Sistema Único de Saúde: indo além do senso comum

Talvez nunca se tenha ouvido falar tanto a respeito do SUS (Sistema Único de Saúde) como nestes últimos anos. Mas, afinal, o que é o SUS? Para isso precisamos voltar um pouco na história. Em 1988, a Constituição Federal estabeleceu que a saúde era um dever do Estado, já que era um direito social. Por isso implantou um sistema de saúde que era único, organizado e internacional. Porém o SUS somente foi concretizado em 1990, com a Lei 8.080. Esta estabeleceu os princípios do SUS, como seria sua organização e as atribuições de cada setor do governo. Pela lei, foram criados os três princípios doutrinários do SUS: universalidade, integralidade e equidade. A universalidade diz que todos os que estejam no território brasileiro, independentemente de quem seja, têm direito ao acesso à saúde gratuita no SUS. Já a integralidade diz que o serviço deve olhar para o paciente de forma integral, biopsicossocial. Assim, considera-se a saúde física, mental e social do paciente. E a equidade garante que quem mais precisa merece ter uma atenção mais intensa, dessa forma os casos mais graves devem ter uma investigação mais aprofundada. A equidade não está descrita na Lei, mas é um princípio que veio ganhando força ao longo dos anos. Além disso, o SUS tem princípios organizativos como: participação social: nas conferências de saúde, os usuários do SUS, gestores, prestadores de serviços e trabalhadores se reúnem para avaliar e propor diretrizes para formular políticas de saúde; complementariedade do setor privado: esse setor é usado pelo SUS como forma complementar; descentralização: o poder é dividido em esferas do governo federal, Estados e Municípios; regionalização: é feita uma divisão das regiões de saúde, visando a garantir a saúde de todos e a diminuir as desigualdades territoriais e sociais; hierarquização: a assistência é dividida em níveis de atenção, sendo elas em primária, secundária e terciária. Algum outro país tem um sistema de saúde semelhante? O Brasil não é o único país a ter um Sistema Único de Saúde. A Inglaterra tem o National Health System (NHS), criado em 1948, o qual serviu de modelo para o SUS. Mas qual a importância de um sistema como o SUS? O SUS é de extrema importância para a vida dos brasileiros, garantindo a saúde de modo integral. Temos a visão de que o SUS atua somente nos postos de saúde e nos hospitais públicos para atendimento, porém o Sistema está presente em ações da vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, acompanhamento e promoção da saúde do trabalhador, orientação alimentar, proteção do meio ambiente e no desenvolvimento científico. Ele, portanto, está presente desde as vacinas, fiscalização de alimentos e produtos, garantindo a dispensa de medicação tanto de alto custo como de outros tipos, na fluoração da água para evitar cáries, entre outros. O sistema chega de fato a quem mais precisa? Sim, há diversos programas que garantem a saúde da população. São exemplos as campanhas de vacinação, programas para determinadas doenças como IST (infecções sexualmente transmissíveis), aids (HIV), hepatites, tuberculose, entre outras, atuando desde o diagnóstico até a garantia do tratamento. Quando falamos em programa de HIV, além de assegurar tratamento e teste diagnóstico para a população, é garantida a PREP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) que são algumas formas de evitar a infecção pelo vírus HIV, causador da aids. Porém, para ter acesso à PREP, até alguns meses atrás, era necessário que o paciente estivesse em acompanhamento no sistema público, mas, nos últimos meses, foi publicada uma portaria que garantiu o procedimento também aos pacientes do setor privado. Com isso, podemos ver que o SUS está presente em vários momentos de nossas vidas e não somente no atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no hospital público. O SUS garante nossa saúde no nível biopsicossocial, por meio de suas atividades, não se importando quem seja o atendido. Por isso devemos defendê-lo e, sempre que possível, participar das conferências de saúde para garantirmos melhorias a esse sistema. Agora uma pergunta: você já defendeu o SUS hoje? Para saber mais Processo de regionalização na saúde: perspectivas históricas, avanços e desafios (artigo de Mariana de Castro Brandão Cardoso, Amália Ivine Santana Mattos, Adje Silva Santos e Técia Maria Santos Carneiro e Cordeiro) [link: https://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/502/1024] Nota Informativa nº 11/2021 – CGAHV/DCCI/SVS/MS (orientações para início da prescrição da profilaxia pré-exposição de risco à infecção pelo HIV – PrEP – em Serviços de Saúde Privados) [link: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/legislacao/2021/-notas_informativas/nota_informativa_n_11_2021-cgahv_.dcci_svs_ms_prep_saude_suplementar.pdf] Teixeira, P.; Dahdal, M. Medicina preventiva. S.l.: Sanar, 2021. Matheus Ferreira Martins é ex-aluno do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, e formado em Medicina pela XLVII turma da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

Palavras para não romantizar…

Eu acredito na força e no poder das palavras. Neste texto, não quero desmerecer a intensidade de palavras, apenas acentuar a banalização, seus usos e desusos no cotidiano. Algumas expressões estão me doendo os ouvidos quando escuto, a depender do contexto. “Birra”, “sustentabilidade”, “guerreira”, “cristão”, “empreendedorismo”, “resiliência” e até mesmo a expressão “mi-mi-mi” vêm me causando estranheza, entre outras tantas palavras. A cena pelas ruas até parece “birra”, mas pode ser um jeito que a criança encontrou de dizer que está esgotada, de mau humor, cansada. Birra é uma expressão cujo uso merece considerar mais nuances e inter-relações. A “sustentabilidade”, descrita nos financiamentos e ações de investimento social de empresas destruidoras do meio ambiente, a que se refere de fato? Ah, o “empreendedorismo”! Tem seu valor transformador sim. Mas também, além de carregar a equivocada culpa de ser pobre porque quer, de não ter tido formação nem oportunidade, carrega agora a culpa de não ser empreendedor, empreendedora no meio do caos e numa sociedade desigual. Sempre haverá aquela que mais assusta. Para mim, “guerreira”, “guerreiro”. Podemos estar, sim, diante de uma pessoa que se agigantou de fato e com uma rede de apoiadores diante de sua guerra particular e pessoal. Mas podemos estar diante de alguém, geralmente uma mulher, que está num processo de esgotamento, precisando de ajuda, desdobrando-se até não conseguir mais… E a tal da “resiliência”? A resistência e a sobrevivência humana ao imponderável e às adversidades podem conter danos evitáveis. Importante sim. Nobre. Mas do que estaríamos exatamente falando? O que deixamos de prevenir? Sobre o “mi-mi-mi”, nem sei o que dizer. Já disseram, não sei a fonte, e vou repetir aqui: “mi-mi-mi” é a dor do outro e que não dói em mim. “Cristão”, então, ganhou contornos de banalidade… Impossível se autoproclamar cristão e não comungar valores evangélicos, a sede de justiça social e aliança com os pequenos. Não são só palavras ao vento. É preciso escutar e contextualizar. Para me ajudar a sair dessa reflexão que iniciei e que não tem fim, faço memória às palavras de Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”. Eu acredito na força e no poder das palavras. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Vocação à vida religiosa consagrada

A vocação à vida religiosa consagrada decorre da experiência vivenciada por pessoas simples e normais que buscam o seguimento radical de Cristo, entregando sua vida a Jesus, no cotidiano.  A pessoa, ao sentir o apelo do chamado à vida religiosa, começa um processo de discernimento e amadurecimento, realizado por meio de uma caminhada de conhecimento espiritual e humano. Desse modo, começa a viver “o grande tesouro na Igreja naqueles que seguem o Senhor de perto, professando os conselhos evangélicos” (votos de pobreza, de obediência e de castidade), em uma congregação religiosa (Papa Francisco, Oração do Ângelus, 2 fev. 2020). E nesse seguimento, esforça-se para ser “sal e luz” de Jesus por onde passar.  No decorrer do processo de formação do vocacionado, é necessário o acompanhamento e ser acolhido numa comunidade de vida religiosa, em busca de crescimento e amadurecimento nas dimensões espiritual, intelectual, comunitária, afetiva e apostólica. Essa ajuda e esforço será para aperfeiçoar as motivações que sustentam a vocação do candidato à vida religiosa. A vivência dessas dimensões estará presente na vida toda do consagrado, da consagrada.  Durante a formação, há também os estudos acadêmicos, necessários para proporcionar competência e qualificação exigidas na missão. Na atualidade, torna-se cada vez mais necessário formar solidamente a pessoa, para seguir Jesus nos mais vulneráveis e fragilizados, e tornar-se capaz de fazer conhecida a ação de Cristo, levando-o a ser conhecido e amado.  Toda vocação cristã é seguimento a Jesus Cristo, o que muda é o como. Portanto há diversas formas de segui-lo e servi-lo. Todo seguimento é vivido na missão em formas de vida diferentes: vocação ao matrimônio (família), vida sacerdotal e vida religiosa consagrada. Na vida religiosa, o vocacionado escolhe uma congregação que responda aos apelos do carisma e dons recebidos para sua vida e viver sua vocação. Ou seja, “Graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n.º 12). Em outras palavras, o carisma é a missão concreta vivida com base no Evangelho, do qual são partes integrantes a promoção da justiça, do diálogo inter-religioso, no contato com a cultura moderna. No seguimento à vida religiosa, são necessárias atitudes, valores e padrões de conduta que, em seu conjunto, constituem o que podemos chamar de pressupostos da vocação daqueles que desejam seguir o Cristo encarnado na condição dos pobres. Nesse caso, podemos elencar características ou pressupostos da vocação religiosa consagrada necessários no discernimento da vocação, tais como: Profundo amor pessoal a Jesus Cristo. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres é alguém que, embora pecadora, sente-se chamada a acompanhar os passos de Jesus. Dá de graça o que de graça recebeu: o dom do amor redentor de Cristo. Hoje, como sempre, é a profunda identificação pessoal com Jesus a principal característica da vocação. Contemplativos na ação. Seguir Jesus na pessoa dos mais pobres é sentir-se unido a Deus, pela salvação de todos. Deus atua nos acontecimentos e por meio das pessoas, no aqui e agora, e é no discernimento que o seguidor de Cristo assume a responsabilidade de suas decisões apostólicas, participa da missão do Senhor. Solidariedade com os mais necessitados. A pessoa seguidora de Cristo no pobre faz-se solidária com os pobres, os marginalizados e os sem vez e sem voz. Sempre em busca do bem maior. A pessoa seguidora de Cristo nos pobres mais pobres sente-se constantemente levada a descobrir onde está o mais necessitado. Para isso, é preciso que não se acomode com o já realizado e tenha uma audácia que a leve a novas fronteiras e a novos desafios. É a busca do bem maior que dá o dinamismo apostólico da missão. Por fim, muito mais que todos os pressupostos para a vida religiosa, necessitamos contar com a responsabilidade e o respeito por parte de toda a comunidade cristã e religiosa. O convite “Vinde e vede” (João 1,39) de Jesus aos vocacionados e aos que estão em formação depende intrinsicamente do testemunho e da oração de todos, os já consagrados e de toda a comunidade cristã.  Padre Domingos Chagas, SJMonge eremita na Ermida São Miguel, em Maringá-PR.

Povo Pataxó Hã-hã-hãe: novo território, novos desafios

Em janeiro de 2019, um grupo de indígenas do povo Pataxó Hã-hã-hãe foi diretamente atingido pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido no Município de Brumadinho, Estado de Minas Gerais. O rio Paraopeba do qual dependiam para a alimentação, para a higiene e para seus ritos, tornou-se contaminado pelos rejeitos da mineradora. Com o surgimento de doenças e diante da impossibilidade de continuar na área, os indígenas foram obrigados a sair de seu território e ir para a periferia de Belo Horizonte. Vivendo em condições de vulnerabilidade, insegurança e precariedade, ao menos 23 pessoas foram contaminadas pela covid-19. Com a negligência tanto do Estado quanto da mineradora Vale, responsável pelo crime ambiental, os indígenas passaram a depender frequentemente de doações para a sobrevivência. Em junho de 2021, o alento veio de um grupo de japoneses. Em uma ação histórica no Brasil e na contramão das investidas do governo atual de retirada de terras dos indígenas, membros da Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira doaram 70% de um território de 36 hectares, pertencente à entidade, em São Joaquim de Bicas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os outros 30% foram negociados com os indígenas, sendo que o pagamento será feito com a futura indenização da mineradora Vale ao grupo.  A ocupação da então “Mata do Japonês” ocorreu imediatamente após o acordo. Cerca de 20 famílias foram para o território, que passou a ser denominado “Aldeia Katurãma”. Porém um novo desafio eclodiu. Desde 2010, a área vem sendo invadida por grileiros. Esses têm se recusado deixar o local. Mesmo se tratando de uma reserva de preservação permanente, os grileiros vêm provocando queimadas, derrubando árvores e ameaçando a segurança do grupo.  O Estado tem se mostrado ausente. A Polícia Federal, por exemplo, até o momento, não está fazendo a segurança dos indígenas, deixando suas vidas em situação de risco. Direitos fundamentais, como o acesso à água e à luz, também não estão assegurados.  Por outro lado, os indígenas têm buscado revitalizar a área, cuidando das árvores existentes e fazendo o plantio de outras nos locais devastados. Vários atores e coletivos da sociedade civil também têm sido solidários com os indígenas, ajudando-os a suprir as necessidades básicas, construir moradias e lutar por seus direitos.  Você também pode fazer parte da história dos pataxós hã-hã-hães e deixar que a história deles faça parte de sua vida. Em primeiro lugar, busque conhecê-los melhor. Se mora distante de São Joaquim de Bicas e não pode encontrá-los pessoalmente, na internet você poderá encontrar reportagens e artigos sobre essa comunidade. Em segundo lugar, divulgue nas redes sociais a atual situação deles. O mundo precisa saber que os povos originários continuam sendo tratados com descaso no Brasil. Em terceiro lugar, os indígenas estão precisando de ajuda para construir a nova aldeia. No momento, estão recebendo doações para a construir uma escola. Caso queira contribuir financeiramente, deixamos o número do pix da Associação Indígena do Povo Katurãma: 42 457 801 0001 20 Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail stelamartins.to@gmail.com. A causa indígena é de todos nós! Irmã Stela Martins, SSpS, coordenadora da Redes (Rede de Solidariedade), graduanda no curso de Ciências Sociais.

Maria Madalena: apóstola de Jesus e líder entre os apóstolos

Acredito que todos nós já ouvimos falar sobre as principais histórias bíblicas e seus personagens na vida de Jesus. Maria Madalena esteve à frente de seu tempo e não era uma prostituta. Se ela não era prostituta, quem era de fato Maria Madalena? E o que sabemos dela? Para responder a essas perguntas e falar sobre essa mulher, vamos colocar dois pontos importantes: a proximidade com Jesus entre os apóstolos e sua busca no episódio da ressurreição do Senhor. Analisemos primeiramente o próprio nome. Maria é Míriam, o qual é um substantivo composto de duas raízes, uma egípcia (myr), que significa “a amada”, e (yam), uma abreviação de Yavhé, ou Deus. Assim, Maria significa “amada de Deus”. Seu “sobrenome”, Mágdala, vem do nome da cidade onde ela nasceu, ligado a substantivo hebraico (migdal), que significa “torre”. Então, Maria Madalena é “a mulher da torre”, é aquela que guarda os ensinamentos de Cristo. No mundo antigo, a torre era o lugar que mais se sobressaía nas cidades, e Maria Madalena também foi aquela que se distinguia diante dos apóstolos. Seu papel na história do cristianismo está nos quatro Evangelhos e no Evangelho de Maria Madalena. Ela foi a mulher que tanto amou, mas, com o tempo, foi menosprezada por causa da aversão à liderança feminina na vida da Igreja. A Igreja Ocidental desenvolveu algumas tradições nas quais Maria Madalena foi identificada com a mulher pecadora que está em Lucas (7,36-50). No entanto, não há qualquer indício histórico que dê suporte a essa ideia. Na verdade, as evidências dos Evangelhos canônicos demonstram argumentos contra tal identificação. As interpretações apresentadas ilegitimamente a colocaram num processo de “fusão” de atributos inverídicos que culminaram por macular suas virtudes, e essas fraquezas não estariam relacionadas com liderança ou mesmo com a questão de profetizar. Nos Evangelhos, encontramos muitas mulheres que seguiam Jesus desde a Galileia, e uma delas é Maria de Mágdala ou Maria Madalena. Nos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), Maria Madalena foi mencionada três vezes. Na primeira (Lucas 8,1-3), relata-se que ela fazia parte do grupo de mulheres que seguiam Jesus e o serviam, isto é, supriam as necessidades de seu grupo e o assistiam financeiramente no curso de sua missão. Assim, Lucas enumera Maria Madalena como a primeira mulher que acompanhou Jesus em seu caminho. Lucas também afirma que dela saíram sete demônios (Lucas 8,2), dos quais Jesus a libertara. Se refletirmos mais profundamente o contexto, ela se livrou de seu desapego interior, do distanciamento de si mesma; ela saía de si para encontrar sua verdadeira força de amar. Assim Maria Madalena se tornou capaz de amar com base naquilo que se encontrava dentro de si. Ela amava Jesus com sua recém-desperta força de amar. Na segunda vez, no Evangelho de João, encontramos Maria de Mágdala junto com Maria, mãe de Jesus e com outra Maria, dita de Cléofas, aos pés da Cruz (João 19,25). Esse dado foi citado também em Mateus (27,55ss), que mostra como Maria Madalena acompanhou Jesus desde seu caminho da Galileia até a crucificação no Gólgota. Em seguida, em João, nós a encontramos de novo, no túmulo de Cristo, na manhã da ressurreição, aonde ela fora para completar o embalsamamento de Jesus com aromas. Ela descobriu a tumba vazia, como está nos textos dos evangelistas: Mateus (28,1), Marcos (16,1ss) e Lucas (24,1), que mostra sua procura por Cristo crucificado. João descreve Maria Madalena como a primeira mulher que se levantou pela manhã, foi até o túmulo e viu Cristo ressuscitado. E ela se tornou a Apostola Apostolorum (“Apóstola dos Apóstolos”), nas palavras de Santo Agostinho. João escreve uma cena em que Maria se dirige ao túmulo e encontra o Ressuscitado, como uma história do encontro de amor. Com isso, percebermos que Maria Madalena vivencia uma transformação de seu amor em Jesus ressuscitado. E ela é a apóstola de Jesus e líder entre os apóstolos quando da ressurreição de Cristo. Ela é mulher que esteve à frente de seu tempo e a liderança na primeira hora do cristianismo. Por fim, das menções dos quatro evangelistas, conseguimos ver e refletir a busca da proximidade de Maria Madalena com seu Mestre desde a Galileia até a ressurreição. A proximidade que vem de seu interior, que se leva num encontro e quer abrir-se e mostrar seu ser, quem ela é. A proximidade que leva a uma libertação interior de sua dor profunda dos sete demônios. A proximidade que a leva ao encontro com o Cristo ressuscitado e a ser testemunha da ressurreição do Mestre. Assim, Maria Madalena, a santa, celebrada em 22 de julho, apresenta-nos a proximidade de amor com Jesus e nos leva à busca do encontro com Nosso Senhor ressuscitado. E “eu”? Como está minha busca para aproximar-me de Deus em minha vida hoje? Qual atitude de Maria Madalena presente nos Evangelhos preciso levar para minha busca do meu Senhor? Irmã Maria Adelina Naat, SSpSJuniorista na Congregação das Irmãs Missionárias das Servas do Espírito Santo, estudante de Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

SSpS do Brasil alertam para situação da Amazônia

Com base na Encíclica Laudato si’, publicada pelo Papa Francisco, e no Sínodo da Amazônia, as irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) no Brasil assumiram o compromisso de defender a Casa Comum. Assim, elas denunciam as violações ao meio ambiente e alertam para o caso específico da Floresta Amazônica. No manifesto Todos pela Amazônia, as irmãs alertam que a questão amazônica deve interessar ao mundo inteiro, não apenas às comunidades locais. Para as SSpS, o coração do planeta está ameaçado. “Não importa se você mora longe ou perto da floresta: a vida como é hoje só é possível por causa dela. E a Amazônia precisa de você. É hora de fazer escolhas”. As missionárias justificam que a Amazônia é o coração pulsante do planeta, que regula o sistema climático global e espalha chuva para outras regiões do Brasil, em nuvens que funcionam como veias, bombeando sangue para o restante do corpo. Elas recordam que o bioma tem uma incrível variedade de plantas, animais e é a casa de diversos de povos, entre eles indígenas e populações tradicionais, um legítimo tesouro humano. As comunidades se destacam pelas cores, saberes, cantos e mistérios. “Um lugar regido pela imensidão e força da natureza; um lugar único, diverso e plural.” Ataque à maior floresta tropical o planeta As irmãs servas do Espírito Santo denunciam o plano do governo Jair Bolsonaro de abrir a Amazônia para exploração, entregando o patrimônio ambiental de todos os brasileiros para empresas de mineração, de energia e para o agronegócio. Para elas, é um ataque final à maior floresta tropical do mundo. Só em 2020, a cada minuto, uma área maior do que dois campos de futebol foi desmatada ilegalmente. “Mais de mil árvores derrubadas a cada minuto! Isso mesmo: mil árvores por minuto!”, alertam. Para as missionárias, se a agenda de destruição for em frente, todo o delicado tecido de vida guardada pela floresta pode se desfazer para sempre. “A Amazônia não guarda apenas um tesouro; ela guarda nosso futuro comum. Sem ela, o planeta não é capaz de sustentar a vida”, afirmam. A ameaça, segundo as SSpS, não é apenas à Amazônia e ao povo brasileiro. “Este é um golpe fatal na esperança de um futuro possível para toda a humanidade, uma batalha que não podemos perder.” Assim, elas convocam para uma mobilização mundial em defesa da natureza e dos povos amazônicos. “Para cada voz de brasileiro ou brasileira que se erguer, milhares de outras se somarão até nos transformarmos em uma ampla rede de proteção ao redor da Amazônia e seus povos. Estamos aqui. E somos todos um.”Para incentivar a mobilização, as missionárias prepararam um vídeo. A produção apresenta depoimentos de pessoas que acompanham de perto a vida de um dos biomas mais importantes do mundo. Assista! #TodosPelaAmazônia Veja também Irmãs renovam compromisso de proteger a Casa Comumhttps://blog.ssps.org.br/irmas-renovam-compromisso-de-proteger-a-casa-comum

Espiritualidade do (no) trânsito: por que não?

Em poucas palavras, a base da prática cristã, ouso dizer, é seguir os passos de Jesus, em todos os lugares e situações em que estamos. Assim não nos deveria estranhar dizer de uma espiritualidade do trânsito. No dia 25 de julho, os católicos celebram São Cristóvão, o padroeiro dos motoristas, como é conhecido em nosso País. A Igreja oficial não dá mais tanto destaque a esse santo, mas a coloridíssima fé popular cuida de louvar aquele que “carregou Cristo nos ombros”. O nome Cristóvão vem de Cristóforo (o portador de Cristo), e os cristãos e cristãs batizados precisam ser Cristóforos, Cristóvãos, levando Jesus a todos os destinos e sendo um sinal, um sacramento do Senhor, nas diversas rotas desta vida. Sobretudo no Brasil, o trânsito é um ambiente complicado para condutores, pedestres e autoridades. Não obstante o maior rigor das leis, continuamos sendo um país em cujas ruas e estradas são feridas ou mortas muitas pessoas diariamente. Em milésimos de segundo, podemos passar do céu ao inferno, dependendo de uma série de fatores, inclusive no profundo de nós. Num descuido, podemos ostentar o que temos de pior e mais nebuloso de nosso espírito, mas recordemos: “todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1 Tessalonicenses 5,5). Nessa espiritualidade, tudo deve partir do entendimento de que jamais devemos compreender o tráfego como algo individualista. Pensar comunitariamente é o começo. Mesmo se estamos sozinhos numa via, nossas boas ou más atitudes influenciam a jornada de quem vem depois de nós ou cruza nosso caminho. Um objeto jogado na estrada, por exemplo, por mais “inofensivo” que pareça, pode, em graus diferentes, colocar em risco outras pessoas ou até prejudicar a natureza ao redor. Isso se acentua quando desobedecemos à sinalização, abusamos da velocidade ou, hipnotizados pelo celular, atravessamos distraídos uma rua. O trânsito também é um ambiente propício à prática da misericórdia. O cansaço, a inexperiência, a imprudência, a imperícia ou a negligência de um podem prejudicar o caminho de outros, causar prejuízo ou ferir alguém. Os melhores motoristas e pedestres erram vez ou outra. Aqui recorro ao óbvio: somente Deus é perfeito. Quem nunca aprontou alguma, mesmo que sem querer? É um grande exercício cristão relevar as falhas e, à maneira dos desportistas, procurar seguir o caminho. Sei que não é tão simples, mas quem disse que seguir os passos de Jesus seria fácil? Partilho outras experiências de estrada pelas quais fui agraciado com lições de vida. Ainda sobre o relevar as falhas dos outros, conto o que aprendi de meu pai. Certa vez, fui com ele em viagem de caminhão ao Alto Paranaíba, no Oeste de Minas Gerais. À noite, já voltando para Belo Horizonte, no meio de uma serra, local reconhecidamente perigoso, um carro pequeno veio com os faróis muito altos e, ignorando os avisos, ofuscou minha vista e, pior, a de meu pai. Na carroceria, umas boas toneladas de carga (levávamos outro caminhão). Na imaturidade de minha adolescência, pensei que meu pai jogaria nos olhos do outro condutor todas as luzes do “bruto” (eram muitas). Mas não houve revide à barbeiragem. Eu quis saber o motivo. Meu pai respondeu que seria melhor apenas um dos motoristas estar “cego” no mesmo lugar (repito, perigosíssimo) do que os dois. A possibilidade de tragédia estaria reduzida pela metade. E então, já com a vista recuperada, seguimos em paz o trecho. Um ensinamento a valer para outros desafios da vida. Outra vez foi quando, ao voltarmos de Brasília, sentimos um forte cheiro de diesel. Ao olharmos para o assoalho da cabine, tudo estava encharcado com o combustível. Tivemos de parar imediatamente no meio da estrada, em lugar isolado. Pensei que meu pai, meio “sangue quente”, começaria a esbravejar, mas outra surpresa! Com serenidade enorme, ele desceu do caminhão, tomou logo a providência de sinalizar o caminho, para dar segurança a quem pudesse passar (ninguém veio), e procurou reparar o veículo. Não aguentei e perguntei-lhe a razão de estar tão calmo. E a resposta: se temos fé, compreendemos até os imprevistos; talvez Deus poderia estar nos libertando de algo pior à frente. Mais uma da estrada que serve para a vida! Inicialmente, a Igreja, a grande comunidade dos seguidores de Jesus, era conhecida como “O Caminho”. E o caminho se faz percorrendo-o, já diz o ditado. A estrada tem seus altos e baixos, seguranças e obstáculos. Não podemos é desanimar da jornada ou deixar de socorrer, como o fez Jesus muitas vezes, aqueles que estão caídos às margens. Seguir as veredas do Senhor é compreendê-lo como o “Caminho, a verdade e a vida” (João 14,6a), e como companheiro de viagem, ávido por entrar na pousada de nosso coração e cear conosco (cf. Apocalipse 3,20). Seja como pedestres, seja como condutores, condutoras ou outros responsáveis pelo tráfego, tenhamos em nosso peito que o trânsito é, sim, lugar para a santidade, para nosso testemunho cristão. Oremos com as palavras do Salmo 24(25): “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus de minha salvação”. São Cristóvão, São Rafael e Nossa Senhora da Estrada, abençoai e protegei todos os que são e estão no trânsito. Amém! Dedico estas linhas a meu pai, Luiz Gracildo Rodrigues Marques, que, após cumprir por aqui suas muitas jornadas, agora descansa nas paragens de Nosso Senhor. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.

Parabéns às famílias agricultoras, cultivadoras da terra

Você já pensou o que seria da população urbana se não tivéssemos o trabalho dos agricultores e agricultoras? Você se lembra de agradecer àqueles que cultivam a terra toda vez que come um alimento ou bebe um suco? Pois é, muitas vezes, damos importância aos trabalhos oriundos da tecnologia, mas esquecemos que todos nós dependemos dos lavradores e lavradoras que, com suas famílias, todos os dias, acordam e trabalham com a terra, arando, semeando, colhendo, etc. Trabalhar numa indústria fabricando coisas, numa loja ou mesmo como funcionário em um órgão público não nos faz melhores que quem trabalha no campo. O dia 25 de julho é dedicado aos agricultores e agricultoras familiares, pois merecem ser homenageados nos quatro cantos do planeta Terra. Mas, o que significa ser agricultor? Segundo o dicionário Aurélio, “Aquele que agriculta, lavrador”. E o que é agricultura? Conforme o mesmo autor diz, “Arte de cultivar os campos; cultivo da terra; lavoura; cultura. Conjunto de operações que transformam o solo natural para produção de vegetais úteis ao homem”. O livro de Gênesis (ou Bereshit, na língua hebraica) narra a criação do mundo, quando tudo foi preparado para o homem ter alimento. “Que as águas debaixo do céu se ajuntem num só lugar e apareça o chão seco. E assim foi. Ao chão seco Deus chamou ‘terra’ […] E Deus disse: ‘Que enverdeça a terra de vegetação, ervas que semeiem semente e árvores que deem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente por espécies. E assim foi. E a terra fez sair a vegetação, ervas que semeiam semente por espécies, e árvores que dão fruto com a semente por espécies” (Gn 1,9-12). Mas a narrativa apresenta o ser humano tendo de tratar a terra para manter-se, pois, ao conhecer o Jardim do Éden, também conheceu sua capacidade de dominar e reproduzir. Ora, a partir daí, Deus disse: “Você comerá o pão com o suor do seu rosto…” (Gn 3,17-19). Embora parecesse um castigo divino, após o cultivo, as bençãos surgem na colheita dos frutos. E, como gratidão, o ser humano procura ofertar o melhor para o Criador, por meio de doação em um determinado período do ano; antes ofertado como sacrifício, depois passou a ser em forma de festa, como a festa das batatas, da uva, da mandioca, da melancia, do pinhão, entre outras. Embora a terra tenha sido feita para todos, infelizmente, há bastante tempo, ela passou a ser cercada por uns que se achavam donos, provocando, assim, a desigualdade social. A miséria, a disputa e a ganância por explorar território, construir castelos, mansões, indústrias causam violências, assassinatos e muitas injustiças, como ainda hoje vemos ou ouvimos nas reportagens. Muitos líderes que defenderam os pobres sem-terra foram assassinados em nosso Brasil. Podemos citar Pe. Josimo, Pe. Ezequiel, Margarida Alves, Ir. Dorothy, entre outros tantos que deram a vida em prol dos agricultores e agricultoras expulsas de suas terras, por causa de latifundiários ou empresas multinacionais. Atualmente, há alguns projetos na Câmara ou no Senado que ameaçam a vida de muitas famílias agricultoras bem como as comunidades indígenas e quilombolas que também dependem e vivem da natureza. Em nosso país, o campesinato amazônida tem muito a ensinar ao campesinato de influência europeia, contudo ambos os grupos de agricultores do campo, seja na terra ou na várzea, todos buscam respeitar o ritmo da mãe terra que, generosamente, ainda nos oferece o alimento através das mãos cultivadoras. Parabéns a todas as famílias agricultoras! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e APROFFIB, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

A importância da educação escolar para a sexualidade

Imaginem um grupo de adolescentes no pátio da escola, uns de cabelos coloridos, curtos ou longos, lisos ou encaracolados, tênis com cadarços desamarrados ou não, calças rasgadas porque é estilo! Celulares na mão, trocando ideias, conversando pelos aplicativos e buscando as novidades e postagens dos colegas, ou simplesmente ouvindo suas músicas prediletas. Uma diversidade de cores, sons, pensamentos e particularidades. Jovens que passam por muitos questionamentos, incertezas e indefinições, mas que estão procurando a felicidade, com certeza. Na busca de informações sobre as mudanças físicas, biológicas e psíquicas da puberdade, bem como procurando sua aceitação pelo grupo de amigos. Os mais tímidos evitam perguntas, e os mais despachados conversam sobre assuntos íntimos, e a maioria faz aquela pesquisa em sites às vezes não muito confiáveis. É função da família e da escola assistir esses jovens no percurso para a vida adulta, de forma saudável, com respeito à diversidade, para que eles atuem numa sociedade inclusiva, baseada nos direitos humanos.Vale a pena mencionar a diferença entre educação sexual e educação para a sexualidade. A educação sexual inclui todo o processo informal pelo qual aprendemos sobre a sexualidade ao longo da vida, por meio da família, religião, comunidade, livros ou mídia. Já a educação para a sexualidade é um processo curricular de ensino e aprendizagem sobre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade, contribuindo para a formação de cidadãos e cidadãs, e a garantia de seus direitos. A UNESCO do Brasil sugere que “A educação em sexualidade pode ser entendida como toda e qualquer experiência de socialização vivida pelo indivíduo ao longo de seu ciclo vital, que lhe permita posicionar-se na esfera social da sexualidade. O sistema educacional tem a tarefa de reunir, organizar, sistematizar e ministrar essa dimensão da formação humana”. Cumprir essa importante tarefa é, antes de tudo, buscar a interação família-escola, como mencionado anteriormente, pois as primeiras abordagens sobre o tema ocorrem no âmbito familiar e, nesse sentido, a escola vai ampliar o conhecimento e o acesso a informações qualificadas e cientificamente corretas. Também vai orientar os jovens sobre a transição da infância para a vida adulta e sobre os desafios físicos, sociais e emocionais que enfrentam nesse processo. Sabemos que é na educação que podemos encontrar esse caminho para a formação integral dos jovens, a fim de conduzi-los a uma vida adulta plena, com respeito à diversidade e portadores de atitudes inclusivas. “As manifestações da sexualidade afloram em todas as faixas etárias. Ignorar, ocultar ou reprimir são respostas habituais dadas por profissionais da escola, baseados na ideia de que a sexualidade é assunto para ser lidado apenas pela família. Na prática, toda família realiza a educação sexual de suas crianças e jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso. O comportamento dos pais entre si, na relação com os filhos, no tipo de ‘cuidados’ recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores associados à sexualidade que a criança e o adolescente apreendem.”BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: orientação sexual. Brasília: Ministério da Educação, 1997. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/pcn/orientacao.pdf Inara GonçalvesProfessora de Ciências e Biologia no Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG. ReferênciasUNESCO BRASIL. Orientações técnicas de educação em sexualidade para o cenário brasileiro: tópicos e objetivos de aprendizagem. Brasília: UNESCO, 2013. Disponível em: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/pdf/Orientacoes_educacao_sexualidade_Brasil_preliminar_pt_2013.pdf BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: pluralidade cultural e orientação sexual. (v. 8). Brasília: Ministério da Educação, 1997.

Trabalho voluntário: compromisso com a práxis de Jesus

Jesus Cristo veio ao mundo para anunciar uma boa-nova aos pobres. Ele veio para ensinar as pessoas que a vida somente ganha real sentido quando estamos dispostos a sair de nós mesmos e olhar à nossa volta, de forma a compreender as necessidades de nosso próximo. Nessa perspectiva, viver a espiritualidade do Evangelho exige de nós um triplo exercício: olhar e compreender o que a realidade nos clama. Não nos basta olhar, pois essa ação se torna vã se não vier somada a uma disposição real de nosso coração de compreender o que é preciso ser feito. O terceiro passo é o agir, ou seja, arregaçar nossas mangas e concretizar aquilo que foi visto e compreendido. Inspirados por esse ensinamento de Jesus, podemos vislumbrar caminhos para concretizar nossa espiritualidade, de forma que se torne vida em nosso dia a dia e não apenas uma reflexão bonita, mas sem uma atitude de compromisso. Ao olharmos nossa realidade, encontramos inúmeras facetas que nos instigam a pensar: o que tem acontecido com nossa sociedade? Por que vemos tanto sofrimento? São tantos os problemas sociais e ambientais que é impossível não nos sentirmos incomodados. A não ser que estejamos com nossos olhos fechados e nossos ouvidos tampados… A pandemia do novo coronavírus eclodiu uma realidade que estava latente, mas que já fazia parte de nossa sociedade há tempos: a pobreza, a miséria, o abandono, a falta de oportunidade, e por aí vai. Hoje vemos estampado nos jornais e noticiários o que já há muito tempo existia em nosso País e no mundo: a fome, o descaso do Poder Público, as injustiças sociais. Em meio a tantas situações de tristeza, podemos encontrar exemplos de inúmeras pessoas que, deixando suas próprias preocupações de lado, conseguem encontrar caminhos para ajudar aqueles menos favorecidos. São homens e mulheres que, voluntariamente, partilham de seu tempo e esforços para colaborar na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna, onde haja melhores condições para aqueles que tanto necessitam. O trabalho voluntário ecoa neste contexto como uma luz num túnel cada vez mais escuro e fechado; um túnel marcado pelas desigualdades, mas que, com a ajuda de pessoas de bem, tem se alargado sempre mais. Iluminado pela práxis de Jesus, o trabalho voluntário ganha um sentido mais pleno e profundo: ser a expressão do amor ao próximo, concretizado em ações cotidianas que inspiram e nos fazem acreditar que um mundo novo é possível. Nossa sociedade clama por pessoas que sejam capazes de assumir o compromisso de Jesus: ser anunciadores da Boa-Nova, concretizando, no hoje de nossa existência, o compromisso que assumimos com nosso Deus: o de ser a expressão de seu amor junto aos menos favorecidos. Por esse motivo, em nosso jeito de educar, trazemos para nossas escolas o compromisso de despertar em nossos estudantes o desejo e o compromisso do trabalho voluntário diante de um futuro que pedirá cada vez mais que saiamos de nossas “bolhas”, nosso mundo particular, e vivamos como família humana; afinal, “quem vive para si empobrece seu viver”. Que sejamos capazes de assumir esse compromisso de amor ao próximo, realizando nossas ações voluntárias e inspirando outras pessoas, crianças, jovens e adultos a também eles se comprometerem com essa ação. Somente assim conseguiremos ser anunciadores da Boa-Nova, somente assim concretizaremos o sonho de Deus para nossas vidas. Erica da Silva Carneiro é professora de Ensino Religioso no Colégio Espírito Santo, em São Paulo-S

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