Batismo: missão de “amar como Jesus amou”

Com a celebração da Festa do Batismo do Senhor (em 2022, no dia 9 de janeiro), a liturgia católica conclui o ciclo do Natal. Esta é uma oportunidade de aprendermos muito ou até recordar algumas das bases de nossa fé. É claro: não pretendo nem sei dizer sobre tudo o que essa data representa, mas eu gostaria de aproveitar para dar um enfoque em nosso próprio batismo. Dias atrás, alguém me perguntou qual era meu santo de devoção. Confesso que tive dificuldades para responder, pois eu gosto e tento ser amigo de todos eles. Conto com o modelo e a intercessão de cada um, cada uma. O tema, contudo, inquietou-me por um bom tempo. Depois de pensar bem, eu descobri ser um devoto do batismo, por tudo o que ele implica em nosso elo com Jesus. Estranho? Por analogia, não! Conheço muitos devotos da Eucaristia, por exemplo. A liturgia batismal, seja de adultos, seja de crianças, é impressionante pela riqueza dos ritos. Um tesouro! Lamento demais ao constatar que muitas comunidades, apesar da boa vontade, descuidam da catequese batismal (pobremente chamada “curso de batismo”) e da própria cerimônia. É comum ver improvisos, catequistas ríspidos com as famílias, ministros presidentes no “piloto automático”, pais e padrinhos alienados do que está ocorrendo naquele instante. Uma pena! Uma lástima! Uma tragédia! A palavra “batismo” tem origem na língua grega e significa “mergulho”, “banho”. O dia em que recebemos esse sacramento é único em nossa vida. Pela concretude desses mistérios, diante de nossos olhos, os neófitos são mergulhados em Cristo, encharcados de Jesus. O útero da Mãe Igreja dá à luz, à Divina Luz, seus filhos e filhas. Um legítimo parto; às vezes, até com o choro do “recém-nascido”. É a hora em que somos “tatuados”, sinalizados, sacramentados com a marca inapagável em nós, mesmo se nosso nome for riscado de um registro formal. É também quando nós, os ramos, somos “enxertados” em Cristo, a videira (João 15,1-11). Isso significa que a seiva de Jesus passa por nós, e a perfumada força do Senhor nos nutre. Passamos, portanto, a ser membros de um magnífico corpo, cuja cabeça é Cristo (1 Coríntios 12,12-13). Tamanha delicadeza de Deus também nos faz assumir compromissos. Recordo aqui os versos da famosa canção de Padre Zezinho que resumem boa parte de nossa vocação batismal: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria”. Eis nosso chamado! No início da Igreja, esse sacramento era denominado “iluminação”. Assim, o neófito recebia (recebe) a luz de Cristo para iluminar o mundo. Onde estiver, o batizado precisa ser sinal de Jesus, ser luz no trânsito, no trabalho, em casa, na escola, nos momentos de lazer, até na igreja… Em resumo, o iluminado, iluminada por Cristo tem sempre o dever de, ao sair de um contexto, deixar tudo melhor do que quando chegou. Batismo não é teoria ou formatura, é prática! Para concluir esta breve exposição sobre alguns dos muitos sinais da liturgia batismal (reforço: a beleza dela é incrível!), eu gostaria de destacar a unção com o crisma. A palavra “cristo”, também de origem grega, significa “ungido”. Provém de “crisma” (“óleo”). Ao sermos ungidos, nós nos unimos a Cristo também por esse aspecto. É outro sinal visível de que somos colocados no mesmo “molde” (configurados) do Senhor (Romanos 8,28-32). Passamos a fazer parte do povo de Deus e podemos chamá-lo de “Papai”. O batismo é a grande comunhão espiritual com Jesus. Bem diferente do que andam difundindo por aí por liturgias transmitidas. Uma pena existir um grande número de cristãos, das mais diferentes denominações, sem a mínima ideia da riqueza do batismo. Que nossas comunidades de fé e seus animadores avaliem para já a forma com a qual esse sacramento é celebrado. Neste novo ano e por toda a nossa vida, possamos emanar, com nossos gestos e palavras, a luz que vem do Senhor! Dedico este texto ao cônego João Parreiras Villaça que, num domingo de carnaval, mergulhou-me em Cristo, e às muitas e muitas crianças as quais tive o privilégio de também encharcá-las de Jesus. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
O ano de 2022 na perspectiva de cinco mulheres

Os últimos anos têm sido bem difíceis, seja em nosso país, seja em outros contextos. Mas é preciso cultivar a esperança, atitude diferente de esperar passivamente. Cada pessoa precisa fazer sua parte, para que a sociedade possa voltar a ter o mínimo de leveza. Cinco mulheres convidadas por nosso blog comentam o ano que termina e falam de suas perspectivas para 2022. Desafios, política, espiritualidade, compaixão, saúde são alguns dos temas. Veja a seguir. Novas perspectivas Fim de dezembro e de um longo período sombrio para a humanidade, que, por dois anos, suporta ameaças de uma pandemia e somente agora começa a ter esperanças de alívio. Com esse leve estímulo, nasce meu desejo de que, em 2022, muitas coisas boas voltem: os abraços, os passeios, as viagens, as grandes festas, as oportunidades de trabalho, no momento adormecidas, enfim, os detalhes prazerosos que, pelo distanciamento social, ficaram para trás. Nós, que sobrevivemos aos desafios de 2020 e 2021, já comemoramos a virada do ano e queremos participar ativamente da vida em 2022. Sabemos que são os desafios que nos impulsionam para frente. “É muito sábio, porém, evitar anseios excessivos, mesmo em se tratando de boas causas”, dizia Santo Arnaldo Janssen. Que nossa vida possa voltar a ter leveza, humor! Tem ela de ser uma vida animada, sem ser banal e pequena. Porque não vivemos sozinhos, precisamos de uma vida em que haja um sentido de olhar para o outro, um pouco de paz e de muita gratidão a Deus. A vida sem amor não tem nenhum sentido. Que 2022 nos traga a todos nós muito otimismo, inspiração para nossas capacidades de sonhar e de amar, oportunidades e força de vontade para realizarmos os nossos sonhos. Lúcia Helena de MeloProfessora de Língua Portuguesa para estrangeiros _____________________________________________ Três aspirações para 2022 Todos os dias, rezo o terço para que os membros de minha família (todos eles citados nominalmente) sejam ajudados em suas dificuldades espirituais e temporais. Muito preocupada com a situação política de meu país, rezo também pelo Brasil, porque nosso presidente, já sem nenhuma credibilidade internacional, em vez de governar, somente está interessado na próxima campanha eleitoral, na ganância de obter cada vez mais poder. Enquanto isso, ao nomear seus comparsas para os cargos mais significativos para seus interesses, vão-se desorganizando a saúde, a educação, a cultura, o meio ambiente, os costumes e as relações exteriores. É uma gestão realmente desastrosa! Minha terceira aspiração é pelo fim da pandemia e para que eu tenha mais paciência, enquanto aguardo o atendimento de meus desejos, louvando a Deus pela esperança e pela paz que só Ele pode dar. Maria de Lourdes SimõesProfessora de Língua Portuguesa _____________________________________________ Presença de Deus Eu espero, no ano de 2022, estar com uma vida financeira mais estável e conquistar minha casa própria. Que todos de minha família estejam com saúde! Desejo que acabe esta pandemia para que possamos ter uma vida normal. Que, em 2022, todas as famílias tenham alimento na mesa, que as pessoas se coloquem no lugar do outro e que cada um sinta a dor do próximo. Sei que os que têm melhor condição não têm culpa pelos que não têm, mas um pouco de humildade seria bom para todos. Que, em 2022, não haja tanta desigualdade entre as pessoas, que todos tenham o mesmo direito à saúde e as mesmas oportunidades de educação e de trabalho. Que todos os corações sejam cheios da presença de Deus, pois, no dia em que isso acontecer, veremos o mundo melhor. Ester Souza ReisProfissional de serviços domésticos _____________________________________________ Cultivar a esperança O ano de 2021 termina. Ano com muitas incertezas, com poucas expectativas quanto ao combate à pandemia de covid-19 e muita dor e desesperança a nosso redor! No entanto, queremos cultivar a esperança para o novo ano, na certeza de que o que vírus da covid-19 seja controlado. Mais do que controlar o mal causado pela pandemia, rogamos a Deus que seja combatida a corrupção, a raiz de todos os males na humanidade e na Criação. E que a semente do Verbo Encarnado, que está em cada coração humano e na criação, possa desabrochar para que haja mais vida e vida em plenitude em todo o universo! Irmã Terezinha ColomboMissionária serva do Espírito Santo _____________________________________________ Mudar o mundo para melhor O ano de 2021 foi muito difícil para todos nós. Com muita fé em Deus, que em 2022 possamos ter mais união, amor e oportunidade de mudarmos o mundo para melhor. Josiane AlvesFuncionária do Convento Santíssima Trindade
Na Sagrada Família, tudo fala de Deus

No fim de cada ano, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José. É sagrada porque ali mora a predileção de Deus na escolha de seus membros. Maria, por ter sido eleita para ser a mãe de Jesus; José, por ser descendente de Davi; e Jesus, por ser o Filho de Deus. Essa família se reveste do sagrado porque nela tudo fala de Deus e de seu projeto para nos salvar. Nas três pessoas que a compõem, encontramos o lado humano plenamente “humanizado” em todas as suas dimensões biológicas, psíquicas, espirituais. Essa família viveu na aldeia de Nazaré, como as demais que lá estavam. Exercendo o trabalho do dia a dia, ficou escondida e só apareceu (nos Evangelhos) quando nasceu o Menino em Belém; quando o Menino foi apresentado no Templo oito dias após seu nascimento; quando foram em peregrinação à festa, em Jerusalém. Por trinta anos, viveram no anonimato, como viviam todas as famílias da aldeia, embora um fato fizesse a diferença entre as demais famílias: ali morar o Filho de Deus, e seus pais, José e Maria, terem sido escolhidos para a missão de cuidar do “Menino” até que Ele, aos 30 anos, pudesse iniciar publicamente sua missão de revelar o Reino de Deus entre nós. A Sagrada Família nos é apresentada como modelo para todas as outras. Em primeiro lugar, porque foi ali vivido, em plenitude, o amor entre seus membros. Não havia brigas nem dissensões, mas se conjugavam a harmonia e o zelo de uns para com os outros. Mantinham suas relações com a parentela conforme a tradição judaica. Viviam seus compromissos religiosos, frequentando a sinagoga em dia de sábado. José exercia sua profissão de carpinteiro, coadjuvado por seu filho aprendiz. Não temos informação se fabricava móveis, casas ou outros afins, mas certamente era desse trabalho que provia o sustento da família. A Família de Nazaré é modelo para todas, porque viveu o ideal de família humana, unida pelos laços de sangue e por sua particularidade, realizando uma missão especial de visibilizar a salvação de Deus presente no Filho como enviado do Pai. No Filho, mostrou-se o rosto humano de Deus no meio de nós, como o Emanuel. Cada uma das pessoas que a compunham, viveu a missão que recebera de Deus. José, pai adotivo, zeloso nos cuidados de Jesus e de Maria, trabalhador, justo, humilde, cumpridor das leis, que assumiu a vontade de Deus como sua vontade. Maria, a virgem escolhida sem pecado, gestou durante nove meses a obra do Espírito Santo que se realizava em seu ventre. Prestativa, foi ajudar sua prima Isabel, grávida do precursor João Batista; após o nascimento deste, voltou para sua Nazaré, até que o tempo se completasse. Foi recensear-se com o esposo em Belém e lá deu à luz o Filho de Deus, envolveu-o em panos, amamentou-o, recebeu a visita dos Magos, que confirmaram que aquele menino era “luz para as nações”. De volta para sua aldeia, cuidou com zelo de mãe, guardou e meditou, em seu coração, a obra que Deus realizava em seu Filho. Angustiou-se com o extravio do Menino, quando Jesus ficou entre doutores, em Jerusalém, enquanto ela e José voltavam da peregrinação. José, completados seus dias, morreu como justo; não sabemos quando. Maria esteve com seu Filho até a morte dele na Cruz. Lá estava ela, de pé, corajosa, sabedora do gesto salvador do Filho. Permaneceu com os discípulos, aguardou a vinda do Espírito Santo prometido, em Pentecostes. Com os apóstolos, iniciou a Igreja de seu Filho. Quando chegou sua hora, foi assunta ao céu com corpo já glorificado. E assim, permanece para nós o exemplo a ser seguido na vida em família. Família de Nazaré, abençoe nossas famílias! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.S
Aulas de Matemática Financeira e Empreendedorismo incentivam aluna do Sagrado a abrir a própria empresa

Meu nome é Carolina Cruz. Minha história com o Colégio Sagrado Coração de Jesus se iniciou em 2013, no 4º ano do ensino fundamental. São oito anos de um casamento que eu gostaria que durasse para sempre, mas ciclos se abrem e se fecham, e este ano finalizo o ensino médio com uma bagagem inimaginável de vivências e aprendizados que a escola me proporcionou, e indo além do ensinado em sala de aula. Pouquíssimas escolas do Brasil têm Educação Financeira na grade curricular. Segundo o Ibope, só 21% dos brasileiros com acesso à internet tiveram introdução à educação financeira durante a infância. Isso é um grande problema, não só de caráter econômico, mas que também atinge a esfera social. Se a gente parar para pensar, qualquer pessoa, independentemente da área de atuação, terá que lidar com dinheiro em algum momento da vida. Sair da escola para o mercado de trabalho sabendo a diferença entre juros simples e compostos, cartão de crédito e débito, poupança e aplicação é um diferencial enorme, por isso essa matéria é tão importante nas escolas. Além dela, o Sagrado também insere na grade curricular o Empreendedorismo e Inovação. Você sabe a diferença entre uma MEI, Eireli, LTDA. e S.A.? E se você fosse abrir uma loja, preferiria ela on-line ou física? Seria uma startup? Qual problema você pretende solucionar? Todas essas são perguntas esclarecidas nas aulas de Empreendedorismo, e, graças a esse esclarecimento, hoje tenho minha própria empresa. Eu já sabia que queria cursar Publicidade e Propaganda por conta de dois outros projetos da escola, a SIS (Simulação Intercolegial do Sagrado) e ao POPS (Programa de Orientação Profissional do Sagrado). Além disso, gosto muito de fotografar e criar materiais gráficos, o que, inclusive, já fazia dentro do Colégio, quando algumas oportunidades surgiam. Eu tinha o conhecimento que os professores me passaram e tinha também a vontade de fazer algo. Nasceu então a Bath & Body Saboaria Artesanal, uma criação 100% minha, desde os produtos em si até os rótulos, embalagem, logomarca, atendimento, site… Uma loucura que está dando certo! Grande parte de meu sucesso atribuo à Educação Financeira e ao Empreendedorismo que me foram apresentados na escola. Essas matérias reduziram minha chance de erro e ampliaram minha visão acerca do mercado. Além de todo o conhecimento transmitido, em momento algum, eu me senti desamparada. Os professores, mesmo não fazendo mais parte de minha rotina acadêmica, continuam dando todo o apoio que preciso, e isso é, sem sombra de dúvidas, o aspecto mais importante de todo o processo de aprendizado, porque nós, como alunos, somos valorizados como pessoas. Afinal, para mim, educação é isso, é troca, é vivência, para que, a cada dia, possamos crescer ainda mais. Por isso, o Sagrado é uma #escolaviva que pulsa na gente! Carolina Lopes Diniz Cruz, 18 anosAluna do Colégio Sagrado Coração de Jesus desde 2013; caloura de Publicidade e Propaganda na PUC Minas; criadora e artesã da Bath & Body Saboaria; voluntária da Fazenda de Caná, na recuperação de dependentes químicos; voluntária e secretária de marketing da Simulação Intercolegial do Sagrado (SIS); admiradora de fotografia e artes visuais, buscando aprender e praticar um pouco sempre com a B&B; humana do Nick, da Morghana (os gatos) e de alguns pássaros e peixes; certificada por Cambridge, B2, em Língua Inglesa; viajante nas horas vagas.
Não há fronteiras para as aves

Ainda me recordo de que, em um de meus dias de descanso de retiro, eu avistava um bando de pássaros a voar muito alto, no céu azul-claro. Isso foi no ano de 2017. Aquelas aves pareciam estranhas para mim. A visão foi tão cativante que me despertou curiosidade e espanto. Eu as segui até que desapareceram de minha vista. “Devem ser aves migratórias que estão se deslocando por causa do inverno”, disse-me um de meus amigos. Um pensamento veio à minha mente: os pássaros deviam estar vindo de uma terra muito distante. Em seu voo, provavelmente, cruzaram vários mares, montanhas e diferentes países. Países? “País” é um termo que os seres humanos inventaram. Temos territórios marcados geograficamente por razões políticas, para defesa da própria cultura, língua, herança e religião. Na verdade, essas aves migratórias têm sorte. Elas não precisam solicitar “visto” para atravessar um determinado território. Elas têm liberdade para voar e residir onde quiserem. Quando voamos, não vemos as fronteiras ou limites que separam um país do outro, como vemos no mapa. Observamos apenas uma enorme massa de terra e um mar ilimitado que se fundem. Os pássaros voam muito alto, em liberdade, e, sem medo, cruzam as fronteiras. Isso nos faz invejá-los. A ironia de nossa vida é que ainda estamos enjaulados e invejamos os pássaros que voam com o “vento”. O céu e a terra lhes pertencem, e nós somos restritos por limites. Um belo fenômeno natural da migração dos pássaros durante o inverno desperta minha atenção para a realidade do mundo de hoje. Fiquei perturbada ao ver as notícias que surgem na mídia sobre o Talibã, novamente assumindo o controle do Afeganistão. Muitos afegãos, em sua luta para buscar um refúgio longe do domínio do Talibã, estavam até tentando subir nas asas dos aviões militares dos Estados Unidos. A guerra e a violência deslocaram pessoas para diferentes países. Não posso, de forma alguma, comparar a vida das pessoas deslocadas com a das aves migratórias. Elas partem para países tropicais, para aproveitarem o clima e a hospitalidade do lugar; depois voltam rejuvenescidas à sua origem. Os refugiados não podem ter certeza do retorno à sua terra. Suas histórias dolorosas não são ouvidas. Eles migram sem saber para onde estão indo. Seus sonhos presentes e futuros são despedaçados enquanto esses indivíduos são deixados com um passado manchado e prejudicado pela guerra e a violência. Sua vida atual é cheia de medo e incerteza. Mulheres e crianças são os grupos mais vulneráveis. Durante a viagem, muitos morrem devido à fome, à doença, entre outros males. Às vezes, a vida dos refugiados evoca piedade e simpatia de muitos, mas o que fazemos para parar essa violência? Enquanto milhares procuram um refúgio, dormimos pacificamente em casas confortáveis. Lembro-me da letra instigante de Bob Dylan, que pergunta: “Quantas orelhas um homem deve ter?Antes que ele possa ouvir as pessoas, chora?Sim, quantas mortes serão necessárias até que ele saibaQue muitas pessoas morreram?” O deslocamento tem um efeito adverso na vida de uma pessoa. O local de nascimento e seus arredores têm um papel importante a desempenhar na formação da identidade de uma pessoa. Quando ele é deslocado de sua terra, sua identidade fica comprometida. Assim, a identidade permanece uma interrogação para refugiados que vivem em uma terra estranha, como estrangeiros. Eles podem fazer uma casa lá? Ou, por outro lado, eles poderão recriar suas casas em seu próprio solo quando voltarem? Talvez não haja mais nada lá, nem membros da família ou seus pertences, mas um sentimento nostálgico de um “doce lar”. Muitas nações fabricam armas mortais para acumular riqueza e poder. Esse negócio catastrófico gera dor e sofrimento. O poder de um país é comprovado por suas armas nucleares? Ou todos estão seguros por si próprios? Bob Dylan pergunta novamente: “Quantas vezes as balas de canhão devem voar antes de serem banidas para sempre?”. Se, por acaso, esses refugiados avistassem esses pássaros migrantes, o que sentiriam? Inveja, ciúme, raiva ou dor? E o que esses pássaros migrantes sentiriam ao olhar para o refugiado que busca asilo? Simpatia, pena ou orgulho? O mundo tem dois tipos de história. Um é de vitória; o outro, de derrota. A história da vitória fala de poder, conquista, nome, fama, glória e orgulho; e a da derrota fala de dor, derramamento de sangue, crueldade, rendição e migração. As crianças nas escolas devem ser ensinadas a pensar e questionar “o que faz uma pessoa ser homem ou mulher?”. Eles devem ser ensinados a ser humanos e não um monstro. Escolho levar para casa a história da derrota que me torna um verdadeiro ser humano, porque sou afetado pela dor do sofrer do próximo. Ir. Elizabeth Rani, SSpSMissionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parte da Equipe de Comunicação da Província.
As missionárias são como as buganvílias do mundo

As buganvílias são flores lindas, delicadas e, apesar de estarem no mundo todo, identificaram-se com a luz latina, o sol e o calor de nossa região. Fazem presença em muitos lares brasileiros, em nosso jardim. E por mais discretas que sejam, não passam despercebidas: são fortes, destemidas e trazem uma potência em cor. A metáfora é perfeita: uma flor missionária, irmãs missionárias. Em 2002, o Santo Padre João Paulo II escreveu às missionárias servas do Espírito Santo por ocasião de seu Capítulo-Geral: “O mundo tem necessidade de testemunhas”. Essa frase sintetiza a necessidade e a importância de que essa obra ganhasse o mundo, tomasse o globo, levando a Palavra de Deus em forma de missão: fortes, destemidas e com uma grande presença. Como as buganvílias, metaforizando a experiência da missão, a experiência marcante entre a discrição e a presença. Presença essa em todo o País, cujo tempo, ao longo dos anos, marcou datas emblemáticas que precisam ser comemoradas como uma graça ao duplo encontro: encontro das missionárias com a própria missão. Esse é o caso de uma das mais importantes obras no Brasil: o Colégio Sagrado Coração de Jesus de Belo Horizonte, Minas Gerais. Um augusto baluarte das terras mineiras, testemunha, como disse o Santo Padre, da história de uma cidade que nasceu planejada, elegeu presidentes e transborda buganvílias durante todo o ano. Dia 8 de dezembro de 2021. Nós, mineiros, belo-horizontinos e missionários, comemoramos juntos os 110 anos deste importante Colégio. Com preparativos que se estenderam durante todo um ano, os festejos desse marco histórico, dessa importante data, mais uma vez, lumiaram, em boas lembranças e afeto, uma manhã de quarta-feira. Banda da Polícia Militar, missa na capela, bênçãos e pedidos fervorosos para mais que o dobro de anos. Ex-alunos, ex-professores, ex-funcionários em congraçamento com o tempo de quem foi e o tempo de quem está. Irmãs de mãos dadas com crianças, cantando a música de Milton Nascimento: “E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor”. Uma manhã especial, uma data especial! Havia, porém, uma sala dentro do colégio. Um lugar chamado, como escrito na plaquinha da porta, “túnel do tempo”. E como um filme, foi possível revisitar as fichas de alunos, as fotos, as agendas, as imagens, as turmas, os professores, as irmãs, os lugares, as salas de aula das décadas de 1950, 1960, 1970, 1980… Um compêndio de histórias de vida que se regulavam em um único local: as escadarias e sala do centenário colégio. Esses registros nos permitiram considerar que a História não tem seu efeito de sentido acerca da memória, ela bate suas estacas na precisão de documentos. O documento inspira, apesar dos seus limites, o fazer historiográfico, contudo, carrega uma pretensão em si, pois a História vai muito além dele. Por perseguir uma universalidade, o documento subjuga a memória. Isso quer dizer que o estatuto próprio da historiografia passa por procedimentos e análises próprias. Posso compreender que, em cada rosto de cada um dos alunos que encerrou este ano letivo de 2021, aqui, conosco, há um reconhecimento de cada um daqueles que por aqui passaram, em um legado subjetivo e grandioso, cujo tempo, documento e história se fizeram presentes e se (re)encontram em sorrisos muito parecidos no túnel do tempo dos 110 anos. Entre esses documentos, há alguns que me chamaram a atenção… Um deles foi um certificado de conclusão ginasial de 1965. Um certificado em que a alegria estampada na foto registra um elemento incomum para retratos 3×4 da época: fotos com sorriso. Isso pode nos dizer muito mais da passagem de Elizabeth pela história do Colégio Sagrado do que o conhecimento que temos hoje da história dessa personagem que aqui representa toda uma geração. Um lugar, um colégio, um tempo em que o sorriso foi capaz de atravessar 56 anos de história e nos atopetar com o êxtase de que a missão, desde então, vem sendo cumprida: significar na vida das pessoas! Cinquenta e seis anos depois, estamos aqui, juntos e comemorando uma passagem de tempo que nos atravessou em orgulho e satisfação por uma conquista verdadeira, um trabalho honesto e um furor pela continuidade. São 110 anos de exemplo e transformação em uma comunidade que não se vê mais sem a presença das irmãs missionárias servas do Espírito Santo, como não se vê mais sem buganvílias no jardim. Tony Charles LabancaProfessor no Colégio Sagrado Coração de Jesus desde 2014.
Doação de sangue: do biológico ao social, um gesto que salva vidas!

Dentro da Série Ciência, você vai conhecer mais sobre o sangue, um tecido precioso de nosso corpo. As alunas Aisha Victoria Silva Pereira e Maria Fernanda Pires Quitério, ambas do Colégio Espírito Santo, de São Paulo-SP, apresentam aspectos técnicos e reforçam a importância da doação, um gesto que pode ser decisivo para salvar vidas. Doação de sangue: do biológico ao social, um gesto que salva vidas! O sangue é um tecido vivo e renovável, composto por glóbulos brancos (leucócitos), glóbulos vermelhos (hemácias), plasma e plaquetas. É a partir da proteção sanguínea que uma vida nasce, pois é o sangue materno em volta do bebê que garante que o feto receba oxigênio, nutrientes e se beneficie das defesas adquiridas pela mãe contra as doenças. Uma pessoa tem, em média, 25 bilhões de glóbulos vermelhos. Num indivíduo saudável, os glóbulos e outras células regeneram-se constantemente. Sangue é um tecido primordial para a existência e manutenção da vida. Neste ensaio biológico e social, será apresentado tecnicamente esse tecido para que os leitores possam conhecer suas peculiaridades biológicas. Em seguida, o ato de doar será desdobrado em sua importância única, a de salvar a vida do próximo. Da célula à gota de sangue O plasma representa os 55% restantes do volume total de sangue. É a parte líquida do sangue, de coloração amarelo-palha, composto de água (90%), proteínas e sais. Os glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte do oxigênio tanto em sua absorção quanto na expulsão do gás carbônico. Os glóbulos brancos têm a função de defender o corpo contra as doenças. Eles produzem anticorpos e combatem as infecções. As plaquetas ajudam a controlar os sangramentos. O sangue é produzido na medula dos ossos chatos (vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno). Nas crianças, o sangue também é produzido nos ossos longos, como o fêmur. Os grupos sanguíneos são o “A”, “B”, “O” e “AB”. No Brasil, existe a predominância do grupo “O” com fator RH positivo (O+) (36% da população), seguido pelo grupo A com fator RH positivo (A+) (34%). Em seguida, aparece o grupo B com RH positivo (B+) (8%) e, por último, o grupo AB com fator RH positivo (AB+) (2,5%). Destaca-se, a seguir, a dinâmica de transfusão e doação de sangue. Fonte: https://www.infoescola.com/sangue/sistema-abo/. Da gota de sangue para o ser humano e humana Ouvimos, em nossa vida inteira, sobre a importância de ajudar em causas sociais, atitudes relacionadas com a solidariedade e empatia, mas nós realmente praticamos ações em prol dessas questões? Se você refletiu sobre essa pergunta e agora procura participar efetivamente em causas sociais, por que não doar sangue? A doação de sangue é um ato de solidariedade, e esse gesto voluntário pode salvar muitas vidas. Cada doação feita pode salvar a vida de quatro pessoas, e vale ressaltar que, quando se doa sangue, seu próprio organismo repõe a quantidade doada. São empregados procedimentos seguros e higiênicos para nunca arriscar a vida do doador. Assim, não há mais desculpas para não doar sangue. Ao doarmos sangue, fornecemos um produto essencial para a sobrevivência de um indivíduo. Em algumas situações médicas, a transfusão de sangue é inevitável, sendo de extrema necessidade que haja sangue em estoque, o qual é conseguido exclusivamente por doação. As histórias relacionadas aos doadores e aos recebedores do sangue são certamente emocionantes. Esse foi o caso do senhor Adalto Carvalho, que deu ao Ministério da Saúde seu depoimento como doador. Ele relatou que pôde presenciar a gratidão de uma família após ele ajudar a salvar a vida de uma criança. “Estava trabalhando e me ligaram, pedindo que eu doasse, pois tinha uma criança que necessitava. Estava completando três meses e dois dias que eu tinha doado pela última vez. A família me agradeceu muito. Queriam até me pagar, mas a doação é um ato voluntário, e eu tenho muito orgulho em fazer isso”, disse. Maria Fernanda Pires QuitérioEstudante do 9º ano, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP. Aisha Victoria Silva PereiraEstudante do 3º ano do ensino médio, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP.
Direitos humanos e fraternidade universal

Mais um ano de comemoração pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São 73 anos de avanços em garantir o direito à vida dos indivíduos pelo mundo. Desde 10 de dezembro de 1948 que a luta pela dignidade humana passou a ser um desafio universal. Fazer cumprir os 30 artigos estabelecidos pelos representantes de vários países nem sempre tem sido consenso pelos governos. Infelizmente, ainda ocorrem violações dos direitos humanos, o que inclui desrespeito aos direitos civis, sociais e políticos. A violência tem aumentado muito, gerada pelo preconceito, como no caso do racismo ou de fanatismo, causando terrorismo, que ainda existe em várias nações. Com a pandemia, a violação em relação ao acesso à vacina contra a covid-19 e suas variantes nos países mais pobres tem demonstrado o tamanho da desigualdade entre os países. Nossa humanidade anda ameaçada pelo egoísmo, pela discriminação, pela ganância, injustiças. Conforme a Carta Apostólica Fratelli tutti, escrita pelo Papa Francisco, “Muitas vezes, constata-se que, de fato, os direitos humanos não são iguais para todos. O respeito a esses direitos ‘é condição preliminar para o próprio progresso econômico e social de um país’”. A criatividade para que haja igualdade é necessária para que o bem comum possa se torna uma realidade, como afirmou o Pontífice para um grupo de diplomatas, na Albânia, em 2014. Como comemorar o 73º ano da Declaração Universal dos Direitos Humanos se há tantos excluídos (refugiados, famílias inteiras passando fome, homofobia, intolerância religiosa, tortura, desemprego…) no mundo? É necessário preservar o direito dos povos, de suas culturas, independentemente de cor, raça, sexo, religião, nacionalidade, conforme proclama o artigo 2º do mesmo documento. Ser cidadão do mundo, antes, exigia apenas um passaporte. Agora, com a pandemia, o passaporte sanitário também passou a ser exigido. O ir e vir não é mais permitido como antes. Se todos não se conscientizarem da importância da vacinação, a contaminação continuará a ir além fronteiras. Todos devemos entender que somos da mesma espécie, portanto, deveríamos conviver como uma família universal. Em família, uns colaboram com os outros, uns cuidam dos outros. A natureza cuida de todos, concedendo-nos água, ar, terra, fogo para que os alimentos necessários sejam produzidos e sustentem a todos. Assim, o direito natural à vida, à liberdade e à segurança, que foi defendido por John Locke, tornou-se direito positivo. No entanto, nem todos têm acesso ainda a esses direitos, constrangendo até mesmo quem os defende. A igualdade deve ser garantida por meio da lei. Façamos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. A empatia, a solidariedade, a justiça social devem contribuir para que todos cuidem uns dos outros. Que a partilha justa dos bens, a reforma agrária sobre que tanto se falou possam vir a acontecer. A paz é fruto da justiça. Infelizmente, grupos interesseiros têm dominado o que é público, usurpando da coletividade direitos que, além de humanos, são universais, permanentes e insubstituíveis. Leia os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e reflita como divulgar e fazer cumprir suas cláusulas, a fim de que todos sejam respeitados em suas vidas. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.
“Escritores sem fronteiras”: alunos da Rede de Educação SSpS lançam e-book

Muitos foram os frutos colhidos na realização da 3ª edição da Semana sem Fronteiras, promovida pelas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), entre os dias 25 e 29 de outubro. O tema foi “Viver a diversidade e construir o respeito no mundo”. Com essa motivação, alunos do ensino médio elaboraram o e-book “Escritores sem fronteiras”, apresentando suas inspirações, aspirações e preocupações. Agostinho Travençolo Junior, idealizador do projeto, explica que os jovens ficaram livres para escolherem o tipo de texto. “Foi possível perceber a diversidade e a criatividade como essência da proposta refletida nas criações”, disse. A obra traz textos em prosa e poesia, compostos por alunos dos colégios Imaculado Coração de Maria (Rio de Janeiro-RJ), Stella Matutina (Juiz de Fora-MG), Espírito Santo (Canoas-RS), Sagrado Coração de Jesus (Belo Horizonte-MG) e Espírito Santo (São Paulo-SP). O trabalho foi acompanhado pelos professores da área de Linguagens. Veja, a seguir, a obra.
Encontro de lideranças da Rede de Educação SSpS destaca o olhar para o futuro

Entre os dias 18 e 20 de novembro, foi realizado o encontro de lideranças juntamente com o corpo gestor da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). A reunião foi no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. O momento foi de formação pessoal para agregar e ampliar o conhecimento e o autoconhecimento da equipe. Nós nos conectamos através do olhar para o futuro, do cuidado com o outro, do cuidado com a gente e da relação com o mundo. Cada participante partilhou as vivências de seu ambiente escolar. Envolvidos nessa perspectiva, destacamos nossas escolas como espaços de missão na Educação. De forma positiva e ricamente partilhada, outros temas de muita relevância foram discutidos, como liderança, o olhar de cuidado, olhar da imparcialidade, olhar que motiva, olhar que valoriza e reflexões sobre as ferramentas de gestão. O encontro também contou com a presença virtual da irmã Maria Theresia Hornermann, Coordenadora-Geral da Congregação. De modo forte e motivador, ela reforçou a importância da presença missionária na educação como um lugar de cultura e evangelização, agregando ainda mais o olhar para o futuro, que hoje nos inspira. Momentos únicos, vivos, de aprendizado e novas conquistas que “falam com sabedoria e ensinam com amor”, tema transversal que iluminará a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo em 2022, pulsam na gente. Raquel FiuzaGestora administrativa do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.