Vocação: um caminho para a santidade

A vocação batismal é o chamado para seguir Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Marcos 1,17). No primeiro chamado, o batismo, somos interpelados a responder “sim”, entrar na dinâmica do discipulado de Jesus e, conscientemente, aderir ao projeto de Deus e viver com intensidade nossa vocação batismal. Desse modo, tornarmo-nos capazes de anunciar o amor compassivo e misericordioso de Deus às pessoas, por meio do apostolado e da missão. Ao redescobrirmos nossa vocação batismal, percebermos que todas as pessoas batizadas são chamadas por Deus e enviadas em missão. A vocação é, antes de tudo, chamado para o seguimento de Cristo, a tomar o caminho da santidade. Na comunidade cristã, não é importante ser isso ou aquilo, mas ser membro efetivo, como discípulo e discípula de Jesus. Os chamados de Deus para vocações específicas (sacerdócio, vida religiosa consagrada, matrimonial e leiga) são formas diferenciadas de viver o seguimento de Cristo. Poderíamos dizer que é a concretização da vocação batismal, realização do batismo mediante uma resposta pessoal, de acordo com os dons recebidos no próprio batismo e suscitados pelo Espírito Santo. Todo cristão precisa ser fiel à inspiração que o Espírito Santo segreda no seu coração e responder, com fidelidade, ao chamado. É todo o povo de Deus que se beneficia do carisma e da fidelidade de cada membro da Igreja-comunidade. “Segue-me!”, diz Jesus a cada um de nós, hoje. Precisamos ter a mesma atitude de disponibilidade e prontidão de tantos seguidores de Jesus… para entrar no projeto de Jesus. Assumamos nosso batismo para valer: testemunhar que vale a pena ser de Jesus, segui-lo, que vale a pena aderir a seu Reino e tornar-nos construtores do Reino de Deus aqui e agora. Ser fiel e perseverante ao chamado de Deus em nosso interior é, com certeza, garantia de realização e de vida plena e feliz. A fidelidade se consegue pela presença atuante do Espírito Santo. É um “deixar-se conduzir pelo Espírito” (Gálatas 5,16), na oração. Abramos nosso coração. Deixemos o Deus da Vida falar a nosso interior. Que Maria, a Serva do Espírito Santo, alimente a chama acesa de nossa vocação e continue acendendo essa mesma chama no coração de muitos jovens generosos e disponíveis. Irmã Hermelinda Maria Ruschel, SSpS, Ponta Grossa-PR.

O eu em (como) vocação

Quando se pergunta a uma criança “o que você vai ser quando ficar grande?”, em geral, ela responde aquilo que o pai ou a mãe faz, ou então aquilo que alguma pessoa significativa ou que ela admira faz. Conforme cresce, porém, vai se deparando com muitas outras possibilidades de escolha. E aí começa uma busca mais consciente por uma definição do que vai ser na vida. É o eu em (como) vocação que se põe perguntas. Na verdade, não se trata apenas de escolher uma profissão, é mais que isso, é descobrir para que se tem vocação. O que dá sentido à vida, o que inclui uma profissão, mas vai além desta. Para se ter uma profissão, basta aprender um ofício, preparar-se tecnicamente para ele ou pegar o emprego que aparece, e pronto! Levantar-se de manhã, tomar a condução, trabalhar oito, nove horas seguidas, depois voltar para casa e, no fim do mês, receber seu salário, e está resolvida a questão da profissão. Quanto à vocação, é algo mais complexo, porque ela diz respeito àquilo que dá sentido à vida e se liga ao bem que a pessoa faz aos outros ou à sociedade. Nem todos os que têm uma profissão definida têm uma vocação acertada. Que valor tem para os outros o exercício de sua profissão? Com que espírito ele trabalha? É necessário perceber um bem maior presente no exercício da profissão. É comum ouvir-se queixas de não se sentir realizado no que faz, mas como não há outra escolha profissional, o jeito é conformar-se. Na vocação, a questão é outra. Trata-se de descobrir o que dá sentido ao que se faz e ao porquê vive. É algo que ultrapassa os limites da profissão. Vivendo a vocação acertada, ela também dá sentido à profissão. Na profissão, depois de vários anos de trabalho, o sujeito se aposenta, deixa o exercício profissional. A vocação dura a vida inteira, só cessa com a morte, porque, na continuidade de sua vida, vê sentido naquilo que faz sem necessariamente ser de sua profissão. Em outras palavras, sente-se motivado por viver um sentido que lhe dá razão de viver. Por falta de discernimento, ocorrem muitos enganos. Às vezes, o jovem procura apenas pela profissão e, quando a tem, vê que não é nela que encontra sua vocação. Faltou-lhe perceber o detalhe que faz a diferença: se naquela profissão seu eu está em (como) vocação. Explicando melhor: a palavra vocação (vocare, do latim) quer dizer ser chamado. Cada um pode se perguntar: “sou chamado para que nesta vida? Qual a contribuição que eu, como pessoa, posso dar para o bem comum?”. Vocação implica ouvir (uma voz interior) e responder a ela. Pode-se somente a ouvir e não responder. Na perspectiva cristã, responder à vocação está ligado ao sentido que se dá à vida e o que se faz com ela. Em outras palavras, em que direção vive aquilo que escolheu e faz. Então, vocação e profissão podem andar de mãos dadas. Toda vocação implica um componente de transcendência. Isto é, encontrar um sentido fora de si, que vá além. A vocação dá à pessoa uma certeza interior de que aquilo que faz, mesmo profissionalmente, tem um sentido maior do que só lhe dar um salário no fim do mês. Mas tem consciência de que sua ação é construtora, é benéfica aos outros. Sua vocação então se reflete em seu empenho, em sua responsabilidade, em sua dedicação, em sua honestidade no que faz. O eu em vocação é aquele que vive e trabalha dedicado a uma profissão, mas, quando se aposenta desta, continua vivendo sua vocação, porque a vida não perdeu o sentido, mesmo quando cessa de ter um trabalho produtivo. Ninguém se realiza na profissão se não tiver um sentido de vocação. O eu em vocação passa pela profissão, mas não se esgota nela, porque tem uma dimensão que ultrapassa aquilo que suas mãos podem fazer. O eu em vocação tem a ver com aquilo que o coração pede e o lança para além de si mesmo. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.

Maestro João Carlos Martins participa do Tecendo Relações nesta quinta

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, o maestro João Carlos Martins participa ao vivo de um bate-papo sobre a arte de agir com amor e emoção para superar os desafios. O artista é o convidado do webinar Tecendo Relações. A conversa será mediada pela professora Edja Camila, do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. A transmissão será pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. O professor Marcus Vinícius Leles de Barcelos, que leciona Literatura e História da Arte no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, conta um pouco mais sobre o maestro João Carlos: “Aos 5 anos, João precisou submeter-se a uma cirurgia para a remoção de um tumor benigno incrustrado em seu pescoço. Todavia o procedimento contou com alguns revezes. Sensibilizado, o pai do menino decidiu presenteá-lo com um instrumento, o piano. O pai de João lhe sentenciou ao apresentar o instrumento pelo qual o garoto desenvolveria verdadeira fascinação: ‘Nós vamos perseguir o sonho de você se curar, e você ficará curado’. Iniciou-se, assim, a relação entre o menino e a música. João, sanado em nova cirurgia aos 8 anos, debruçou-se cada vez mais sobre as teclas. Aos 13 anos, João Carlos Martins estabelecera-se como concertista com sólida carreira pelo Brasil. Aos 18, passou a constelar entre os nomes de lustre do cenário internacional. Pouco depois, consagrou-se em apresentações no Carnage Hall, em Nova Iorque, sempre com lotação esgotada. Em tais ocasiões, peças de Bach eram as melhores vitrines para o virtuosismo do brasileiro. João não apenas os versava com facilidade como adestrou seu corpo a um novo patamar de exigência. Tornou-se capaz de executar vinte e uma notas por segundo. Em 1965, o músico residia em Nova Iorque, quando o time da Portuguesa de Desportos visitou a cidade por ocasião de um jogo-treino, para o qual convidou João Carlos Martins a integrar a equipe oficial. Contudo, em um desfecho inusitado, a participação do pianista na partida foi interrompida por um acidente que provocou a perfuração de seu braço à altura do cotovelo e comprometeu o pleno funcionamento do nervo ulnar, relacionado à elaboração motora das falanges. Como consequência, João Carlos Martins precisou afastar-se temporariamente do piano, devido à atrofia de três dedos. A situação se agravou alguns anos depois, quando o músico, que em nenhum momento desistiu da vocação e manteve-se engajado em exaustivos tratamentos, desenvolveu um quadro de lesão por esforço repetitivo. Entretanto, em um exemplo incrível de superação, o pianista conseguiu voltar aos palcos após longas e atribuladas sessões de fisioterapia. Não se desapegou, aliás, da paixão por Bach. Entre 1979 e 1985, realizou várias e significativas gravações das composições do mestre barroco. Em 1995, uma nova pirueta do destino. Ao sair de um teatro na cidade de Sófia, na Bulgária, João Carlos Martins foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, em um assalto. A concussão causou uma sequela neurológica que impôs restrições ainda mais severas à mobilidade do braço direito. Passou a executar peças que demandassem apenas a utilização de sua mão sã, como o álbum Só para a mão esquerda, composto por Maurice Ravel para Paul Wittgenstein, pianista austríaco que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, acabou por ter a mão esquerda inviabilizada pelo acometimento de uma nova moléstia, a contratura de Dupuytren. Desse ponto em diante, iniciou um longo périplo pela regência antes que pudesse voltar ao piano. A transição à posição de maestro acarretou novas necessidades de adaptação. Impossibilitado de manusear as partituras em tempo hábil para reger a orquestra, João Carlos Martins passou a memorizar, nota por nota, as peças que se propunha apresentar. Ressignificou também sua fascinação por Bach por meio da criação da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, instituições responsáveis pelo recrutamento e pela revelação de grandes talentos musicais. Surpreendentemente, em 2020, deu-se o reencontro do músico com o piano, por meio de um par de luvas biônicas projetadas pelo designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, as quais restituíram a mobilidade às mãos de João. A trajetória de João Carlos Martins é uma peça executada a vários andamentos. Nunca em silêncio. E para aqueles que, a qualquer momento, pensaram-no fora de cena, não se iludam. Como todo bom prestidigitador de Bach, João Carlos Martins é mestre da invenção e do improviso. Tem a arte sutil do ardil e da saída. Tocata e Fuga. Conhecê-lo é um privilégio que será experimentado pelos colaboradores da Rede de educação das Missionárias Servas do Espírito Santo no webinar Tecendo Relações.” Marcus Vinícius Leles de Barcelos é graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. É professor de Literatura e de História da Arte do Colégio Sagrado Coração de Jesus.

Papo Vocacional – Propósito de vida

Estamos chegando ao fim do Mês Vocacional, mas vocação faz parte de nossa vida e cultura, e é um tema que nunca se esgota. No vídeo de hoje, a estudante Jade Santos Tamiett fala sobre seu processo de escolha vocacional, que somente foi possível a partir da descoberta de seu propósito de vida. E você, já descobriu o seu? Já sabe qual é a sua missão no mundo? O propósito de vida é a missão para a qual nos sentimos chamados. É o motivo pelo qual existimos e a contribuição que devemos dar para a sociedade e o mundo. Isso é algo muito pessoal, e cada ser humano tem o seu próprio propósito que precisa ser descoberto. Quando descobrimos qual é o nosso lugar no mundo e o que viemos para fazer, nossa vida ganha foco e direção. Sabemos quem somos e qual o caminho a seguir. Assim podemos aplicar todos os nossos esforços em direção à nossa meta. Jade é ainda muito jovem, mas já descobriu seu propósito de vida: ajudar a salvar o planeta. Assim ela pode se decidir pelas Ciências Biológicas, que vão dar as ferramentas e o conhecimento necessário para ela realizar seu intento. Todo ser humano tem uma missão a cumprir, a qual é diferente para cada pessoa. Realizar o chamado profundo de nosso coração, seja ele qual for, é a melhor maneira de encontrar a felicidade. Quando colocamos nossos dons e talentos a serviço dos outros, buscando o bem de todos e o crescimento pessoal, vamos concretizando nossa razão de existir. E você, já descobriu seu lugar no mundo? E que passos está dando para viver sua vocação?

A vocação do catequista

O quarto domingo de agosto, Mês das Vocações, é dedicado aos leigos e leigas e, de maneira especial, aos e às catequistas. De fato, a Igreja deve muito a tantas mulheres e homens que dedicam seu tempo e seu amor para comunicar a fé e ensinar a Boa-Nova de Jesus. Cada um, cada uma de nós certamente se recorda com carinho de quem o acompanhou na preparação para a primeira comunhão eucarística ou mesmo para a crisma. Muitos de nós abraçamos a fé por intermédio de nossos pais, que foram nossos primeiros catequistas. Mas, depois, na catequese, descobrimos e aprendemos muito mais, participando da Igreja e integrando a fé e os ensinamentos de Jesus a nosso cotidiano. Em carta dirigida às e aos catequistas, Dom José Antonio Peruzzo, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, afirma: “Celebrar o Dia do Catequista tem um significado de gratidão e de esperança: gratidão pelo amor e gratuidade dedicados a anunciar a pessoa de Jesus Cristo. Esperança, porque, enquanto pudermos contar com catequistas, o anúncio terá também a marca da ternura. Os catequistas, eles e elas, evangelizam com afeto. Os tempos desafiam, requerem novos paradigmas, pedem por novas linguagens, mas, se houver paixão, a catequese será sempre criativa”. Há muitas maneiras de realizar a catequese. O primeiro passo cabe aos pais e consiste em ensinar a criança, desde bem pequena, a amar a Deus, mostrando aos pequenos como rezar e falando-lhes de Jesus e do Evangelho. Os pais ensinam pelo exemplo, e é muito importante transmitir os valores humanos e cristãos às crianças e levá-las para a Igreja. Aquilo que aprendem desde o berço fica gravado para toda a vida. Todas as paróquias e a maioria das comunidades contam com uma equipe de catequistas preparada para ensinar diferentes faixas etárias, envolvendo crianças pequenas, crianças em idade de receber a primeira comunhão eucarística, adolescentes que se preparam para o crisma e até jovens e adultos que buscam a fé e não tiveram oportunidade antes. A catequese pode acontecer também nas escolas católicas que, além do Ensino Religioso, que é ecumênico e dirigido a todas as denominações religiosas, oferece a oportunidade para os alunos que são católicos aprofundarem a fé, participarem da catequese e receberem os sacramentos. No Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, uma das escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, os alunos que o desejam participam da catequese. Padre Expedito de Lopes Castro, Capelão Escolar, gravou um vídeo no qual fala sobre o Dia do Catequista. Vale a pena assistir.

Papo Vocacional – Vocação à vida consagrada

A vida religiosa consagrada é uma vocação de entrega total a Deus a serviço de seu povo. Por isso as irmãs religiosas deixam sua família e entram numa congregação religiosa para viver mais intensamente seu compromisso. No Papo Vocacional de hoje, Dom Manoel Ferreira dos Santos Junior, bispo da Diocese de Registro-SP, fala sobre a vocação à vida consagrada e explica, com clareza, o sentido dos votos de pobreza, obediência e castidade. Ele conta que os votos religiosos é um caminho de amor e de liberdade para poder se dedicar, com todo o ser, às outras pessoas, especialmente as que mais necessitam. E você, conhece alguma irmã ou irmão religioso?

Vocação é caminho de amor e serviço

A Igreja Católica dedica o mês de agosto às vocações, especialmente às de especial consagração, como é o caso das irmãs, padres, diáconos e leigas e leigos consagrados. Também lembra a vocação de catequistas, pais e de todas as pessoas que se dedicam com amor ao serviço do próximo. Viver a vocação é responder ao chamado de Deus, que convida cada pessoa, com amor, respeito e carinho, a colocar seus dons a serviço dos outros, contribuindo para a vida da comunidade e o progresso da humanidade. O chamado de Deus se manifesta dentro de cada pessoa como convite, desejo, necessidade e até mesmo como forte apelo para dar o que tem de melhor em razão de um bem maior. Por isso, provoca alegria e profunda realização. Responder ao chamado de Deus traz verdadeira felicidade ao sair de si para acolher, ajudar, amar, colaborar e servir às outras pessoas. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas escutaram e responderam ao chamado de Deus e ofereceram suas vidas para que crianças, jovens, enfermos, mulheres, idosos e pessoas nas mais variadas situações pudessem ter uma vida melhor, mais conscientes do amor de Deus por elas. Deus continua chamando Hoje, Deus continua chamando em todas as línguas, países e culturas. Inclusive entre as pessoas que vivem muito perto de nós e, quem sabe, dentro de nossa própria família. Você certamente também está sendo chamado, chamada para uma missão feita especialmente para você. Já parou para pensar? Irma Nadir Vieira Pereira, por exemplo, vivia tranquila em sua família e comunidade quando Deus a chamou para algo mais. Então, ainda bem jovem, começou a ajudar a comunidade a se organizar, a fazer as celebrações… Depois sentiu o impacto das injustiças sobre o seu povo, na comunidade remanescente de quilombo, em Nhunguara, Município de Eldorado-SP, e viu que era necessário lutar pelo direito à terra. Assim, seu coração foi se alargando e se abrindo ao chamado de Deus que a convidava à missão muito mais além de sua pequena comunidade. Irmã Nadir respondeu sim e entrou para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo e se consagrou como irmã missionária. Como o chamado de Deus é dinâmico, Ir. Nadir continuou atenta ao seu coração, escutou o apelo dos irmãos na África e deu mais um passo. Foi para Moçambique servir à missão. O tempo foi passando, e ela completou 25 anos de consagração religiosa e retornou à sua comunidade para celebrar. Hoje, Ir. Nadir, de volta ao Brasil, dedica-se à missão com os migrantes em São Paulo-SP e continua a dizer sim ao chamado de Deus para amar e servir a todas as pessoas que o Senhor coloca em seu caminho. O vídeo a seguir é da celebração de ação de graças pelo jubileu de 25 anos de vida consagrada de Ir. Nadir e é pura expressão de alegria, tanto dela como de sua família de sangue, da família religiosa e de sua comunidade de origem. Viver a vocação, portanto, é fonte de bênçãos que se multiplicam, trazendo o Reino de Deus no agora de nosso tempo. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Vocação

“A nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina…”                                                                                                                          Papa Francisco O chamado de Deus nos conduz a uma reflexão de escuta e vivência da sua Palavra. Mas é preciso permitir que Ele toque em nossa alma, o que acontece no dia a dia. Vivemos numa sociedade contraditória aos apelos de Deus, e é nesta sociedade e neste mundo, imbuído de barulho e materialismo que tanto inquietam nosso coração e nossa mente, que escutamos o seu chamado. E o Senhor, em sua infinita bondade, cria em nós um espaço de silêncio e discernimento em meio a toda essa diversidade e, assim, também respondemos, como Isaías, Samuel, Moisés, Abraão e Maria: “Eis-me aqui, Senhor!”, na certeza de que Ele sempre estará conosco. É preciso permitir que Deus toque em nossa alma quando estamos diante (ou ao lado) daquele que sofre, que tem frio e fome, que não vê sentido na vida, que tem sede de Deus. É preciso, acima de tudo, colocar-se no lugar do outro para sentir o que o outro sente e, assim, continuar a missão de Jesus, que é a nossa missão. Vocação é isto… Colocar a serviço do outro os talentos que de Deus recebemos e que se traduzem em gestos de amor e fraternidade, onde quer que estejamos. Neste ano dedicado ao laicato, a vocação se torna ainda mais latente em nós, leigos, que vivemos a experiência do amor e da misericórdia de Deus em nossas famílias, em nosso trabalho e em nossas comunidades. E hoje compartilho com vocês os depoimentos de leigos que dizem o seu sim no dia a dia de suas vidas. “Ser missionária leiga de Deus Uno e Trino é viver enraizada no carisma trinitário, evangelizando no trabalho, família, escola, para a prática do mandamento do amor, sendo ramo, sal, luz e fermento. O mundo é o lugar da ação do cristão. A missão nos fortalece como cristãos. Ser missionário é ser Igreja em saída de si mesmo em busca do irmão, do amigo, da família, do colega do trabalho, do desconhecido, do excluído…” Maria Cristina Queiroz Maia “Ser missionário é fazer da educação um espaço de acolhida e de anúncio de uma nova perspectiva de vida à infância e à juventude, que clamam por um mundo melhor.” Agostinho Travençolo Júnior  “É missão de todos nós Deus chama, eu quero ouvir a sua voz” Zé Vicente   Nanci Regis Queiroz Afonso Missionária leiga de Deus Uno e Trino

Vocação: chamado de Deus à vida plena

A pessoa humana é um ser criado no amor e para o AMOR. Chamados por Deus à existência, carregamos em nós o sopro divino (cf. Gn 2,7). Cada ser humano é, em primeiro lugar, chamado à vida, a ser e “acontecer” no AMOR, já que cresce e se desenvolve de forma única e irrepetível. Conforme amadurecemos, nossa fé também vai criando raízes e começamos a fazer perguntas sobre o sentido de nossa vida, sobre o que estamos fazendo neste mundo, por que e para que Deus nos criou. Questionamentos dos quais muitas vezes sentimos medo, por temer realmente escutar a vontade de Deus para a nossa existência. Hoje, vivemos em uma sociedade em que temos muitos ideais de felicidade baseados no ter e no poder, que vão contra os valores evangélicos e podem nos confundir, levando-nos a escolher caminhos que, a longo prazo, trazem-nos sofrimento e nos levam à autodestruição. A vocação que vem de Deus, porém, vai sempre nos levar a escolher caminhos que nos conduzem a viver em plenitude. Em seu Filho, Jesus, Deus nos chama ao amor, portanto vocação é amar… e o amor é a fonte mais profunda da alegria. Não devemos, assim, temer a vontade de Deus, pois ela vai nos conduzir sempre à felicidade, seja no matrimônio, na vida religiosa consagrada ou na vivência do sacerdócio. No campo das vocações, muitas são as alternativas: Deus é criativo e generoso, e Ele sabe onde é o seu lugar. Não tenha medo de escutar a sua voz e, se a ouvir, tenha coragem de dar os passos necessários para responder a seu chamado. Caso ainda não tenha pensado sobre sua vocação, comece a perguntar a Deus onde Ele quer você e busque, no seu coração, conhecer aquilo que dá mais sentido à sua existência. Como Ele nos chama por amor, nossa resposta deverá sempre ser por amor e, assim, nosso caminho poderá não ser fácil, mas será pleno de sentido e de alegria. Coragem… Deus chama você, e o mundo precisa de sua resposta. A messe é grande, e poucos os operários.

A vocação da família

Estamos no Mês Vocacional, e hoje vamos refletir sobre a vocação da família. Como assim? A vocação da família? Isso mesmo! A vocação da família, pois é uma vocação que tem sua origem em Deus. O plano de Deus é que toda pessoa participe de sua vida, por isso a criou à sua imagem e semelhança. Para realizar essa vocação, o ser humano deve se conformar a Jesus, o Filho de Deus. A família está presente no projeto de Deus para a humanidade, narrado nos textos bíblicos. Neles a vocação da família está inserida numa caminhada marcada por situações de contradição, pela busca de felicidade, pela presença da dor e da morte, pelo trabalho que sustenta, pela ternura das relações entre pais e filhos, e pela entrada de Deus na história, por meio de uma família humana. Nos diversos contextos, a sociedade muda, e as famílias participam dessa mudança também em seus modos de viver e pensar. Portanto, hoje, as famílias nem sempre correspondem a um único modelo. Contudo a vocação da família é uma só e pode ser mais bem compreendida por meio da afirmação que o Papa Francisco faz na exortação Amoris Laetitia: “O Deus Trindade é comunhão de amor; e a família, o seu reflexo vivente” (cf. n.º 11). O que você faz para que sua família seja imagem do amor de Deus Trino? O capítulo 3 dessa exortação insiste na vocação da família como mistério que só se pode compreender à luz do amor infinito de Deus Pai manifestado em Jesus Cristo (cf. n.º 58). O matrimônio é uma vocação para viver o amor conjugal como sinal do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso a decisão de casar-se e formar uma família deve ser fruto de um discernimento (cf. n.º 72). A família tem de ser experiência de serviço, hospitalidade, acolhimento e vivência da justiça e da fé, pois Jesus Cristo confiou às famílias a própria missão. E você, já se perguntou qual é a missão de sua família dentro da Igreja e da sociedade? Irmã Juana Ortega, SSpS

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