26º Domingo do Tempo Comum

“Quem não está contra nós está a nosso favor”Marcos 9,38-43.45.47-48 O texto de hoje nos coloca, mais uma vez, no contexto do ensinamento de Jesus a seus discípulos, enquanto caminhavam para Jerusalém. Já vimos que, a partir da “crise galilaica”, Jesus mudou sua estratégia, afastou-se das multidões e dedicou-se à formação mais intensa de seus discípulos, pois estes se mostravam incapazes de acolher a novidade do Evangelho, com a mudança radical de atitudes que ele implicava. A primeira atitude a ser corrigida, conforme vemos nos versículos de hoje, é a de querer reservar o Espírito de Jesus como propriedade da comunidade. João se queixa que um homem que não os seguia estava expulsando demônios em nome de Jesus. Atitude mesquinha, de querer dominar o Espírito de Deus, sequestrar o poder divino. Mas, infelizmente, uma atitude bastante prevalecente em certos setores mais retrógrados das igrejas, ainda hoje, que acham que toda a riqueza do mistério de Deus possa caber dentro das margens estreitas de suas definições dogmáticas. Hoje, Jesus nos ensina a verdadeira atitude de um discípulo: “Não lhe proíbam, pois… quem não está contra nós está a nosso favor” (versículo 40). Temos de aprender a acolher as manifestações verdadeiras do Espírito de Deus em todas as religiões e culturas, e estar alertas para que nós mesmos não o escondamos ou deturpemos. Discernimento deve ser uma atitude permanente de vida. A segunda parte do trecho nos coloca diante do problema do escândalo aos pequenos na comunidade. Aqui cumpre ressaltar que “os pequenos” nesse texto não são as crianças, mas os humildes e pobres da comunidade cristã. É bom lembrar o sentido original da palavra “escândalo”. Vem de um termo grego que significa “pedra de tropeço”. Então se trata de uma situação em que os pequenos da comunidade “tropeçam”, isto é, não conseguem manter-se em pé ou se afastam por causa de certas atitudes dos dirigentes comunitários (é bom notar que o discurso e as advertências se dirigem aos discípulos e não aos de fora). Deve ter sido um problema comum, pois o discurso eclesiológico (isto é, da Igreja) no Evangelho de Mateus trata do mesmo assunto (Mateus 18,6-14). Usa imagens e linguagem tipicamente semitas: Jesus manda cortar e jogar fora “a mão, o pé e o olho” que causam escândalos aos pequenos. Obviamente não se propõe aqui uma mutilação física, mesmo se, ao longo da história, houvesse quem assim o entendesse; por exemplo, Orígenes. “Mão” significa nossa maneira de agir; “pé”, o modo de caminhar na vida; e “olho”, o jeito de ver e julgar as coisas, ou até nossa ideologia. Então o texto convida os dirigentes das comunidades cristãs (hoje bispos, padres, pastores, irmãs, ministros, etc.) a reverem o seu modo de agir, pensar e julgar, para averiguar se não estão causando a queda dos pequenos e humildes. Se descobrirmos que assim esteja acontecendo, então devemos “cortar e jogar fora”, ou seja, mudar o que causa o problema. Caso contrário, não experimentaremos na comunidade a presença do Reino de Deus, a vivência dos valores do Evangelho, por que Jesus deu a vida para estabelecer. A caminhada para Jerusalém, no Evangelho de Marcos, é um grande ensinamento de Jesus para quem quer segui-lo como discípulo. Trecho por trecho, ele vai desafiando a mentalidade dos discípulos, tão marcada pelos valores da sociedade vigente, e semeando os valores do Reino. Hoje, Ele nos desafia a praticarmos um verdadeiro ecumenismo e diálogo inter-religioso, e a revermos os nossos modos de agir e pensar, para que a experiência cristã de comunidade seja uma amostra real dos valores do Reino de Deus. O Papa Francisco nos dá o exemplo, enraizado como está no espírito de Jesus e na Palavra. Que tenhamos a abertura e a coragem de praticar o que ele nos ensina. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Mindfulness: uma alternativa para nossa saúde mental

Em razão do aumento da ocorrência de sintomas como ansiedade, depressão e estresse na Contemporaneidade, fez-se necessária a incorporação de uma técnica não tradicional à medicina do Ocidente. Com isso, programas baseados em mindfulness foram desenvolvidos para que pudessem aplicar sua técnica, de uma maneira simples e não rigorosa, no cotidiano das pessoas, a fim de se tornar um recurso terapêutico não convencional. O mindfulness é uma técnica que teve origem na cultura budista e, como já mencionado anteriormente, foi incorporado na medicina tradicional ocidental, enquadrando-se nas terapias cognitivo-comportamentais. Um aspecto importante a ser considerado é que o principal ponto defendido pelo mindfulness, de maneira simplista, é a detenção da atenção no agora e não em situações passadas ou cenários hipotéticos do futuro (como ocorre na maioria dos distúrbios psicológicos), de maneira que o indivíduo consiga viver no momento presente. Além disso, um dos pilares dessa técnica é a aceitação de todos os sentimentos que a pessoa venha a ter, de modo que ela se possibilite sentir de raiva a alegria, de maneira que ela não tente evitá-los ou então modificá-los. O mindfulness ensina o indivíduo a assumir, sempre, uma posição curiosa e sem julgamentos perante seus pensamentos e emoções. A partir dessa análise, o praticante consegue identificar as “situações-gatilho”, ou seja, as que automaticamente e inconscientemente despertam uma determinada emoção no indivíduo, a qual pode ser a causadora da ansiedade ou então da depressão, por exemplo. Com isso, as terapias baseadas em mindfulness buscam modificar a maneira como o cérebro do indivíduo reage a esses estímulos, isto é, as respostas emocionais reativas, e promover um pensamento racional que permite que o indivíduo consiga pensar antes de responder às situações-gatilho. Isso promove a modificação da fisiologia cerebral, pois os estímulos constantes fazem com que o cérebro se readapte, por exemplo, por meio do fortalecimento do córtex pré-frontal, o qual relaciona-se com a racionalidade. Um exemplo prático foi o programa MindUp, que usava, no cenário escolar, uma terapia baseada em mindfulness conhecida como MBSR (mindfulness-based stress reduction). Em virtude da cobrança de amadurecimento precoce das crianças, elas não são educadas a lidar com suas emoções e sentimentos, o que pode ser um fator limitante em sua convivência social. Como resultado dessa pesquisa, o grupo de crianças que participaram do programa, quando comparadas com o grupo de controle, apresentaram uma diminuição significativa no tempo de resposta às atividades propostas, o que demonstra que o MBSR facilitou a concentração das crianças nas tarefas. Além disso, houve nos alunos uma diminuição dos sintomas depressivos e ansiosos, assim como um aumento em sua empatia, otimismo e, principalmente, em seu controle emocional. O mindfulness, apesar de ser um campo de estudo recente, demonstra resultados semelhantes e, em alguns casos, até mesmo equivalentes aos tratamentos tradicionais com medicamentos, o que é um bom indicativo no caso de pessoas que o buscam como uma forma de terapia. Vale ressaltar, ainda, que ele também pode ser utilizado como ferramenta de melhoramento de qualidade de vida, adequando-se às necessidades do paciente. Caso fosse incorporado no cotidiano das pessoas, o mindfulness as auxiliaria a viver plenamente o agora, assim como a diminuir suas reações emocionais, o que contribuiria para uma vida mais equilibrada. Mariana Veiga é aluna da 3ª série do ensino médio do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.

Relatório da ONU aponta ação humana no problema do aquecimento global e traz alerta vermelho

Nas últimas décadas, a comunidade científica já previa o aumento de eventos climáticos extremos, como fortes alagamentos, tempestades, furacões e tornados, secas prolongadas e grandes ondas de calor extremo. Por muitos anos, ainda se acreditava que a questão do aquecimento global poderia se tratar de um fenômeno cíclico e natural, ainda que fosse agravado pela ação humana. Contudo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado em 9 de agosto, afirma serem inquestionáveis os impactos provocados pelo ser humano nas mudanças climáticas na Terra e não há alternativa senão a redução dos gases que provocam o aumento do efeito estufa e, consequentemente, o aquecimento da atmosfera, dos oceanos e do solo. O IPCC é um órgão da ONU, criado em 1988, para investigar a ciência em torno das mudanças climáticas. O grupo analisa e sintetiza publicações e documentos, e repassa para os governos informações científicas que possam embasar políticas sobre o aquecimento global. Com quase mil páginas de extensão, o último relatório do IPCC foi elaborado com a participação de 234 especialistas de mais de 60 países. O documento tem como base revisões e avaliações científicas de mais de 14 mil artigos e estudos já publicados. Desde 1998, já foram realizados cinco grandes relatórios que revisaram estudos científicos sobre o clima e alertaram o mundo sobre a crise climática. Esta, contudo, é a primeira vez que o relatório quantifica a responsabilidade das ações humanas no aumento da temperatura no planeta. A conclusão do último documento faz soar os alarmes sobre as energias fósseis que “destroem o planeta”, e pode ser considerado um “alerta vermelho”. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. O estudo divulgado adverte que a atividade humana está mudando o clima do planeta de maneira improcedente e que, em alguns casos, essas mudanças já provocam problemas irreversíveis, como aumento contínuo do nível do mar. “Os alarmes de emergência estão soando, e a evidência é irrefutável”, disse Guterres, assim que o relatório foi liberado. O secretário-geral também relatou que o teto estabelecido no Acordo de Paris, que limita o aumento médio das temperaturas globais em até 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, está “perigosamente próximo”. O relatório aponta que a temperatura da superfície global aumentou em um ritmo mais acelerado desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos em pelo menos 2 mil anos. Afirma também que esse fato tem uma relação direta com o crescimento de problemas ambientais de ordem atmosférica. Os principais fatores humanos das mudanças climáticas são o aumento nas concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa e de aerossóis da queima de combustíveis fósseis não renováveis. Segundo o documento, para cada meio grau a mais na temperatura do planeta, serão provocados novos aumentos na intensidade e na frequência de extremos de calor e fortes precipitações, assim como das secas prolongadas em algumas regiões. As geleiras montanhosas e polares continuarão derretendo por décadas ou séculos. Mudanças nas águas oceânicas também estão descritas, como ondas de calor marítimo mais frequentes, acidificação das águas, redução dos níveis de oxigênio. Embora as projeções de aquecimento sejam claras no relatório e que muitos impactos não possam ser revertidos, o documento também deixa claro que a única forma de retroceder o aquecimento do planeta e suas possíveis consequências consiste na redução das emissões de gases de efeito estufa pela metade até 2030 e na eliminação total das emissões líquidas até a metade deste século, pelo uso de tecnologias limpas e, pelo plantio de árvores, a captura e absorção de carbono. Os cientistas esperam que o relatório pressione os governos a aplicarem as políticas necessárias. Especialistas do IPCC deixam claro que há possibilidade de um planeta melhor para todos se o mundo responder à crise com solidariedade e coragem. É preciso economias mais sustentáveis, inclusivas e verdes, com mais justiça social, eficiência no uso de recursos naturais, com consumo consciente, de baixo carbono, entre outras medidas que ajudem a valorizar o meio ambiente. Fernando Carlos MirandaProfessor de Geografia e Atualidades, coordenador pedagógico do ensino médio no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.

25º Domingo do Tempo Comum

“Se alguém quer ser o primeiro deve ser o último, aquele que serve a todos” Marcos 9,30-37 Na estrutura do Evangelho de Marcos, depois da chamada “crise galilaica”, manifestada no episódio da estada de Cesareia de Felipe, Jesus muda totalmente de tática, de estratégia. Ele não anda mais com as multidões, quase não faz mais milagres (dos 19 milagres em Marcos, somente 2 ocorrem depois do acontecimento de Cesareia). Em lugar disso, Ele se dedica à formação dos seus discípulos, tentando inculcar neles as atitudes de verdadeiros discípulos, ensinando-os que o caminho dele é o da Cruz, da entrega, da doação, e não da busca do poder, da glória ou da fama. Marcos demonstra isso de uma maneira bem organizada. Em três ocasiões, Jesus anuncia a sua futura paixão (8,81; 9,31; 10,33-34). Em cada uma, os discípulos não compreendem (8,32; 8,34; 10,35-37), e a partir dessas incompreensões, Jesus dá um ensinamento, aprofundando vários aspectos do verdadeiro seguimento dele (8,34-38; 9,35-37; 10,38-45). O trecho de hoje trata do segundo desses três acontecimentos. A causa da dificuldade é a tentação do poder. Embora Jesus tenha deixado bem claro, pela segunda vez, que o seguimento dele é uma vida de entrega, até à morte, em favor dos outros, os Doze discutem entre si qual deles era a maior. O poder é tentação permanente em todas as comunidades, não isentando as igrejas. Podemos até dizer, com certa dose de humor, que a busca de poder está no DNA das pessoas humanas. Talvez mais do que outro motivo, a sede do poder tem sido o que mais tem corrompido nas igrejas, mais ainda do que a imoralidade ou a ganância financeira. No século XIX, o estadista e historiador católico inglês Lord Acton falou que “todo poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, e não há poder mais perigoso do que o religioso, exercido em nome de Deus! Quantos sofrimentos e males são causados por essa sede do poder, disfarçada como mandato de Deus. Desde o fundamentalismo fanático do Talibã, no Afeganistão, até a ufania de certos padres (mormente recém-ordenados), que se ostentam com roupas finas e carros do ano e, de uma maneira opressora, dominam religiosas e leigos de muito mais experiência e sabedoria do que eles… A sede do poder e da dominação, sempre em nome de Deus ou de Jesus, continua a distorcer a vida de muitas comunidades religiosas, dentro e fora do cristianismo. No fundo, é por isso que certos setores da Igreja se colocam, frontalmente ou veladamente, contra o Papa Francisco. Como escreveu o teólogo sul-africano Alberto Nolan, dominicano, “Jesus tem sido mais frequentemente honrado e venerado por aquilo que Ele não significou, do que por aquilo que Ele realmente significou. A suprema ironia é que algumas das coisas, às quais Ele mais fortemente se opôs na sua época, foram ressuscitadas, pregadas e difundidas mais amplamente através do mundo – em seu nome”. O poder-dominação é frequentemente um desses elementos. Diante da recusa de seus discípulos em entender seu ensinamento, Jesus, o Servo de Javé, pega uma criança como símbolo de quem deve segui-lo. Não porque criança é sempre santa nem inocente, mas porque é sem-poder, dependente dos adultos em tudo. No tempo de Jesus, criança não tinha direitos e era entre os últimos da sociedade. Seus discípulos são convidados a despojar-se do poder para serem servos, da mesma maneira do que o Mestre, Ele que “não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte da cruz” (Filipenses 2,6-8). O poder em si é um bem para ser usado a serviço dos outros. Todos nós (clero, religiosos, leigos) somos vulneráveis diante da tentação do poder. Levemos a sério o ensinamento de hoje, pois somente pode ser discípulo de Jesus quem procura ser o servo de todos. Evitemos títulos, privilégios e comportamentos que tão facilmente poderão nos afastar do seguimento do Senhor. Que o nosso modelo seja sempre Ele e não a sociedade vigente, onde é o poder que manda. A nossa força vem da Cruz de Jesus, a fraqueza do Deus “que escolheu o que o mundo despreza, acha vil e sem valor, para destruir o que o mundo pensa que é importante” (1 Coríntios 1,28). Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

O centenário de Paulo Freire e o ato de ensinar

“Meu sonho de sociedade ultrapassa os limites do sonhar que aí estão.”(Paulo Freire) Você já imaginou um Brasil em que não houvesse analfabetos? Esse era um dos sonhos de Paulo Freire, nosso homenageado. Infelizmente, ainda existem 11 milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever. A maioria de analfabetos em nosso país é de idosos, a partir de 60 anos, representando 26%. Verificando-se os dados regionais, 37% deles estão na Região Nordeste e 25,50% no Norte, conforme o censo de 2010 do IBGE. Considerando que, em 1930, o Ministério da Educação e da Cultura implantou o Dia da Alfabetização, o ato de ensinar freiriano nos permite refletir nesse centenário a importância da filosofia de Paulo Freire para a Educação e a democracia. Quem nunca ouviu falar no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização)? Ou no Mova (Movimento de Alfabetização)? E no Método Paulo Freire, que revolucionou o jeito de alfabetizar de modo eficaz e consciente? O pernambucano Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, no Recife-PE. Ele é um dos principais mentores da Educação brasileira. Formou-se em Direito, mas sua vida foi dedicada ao magistério. A partir daí, passou a pensar em um método acessível aos brasileiros adultos que não tiveram oportunidade de se alfabetizarem. Em 1963, coordenou um programa que alfabetizou 300 pessoas em aproximadamente um mês. A partir daí, esteve à frente do Plano Nacional de Alfabetização, durante o governo de João Goulart. Com a ditadura militar, algumas de suas obras criaram polêmica, como o livro Pedagogia do oprimido, o que o obrigou ao exílio em outros países. Com a anistia, voltou para o Brasil e foi secretário municipal de Educação da cidade de São Paulo, entre 1989 e 1991. “Os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes”, denunciou. A filosofia de Paulo Freire contribuiu muito para pensar o ato de ensinar. A Educação, de tendência sociocrítica passou a ser uma exigência para a democracia brasileira. Defendia a Educação como conjunto de forças cujo alvo seria a liberdade individual e a transformação social. Privilegiava a iniciativa do educando, que acreditava experimentar um processo de aprendizado consciente. O educando construiria o conhecimento com base no contexto em que vivia, fundindo aprendizagem e experiência social, com o objetivo da liberdade. Para Freire, a importância do ato de ler começava pela leitura do mundo em que se vivia. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, dizia. Após uma conversa com os educandos sobre o que viviam, surgia a temática que se tornava o conteúdo do estudo do dia. Do ver, julgar e agir, surgia o Método Paulo Freire. Ensinar é um ato político. Ser professor é mediar, pesquisar, provocar, estimular a esperança em uma nova realidade social. Atualmente, é comum ouvir falar em EJA (educação de jovens e adultos), projetos criados para atender cidadãos acima de 15 anos e adultos que queiram ser alfabetizados e continuar seus estudos na educação básica. Como afirmava Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é esperar”. Que a Educação brasileira brilhe como Paulo Freire sempre a sonhou, valorizando a categoria dos professores da educação básica em geral e proporcionando melhorias a esse contexto. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e Aproffib (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil), atualmente é professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da Diretoria da Aproffib.

Contemplar a Cruz e socorrer os crucificados

A Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz em 14 de setembro. Até a reforma do calendário litúrgico determinada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), era celebrada em 3 de maio, com o nome de “Invenção” da Santa Cruz, recordando a “descoberta” da Vera (verdadeira) Cruz por Santa Helena, em 337. Alguns lugares de nosso País preservam a antiga data, sobretudo onde a dulcíssima fé popular se destaca. De qualquer forma, é uma oportunidade para meditarmos um pouco sobre o que representa a Cruz para nós, cristãos. Por motivações diferentes, vez ou outra, os crucifixos são deixados de lado, tanto em ambientes laicos quanto, espantosamente, nos sagrados. Esse esconder o crucificado pode ter um sentido bem mais grave, dramático até, do que apenas questões de gosto estético ou arroubos modistas. A Cruz começou a ser usada como símbolo cristão mais difuso a partir do século III. No tempo de Jesus, a pena de crucificação era a mais grave do Império Romano e causava enorme comoção. Costumava ser reservada a criminosos mais contumazes e presos políticos (como Jesus), demonstrando força e desprezo ao condenado, intimidando os mais atrevidos. Segundo antigos registros, os carrascos que executavam o sentenciado quase sempre eram os mais experientes, tal era o horror da cena. Os primeiros cristãos, portanto, tinham boas justificativas para terem pavor desse instrumento. Na 1ª Carta aos Coríntios (1,23), contudo, São Paulo afirma que ele e os outros evangelizadores pregavam Cristo crucificado, “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”. Ele se referia ao verdadeiro Messias, não ao “general” esperado pelo povo, mas, conforme o próprio Cristo, aquele que “devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto e ressuscitar depois de três dias” (Marcos 8,31). Em tempos de pregações sobre busca de “prosperidade”, sucesso, “vitória”, as palavras de Paulo e do próprio Cristo devem ser bem incômodas para algumas “seitas” dentro e fora do catolicismo. Tirar o Crucificado diante dos olhos pode nos levar a uma religião alienada ou ingênua. Ouso aconselhar que todo batizado passe algum tempo contemplando a Cruz. É impressionante e até constrangedor ver que nosso Deus, nosso Mestre, nosso Pastor não aparece numa ilha tropical, num iate, num camarote ou desfilando sobre um elegante e badalado tapete vermelho. Em nosso batismo, fomos enxertados primeiramente nesse Cristo que passou pela experiência da humilhação, da dor, para, depois, ser ressuscitado pelo Pai. Mirar com atenção a Cruz é um gesto piíssimo, mas exigente. O corpo nu, sujo e ensanguentado do Senhor é o sacramento dos muitos crucificados, alguns bem perto de nós. Essa contemplação precisa abrir nossos olhos e nosso espírito aos pobres, aos enfermos, aos fracos, aos desempregados, às mulheres agredidas, às crianças, aos sem acesso à escola, segurança e saúde, aos “lascados” de nossa sociedade. Ignorar a Cruz, substituindo-a por uma imagem de Jesus que parece sair do banho, pode levar a Igreja a distrair-se da missão e jogar para debaixo do tapete os sofredores, os crucificados de nosso tempo. Celebra-se uma barulhenta ressurreição que não passa pelo Calvário. Uma comunidade que verdadeiramente se configura a Jesus pode apropriar-se das palavras de Paulo: “Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,19b-20a). Que bom seria se todos nós pudéssemos pelo menos tentar fazer o Cristo (que passou pela Cruz, reforço), viver em nós. Um fiel, uma família, uma Igreja que tem diante de si a Cruz pode louvar, com toda a dignidade, a Jesus, de cujo peito aberto jorrou a água que nos batiza e o sangue que nos embriaga de alegria e vida. Sem a Cruz, nosso olhar de fé é embaçado. Outra lição da Cruz é a do sacrifício. Quanta gente quer obter o sucesso sem passar pelo esforço, quer ir logo para o Domingo da Ressurreição, ignorando a Sexta-Feira Santa! Daí surgem a corrupção, os golpes, os roubos, o abuso contra o outro. A tão esperada e cantada “vitória que Deus guardou para mim” pede empenho. Horas de estudo e de trabalho, superação de obstáculos, tentativas mil, recuos e avanços, investimento, paciência e muita oração. Que o Senhor Crucificado seja de novo exposto em nossos lares, em nossos locais de trabalho e em nossas igrejas. Ao contemplar nosso silencioso Mestre, o Salvador ferido, de cabeça inclinada e de olhos fechados, talvez entenderemos a lição do Santo Madeiro. Poderemos, assim, exaltar a Verdadeira Cruz ao longo de todo o ano e obedecer às palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Marcos 8,34b). Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.

24º Domingo do Tempo Comum

“Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz, renuncie a si mesmo e me siga” Marcos 8,27-35 Como Evangelho de hoje, temos a história do caminho de Cesareia de Filipe. Embora de grande importância também em Mateus e Lucas, o relato mais original está no Evangelho de Marcos, capítulo 8, o qual se torna o pivô de todo o Evangelho. A pedagogia do relato é interessante. Primeiro, Jesus faz uma pergunta bastante inócua: “Quem dizem os homens que eu sou?”. Assim, chovem respostas, pois essa pergunta não compromete (é o “diz que…”). Mas a segunda pergunta traz a “facada”: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Agora não vêm muitas respostas, pois quem responde em nome pessoal, e não dos outros, compromete-se. Somente Pedro se arrisca e proclama a verdade sobre Jesus: “Tu és o Messias”. Aparentemente, Pedro acertou, e realmente, na versão mateana, Jesus confirma a verdade do que proclamou. Afirmou que foi por uma revelação do Pai que Pedro fez sua profissão de fé. Mas, para que entendamos bem o trecho, é importante que continuemos a leitura pelo menos até o versículo 35, porque o assunto é mais complicado do que possa parecer. Jesus logo explica o que quer dizer ser o Messias. Não era ser glorioso, triunfante e poderoso, conforme os critérios deste mundo e as expectativas do povo de seu tempo, inclusive os discípulos. Muito pelo contrário, era ser fiel à sua vocação como Servo de Javé, que teria como consequência ser preso, torturado e assassinado, e dar a vida em favor de muitos. Usando o título messiânico “Filho de Homem”, que vem de Daniel (7,13ss), Jesus confirmou que era o Messias, mas não do jeito que Pedro esperava. Este, conforme as expectativas correntes em seu tempo, esperava um messias forte e dominador, não um que pudesse ir e levar com ele seus seguidores até a Cruz. Por isso Pedro contesta Jesus, pedindo que nada daquilo acontecesse. E, como recompensa, ganha uma das frases mais duras da Bíblia: “Afaste-se de mim, satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (vers. 33). Pedro, cuja proclamação de fé parecia ser tão acertada, é agora chamado de Satanás, o Tentador por excelência. Pedro tinha os títulos certos para Jesus, mas a prática errada. Usando nossos termos de hoje, de uma forma um tanto anacrônica, podemos dizer que ele tinha ortodoxia, mas não ortopraxis. Assim, Jesus usa o equívoco de Pedro para explicar o que significa ser seguidor dele: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (vers. 34). Ter fé em Jesus não é, em primeiro lugar, um exercício intelectual ou teológico, mas uma prática, uma adesão à sua pessoa e missão, que leva ao seguimento dele na construção de seu projeto, até as últimas consequências. Hoje, 2 mil anos depois, a pergunta de Jesus ressoa forte; a segunda pergunta. Para nós, quem é Jesus? Não para o catecismo, não para o Papa ou o bispo, mas para cada um de nós, pessoalmente. No fundo, a resposta se dá não com palavras, mas pela maneira em que vivemos e nos comprometemos com o projeto de Jesus, Ele que veio para que todos tivessem a vida e a vida plenamente (João 10,10). Cuidemos para que não caiamos na tentação do equívoco de Pedro, a de termos doutrina e teoria certas, mas a prática errada. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

Encontro de lideranças da Rede de Educação SSpS discute ações pós-pandemia

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto, foi promovido um encontro das lideranças da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. A reunião foi nas dependências do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, respeitando todos os protocolos sanitários em relação à covid-19. No evento, a diretoria dos colégios e demais lideranças da Rede tiveram a ocasião de visitar e conhecer uma escola referência em São Paulo, o Colégio Renascença, e debater temas relacionados à Educação de ponta, como sistemas de ensino bilíngue e espaço maker. Assim, vamos poder nos preparar ainda melhor para os desafios que teremos pela frente no pós-pandemia, tanto no aspecto educacional quanto no de gestão administrativa da Rede. Tivemos também foco no planejamento para o desenvolvimento de líderes, buscando processos e ferramentas para que as diretorias dos colégios e o time gestor da Rede possam aprimorar, ainda mais, sua capacidade de trabalhar com as dificuldades e oportunidades da área da Educação. Discutimos também temas como gestão financeira, tecnologia educacional, o novo ensino médio e o importante papel da dimensão missionária em nossas escolas. Assim, nesse encontro marcante, pudemos definir estratégias e ações que vão ajudar a assegurar um futuro sólido e promissor para a Rede de Educação SSpS. Assista ao vídeo com imagens do encontro. Robson Esteves é gestor administrativo da Rede de Educação SSpS.

Família Arnaldina: as fundações em datas marianas e a espiritualidade de Santo Arnaldo

A segunda metade do século XIX foi uma época turbulenta em toda a Europa: o auge do nacionalismo, colonialismo e imperialismo europeu, movimento operário, Revolução Industrial, novas descobertas, etc. Ao mesmo tempo, contudo, foi uma era de entusiasmo missionário. Naquele contexto de convulsão social, Santo Arnaldo Janssen reconheceu os sinais dos tempos e, por meio de sua obra missionária, buscou fazer a vontade de Deus. Ele foi um homem consciente das necessidades espirituais do povo de seu tempo. Mesmo que muitas pessoas abandonassem a fé católica, Santo Arnaldo Janssen queria plantar no coração do povo a semente da Palavra ou do Verbo Divino, fortalecer-lhe a fé e motivá-lo para a oração e a obra missionária. Também nessa época, as coisas eram difíceis na Alemanha. Bismarck havia declarado a Kulturkampf, que proibia as atividades missionárias no País. Porém o zelo missionário continuou ardendo no coração do Fundador e, com a ajuda de alguns bispos, Arnaldo inaugurou, em 8 de setembro de 1875, em Steyl, Holanda, a Casa Missionária ou o Centro de Formação e Missão. Essa data é considerada o dia da fundação da Congregação do Verbo Divino (SVD). Ele sempre dizia aos voluntários da Casa Missionária que o Senhor desafia nossa fé e nos incentiva a fazer algo novo para as missões. Para Arnaldo, assumir compromisso missionário era parte integrante da identidade verbita e despertava no coração dos novos missionários o mandamento do próprio Cristo, de ir e fazer discípulos entre todas as nações (cf. Mateus 28,19). Por isso, hoje, nossa Congregação está presente em mais de 70 países e ela tem caráter internacional e intercultural. Desde o começo, na Casa Missionária, entre os voluntários homens, havia também um grupo de mulheres que se dedicava ao serviço missionário da comunidade. Elas desejavam servir à evangelização como religiosas. Santo Arnaldo observou e reconheceu nelas a presença de um verdadeiro espírito missionário e aprendeu que a mulher tem um papel importante a desempenhar no anúncio do Reino de Deus. Assim, em 8 de dezembro de 1889, fundou a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS). E em 1896, também em 8 de dezembro, escolheu algumas irmãs para formar o ramo contemplativo, conhecido como Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP). Esta deve rezar, dia e noite, pela Igreja e pelas obras missionárias das duas congregações: SVD e SSpS, dedicadas ao serviço missionário ativo. É interessante observar que Santo Arnaldo Janssen escolheu a data de fundação das três congregações em dias de festas de Nossa Senhora. Certamente ele teve suas razões. Em 8 de setembro, celebramos a Festa da Natividade de Nossa Senhora; e, em 8 de dezembro, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. A família do Santo Arnaldo Janssen era sustentada por uma fé sólida e fidelidade ao Senhor. Geraldo Janssen, o pai do Fundador, mostrava grande amor pela missa dominical. A mãe, Ana Catarina, era uma mulher de oração contínua e também participava de todas as missas aos domingos. Sabemos que toda mãe, por graça de Deus, tem um pouco de Maria, que viveu por excelência o exercício da maternidade quando aceitou o convite do Pai a ser mãe do Filho de Deus, o Verbo Divino. E assim, a oração da família e, de maneira muito particular, a oração de sua mãe tiveram um profundo significado na vida de Santo Arnaldo Janssen. Ele recebeu da mãe uma boa educação na fé e, naquele ambiente familiar, mostrou grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Deus Uno e Trino, e ao Espírito Santo. Hoje, a Família Arnaldina (SVD, SSpS, SSpSAP e grupos de leigos) continua vivendo essa espiritualidade trinitária misericordiosa, legado da devoção da família de Santo Arnaldo. O Fundador sabia que a oração de sua mãe era uma grande força para a caminhada da própria família, por isso escolheu essas datas festivas marianas na esperança de receber a força e a proteção que vêm pela oração da Mãe de Jesus. O Verbo Divino se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e se fez homem na pessoa de Jesus, e Maria cuidou do menino Jesus com amor e carinho. No começo, as obras missionárias dessas três congregações precisavam de uma ajuda maior e de força espiritual. Na certeza de que tal como Maria cuidou do Menino Jesus, Ela certamente cuidaria de sua família missionária, o Fundador criou e confiou à proteção de Nossa Senhora as três congregações. No dia 8 de setembro de 2021, a Congregação do Verbo Divino completa 146 anos de sua fundação. Seguindo o carisma, o exemplo e os passos de Santo Arnaldo Janssen, a Família Arnaldina, formada de consagrados, consagrados, leigos e leigas, continua anunciando, pelas obras missionárias no mundo inteiro, a Palavra de Deus e os valores do Reino. Pe. Jwakim Ekka, SVDMissionário do Verbo Divino na Província Brasil Norte e vigário na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Porto Real do Colégio-AL.

Arco e flecha para o Sete de Setembro

Sempre haverá um grito a ser escutado. Em contraponto ao “Grito da Independência”, desde 1995, ecoa o “Grito dos Excluídos”. Um grito que é fruto de um processo, de uma articulação de muitas pessoas e movimentos, de muita mística e simbolismo, marcado pela proximidade do cotidiano de quem vivencia as lutas populares. É a tentativa de superar um patriotismo passivo e dar lugar a uma cidadania ativa Desde sempre, foi assim: questionando os padrões de independência do povo brasileiro e sonhando com um Brasil mais justo para todos os cidadãos e cidadãs. Um passeio pelos lemas e temáticas dos Gritos dos Excluídos e Excluídas é uma aula de História contada à base de uma participação ampla, aberta e plural. Não é um evento isolado, mas a culminância de um processo de discussões coletivas. 1995 – A vida em primeiro lugar 1996 – Trabalho e terra para viver 1997 – Queremos justiça e dignidade 1998 – Aqui é o meu país 1999 – Brasil: um filho teu não foge à luta 2000 – Progresso e vida, Pátria sem dívida$ 2001 – Por amor a essa Pátria Brasil 2002 – Soberania não se negocia 2003 – Tirem as mãos… O Brasil é nosso chão 2004 – Brasil: mudança pra valer o povo faz acontecer 2005 – Brasil: em nossas mãos a mudança 2006 – Brasil: na força da indignação, sementes de transformação 2007 – Isto não Vale! Queremos participação no destino da Nação 2008 – Direitos e participação popular 2009 – A força da transformação está na organização popular 2010 – Onde estão nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto popular 2011 – Pela vida grita a TERRA… Por direitos, todos nós! 2012 – Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população! 2013 – Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular 2014 – Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos 2015 – Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome? 2016 – Este sistema é insuportável. Exclui, degrada, mata! 2017 – Por direitos e democracia, a luta é todo dia 2018 – Desigualdade gera violência: basta de privilégios! 2019 – Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade 2020 – Basta de miséria, preconceito e repressão! E, em 2021, “Vida em primeiro lugar! Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!” Como podem ver, ir para as ruas em Sete de Setembro, desde muito tempo, faz parte da agenda transformadora dos que desejam, permanentemente, avanços, conquistas e justiça social. Feita uma “metodologia do arco e flecha”, cada “Grito” tem a força de uma construção coletiva. Duas pontas unidas por uma linha, a qual é flexionada para trás por uma haste longa e fina, com uma seta na ponta que, ao ser solta, projeta-se adiante e revela nossa energia potencial. Olhar o que passou, analisar o vivido e prospectar, foi assim que capturei a metodologia desse movimento que há 27 anos denuncia, anuncia e busca trazer ânimo diante dos desafios de cenários de adversidades, conquistas e retrocessos. Olhando para o alto e adiante, trazendo a flecha para trás para acolher a força do vivido, a trajetória desse movimento passa pela cabeça e pelo coração, busca forças e se projeta com vistas à conquista dos avanços pretendidos. Arco e flecha para o Sete de Setembro… Porque é tempo de nos armar de cidadania! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas. Referênciahttps://www.gritodosexcluidos.com/historia

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