23º Domingo do Tempo Comum

“Jesus faz bem a todas as coisas”Marcos 7,31-37 Os eventos relatados no texto de hoje se situam no território pagão de Tiro e Sidônia (hoje, Líbano). Marcos faz questão de sublinhar o contexto geográfico, talvez para enfatizar a missão aos gentios (pagãos) que marcava sua Igreja. Mais uma vez, estamos diante de um milagre de Jesus que manifesta o poder de Deus que age nele, que causa espanto e alegria entre as testemunhas, e que leva Jesus a proibir que a notícia se espalhe no território. Em si, o relato segue o roteiro de tantos outros: uma pessoa sofrida (neste caso, sofrendo de surdez e incapaz de falar corretamente), a compaixão da parte de Jesus, que o leva a atender ao pedido de uma cura, a cura em si, a proibição de espalhar a notícia (o chamado “segredo messiânico”) e a incapacidade das testemunhas de guardar o segredo. A violação da proibição por parte da multidão traz à tona a questão da verdadeira identidade de Jesus, dando a impressão de que Ele é muito mais do que um simples curador. As palavras que expressam o entusiasmo da multidão diante dele (versículo 37) são tiradas de uma seção apocalíptica de Isaías, sugerindo que, nas atividades de Jesus, o Reino de Deus se faz presente. Mais uma vez, o segredo messiânico em Marcos nos faz perguntar sobre seu sentido. Provavelmente faz parte da insistência de Marcos, de que Jesus é mais do que um taumaturgo ou milagreiro, e que sua verdadeira identidade somente se revelará em sua Cruz e Ressurreição. Pois é somente lá, e não diante dos milagres, que Jesus é proclamado “Filho de Deus” por uma pessoa humana, o oficial que exclamou, ao pé da Cruz, vendo como Jesus havia expirado: “De fato, esse homem era mesmo Filho de Deus” (Marcos 15,39). Para Marcos, uma fé baseada nos milagres é sempre ambígua, pois pode levar ao seguimento de Jesus por motivos errôneos, interesseiros e duvidosos. Para corrigir essa tendência em sua comunidade, ele insiste que só se pode proclamar Jesus com o título messiânico “Filho de Deus” ao pé da Cruz, onde não há lugar para dúvidas, pois só se pode crer na fraqueza de Deus, como diria Paulo, que é mais forte do que a força humana (1 Coríntios 1,25). Um alerta para muitos cristãos hoje. A proclamação das testemunhas que Jesus “fez os surdos ouvir e os mudos falar” alude a Isaías (35,5-6), que faz parte da visão apocalíptica do futuro glorioso de Israel (Isaías, capítulos 34 e 35, relacionado com Isaías, capítulos 40 a 66). O uso aqui desse texto veterotestamentário indica que o futuro glorioso do novo Israel já está presente no ministério de Jesus. Podemos ver um sentido mais simbólico para nossos dias na cura relatada: o de abrir os ouvidos e soltar as línguas. Pois o sistema hegemônico de hoje e os meios de comunicação, frequentemente atrelados e coniventes, procuram, em geral, tapar os ouvidos do povo diante dos gritos dos sofridos; pois fazem questão de camuflar a realidade sofrida de milhões, escondendo a realidade ou banalizando-a, como fica claro na maioria dos noticiários de televisão. Também as forças dominantes deixam cada vez mais os excluídos sem voz: em nossa sociedade materialista e consumista, só pode ter voz ativa quem produz e consome. Diante da surdez e mudez físicas, Jesus cura. O Evangelho e a atividade evangelizadora das igrejas devem ajudar as pessoas para que ouçam o grito dos oprimidos e para que ajudem a devolver a voz àqueles a quem lhes foi tirada. Sete de Setembro é o dia do “Grito dos Excluídos”, uma maneira de as Igrejas e todas as pessoas de boa vontade assinalarem que nossa luta está em favor dos excluídos e menos favorecidos, e que essa atividade não se limita a uma passeata nesse dia somente, mas que é a tônica de nossa ação evangelizadora, retomada com muita força no Documento de Aparecida e em tantos outros documentos do Magistério e da CNBB, e sempre enfatizada nos pronunciamentos e escritos do Papa Francisco. “Jesus fez bem todas as coisas: fez os surdos ouvirem e os mudos falarem!” (vers. 37). Que se possa dizer isso de todas as Igrejas e pastorais. Que ajudemos a devolver a capacidade de ouvir os gemidos dos sofredores a tantas pessoas ensurdecidas pela ideologia dominante e que ajudemos os sem voz a recuperarem a voz ativa nas decisões das Igrejas e da sociedade em geral. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Narrativas da Criação: conheça o mito do monte Namuli

Dentro das comemorações do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º de setembro, e da campanha “Semana sem Fronteiras”, promovida pela Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, seguimos contando como outras culturas narram a Criação. Desta vez, vamos conhecer a tradição dos povos Makhuwa e Lomwe, nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, situadas ao Norte de Moçambique. No livro Religiões africanas hoje: introdução ao estudo das religiões em Moçambique (Maputo: Paulinas, 2009), o antropólogo Francisco Lerma Martínez faz uma compilação do mito segundo o qual o primeiro homem foi criado por Muluku (Deus), nas grutas do monte Namuli. O lugar tem 2419 metros de altura e é localizado na Serra de Gurue, Província de Zambézia. O recém-criado homem contemplava diariamente a extensa planície verde, onde crescia toda espécie de árvore e planta. Num certo momento, buscando satisfazer sua curiosidade, decidiu descer para conhecer melhor a maravilhosa paisagem. Durante a perigosa descida, tropeçou numa pedra, caiu ferido por terra e desmaiou. Depois de muito tempo, quando despertou e abriu os olhos, deu-se conta de que seu sangue se misturava à água e observou, na cavidade de uma rocha, que estava formando lentamente uma figura semelhante a seu corpo: era a primeira mulher. Formava-se, desse modo, o primeiro casal: um mulupwana (homem) e uma muthyana (mulher). Os dois continuaram a viagem até a planície, descendo por diversos caminhos que iam abrindo. Conforme iam se multiplicando as trilhas, elas se separavam, dando origem a diferentes grupos que hoje compõem esse povo. Segundo Martínez, a expressão “Miyo kokhuma o Namuli” (fui gerado no monte Namuli) sintetiza a identidade dos povos Makhuwa e Lomwe. Veja maisNarrativas da Criação em outras culturas

Narrativas da Criação em outras culturas

A Rede Educacional Missionárias Servas do Espírito Santo escolheu destacar cinco países na edição 2021 da campanha “Semana sem Fronteiras”: Austrália, Eslováquia, Índia, México e Moçambique, onde as irmãs também estão presentes. Para marcar este 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, apresentamos como comunidades de três desses países narram a origem do mundo. É uma forma de valorizar e respeitar a riqueza cultural e religiosas desses povos. Austrália O Dreamtime (Tempo do Sonho) é a base da religião e da cultura originária da Austrália. Ele remonta a 65 mil anos. É a história de eventos que aconteceram, como o Universo veio a existir, como os seres humanos foram criados e como o Criador planejou que os humanos agissem no mundo como eles o conheciam. O povo originário entende o Dreamtime como um começo que nunca termina, um período em um continuum de passado, presente e futuro. Os mitos são a base da sociedade aborígine e apresentam concepções sobre a existência. Por seu folclore sobre a criação do Tempo do Sonho, os aborígines aprendem sobre seus primórdios e as ações importantes dos criadores. Os aborígenes australianos acreditam, com base no que lhes contaram os ancestrais, que a terra que ocupam não existia como o é hoje. Não havia forma ou vida, era um grande vazio. Foi durante o que se tornou conhecido como o Tempo do Sonho que terra, montanhas, colinas, rios, plantas, formas de vida tanto animais quanto humanas e o céu foram formados pelas ações de espíritos misteriosos e sobrenaturais. Durante o Tempo do Sonho, os criadores transformaram os homens em mulheres e animais, declararam as leis da terra e como as pessoas deveriam agir umas com as outras. Também surgiram os costumes de fornecimento e distribuição de alimentos, os ritos de iniciação, as leis do casamento, as cerimônias de morte, que devem ser realizadas para que o espírito dos falecidos viaje pacificamente para seu lugar além-túmulo. Alguns sonhos falam do desaparecimento dos criadores míticos. Acreditam que eles se ocultaram da vista dos meros mortais, mas continuam a viver em lugares secretos. Uns vivem no território da tribo, em fendas nas rochas, árvores e poços de água; outros viraram corpos celestes; outros se tornaram forças naturais, como vento, chuva, trovões e relâmpagos. Acredita-se que muitos dos criadores continuam a viver na terra ou no céu, cuidando desses povos. Esses criadores sobrenaturais enigmáticos são frequentemente conhecidos como homens e mulheres que tinham a habilidade de se transformar em animais e outras criaturas, como a Serpente do Arco-Íris. Também há histórias de heróis e heroínas, e figuras de pai e mãe. Pode ser difícil para muitos compreenderem o Dreamtime, mas é parte de quem são os aborígines, a própria essência e razão de estarem neste mundo. É abrangente e estará sempre no centro de sua existência como um povo. Índia Na visão do hinduísmo, o Universo tem milhões de anos, criado por Brahma, que o fez a partir de si mesmo. Depois dessa origem, é o poder de Vishnu que preserva o mundo e os seres humanos. De acordo com a crença hindu, na reencarnação, o Universo em que vivemos não é o primeiro nem o último. Como parte do ciclo de nascimento, vida e morte, é Shiva quem destruirá o Cosmos. Para essa religião, isso não é tão ruim como pode parecer, porque permite que Brahma reinicie o processo de criação. México No quinto sol, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria de se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, ele retrocedeu ante o fogo, mas o segundo, um pequeno deus, humilde e pobre (usado como metáfora do povo asteca sobre suas origens), Nanahuatzin, sem vacilar, lançou-se às chamas, convertendo-se no Sol. Ao ver isso, o primeiro deus, sentindo coragem, decidiu jogar-se, transformando-se na Lua. Os dois astros, porém, continuavam inertes e era indispensável alimentá-los para que se movessem. Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a “água preciosa”, necessária para criar o sangue. Por isso os homens seriam obrigados a recriar eternamente o sacrifício divino original. Eles acreditavam que sua missão era manter vivo o Sol até o fim dos tempos. Assim, praticavam o sacrifício para repetir o que o deus havia feito por eles. As imolações eram geralmente praticadas com prisioneiros de guerras. Para eles, era uma honra dar a vida por um deus. Os astecas, assim como outras civilizações da Mesoamérica, capturavam pessoas de tribos, aldeias ou até mesmo de civilizações inimigas para o sacrifício. Eles costumavam atacar no meio da noite ou ao amanhecer. Primeiramente entravam em silêncio, matavam os animais, entravam na cabana do chefe e, em seguida, matavam-no. Após eliminar o chefe inimigo, avançavam sobre os que estavam dormindo ou distraídos. Os que resistiam levavam golpes na cabeça, para ficarem inconscientes. Em seguida, capturavam outras pessoas. Por último, vendiam para os nobres as mulheres, os homens fracos e as crianças; apenas os saudáveis e fortes iam para sacrifício. Eslováquia e Moçambique Como a Eslováquia e Moçambique têm população majoritariamente cristã, o relato da Criação predominante nesses países se baseia no livro de Gênesis, tal como é celebrado por outros cristãos e judeus mundo afora. No país africano, há também uma considerável população islâmica. A narrativa dessa religião, contudo, se assemelha à judaico-cristã, como o primeiro ser humano, Adão, sendo proveniente do barro. Para o Alcorão, o mundo também foi criado em seis dias. Veja mais Narrativas da Criação: conheça o mito do monte Namuli

O papel do nutricionista na sociedade

Em 31 de agosto de 1949, foi criada a Associação Brasileira de Nutricionistas (ABN). Essa data foi mantida como o Dia do Nutricionista, para homenagear o profissional responsável por planejar programas de alimentação para as pessoas que se preocupam com a saúde, além de preparar dietas específicas para ajudar a melhorar a qualidade de vida e saúde dos portadores de patologias e pacientes crônicos. O nutricionista é o profissional habilitado para educar a população a assumir hábitos alimentares mais saudáveis, a fim de prevenir o surgimento de doenças crônicas decorrentes da má alimentação. Um profissional da nutrição é responsável por tornar seu organismo mais saudável, proporcionando uma melhor qualidade de vida, bem-estar e nortear sua alimentação. O campo de atuação desse profissional no mercado de trabalho é vasto e se expande cada vez mais. Os cuidados com a nutrição são importantes em escolas, hospitais, casas de repouso, restaurantes, hotéis, clubes, spas e vários outros seguimentos. Não podemos deixar de destacar também os nutricionistas que estão atuando na linha de frente da covid-19, cuidando de pacientes internados em tratamentos intensivos, adequando sua alimentação para que não desenvolvam complicações resultantes da doença. Durante o distanciamento social, um dos fatores mais importantes está relacionado à saúde mental. A ansiedade e a depressão são sentimentos bastante comuns que levam a pessoa a desenvolver doenças. O profissional nutricionista tem papel essencial para auxiliar também nesses casos, visto que muitas pessoas acabam compensando esses distúrbios na alimentação exagerada e desequilibrada. O acompanhamento nutricional é fundamental para a saúde das gestantes e muito importante durante o período de gravidez. A alimentação correta no período da gestação previne doenças e ocorrências negativas relacionadas a uma má alimentação. O nutricionista também atua no ambiente escolar, cantinas e restaurantes, orientando a dieta das crianças e desempenhando um papel fundamental na educação alimentar. Em hospitais, os nutricionistas são necessários para o acompanhamento das dietas dos pacientes internados. O envelhecimento e o estresse do dia a dia levam alguns adultos a desenvolverem doenças como a hipertensão, a diabetes, doenças cardiovasculares, cerebrais e renais. Essas doenças devem ser levadas muito a sério, pois estão relacionadas diretamente a uma má alimentação, podendo até mesmo serem fatais. Quem sofre com essas doenças precisa constantemente do acompanhamento nutricional. Para os idosos, o acompanhamento alimentar é essencial para mantê-los longe do risco de desnutrição ou de outras doenças associadas ao consumo em excesso dos alimentos inadequados. Proporcionando, assim, maior qualidade de vida e longevidade. Os hábitos alimentares adequados durante toda a vida e o controle de peso são essenciais para quem quer ter uma vida adulta saudável. Uma alimentação correta é fundamental para manter saudáveis o corpo e a mente. Dessa forma, o cuidado com a alimentação é imprescindível para um estilo de vida feliz e saudável para toda a sociedade. Arlene Figueiredo de AguiarNutricionista – CRN-3 16383

Conheça oito atitudes de um catequista por vocação

O belo itinerário de agosto, reconhecendo e orando pelas diversas vocações cristãs, encerra-se com o Dia do Catequista, celebrado no último domingo do mês. Com justiça, a Igreja reconhece esse preciosíssimo dom. Ao longo do ano, milhares e milhares de batizados e batizadas, respondendo ao chamado a ser configurados a Jesus, vão ao encontro de irmãos e irmãs, alguns ainda bem pequenos, para instruí-los no caminho do Senhor. Em maio, esse fundamental ofício ganhou novas luzes, quando o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Antiquum ministerium, instituindo oficialmente o ministério de catequista (existente desde o início da Igreja, diga-se). Depois da elaboração do rito pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, as conferências episcopais e as dioceses regulamentarão a norma. Os catequistas não deveriam ser confundidos com professores, mesmo uma pessoa podendo exercer, com grande louvor, as duas funções. A palavra catequese tem origem grega e significa “ecoar”. Aquele ou aquela que se dispõe a esse ministério recebe a sagrada tarefa de “ecoar” não apenas a voz, mas os gestos, o espírito de Jesus. Não é uma mera transmissão de conteúdo, mas um anúncio, com palavras e gestos, de algo a arder antes no peito, após uma experiência de encontro com o Senhor (cf. Lucas 24,13-35). Depois de um tempo e alguns episódios de incompreensão de minha parte, entendi por que se costuma dizer que um catequista jamais tira férias. Claro! Um homem ou mulher, seja jovem ou mais experiente, ecoa Cristo a qualquer momento ou lugar. Quem procura seguir os passos do Senhor não pode (e nem deveria) afastar-se dele. A catequese, de uma forma mais ampla, é uma missão exercida em conjunto. A começar das famílias, depois passando pelo bispo (o primeiro catequista de uma diocese), os presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, e pelo povo de Deus, todos têm o dever de “ensinar” o Evangelho, sobretudo pelo testemunho. Cada um precisa dar sua contribuição. Não adianta se um familiar ensina a uma criança, a um jovem ou mesmo adulto que Jesus é misericordioso, manso e humilde de coração (Mateus 11,29) se, ao chegar à comunidade de fé, esse catequizando é acolhido com rispidez ou indiferença. Por isso, a Igreja entende que todos os batizados são chamados a, de algum modo, serem catequistas. Oito atitudes de um catequista de vocação Voltando-me diretamente a quem exerce esse grandioso ministério (as palavras que conheço são poucas para saudá-los como merecem), eu gostaria de lançar luzes sobre oito aspectos dessa nobilíssima vocação; a maioria inspirados no motu proprio do Papa Francisco. A lista é bem maior, confesso, e não é possível organizá-la por ordem de importância. Fala em nome da Igreja Todo catequista deve ter no coração que nem sempre fala em nome próprio. Pode ocorrer de seu olhar pessoal sobre algum ponto destoar com o da Igreja, baseado na Revelação, na Tradição e no Magistério, mas a palavra do Corpo Místico de Cristo tem prioridade. Cultiva a vida de oração É difícil oferecer com credibilidade aquilo que não se tem. Para ecoar a voz e os gestos do Senhor, o catequista deve ter o propósito de se aproximar o máximo possível de Jesus. Isso se dá em primeiro lugar na oração constante e sincera, na escuta atenta da Palavra, a qual deve cair como semente boa em terra fértil. Nesse ponto, nenhum batizado deveria “tirar férias”. Procura se atualizar A Igreja não é um museu ou um antiquário, e é uma pena muitos cristãos não se darem conta disso até hoje. As teologias evoluem, as liturgias não usam o princípio do “pode/não pode”, e o conhecimento da Bíblia, da Doutrina Social da Igreja e dos dogmas vão se aprofundando ao longo do tempo. A própria catequese passa por atualizações desde os primórdios. Quem se propõe a transmitir a fé precisa estar em dia com as boas novidades. Ao longo da catástrofe da pandemia, muitos catequistas tiveram de se adaptar a novas formas de acompanhar os catecúmenos, os noivos, os jovens e as crianças. Isso, contudo, já ocorria de modo mais ou menos intenso ao longo da história, e é preciso estar de espírito dócil aos ventos do Espírito. Participa na vida da comunidade O catequista, a catequista é parte preciosa da comunidade de fé. É preciso ecoar Cristo primeiramente em casa, depois junto aos outros irmãos e irmãs. Não se pode estar numa bolha, assistindo de longe aos desafios e conquistas do povo. Isso implica também gostar de estar com as pessoas, compreender as fraquezas e o sagrado que elas trazem dentro de si. De modo mais amplo, é necessário estar atento à sociedade como um todo, tentando compreender como o cristão, a cristã pode ser “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mateus 5,13-16). Por outro lado, uma comunidade madura também respeita e procura iluminar-se pelo testemunho dos catequistas. Têm equilíbrio O termo é muito genérico, mas eu o compreendo aqui mais no sentido de relacionamento humano. Catequese e mau humor não combinam. É necessário se esforçar para saber lidar com os mais diferentes tipos (não é fácil, eu sei!). Administrar conflitos, saber respeitar as ideias dos outros, ceder, ter uma divina paciência, tudo isso é ser bom pastor, pastora, sinal de um amor que vem de Deus. Sabe acolher O catequista deve ter claro: não cuida das próprias ovelhas, mas daquelas pertencentes a Deus, o Pastor-Mor. Ele confia seus queridos filhos e filhas a esse ministro, ministra. Cada catequizando que chega e suas respectivas famílias devem ser considerados verdadeiros presentes do Senhor. Aos olhos da fé, é o Espírito que os impulsiona a querer conhecer as coisas santas. Saber acolher o ser humano, com suas virtudes e fraquezas, é uma dos mais elementares gestos esperados de um catequista. É modelo de generosidade Um legítimo catequista coloca à disposição dos irmãos e irmãs, da Igreja e do mundo o que tem de melhor. Partilha com generosidade seus dons, talentos, seu tempo. Nesse aspecto, recordo a passagem dos cinco pães e dois peixinhos apresentados ao

22º Domingo do Tempo Comum

“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”Marcos 7,1-8.14-15.21-23 Para entendermos o alcance do nosso Evangelho de hoje, é necessário compreender o contexto religioso do tempo de Jesus. Entre os elementos-chave na prática religiosa do judaísmo daquela época, estavam os conceitos de “puro” e “impuro”. Em nossa teologia, não é possível cometer um pecado inconscientemente, mas, para o povo do tempo de Jesus, o pecado tinha uma existência quase independente das pessoas. Certos atos, certos lugares, certas profissões tornavam as pessoas impuras, isto é, não aptas para participar do culto, sem primeiro passar pelos ritos de purificação. A seita dos essênios levava a preocupação com a pureza ritual aos extremos. Também os fariseus (cujo nome vem de uma palavra que significa “separados”) davam suma importância à pureza ritual; assim, muitas vezes, impossibilitando o acesso do povo comum ao culto ao Deus da vida. Diante dessa situação, a prática de Jesus era altamente libertadora. Sem se recusar a participar nos ritos tradicionais, pois era judeu piedoso e praticante, Ele entendeu que nada vindo de fora da pessoa é capaz de deixá-la impura. Jesus recuperava a visão dos profetas, que tradicionalmente tinham conclamado o povo para que vivesse a justiça e a prática da vontade de Deus, em lugar de se preocupar primariamente com rituais externos. Jesus reintegrava, assim, as massas pobres, excluídas da vivência comunitária pelas exigências de pureza, impossíveis de serem seguidas na prática pela maioria. Ele voltava a atenção às disposições internas das pessoas, que realmente podiam deixar as pessoas “impuras” diante de Deus: “As más intenções, a imoralidade, os roubos, crimes, adultérios, ambições sem limite, maldade, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (vers. 21 e 22). Assim, Jesus recupera o ensinamento de profetas como o Terceiro Isaías (Isaías 56-66), que, diante das injustiças cometidas por pessoas que viviam na pureza ritual enquanto oprimiam seus irmãos e ainda esperavam a proteção de Deus, denunciava: “O jejum que eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar qualquer jugo; repartir a comida com quem passa fome, hospedar em sua casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra nu e não se fechar à sua própria gente” (Isaías 58,6-7). É um desafio hoje examinarmos a realidade de nossa prática religiosa. Sem negar a importância e o papel de celebrações, ritos, rituais e devoções, nosso texto exige de nós, seguidores de Jesus, um sério exame de consciência, para que verifiquemos se a nossa prática religiosa não está frequentemente semelhante à dos fariseus (perfeita nas expressões externas, mas vazia por dentro) ou se é como aquela que os profetas e Jesus propõem, uma religião de prática de solidariedade e justiça, brotando da fé, e coerente com nossa fé no Deus da vida, em que os ritos têm seu lugar, mas como expressão de um verdadeiro compromisso com o Reino de Deus. Que não se torne realidade nossa a denúncia de Jesus diante do legalismo farisaico: “Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim” (vers. 6). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Para servir com amor na missão…

No ano de 1889, começava o grande sonho de Santo Arnaldo Janssen e das Bem-aventuradas Maria Helena e Josefa Stenmanns: a fundação da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, uma comunidade religiosa missionária dedicada totalmente ao Espírito Santo. Nasceu do anseio mais ardente de nosso Fundador: “Que viva Deus Uno e Trino nos corações de todas as pessoas”. Com esse imenso desejo, hoje estamos presentes em 53 países e nos mais diversos setores, como educação, saúde, justiça restaurativa, migração, entre muitos outros. Nossa missão é fazer com que Deus Uno e Trino seja conhecido e amado onde quer que seja e a quem o Senhor nos chame a servir. Para ser uma missionária serva do Espírito Santo, é necessário se formar, conhecer nosso carisma e espiritualidade, e ir confirmando o chamado que o próprio Deus faz em cada coração. Agora vem a pergunta: será que também posso dedicar minha vida ao serviço do Reino de Deus? Será que sou chamada a ir e anunciar esse amor tão grande de Deus para todas as pessoas? Para saber mais, entre em contato com as Irmãs Crislaine (31) 98237-6433, Adriana Regina da Silva (42) 99930-6341 e Maria Cristina Krupek (69) 98415-7394. Também foi criado, nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), o perfil “As Freiras em Missão” no qual há mais informações sobre nossa vida e missão.

Sistema Único de Saúde: indo além do senso comum

Talvez nunca se tenha ouvido falar tanto a respeito do SUS (Sistema Único de Saúde) como nestes últimos anos. Mas, afinal, o que é o SUS? Para isso precisamos voltar um pouco na história. Em 1988, a Constituição Federal estabeleceu que a saúde era um dever do Estado, já que era um direito social. Por isso implantou um sistema de saúde que era único, organizado e internacional. Porém o SUS somente foi concretizado em 1990, com a Lei 8.080. Esta estabeleceu os princípios do SUS, como seria sua organização e as atribuições de cada setor do governo. Pela lei, foram criados os três princípios doutrinários do SUS: universalidade, integralidade e equidade. A universalidade diz que todos os que estejam no território brasileiro, independentemente de quem seja, têm direito ao acesso à saúde gratuita no SUS. Já a integralidade diz que o serviço deve olhar para o paciente de forma integral, biopsicossocial. Assim, considera-se a saúde física, mental e social do paciente. E a equidade garante que quem mais precisa merece ter uma atenção mais intensa, dessa forma os casos mais graves devem ter uma investigação mais aprofundada. A equidade não está descrita na Lei, mas é um princípio que veio ganhando força ao longo dos anos. Além disso, o SUS tem princípios organizativos como: participação social: nas conferências de saúde, os usuários do SUS, gestores, prestadores de serviços e trabalhadores se reúnem para avaliar e propor diretrizes para formular políticas de saúde; complementariedade do setor privado: esse setor é usado pelo SUS como forma complementar; descentralização: o poder é dividido em esferas do governo federal, Estados e Municípios; regionalização: é feita uma divisão das regiões de saúde, visando a garantir a saúde de todos e a diminuir as desigualdades territoriais e sociais; hierarquização: a assistência é dividida em níveis de atenção, sendo elas em primária, secundária e terciária. Algum outro país tem um sistema de saúde semelhante? O Brasil não é o único país a ter um Sistema Único de Saúde. A Inglaterra tem o National Health System (NHS), criado em 1948, o qual serviu de modelo para o SUS. Mas qual a importância de um sistema como o SUS? O SUS é de extrema importância para a vida dos brasileiros, garantindo a saúde de modo integral. Temos a visão de que o SUS atua somente nos postos de saúde e nos hospitais públicos para atendimento, porém o Sistema está presente em ações da vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, acompanhamento e promoção da saúde do trabalhador, orientação alimentar, proteção do meio ambiente e no desenvolvimento científico. Ele, portanto, está presente desde as vacinas, fiscalização de alimentos e produtos, garantindo a dispensa de medicação tanto de alto custo como de outros tipos, na fluoração da água para evitar cáries, entre outros. O sistema chega de fato a quem mais precisa? Sim, há diversos programas que garantem a saúde da população. São exemplos as campanhas de vacinação, programas para determinadas doenças como IST (infecções sexualmente transmissíveis), aids (HIV), hepatites, tuberculose, entre outras, atuando desde o diagnóstico até a garantia do tratamento. Quando falamos em programa de HIV, além de assegurar tratamento e teste diagnóstico para a população, é garantida a PREP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) que são algumas formas de evitar a infecção pelo vírus HIV, causador da aids. Porém, para ter acesso à PREP, até alguns meses atrás, era necessário que o paciente estivesse em acompanhamento no sistema público, mas, nos últimos meses, foi publicada uma portaria que garantiu o procedimento também aos pacientes do setor privado. Com isso, podemos ver que o SUS está presente em vários momentos de nossas vidas e não somente no atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no hospital público. O SUS garante nossa saúde no nível biopsicossocial, por meio de suas atividades, não se importando quem seja o atendido. Por isso devemos defendê-lo e, sempre que possível, participar das conferências de saúde para garantirmos melhorias a esse sistema. Agora uma pergunta: você já defendeu o SUS hoje? Para saber mais Processo de regionalização na saúde: perspectivas históricas, avanços e desafios (artigo de Mariana de Castro Brandão Cardoso, Amália Ivine Santana Mattos, Adje Silva Santos e Técia Maria Santos Carneiro e Cordeiro) [link: https://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/502/1024] Nota Informativa nº 11/2021 – CGAHV/DCCI/SVS/MS (orientações para início da prescrição da profilaxia pré-exposição de risco à infecção pelo HIV – PrEP – em Serviços de Saúde Privados) [link: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/legislacao/2021/-notas_informativas/nota_informativa_n_11_2021-cgahv_.dcci_svs_ms_prep_saude_suplementar.pdf] Teixeira, P.; Dahdal, M. Medicina preventiva. S.l.: Sanar, 2021. Matheus Ferreira Martins é ex-aluno do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, e formado em Medicina pela XLVII turma da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

21º Domingo do Tempo Comum

“Tu tens palavras de vida eterna”João 6,60-69 Aqui temos a conclusão do grande discurso sobre o Pão da Vida. Mais uma vez, O Evangelho de João deixa claro que, diante de Jesus e de suas palavras, o ouvinte tem de tomar uma decisão radical. Os versículos de nosso texto não escondem o fato de que nem todos conseguem optar por Jesus. As primeiras palavras de hoje, “depois de ter ouvido isso”, demonstram que a divisão nasceu a partir de algum ensinamento de Jesus, sem explicitar o motivo exato da discussão. As preocupações comunitárias dos versículos anteriores, a afirmação de Jesus, de que Ele dá seu corpo como pão da vida, e o fato de que o texto se dirige aos discípulos indicam que provavelmente foi o discurso eucarístico a fonte de divisão. Porém a afirmação de Jesus, de que Ele “dá a vida” (o que causou já uma divisão em 5,19-47) e a identificação de sua palavra reveladora com “o pão vindo do céu”, na primeira parte do discurso, talvez tenham criado a controvérsia. De qualquer maneira, é importante notar que a divisão não se dá entre “os judeus”, no sentido das autoridades judaicas, mas entre os próprios discípulos, muitos dos quais abandonam Jesus nesse momento. Sem dúvida, essa história reflete a experiência da comunidade do Discípulo Amado na década de 90 do primeiro século, quando estava sentindo na pele as dores de divisão, pois muitos de seus membros a estavam abandonando (essa divisão é o pano do fundo das três cartas joaninas). É muito interessante a reação de Jesus diante do abandono da maioria de seus discípulos. Ele não arreda o pé, mas, com toda a calma, até convida os Doze para saírem se não podem aceitar sua Palavra. Jesus não se preocupa com números, mas com a fidelidade ao Pai. Talvez até fique sozinho, mas não vai diluir em nada as exigências do seguimento da vontade do Pai. Um exemplo importante para nós, pois, muitas vezes, caímos na tentação de julgar o êxito pelos números: igrejas cheias indicam sucesso. Mas nem sempre é assim. É mais importante ser coerente com o Evangelho, custe o que custar, do que “fazer média” com a sociedade, às vezes, por uma pregação tão insossa que reduz a religião a mero sentimentalismo, sem consequências sociais. Devemos cuidar de não interpretar erradamente as palavras de Jesus no versículo 63, quando diz que “É o Espírito que vivifica, a carne para nada serve”. Às vezes, usa-se essa frase (e outras de João) para justificar uma religião dualista, na qual tudo o que é “espírito” é bom e tudo o que é material é do mal. Aqui João não distingue duas partes do ser humano, mas duas maneiras de viver. A “carne” é a pessoa humana entregue a si mesma, incapaz de entender o sentido profundo das palavras e dos sinais de Jesus; o “espírito” é a força que ilumina as pessoas e abre seus olhos para que possam entender a Palavra de Deus que se pronuncia em Jesus. Diante do desafio de Jesus, Pedro resume a visão dos que percebem no Senhor algo mais do que um mero pregador. A quem iriam? Só Jesus tem as palavras de vida eterna. Declaração atual, pois é moda na nossa sociedade (até entre muitos católicos praticantes) de correr atrás de tudo o que é novidade: supostas aparições, videntes, esoterismo, religiões orientais, gnosticismo e tantas outras propostas, às vezes até esdrúxulas, enquanto se ignora a Palavra de Deus nas Escrituras. O texto nos convida a nos examinarmos, a verificarmos se estamos realmente buscando a verdade onde ela se encontra, ou se a deixamos de lado, achando (como a multidão no texto) que o seguimento de Jesus “é duro demais”. No meio de tantas propostas de vida, estamos convidados a reencontrar a fonte da verdadeira felicidade e da verdadeira vida, fazendo a experiência de Pedro, que descobriu que Jesus “tem palavras de vida eterna”. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Palavras para não romantizar…

Eu acredito na força e no poder das palavras. Neste texto, não quero desmerecer a intensidade de palavras, apenas acentuar a banalização, seus usos e desusos no cotidiano. Algumas expressões estão me doendo os ouvidos quando escuto, a depender do contexto. “Birra”, “sustentabilidade”, “guerreira”, “cristão”, “empreendedorismo”, “resiliência” e até mesmo a expressão “mi-mi-mi” vêm me causando estranheza, entre outras tantas palavras. A cena pelas ruas até parece “birra”, mas pode ser um jeito que a criança encontrou de dizer que está esgotada, de mau humor, cansada. Birra é uma expressão cujo uso merece considerar mais nuances e inter-relações. A “sustentabilidade”, descrita nos financiamentos e ações de investimento social de empresas destruidoras do meio ambiente, a que se refere de fato? Ah, o “empreendedorismo”! Tem seu valor transformador sim. Mas também, além de carregar a equivocada culpa de ser pobre porque quer, de não ter tido formação nem oportunidade, carrega agora a culpa de não ser empreendedor, empreendedora no meio do caos e numa sociedade desigual. Sempre haverá aquela que mais assusta. Para mim, “guerreira”, “guerreiro”. Podemos estar, sim, diante de uma pessoa que se agigantou de fato e com uma rede de apoiadores diante de sua guerra particular e pessoal. Mas podemos estar diante de alguém, geralmente uma mulher, que está num processo de esgotamento, precisando de ajuda, desdobrando-se até não conseguir mais… E a tal da “resiliência”? A resistência e a sobrevivência humana ao imponderável e às adversidades podem conter danos evitáveis. Importante sim. Nobre. Mas do que estaríamos exatamente falando? O que deixamos de prevenir? Sobre o “mi-mi-mi”, nem sei o que dizer. Já disseram, não sei a fonte, e vou repetir aqui: “mi-mi-mi” é a dor do outro e que não dói em mim. “Cristão”, então, ganhou contornos de banalidade… Impossível se autoproclamar cristão e não comungar valores evangélicos, a sede de justiça social e aliança com os pequenos. Não são só palavras ao vento. É preciso escutar e contextualizar. Para me ajudar a sair dessa reflexão que iniciei e que não tem fim, faço memória às palavras de Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”. Eu acredito na força e no poder das palavras. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

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