trino, e ao Espírito Santo. Hoje, a Família Arnaldina (SVD, SSpS, SSpSAP e grupos de leigos) continua vivendo essa espiritualidade trinitária misericordiosa, legado da devoção da família de Santo Arnaldo. O Fundador sabia que a oração de sua mãe era uma grande força para a caminhada da própria família, por isso escolheu essas datas festivas marianas na esperança de receber a força e a proteção que vêm pela oração da Mãe de Jesus. O Verbo Divino se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e se fez homem na pessoa de Jesus, e Maria cuidou do menino Jesus com amor e carinho. No começo, as obras missionárias dessas três congregações precisavam de uma ajuda maior e de força espiritual. Na certeza de que tal como Maria cuidou do Menino Jesus, Ela certamente cuidaria de sua família missionária, o Fundador criou e confiou à proteção de Nossa Senhora as três congregações. No dia 8 de setembro de 2021, a Congregação do Verbo Divino completa 146 anos de sua fundação. Seguindo o carisma, o exemplo e os passos de Santo Arnaldo Janssen, a Família Arnaldina, formada de consagrados, consagrados, leigos e leigas, continua anunciando, pelas obras missionárias no mundo inteiro, a Palavra de Deus e os valores do Reino. Pe. Jwakim Ekka, SVDMissionário do Verbo Divino na Província Brasil Norte e vigário na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Porto Real do Colégio-AL.

Arco e flecha para o Sete de Setembro

Sempre haverá um grito a ser escutado. Em contraponto ao “Grito da Independência”, desde 1995, ecoa o “Grito dos Excluídos”. Um grito que é fruto de um processo, de uma articulação de muitas pessoas e movimentos, de muita mística e simbolismo, marcado pela proximidade do cotidiano de quem vivencia as lutas populares. É a tentativa de superar um patriotismo passivo e dar lugar a uma cidadania ativa Desde sempre, foi assim: questionando os padrões de independência do povo brasileiro e sonhando com um Brasil mais justo para todos os cidadãos e cidadãs. Um passeio pelos lemas e temáticas dos Gritos dos Excluídos e Excluídas é uma aula de História contada à base de uma participação ampla, aberta e plural. Não é um evento isolado, mas a culminância de um processo de discussões coletivas. 1995 – A vida em primeiro lugar 1996 – Trabalho e terra para viver 1997 – Queremos justiça e dignidade 1998 – Aqui é o meu país 1999 – Brasil: um filho teu não foge à luta 2000 – Progresso e vida, Pátria sem dívida$ 2001 – Por amor a essa Pátria Brasil 2002 – Soberania não se negocia 2003 – Tirem as mãos… O Brasil é nosso chão 2004 – Brasil: mudança pra valer o povo faz acontecer 2005 – Brasil: em nossas mãos a mudança 2006 – Brasil: na força da indignação, sementes de transformação 2007 – Isto não Vale! Queremos participação no destino da Nação 2008 – Direitos e participação popular 2009 – A força da transformação está na organização popular 2010 – Onde estão nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto popular 2011 – Pela vida grita a TERRA… Por direitos, todos nós! 2012 – Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população! 2013 – Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular 2014 – Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos 2015 – Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome? 2016 – Este sistema é insuportável. Exclui, degrada, mata! 2017 – Por direitos e democracia, a luta é todo dia 2018 – Desigualdade gera violência: basta de privilégios! 2019 – Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade 2020 – Basta de miséria, preconceito e repressão! E, em 2021, “Vida em primeiro lugar! Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!” Como podem ver, ir para as ruas em Sete de Setembro, desde muito tempo, faz parte da agenda transformadora dos que desejam, permanentemente, avanços, conquistas e justiça social. Feita uma “metodologia do arco e flecha”, cada “Grito” tem a força de uma construção coletiva. Duas pontas unidas por uma linha, a qual é flexionada para trás por uma haste longa e fina, com uma seta na ponta que, ao ser solta, projeta-se adiante e revela nossa energia potencial. Olhar o que passou, analisar o vivido e prospectar, foi assim que capturei a metodologia desse movimento que há 27 anos denuncia, anuncia e busca trazer ânimo diante dos desafios de cenários de adversidades, conquistas e retrocessos. Olhando para o alto e adiante, trazendo a flecha para trás para acolher a força do vivido, a trajetória desse movimento passa pela cabeça e pelo coração, busca forças e se projeta com vistas à conquista dos avanços pretendidos. Arco e flecha para o Sete de Setembro… Porque é tempo de nos armar de cidadania! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas. Referênciahttps://www.gritodosexcluidos.com/historia

Narrativas da Criação: conheça o mito do monte Namuli

Dentro das comemorações do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º de setembro, e da campanha “Semana sem Fronteiras”, promovida pela Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, seguimos contando como outras culturas narram a Criação. Desta vez, vamos conhecer a tradição dos povos Makhuwa e Lomwe, nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, situadas ao Norte de Moçambique. No livro Religiões africanas hoje: introdução ao estudo das religiões em Moçambique (Maputo: Paulinas, 2009), o antropólogo Francisco Lerma Martínez faz uma compilação do mito segundo o qual o primeiro homem foi criado por Muluku (Deus), nas grutas do monte Namuli. O lugar tem 2419 metros de altura e é localizado na Serra de Gurue, Província de Zambézia. O recém-criado homem contemplava diariamente a extensa planície verde, onde crescia toda espécie de árvore e planta. Num certo momento, buscando satisfazer sua curiosidade, decidiu descer para conhecer melhor a maravilhosa paisagem. Durante a perigosa descida, tropeçou numa pedra, caiu ferido por terra e desmaiou. Depois de muito tempo, quando despertou e abriu os olhos, deu-se conta de que seu sangue se misturava à água e observou, na cavidade de uma rocha, que estava formando lentamente uma figura semelhante a seu corpo: era a primeira mulher. Formava-se, desse modo, o primeiro casal: um mulupwana (homem) e uma muthyana (mulher). Os dois continuaram a viagem até a planície, descendo por diversos caminhos que iam abrindo. Conforme iam se multiplicando as trilhas, elas se separavam, dando origem a diferentes grupos que hoje compõem esse povo. Segundo Martínez, a expressão “Miyo kokhuma o Namuli” (fui gerado no monte Namuli) sintetiza a identidade dos povos Makhuwa e Lomwe. Veja maisNarrativas da Criação em outras culturas

Narrativas da Criação em outras culturas

A Rede Educacional Missionárias Servas do Espírito Santo escolheu destacar cinco países na edição 2021 da campanha “Semana sem Fronteiras”: Austrália, Eslováquia, Índia, México e Moçambique, onde as irmãs também estão presentes. Para marcar este 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, apresentamos como comunidades de três desses países narram a origem do mundo. É uma forma de valorizar e respeitar a riqueza cultural e religiosas desses povos. Austrália O Dreamtime (Tempo do Sonho) é a base da religião e da cultura originária da Austrália. Ele remonta a 65 mil anos. É a história de eventos que aconteceram, como o Universo veio a existir, como os seres humanos foram criados e como o Criador planejou que os humanos agissem no mundo como eles o conheciam. O povo originário entende o Dreamtime como um começo que nunca termina, um período em um continuum de passado, presente e futuro. Os mitos são a base da sociedade aborígine e apresentam concepções sobre a existência. Por seu folclore sobre a criação do Tempo do Sonho, os aborígines aprendem sobre seus primórdios e as ações importantes dos criadores. Os aborígenes australianos acreditam, com base no que lhes contaram os ancestrais, que a terra que ocupam não existia como o é hoje. Não havia forma ou vida, era um grande vazio. Foi durante o que se tornou conhecido como o Tempo do Sonho que terra, montanhas, colinas, rios, plantas, formas de vida tanto animais quanto humanas e o céu foram formados pelas ações de espíritos misteriosos e sobrenaturais. Durante o Tempo do Sonho, os criadores transformaram os homens em mulheres e animais, declararam as leis da terra e como as pessoas deveriam agir umas com as outras. Também surgiram os costumes de fornecimento e distribuição de alimentos, os ritos de iniciação, as leis do casamento, as cerimônias de morte, que devem ser realizadas para que o espírito dos falecidos viaje pacificamente para seu lugar além-túmulo. Alguns sonhos falam do desaparecimento dos criadores míticos. Acreditam que eles se ocultaram da vista dos meros mortais, mas continuam a viver em lugares secretos. Uns vivem no território da tribo, em fendas nas rochas, árvores e poços de água; outros viraram corpos celestes; outros se tornaram forças naturais, como vento, chuva, trovões e relâmpagos. Acredita-se que muitos dos criadores continuam a viver na terra ou no céu, cuidando desses povos. Esses criadores sobrenaturais enigmáticos são frequentemente conhecidos como homens e mulheres que tinham a habilidade de se transformar em animais e outras criaturas, como a Serpente do Arco-Íris. Também há histórias de heróis e heroínas, e figuras de pai e mãe. Pode ser difícil para muitos compreenderem o Dreamtime, mas é parte de quem são os aborígines, a própria essência e razão de estarem neste mundo. É abrangente e estará sempre no centro de sua existência como um povo. Índia Na visão do hinduísmo, o Universo tem milhões de anos, criado por Brahma, que o fez a partir de si mesmo. Depois dessa origem, é o poder de Vishnu que preserva o mundo e os seres humanos. De acordo com a crença hindu, na reencarnação, o Universo em que vivemos não é o primeiro nem o último. Como parte do ciclo de nascimento, vida e morte, é Shiva quem destruirá o Cosmos. Para essa religião, isso não é tão ruim como pode parecer, porque permite que Brahma reinicie o processo de criação. México No quinto sol, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria de se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, ele retrocedeu ante o fogo, mas o segundo, um pequeno deus, humilde e pobre (usado como metáfora do povo asteca sobre suas origens), Nanahuatzin, sem vacilar, lançou-se às chamas, convertendo-se no Sol. Ao ver isso, o primeiro deus, sentindo coragem, decidiu jogar-se, transformando-se na Lua. Os dois astros, porém, continuavam inertes e era indispensável alimentá-los para que se movessem. Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a “água preciosa”, necessária para criar o sangue. Por isso os homens seriam obrigados a recriar eternamente o sacrifício divino original. Eles acreditavam que sua missão era manter vivo o Sol até o fim dos tempos. Assim, praticavam o sacrifício para repetir o que o deus havia feito por eles. As imolações eram geralmente praticadas com prisioneiros de guerras. Para eles, era uma honra dar a vida por um deus. Os astecas, assim como outras civilizações da Mesoamérica, capturavam pessoas de tribos, aldeias ou até mesmo de civilizações inimigas para o sacrifício. Eles costumavam atacar no meio da noite ou ao amanhecer. Primeiramente entravam em silêncio, matavam os animais, entravam na cabana do chefe e, em seguida, matavam-no. Após eliminar o chefe inimigo, avançavam sobre os que estavam dormindo ou distraídos. Os que resistiam levavam golpes na cabeça, para ficarem inconscientes. Em seguida, capturavam outras pessoas. Por último, vendiam para os nobres as mulheres, os homens fracos e as crianças; apenas os saudáveis e fortes iam para sacrifício. Eslováquia e Moçambique Como a Eslováquia e Moçambique têm população majoritariamente cristã, o relato da Criação predominante nesses países se baseia no livro de Gênesis, tal como é celebrado por outros cristãos e judeus mundo afora. No país africano, há também uma considerável população islâmica. A narrativa dessa religião, contudo, se assemelha à judaico-cristã, como o primeiro ser humano, Adão, sendo proveniente do barro. Para o Alcorão, o mundo também foi criado em seis dias. Veja mais Narrativas da Criação: conheça o mito do monte Namuli

O papel do nutricionista na sociedade

Em 31 de agosto de 1949, foi criada a Associação Brasileira de Nutricionistas (ABN). Essa data foi mantida como o Dia do Nutricionista, para homenagear o profissional responsável por planejar programas de alimentação para as pessoas que se preocupam com a saúde, além de preparar dietas específicas para ajudar a melhorar a qualidade de vida e saúde dos portadores de patologias e pacientes crônicos. O nutricionista é o profissional habilitado para educar a população a assumir hábitos alimentares mais saudáveis, a fim de prevenir o surgimento de doenças crônicas decorrentes da má alimentação. Um profissional da nutrição é responsável por tornar seu organismo mais saudável, proporcionando uma melhor qualidade de vida, bem-estar e nortear sua alimentação. O campo de atuação desse profissional no mercado de trabalho é vasto e se expande cada vez mais. Os cuidados com a nutrição são importantes em escolas, hospitais, casas de repouso, restaurantes, hotéis, clubes, spas e vários outros seguimentos. Não podemos deixar de destacar também os nutricionistas que estão atuando na linha de frente da covid-19, cuidando de pacientes internados em tratamentos intensivos, adequando sua alimentação para que não desenvolvam complicações resultantes da doença. Durante o distanciamento social, um dos fatores mais importantes está relacionado à saúde mental. A ansiedade e a depressão são sentimentos bastante comuns que levam a pessoa a desenvolver doenças. O profissional nutricionista tem papel essencial para auxiliar também nesses casos, visto que muitas pessoas acabam compensando esses distúrbios na alimentação exagerada e desequilibrada. O acompanhamento nutricional é fundamental para a saúde das gestantes e muito importante durante o período de gravidez. A alimentação correta no período da gestação previne doenças e ocorrências negativas relacionadas a uma má alimentação. O nutricionista também atua no ambiente escolar, cantinas e restaurantes, orientando a dieta das crianças e desempenhando um papel fundamental na educação alimentar. Em hospitais, os nutricionistas são necessários para o acompanhamento das dietas dos pacientes internados. O envelhecimento e o estresse do dia a dia levam alguns adultos a desenvolverem doenças como a hipertensão, a diabetes, doenças cardiovasculares, cerebrais e renais. Essas doenças devem ser levadas muito a sério, pois estão relacionadas diretamente a uma má alimentação, podendo até mesmo serem fatais. Quem sofre com essas doenças precisa constantemente do acompanhamento nutricional. Para os idosos, o acompanhamento alimentar é essencial para mantê-los longe do risco de desnutrição ou de outras doenças associadas ao consumo em excesso dos alimentos inadequados. Proporcionando, assim, maior qualidade de vida e longevidade. Os hábitos alimentares adequados durante toda a vida e o controle de peso são essenciais para quem quer ter uma vida adulta saudável. Uma alimentação correta é fundamental para manter saudáveis o corpo e a mente. Dessa forma, o cuidado com a alimentação é imprescindível para um estilo de vida feliz e saudável para toda a sociedade. Arlene Figueiredo de AguiarNutricionista – CRN-3 16383

Conheça oito atitudes de um catequista por vocação

O belo itinerário de agosto, reconhecendo e orando pelas diversas vocações cristãs, encerra-se com o Dia do Catequista, celebrado no último domingo do mês. Com justiça, a Igreja reconhece esse preciosíssimo dom. Ao longo do ano, milhares e milhares de batizados e batizadas, respondendo ao chamado a ser configurados a Jesus, vão ao encontro de irmãos e irmãs, alguns ainda bem pequenos, para instruí-los no caminho do Senhor. Em maio, esse fundamental ofício ganhou novas luzes, quando o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Antiquum ministerium, instituindo oficialmente o ministério de catequista (existente desde o início da Igreja, diga-se). Depois da elaboração do rito pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, as conferências episcopais e as dioceses regulamentarão a norma. Os catequistas não deveriam ser confundidos com professores, mesmo uma pessoa podendo exercer, com grande louvor, as duas funções. A palavra catequese tem origem grega e significa “ecoar”. Aquele ou aquela que se dispõe a esse ministério recebe a sagrada tarefa de “ecoar” não apenas a voz, mas os gestos, o espírito de Jesus. Não é uma mera transmissão de conteúdo, mas um anúncio, com palavras e gestos, de algo a arder antes no peito, após uma experiência de encontro com o Senhor (cf. Lucas 24,13-35). Depois de um tempo e alguns episódios de incompreensão de minha parte, entendi por que se costuma dizer que um catequista jamais tira férias. Claro! Um homem ou mulher, seja jovem ou mais experiente, ecoa Cristo a qualquer momento ou lugar. Quem procura seguir os passos do Senhor não pode (e nem deveria) afastar-se dele. A catequese, de uma forma mais ampla, é uma missão exercida em conjunto. A começar das famílias, depois passando pelo bispo (o primeiro catequista de uma diocese), os presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, e pelo povo de Deus, todos têm o dever de “ensinar” o Evangelho, sobretudo pelo testemunho. Cada um precisa dar sua contribuição. Não adianta se um familiar ensina a uma criança, a um jovem ou mesmo adulto que Jesus é misericordioso, manso e humilde de coração (Mateus 11,29) se, ao chegar à comunidade de fé, esse catequizando é acolhido com rispidez ou indiferença. Por isso, a Igreja entende que todos os batizados são chamados a, de algum modo, serem catequistas. Oito atitudes de um catequista de vocação Voltando-me diretamente a quem exerce esse grandioso ministério (as palavras que conheço são poucas para saudá-los como merecem), eu gostaria de lançar luzes sobre oito aspectos dessa nobilíssima vocação; a maioria inspirados no motu proprio do Papa Francisco. A lista é bem maior, confesso, e não é possível organizá-la por ordem de importância. Fala em nome da Igreja Todo catequista deve ter no coração que nem sempre fala em nome próprio. Pode ocorrer de seu olhar pessoal sobre algum ponto destoar com o da Igreja, baseado na Revelação, na Tradição e no Magistério, mas a palavra do Corpo Místico de Cristo tem prioridade. Cultiva a vida de oração É difícil oferecer com credibilidade aquilo que não se tem. Para ecoar a voz e os gestos do Senhor, o catequista deve ter o propósito de se aproximar o máximo possível de Jesus. Isso se dá em primeiro lugar na oração constante e sincera, na escuta atenta da Palavra, a qual deve cair como semente boa em terra fértil. Nesse ponto, nenhum batizado deveria “tirar férias”. Procura se atualizar A Igreja não é um museu ou um antiquário, e é uma pena muitos cristãos não se darem conta disso até hoje. As teologias evoluem, as liturgias não usam o princípio do “pode/não pode”, e o conhecimento da Bíblia, da Doutrina Social da Igreja e dos dogmas vão se aprofundando ao longo do tempo. A própria catequese passa por atualizações desde os primórdios. Quem se propõe a transmitir a fé precisa estar em dia com as boas novidades. Ao longo da catástrofe da pandemia, muitos catequistas tiveram de se adaptar a novas formas de acompanhar os catecúmenos, os noivos, os jovens e as crianças. Isso, contudo, já ocorria de modo mais ou menos intenso ao longo da história, e é preciso estar de espírito dócil aos ventos do Espírito. Participa na vida da comunidade O catequista, a catequista é parte preciosa da comunidade de fé. É preciso ecoar Cristo primeiramente em casa, depois junto aos outros irmãos e irmãs. Não se pode estar numa bolha, assistindo de longe aos desafios e conquistas do povo. Isso implica também gostar de estar com as pessoas, compreender as fraquezas e o sagrado que elas trazem dentro de si. De modo mais amplo, é necessário estar atento à sociedade como um todo, tentando compreender como o cristão, a cristã pode ser “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mateus 5,13-16). Por outro lado, uma comunidade madura também respeita e procura iluminar-se pelo testemunho dos catequistas. Têm equilíbrio O termo é muito genérico, mas eu o compreendo aqui mais no sentido de relacionamento humano. Catequese e mau humor não combinam. É necessário se esforçar para saber lidar com os mais diferentes tipos (não é fácil, eu sei!). Administrar conflitos, saber respeitar as ideias dos outros, ceder, ter uma divina paciência, tudo isso é ser bom pastor, pastora, sinal de um amor que vem de Deus. Sabe acolher O catequista deve ter claro: não cuida das próprias ovelhas, mas daquelas pertencentes a Deus, o Pastor-Mor. Ele confia seus queridos filhos e filhas a esse ministro, ministra. Cada catequizando que chega e suas respectivas famílias devem ser considerados verdadeiros presentes do Senhor. Aos olhos da fé, é o Espírito que os impulsiona a querer conhecer as coisas santas. Saber acolher o ser humano, com suas virtudes e fraquezas, é uma dos mais elementares gestos esperados de um catequista. É modelo de generosidade Um legítimo catequista coloca à disposição dos irmãos e irmãs, da Igreja e do mundo o que tem de melhor. Partilha com generosidade seus dons, talentos, seu tempo. Nesse aspecto, recordo a passagem dos cinco pães e dois peixinhos apresentados ao

Para servir com amor na missão…

No ano de 1889, começava o grande sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria Helena e Josefa Stenmanns: a fundação da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, uma comunidade religiosa missionária dedicada totalmente ao Espírito Santo. Nasceu do anseio mais ardente de nosso Fundador: “Que viva Deus Uno e Trino nos corações de todas as pessoas”. Com esse imenso desejo, hoje estamos presentes em 53 países e nos mais diversos setores, como educação, saúde, justiça restaurativa, migração, entre muitos outros. Nossa missão é fazer com que Deus Uno e Trino seja conhecido e amado onde quer que seja e a quem o Senhor nos chame a servir. Para ser uma missionária serva do Espírito Santo, é necessário se formar, conhecer nosso carisma e espiritualidade, e ir confirmando o chamado que o próprio Deus faz em cada coração. Agora vem a pergunta: será que também posso dedicar minha vida ao serviço do Reino de Deus? Será que sou chamada a ir e anunciar esse amor tão grande de Deus para todas as pessoas? Para saber mais, entre em contato com as Irmãs Crislaine (31) 98237-6433, Adriana Regina da Silva (42) 99930-6341 e Maria Cristina Krupek (69) 98415-7394. Também foi criado, nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), o perfil “As Freiras em Missão” no qual há mais informações sobre nossa vida e missão.

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